4º Domingo da Quaresma

10 de Março de 2013

 

Onde se fizerem os escrutínios preparatórios para o Baptismo dos adultos, neste domingo, podem utilizar-se as orações rituais e as intercessões próprias: p. 1063 do Missal Romano.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Senhor, são muitos os nossos pecados, J. Santos, NRMS 53

cf. Is 66, 10-11

Antífona de entrada: Alegra-te, Jerusalém; rejubilai, todos os seus amigos. Exultai de alegria, todos vós que participastes no seu luto e podereis beber e saciar-vos na abundância das suas consolações.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O Santo Padre convidou-nos a viver o Ano da Fé, recordando os cinquenta anos do Concílio Vaticano II e os vinte da promulgação do Catecismo da Igreja Católica.

 Com a ajuda de S.José e Nossa Senhora, que vamos celebrar dentro de poucos dias, avivemos a nossa fé em Jesus que está aqui e procuremos conhecê-la e vivê-la de verdade em nossa vida.

 

 Reconheçamos humildemente os nossos pecados.

 

Oração colecta: Deus de misericórdia, que, pelo vosso Filho, realizais admiravelmente a reconciliação do género humano, concedei ao povo cristão fé viva e espírito generoso, a fim de caminhar alegremente para as próximas solenidades pascais. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O povo de Israel entrou na terra prometida, após quarenta anos no deserto do Sinai. Em Gálgala, já na terra tanto tempo desejada, celebraram a primeira Páscoa, começando uma vida nova.

 

Josué 5, 9a.10-12

Naqueles dias, 9adisse o Senhor a Josué: «Hoje tirei de vós o opróbrio do Egipto». 10Os filhos de Israel acamparam em Gálgala e celebraram a Páscoa, no dia catorze do mês, à tarde, na planície de Jericó. 11No dia seguinte à Páscoa, comeram dos frutos da terra: pães ázimos e espigas assadas nesse mesmo dia. 12Quando começaram a comer dos frutos da terra, no dia seguinte à Páscoa, cessou o maná. Os filhos de Israel não voltaram a ter o maná, mas, naquele ano, já se alimentaram dos frutos da terra de Canaã.

 

A leitura fala-nos do início de uma nova vida do povo eleito, após a longa e dura travessia do deserto. O facto de ter sido escolhida para este tempo, em que o deserto da Quaresma caminha para o seu fim, pode ter um significado simbólico, ligado ao Evangelho do filho pródigo: o regresso à casa paterna, a conversão, o começo de uma vida nova.

9 «Vexame do Egipto». Este pode ser a incircuncisão, de acordo com o contexto (notar que foram aqui suprimidos os vv. 6-8), em que se fala de que Josué procedeu então à circuncisão dos filhos daqueles que tinham saído do Egipto, embora também os egípcios a tivessem praticado. Outros autores pensam que o vexame do Egipto seria a escravidão lá sofrida e as consequentes privações do deserto.

10 «Guilgal». A localização desta Guilgal é incerta, mas supõe-se que ficasse nas proximidades de Jericó. No texto hebraico há um jogo de palavras que podíamos transpor para português da seguinte maneira: «Em Guigal eu fiz o povo galgar o vexame do Egipto». Com efeito, em hebraico gálgal significa roda, e o verbo aqui usado (gallóthi) significa pus a rodar, isto é, «afastei» ou «tirei».

11 «No dia seguinte à Páscoa», isto é, a 16 do mês de Nisan, de acordo com a Lei (cf. Lev 23, 4-14); após a oferta a Deus do primeiro feixe de trigo, já o povo podia começar a comer o trigo novo, ainda quase todo verde. Ainda hoje a gente do campo na Síria e no Egipto gosta de comer, quando ainda verde, o grão de trigo assado.

 

Salmo Responsorial    Sl 33 (34), 2-3.4-5.6-7 (R. 9a)

 

Monição: Felizes de nós se sabemos apreciar as maravilhas de Deus, como nos lembra o salmo de hoje.

 

Refrão:        Saboreai e vede como o Senhor é bom.

 

A toda a hora bendirei o Senhor,

o seu louvor estará sempre na minha boca.

A minha alma gloria-se no Senhor:

escutem e alegrem-se os humildes.

 

Enaltecei comigo ao Senhor

e exaltemos juntos o seu nome.

Procurei o Senhor e Ele atendeu-me,

libertou-me de toda a ansiedade.

 

Voltai-vos para Ele e ficareis radiantes,

o vosso rosto não se cobrirá de vergonha.

Este pobre clamou e o Senhor o ouviu,

salvou-o de todas as angústias.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Reconciliai-vos com Deus – lembra-nos o Senhor pela boca de S.Paulo. Aproveitemos a Quaresma para fazer melhor a nossa confissão. É através dela que nos reconciliamos com Deus.

 

2 Coríntios 5, 17-21

Irmãos: 17Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura. As coisas antigas passaram; tudo foi renovado. 18Tudo isto vem de Deus, que por Cristo nos reconciliou consigo e nos confiou o ministério da reconciliação. 19Na verdade, é Deus que em Cristo reconcilia o mundo consigo, não levando em conta as faltas dos homens e confiando-nos a palavra da reconciliação. 20Nós somos, portanto, embaixadores de Cristo; é Deus quem vos exorta por nosso intermédio. Nós vos pedimos em nome de Cristo: reconciliai-vos com Deus. 21A Cristo, que não conhecera o pecado, Deus identificou-O com o pecado por causa de nós, para que em Cristo nos tornemos justiça de Deus.

 

Já nas Cinzas, tivemos parte desta leitura. S. Paulo ao fazer a sua defesa perante as acusações dos seus opositores em Corinto, exalta a grandeza do ministério apostólico de que está investido, um ministério de reconciliação com Deus alcançada pelo mistério da Morte e Ressurreição de Cristo (5, 14-15).

17 «Nova criatura». Pelo Baptismo dá-se uma transformação radical – regeneração interior (cf. Jo 3, 5) – do homem velho (cf. Rom 6, 6; Gal 6, 15; Col 3, 9; Ef 2, 15; Tit 3, 5). Dá-se como que uma nova criação, no plano da graça, pois passa-se do não ser, do nada e menos que nada (o pecado: «as coisas antigas») para «estar em Cristo», participando da sua vida divina.

18 «Ministério da reconciliação». O contexto não permite que se interprete este ministério no sentido estrito do ministério do perdão exercido no Sacramento da Penitência, embora este se possa ver englobado no conjunto (boa ocasião para rever o motu proprio Misericordia Dei de João Paulo II, sobre alguns aspectos do Sacramento da Penitência, de 7 de Abril de 2002, que quase passou despercebido).

20 «Reconciliai-vos com Deus». É este o insistente convite que a Igreja nos faz em nome de Deus, a mesma exortação que fazia S Paulo, com a plena consciência de que era Deus que exortava por seu intermédio, pois os Apóstolos, como os demais ministros de Cristo, são «embaixadores ao serviço de Cristo», e não apenas ao seu serviço, mas actuando em vez de Cristo e por autoridade de Cristo, como o texto original parece dar a entender com o uso da preposição grega ypér (em favor de, usada no sentido da preposição antí, em vez de; cf. Jo 11, 50; Gal 3, 13; etc.), como já referimos na Quarta-feira de Cinzas.

21 «Deus identificou-o com o pecado», à letra, Deus fê-lo pecado, uma expressão extraordinariamente forte e chocante. Note-se, no entanto, que não se diz que Deus O tenha feito pecador; o que se pretende significar é que Deus permitiu que Jesus viesse a sofrer o castigo que cabia ao pecado. Trata-se aqui duma identificação jurídica, não moral: Cristo tornando-Se a Cabeça e o Chefe duma raça pecadora, toma sobre os seus ombros a responsabilidade, não a de uns pecados alheios, mas a dos pecados da sua raça (de toda a Humanidade), para os expiar, sofrendo a pena devida por eles (cf. Gal 3, 13). O texto torna-se menos duro, se entendemos que Cristo se fez pecado, no sentido de que se fez sacrifício pelo pecado; isto, que pode parecer uma escapatória para evitar a dificuldade de interpretação, tem um certo fundamento no substrato hebraico, pois a palavra ’axam tem este duplo sentido de «violação da justiça» e de «sacrifício de reparação pelo pecado»; com efeito, pelo sacrifício de Cristo tornamo-nos «justiça de Deus», isto é, justos diante de Deus (note-se o jogo com os dois substantivos abstractos – pecado/justiça –, num evidente paralelismo antitético, tão do gosto paulino).

 

Aclamação ao Evangelho        Lc 15, 18

 

Monição: A parábola do filho pródigo manifesta-nos a misericórdia infinita de Deus, sempre pronto a perdoar ao pecador arrependido. Louvemos a maravilha do perdão que a todos nos oferece.

 

Cântico: F. da Silva, NRMS 1 (I)

 

Vou partir, vou ter com meu pai e dizer-lhe:

Pai, pequei contra o Céu e contra ti.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 15, 1-3.11-32

Naquele tempo, 1os publicanos e os pecadores aproximavam-se todos de Jesus, para O ouvirem. 2Mas os fariseus e os escribas murmuravam entre si, dizendo: «Este homem acolhe os pecadores e come com eles». 3Jesus disse-lhes então a seguinte parábola: 11«Um homem tinha dois filhos. 12O mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me toca’. O pai repartiu os bens pelos filhos. 13Alguns dias depois, o filho mais novo, juntando todos os seus haveres, partiu para um país distante e por lá esbanjou quanto possuía, numa vida dissoluta. 14Tendo gasto tudo, houve uma grande fome naquela região e ele começou a passar privações. 15Entrou então ao serviço de um dos habitantes daquela terra, que o mandou para os seus campos guardar porcos. 16Bem desejava ele matar a fome com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. 17Então, caindo em si, disse: ‘Quantos trabalhadores de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome! 18Vou-me embora, vou ter com meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti. 19Já não mereço ser chamado teu filho, mas trata-me como um dos teus trabalhadores’. 20Pôs-se a caminho e foi ter com o pai. Ainda ele estava longe, quando o pai o viu: encheu-se de compaixão e correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. 21Disse-lhe o filho: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. 22Mas o pai disse aos servos: ‘Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. 23Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejamos, 24porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’. E começou a festa. 25Ora o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. 26Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo. 27O servo respondeu-lhe: ‘O teu irmão voltou e teu pai mandou matar o vitelo gordo, porque ele chegou são e salvo’. 28Ele ficou ressentido e não queria entrar. Então o pai veio cá fora instar com ele. 29Mas ele respondeu ao pai: ‘Há tantos anos que eu te sirvo, sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos. 30E agora, quando chegou esse teu filho, que consumiu os teus bens com mulheres de má vida, mataste-lhe o vitelo gordo’. 31Disse-lhe o pai: ‘Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu. 32Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’».

 

Alguém considerou a parábola do filho pródigo «o evangelho dos evangelhos». É a mais bela e a mais longa das parábolas de Jesus, impregnada duma finíssima psicologia própria de quem no-la contou, Jesus, que conhece a infinita misericórdia do coração de Deus, que é o seu próprio coração, e que penetra na profundidade da alma humana (cf. Jo 2, 25), onde se desenrola o tremendo drama do pecado. «Aquele filho, que recebe do pai a parte do património que lhe corresponde, e abandona a casa para o desbaratar num país longínquo, vivendo uma vida libertina, é, em certo sentido, o homem de todos os tempos, começando por aquele que em primeiro lugar perdeu a herança da graça e da justiça original. A analogia neste ponto é muito ampla. A parábola aborda indirectamente todo o tipo de rupturas da aliança de amor, todas as perdas da graça, todo o pecado» (Encíclica Dives in misericordia, nº 5; ver tb. Catecismo da Igreja Católica, nº 1439).

12 «Dá-me a parte da herança»: segundo Dt 21, 17 pertencia-lhe um terço, havendo só dois filhos. O pai podia fazer as partilhas em vida (cf. Sir 30, 28ss).

13 «Partiu…»: o pecado do filho foi abandonar o pai, esbanjar os seus bens e levar uma vida dissoluta.

14-16 «Uma grande fome: é a imagem do vazio e insatisfação que sente o homem quando está longe de Deus, em pecado. «Guardar porcos» era uma humilhação abominável para um judeu, a quem estava proibido criar e comer estes animais impuros. Esta situação para um filho duma boa família era absolutamente incrível, o cúmulo da baixeza e da servidão. As «alfarrobas»: o rapaz já se contentaria com uma tão indigesta e indigna comida, mas, na hora de se dar uma ração dessas aos porcos, ninguém se lembrava daquele miserável guardador! Aqui fica bem retratada a vileza do pecado e a escravidão a que se submete o homem pecador (cf. Rom 1, 25; 6, 6; Gal 5, 1). O filho pretendia ser livre da tutela do pai, mas acaba por perder a liberdade própria da sua condição: imagem do pecador que perde a liberdade dos filhos de Deus (cf. Rom 8, 21; Gal 4, 31; 5, 13) e se sujeita à tirania do demónio, das paixões.

17 «Então, caindo em si…» A degradação a que a loucura do seu pecado o tinha levado fê-lo reflectir (é o começo da conversão) e enveredar pela única saída digna e válida.

18-19 «Vou-me embora»: A tradução latina (surgam) do particípio gráfico (mas não ocioso) do original grego – «levantar-me-ei» – é muito mais expressiva, pois, duma forma viva, indica a atitude de quem começa a erguer-se da sua profunda miséria.

«Pequei contra o Céu e contra ti»: nesta expressão retrata-se a dimensão transcendente do pecado; não é uma simples ofensa a um homem, é ofender a Deus, uma ofensa de algum modo infinita! O filho não busca desculpas, reconhece sinceramente a enormidade da sua culpa.

«Trata-me como um dos teus trabalhadores». É maravilhoso considerar como naquele filho arrependido começa a brotar o amar ao pai; o que ele ambiciona é ir para junto do pai, estar junto a ele é o que o pode fazer feliz! Melhorar a sua situação material não é o que mais o preocupa, pois, para isso, qualquer proprietário da sua pátria o podia admitir como jornaleiro. Por outro lado, não se atreve a pedir ao pai que o admita no gozo da sua antiga condição de filho, porque reconhece a sua indignidade: «já não mereço ser chamado teu filho».

20 «Ainda ele estava longe, quanto o pai o viu». Este pormenor faz pensar que o pai não só desejava ansiosamente o regresso do filho, mas também, muitas vezes, observava ao longe os caminhos, impaciente de ver o filho chegar quanto antes, uma enternecedora imagem de como Deus aguarda a conversão do pecador. «Encheu-se de compaixão»: o verbo grego é muito expressivo e difícil de traduzir com toda a sua força, esplankhnístê: «comoveram-se-lhe as entranhas» (tà splánkhna). «E correu…»: é impressionante o contraste entre o pai que corre para o filho e o filho que simplesmente caminha para o filho – «a misericórdia corre» (comenta Sto. Agostinho); «cobrindo-o de beijos», numa boa tradução que tem em conta a forma iterativa do verbo grego, é uma belíssima e expressiva imagem do amor de Deus para com um pecador arrependido!

21 «Pai, pequei». Apesar de se ver assim recebido pelo pai, o filho não se escusa de confessar o seu pecado e de manifestar a atitude interior que o move a regressar.

22 «A melhor túnica, o anel, o calçado», são uma imagem da graça, o traje nupcial (cf. Mt 22, 11-13); assim nos espera o Senhor no Sacramento da Reconciliação, não para nos ralhar, recriminar, mas para nos admitir na sua antiga intimidade, restituindo-nos, cheio de misericórdia, a graça perdida.

23 «Comamos e festejemos», a imagem da Sagrada Eucaristia, segundo um sentido espiritual corrente.

25-32 «O filho mais velho»: esta segunda parte da parábola não se pode limitar a uma censura dos fariseus e escribas (v. 2), cumpridores, mas insensíveis ao amor – o mais velho é que é, no fim de contas, o filho mau –; a parábola é também uma lição para todos, a fim de que imitem a misericórdia de Deus para com um irmão que pecou (cf. Lc 6, 36); ele é sempre «o teu irmão» (v. 33), e não há direito de que não se tome a sério a misericórdia de Deus, com aquela despeitada ironia: «esse teu filho» (v 30). A misericórdia de Deus é tão grande, que ultrapassa uma lógica meramente humana; esta segunda parte da parábola põe em evidência a misericórdia de Deus a partir do contraste com a mesquinhez do filho mais velho.

 

Sugestões para a homilia

 

Reconciliai-vos com Deus

Pai, pequei

Cobrindo-o de beijos

 

Reconciliai-vos com Deus

 

A quaresma é tempo forte de penitência, como a Igreja nos recordava logo no primeiro dia, em quarta feira de Cinzas.

É Deus que nos exorta por nosso intermédio. Nós vos pedimos em nome de Cristo: reconciliai-vos com Deus “. Vamos tu e eu tomar a sério este apelo tão solene do Apóstolo.

A nossa reconciliação com Deus passa pelo sacramento da penitência. Ao institui-lo, em dia de Páscoa, Jesus diz aos Apóstolos: “àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados. Àqueles a quem os retiverdes serão retidos “ (Jo 20,23). Jesus concede-lhes esse poder e ensina que só neste sacramento dará o perdão. Por isso pensam erradamente os que afirmam que se confessam directamente a Deus.

Temos de estimar muito este sacramento maravilhoso. É o sacramento da alegria, que nos tira de cima das costas o peso dos nossos pecados

Na confissão podemos sempre começar uma vida nova e ser nova criatura, como lembra S.Paulo na segunda leitura.

Temos de animar os sacerdotes para este ministério tão importante, hoje, que se vêem tão absorvidos por muitos trabalhos. João Paulo II, no seu livro Dom e mistério, por ocasião dos seus cinquenta anos de sacerdote, conta a sua visita a Ars, em França, quando era jovem sacerdote, em fins de 1947.Emocionou-se ao visitar a igreja onde o santo Cura d’Ars confessara: “S.João Maria Vianney impressiona – refere o papa – sobretudo porque nele se revela a força da graça que age na pobreza de meios humanos. Tocava-me profundamente, de modo particular, o seu heróico serviço no confessionário. Aquele humilde sacerdote, que confessava mais de dez horas por dia, alimentando-se pouco e dedicando ao descanso apenas umas horas, tinha conseguido num período histórico difícil, suscitar uma espécie de revolução espiritual em França e não só. Milhares de pessoas passavam por Ars e ajoelhavam-se no seu confessionário

…Do encontro com a sua figura nasceu-me a convicção de que o sacerdote realiza uma parte essencial da sua missão através do confessionário, através daquele fazer-se “prisioneiro do confessionário” (Dom e mistério (Lisboa 1996) p.66).

 

Pai, pequei

 

Neste ano da fé temos de esforçar-nos por aprofundar a nossa fé nos sacramentos que Jesus instituiu e são para nós os canais da graça de Deus. E não só no Baptismo, que lembraremos de modo particular na Vigília Pascal.

A confissão é como que um segundo baptismo que podemos receber muitas vezes. E renova em nós a graça baptismal e a faz crescer. Temos de ler e meditar o que a Igreja nos ensina no Catecismo da Igreja Católica e nos ensinamentos do Santo Padre. João Paulo II falou muitas vezes deste sacramento. O mesmo faz Bento XVI. Muitos cristãos têm ideias erradas e alguns sacerdotes práticas contra as normas da Igreja. É mais um motivo para procurarmos a boa doutrina e avivarmos a nossa fé, como a Igreja no-la transmite.

A parábola do filho pródigo fala-nos da misericórdia incomensurável de Deus sempre pronto a acolher o filho ingrato.

Mostra-nos a situação incómoda do pecado que nos afasta de Deus e nos deixa na miséria. É fundamental, em nosso tempo, renovar a consciência da maldade das ofensas a Deus, reaprender a chamar mal ao mal e bem ao bem.

Oxalá saibamos, como aquele jovem, encarar de frente a situação e decidir-nos a voltar para a casa do nosso Pai Deus. Uma e muitas vezes.

Sentado numa pedra faz o seu exame de consciência, animando-se a regressar, arrependido: - pai, pequei contra o céu e para contigo

São três os actos do penitente, necessários para Deus nos perdoar, como a Igreja nos ensina: a contrição, a confissão e a penitência pelos nossos pecados. Aparecem-nos claramente na parábola.

O mais importante é sempre a contrição, o ter pena dos pecados, a decisão de voltar para a casa do pai. “Levantar-me-ei e irei ter com meu pai”. Devemos pedir ao Senhor nos dê essa pena das nossas faltas.

E que as saibamos acusar com a humildade do filho pródigo. “Pai, pequei …já não sou digno de me chamar teu filho”.

Depois da absolvição procuremos cumprir a penitência e acrescentar da nossa parte outras boas obras em reparação do mal que fizemos, “Já não mereço chamar-me teu filho, aceita-me como um jornaleiro da tua casa

 

 

Cobrindo-o de beijos

 

O pai do filho pródigo manda trazer o vestido melhor e preparar um banquete para ele. Assim faz Deus connosco. Reveste-nos de novo com a vida da graça e alimenta-nos com o banquete da Eucaristia.

Jesus instituiu a confissão no domingo de Páscoa. Quis que fosse o sacramento da alegria. Faz-nos sentir o amor misericordioso do nosso Pai Deus, que nos acolhe em Seus braços e nos cobre de beijos.

É preciso que descubramos de novo a maravilha do sacramento da penitência, como João Paulo II foi repetindo muitas vezes. Na Carta apostólica Novo Milénio diz ele: “Solicito ainda uma renovada coragem pastoral para na pedagogia quotidiana das comunidades cristãs, se propor de forma persuasiva e eficaz a prática do sacramento da Reconciliação “ (nº 37)

Dizia também: “E necessário continuar a atribuir grande valor ao Sacramento da Penitência e educar os fieis a recorrerem a ele mesmo só para os pecados veniais, como atestam a tradição doutrinal e a prática já seculares “ (Ex. Reconciliação e Penitência, nº32)

A confissão frequente além de perdoar os pecados já cometidos é vacina para evitar as quedas e vencer as tentações.

Animemos os nossos amigos a confessar-se e a confessar-se com frequência. 

Na Exort. Apost. A Igreja na Europa o Santo Padre João Paulo II lembrava: “quem se reconhece pecador e se entrega à misericórdia do Pai celeste, experimenta a alegria duma verdadeira libertação e pode prosseguir ao longo do caminho da vida sem se fechar na própria miséria, Deste modo, recebe a graça de um novo início e reencontra motivos para esperar.

Por isso, é necessário que o sacramento da reconciliação seja revitalizado na Igreja da Europa. Há que reafirmar, porém, que a forma deste sacramento é a confissão pessoal dos pecados seguida da absolvição individual” (nº 76).

Neste ano da fé bispos, sacerdotes e fieis devem voltar a ler e lembrar aos fiéis os ensinamentos dos últimos papas sobre o Sacramento da Penitência. Ali encontramos a doutrina clara e segura para conhecer melhor a nossa fé. Continua a haver abusos por parte de alguns sacerdotes, com o perigo de nulidade para certas absolvições colectivas. Muitos cristãos deixam-se influenciar pela palavras e comentários de outros cristãos que andam na igreja, mas ignoram ou desprezam os ensinamentos do papa, que tem repetido muitas vezes a doutrina de sempre e que temos obrigação de seguir,

Bento XVI dizia na Exort.Sacramentum caritatis (nº 21):O Sínodo lembrou que é dever pastoral do bispo promover na sua diocese uma decisiva recuperação da pedagogia da conversão que nasce da Eucaristia e favorecer entre os fieis a confissão frequente. Todos os sacerdotes se dediquem com generosidade, empenho e competência à administração do Sacramento da Reconciliação. A propósito procure-se que nas nossas igrejas, os confessionários sejam bem visíveis expressivos do significado deste sacramento”

Javier Lozano em Religión en libertad relata a notícia dum sacerdote francês de Marselha, a quem chamam já o novo Cura d’Ars. Quando chegou à paróquia, a sua igreja e outras vizinhas estavam quase vazias.

 Procurou ter a igreja aberta e sentar-se confessar durante o dia. As pessoas começaram a aparecer, A Igreja começou a encher-se aos domingos e aquela zona da cidade de Marselha já não parece a mesma.

“Trazer tantas almas para Deus como for possível”. O padre Michel Marie Zanotti Sorkine tomou esta frase muito a peito.

 

Assim o está fazendo depois de haver transformado uma igreja que ia ser fechada e demolida na paróquia com mais vida de Marselha. Seu mérito é ainda maior porque o templo está situado num bairro com uma enorme presença de muçulmanos, numa cidade onde menos de 1% da população é católica praticante.

 

A chave para este sacerdote que antes havia sido músico, é a “presença”, tornar presente a Deus no mundo de hoje. As portas da sua igreja estão abertas todo o dia de par em par e veste de batina porque “todos, cristãos ou não, têm direito a ver um sacerdote fora da igreja”.

 

De 50 fiéis na Missa a 700.

O seu balanço é impressionante. Quando chegou em 2004 à paróquia de S. Vicente de Paulo, do centro de Marselha, a igreja permanecia fechada durante a semana e a única missa dominical celebrava-se na cripta e a ela apenas acudiam 50 pessoas.

 

Como ele mesmo conta o primeiro que fez foi abrir o templo todos os dias e celebrar no altar mor. Agora a igreja permanece aberta quase todo o dia e fazem falta cadeiras adicionais para albergar os fiéis. Mais de 700 todos os domingos, e mais ainda nas grandes festas. Quase 200 adultos se baptizaram desde que chegou. Nesta última Páscoa, 34.

O novo cura d’Ars na Marselha agnóstica

Uma das iniciativas principais do padre Zanotti Sorkine para revitalizar a fé da paróquia e conseguir tal afluência de gente de todas as idades e condições sociais é a confissão. Antes da abertura do templo às 8 da manhã já há gente esperando à porta para poder acudir a este sacramento ou para pedir conselho a este sacerdote francês.

 

Tal como contam os seus paroquianos, o padre Michel Marie está boa parte do dia no confessionário, muitas vezes até depois das onze da noite. E se não está ali, sempre se encontra caminhando pelos corredores ou na sacristia.

 

 O bispo mandou-o para esta paróquia como última oportunidade para salvá-la e tomou à letra quando lhe disse que abrisse as portas. “Há cinco portas sempre abertas e assim toda a gente pode ver a beleza da casa de Deus”. 90.000 automóveis e milhares de habitantes e turistas encontram-se com a igreja aberta e com os sacerdotes à vista. Este é o seu método: a presença de Deus e a Sua gente no mundo secularizado.

 

A importância da liturgia e da limpeza

Aqui está outro ponto chave para este sacerdote. Nada mais chegar e com a ajuda dum grupo de leigos renovou a igreja, limpou-a e deixou-a a brilhar. Para ele este é outro motivo para que a gente opte por voltar à igreja. “Como quer que se creia que Cristo vive num lugar se tudo não está impecável. É impossível”.

A liturgia torna-se o ponto central de seu ministério e muita gente foi atraída a esta igreja pela riqueza da Eucaristia. “Esta é a beleza que conduz a Deus”, afirma.

 

 “A vida espiritual não se concebe sem a adoração ao Santíssimo Sacramento e sem um ardente amor a Maria”. Por isso introduziu a adoração e a recitação diária do Rosário dirigido por estudantes e jovens.

 

Que a Virgem e S.José ajudem todos os cristãos a descobrirem as maravilhas do amor de Jesus, sempre disposto perdoar. E a levarmos os nossos amigos a avivar a fé no sacramento do perdão.

 

Fala o Santo Padre

 

“Os dois filhos representam dois modos imaturos de se relacionar com Deus:

a rebelião e a hipocrisia; que se superam através da experiência da misericórdia.”

 

Queridos irmãos e irmãs!

Neste quarto domingo de Quaresma é proclamado o Evangelho do pai e dos dois filhos, mais conhecido como a parábola do "filho pródigo" (Lc 15, 11-32). Esta página de São Lucas constitui um vértice da espiritualidade e da literatura de todos os tempos. De facto, o que seria a nossa cultura, a arte, e mais em geral a nossa civilização sem esta revelação de um Deus Pai cheio de misericórdia? Ela nunca cessa de nos comover, e todas as vezes que a ouvimos ou lemos é capaz de nos sugerir sempre novos significados. Sobretudo, este texto evangélico tem o poder de nos falar de Deus, de nos fazer conhecer o seu rosto, melhor ainda, o seu coração. Depois de Jesus nos ter narrado acerca do Pai misericordioso, as coisas já não são como antes, agora conhecemos Deus: Ele é nosso Pai, que por amor nos criou livres e dotados de consciência, que sofre se nos perdemos e faz festa se voltamos. Por isso, a relação com Ele constrói-se através de uma história, analogamente a quanto acontece a cada filho com os próprios pais: no início depende deles; depois reivindica a própria autonomia; e por fim  se há um desenvolvimento positivo  chega a um relacionamento maduro, baseado no reconhecimento e no amor autêntico.

Podemos ler nestas etapas também momentos do caminho do homem na relação com Deus. Pode haver uma fase que é como a infância: uma religião movida pela necessidade, pela dependência. À medida que o homem cresce e se emancipa, quer libertar-se desta submissão e tornar-se livre, adulto, capaz de se regular sozinho e de fazer as próprias escolhas de modo autónomo, pensando até que pode viver sem Deus. Precisamente esta fase é delicada, pode levar ao ateísmo, mas também isto, com frequência, esconde a exigência de descobrir o verdadeiro rosto de Deus. Felizmente, Deus nunca falta à sua fidelidade e, mesmo se nós nos afastamos e nos perdemos, continua a seguir-nos com o seu amor, perdoando os nossos erros e falando interiormente à nossa consciência para nos chamar a si. Na parábola, os dois filhos comportam-se de modo oposto: o menor vai embora de casa e cai muito em baixo, enquanto o maior permanece em casa, mas também ele tem um relacionamento imaturo com o Pai; de facto, quando o irmão volta, o maior não é feliz como o pai, ao contrário irrita-se e não quer entrar em casa. Os dois filhos representam dois modos imaturos de se relacionar com Deus: a rebelião e a hipocrisia. Estas duas formas superam-se através da experiência da misericórdia. Só experimentando o perdão, só reconhecendo-nos amados por um amor gratuito, maior do que a nossa miséria, mas também maior do que a nossa justiça, entramos finalmente num relacionamento deveras filial e livre com Deus.

Queridos amigos, meditemos esta parábola. Espelhemo-nos nos dois filhos, e sobretudo contemplemos o coração do Pai. Lancemo-nos nos seus braços e deixemo-nos regenerar pelo seu amor misericordioso. Ajude-nos nisto a Virgem Maria, Mater misericordiae.

 

Bento XVI, Angelus na Praça de São Pedro a 14 de Março de 2010

 

Oração Universal

 

Com a ajuda de S.José e da Virgem,

pedimos a Jesus e, com Ele, ao Pai dizendo:

Senhor, aumentai a nossa fé

 

1.     Pela Santa Igreja,

para que ela se renove em todos os seus filhos na fé e no amor a Jesus,

neste tempo santo de Quaresma, oremos ao Senhor.

 

Senhor, aumentai a nossa fé

 

2.     Pelo Santo Padre,

para que todos os cristãos estejam atentos aos seus ensinamentos

 sobre o Sacramento do Perdão, oremos ao Senhor.

 

 Senhor, aumentai a nossa fé

 

3.     Pelos bispos e sacerdotes,

para que ensinem com frequência sobre o sacramento da Reconciliação

e estejam disponíveis para confessar,

como o Papa tem pedido tantas vezes, oremos ao Senhor.

 

Senhor, aumentai a nossa fé

 

4.     Por todos os cristãos,

para que lutem mais a sério pela santidade,

empregando com diligência os meios ao seu dispor

especialmente o sacramento do perdão, oremos ao Senhor.

 

Senhor, aumentai a nossa fé

 

5.     Para que todos nos entusiasmemos a imitar S.José

nas tarefas humildes de cada dia,

vivendo uma vida de amizade com Jesus a nosso lado, oremos ao Senhor.

 

Senhor, aumentai a nossa fé

 

6.     Por todos os que andam afastados de Deus,

para que o Senhor os converta e os atraia ao Seu amor e ao Seu perdão,

oremos ao Senhor.

 

Senhor, aumentai a nossa fé

 

7.     Por todos os que se encontram no Purgatório,

para que, com a nossa ajuda, o Senhor os purifique

e lhes conceda a felicidade do Céu, oremos ao Senhor.

 

Senhor, aumentai a nossa fé

 

 

Senhor, que nos chamastes à vida nova em Cristo pelo Baptismo,

aumentai em nós a fé e o amor,

para que, imitando a S.José e Nossa Senhora,

levemos uma vida de santidade e cheguemos com ele à glória do Céu.

Por N.S.J.C.Vosso Filho que conVosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Corri, Senhor, M. Carneiro, NRMS 13

 

Oração sobre as oblatas: Ao apresentarmos com alegria estes dons de vida eterna, humildemente Vos pedimos, Senhor, a graça de os celebrar com verdadeira fé e de os oferecer dignamente pela salvação do mundo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: «Da Missa de festa», Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

Comungar bem é mergulhar nas águas vivas da graça. A confissão frequente continua a ser a melhor forma de nos preparamos bem para a comunhão.

 

Cântico da Comunhão: Bendiz, minha alma, M. Carneiro, NRMS 105

Lc 15, 32

Antífona da comunhão: Alegra-te, meu filho, porque o teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi encontrado.

 

Cântico de acção de graças: Proclamai em toda a terra, M. Faria, NRMS 27-28

 

Oração depois da comunhão: Senhor nosso Deus, luz de todo o homem que vem a este mundo, iluminai os nossos corações com o esplendor da vossa graça, para que pensemos sempre no que Vos é agradável e Vos amemos de todo o coração. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Agradeçamos a Jesus a maravilha do Sacramento da Reconciliação e recorramos a ele muitas vezes.

 

Cântico final: O Senhor me apontará o caminho, F. da Silva, NRMS 69

 

 

Homilias Feriais

 

4ª SEMANA

 

2ª Feira, 11-III: A alegria da Cruz.

Is 65, 17-21 / Jo 4, 43-54

Vou rejubilar por causa de Jerusalém e alegrar-me por causa do meu povo. Lá não se hão-de ouvir mais nem vozes de pranto, nem gritos de angústia.

A alegria nunca deve faltar na vida de um cristão (Leit.). E, no tempo da Quaresma é a alegria da Cruz: Jesus entregou a sua vida para nos salvar. Também Ele gosta muito de dar alegrias, através de curas milagrosas (Ev.).

A alegria é fruto da Cruz, da mortificação: «O caminho desta perfeição passa pela Cruz. Não há santidade sem renúncia e combate espiritual. O progresso espiritual implica a ascese e a mortificação, que conduzem gradualmente a viver na paz e na alegria das bem-aventuranças» (CIC, 2015).

 

3ª Feira, 12-III: O poder da água viva.

Ez 47, 1-9. 12 / Jo 5, 1-3. 5-16

Senhor, não tenho ninguém que me introduza na piscina, quando a água se agita.

«Desde o princípio do mundo, a água, esta criatura humilde e admirável, é a fonte da vida e da fecundidade. A Sagrada Escritura vê-a como 'íncubada' pelo Espírito de Deus» (CIC, 128).

A água passa a ser uma nova criatura no Baptismo de Jesus: «O Espírito que pairava sobre as águas da primeira criação, desce então sobre Cristo, como prelúdio da nova criação» (CIC, 1224). E passa a ser a água viva com a Paixão e Morte de Cristo: «O sangue e a água que manaram do lado aberto do crucificado são tipos do Baptismo e da Eucaristia, sacramentos da vida nova» (CIC, 1225).

 

4ª Feira, 13-III: Meios para receber a vida sobrenatural.

Is 49, 8-15 / Jo 5, 17-30

Tal como o Pai ressuscita os mortos e os faz viver, assim o Filho faz viver aqueles que entende.

Deus amou de tal modo o mundo que lhe entregou o seu Filho único, para que tivéssemos vida sobrenatural. E o seu amor por nós é mais forte do que o de uma mãe para com os seus filhos (Leit.).

Para nos conceder a vida sobrenatural dá-nos o alimento (Leit.), concretizado na palavra de Deus: «quem ouve a minha palavra tem a vida eterna» (Ev.). Comunica-nos igualmente a sua vida, especialmente através dos sacramentos: «Cristo age agora pelos sacramentos, que instituiu para comunicar a sua graça» (CIC, 1084). Cuidemos muito bem todos estes meios.

 

5ª Feira, 14-III: A intercessão de Moisés e a de Jesus.

Ex 32, 7-14 / Jo 5, 31-47

(Moisés): Deixai cair a vossa ardente indignação, renunciai ao castigo que quereis dar ao vosso povo.

O povo tinha adorado um bezerro de ouro, cometendo um pecado de idolatria, e Moisés intercede por ele junto de Deus: «Moisés foi intercessor. Mas foi sobretudo após a apostasia do povo que ele se mantém 'na brecha' diante de Deus, para salvar o mesmo povo (Leit.)» (CIC, 2577).

Agora somos nós que nos portamos mal, e é o próprio Filho de Deus que se oferece ao Pai como vítima para apaziguar a sua indignação: «Ele (Jesus) quis deixar à Igreja um sacrifício visível... aplicando a sua eficácia salvífica à remissão dos pecados, que nós cometemos cada dia» (CIC, 1366).

 

6ª Feira, 15-III: Comparticipação na Paixão de Cristo

Sab 2, 1. 12-22 / Jo 7, 1-2. 10. 25-30

Se esse justo é filho de Deus... condenemo-lo a morte infamante, pois ele diz que será socorrido.

Este pensamento dos ímpios (Leit.) é uma profecia do que viria a acontecer a Jesus.

O Senhor aceitou livremente a sua paixão e morte, por amor do Pai e dos homens, a quem o Pai quer salvar. E estando Ele unido a nós pela sua Incarnação, a todos nos dá a possibilidade de nos associarmos a Ele. «De facto, quer associar ao seu sacrifício redentor aqueles mesmos que são os primeiros beneficiários. Isto realiza-se, em sumo grau, em sua Mãe, associada mais intimamente do que ninguém ao mistério do seu sofrimento redentor» (CIC, 618).

 

Sábado, 16-III: O servo sofredor e o Cordeiro pascal.

Jer 11, 18-20 / Jo 7, 40-53

Eu era como dócil cordeiro levado ao matadouro, sem saber da conjura contra mim.

O profeta Jeremias repete a imagem do servo sofredor de Isaías (53, 7). Esta missão é inaugurada no momento do Baptismo de Jesus: «Da parte de Jesus, o seu Baptismo é a aceitação e inauguração da sua missão de servo sofredor. É já o 'Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo' e antecipa já o 'baptismo' da sua morte sangrenta» (CIC, 536).

João Baptista «manifesta desse modo que Jesus é, ao mesmo tempo, o servo sofredor, que se deixa levar ao matadouro (Leit.), e o cordeiro pascal, símbolo da redenção de Israel na primeira Páscoa» (CIC, 608).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Celestino Ferreira

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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