3º Domingo da Quaresma

3 de Março de 2013

 

Onde se fizerem os escrutínios preparatórios para o Baptismo dos adultos, neste domingo, podem utilizar-se as orações rituais e as intercessões próprias: p. 1063 do Missal Romano.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Ao nosso Deus bondade infinita, M. Faria, NRMS 1 (I)

Salmo 24, 15-16

Antífona de entrada: Os meus olhos estão voltados para o Senhor, porque Ele livra os meus pés da armadilha. Olhai para mim, Senhor, e tende compaixão porque estou só e desamparado.

 

ou

Ez 36, 23-26

Quando Eu manifestar em vós a minha santidade, hei-de reunir-vos de todos os povos, derramarei sobre vós água pura e ficareis limpos de toda a iniquidade. Eu vos darei um espírito novo, diz o Senhor.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O temporal que desabou sobre a ilha da Madeira transformou a Pérola do Atlântico num montão de ruínas e morte. Algo semelhante aconteceu com o tremor de terra no Haiti e no Chile e com outras catástrofes.

Passado o primeiro momento do susto, as pessoas começaram a trabalhar intensamente para restaurar aquilo que o mau tempo destruiu. Assim, a beleza desta ilha começa a reaparecer, aos poucos. Em breve, com a Primavera que já se aproxima, transformar-se-á num jardim florido.

Temos neste acontecimento uma imagem do que nos pede o Senhor. O pecado transformou o mundo e nossa vida num montão de ruínas.

Pela conversão pessoal – a colaboração que nos é pedida –, o Senhor transformará a nossa alma, feita um montão de ruínas pelo pecado e pelos nossos defeitos – num jardim cheio de flores de bons desejos e frutos de boas obras.

De conversão pessoal nos fala toda a Liturgia da Palavra deste 3.º Domingo da Quaresma.

 

Acto penitencial

 

Apesar dos constantes e insistentes apelos do Senhor para que nos convertamos, temos dificuldade em concretizar a nossa conversão pessoal.

Estamos apegados a velhos hábitos e custa-nos mudar para fazer o que o Senhor nos pede.

Acolhamos o chamamento do Senhor à nossa conversão e procuremos concretizá-lo.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor: Vivemos num falso e ilusório contentamento com a nossa vida

    e não sentimos a necessidade de nos emendarmos dos nossos pecados.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Cristo: Estamos sem esperança, convencidos de que não podemos mudar

    e temos de continuar todos os dias com os mesmos defeitos e pecados.

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Senhor: Falta-nos confiança em Vós para orar e frequentar os sacramentos,

    e permanecemos sempre  na mesma vida espiritual sem generosidade.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus, Pai de misericórdia e fonte de toda a bondade, que nos fizestes encontrar no jejum, na oração e no amor fraterno os remédios do pecado, olhai benigno para a confissão da nossa humildade, de modo que, abatidos pela consciência da culpa, sejamos confortados pela vossa misericórdia. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O livro do Êxodo fala-nos de um Deus clemente e compassivo, sempre atento às nossas dificuldades e sofrimentos. Mas, para nos ajudar, quer precisar da colaboração de cada um de nós. Se os homens fecharem o seu coração pelo egoísmo, a preguiça e a indiferença cruel, o bem ficará por fazer.

Moisés disponibiliza-se a colaborar com o Senhor na libertação do Povo israelita, oprimido pelos egípcios.

 

Êxodo 3, 1-8a.13-15

Naqueles dias, 1Moisés apascentava o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Madiã. Ao levar o rebanho para além do deserto, chegou ao monte de Deus, o Horeb. 2Apareceu-lhe então o Anjo do Senhor numa chama ardente, do meio de uma sarça. Moisés olhou para a sarça, que estava a arder, e viu que a sarça não se consumia. 3Então disse Moisés: «Vou aproximar-me, para ver tão assombroso espectáculo: por que motivo não se consome a sarça?» 4O Senhor viu que ele se aproximava para ver. Então Deus chamou-o do meio da sarça: «Moisés, Moisés!» Ele respondeu: «Aqui estou!» 5Continuou o Senhor: «Não te aproximes daqui. Tira as sandálias dos pés, porque o lugar que pisas é terra sagrada». 6E acrescentou: «Eu sou o Deus de teu pai, Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacob». Então Moisés cobriu o rosto, com receio de olhar para Deus. 7Disse-lhe o Senhor: «Eu vi a situação miserável do meu povo no Egipto; escutei o seu clamor provocado pelos opressores. Conheço, pois, as suas angústias. 8Desci para o libertar das mãos dos egípcios e o levar deste país para uma terra boa e espaçosa, onde corre leite e mel». Moisés disse a Deus: 13«Vou procurar os filhos de Israel e dizer-lhes: ‘O Deus de vossos pais enviou-me a vós’. Mas se me perguntarem qual é o seu nome, que hei-de responder-lhes?» 14Disse Deus a Moisés: «Eu sou ‘Aquele que sou’». E prosseguiu: «Assim falarás aos filhos de Israel: O que Se chama ‘Eu sou’ enviou-me a vós». 15Deus disse ainda a Moisés: «Assim falarás aos filhos de Israel: ‘O Senhor, Deus de vossos pais, Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacob, enviou-me a vós. Este é o meu nome para sempre, assim Me invocareis de geração em geração’».

 

Moisés encontrava-se numa situação de fugitivo do faraó e refugiado junto de Jetro, sacerdote de Madiã, tendo casado com umas das suas filhas, Séfora. «Madiã» era um reduto de tribos nómadas madianitas, situado a sudeste do golfo de Akabá (Eilat), mas parece mais lógico que Jetro vivesse nalgum oásis da península do Sinai.» O Monte de Deus, o Horeb», na tradição javista habitualmente chamado Sinai, é a montanha de Deus, porque Deus aqui se revela (cf. Ex 19). A sua localização é muito discutida, mas a antiga tradição identificou-o com o djebel Musa (montanha de Moisés: 2.224 metros).

2 «O Anjo do Senhor numa chama ardente». É por vezes esta uma forma de designar o próprio Deus, enquanto se manifesta ao homem (cf. Gn 16, 7.13). Estamos perante uma forma de expressão deveras estranha para a nossa mentalidade: designar a Deus com o nome do seu mensageiro! No fundo parece haver uma concepção exacta de que nesta vida a criatura não pode ver a Deus, sendo frequente na Sagrada Escritura anotar que não se pode ver a Deus sem morrer (Gn 16, 13; 32, 31; Ex 33, 20; Jz 6, 22.23; 13, 21-22). Por isso se diz que Moisés cobriu o rosto (v. 6). No entanto, a existência dos anjos consta claramen­te de outras passagens da S. E.. Notar que o fogo, chama ardente, como elemento menos material, tornou-se um símbolo da santidade divina, da sua transcendência.

5 «Tira as sandálias». Atitude de respeito prescrita para os sacerdotes judeus poderem entrar no santuário e que ainda hoje adoptam os árabes para entrar num lugar sagrado.

14 «Eu sou ‘Aquele que sou’... O que se chama ‘Eu sou’ enviou-me». Em hebraico «Eu sou» diz-se’ehyéh. Uma forma muito discutida do verbo, mista e arcaica, na terceira pessoa, dá yahwéh, que é a forma que aparece no v. 15, traduzida habitualmente por «Senhor», segundo a tradução grega (Kyrios) adoptada pelos LXX e também preferida pelas traduções modernas que assim evitam ferir a sensibilidade judaica; de facto, os judeus, por respeito, nunca pronunciam o nome de Yahwéh, mas dizem Adonai (Senhor).

Também se discute qual o sentido do nome com que Deus se auto-designa: 1) Uns entendem: Eu sou Aquele que faz existir (dá o ser), isto é, Eu sou o Criador, uma interpretação pouco provável, pois o verbo hebraico correspondente (hayáh) não se usa na conjugação chamada hifil (a forma causativa). 2) Outros traduzem: «Eu serei o que sou», significando assim a imutabilidade e eternidade divina, mas, ainda que o imperfeito hebraico se possa traduzir tanto pelo presente como pelo futuro, não parece legítimo que na mesma frase se use diversa tradução para a mesma forma verbal. 3) Outros preferem uma tradução: «Eu sou porque sou», isto é, em Mim está toda a razão da minha existência, traduzindo o pronome relativo «que» (’axer) não como pronome, mas como conjunção causal, uma coisa pouco frequente. 4) Finalmente, temos aqueles que traduzem: «Eu sou Aquele que sou» (tradução mais habitual), ainda que haja divergências na interpretação; assim: a) uns entendem: Eu sou um ser inefável, indefinível através de qualquer nome, tendo em conta a mentalidade segundo a qual conhecer o nome duma divindade implicava um domínio mágico sobre ela: Deus, com esta maneira de falar, subtraía-se a dar o seu nome, revelando assim a sua transcendência (esta opinião não se coaduna bem com o contexto: v. 15); b) outros entendem: Eu sou Aquele que sou, em contraste com os deuses pagãos que não são, não têm existência real, pois «Eu sou, e serei contigo» (v. 12) para defender, guiar, proteger e salvar o meu povo. c) e também há quem entenda Eu sou Aquele que sou significando Aquele a quem compete a existência sem quaisquer restrições, realidade que a filosofia e a teologia vêm a explicitar dizendo que Deus é o ser necessário e absoluto, o ser a cuja essência pertence a existência, interpretação esta que, embora se coadune com a tradução grega dos LXX, Eu sou Aquele que existe, corresponde mais à reflexão filosófico-teológica do que à mentalidade semítica.

A pronúncia do nome divino Jeová não é correcta e procede do século XVI, quando os estudiosos leram as consoante do tetragrama divino, YHWH (4 consoantes) com as vogais do nome Adonai. Com efeito, quando, a partir do séc. VI p. C. os massoretas colocaram os sinais vocálicos no texto hebraico (que se escrevia só com consoantes), tiveram o cuidado de não colocar no nome de Yahwéh as suas vogais próprias, a fim de que um leitor distraído não pronunciasse o inefável nome divino, mas lesse Adonai. Note-se que o nome de Jesus (Yehoxúa) é teofórico, entrando na sua composição o nome Yahwéh: Yahwéh-salva. É por isso que, quando os cristãos invocam a Jesus, estão a utilizar e a santificar o nome de Yahwéh, e também é por isso que só no nome (na pessoa) de Jesus está a salvação (Act 4, 12). Por outro lado, Jesus nunca se dirige Deus com o nome de Yahwéh, ou o seu correspondente Senhor, mas com o nome que indica a distinção pessoal, Pai. Seria absurdo e ridículo pensar que, para alguém se salvar, tenha de usar o nome de Yahwéh no trato com Deus; Jesus, que veio para nos salvar, não impôs a obrigação de usarmos o nome de Yahwéh, como condição de salvação e a Igreja que continua a missão de Jesus nunca urgiu tal tratamento para Deus.

 

Salmo Responsorial    Sl 102 (103), 1-4.6-8.11(R. 8a)

 

Monição: Deus, infinitamente poderoso e bom, perdoa os pecados do Seu Povo, comovido pelo seu arrependimento.

O salmo responsorial coloca em nossos lábios um cântico de louvor, convidando-nos a bendizê-l’O, pelos benefícios que nos concede.

Façamos dele a nossa oração, como exteriorização dos sentimentos que a Palavra de Deus despertou em nós.

 

Refrão:        O Senhor é clemente e cheio de compaixão.

 

Bendiz, ó minha alma, o Senhor

e todo o meu ser bendiga o seu nome santo.

Bendiz, ó minha alma, o Senhor

e não esqueças nenhum dos seus benefícios.

 

Ele perdoa todos os teus pecados

e cura as tuas enfermidades.

Salva da morte a tua vida

e coroa-te de graça e misericórdia.

 

O Senhor faz justiça

e defende o direito de todos os oprimidos.

Revelou a Moisés os seus caminhos

e aos filhos de Israel os seus prodígios.

 

O Senhor é clemente e compassivo,

paciente e cheio de bondade.

Como a distância da terra aos céus,

assim é grande a sua misericórdia para os que O temem.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo, na Primeira Carta aos fiéis de Corinto, adverte-nos de que o cumprimento frio, sem alma, da lei de Deus, em vez de uma relação pessoal de amor, não basta para nos salvar.

Deus quer os nossos corações, e não apenas as palavras, gestos e cânticos de religiosidade que Lhe dirigimos em certos momentos da vida.

 

1 Coríntios 10, 1-6.10-12

Irmãos: 1Não quero que ignoreis que os nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, passaram todos através do mar e na nuvem e no mar, 2receberam todos o baptismo de Moisés. 3Todos comeram o mesmo alimento espiritual e todos beberam a mesma bebida espiritual. 4Bebiam de um rochedo espiritual que os acompanhava: esse rochedo era Cristo. 5Mas a maioria deles não agradou a Deus, pois caíram mortos no deserto. 6Esses factos aconteceram para nos servir de exemplo, a fim de não cobiçarmos o mal, como eles cobiçaram. 10Não murmureis, como alguns deles murmuraram, tendo perecido às mãos do Anjo exterminador. 11Tudo isto lhes sucedia para servir de exemplo e foi escrito para nos advertir, a nós que chegámos ao fim dos tempos. 12Portanto, quem julga estar de pé tome cuidado para não cair.

 

A leitura é tirada daquela parte da carta onde Paulo procura dar resposta a um problema prático que então ali se punha: se era lícito ou não comer as carnes que, depois de terem sido oferecidas num templo pagão a um ídolo, eram vendidas na praça, os chamados idolótitos. O Apóstolo, depois de ter explicado os princípios gerais, a saber, que se podiam comer, pois os ídolos não são nada (8, 1-6), adverte que era preciso ter em conta aqueles irmãos, fracos e timoratos, que se pudessem vir a escandalizar com isso (8, 7-13), e passa a ilustrar a doutrina exposta, primeiro, com o seu exemplo de renunciar a direitos para bem dos fiéis (9, 1-27), depois, com as lições da história de Israel (10, 1-13): apesar de os israelitas na peregrinação do deserto terem sido favorecidos com tantos prodígios, «a maioria dele não agradou a Deus» e pereceu (v.5). E isto é uma lição para todos nós, para que não venhamos a arvorar-nos em fortes, pois também podemos vir a ser infiéis ao Senhor e a «cair» (v. 12). Os exegetas têm posto em relevo a actualidade dos escritos paulinos, pois S. Paulo, mesmo quando trata de assuntos ocasionais, que não nos dizem respeito, como neste caso, sempre apela para princípios válidos para todos os tempos e lugares.

2 «Na nuvem e no mar receberam todos o baptismo de Moisés», isto é, foram vinculados a Moisés aqueles antigos judeus pelo facto de, sob a sua chefia, se terem salvo com travessia das águas do «Mar» Vermelho e com a «nuvem» (sinal da presença protectora Deus). E isto a tal ponto que ficaram a constituir o que Actos 7, 38 chama a «igreja do deserto». Tudo isto era a figura, ou exemplo (vv. 6.11) dos cristãos, baptizados em Cristo e formando o novo e definitivo povo eleito, que é a Igreja.

3 «Alimento espiritual». O maná é chamado espiritual, pelo carácter sobrenatural de que se revestia a sua abundância e por ser também uma figura da SS. Eucaristia. A «bebida espiritual», a água do Êxodo, também é espiritual por milagrosa e pelo seu significado espiritual: uma figura do Espírito que Cristo dá aos crentes (cf. Jo 4, 10; 7, 37-39; 16, 7; 20, 22).

4 «O rochedo espiritual que os acompanhava». Parece que S. Paulo se soube aproveitar duma tradição rabínica que consta da Tosefta, segundo a qual a pedra da qual brotou água (Ex 17, 6) acompanhava os israelitas na sua peregrinação no deserto. Como os mestres rabinos costumavam identificar este rochedo com Yahwéh (cf. Êx 17, 6), a «Rocha de Israel» (Salm 18(17), 3), S. Paulo, para quem «esse rochedo era Cristo», insinua não só a preexistência de Cristo, mas também a sua divindade, a sua identificação com Yahwéh.

5 «Caíram mortos». Cf. Nm 14; 26, 65-65.

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 4, 17

 

Monição: A Quaresma é um tempo privilegiado de preparação para o encontro com o Senhor ressuscitado. Vamos ao Seu encontro pelo acolhimento da Sua Palavra, pela oração e pela penitência.

Manifestemos a nossa disponibilidade generosa para o fazer, cantando a aclamação do Evangelho.

 

Cântico: J. Santos, NRMS 40

 

Arrependei-vos, diz o Senhor;

está próximo o reino dos Céus.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 13, 1-9

1Naquele tempo, vieram contar a Jesus que Pilatos mandara derramar o sangue de certos galileus, juntamente com o das vítimas que imolavam. 2Jesus respondeu-lhes: «Julgais que, por terem sofrido tal castigo, esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus? 3Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos do mesmo modo. 4E aqueles dezoito homens, que a torre de Siloé, ao cair, atingiu e matou? Julgais que eram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém? 5Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos de modo semelhante». 6Jesus disse então a seguinte parábola: «Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi procurar os frutos que nela houvesse, mas não os encontrou. 7Disse então ao vinhateiro: ‘Há três anos que venho procurar frutos nesta figueira e não os encontro. Deves cortá-la. Porque há-de estar ela a ocupar inutilmente a terra?’ 8Mas o vinhateiro respondeu-lhe: ‘Senhor, deixa-a ficar ainda este ano, que eu, entretanto, vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo. 9Talvez venha a dar frutos. Se não der, mandá-la-ás cortar no próximo ano».

 

Jesus contraria a opinião corrente de então e de hoje, que atribui todas as desgraças a um castigo de Deus; Ele antes quer que se vejam como um aviso de Deus, por isso aproveita estes acontecimentos para fazer um forte apelo à conversão.

1 «Pilatos mandara derramar o sangue...» Facto apenas conhecido por S. Lucas, mas que estava de acordo com o carácter violento e repressivo do procurador romano. Um acto semelhante, o mandar matar uns samaritanos por ocasião duma peregrinação ao Monte Garizim, no ano 35, foi a ocasião para os judeus conseguirem do imperador destituição de Pilatos, segundo conta Flávio Josefo (cf. Antiquitates, XVIII).

4 «A torre de Siloé, ao cair...» Facto também só conhecido por este relato. Siloé é o nome duma piscina a Sueste de Jerusalém, na parte interior da muralha que naquele sítio teria provavelmente algum torreão que então caiu.

5 «Eu digo-vos que não». Deus nem sempre castiga nesta vida os mais culpados. As calamidades e os males que nos sobrevêm podem ser uma prova a que Deus nos sujeita, uma ocasião de expiarmos os nossos pecados e uma chamada à conversão: «se não vos converterdes…»

6-9 Com a parábola (exclusiva de S. Lucas) da figueira sem frutos, o Senhor pretende ensinar que é urgente que nos convertamos: Deus é paciente na sua misericórdia (cf. Pe 3, 9; Ez 33, 11; Jl 2, 13; Sab 11, 23), mas não podemos adiar o arrependimento para uma hora que pode já ser tardia. É urgente que dêmos frutos de santidade, pondo de lado a preguiça e o comodismo que tornam a vida inútil e estéril; Deus não deixa impune a falta de correspondência à cava e ao adubo da sua graça: «mandá-la-ás cortar».

 

Sugestões para a homilia

 

• Disponibilidade para a conversão

Desprendimento

Aproximemo-nos de Deus

Docilidade ao  que nos pede

•  Como converter-se

Reconheçamos o mal feito

Esforcemo-nos por dar fruto

Aproveitar a hora de Deus

 

1. Disponibilidade para a conversão

 

O encontro de Moisés com Deus no Horeb ajuda-nos a compreender todo o itinerário que devemos percorrer para verdadeiramente nos convertermos.

 

a) Desprendimento. «Moisés apascentava o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Madiã

A primeira condição para nos convertermos é cortar as amarras que nos escravizam. Enquanto estivermos acorrentados, não podemos caminhar ao encontro do Senhor.

Quando se trata de conquistar a liberdade, devemos ter presente que o efeito de um pequeno cordel ou de uma corda ou corrente de ferro tem, na prática o mesmo efeito: impede-nos de caminhar. A diferença está apenas em custar mais ou menos a rompê-lo.

Por defender os humilhados contra os opressores, Moisés viu-se obrigado a trocar o palácio dos faraós do Egipto pelo cargo humilde de pastor de um rebanho, ao serviço de Jetro, sacerdote de Madiã.

Defendeu o seu Povo da opressão dos egípcios. Era sobrecarregado pelos trabalhos, fome e trato cruel; e as crianças recém-nascidas do sexo masculino deviam obrigatoriamente ser lançados ao rio Nilo. Sofreu também a incompreensão dos da sua raça, bem como as filhas de Jetro da opressão dos outros pastores.

Como resposta à sua generosidade, foi incompreendido: pelos da sua raça, porque achavam que era melhor não complicarem a vida; pelos egípcios que lhe moveram perseguição. Os que tentam arrancar as outras pessoas à opressão do pecado e da injustiça, em geral, são incompreendidas.

O Senhor esperava por ele ali, no Horeb para o chamar e enviar a uma nobre missão: libertar o Seu Povo. Deu-lhe um sinal da Sua presença: a sarça que ardia e não se consumia.

 

b) Aproximemo-nos de Deus. «Então disse a Moisés: «Vou aproximar-me, para ver tão assombroso espectáculo [...].»

Moisés quer contemplar de perto esta maravilha que Deus lhe apresenta: uma sarça que arde em chama viva sem se consumir.

Quando chama alguém para uma missão, Deus faz-lhe ver, primeiro, as necessidades dos homens que vivem ao seu lado. Moisés viu o Povo de Deus sob a opressão; os Apóstolos vêem uma seara imensa que é preciso cuidar urgentemente; Nossa Senhora contempla a humanidade à espera de um Redentor.

É a Palavra de Deus que desperta em nós os desejos de entrega generosa, de conversão pessoal. Quem se afasta para longe ou tapa os ouvidos para não a ouvir, expõe voluntariamente ao perigo de deixar passar o Senhor e não receber as Suas graças. Continuará a viver adormecido, numa falsa paz, mesmo quando está afastado de Deus e não aproveita o momento que lhe é dado.

Ouvimos, por vezes, as pessoas a exclamar: “Eu não quero ouvir a doutrina, porque depois fico com mais responsabilidades!”

É uma mentira perigosa. Quando nos recusamos a escutar o que Deus quer de nós, já estamos a cavar a nossa infelicidade, pela recusa da graça.

Um doente que foge do médico, tapa os ouvidos quando ele fala, ou arremessa ao lume a receita que ele escreveu, em vez de comprar os medicamentos e tomá-las, expõe-se a pior da doença e a morrer.

 

c) Docilidade ao que nos pede. «”Vou procurar os filhos de Israel e dizer-lhes: ‘O Deus de vossos pais enviou-me a vós’.”»

Moisés fala ao Senhor sobre as dificuldades que encontrará na missão que lhe é confiada e vai imediatamente cumpri-la.

O Senhor fala-nos com especial intensidade nesta Quaresma, pela Sua Palavra e na oração.

Os bons desejos e propósitos brotam do nosso coração, como as flores no tempo da primavera.

Seria uma ilusão contentarmo-nos com as fores, como se tudo já estivesse feito para uma boa colheita. Nós desejamos bons frutos e, para chegar até lá, são precisos muitos e intensos trabalhos.

Na vida espiritual, os bons desejos são as flores; os frutos, as boas obras. Agradeçamos aquelas, mas continuemos a trabalhar para estes. A conversão há-de levar-nos à luta constante por uma emenda de vida.

O essencial na vida cristã não são as coisas exteriores, tão abundantes na Quaresma e Semana Santa, mas a conversão do coração.

O Senhor pede-nos uma vida de comunhão com Deus, vivida com coerência e verdade, que depois se transforma em gestos de amor e de partilha com os nossos irmãos.

Por isso, havemos de perguntar a nós próprios, na presença de Deus: o que é que tem condicionado as minhas atitudes: o “parecer bem” ou o “ser” de verdade?

 

2. Como converter-se

 

A conversão é uma verdadeira mudança de mentalidade e de vida. No Evangelho, Senhor ensina-nos quais os passos que havemos de dar para a realizar.

 

a) Reconheçamos o mal feito. «”Julgais que, por terem sofrido tal castigo, esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus? Eu digo-vos que não. [...].»

Jesus tenta acordar os Seus conterrâneos de falsas ilusões. Na verdade, julgavam-se melhores do que os outros, considerando as pessoas atingidas pelas catástrofes castigadas por Deus, por causa dos seus pecados.

Temos, em geral, muita dificuldade em reconhecer e aceitar os nossos defeitos e pecados. Quando o Senhor nos ajuda a descobri-los, imediatamente procurámos desculpá-los com o nosso feitio, com os outros.

Somos tentados a compararmo-nos com os outros, e logo nos achamos melhores do que eles. É a nossa miopia que nos engana.

É para Jesus Cristo, nosso modelo, que havemos de olhar constantemente. A meditação da Sua Paixão, Morte e Ressurreição – tão recomendada na Quaresma – ajuda-nos a medir a enormidade das nossas infidelidades.

 

b) Esforcemo-nos por dar fruto. «Foi procurar os frutos que nela houvesse, mas não os encontrou

O Senhor procura frutos de conversão e de santidade na nossa vida, como os procurou na figueira estéril.

Os frutos que Ele deseja encontrar são:

•  A vida na graça de Deus;

• A frequência dos sacramentos da Confissão e Comunhão, afastada toda a rotina e tibieza;

•  A oração frequente, feita com atenção e amor;

•  O trabalho bem  feito, com recta e intenção;

•  O cumprimento responsável e amoroso das exigências da nossa vocação pessoal: como casados, pais, celibatários, etc.

•  O serviço aos outros. Numa comunidade eclesial aparece cm diversas manifestações: o ensino da catequese; o aproximar as pessoas dos sacramentos, levando-as a pôr em ordem com Deus a sua situação; o serviço de acolhimento aos mais necessitados: doentes, idosos, afastados da Igreja...

 

c) A paciência de Deus. «‘Senhor, deixa-a ficar ainda este ano, que eu, entretanto, vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo. Talvez venha a dar frutos.’»

O Senhor não quis terminar este episódio da Sua vida mortal sem nos falar da Sua misericórdia, da paciência infinita com que espera por cada um de nós.

Apesar das nossas infidelidades, Ele vai continuar a dar-nos as graças dos sacramentos, das inspirações divinas que nos chamam a uma maior intimidade com Deus.

A paciência de Deus é a nossa esperança, porque sabemos que, em qualquer momento, Ele está amorosamente à espera de cada um de nós.

Ao mesmo tempo, necessitamos não esquecer que o relógio do tempo não pára e é necessário aproveitar este momento que passa e não volta.

Ele pede-nos uma dupla resposta:

•  Corresponder pessoalmente ao amor generoso de Cristo;

•  Dar-se generosamente aos outros. Que poderemos dar-lhes?

Cada um pode descobrir por si o apelo que o Senhor lhe faz na doação aos outros. Poderá ser:

•  Dar tempo e atenção para ouvir;

•  Dar um conselho amigo e corajoso que anima e ajuda a mudar de vida;

•  Orar, jejuar e mortificar-se pelos outros, como os Pastorinhos de Fátima;

•  A partilha material de bens com os necessitados. O jejum tem este sentido: deixar de comer, para que possamos dar aos outros.

A maior manifestação da bondade de Deus e do Seu apelo é a Santa Missa, em que Jesus Cristo Se entrega à morte por amor de cada um de nós e Se nos dá em alimento na Santíssima Eucaristia.

Que Nossa Senhora, Mãe de misericórdia, nos ajude a percorrer, nesta Quaresma e sempre, os caminhos da conversão pessoal.

 

Fala o Santo Padre

 

“A conversão exige que aprendamos a ler os acontecimentos da vida na perspectiva da fé,

isto é, animados pelo santo temor de Deus”

 

Queridos irmãos e irmãs!

A liturgia deste terceiro domingo de Quaresma apresenta-nos o tema da conversão. Na primeira leitura, tirada do Livro do Êxodo, Moisés, enquanto apascenta o rebanho, vê uma sarça em chamas, mas que não se consome. Aproxima-se para observar este prodígio, quando uma voz o chama pelo nome e, convidando-o a tomar consciência da sua indignidade, ordena-lhe que tire as sandálias, porque aquele lugar é santo. "Eu sou o Deus de teu pai  diz-lhe a voz  o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob"; e acrescenta:  "Eu sou Aquele que sou!" (Êx 3, 6.14). Deus manifesta-se de diversos modos também na vida de cada um de nós. Para poder reconhecer a sua presença contudo é necessário que nos aproximemos dele conscientes da nossa miséria e com profundo respeito. Diversamente tornamo-nos incapazes de o encontrar e de entrar em comunhão com Ele. Como escreve o apóstolo Paulo, também esta vicissitude é narrada para nossa admoestação:  ela recorda-nos que Deus revela não a quantos estão imbuídos de suficiência e facilidade, mas a quem é pobre e humilde diante d'Ele.

No trecho do Evangelho de hoje, Jesus é interpelado sobre alguns factos dolorosos:  a morte, dentro do templo, de alguns Galileus por ordem de Pôncio Pilatos e o desabar da torre sobre alguns viandantes (cf. Lc 13, 1-5). Diante da fácil conclusão de considerar o mal como efeito da punição divina, Jesus restitui a verdadeira imagem de Deus, que é bom e não pode desejar o mal, e advertindo contra o pensar que as desventuras sejam o efeito imediato das culpas pessoais de quem as sofre, afirma:  "Julgais que estes Galileus eram maiores pecadores que todos os outros galileus, por terem assim sofrido? Não, digo-vo-lo Eu; mas, se não vos arrependerdes, perecereis todos igualmente" (Lc 13, 2-3). Jesus convida a fazer uma leitura diversa daqueles factos, colocando-os na perspectiva da conversão: as desventuras, os acontecimentos dolorosos, não devem suscitar em nós curiosidade ou busca de presumíveis culpados, mas devem representar ocasiões para reflectir, para vencer a ilusão de poder viver sem Deus, e para fortalecer, com a ajuda do Senhor, o compromisso de mudar de vida. Face ao pecado, Deus revela-se cheio de misericórdia e não deixa de recordar aos pecadores que evitem o mal, cresçam no seu amor e ajudem concretamente o próximo em necessidade, para viver a alegria da graça e não ir ao encontro da morte eterna. Mas a possibilidade de conversão exige que aprendamos a ler os acontecimentos da vida na perspectiva da fé, isto é, animados pelo santo temor de Deus. Na presença de sofrimentos e lutos, verdadeira sabedoria é deixar-se interpelar pela precariedade da existência e ler a história humana com o olhar de Deus, o qual, querendo sempre e só o bem dos seus filhos, por um desígnio imperscrutável do seu amor, por vezes permite que sejam provados pelo sofrimento para os conduzir a um bem maior.

Queridos amigos, rezemos a Maria Santíssima, que nos acompanha no itinerário quaresmal, para que ajude cada cristão a voltar para o Senhor com todo o coração. Ampare a nossa decisão firme de renunciar ao mal e de aceitar com fé a vontade de Deus na nossa vida.

 

Bento XVI, Angelus na Praça de São Pedro a 7 de Março de 2010

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Deus, rico e misericórdia, está atento às nossas preces.

Oremos, cheios de confiança filial, por nós mesmos,

Pela santa Igreja e pelas pessoas de todo o mundo.

Oremos (cantando):

 

    Convertei-nos Senhor, ao Vosso Coração!

 

1. Pelo Santo Padre, Bispos, sacerdotes e diáconos,

    para que nos ajudem à conversão, nesta Quaresma,

    oremos, irmãos.

 

    Convertei-nos Senhor, ao Vosso Coração!

 

2. Pelos que vivem assustados com as suas culpas,

    para que vejam o rosto de Deus misericordioso,

    oremos, irmãos.

 

    Convertei-nos Senhor, ao Vosso Coração!

 

3. Pelos sacerdotes, ministros da Reconciliação,

    para que se dêem ao ministério da confissão,

    oremos, irmãos.

 

    Convertei-nos Senhor, ao Vosso Coração!

 

4. Por todos nós, eleitos da misericórdia do Senhor,

    para que aproveitemos este tempo de misericórdia,

    oremos, irmãos.

 

    Convertei-nos Senhor, ao Vosso Coração!

 

5. Pelos jovens das famílias da nossa comunidade,

    para que se animem a seguir na vida Jesus Cristo,

    oremos, irmãos.

 

    Convertei-nos Senhor, ao Vosso Coração!

 

6. Pelos nossos irmãos que terminaram a vida terrena, 

    para que, pela misericórdia de Deus entrem no Céu,

    oremos, irmãos.

 

Convertei-nos Senhor, ao Vosso Coração!

 

Senhor, que nos mandais percorrer generosamente

os caminhos da conversão nesta Quaresma:

ajudai-nos a fazê-lo com amor e generosidade,

para alcançarmos o prémio que nos está prometido.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução à Liturgia Eucarística

 

De Pão e Palavra se alimenta a nossa vida sobrenatural.

A Palavra de Deus foi-nos servida na primeira parte da santa Missa o Pão Eucarístico – Jesus Cristo verdadeiramente presente sob as aparências do pão e do vinho – vai agora ser consagrado pelo ministério do sacerdote.

Preparemo-nos com fé, amor e devoção, para este grande mistério da nossa fé.

 

Cântico do ofertório: Confesso o meu pecado, J. Santos, NRMS 61

 

Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, por este sacrifício, que, ao pedirmos o perdão dos nossos pecados, perdoemos também aos nossos irmãos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Saudação da Paz

 

A conversão do coração, o perdão generoso das ofensas e o reconhecimento dos próprios erros e pecados, é a melhor das penitências.

O Senhor pede-nos que manifestemos estas disposições por um gesto litúrgico.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Foi para nos fortalecer nesta caminhada para o Céu que o Senhor se disponibilizou para ser o Alimento da nossa vida sobrenatural.

Está na Eucaristia como verdadeiro Corpo, Sangue, Alma e Divindade, tão real e perfeitamente como está no Céu.

Saibamos distinguir este maná divino de qualquer alimento natural e preparemo-nos devidamente para O recebermos, obedecendo aos ensinamentos da nossa Mãe, Igreja.

 

Cântico da Comunhão: Bem-aventurados os que têm fome, M. Luís, NRMS 53

Salmo 83, 4-5

Antífona da comunhão: As aves do céu encontram abrigo e as andorinhas um ninho para os seus filhos, junto dos vossos altares, Senhor dos Exércitos, meu Rei e meu Deus. Felizes os que moram em vossa casa e a toda a hora cantam os vossos louvores.

 

Cântico de acção de graças: Deixai-me saborear, F. da Silva, NRMS 17

 

Oração depois da comunhão: Recebemos o penhor da glória eterna e, vivendo ainda na terra, fomos saciados com o pão do Céu. Nós Vos pedimos, Senhor, a graça de manifestarmos na vida o que celebramos neste sacramento. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A conversão pessoal é um trabalho quotidiano, até à nossa entrada no Céu. Procuremos realizá-lo todos os dias até ao fim da nossa vida terrena, mas com particular diligência nesta Quaresma.

Ajudemos as pessoas que vivem connosco a participar deste cuidado em converter-se todos os dias.

 

Cântico final: Ó Cruz vitoriosa, F. da Silva, NRMS 29

 

 

Homilias Feriais

 

3ª SEMANA

 

2ª Feira, 4-III: Sim à vontade de Deus.

2 Reis 5, 1-15 / Lc 4, 24-30

Vai banhar-te e ficarás purificado. Então, ele (Naamã) desceu e mergulhou sete vezes no Jordão, e ficou purificado.

As Leituras de hoje referem o milagre da cura de Naamã. Isto foi possível porque, embora ele se tenha recusado ao princípio, rectificou e ficou curado (Leit.).

Todos nós ficamos igualmente curados dos nossos pecados pela obediência de Cristo: «Pela sua obediência até à morte, Jesus realizou a acção do Servo sofredor, que oferece a sua vida como sacrifício de expiação ao carregar com o pecado das multidões, que justifica carregando ele próprio com as suas faltas e satisfaz ao Pai pelos nossos pecados» (CIC, 615). Procuremos identificar a nossa vontade com a do Senhor, embora nos possa custar.

 

3ª Feira, 5-III: Coração endurecido e o perdão.

Dan 3, 25. 34-43 / Mt 18, 21-35

Não vos deixeis ficar envergonhados, mas tratai-vos segundo a vossa brandura e segundo a vossa misericórdia.

Sabemos que os nossos pecados recebem o perdão, pela misericórdia de Deus (Leit. e Ev.).

Mas para conseguirmos perdoar àqueles que nos ofendem, temos que ir até ao fundo do nosso coração: «A parábola do servo desapiedado, que conclui com o ensinamento do Senhor sobre a comunhão eclesial, termina com estas palavras: 'Assim procederá convosco o meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão, do fundo do coração' (Ev.). É aí de facto, no 'fundo do coração' que tudo se ata e desata» (CIC, 2843). Se não perdoarmos de todo o coração aos irmãos, o nosso coração fecha-se e torna-se impenetrável ao amor misericordioso do Pai (CIC, 2840).

 

4ª Feira, 6-III: Importância do cumprimento dos mandamentos.

Deut 4, 1. 5-9 / Mt 5, 17-19

Mas aquele que os praticar e ensinar (os mandamentos) será tido como grande no reino dos Céus.

«A lei evangélica 'cumpre' (Ev.), apura, ultrapassa e leva à perfeição a lei Antiga. Nas bem -aventuranças, ela cumpre as promessas divinas, elevando-as e ordenando-as para o 'reino dos Céus'» (CIC, 1967).

A importância do cumprimento dos mandamentos é esta: adquirimos sabedoria e entendemos melhor os acontecimentos (Leit.). E, ao contrário do que muitos pensam, os preceitos da Lei são justos e muito melhores do que quaisquer outros (Leit.) E, finalmente, são a chave que abre a porta de entrada para a vida eterna (Leit.).

 

5ª Feira, 7-III: A escuta da palavra de Deus.

Jer 7, 23-28 / Lc 11, 14-23

Foi isto que ordenei ao meu povo: Escutai a minha voz. Mas eles não ouviram, nem prestaram atenção.

Deus não se cansa de falar ao seu povo, apesar de muitas vezes não ser ouvido. Enviou os profetas e, depois, coube a vez a Jesus proclamar a Boa Nova, que é a pregação com a qual Jesus anuncia o advento do reino de Deus e convida à conversão (3º mistério luminoso).

«Este reino manifesta-se aos homens na palavra, nas obras e na presença de Cristo. Acolher a palavra de Jesus é acolher o próprio reino» (CIC, 764). Estejamos muito atentos à palavra de Deus, para que ela seja para nós uma nova maneira de agirmos e não lhe fecharmos os nossos corações» (S. Resp.).

 

6ª Feira, 8-III: Voltar para Deus e amá-lo mais.

Os 14, 2-10 / Mc 12, 28-34

Perdoai-nos todas as nossas faltas e aceitai o que temos de bom.

O profeta Oseias pede ao povo de Israel que volte para Deus, que não se alie a outros povos poderosos, que tenha confiança no Senhor (Leit.). Deus compromete-se a ajudá-lo: «amá-los-ei generosamente pois a minha indignação vai desviar-se deles» (Leit.).

«O próprio Jesus confirma que Deus é o 'único Senhor', e que é necessário amá-lo 'com todo o coração, com toda a alma, com todo o entendimento e com todas as forças' (Ev.)» (CIC, 202). Nesta Quaresma pede-nos que voltemos para Ele, que o procuremos amar, dando-lhe a primazia, fazendo um maior esforço.

 

Sábado, 9-III: Autenticidade do sacrifício.

Os 6, 1-6 / Lc 18, 9-14

Pois eu quero o amor e não sacrifícios, o conhecimento de Deus, mais que os holocaustos.

As palavras de Oseias têm uma aplicação prática na parábola do fariseu e do publicano. O fariseu orgulhava-se de oferecer vários sacrifícios e o publicano manifestava o seu amor, através do arrependimento (Ev.).

«Para ser autêntico, o sacrifício exterior deve ser expressão do sacrifício espiritual. Jesus recorda as palavras do profeta Oseias: 'Eu quero misericórdia e não sacrifício'. O único sacrifício perfeito é o que Cristo oferece na Cruz, em total oblação ao amor do Pai e para nossa salvação. Unindo-nos ao seu sacrifício, podemos fazer da nossa vida um sacrifício a Deus» (CIC, 2100).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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