Quarta-Feira de Cinzas

13 de Fevereiro de 2013

 

 

Na Missa deste dia benzem-se e impõem-se as cinzas, feitas dos ramos de oliveira (ou de outras árvores), benzidos no Domingo de Ramos do ano anterior.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Acolhe Deus de bondade, F. da Silva, NRMS 13

cf. Sab 11, 24-25.27

Antífona de entrada: De todos Vos compadeceis, Senhor, e amais tudo quanto fizestes; perdoais aos pecadores arrependidos, porque sois o Senhor nosso Deus.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Começamos hoje o tempo santo da Quaresma. Estamos no Ano da Fé e isso convida-nos a evitar mais da rotina e a viver a sério esta celebração tradicional da Igreja, para renovar de verdade a nossa vida cristã.

 

Omite-se o acto penitencial, porque é substituído pela imposição das cinzas.

 

Oração colecta: Concedei-nos, Senhor, a graça de começar com santo jejum este tempo da Quaresma, para que, no combate contra o espírito do mal, sejamos fortalecidos com o auxílio da temperança. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: o profeta Joel anima o povo de Israel à conversão. Para sermos felizes na terra e, depois, no céu precisamos de nos converter continuamente, reconhecer os nossos pecados e pedir perdão.

 

Joel 2, 12-18

12Diz agora o Senhor: «Convertei-vos a Mim de todo o coração, com jejuns, lágrimas e lamentações. 13Rasgai o vosso coração e não os vossos vestidos. Convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque Ele é clemente e compassivo, paciente e misericordioso, pronto a desistir dos castigos que promete. 14Quem sabe se Ele não vai reconsiderar e desistir deles, deixando atrás de Si uma bênção, para oferenda e libação ao Senhor, vosso Deus? 15Tocai a trombeta em Sião, ordenai um jejum, proclamai uma reunião sagrada. 16Reuni o povo, convocai a assembleia, congregai os anciãos, reuni os jovens e as crianças. Saia o esposo do seu aposento e a esposa do seu tálamo. 17Entre o vestíbulo e o altar, chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, dizendo: ‘Perdoai, Senhor, perdoai ao vosso povo e não entregueis a vossa herança à ignomínia e ao escárnio das nações. Porque diriam entre os povos: Onde está o seu Deus?’». 18O Senhor encheu-Se de zelo pela sua terra e teve compaixão do seu povo.

 

Começa a Quaresma com um forte apelo à conversão e de esperança no perdão do Senhor, extraído do final da primeira parte do livro do profeta Joel (1, 2 – 2, 17). Num estilo solene e apocalíptico, fala de uma invasão de gafanhotos medonhos, mas sem ficar claro se fala em sentido próprio ou figurado. Se a obra é anterior ao exílio de Babilónia, aludiria a invasões de exércitos inimigos; se é posterior, tratar-se-ia de alguma praga agrícola. Joel não se detém a denunciar os pecados concretos do povo, como é costume dos grandes profetas. Diante da enorme calamidade apresentada como castigo divino, o profeta apela para uma sincera conversão, a começar pela dos sacerdotes (1, 13).

12-13 «Convertei-vos a Mm de todo o coração». Não é suficiente uma manifestação exterior de dor; rasgar as vestes (v. 13) era um típico gesto de grande dor ou indignação, entre os judeus; rasgavam violentamente a túnica exterior, do pescoço até à cintura (cf. Gn 37, 29; Mt 26, 65). O coração não significa, na linguagem bíblica, apenas a afectividade, mas toda a interioridade da pessoa, todas as suas virtualidades, a sua inteligência e a sua vontade. Deus também nos convida a nós, mais fortemente neste tempo da Quaresma, a voltarmo-nos para Ele de todo o coração, isto é, com todas as veras da nossa alma, e a rasgar o nosso coração, a dilacerá-lo pela contrição, que é essa profunda mágoa de ter ofendido ao Senhor, infinitamente bom. Mas esta dor não é dor angustiante e desesperada, porque é cheia de esperança no perdão, pois Ele é clemente e compassivo… rico de bondade.

«É clemente e compassivo, paciente e misericordioso». A Vulgata e a Neovulgata têm «benignus et misericors est, patiens et multæ misericordiæ». «Compassivo», isto é, dotado de piedade e ternura, de compreensão e disposição para perdoar: o termo hebraico «rahum» é derivado de «réhem» (ventre materno), o que sugere que Deus tem entranhas de mãe, sentimentos e coração de mãe para connosco. Assim, o seu amor não acaba quando nos portamos mal com Ele; então tem pena de nós, compreende e facilita a reconciliação. Por seu lado, a expressão «misericordioso» (à letra, «de muita misericórdia») deixa ver que a misericórdia do Senhor («hésed») não é uma bondade qualquer, é a bondade de Quem se mantém fiel a Si próprio (cf. Ez 36, 22); daqui a frequente hendíadis da S. E.: «amor e fidelidade» («hésed v-émet», um amor que é fidelidade). Este atributo divino tem na sua origem bíblica um matiz jurídico: a fidelidade de Deus à Aliança; uma fidelidade tal que, após o pecado, se mantém, embora já não dentro do mero âmbito legal dum pacto bilateral. Com efeito, mesmo quando o homem rompe a Aliança, Deus continua a manter-se fiel a Si próprio, ao seu amor gratuito, ao seu dom inicial (cf. Rom 11, 29). O amor de Deus é mais forte do que o nosso desamor, as nossas traições e pecados: «jamais algum pecado do mundo poderá superar este Amor» (João Paulo II em Fátima: 13.05.82; cf. Enc. Dives in misericordia).

14 «Vai reconsiderar». A expressão é um antropomorfismo com que se fala de Deus à maneira humana, mas de facto Deus não pode reconsiderar e mudar; se, em face da nossa penitência, Deus já não nos castiga e atende às nossas súplicas, a mudança apenas se dá em nós, não em Deus que, sempre tudo tem presente e tudo dispõe, contando com as nossas mudanças. O Profeta fala de Deus à maneira humana, ao dizer também que «Ele se encheu de zelo pela sua terra» (v. 18), em face do apelo feito ao brio do Senhor, numa súplica tão humilde como ousada da parte dos seus «ministros» (v. 17).

 

Salmo Responsorial    Sl 50 (51), 3-4.5-6a.12-13.14.17 (R. cf. 3a)

 

Monição: O salmo 50 é uma expressão muito bela do arrependimento do coração. Saboreemo-lo fazendo nossas as palavras do rei David, cheio de pena e dor de coração após o seu pecado.

 

Refrão:        Pecámos, Senhor: tende compaixão de nós.

 

Ou:               Tende compaixão de nós, Senhor,

                     porque somos pecadores.

 

Compadecei-Vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade,

pela vossa grande misericórdia, apagai os meus pecados.

Lavai-me de toda a iniquidade

e purificai-me de todas as faltas.

 

Porque eu reconheço os meus pecados

e tenho sempre diante de mim as minhas culpas.

Pequei contra Vós, só contra Vós,

e fiz o mal diante dos vossos olhos.

 

Criai em mim, ó Deus, um coração puro

e fazei nascer dentro de mim um espírito firme.

Não queirais repelir-me da vossa presença

e não retireis de mim o vosso espírito de santidade.

 

Dai-me de novo a alegria da vossa salvação

e sustentai-me com espírito generoso.

Abri, Senhor, os meus lábios

e a minha boca cantará o vosso louvor.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S.Paulo repete-nos com veemência o convite a reconhecer os nossos pecados e a reconciliar-nos com Deus, no tempo favorável que Deus nos oferece nesta Quaresma.

 

2 Coríntios 5, 20 – 6, 2

20Irmãos: Nós somos embaixadores de Cristo; é Deus quem vos exorta por nosso intermédio. Nós vos pedimos em nome de Cristo: reconciliai-vos com Deus. 21A Cristo, que não conhecera o pecado, identificou-O Deus com o pecado por amor de nós, para que em Cristo nos tornássemos justiça de Deus. 6,1Como colaboradores de Deus, nós vos exortamos a que não recebais em vão a sua graça. 2Porque Ele diz: «No tempo favorável, Eu te ouvi; no dia da salvação, vim em teu auxílio». Este é o tempo favorável, este é o dia da salvação.

 

S. Paulo, ao fazer a sua defesa perante as acusações dos seus opositores em Corinto, exalta a grandeza do ministério apostólico de que está investido, um ministério de reconciliação com Deus alcançada pelo mistério da Morte e Ressurreição de Cristo (5, 14-15).

20 «Reconciliai-vos com Deus». É este o insistente convite que a Igreja nos faz em nome de Deus, a mesma exortação que fazia S. Paulo, consciente de que «é Deus quem vos exorta por nosso intermédio»; os Apóstolos, como os demais ministros de Cristo, são «embaixadores de Cristo», não apenas «ao seu serviço», mas actuando «em vez de Cristo e por autoridade de Cristo»; o próprio texto original grego parece dá-lo a entender com a preposição hyper (em favor de), usada com o sentido do antí (em vez de: cf. Jo 11, 50; Gal 3, 13; etc.).

21 «Deus identificou-o com o pecado» (à letra, Deus fê-lo pecado), uma expressão extraordinariamente forte e chocante. Note-se, no entanto, que não se diz que Deus O tenha feito pecador; o que se pretende significar é que Deus permitiu que Jesus viesse a sofrer o castigo que cabia ao pecado. Trata-se aqui duma identificação jurídica, não moral: Cristo tornando-Se a Cabeça e o Chefe duma raça pecadora, toma sobre os seus ombros a responsabilidade, não a de uns pecados alheios, mas a dos pecados da sua raça (a raça humana), a fim de os expiar, sofrendo a pena devida por eles (cf. Gal 3, 13). O texto torna-se menos duro, se entendemos que Cristo se fez pecado, no sentido de que se fez sacrifício pelo pecado; isto, que pode parecer uma escapatória para evitar a dificuldade de interpretação, tem um certo fundamento no substrato hebraico, pois a palavra ’axam tem este duplo sentido de «violação da justiça» e de «sacrifício de reparação pelo pecado»; com efeito, pelo sacrifício de Cristo tornamo-nos «justiça de Deus», isto é, justos diante de Deus (note-se o jogo com os dois substantivos abstractos – pecado/justiça –, num evidente paralelismo antitético, tão do gosto paulino).

6, 2 «Este é o tempo favorável». S. Paulo cita aqui Isaías 49, 8, onde se classifica assim o momento em que aprouve à misericórdia divina libertar os israelitas do cativeiro. O Apóstolo diz que «agora» é que é o tempo realmente favorável, o tempo em que Jesus Cristo nos redimiu do cativeiro do pecado (cf. Gal 4, 4-5). A expressão paulina é ainda mais expressiva e rica do que a da versão grega de Isaías (LXX): agora é que é o momento singularmente oportuno, em que apraz à misericórdia divina operar a nossa salvação. Não há dúvida que a Liturgia pretende fazer uma acomodação deste texto ao tempo santo da Quaresma.

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Sl 94, 8ab

 

Monição: Jesus lembra-nos algumas das boas obras que devem acompanhar a nossa conversão quaresmal e o espírito com que devemos fazê-las. Guardemos com amor e fé o que nos diz.

 

Cântico: M. Simões, NRMS 1 (I)

 

Se hoje ouvirdes a voz do Senhor,

não fecheis os vossos corações.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 6, 1-6.16-18

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 1«Tende cuidado em não praticar as vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Aliás, não tereis nenhuma recompensa do vosso Pai que está nos Céus. 2Assim, quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. 3Quando deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita, 4para que a tua esmola fique em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa. 5Quando rezardes, não sejais como os hipócritas, porque eles gostam de orar de pé, nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. 6Tu, porém, quando rezares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa. 16Quando jejuardes, não tomeis um ar sombrio, como os hipócritas, que desfiguram o rosto, para mostrarem aos homens que jejuam. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. 17Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, 18para que os homens não percebam que jejuas, mas apenas o teu Pai, que está presente em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa».

 

Os versículos da leitura são tirados do Sermão da Montanha de S. Mateus; por focarem práticas tipicamente judaicas, estes não têm paralelos nos outros evangelistas, que se dirigem a cristãos na sua maioria vindos dos gentios.

1 «As vossas boas obras» letra, a vossa justiça), isto é, os actos tradicionais da boa piedade judaica, a esmola, a oração e o jejum. Jesus de modo algum os suprime ou diminui o seu valor, pelo facto de serem actos de piedade pessoal individual, mas exige que todos estes actos se façam sempre com rectidão de intenção, isto é, com uma sincera piedade, com o fim de agradar a Deus, e não por ostentação, ou para se receber o aplauso humano.

6 «Tu, porém, quando rezares, entra no teu quarto». Segundo estas palavras de Jesus, desde crianças, fomos ensinados a rezar não apenas comunitariamente, mas também, a sós: «no teu quarto». O Senhor ensina aqui a necessidade da oração individual (o que não quer dizer individualista). Deus chama os homens à salvação, fazendo-os entrar dentro do Povo de Deus, a sua Igreja, mas chama-os um a um (nominatim: Jo 10, 3); daqui que são imprescindíveis tanto a oração púbica, que manifesta o carácter de família e povo que somos em Cristo, como a oração a sós, que manifesta a resposta pessoal e intransferível de cada um de nós ao seu Pai celeste. Por sua vez, Jesus não se limitou a pregar a necessidade da oração individual, pois Ele próprio deu este mesmo exemplo (cf. Mt 14, 23; Mc 1, 35; Lc 5, 16; 6, 12; 9, 18; 11, 1.28-29), que foi seguido pelos Apóstolos (cf. Act 10, 9-16). Também a experiência pessoal de todos os santos e dos que tomam a sério a fé cristã nos diz que é imprescindível este tipo de oração, que consiste em se recolher para, a sós, falar com Deus, frequentemente. A esta oração recolhida e íntima nos convida hoje o Senhor e a Liturgia nesta Quaresma, que agora começa.

 

Sugestões para a homilia

 

Convertei-vos de todo o coração

 Nós vos pedimos: reconciliai-vos com Deus

Não saiba a tua esquerda

 

 Convertei-vos de todo o coração

 

 Estamos no ano da fé. O Santo Padre convida-nos a viver mais a sério a nossa fé na vida de cada dia. A Quaresma é para nós ocasião importantíssima para aprofundar a fé. Preparamo-nos para celebrar um dos mistérios fundamentais: o mistério da Redenção. A Cristo que não conhecera o pecado identificou-O Deus com o pecado por amor de nós, para que em Cristo nos tornássemos justiça de Deus, nos tornássemos santos.

O pecado foi a desgraça dos primeiros pais. Afastou-os de Deus, roubando-lhes a graça e a amizade com Ele e trazendo consigo a morte e todas as desgraças. Lembra-te que és pó e em pó te hás-de tornar -disse o Senhor a Adão e Eva.

A Quaresma lembra-nos esta realidade que há-de incitar-nos a aproveitar bem a nossa vida que é limitada. Somos cinza e pó da terra.

Ao mesmo tempo o Senhor lembra o Seu amor misericordioso que nos deu O Seu Filho para nos salvar da nossa miséria, reconciliando-nos com Deus pela Sua Paixão e Morte, que vamos celebrar dentro de quarenta dias.

 

 

 Nós vos pedimos: reconciliai-vos com Deus

 

A Santa Igreja convida-nos a tomar a sério a misericórdia de Deus, não só evitando o pecado que é a única verdadeira desgraça cá n terra, mas a pedir perdão quando ofendemos a Deus. Temos de fazê-lo muitas vezes ao dia, repetindo o acto de contrição, dizendo ao Senhor que temos muita pena de O ter ofendido.

Como o rei David no salmo 50, havemos de dizer ao Senhor: Compadecei-vos de Mim ó Deus pela vossa bondade.... Lavai-me de toda a iniquidade e purificai-me de todas as faltas...Porque eu reconheço os meus pecados e tenho sempre diante de mim as minhas culpas.

 Uma das desgraças do nosso tempo é que as pessoas acham que não têm pecados, que essa é uma linguagem obsoleta.

E muitos cristãos, porque deixaram adormecer a sua fé deixaram-se eivar dessa mentalidade. Os maiores crimes, como o aborto, os pecados sexuais contra a natureza são vistos como algo de normal, sobretudo quando foram legitimados por leis iníquas dos Estados.

Temos de repetir como David: Criai em mim, ó Deus um coração puro e não retirei de mim o vosso espírito de santidade.

 

 Nâo saiba a tua esquerda

 

Aproveitemos este tempo santo da Quaresma, para nos reconciliarmos com Deus preparando melhor a nossa confissão, fazendo com mais frequência o acto de contrição mesmo diante das pequenas faltas de cada dia.

Ocupemos o nosso tempo com as boas obras que Jesus nos lembra no Evangelho:

-a esmola, ajudando os outros. Em primeiro lugar com as obras de misericórdia espirituais, animando os outros à nossa volta a reconciliar-se com Deus. A maior miséria do nosso tempo é a pobreza espiritual, não ter a Deus, andar esquecido dEle.

A crise económica mundial veio abrir os olhos de muitos: que o dinheiro é inseguro e não dá a verdadeira felicidade. Quem tem Deus tem tudo e quem não tem Deus não tem nada- diz o povo.

Com a ajuda espiritual aos outros estejamos atentos também às necessidades materiais dos que nos rodeiam. Sabendo dar com a direita, sem que o saiba a esquerda.

Outra obra fundamental do cristão é a oração. Também essa oração a sós com Deus no segredo do nosso quarto. A oração mental, a Via Sacra, o Santo Rosário, a Santa Missa, a visita ao Santíssimo, a leitura espiritual, enchem o nosso depósito interior, para empapar-nos da graça de Deus e distribui-la pelo mundo à nossa volta.

E finalmente o jejum, não para fazer regime de elegância, mas para vencer as tentações, como Jesus nos ensinou com os quarenta dias no deserto. E também para obter muitas graças para a salvação dos que nos rodeiam. Os pastorinhos de Fátima aprenderam essa lição dos lábios de Nossa Senhora e podemos imitá-los no desejo de amar mais a Jesus e alcançar a renovação espiritual de tantos à nossa volta.

 

 

Bênção das cinzas

 

Depois da homilia, o sacerdote, de pé, diz com as mãos juntas:

 

Irmãos caríssimos: Oremos fervorosamente a Deus nosso Pai, para que Se digne abençoar com a abundância da sua graça estas cinzas que vamos impor sobre as nossas cabeças, em sinal de penitência.

 

E depois de alguns momentos de oração em silêncio, diz uma das orações seguintes:

 

Senhor nosso Deus, que Vos compadeceis daquele que se humilha e perdoais àquele que se arrepende, ouvi misericordiosamente as nossas preces e derramai a vossa bênção sobre os vossos servos que vão receber estas cinzas, para que, fiéis à observância quaresmal, mereçam chegar, de coração purificado, à celebração do mistério pascal do vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

ou

 

Deus de infinita bondade, que não desejais a morte do pecador mas a sua conversão, ouvi misericordiosamente as nossas súplicas e dignai-Vos abençoar estas cinzas que vamos impor sobre as nossas cabeças, para que, reconhecendo que somos pó da terra e à terra havemos de voltar, alcancemos, pelo fervor da observância quaresmal, o perdão dos pecados e uma vida nova à imagem do vosso Filho ressuscitado, Nosso Senhor Jesus Cristo, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

O sacerdote asperge as cinzas com água benta, sem dizer nada.

 

Imposição das cinzas

 

Em seguida, o sacerdote impõe as cinzas a todos os presentes que se aproximam dele, dizendo a cada um:

 

Mc 1, 15

Arrependei-vos e acreditai no Evangelho.

 

Ou

cf. Gen 3, 19

Lembra-te, homem, que és pó da terra e à terra hás-de voltar.

 

Entretanto, canta-se um cântico apropriado, por exemplo:

 

cf. Joel 2, 13

Antífona: Mudemos as nossas vestes pela cinza e o cilício. Jejuemos e choremos diante do Senhor, porque Deus é infinitamente misericordioso e perdoa os nossos pecados.

 

ou

cf. Joel 2, 17; Est 13, 17

Entre o vestíbulo e o altar, chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, dizendo: Perdoai, Senhor, perdoai ao vosso povo, para que possa cantar sempre os vossos louvores.

 

ou

Salmo 50, 3

Lavai-me de toda a iniquidade, Senhor.

 

Pode repetir-se esta antífona depois de cada versículo ou estrofe do salmo 50. Compadecei-Vos de mim, ó Deus.

 

Responsório

cf. Bar 3, 2; Salmo 78, 9

V.  Renovemos a nossa vida,

reparemos o mal que fizemos,

para que não nos surpreenda o dia da morte

e nos falte o tempo para nos convertermos.

R.  Ouvi-nos, Senhor, e tende compaixão de nós,

porque somos pecadores.

 

V.  Ajudai-nos, Senhor, para glória do vosso nome;

perdoai as nossas culpas e salvai-nos.

R.  Ouvi-nos, Senhor, e tende compaixão de nós,

porque somos pecadores.

 

Terminada a imposição das cinzas, o sacerdote lava as mãos. O rito conclui-se com a oração universal ou oração dos fiéis. Não se diz o Credo.

 

Oração Universal

 

Ao convidar-nos a seguir esta caminhada quaresmal, o Senhor enche-nos de graça para que O sigamos com generosidade, amor e contrição verdadeira.

Imploremos do Seu Coração misericordioso esta ajuda, rezando com fé por nós e pelos fieis do mundo inteiro. Oremos dizendo:

Acolhei, Senhor, a nossa oração penitente e aumentai a nossa fé e o nosso amor

 

    1-Pela Santa Igreja Católica, para que todos os seus filhos vivam com entusiasmo este Ano da Fé renovando toda a sua vida cristã, oremos irmãos

Acolhei, Senhor, a nossa oração penitente e aumentai a nossa fé e o nosso amor

 

2-Pelo Santo Padre, para que todos sigam com docilidade os seus apelos, oremos irmãos

Acolhei, Senhor, a nossa oração penitente e aumentai a nossa fé e o nosso amor

 

    3-Pelos bispos e sacerdotes, para que se gastem generosamente ao serviço das almas, sobretudo na pregação e na administração do sacramento do perdão, oremos irmãos

 Acolhei, Senhor, a nossa oração penitente e aumentai a nossa fé e o nosso amor

 

    4-Por todos os cristãos, para que vivam melhor a Eucaristia de cada domingo, e nela se encham da força e alegria de Cristo, que nos convida à santidade, oremos irmãos.

 Acolhei, Senhor, a nossa oração penitente e aumentai a nossa fé e o nosso amor

 

     5.-Para que todos avivemos a nossa fé no sacramento da confissão, recebendo-o não só na Quaresma mas muitas vezes durante ao ano, oremos irmãos

 Acolhei, Senhor, a nossa oração penitente e aumentai a nossa fé e o nosso amor

 

    6-Pelos jovens de todo o mundo para que aumentem o seu horror ao pecado, e saibam desviar-se com valentia dos que querem afastá-los de Jesus , oremos irmãos.

 Acolhei, Senhor, a nossa oração penitente e aumentai a nossa fé e o nosso amor

 

    7-Para que todos os cristãos procurem crescer na fé e testemunhá-la com valentia na sua vida, oremos irmãos.

 Acolhei, Senhor, a nossa oração penitente e aumentai a nossa fé e o nosso amor

 

 

Senhor, que nos encheis da Vossa graça em Cristo, na Eucaristia e no Sacramento do Perdão, fazei-nos viver da Sua vida nova , na fé, na esperança, e na caridade.

Pelo mesmo N.S.J.C.Vosso Filho que conVosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

Ao convidar-nos a seguir esta caminhada quaresmal,

o Senhor enche-nos de graça para que O sigamos com generosidade,

amor e contrição verdadeira.

Imploremos do Seu Coração misericordioso esta ajuda,

rezando com fé por nós e pelos fieis do mundo inteiro.

Oremos dizendo:

 

 Acolhei, Senhor, a nossa oração penitente

 e aumentai a nossa fé e o nosso amor

 

1.     Pela Santa Igreja Católica,

 para que todos os seus filhos vivam com entusiasmo este Ano da Fé

 renovando toda a sua vida cristã, oremos irmãos.

 Acolhei, Senhor, a nossa oração penitente

 e aumentai a nossa fé e o nosso amor

 

2.  Pelo Santo Padre,

  para que todos sigam com docilidade os seus apelos, oremos irmãos.

 Acolhei, Senhor, a nossa oração penitente

 e aumentai a nossa fé e o nosso amor

 

3.  Pelos bispos e sacerdotes,

 para que se gastem generosamente ao serviço das almas,

 sobretudo na pregação e na administração do sacramento do perdão,

 oremos irmãos

 Acolhei, Senhor, a nossa oração penitente

 e aumentai a nossa fé e o nosso amor

 

4.  Por todos os cristãos,

 para que vivam melhor a Eucaristia de cada domingo,

 e nela se encham da força e alegria de Cristo,

 que nos convida à santidade, oremos irmãos.

 Acolhei, Senhor, a nossa oração penitente

 e aumentai a nossa fé e o nosso amor

 

5.  Para que todos avivemos a nossa fé no sacramento da confissão,

 recebendo-o não só na Quaresma mas muitas vezes durante ao ano,

 oremos irmãos

 Acolhei, Senhor, a nossa oração penitente

 e aumentai a nossa fé e o nosso amor

 

6.  Pelos jovens de todo o mundo

 para que aumentem o seu horror ao pecado,

 e saibam desviar-se com valentia dos que querem afastá-los de Jesus,

  oremos irmãos.

 Acolhei, Senhor, a nossa oração penitente

 e aumentai a nossa fé e o nosso amor

 

7.  Para que todos os cristãos procurem crescer na fé

 e testemunhá-la com valentia na sua vida, oremos irmãos.

 Acolhei, Senhor, a nossa oração penitente

 e aumentai a nossa fé e o nosso amor

 

Senhor, que nos encheis da Vossa graça em Cristo,

na Eucaristia e no Sacramento do Perdão,

fazei-nos viver da Sua vida nova, na fé, na esperança, e na caridade.

Pelo mesmo N.S.J.C. Vosso Filho

que conVosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Perdoa ao teu povo, Az. Oliveira, NRMS 105

 

Oração sobre as oblatas: Recebei, Senhor, este sacrifício, com o qual iniciamos solenemente a Quaresma, e fazei que, pela penitência e pela caridade, nos afastemos do caminho do mal, a fim de que, livres de todo o pecado, nos preparemos para celebrar fervorosamente a paixão de Cristo, Vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio da Quaresma III p. 463 ou IV p. 464 [598-710]

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Purifiquemos melhor o nosso coração para acolher a Jesus

 

Cântico da Comunhão: Lembra-te de mim, Senhor, F. Silva, NRMS 69

Salmo 1, 2-3

Antífona da comunhão: Aquele que medita dia e noite na lei do Senhor dará fruto a seu tempo.

 

Oração depois da comunhão: Senhor, fazei que este sacramento nos leve a praticar o verdadeiro jejum que seja agradável a vossos olhos e sirva de remédio aos nossos males. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Queremos viver com mais fervor este tempo santo da Quaresma, tendo diante dos olhos os quarenta dias que Jesus passou no deserto

 

Cântico final: Vós me salvaste, Senhor, M. Simões, NRMS 16

 

A bênção e imposição das cinzas pode fazer-se também fora da Missa. Nesse caso, convém que preceda uma liturgia da palavra, utilizando a antífona de entrada, a oração colecta, as leituras e seus cânticos, como na Missa. Depois da homilia, procede-se à bênção e imposição das cinzas. O rito conclui com a oração universal.

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO DA QUARESMA

 

5ª Feira,14-II: S. Cirilo e S. Metódio: Fé na tarefa da evangelização.

Act 13, 46-49 / Lc 10, 1-9

Ide, e olhai que vos mando em missão como cordeiros para o meio dos lobos.

Seguindo este mandato do Senhor (Ev.), Paulo e Barnabé começaram a evangelização dos pagãos: «vamos voltar-nos para os pagãos» (Leit.).

Cirilo e Metódio levaram a cabo, no século IX, a evangelização dos países eslavos. Para a tarefa da evangelização actual, tenhamos presente este conselho do B. João Paulo II: «Haja um empenho, por parte dos cristãos, de testemunharem com maior rigor a presença de Deus no mundo. Não tenhamos medo de falar de Deus e de ostentar sem vergonha os sinais da fé. É errado considerar que a referência pública à fé possa ofender a justa autonomia do Estado e das instituições civis»

 

6ª Feira, 15-II: Que jejum agrada ao Senhor?

Is 58, 1-9 / Mt 9, 14-15

Será então jejum que me agrade mortificar-se um homem durante um dia? O jejum que me interessa não é antes este...

No começo da Quaresma podemos perguntar ao Senhor qual o jejum que devemos fazer para lhe agradar (Leit.). O jejum é uma forma particular da oração dos sentidos. Tudo o que fizermos nesse sentido será agradável a Deus: guarda dos sentidos, sobriedade nas comidas e bebidas e no uso da TV e Internet, vencimento das manifestações de preguiça e comodismo, etc.

É sempre importante que esta penitência seja acompanhada pela caridade: «as obras de misericórdia são as acções caridosas, pelas quais vamos em ajuda do nosso próximo, das suas necessidades corporais e espirituais (Leit.)» (CIC, 2447).

 

Sábado, 16-II: Reparar as 'brechas' da nossa vida.

Is 58, 9-14 / Lc 5, 27-32

Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas aqueles que estão doentes.

«Jesus afirmou: 'Eu não vim chamar os justos, vim chamar os pecadores, para que se arrependam' (Ev.). E foi mais longe, afirmando diante dos fariseus que, sendo o pecado universal, negam-se a si próprios aqueles que pretendem não precisar de salvação» (CIC, 588).

Pela nossa parte, somos convidados a 'reparar as brechas' (Leit.) que há na nossa vida, especialmente as indicadas na Leitura: cuidar o dia do Senhor, organizando a vida pessoal e da família; e viver melhor a caridade: cuidado com os gestos e palavras, atenção às necessidades do próximo, dedicação aos problemas dos outros. E muitas outras mais: preguiça, sensualidade, etc.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Celestino Ferreira

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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