TEMAS LITÚRGICOS

MODIFICAÇÕES NO RITO DA CANONIZAÇÃO

 

 

 

 

Mons. Guido Marini

 

 

No passado domingo 21 de Outubro de 2012, Bento XVI celebrou na Praça de São Pedro a canonização de sete novos santos, como um dos acontecimentos importantes do Ano da Fé. Para essa celebração, o Santo Padre utilizou um novo Rito para a cerimónia da canonização, preparado pelo Departamento de Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice.

Mons. Guido Marini, Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias, numa entrevista ao L’Osservatore Romano publicada em 17 de Outubro (ed. quotidiana), explicava os motivos da modificação e as suas consequências práticas.

 

 

Então, o rito de canonização já não se realiza durante a celebração eucarística?

Exactamente, como já aconteceu, aliás, com outros ritos: pensemos no rito do Resurrexit, no domingo da Páscoa; no Consistório para a criação dos novos cardeais, desde 18 de Fevereiro de 2012; e na bênção e imposição dos pálios aos arcebispos metropolitanos, na recente solenidade de S. Pedro e S. Paulo.

 

Qual é o motivo de fundo?

Evitar que na celebração eucarística estejam presentes elementos que não lhe pertencem estritamente, mantendo assim intacta a sua unidade, como foi desejado pela Constituição conciliar sobre a sagrada liturgia Sacrosanctum Concilium. De resto, não se modificou uma tradição consolidada, mas apenas uma prática recente. A canonização é fundamentalmente um acto canónico, no qual estão envolvidos o munus docendi e o munus regendi. O munus santificandi entra em cena num segundo momento e é constituído pelo acto de culto que se segue à canonização.

 

Em resumo, para dizê-lo com o documento do Vaticano II por si citado, “sã tradição e legítimo progresso”?

Certamente, se bem que, neste caso específico, a renovação do rito de canonização se insere na esteira do caminho iniciado por Bento XVI em 2005. Foi então que a Congregação para as Causas dos Santos, com a comunicação do dia 29 de Setembro, dispôs – a seguir às conclusões do estudo das razões teológicas e das exigências pastorais sobre os ritos de beatificação e canonização aprovadas pelo Santo Padre – que a canonização continuaria a ser presidida pelo Pontífice em São Pedro, enquanto a beatificação seria celebrada por um seu representante, normalmente o Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, na diocese interessada. Com efeito, a canonização é uma sentença definitiva, com a qual o Sumo Pontífice decreta que um servo de Deus, já incluído entre os beatos, seja inscrito no catálogo dos santos e seja venerado na Igreja universal com o culto devido a todos os canonizados. Trata-se, portanto, de um culto preceptivo e universal. A autoridade exercida pelo Papa na sentença de canonização será agora ainda mais visível através de alguns elementos rituais.

 

Além da localização do Rito, que agora se realiza inteiramente antes do início da Missa, quais são esses elementos rituais?

Em primeiro lugar, a tripla petição, durante a qual o cardeal Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos se dirige ao Santo Padre para lhe pedir que proceda à canonização dos beatos. Portanto, recupera-se, se bem que de forma renovada, a antiga tradição segundo a qual o Papa reza com insistência para pedir a ajuda do Senhor no cumprimento deste importante acto. Em particular, em resposta à segunda petição, ele invoca o Espírito Santo e, depois desta invocação, é entoado o hino Veni Creator. Em segundo lugar, o canto do Te Deum, presente no Rito de canonização até 1969, acompanha a colocação e a veneração das relíquias dos novos santos.

 

Em relação à procissão com as relíquias dos novos santos, está prevista alguma outra modificação?

A habitual procissão faz uma breve paragem diante do Santo Padre que, assim, pode venerar as relíquias. Depois, uma vez colocadas junto do altar, as relíquias são incensadas pelo diácono.

 

A revisão do rito de canonização, como já ocorreu com outros ritos, implica também uma simplificação?

Diria que sim. E também isto é um aspecto importante do rito renovado, juntamente com o da sua reforma em continuidade harmónica com uma tradição já secular. Deste modo, é possível realizar o “esplendor da nobre simplicidade” desejado pelo Concílio Vaticano II. As Ladainhas dos santos acompanham a procissão inicial, sendo antecipadas em relação à prática até agora. Acontecia assim durante o pontificado de Pio XII, a partir de 1946. Além disso, são omitidas as biografias dos novos santos por parte do Prefeito, dado que o Santo Padre, como é costume, as apresenta brevemente durante a homilia. Finalmente, já não está prevista a saudação pessoal ao Pontífice por parte dos postuladores, que poderão encontrá-lo brevemente depois da Missa, na sacristia da basílica Vaticana.

 

 

 

 


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