A  abrir

«The Day After»

 

 

 

Hugo de Azevedo

 

 

Muitos filmes se têm inspirado no tema de um mundo «pós-nuclear», atraindo um vasto público. E com razão, pois tocam um dos pesadelos do nosso tempo: o que seria de nós, depois de tal catástrofe? Mas essa consciente ou subconsciente inquietação geral é de algum modo semelhante à que sentimos neste nosso mundo «pós-moderno» e «pós-cibernético», quase tão caótico como o resultante de uma devastação atómica.

A primeira dificuldade da juventude actual é, realmente, análoga à dos sobreviventes de um conflito nuclear mundial: sem memória doutro mundo que não seja aquele em que nasceram, o caos social e moral é para eles o «mundo normal», como tem sido, em geral, para todos nós este mundo confuso depois do pecado original; um mundo insatisfatório, que deixa muitos desalentados, mas também muitos outros empenhados em corrigi-lo quanto antes; um mundo que é urgente «salvar». Este anseio e esta esperança, graças a Deus, nunca se nos apagaram. E nunca o homem deixou de erguer os olhos ao Céu, em petição de explicação e ajuda.

«Hoje não poucos jovens duvidam profundamente que a vida seja um bem, e não vêem com clareza o seu próprio caminho (…) e perguntam-se: e eu, que posso fazer? A luz da fé ilumina esta escuridão, fazendo-nos compreender que toda a existência tem um valor inestimável, porque é fruto do amor de Deus», diz Bento XVI aos jovens da próxima JMJ (nº1).

Já Paulo VI, em 1965, os avisara de que teriam de viver num tempo «das mais gigantescas transformações da sua história (…) Construí com entusiasmo um mundo melhor do que o dos vossos antepassados!». E o actual Papa acrescenta: «Este convite é extremamente actual (…) O progresso técnico deu-nos oportunidades inéditas de interacção entre os homens e entre os povos, mas a globalização destas relações só será positiva (…) se estiver fundada, não sobre o materialismo, mas sobre o amor (…) Deus é amor. O homem que esquece Deus fica sem esperança e torna-se incapaz de amar o seu semelhante» (ibid.).

Tal como noutros períodos conturbados, a Igreja é a instância mais luminosa e segura de orientação: a fé explica-nos a situação actual da humanidade e o sentido integral – natural e sobrenatural – da vida, e oferece-nos as mais preciosas indicações para singrarmos no meio de quaisquer turbulências culturais e sociais. Mas, além disso, só ela pode dar aos jovens (e a todos) a memória perdida de tantas singraduras de sucesso no meio de tempestades históricas: leiam as vidas dos santos, os maiores e melhores «revolucionários» de todos os séculos.

 

 

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial