aCONTECIMENTOS eclesiais

DO MUNDO

 

 

ALEMANHA

 

COERÊNCIA CIVIL E RELIGIOSA

 

A Conferência Episcopal alemã, publicou no passado dia 21 de Setembro um Decreto aprovado pela Santa Sé, no qual esclarece que todos os fiéis que declaram ao Registo Civil não pertencerem à Igreja católica não poderão continuar a participar activamente da vida da comunidade eclesial e, portanto, da vida sacramental.

 

O Decreto afirma que não já não se poderá fazer distinção entre pertença “civil” e pertença “espiritual” à Igreja católica.

De recordar que, na Alemanha, está em vigor um particular sistema jurídico relativo ao financiamento das Igrejas, que obriga os fiéis a inscreverem-se no Registo Civil como pertencentes a uma determinada confissão religiosa. Esta inscrição comporta um contributo para o sustentamento económico da Igreja a que pertencem.

Para o Padre Hans Langendoerfer, Secretário geral da Conferência Episcopal Alemã, com esta medida, os párocos poderão, finalmente, ocupar-se directamente de todos aqueles que tencionam abandonar a Igreja. Será solicitado um encontro com todas essas pessoas, para tentar convencê-las a regressar para a comunidade eclesial e poder participar activamente na vida da Igreja.

 

 

EUROPA

 

BISPOS CRITICAM LAICISMO DOMINANTE

 

O Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE) lançou no passado dia 1 de Outubro críticas ao que classifica como “graves derivas” do liberalismo económico e do “libertarismo” ético no continente, lamentando ainda as tentativas de marginalizar a Igreja Católica.

 

“Interrogamo-nos sobre a finalidade das atitudes de incómodo e sistemático descrédito que exprimem intolerância, por vezes também discriminação e incitamento ao ódio, em relação à fé e à doutrina cristã e, portanto, aos cristãos”, refere uma mensagem da presidência do CCEE.

O texto é divulgado após a reunião plenária que decorreu de 27 a 30 de Setembro na cidade suíça de Sankt Gallen, encontro que contou com a presença de D. José Policarpo, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), sobre o tema “Os desafios do nosso tempo: aspectos sociais e espirituais”.

O comunicado final afirma que as culturas laicas “não devem olhar com suspeita para a mensagem cristã, que desde sempre abre a asa da fé e a asa da razão”.

“Queremos recordar que o cristianismo é cada vez mais actual e oferece a todos o seu património de actualidade perene, porque proclama um humanismo personalista e comunitário”.

Os bispos católicos criticam a “tentativa de redesenhar os fundamentos naturais da sociedade, como a família ou a convivência das diversas tradições históricas e religiosas”.

“A Igreja, dando testemunho da verdade da fé, participa no debate cultural e social com o seu próprio património de sabedoria e de cultura, apresentando as elaborações da recta razão”, assinalam os prelados.

A voz dos católicos, destaca o texto, é vista por alguns, no entanto, como “incómoda” e acusam de “intolerância ou obscurantismo, sentida como perigosa porque é uma voz livre que não se cola a interesses nem está disposta a ceder a chantagens”.

O CCEE inclui 33 organismos episcopais, sob a presidência do cardeal Péter Erdo, arcebispo de Budapeste e primaz da Hungria; o secretário-geral é o padre português Duarte da Cunha.

 

 

EUROPA

 

PRÉMIO NOBEL DA PAZ

 

O responsável pelo programa de Estudos Europeus na Universidade Católica Portuguesa, professor Eduardo Lopes Rodrigues, disse no passado dia 12 de Outubro que a atribuição do prémio Nobel da Paz à União Europeia (UE) abre espaço a uma “Europa mais coesa e solidária”.

 

O investigador sublinha que o galardão “pode levar as pessoas a voltarem a acreditar no projecto europeu e a acabarem com os egoísmos nacionais” que se tornaram mais evidentes com a recessão económica que atingiu o continente.

O mestre em Estudos Europeus recorda que a UE “nasceu fundamentalmente de uma ideia altruísta, mas para que essa pedagogia seja percepcionada pelas pessoas é necessário que as lideranças geopolíticas tenham um discurso nesse sentido”.

“Hoje estamos a ser espartilhados por um conjunto de políticas que parecem colocar em causa a liberdade das pessoas, quando paralelamente não são acompanhadas de políticas de crescimento económico”, exemplifica o docente.

Eduardo Lopes Rodrigues sublinha que a UE é “o rosto visível de um projecto que começou há 60 anos em nome da paz”, com “metodologias totalmente inéditas e inovadoras”.

Mais do que a harmonia, depois de dois mil anos de permanente instabilidade e conflito, a semente lançada pelo ministro francês Robert Schuman e pelo chanceler alemão Konrad Adenauer, entre outros, garantiu o desenvolvimento social e económico da região.

“Nunca no mundo houve um projecto político que defendesse com tanto vigor a dignidade da pessoa, a justiça, o desenvolvimento”, sustenta o professor da Universidade Católica, que deixa um alerta para o futuro.

“Se porventura a Europa se fragmentar, isso lançará as sementes da guerra, a paz exige trabalho e exige que em cada momento se faça o melhor em benefício de cada cidadão”.

O júri da Academia Real Sueca atribuiu o prémio Nobel da Paz à União Europeia por unanimidade, salientando que “aquele organismo e os seus precursores têm contribuído, há mais de seis décadas, para o avanço da paz e da reconciliação, da democracia e dos direitos humanos  na Europa”.

O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, considerou hoje em Bruxelas a recepção do galardão como sendo “uma grande honra” para 500 milhões de cidadãos, 27 Estados-membros e todas as instituições comunitárias.

 

 

ISRAEL

 

MURO DE SEPARAÇÃO BELÉM – JERUSALÉM

 

Com um comunicado divulgado no passado dia 6 de Novembro, a Assembleia dos líderes das Igrejas Católicas da Terra Santa, condena o projecto israelita relativo a um muro de separação entre Belém e Jerusalém.

 

Um muro que obrigará ainda mais os cristãos a emigrar. Além do mais, as duas Congregações locais salesianas que ali se encontram, verão limitado o seu trabalho missionário somente à comunidade loca, que perderá uma das suas últimas grandes áreas agrícolas e recreativas, como também algumas fontes de água fundamentais para os agricultores da região.

Problemas também para as 450 crianças que estudam no Instituto das Irmãs salesianas, obrigadas, a partir de agora, a frequentarem uma escola semelhante a uma prisão, circundada por muros e postos de controle militar.

A Assembleia, apoiada na sentença de 9 de Julho de 2004 da Corte Internacional de Justiça que definiu ilegal o muro de separação, pediu à Société Saint-Yves que apresente uma denúncia contra as autoridades militares.

No comunicado, enfim, os líderes das Igrejas Católicas “negam categoricamente a existência de um acordo explícito ou implícito entre o Vaticano, a Igreja local e as autoridades israelitas para a construção deste muro ilegal e pedem com firmeza a Israel que pare com o seu plano de dividir o Vale de Cremisan da cidade de Belém”.

 

 

ESTADOS UNIDOS

 

BISPOS PERANTE A REELEIÇÃO DE OBAMA

 

O presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, Cardeal Timothy Dolan, saudou no passado dia 7 de Novembro Barack Obama pela sua reeleição, pedindo-lhe que defenda o “bem comum” da população.

 

Numa mensagem publicada através da Internet, o Arcebispo de Nova Iorque chamou especia” atenção para a importância de salvaguardar os direitos “dos mais vulneráveis, incluindo os que estão por nascer, os pobres e os imigrantes”.

De acordo com o Cardeal, “a Igreja Católica dos Estados Unidos vai continuar a defender a vida, o matrimónio e o seu direito mais precioso, a liberdade religiosa”.

Os Bispos contam ainda com Obama para “restaurar o caminho do civismo na ordem pública, para que as relações humanas nos Estados Unidos sejam guiadas pelo respeito e caridade entre todos”.

Barack Obama, candidato democrata, foi reconduzido à Casa Branca, para um segundo mandato de quatro anos, vencendo nas eleições do passado dia 6 de Novembro o republicano Mitt Romney.

 

 

ESPANHA

 

BISPOS OPÕEM-SE AO “MATRIMÓNIO HOMOSSEXUAL”

 

O actual ordenamento sobre o matrimónio na Espanha, além da sua conformidade ou não com a Constituição, «não reconhece» e «não protege» a realidade do «matrimónio na sua especificidade», como união entre um homem e uma mulher. Por isso é «urgente» apresentar modificações oportunas.

 

É quanto afirmam os bispos espanhóis que, no passado dia 8 de Novembro, intervieram com uma nota sobre a debatida sentença do Tribunal Constitucional sobre o chamado “matrimónio homossexual”. De facto, os juízes do alto tribunal, no dia 6 de Novembro, rejeitaram – oito votos contra três – o recurso apresentado contra a lei que há sete anos introduziu na península ibérica as bodas entre pessoas do mesmo sexo, sancionando  desta forma a sua conformidade com a Carta constitucional.

A Conferência episcopal, que já interveio várias vezes no passado sobre a matéria, voltou a fazer ouvir a sua voz, consciente «das consequências negativas» que de tal sentença «derivarão para o bem comum». Os prelados reafirmaram os princípios da doutrina católica e recordam quanto foi expresso na recente Instrução pastoral sobre «A verdade do amor humano. Orientações sobre a verdade do amor conjugal, a ideologia de género e a legislação familiar», publicada em Julho passado.

 

 

FRANÇA

 

BISPOS PROTESTAM PERANTE “MATRIMÓNIO HOMOSSEXUAL”

 

No discurso de encerramento da assembleia plenária da Conferência episcopal francesa, em Lourdes, no passado dia 8 de Novembro, o presidente cardeal André Vingt-Trois voltou a comentar o projecto de lei que inclui no matrimónio civil os casais formados por pessoas do mesmo sexo, adoptado no dia 7 de Novembro pelo Conselho dos ministros (o texto será examinado pela Assembleia nacional a partir de 29 de Janeiro de 2013).

 

As reacções confusas e as injúrias públicas que fazem duvidar acerca da possibilidade de um debate verdadeiro; a falsa acusação de homofobia, que visa encobrir a proximidade da Igreja das pessoas homossexuais; a ausência, no centro da vicissitude, da figura da criança, protagonista esquecido e vítima verdadeira desta medida; e, por outro lado, a satisfação para a mobilização dos cidadãos, não só católicos mas também ortodoxos, protestantes, judeus e muçulmanos, que se manifestará proximamente com cortejos e «um compromisso para a promoção do bem comum para a nossa sociedade» – foram pontos referidos.

Como já tinha feito na intervenção de abertura, o arcebispo de Paris advertiu sobre o «engano» representado pelo chamado mariage pour tous, o qual daria uma falsa solução à necessidade de reconhecimento das pessoas homossexuais. «Estamos convictos – explicou  – de que, como todos, elas são chamadas a encontrar e a seguir Cristo. Também para elas existe um caminho rumo à santidade, que deve ser percorrido gradualmente, e a Igreja está sempre disponível para as acompanhar neste caminho». Mas Vingt-Trois sublinhou outro aspecto desta vicissitude, ou seja, quando ela contrasta a opção do Governo de polarizar a atenção sobre este argumento com «as preocupações prioritárias que afligem os nossos concidadãos devido às consequências da crise económica e financeira».

 

 

PORTUGAL

 

NOVO SUPERIOR GERAL DOS IRMÃOS DE S. JOÃO DE DEUS

 

A Ordem Hospitaleira de São João de Deus elegeu um novo Superior geral durante a reunião magna da congregação religiosa fundada pelo Santo português, que decorreu em Fátima até 9 de Novembro.

 

O cargo vai ser assumido pelo religioso espanhol Jésus Etayo, de 54 anos, após a eleição de oitenta Irmãos de São João de Deus e vinte colaboradores leigos.

“A prioridade da Ordem hoje é continuar a pôr em prática o seu próprio carisma e a missão da hospitalidade: é verdade que já tem 500 anos, mas pensamos que ainda é actual e queremos reforçá-lo para o futuro”, disse o novo Superior geral.

O 68.º Capítulo Geral foi dedicado ao aprofundamento da identidade dos Irmãos de São João de Deus, que os Irmãos hospitaleiros de São João de Deus querem cumprir, para continuarem a sua missão junto de 53 países, através de 311 obras apostólicas e reforçarem um trabalho na área da assistência social e da saúde que serve todos os anos uma média de 20 milhões de pessoas.

Os Irmãos de São João de Deus prestam serviço junto de todo o tipo de doentes, sobretudo os mais maltratados e excluídos, com o apoio de 40 mil colaboradores, 5 mil voluntários e 300 mil benfeitores.

Em Portugal têm centros de apoio nas regiões de Lisboa, Telhal, Montemor-o-Novo – donde era natural S. João de Deus (1495-1550) –, Areias de Vilar, Barcelos, Angra do Heroísmo, São Miguel e Funchal.

 


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