aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

INDULGÊNCIA PLENÁRIA

DURANTE O ANO DA FÉ

 

A Penitenciaria Apostólica publicou em 14 de Setembro passado um Decreto em que o Santo Padre concede indulgência plenária durante o Ano da Fé em determinadas condições.

 

Durante todo o Ano da Fé, de 11 de Outubro 2012 a 24 de Novembro de 2013, poderão beneficiar de Indulgência plenária da pena temporal pelos próprios pecados, concedida pela misericórdia de Deus, aplicável em sufrágio às almas dos fiéis defuntos, todos os fiéis que, verdadeiramente arrependidos e devidamente confessados, comungarem sacramentalmente e rezarem pelas intenções do Santo Padre, nas condições a seguir referidas.

Segundo o Decreto Urbis et Orbis, são as seguintes as condições para lucrar tal indulgência plenária:

a) participar pelo menos em três momentos de pregação durante as Missões, ou em três lições sobre as Actas do Concílio Vaticano II e sobre os Artigos do Catecismo da Igreja Católica, em qualquer igreja ou lugar idóneo;

b) visitar em forma de peregrinação uma Basílica Papal, uma catacumba cristã, uma Catedral, um lugar sagrado designado pelo Ordinário do lugar para o Ano da Fé, participando aí em alguma celebração sagrada ou pelo menos recolhendo-se por algum tempo em meditação, concluindo com a recitação do Pai-Nosso, a Profissão de Fé em qualquer forma legítima, as invocações à Virgem Santa Maria e, segundo os casos, aos Santos Apóstolos e Padroeiros;

c) nos dias determinados pelo Ordinário do lugar para o Ano da Fé, participar em lugar sagrado numa solene celebração eucarística ou na liturgia das horas, juntando-lhe a Profissão de Fé em qualquer forma legítima;

d) renovar as promessas baptismais em qualquer forma legítima num dia livremente escolhido, durante o Ano da Fé, por ocasião de uma piedosa visita ao baptistério ou outro lugar onde se recebeu o baptismo.

 

 

PAPA CRITICA

RECURSO AO «DOPING»

 

Bento XVI criticou no passado dia 27 de Setembro o recurso a substâncias ilícitas na prática desportiva e pediu que cada atleta e desportista seja visto como mais do que um “mero competidor”.

 

“Tem acontecido, de tempos a tempos, que a vontade de ganhar a todo o custo se sobrepõe ao verdadeiro espírito do desporto e levou ao abuso e má utilização dos meios disponibilizados pela medicina moderna”, disse, durante um encontro na residência pontifícia de Castel Gandolfo, arredores de Roma.

O Papa saudou os participantes no 32.º Congresso Mundial da Medicina do Desporto, que decorre pela primeira vez na capital italiana, juntando pessoas de 117 países, e destacou a “capacidade moral e espiritual” dos atletas que deve ser “aprofundada”.

“Por vezes, contudo, o sucesso, a fama, as medalhas e a busca do dinheiro tornam-se o primeiro motivo, ou mesmo o único, para os envolvidos” na prática desportiva, acrescentou, antes de aludir à tentação do “doping”.

Bento XVI elogiou a capacidade do desporto em “unir povos e pessoas no objectivo comum de perseguirem uma pacífica excelência competitiva”, dando como exemplo as recentes edições dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos em Londres.

“O apelo universal e a importância do atletismo e dos campos da medicina do desporto” estão em destaque neste Congresso e levaram Bento XVI a sublinhar aos participantes que o “ponto de partida” do seu trabalho especializado é o “atleta” que cada um serve.

O Papa deixou votos de que estes profissionais consigam acrescentar à “cura física e excelência atlética” uma “regeneração” moral, espiritual e cultural.

 

 

D. CARLOS AZEVEDO COORDENA

PATRIMÓNIO DO VATICANO

 

O bispo D. Carlos Azevedo vai assumir a coordenação do sector do património no Vaticano, revelou a Santa Sé no passado dia 18 de Outubro, após Bento XVI ter unificado a Comissão Pontifícia para os Bens Culturais com o Conselho Pontifício para a Cultura.

 

A mudança, decidida pelo Papa e comunicada através do motu proprio “Pulchritudinis Fidei” (a beleza da fé), entrou em vigor no dia 3 de Novembro, alterando assim a organização da tutela do património histórico e artístico de toda a Igreja Católica.

A mudança foi explicada pelo presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, o cardeal Gianfranco Ravasi, em entrevista ao L’Osservatore Romano.

O cardeal fala num “novo conceito de cultura” que exige uma “simbologia de conjunto” e um trabalho de salvaguarda dos bens culturais que leve a “desenvolver a sua valorização e utilização ao serviço da nova evangelização e da dimensão estética no pensamento contemporâneo”.

“É preciso evitar uma aproximação unicamente conservadora dos bens, é fundamental que haja uma fruição que gere prazer, que seja capaz de ‘encher os olhos’ a quem está habituado a ver só fealdade, edifícios horríveis e imagens banais”, acrescenta.

A Comissão Pontifícia para os Bens Culturais da Igreja tinha sido instituída por João Paulo II em 1993, 11 anos depois da criação do Conselho Pontifício da Cultura, pelo mesmo Papa.

 

D. Carlos Azevedo fora nomeado por Bento XVI como delegado do Conselho Pontifício para a Cultura no dia 11 de Novembro de 2011.

O prelado, historiador de formação e membro da Academia Portuguesa de História, nasceu no concelho de Santa Maria da Feira, em 1953.

Antigo vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa (UCP), D. Carlos Azevedo presidiu à direcção do Centro de Estudos de História Religiosa dessa instituição académica, de 1992 a 2001, e dirigiu o “Dicionário e História Religiosa de Portugal”, editado pelo Círculo de Leitores, tendo sido também presidente da comissão científica para a publicação da “Documentação Crítica de Fátima” (1998-2008).

Fora eleito por João Paulo II como bispo auxiliar de Lisboa e ordenado no Porto, em 2 de Abril de 2005, data do falecimento do Pontífice.

D. Carlos Azevedo explica que a prioridade do novo departamento passa por “avaliar a concretização nas dioceses das orientações sobre catalogação, arquivos, bibliotecas e museus”. E deseja ainda que seja possível “promover o intercâmbio entre experiências positivas e ajudar tecnicamente Igrejas com mais dificuldades”.

Segundo o bispo português, é necessário “incentivar uma leitura plena, simbólica e teológica, das obras de arte religiosa da Igreja”.

Outra das prioridades imediatas passa por constituir um grupo de música sacra que, em colaboração com a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, “incentive a qualidade musical das actuais celebrações”.

 

 

ENTREGA DO

PRÉMIO RATZINGER

 

Bento XVI entregou no passado dia 20 de Outubro o “Prémio Ratzinger”, designado como o Nobel da Teologia, ao teólogo norte-americano Brian Daley e ao historiador francês Rémi Brague.

 

Numa cerimónia realizada na sala Clementina do Palácio Apostólico, o Papa saudou “o esforço de pesquisa, o trabalho científico e o serviço valioso de ensino” que os dois galardoados têm prestado “ao longo de tantos anos” e em benefício da Igreja Católica, “cada um à sua maneira, um sacerdote jesuíta, outro leigo casado”.

“Personalidades como o padre Daley e o professor Brague são exemplos essenciais para a transmissão do conhecimento que une ciência e sabedoria, rigor científico e paixão pelo Homem, para que ele possa descobrir a arte de viver”, sublinhou Bento XVI.

O Papa sublinhou que a Igreja precisa de “pessoas que, através de uma fé iluminada e vivida, tornem Deus credível e o aproximem do Homem de hoje”, cumprindo assim um dos grandes objectivos do Concílio Vaticano II (1962-1965), “mais actual do que nunca” através do esforço renovado que a Igreja quer dar ao anúncio de Cristo.

“Ao estudar a fundo os Padres da Igreja, o padre Daley entrou na melhor escola para conhecer e amar a Igreja una e indissolúvel, apesar de todas as suas diversas tradições; por isso, ele presta também um serviço de grande responsabilidade na relação com a Igreja Ortodoxa”, realçou o Papa.

No que diz respeito ao professor Rémi Brague, Bento XVI considerou-o um “grande estudioso da filosofia das religiões, em particular da fé hebraica e islâmica durante a época medieval”.

O “Prémio Ratzinger” é promovido pela Fundação do Vaticano Joseph Ratzinger e consiste num pergaminho e num cheque de 50 mil euros.

 

 

SETE NOVOS SANTOS

CANONIZADOS

 

O Papa Bento XVI apelou, no passado domingo 21 de Outubro, a uma Igreja em permanente “estado de serviço” à humanidade e a Deus, elogiando o testemunho de vida de sete novos santos que proclamou no Dia Mundial das Missões.

 

“Com coragem heróica, eles consumiram a sua existência na consagração total a Deus e no serviço generoso aos irmãos. São filhos e filhas da Igreja, que escolheram a vereda do serviço seguindo o Senhor”, precisou.

Diante de milhares de pessoas reunidas para a celebração, Bento XVI apresentou detalhes sobre a vida de cada um dos novos santos, pedindo que os mesmos sejam “um encorajamento e um modelo” para os fiéis.

O Papa falava durante a cerimónia de canonização. Um dos novos santos é a primeira beata índia norte-americana, Kateri Tekakwitha, nascida em 1656 no que é hoje o Estado de Nova Iorque (EUA) e falecida em 1680, no actual Canadá.

Entre os novos santos estão dois mártires: Giacomo Berthieu (1838-1896), missionário jesuíta francês morto em Madagáscar, por não querer renunciar à sua fé; e o catequista filipino Pedro Calungsod (1654-1672), assassinado em Guam por um pai que se recusou a deixar o seu filho ser batizado.

O padre italiano Giovanni Battista Piamarta (1841-1913), a religiosa espanhola Maria Carmela Sallés y Barangueras (Maria del Monte Carmelo, 1848-1911), a norte-americana Barbara Cope (Madre Marianne de Molokai, 1838-1918), que se dedicou aos leprosos, e a leiga alemã Anna Schäffer (1882-1925) completavam a lista.

O Papa disse que estes santos entenderam “a necessidade de uma presença cultural e social do catolicismo no mundo moderno”.

 

 

SEIS NOVOS CARDEAIS

 

No final da audiência geral da quarta-feira, dia 24 de Outubro passado, o Santo Padre anunciou a criação de seis novos cardeais no Consistório de 24 de Novembro seguinte.

 

Bento XVI recordou que os cardeais “têm a missão de ajudar o sucessor de Pedro no desenvolvimento da sua missão de confirmar os irmãos na fé e de ser princípio e fundamento da unidade e da comunhão na Igreja”.

Os novos cardeais são: o norte-americano Mons. James Michael Harvey, de 63 anos, até agora prefeito da Casa Pontifícia e futuro arcipreste da Basílica papal de São Paulo fora de muros, em Roma; Mons. Béchara Boutros Raï, com 72 anos, patriarca de Antioquia dos maronitas (Líbano); Mons. Baselios Cleemis Thottunkal, de 53 anos, arcebispo maior de Trivandrum dos siro-malankares (Índia), que vai ser o mais jovem cardeal da Igreja Católica; Mons. John Olorunfemi Onaiyekan, de 68 anos, arcebispo de Abuja (Nigéria); Mons. Rubén Salazar, com 70 anos, arcebispo de Bogotá (Colômbia); e Mons. Luis Antonio Tagle, de 55 anos, arcebispo de Manila (Filipinas).

Posteriormente, Bento XVI explicou que esta nomeação é o prolongamento da feita em Fevereiro passado e foi pensada como um símbolo da universalidade da Igreja.

Com esta nomeação, o número de cardeais vai subir para 211, 120 dos quais com direito a voto num eventual conclave para a eleição do Papa.

Os requisitos para ser criado cardeal são, de modo geral, os mesmos que estabeleceu o Concílio de Trento na sua sessão XXIV de 11 de Novembro de 1563: homens que receberam a ordenação sacerdotal e se distinguem pela sua doutrina, piedade e prudência no desempenho dos seus deveres.

Paulo VI (1963-1978) fixou em 120 o número de cardeais eleitores do Papa e estabeleceu como idade limite para a possibilidade de votar os 80 anos, disposições que foram confirmadas por João Paulo II (1978-2005) e Bento XVI, mas que, pontualmente, excederam o número estabelecido.

 

 

CONDENAÇÃO DE

PAOLO GABRIELE

 

“Como não houve apelação da sentença emitida em 6 de Outubro contra Paolo Gabriele, esta passou a ser definitiva”. Foi o que declarou o Director da Sala de Imprensa da Santa Sé, Padre Federico Lombardi, em 25 de Outubro passado, acrescentando que “por determinação do Presidente do Tribunal, o Promotor de Justiça dispôs na manhã de hoje a execução da sentença”.

 

Paolo Gabriele, ex-mordomo do Papa Bento XVI, foi condenado a três anos de reclusão, com pena reduzida a um ano e meio, por furto agravado de documentos reservados, dos aposentos do Papa. Eis na íntegra o comunicado da Secretaria de Estado, também de 25 de Outubro:

“A sentença do processo contra Paolo Gabriele, agora transitada em julgado, coloca um ponto final neste triste acontecimento, que teve consequências muito dolorosas.

“Houve uma ofensa pessoal ao Santo Padre; foi violado o direito à privacidade de muitas pessoas que a Ele se tinham dirigido; foi prejudicada a Santa Sé e diversas instituições suas; criaram-se obstáculos às comunicações entre os Bispos do mundo e a Santa Sé e provocou escândalo na comunidade dos fiéis. Enfim, por um período de muitos meses foi perturbada a serenidade da comunidade de trabalho a serviço quotidiano do Sucessor de Pedro.

“O imputado foi considerado culpado ao fim de um procedimento judicial que se desenvolveu com transparência e equanimidade, no pleno respeito do direito à defesa. O debate pôde esclarecer os fatos, apurando que o Senhor Gabriele realizou o seu projecto criminoso sem instigação ou incitamento por parte de outrem, mas baseando-se em convicções pessoais. As várias conjecturas sobre a existência de complots ou o envolvimento de mais pessoas mostraram-se, à luz das investigações, infundadas.

“Com a sentença transitada em julgado, o Senhor Gabriele deverá cumprir o período de detenção prescrito. Além disso, abre-se contra ele o procedimento para a destituição legal, prevista pelo Regulamento Geral da Cúria Romana.

“Em relação à medida de detenção, permanece a eventualidade da concessão do perdão que, como foi recordado várias vezes, é um acto soberano do Santo Padre. No entanto, ela pressupõe razoavelmente o arrependimento do réu e um sincero pedido de perdão ao Sumo Pontífice e a todos os que foram injustamente ofendidos.

“Em referência ao dano causado, a pena aplicada parece ser ao mesmo tempo suave e equitativa, isto devido à peculiaridade do ordenamento jurídico do qual procede”.

 

 

LEFEBVRIANOS PEDEM

MAIS TEMPO DE REFLEXÃO

 

A Pontifícia Comissão “Ecclesia Dei” declarou no passado dia 26 de Outubro que, na sua mais recente comunicação, a 6 de Setembro passado, a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X anunciou precisar de mais tempo de reflexão e de estudo para preparar a própria resposta às últimas iniciativas da Santa Sé.

 

Recorde-se que o estado actual das discussões entre a Santa Sé e a Fraternidade sacerdotal lefebvriana é fruto de três anos de diálogo doutrinal e teológico, durante os quais uma comissão conjunta se reuniu oito vezes para estudar e debater, entre outras questões, alguns pontos controversos na interpretação de certos documentos do Concilio Vaticano II. Quando essa fase de diálogo doutrinal se concluiu foi possível proceder a uma fase de discussões centradas no grande desejo de reconciliação da Fraternidade sacerdotal de São Pio X com a Sé de Pedro.

Outros passos fundamentais neste processo positivo de gradual reintegração, foram empreendidos pela Santa Sé em 2007 mediante a extensão à Igreja Universal da forma extraordinária de Rito Romano com o motu proprio Summorum Pontificum e, em 2009, com a abolição das excomunhões. Foi só há alguns meses atrás que se chegou, nesta difícil caminhada, a um ponto fundamental, quando, a 13 de Junho passado, a Pontifícia Comissão apresentou à Fraternidade Sacerdotal de São Pio X uma declaração doutrinal juntamente com uma proposta para a normalização canónica da própria situação no seio da Igreja católica.

A Santa Sé está actualmente à espera duma resposta oficial da parte dos Superiores da Fraternidade Sacerdotal sobre estes documentos.

Depois de trinta anos de separação, é compreensível que se tenha necessidade de tempo para assimilar o significado destas recentes evoluções. Enquanto o Santo Padre Bento XVI procura promover e preservar a unidade da Igreja mediante a realização da reconciliação há muito esperada pela Fraternidade São Pio X com a Sé de Pedro – uma potente manifestação do munus petrinum –, são necessárias paciência, serenidade, perseverança e confiança.

 

 

MENSAGEM DO SÍNODO

ÀS FAMÍLIAS

 

No passado dia 26 de Outubro, em vésperas de terminar o Sínodo dos Bispos, foi divulgada a sua Mensagem final. Eis o belo texto dirigido às Famílias:

 

Desde a primeira evangelização, a transmissão da fé, ao longo das gerações encontrou um lugar natural na família. Nela – com um papel muito especial desenvolvido pela mulher, sem com isto querermos diminuir a figura paterna e a sua responsabilidade – os sinais da fé, a comunicação das primeiras verdades, a educação para a oração, o testemunho dos frutos do amor, eram infundidos na vida das crianças e adolescentes, no contexto do cuidado que cada família reserva para o crescimento dos seus filhos. Apesar da diversidade das situações geográficas, culturais e sociais, todos os bispos do Sínodo confirmaram este papel essencial da família na transmissão da fé. Não se pode pensar numa nova evangelização sem sentir uma responsabilidade precisa pelo anúncio do Evangelho às famílias e sem ajudá-las na tarefa educativa.

Nós ocultamos o facto de que hoje a família, que se constitui com o matrimónio de um homem e de uma mulher, que faz deles "uma só carne" (Mt 19, 6) aberta à vida, é atravessada em todas as partes por factores de crise, rodeada por modelos de vida que penalizam vida, esquecida pelas políticas daquela sociedade de que, contudo, é a célula fundamental, nem sempre respeitada nos seus ritmos e sustentada nos seus compromissos pelas próprias comunidades eclesiais. Precisamente por isso, somos obrigados a dizer que temos de desenvolver um cuidado especial pela família e pela sua missão na sociedade e na Igreja, criando itinerários específicas de acompanhamento antes e depois do casamento. Queremos exprimir a nossa gratidão a tantos esposos e famílias cristãs que, com o seu testemunho, continuam a mostrar ao mundo uma experiência de comunhão e de serviço que é semente de uma sociedade mais fraterna e pacífica.

A nossa reflexão dirigiu-se também às situações familiares e de convivência nas quais não se mostra a imagem de unidade e de amor por toda a vida que o Senhor nos entregou. Há casais que vivem juntos sem o vínculo sacramental do matrimónio; multiplicam-se situações familiares irregulares construídas após o fracasso de matrimónios anteriores: acontecimentos dolorosos que têm também impacto na educação na fé das crianças. A todos eles queremos dizer que o amor do Senhor não abandona ninguém, que também a Igreja os ama e é uma casa acolhedora para todos, que eles continuam a ser membros da Igreja, mesmo que não possam receber a absolvição sacramental e a Eucaristia. Que as comunidades católicas sejam acolhedoras para quantos vivam nessas situações e promovam caminhos de conversão e de reconciliação.

A vida familiar é o primeiro lugar onde o Evangelho se encontra com a vida ordinária e mostra a sua capacidade de transfigurar as condições fundamentais da existência no horizonte do amor. Mas, não é menos importante para o testemunho da Igreja, mostrar como esta vida tem no tempo uma realização que vai além da história dos homens e conduz à comunhão eterna com Deus. Jesus não se apresenta à mulher samaritana simplesmente como aquele que dá a vida, mas como aquele que dá a «vida eterna» (Jo 4, 14). O dom de Deus, que a fé torna presente, não é simplesmente a promessa de melhores condições de vida neste mundo, mas o anúncio de que o sentido último da nossa vida vai para além deste mundo, para aquela plena comunhão com Deus que esperamos no fim dos tempos.

 

 

500 ANOS DO TECTO

DA CAPELA SISTINA

 

Durante a celebração da Oração de Vésperas de Todos os Santos, na Capela Sistina, no passado dia 31 de Outubro, Bento XVI elogiou a “sinfonia de figuras” da "genial" Capela do Vaticano, ao assinalar o 500.º aniversário da inauguração do tecto pintado por Miguel Ângelo entre 1508 e 1512.

 

Segundo Bento XVI, este espaço, visitado anualmente por cerca de 5 milhões de pessoas, é “ainda mais belo, mais autêntico, revela-se em toda a sua beleza” quando “contemplado em oração”.

“Com uma intensidade expressiva única, o grande artista desenha o Deus Criador, a sua acção, o seu poder, para dizer de forma evidente que o mundo não é produto da escuridão, do acaso, do absurdo, mas deriva de uma Inteligência, de uma Liberdade, de um supremo ato de Amor”, prosseguiu.

A Capela Sistina deve o seu nome a Sisto IV, Papa entre 1471 e 1484, que promoveu as obras de restauro da antiga Capela Magna a partir de 1477.

Júlio II, sobrinho do Papa Sisto, decidiu modificar parcialmente a decoração do espaço, confiando a tarefa em 1508 a Miguel Ângelo (1475-1564), que pintou a abóbada e a parte alta das paredes com cerca de 300 figuras: nos nove quadros centrais estão representadas histórias do Génesis, primeiro livro da Bíblia, desde a criação ao dilúvio.

Este Papa (1503-1513) assinalou o final da obra com o rito solene das Vésperas de todos os Santos, há 500 anos.

 “A Capela Sistina narra uma história de luz, de libertação, de salvação, fala da relação de Deus com a humanidade”, observou Bento XVI.

Bento XVI declarou que nos frescos se percebe uma luz “que não vem só do uso sábio da cor, rica de contrastes, ou do movimento que anima a obra-prima de Miguel Ângelo, mas da ideia que percorre a grande abóbada: é a luz de Deus”.

 

 

MISSA TRIDENTINA

NA BASÍLICA VATICANA

 

O Motu Proprio Summorum Pontificum sobre a Liturgia romana anterior à reforma de 1970 completou cinco anos e foi comemorado numa celebração eucarística segundo a “forma extraordinária” no passado dia 4 de Novembro. 

 

"Através desse Motu Proprio, Bento XVI responde às expectativas dos fiéis ligadas às formas litúrgicas anteriores ao Concílio Vaticano II" – frisou o Secretário de Estado, Cardeal Tarcisio Bertone, numa mensagem enviada em nome do Papa aos participantes da peregrinação internacional "Juntos com o nosso Papa". O evento, promovido pelo Coetus internationalis Summorum Pontificum, realizou-se em Roma por ocasião do quinto aniversário da Carta Apostólica Summorum Pontificum, de 7 de Julho de 2007.

"É bom conservar as riquezas que cresceram na fé e na oração da Igreja e dar-lhes o espaço justo, reconhecendo plenamente o valor e a santidade da forma ordinária do rito romano", lembrou o cardeal.

A mensagem em francês foi lida durante a peregrinação internacional que se concluiu com a Missa celebrada segundo a forma extraordinária do rito romano, na tarde do sábado dia 4 de Novembro passado, na Basílica de São Pedro, pelo Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Cardeal Antonio Cañizares.

Participaram da celebração vários fiéis pertencentes a grupos ligados ao uso do missal aprovado, em 1962, pelo Papa João XXIII e em vigor até a reforma conciliar.

 

 

DIÁLOGO ENTRE

CIÊNCIA E FÉ

 

“O universo não é o caos ou o resultado do caos, bem pelo contrário, revela uma complexidade bem ordenada” – observou Bento XVI, ao receber, no passado dia 8 de Novembro, os sessenta participantes na assembleia plenária da Academia Pontifícia das Ciências, que teve como tema: “Complexidade e Analogia nas Ciências: Aspectos teóricos, metodológicos e epistemológicos”.

 

Agradecendo a saudação inicial do director desta Academia Pontifícia, o cientista suíço Werner Arber, o Papa observou que a temática abordada toca um importante aspecto, que “abre a uma variedade de perspectivas que apontam para uma nova visão da unidade das ciências” e para “a grande unidade da Natureza na complexa estrutura do cosmos e para o mistério do lugar que o homem nele ocupa”.

A paciente integração das variadas teorias, cujos resultados, quando confirmados, constituem os pressupostos para novas investigações, “testemunham – fez notar o Papa – tanto a unidade do processo científico como também a permanente tendência dos cientistas em direcção a uma compreensão mais apropriada da verdade da Natureza e a uma visão mais inclusiva da mesma”.

“Tal abordagem interdisciplinar da complexidade mostra também que as ciências não são mundos intelectuais desligados uns dos outros e de uma realidade, mas pelo contrário, que estão interligadas entre si e vocacionadas ao estudo da Natureza como uma realidade unificada, inteligível e harmoniosa na sua inegável complexidade”.

“O universo não é um caos ou o resultado do caos. Pelo contrário, ele aparece cada vez mais claramente como uma complexidade ordenada que nos permite, através da análise comparativa e da analogia, passar da especialização para um ponto de vista mais universal e vice-versa”.

Referindo-se ao tema abordado nesta assembleia, “Complexidade e analogia”, Bento XVI fez notar como o uso da analogia se tem revelado muito “frutuoso para a filosofia e para a teologia, não só como instrumento para uma análise horizontal da realidades da Natureza, mas também como estímulo para um pensar criativo sobre um plano transcendental mais elevado”. “O pensamento cristão tem empregado a analogia não só para a investigação das realidades mundanas, mas também como meio de se elevar da ordem da Natureza criada à contemplação do Criador”.

 “Estou convencido da necessidade urgente de um diálogo e cooperação permanentes entre os mundos da ciência e da fé, para construir uma cultura de respeito pelo homem, pela dignidade humana e pela liberdade, a bem do futuro da nossa família humana e para um desenvolvimento sustentável, a longo prazo, do nosso planeta”.

 

 

EM BREVE,

“A INFÂNCIA DE JESUS”

 

Vai estar em breve nas livrarias o novo livro de Joseph Ratzinger – Bento XVI, “A Infância de Jesus”, que completa a obra “Jesus de Nazaré” e cujo Prefácio damos a conhecer na íntegra:

 

Finalmente posso confiar nas mãos do leitor o pequeno livro, prometido há muito tempo, sobre as narrações da infância de Jesus. Não se trata de um terceiro volume, mas de uma espécie de pequeno «hall de entrada» aos dois livros precedentes sobre a figura e a mensagem de Jesus de Nazaré. Nele, procurei interpretar, em diálogo com exegetas do passado e do presente, o que Mateus e Lucas narram no início dos seus Evangelhos sobre a infância de Jesus.

Uma interpretação justa, segundo a minha convicção, exige dois passos. Por um lado, é preciso perguntar-se o que pretendiam dizer com o seu texto os respectivos autores, no seu momento histórico – é a componente histórica da exegese. Mas não é suficiente deixar o texto no passado, arquivando-o entre os eventos acontecidos há tempos. A segunda pergunta do exegeta justo deve ser: É verdadeiro o que foi dito? Diz-me respeito? E se me diz respeito, de que modo o faz? Diante de um texto como o bíblico, do qual o último e mais profundo autor, de acordo com a nossa fé, é o próprio Deus, a pergunta acerca da relação do passado com o presente faz inevitavelmente parte da nossa interpretação. Deste modo a seriedade da pesquisa histórica não diminui mas aumenta.

Neste sentido, tive o cuidado de entrar em diálogo com os textos. Com isto estou bem ciente de que este colóquio na encruzilhada entre passado, presente e futuro nunca poderá ser completo e que cada interpretação nunca alcança a grandeza do texto bíblico. Espero que o pequeno livro, não obstante os seus limites, possa ajudar muitas pessoas no seu caminho rumo a e com Jesus.

 

Castel Gandolfo, na solenidade da Assunção de Maria ao Céu

15 de Agosto de 2012

 

Joseph Ratzinger–Bento XVI


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