nossa senhora de lurdes

DIa MUndial Do doente

11 de Fevereiro de 2013

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Desde toda a eternidade, M. Carneiro, NRMS 18

 

Sedúlio

Antífona de entrada: Salvé, Santa Mãe, que destes à luz o Rei do céu e da terra.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Hoje, com esta festividade estabelecida na Igreja por Leão XIII, queremos com alegria e humildade assinalar, espiritualmente, as aparições da Virgem em Lurdes em 1858, a uma simples pastora, Bernardette Soubirous.

 

Oração colecta: Vinde em auxílio da nossa fraqueza, Senhor de misericórdia, e concedei que, celebrando a memória da Imaculada Mãe de Deus, sejamos purificados dos nossos pecados. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Nossa Senhora beneficiou, pela misericórdia de Deus, de toda a paz espiritual possível.

Jerusalém é figura da Igreja e de Maria; nós membros da Igreja peçamos à Mãe a paz da alma e a isenção dos males do corpo.

 

Isaías 66, 10-14c

10Alegrai-vos com Jerusalém, exultai com ela, todos vós que a amais. Com ela enchei-vos de júbilo, todos vós que participastes no seu luto. 11Assim podereis beber e saciar-vos com o leite das suas consolações, podereis deliciar-vos no seio da sua magnificência. 12Porque assim fala o Senhor: «Farei correr para Jerusalém a paz como um rio e a riqueza das nações como torrente transbordante. Os seus meninos de peito serão levados ao colo e acariciados sobre os joelhos. 13Como a mãe que anima o seu filho, também Eu vos confortarei: em Jerusalém sereis consolados. Quando o virdes, alegrar-se-á o vosso coração e, como a verdura, retomarão vigor os vossos membros. 14cA mão do Senhor manifestar-se-á aos seus servos.

 

O texto, faz parte dum discurso dotado de rara beleza poética, no final do livro de Terceiro Isaías. Jerusalém, é apresentada como uma mãe, que com seus peitos sacia de consolação e deleite os seus filhos que regressam do exílio (vv. 10-11). Bela acomodação do texto à Virgem Maria feita pela Liturgia de hoje.

12 «A paz como um rio» é uma figura da paz messiânica que Cristo trouxe à «nova Jerusalém» que é «nossa Mãe», a Igreja (cf. Gal 4, 26-27), «o Israel de Deus» (Gal 6, 16). A Virgem Maria é imagem, modelo e Mãe da Igreja.

 

Salmo Responsorial    Jt 13, l8bcde.19 (R. 15, 9d ou Lc 1, 42)

 

Monição: O sumo sacerdote Joaquim chegado do Jerusalém a Betúlia, com os anciãos aclamam Judite pela derrota dos Assírios; Esse cântico dirige o povo cristão à Virgem Maria; Mãe de Jesus: «tu és a glória de Jerusalém, tu és a alegria de Israel, tu és a honra do nosso povo».

 

Refrão:        Tu és a honra do nosso povo.

Ou:               Bendita sois Vós entre as mulheres.

 

Bendita sejas, minha filha, pelo Deus Altíssimo,

mais do que todas as mulheres da terra

e bendito seja o Senhor nosso Deus,

criador do céu e da terra.

 

Ele enalteceu de tal forma o teu nome

que nunca mais deixarão os homens

de celebrar os teus louvores

e recordarão eternamente o poder de Deus.

 

 

Aclamação ao Evangelho        Lc 1, 45

 

Monição: O evangelho enquadra-se num convívio festivo de um casamento com a presença de Jesus e de Sua Mãe; Maria intercede, Jesus manifesta a Sua glória. Neste ano da fé demos crédito à palavra de Deus, escutando-a, na esperança de alcançarmos a Caridade.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Simões, NRMS 9(II)

 

Evangelho

 

São João 2, 1-11

Naquele tempo, 1realizou-se um casamento em Caná da Galileia e estava lá a Mãe de Jesus. 2Jesus e os seus discípulos foram também convidados para o casamento. 3A certa altura faltou o vinho. Então a Mãe de Jesus disse-Lhe: «Não têm vinho». 4Jesus respondeu-Lhe: «Mulher, que temos nós com isso? Ainda não chegou a minha hora». 5Sua Mãe disse aos serventes: «Fazei tudo o que Ele vos disser». 6Havia ali seis talhas de pedra, destinadas à purificação dos judeus, levando cada uma de duas a três medidas. 7Disse-lhes Jesus: «Enchei essas talhas de água». Eles encheram-nas até acima. 8Depois disse-lhes: «Tirai agora e levai ao chefe de mesa». E eles levaram. 9Quando o chefe de mesa provou a água transformada em vinho, – ele não sabia de onde viera, pois só os serventes, que tinham tirado a água, sabiam – chamou o noivo 10e disse-lhe: «Toda a gente serve primeiro o vinho bom e, depois de os convidados terem bebido bem, serve o inferior. Mas tu guardaste o vinho bom até agora». 11Foi assim que, em Caná da Galileia, Jesus deu início aos seus milagres. Manifestou a sua glória e os discípulos acreditaram n’Ele.

 

Ver notas, supra, II Domingo do tempo comum, ano C.

 

Sugestões para a homilia

 

O campo das realidades

O amor de Deus é universal

Crença em Jesus e Maria

Jesus e Maria são Amor e Luz

 

Toda a primeira leitura labora no campo das realidades concretas, com acções desenvolvidas no modo indicativo, de certezas e não de probabilidades e conjecturas. Somos incitados por um imperativo - COMPARTILHAR – a juntarmo-nos ao júbilo que advém de Jerusalém i.e. de Maria e da Igreja como dignas de aplausos e imitação, nos seus dons, e cofres de grandes virtudes e graças.

Não admira pois são duas mães que Deus nos deu, em que nascemos e fomos, espiritualmente, embalados.

Compartilhar exige multidão porque partilha de todos e para todos em simultâneo. Cada um de nós é pedra viva constitutiva e actuante nesses dons de amor («todos vós lhe tendes amor»).

Esse amor é consecutivo de um trabalho de elite dos filhos de Deus que, em S. João, nos lega Maria por mãe e que nunca lhe chama Maria, mas mãe.

Em geral os filhos não lidam com as mães através dos próprios nomes. Acresce que nos aparecem mais palavras de entusiasmo: «exultai», «enchei-vos»; cujo facto nos leva a decidir por esse amor à Igreja e a Maria.

 

Diria que Isaías nos conduz às boas paixões, não só filosóficas mas ainda morais e éticas:

alegria e exultação, amor e júbilo, consolação e reconforto, delícias e paz,

que animam a caminhar com essas duas mães (Igreja e Maria).

Meus amigos, se não enchemos a alma com estas passagens ainda estamos longe do valimento que é exigido, constitutivo do verdadeiro amor, de consequências fortes para a eternidade.

O grande profeta Isaías indica a substância da nossa alimentação, se inseridos nessa partilha de amor:

O mundo será inundado com grande corrente de benefícios mais que abundantes.

Haverá consolos e acolhimentos invulgares, de excepção.

Sentimentos viçosos crescerão nestes elementos humanos, filhos de Deus.

Deus a tudo prestará auxílio; falta-nos a decisão de sermos imitadores de Maria e de Jesus; «sede meus imitadores como eu sou do Pai».

Por tudo louvemos o Senhor enquanto estamos no tempo.

 

Observação:

Alguns episódios da S. Escritura comprovam o que Perella refere:

«no tempo de Cristo e posteriores os hebreus usavam contrair um pacto antes das núpcias, com força de verdadeiro contrato matrimonial. Na nossa linguagem chamar-lhe-íamos esponsais, com a diferença de que, entre nós, os esponsais ou noivado são pura promessa de casamento futuro.

Os esponsais dos hebreus eram uma promessa de matrimónio presente i.e. eram o próprio matrimónio. As núpcias pelas quais começavam a conviver na mesma casa eram efectivação do matrimónio realizado.»

 

A presença de Jesus, de Sua Mãe, de seus discípulos leva-nos a considerar um conjunto, de laços de amizade, de proximidade, social, religiosa e até de possíveis parentescos entre convidados, relações de proximidade geográfica, de deslocações não regateadas, dão ênfase a tal convívio que Jesus viria a instituir como sacramento.

O evangelista parece dar força à função de Maria, Mãe de Jesus, em primeiro lugar, acrescentando: «também Jesus e os discípulos».

Salienta os cuidados de Maria, as suas observações, as deficiências que nota e aponta a Jesus, livrando os responsáveis de embaraços e vergonhas.

O dedo da Mãe está presente sempre nos problemas da vida dos filhos, nas soluções e remédios a aplicar, na observância de pormenores que podem escapar.

Não é em vão que lhe rezamos: «Santa Maria…rogai por nós pecadores…», «Salvé Rainha, Mãe de misericórdia…» para que zele por nós toda a hora.

Com que ternura Maria se terá dirigido a Jesus e com que amabilidade Jesus a questiona e depois atende!

Um espírito cristão terá aqui motivo de comovente alegria e reflexão, para deter-se pensativo.

Jesus ordena, é obedecido com solicitude, há progresso nas acções e tudo é desanuviado. O chefe do protocolo faz um reparo, quanto à bondade do vinho.

Vale a pena confiar em Jesus e em Maria. Ela é medianeira, intercede por Seus filhos «neste vale de lágrimas».

 

Este evangelho lembra-nos um mistério luminoso comprovativo de divindade de Jesus e do poder de Maria.

Que aconteceria se Jesus estivesse ausente?

Se Maria não intercedesse?

Que sucederá se eles não estiverem na vida, para sermos sóbrios com o que é do mundo e ébrios de caridade e amor de Deus?

 

Fala o Santo Padre

 

MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI

PARA O XX DIA MUNDIAL DO DOENTE2012 *

 

«Levanta-te e vai, a tua fé te salvou!» (Lc 17, 19)

 

Amados irmãos e irmãs

1. Neste ano, que constitui a preparação mais próxima para o solene Dia Mundial do Doente, que será celebrado na Alemanha no dia 11 de Fevereiro de 2013 e que meditará sobre a emblemática figura evangélica do bom samaritano (cf. Lc 10, 29-37), gostaria de chamar a atenção para os «Sacramentos de cura», ou seja, o Sacramento da Penitência e da Reconciliação, e o Sacramento da Unção dos Enfermos, que encontram o seu cumprimento natural na Comunhão Eucarística.

O encontro de Jesus com os dez leprosos, narrado no Evangelho de são Lucas (cf. Lc 17, 11-19), de maneira particular as palavras que o Senhor dirige a um deles: «Levanta-te e vai, a tua fé te salvou!» (v. 19), ajudam a tomar consciência acerca da importância da fé para aqueles que, angustiados pelo sofrimento e pela enfermidade, se aproximam do Senhor. No encontro com Ele, podem experimentar realmente que quantos acreditam nunca estão sozinhos! Com efeito, no seu Filho Deus não nos abandona às nossas angústias e sofrimentos, mas está próximo de nós, ajuda-nos a suportá-los e deseja curar profundamente o nosso coração (cf. Mc 2, 1-12).

A fé daquele único leproso que, vendo-se purificado, cheio de admiração e de alegria, contrariamente aos demais, vai imediatamente até Jesus para lhe manifestar o próprio reconhecimento, deixa entrever que a saúde readquirida é sinal de algo mais precioso do que a simples cura física, pois constitui um sinal da salvação que Deus nos concede através de Cristo; ela encontra expressão nas palavras de Jesus: a tua fé te salvou! Quem, no seu próprio sofrimento e enfermidade, invoca o Senhor, está convicto de que o Seu amor nunca o abandona, e que também o amor da Igreja, prolongamento no tempo da Sua obra salvífica, jamais desfalece. A cura física, expressão da salvação mais profunda, revela deste modo a importância que o homem, na sua integridade de alma e corpo, reveste para o Senhor. De resto, cada Sacramento expressa e põe em prática a proximidade do próprio Deus que, de modo absolutamente gratuito, «nos toca por meio de realidades materiais... que Ele assume ao seu serviço, fazendo deles instrumentos do encontro entre nós e Ele mesmo» (Homilia, Santa Missa Crismal, 1 de Abril de 2010). «Aqui, torna-se visível a unidade entre criação e redenção. Os sacramentos são expressão da corporeidade da nossa fé, que abraça corpo e alma, isto é, o homem inteiro» (Homilia, Santa Missa Crismal, 21 de Abril de 2011).

A tarefa principal da Igreja é, sem dúvida, o anúncio do Reino de Deus, «mas precisamente este mesmo anúncio deve revelar-se um processo de cura: “...tratar os corações torturados” (Is 61, 1)» (Ibidem), em conformidade com a função confiada por Jesus aos seus discípulos (cf. Lc 9, 1-2; Mt10, 1.5-14; e Mc 6, 7-13). Por conseguinte, o binómio entre saúde física e renovação das dilacerações da alma ajuda-nos a compreender melhor os «Sacramentos de cura».

 

2. Il Sacramento da Penitência esteve com frequência no centro da reflexão dos Pastores da Igreja, precisamente devido à sua grande importância no caminho da vida cristã, uma vez que «toda a eficácia da Penitência consiste em restituir-nos à graça de Deus e em unir-nos a Ele numa amizade perfeita» (Catecismo da Igreja Católica, n. 1.468). Dando continuidade ao anúncio de perdão e de reconciliação feito ressoar por Jesus, a Igreja não cessa de convidar a humanidade inteira a converter-se e a crer no Evangelho. Ela faz seu o apelo do apóstolo Paulo: «Em nome de Cristo... sejamos embaixadores: através de nós, é o próprio Deus quem exorta. Suplicamo-vos, em nome de Jesus Cristo: deixai-vos reconciliar com Deus» (2 Cor 5, 20). Ao longo da sua vida, Jesus anuncia e torna presente a misericórdia do Pai. Ele veio não para condenar, mas para perdoar e salvar, para incutir esperança também na obscuridade mais profunda do sofrimento e do pecado, para conceder a vida eterna; deste modo, no Sacramento da Penitência, na «medicina da confissão», a experiência do pecado não degenera em desespero, mas encontra o Amor que perdoa e transforma (cf. João Paulo II, Exortação Apostólica pós-sinodal Reconciliatio et paenitentia, 31).

Deus, «rico de misericórdia» (Ef 2, 4), como o pai da parábola evangélica (cf. Lc 15, 11-32), não fecha o coração a nenhum dos seus filhos, mas espera por eles, procura-os e alcança-os onde a rejeição da comunhão aprisiona no isolamento e na divisão, chamando-os a reunir-se ao redor da sua mesa, na alegria da festa do perdão e da reconciliação. O momento do sofrimento, no qual poderia surgir a tentação de se abandonar ao desânimo e ao desespero, pode transformar-se assim em tempo de graça para voltar a si mesmo e, como o filho pródigo da parábola, reconsiderar a própria vida, reconhecendo os próprios erros e fracassos, sentindo a saudade do abraço do Pai e repercorrendo o caminho rumo à sua Casa. No seu grande amor, Ele vigia sempre e de qualquer modo sobre a nossa existência, e espera-nos para oferecer a cada um dos filhos que volta para Ele, o dom da plena reconciliação e da alegria.

 

3. Da leitura dos Evangelhos sobressai claramente o modo como Jesus sempre demonstrou uma atenção particular para com os enfermos. Ele não só convidou os seus discípulos a curar as feridas dos mesmos (cf. Mt 10, 8; Lc 9, 2; 10, 9), mas também instituiu para eles um Sacramento específico: a Unção dos Enfermos. A Carta de Tiago dá testemunho da presença deste gesto sacramental já na primeira comunidade cristã (cf. 5, 14-16): mediante a Unção dos Enfermos, acompanhada pela oração dos presbíteros, a Igreja inteira recomenda os doentes ao Senhor sofredor e glorificado, a fim de que alivie as suas penas e os salve, aliás, exorta-os a unir-se espiritualmente à paixão e à morte de Cristo, para contribuir deste modo para o bem do Povo de Deus.

Tal Sacramento leva-nos a contemplar o dúplice mistério do Monte das oliveiras, onde Jesus se encontrou dramaticamente diante do caminho que lhe fora indicado pelo Pai, a senda da Paixão, do supremo gesto de amor, e aceitou-a. Naquela hora de provação, Ele é o mediador, «transportando em si mesmo, assumindo em si próprio o sofrimento e a paixão do mundo, transformando-os em clamor a Deus, levando-os diante dos olhos e até às mãos de Deus, e assim conduzindo-os realmente até ao momento da Redenção» (Lectio divina, Encontro com o Clero de Roma, 18 de Fevereiro de 2010). Mas «o Horto das Oliveiras é... inclusive o lugar a partir do qual Ele subiu ao Pai, tornando-se assim o lugar da Redenção... Este dúplice mistério do Monte das Oliveiras também está sempre “activo” no óleo sacramental da Igreja... sinal da bondade de Deus que nos toca» (Homilia, Santa Missa Crismal, 1 de Abril de 2010). Na Unção dos Enfermos, a matéria sacramental do óleo é-nos oferecida por assim dizer, «como medicamento de Deus... que agora nos torna seguros da sua bondade e deve revigorar-nos e consolar, mas ao mesmo tempo aponta para além do momento da enfermidade, para a cura definitiva, a ressurreição (cf. Tg 5, 14)» (Ibid.).

Este Sacramento merece hoje uma maior consideração, quer na reflexão teológica, quer na obra pastoral em favor dos doentes. Valorizando os conteúdos da oração litúrgica que se adaptam às diversas situações humanas ligadas à doença e não só quando o doente está no fim da própria vida (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 1.514), a Unção dos Enfermos não deve ser considerada como que «um sacramento menor» em relação aos demais. A atenção e a cura pastoral pelos enfermos, se por um lado é sinal da ternura de Deus por aqueles que se encontram no sofrimento, por outro traz benefício espiritual também aos sacerdotes e a toda a comunidade cristã, na consciência de que o que fazemos aos mais pequeninos, é ao próprio Jesus que o fazemos (cf. Mt25, 40).

 

4. A propósito dos «Sacramentos de cura», santo Agostinho afirma: «Deus cura todas as tuas enfermidades. Portanto, não temas: todas as tuas enfermidades serão curadas... Tu só deves permitir que Ele te cure e não deves rejeitar as suas mãos» (Exposição sobre o Salmo 102, 5: PL36, 1319-1320). Trata-se de meios preciosos da Graça de Deus, que ajudam o doente a conformar-se cada vez mais plenamente com o Mistério da Morte e Ressurreição de Cristo. Juntamente com estes dois Sacramentos, gostaria de sublinhar também a importância da Eucaristia. Recebida no momento da doença ela contribui, de maneira singular, para realizar tal transformação, associando aquele que se alimenta do Corpo e do Sangue de Jesus, à oferenda que Ele fez de si mesmo ao Pai, para a salvação de todos. Toda a comunidade eclesial, e as comunidades paroquiais em particular, prestem atenção para garantir a possibilidade de se aproximarem com frequência da Comunhão sacramental àqueles que, por motivos de saúde ou de idade, não podem acorrer aos lugares de culto. Deste modo, a estes irmãos e irmãs é oferecida a possibilidade de revigorar a relação com Cristo crucificado e ressuscitado, participando com a sua vida oferecida por amor a Cristo, na missão da própria Igreja. Nesta perspectiva, é importante que os sacerdotes que exercem a sua obra delicada nos hospitais, nas casas de cura e nas habitações dos doentes se sintam verdadeiros «“ministros dos enfermos”, sinal e instrumento da compaixão de Cristo, que deve alcançar cada homem assinalado pelo sofrimento» (Mensagem para o XVIII Dia Mundial do Doente, 22 de Novembro de 2009).

A conformação com o Mistério pascal de Cristo, realizada também mediante a prática da Comunhão espiritual, adquire um significado totalmente particular, quando e Eucaristia é administrada e acolhida como viático. Naquele momento da existência ressoam de modo ainda mais incisivo as palavras do Senhor: «Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e Eu ressuscitá-lo-ei no último dia» (Jo 6, 54). Com efeito a Eucaristia, principalmente como viático, é — segundo a definição de santo Inácio de Antioquia — «remédio de imortalidade, antídoto contra a morte» (Carta aos Efésios, 20: PG 5, 661), sacramento da passagem da morte para a vida, deste mundo para o Pai, que a todos espera na Jerusalém celeste.

 

5. O tema desta Mensagem para o XX Dia Mundial do Doente: «Levanta-te e vai, a tua fé te salvou!», visa também o próximo «Ano da Fé», que terá início a 11 de Outubro de 2012, ocasião propícia e preciosa para redescobrir a força e a beleza da fé, para aprofundar os seus conteúdos e para a testemunhar na vida de todos os dias (cf. Carta Apostólica Porta fidei, 11 de Outubro de 2011). Desejo encorajar os doente e quantos sofrem a encontrar sempre uma âncora segura na fé, alimentada pela escuta da Palavra de Deus, da oração pessoal e dos Sacramentos, enquanto convido os Pastores a permanecerem cada vez mais disponíveis à sua celebração para os enfermos. Segundo o exemplo do Bom Pastor e como guias do rebanho que lhes foi confiado, os presbíteros sejam repletos de alegria, atentos aos mais frágeis, aos simples, aos pecadores, manifestando a misericórdia infinita de Deus com as palavras tranquilizadoras da esperança (cf. Santo Agostinho, Carta 95, I: PL 33, 351-352).

Àqueles que trabalham no mundo da saúde, assim como às famílias que nos seus próprios entes queridos veem a Face sofredora do Senhor Jesus, renovo o meu agradecimento e o da Igreja a fim de que, na competência profissional e no silêncio, muitas vezes inclusive sem mencionar o nome de Cristo, manifestam-no concretamente (cf. Homilia na Santa Missa Crismal, 21 de Abril de 2011).

A Maria, Mãe de Misericórdia e Saúde dos Enfermos, elevemos o nosso olhar confiante e a nossa prece; a sua compaixão materna, vivida ao lado do Filho agonizante na Cruz, acompanhe e sustenha a fé e a esperança de cada pessoa enferma e sofredora ao longo do caminho de cura das feridas do corpo e do espírito.

A todos asseguro a minha recordação orante, enquanto concedo a cada um uma especial Bênção Apostólica.

 

Bento XVI, Vaticano, 20 de Novembro de 2011, Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo.

 

*À hora de fecho da redacção ainda não tinha sido disponibilizada a Mensagem do Santo Padre para o Dia Mundial do Doente 2013, pelo que publicamos a do ano 2012.

 

Oração Universal

 

Elevemos, irmãos, as nossas súplicas a Deus Pai todo poderoso, e por intercessão da gloriosa sempre Virgem Maria invoquemos a misericórdia divina para as necessidades de todos os homens.

 

Para que a Igreja, esposa de Cristo conserva a firmeza da fé, a alegria da esperança e o ardor da caridade, oremos irmãos. oremos, irmãos.

 

Para que todos quantos choram neste vale de lágrimas

sintam a protecção de Mãe de misericórdia

e se vejam livres de toda a ansiedade, oremos, irmãos.

 

Pela Santa Igreja católica e apostólica: para que tenha vida pujante de graça e fé, e louve a Deus com Maria Imaculada, oremos, irmãos.

 

Por todos nós que confiamos na mediação de Maria: para que imitemos as Suas virtudes e sintamos o seu auxilio e na vida e na morte oremos, irmãos.

 

Neste dia mundial do doente peçamos a Maria, Socorro dos doentes e saúde dos enfermos, protecção e bênçãos, oremos, irmãos.

 

 

Ouvi, Deus todo-poderoso, a oração da vossa Igreja, para que seguindo o exemplo da Virgem Imaculada, Senhora de Lurdes, vos sirva sempre livre de todo o pecado.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo…

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Jesus Cristo convida-nos a alimentar-nos da S. Eucaristia dizendo: «Se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós».

Visitá-Lo, adorá-Lo e comungar bem é um dever cristão.

 

Cântico do ofertório: Louvada seja na terra, F. dos Santos, NRMS 33-34

 

Oração sobre as oblatas: Venha, Senhor, em nosso auxílio o vosso Filho feito homem; Ele, que ao nascer da Virgem Maria, não diminuiu, antes consagrou a integridade de sua Mãe, nos purifique das nossas culpas e Vos torne agradável a nossa oblação. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio de Nossa Senhora: p. 486 [644-756] e pp. 487-490

 

Santo: F. da Silva, 1 (I)

 

Saudação da paz

 

Olhemo-nos fraternalmente e num expressivo cumprimento, neste lugar sagrado, perdoemos com sinceridade interior para sermos perdoados; entreguemos e recebamos a paz.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

A sagrada comunhão santifica o nosso corpo e depõe nele o germe da ressurreição gloriosa; comunica ao homem nobreza e dignidade.

 

Cântico da Comunhão: Senhor, eu creio que sois Cristo, F. da Silva, NRMS 67

 

cf. Lc 11, 27

Antífona da comunhão: Bendita seja a Virgem Maria, que trouxe em seu ventre o Filho de Deus Pai.

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes neste sacramento celeste, fazei que, celebrando com alegria a festa da Virgem Santa Maria, imitemos as suas virtudes e colaboremos generosamente no mistério da nossa redenção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Quando um rei vai a uma cidade há pressa em limpar as ruas e em ornamentar; assim devemos fazer quando o Rei do Céu vem até nós e vai connosco.

 

Cântico final: Avé Maria farol do mar, Az. Oliveira, NRMS 73-74

 

 

 

Homilia FeriaL

 

5ª SEMANA

 

3ª Feira, 12-II: A dignidade do homem.

Gen 1, 20-2, 4 / MC 7, 1-13

Disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, à nossa semelhança.

O relato da criação inteira, e do homem em particular (Ev.), constitui uma manifestação do amor de Deus.

O homem foi dotado de uma extraordinária dignidade: feito à imagem e semelhança de Deus (Leit.). E a dignidade alcançou o ponto mais elevado com a Encarnação de Cristo: «Com efeito, pela sua Encarnação, o Filho de Deus uniu-se de algum modo a todo o homem: trabalhou com mãos humanas, agiu com vontade humana, amou com coração humano» (G.S., 22).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Ferreira de Sousa

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilia Ferial:                      Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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