5º Domingo Comum

10 de Fevereiro de 2013

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Cristo Jesus, Tu me Chamastes, H. Faria, NRMS 30

 

Salmo 94, 6-7

Antífona de entrada: Vinde, prostremo-nos em terra, adoremos o Senhor que nos criou. O Senhor é o nosso Deus.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Neste 5º domingo do tempo comum são-nos mostradas duas vocações: a de um profeta, Isaías, e a dos apóstolos. Em ambas, os protagonistas tiveram a noção da sua fragilidade e indignidade para anunciarem a Palavra de Deus.

Todavia, é justamente destes homens que Deus se serve para levar adiante o seu projecto de salvação.

Do mesmo modo, cada um, segundo o dom e graça recebida, é chamado por Cristo a cooperar nesta missão. Apesar da nossa indignidade, Deus nos purifica e executa obras extraordinárias com a nossa cooperação.

 

Oração colecta: Guardai, Senhor, com paternal bondade a vossa família; e, porque só em Vós põe a sua confiança, defendei-a sempre com a vossa protecção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Isaías conta, em forma de visão, a sua experiência interior que o levou a descobrir que o Senhor o escolhera para ser profeta.

 

Isaías 6, 1-2a.3-8

1No ano em que morreu Ozias, rei de Judá, vi o Senhor, sentado num trono alto e sublime; a fímbria do seu manto enchia o templo. 2aÀ sua volta estavam serafins de pé, que tinham seis asas cada um 3e clamavam alternadamente, dizendo: «Santo, santo, santo é o Senhor do Universo. A sua glória enche toda a terra!» 4Com estes brados as portas oscilavam nos seus gonzos e o templo enchia-se de fumo. 5Então exclamei: «Ai de mim, que estou perdido, porque sou um homem de lábios impuros, moro no meio de um povo de lábios impuros e os meus olhos viram o Rei, Senhor do Universo». 6Um dos serafins voou ao meu encontro, tendo na mão um carvão ardente que tirara do altar com uma tenaz. 7Tocou-me com ele na boca e disse-me: «Isto tocou os teus lábios: desapareceu o teu pecado, foi perdoada a tua culpa». 8Ouvi então a voz do Senhor, que dizia: «Quem enviarei? Quem irá por nós?» Eu respondi: «Eis-me aqui: podeis enviar-me».

 

É curioso que o relato da vocação de Isaías não apareça, como em Jeremias e Ezequiel, no início do livro, mas aqui, como a abertura do chamado «livro do Emanuel» (Is 7 –12). Isto deve-se a que os livros proféticos, tais como os temos, foram precedidos, em geral, de colecções parciais que, depois, vieram a unir-se num só volume, bastante desordenadamente. «No ano da morte do rei Osias». Julga-se que foi no ano 740 (ou no ano 738) a. C., mas ainda em vida deste rei (cf. Is 1, 1).

2 «Serafins». Considerados seres angélicos. É a única vez que são nomeados em toda a Sagrada Escritura. O nome, que significa «Ardentes» ou «Abrasadores» (semelhantes ao fogo), pode indicar tanto o fervor para com Deus (vv. 3-4), como o papel que um deles desempenha de purificar com o fogo (v. 6) o próprio profeta.

3 «Santo, Santo, Santo», isto é, santo no grau mais elevado: para exprimir o superlativo, em hebraico é frequente repetir duas vezes o adjectivo; aqui repete-se três vezes! Os Padres viram neste triságio uma alusão ao mistério da SSª Trindade.

Esta experiência mística única, no início da vocação do profeta, havia de marcar toda a sua vida; ele vem a ser o profeta por excelência da santidade e transcendência divina e tem o seu modo próprio de designar Deus, o «Santo de Israel» (1, 4; 5, 19.24; 10, 17.20; 41, 14..16.20; etc., ao todo umas 26 vezes, quando no resto da Bíblia se diz apenas 5 vezes); a própria Liturgia havia de fazer seu este Sanctus.

5 «Ai de mim...» Perante a revelação da sublime grandeza de Deus, Isaías fica deveras estarrecido, ao tomar consciência do abismo da sua pequenez e indignidade, para poder estar diante da sua santíssima presença (pensava-se mesmo que não se podia ver a Deus sem morrer), e sente mais vivamente a sua indignidade precisamente naquele ponto no qual Deus se queria apoiar para o transformar em seu arauto: os seus lábios.

«Senhor do Universo, em hebraico», Yahwéh tseba’ôth, «Senhor dos Exércitos», indica a Deus enquanto Rei, isto é, chefe, não só dos exércitos de Israel, mas também dos exércitos celestes, que incluem não só os anjos, mas também os astros, todo o Universo; daí que actualmente tenhamos adoptado uma tradução que, por um lado é inteligível (Tsabaot não nos diz nada) e, por outro lado, evita todo o aspecto bélico, e, além disso, tem em conta a correspondente tradução grega: Pantocrátor.

8 «Quem enviarei? Quem irá por nós?» É significativa esta passagem do singular ao plural, nós: quem dá a vocação é só Deus, mas Deus digna-se associar os Anjos (aqui, os Serafins) à execução dos seus planos (mas não se trata propriamente duma revelação antecipada do mistério da SS. Trindade).

«Eis-me aqui: podeis enviar-me». É extraordinária esta afoiteza do profeta, após aquela primeira sensação de pavor. A cena passa-se no Templo (v. 1, em hebraico no hekal, isto é, na sala que precede o debir, ou Santo dos Santos, quer dizer, o lugar mais santo de todos).

 

Salmo Responsorial     Sl 137 (138), 1-2a.2bc-3.4-5.7c-8 (R. 1c)

 

Monição: Tendo consciência de que somos pecadores sabemos, no entanto, que ao celebrar a Liturgia celeste somos comunidade sacerdotal, por isso, cantamos os louvores de Deus.

 

Refrão:        Na presença dos Anjos,

                     eu Vos louvarei, Senhor.

 

De todo o coração, Senhor, eu Vos dou graças,

porque ouvistes as palavras da minha boca.

Na presença dos Anjos Vos hei-de cantar

e Vos adorarei, voltado para o vosso templo santo.

 

Hei-de louvar o vosso nome pela vossa bondade e fidelidade,

porque exaltastes acima de tudo o vosso nome e a vossa promessa.

Quando Vos invoquei, me respondestes,

aumentastes a fortaleza da minha alma.

 

Todos os reis da terra Vos hão-de louvar, Senhor,

quando ouvirem as palavras da vossa boca.

Celebrarão os caminhos do Senhor,

porque é grande a glória do Senhor.

 

A vossa mão direita me salvará,

o Senhor completará o que em meu auxílio começou.

Senhor, a vossa bondade é eterna,

não abandoneis a obra das vossas mãos.

 

Segunda Leitura*

 

Monição: Paulo, numa atitude de humildade, sublinha o seu passado hostil para com os cristãos, mas recorda que o conteúdo da sua pregação se sintetiza no anúncio da Morte e Ressurreição de Cristo na qual se baseia a certeza fundamental da fé.

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

1 Coríntios Cor 15, 1-11;     forma breve: 1 Coríntios 15, 3-8.11

[1Recordo-vos, irmãos, o Evangelho que vos anunciei e que recebestes, no qual permaneceis 2e pelo qual sereis salvos, se o conservais como eu vo-lo anunciei; aliás teríeis abraçado a fé em vão.]

3Transmiti-vos em primeiro lugar o que eu mesmo recebi: Cristo morreu pelos nossos pecados, 4segundo as Escrituras; foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, 5e apareceu a Pedro e depois aos Doze. 6Em seguida apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maior parte ainda vive, enquanto alguns já faleceram. 7Posteriormente apareceu a Tiago e depois a todos os Apóstolos. 8Em último lugar, apareceu-me também a mim, como o abortivo.

[9Porque eu sou o menor dos Apóstolos e não sou digno de ser chamado Apóstolo, por ter perseguido a Igreja de Deus. 10Mas pela graça de Deus sou aquilo que sou e a graça que Ele me deu não foi inútil. Pelo contrário, tenho trabalhado mais que todos eles, não eu, mas a graça de Deus, que está comigo. Por conseguinte,] 11tanto eu como eles, é assim que pregamos; e foi assim que vós acreditastes.

 

1-7 Temos aqui uma das mais ricas passagens do Novo Testamento onde se contém o kérigma primitivo, o núcleo da própria pregação apostólica em ordem a chamar à fé os ouvintes, e que depois servia de base à catequese dos neófitos. Este testemunho de excepcional valor acerca da ressurreição de Cristo, escrito uns 25 anos após, é condizente com os testemunhos posteriores dos quatro Evangelhos. Não podia, pois, tratar-se de uma mistificação, só possível a longo prazo, demais que as testemunhas se contavam às centenas e, então, «a maior parte ainda vive» (v. 6). E a fé pregada por S. Paulo não é nenhuma teoria à mercê de gostos ou caprichos, tem um conteúdo objectivo, que tem de ser conservado na sua integridade, para levar à salvação: «Sereis salvos, se o conservardes como eu vo-lo anunciarei» (v. 2). E a ressurreição de Jesus não é uma ideia, algo vago, mas um evento real, verificado, «ao terceiro dia» (v. 4).

3 «Morreu pelos nossos pecados». Este é um ponto capital da fé: a morte de Cristo tem valor redentor. «Segundo as Escrituras»: isto é dito tanto da Morte como da Ressurreição de Jesus (cf. Lc 24, 25-27); para a Morte, ver Is 53; Salm 22 (21); para a Ressureição, ver Salm 16 (15), 8-11 (cf. Act 2, 25-32); e também Os 6, 2 (texto de referência possível, embora não citado explicitamente no N. T.).

7 «Apareceu a Tiago». Só desta aparição é que não temos mais testemunhos no Novo Testamento. Este seria «o primo (irmão) do Senhor», chefe da Igreja de Jerusalém, cuja identidade com o Apóstolo Tiago Menor é muito discutida. Terá sido só após a Ressurreição que os familiares («irmãos») de Jesus começaram a acreditar n’Ele, pois antes não acreditavam (cf. Jo 7, 5), o que não era o caso dos Apóstolos.

8 «Como o abortivo». De facto Paulo veio à luz da fé de modo anormal e violento. Pode ser que o Apóstolo fale aqui com certa ironia, tendo em conta esta maneira com que os adversários o apodariam para o desacreditar. De qualquer modo, a expressão vinca bem o milagre da sua conversão, que não foi fruto duma evolução lenta e progressiva do seu pensamento, como pensam alguns, o que esbate a força do estrondoso milagre moral duma conversão que é um poderoso motivo de credibilidade a favor da verdade do cristianismo.

9-10 Aqui se vê a autêntica humildade do Apóstolo, que nada tem de deprimente complexo de inferioridade; é que Paulo tem uma consciência tão clara da sua indignidade (v. 9), como, por outro lado, da graça que nele actua: «pela graça de Deus sou aquilo que sou»  (v. 10).

11 «Tanto eu como eles assim é que pregamos». Fica clara a identidade entre a pregação de Paulo e a dos Apóstolos – «transmiti-vos o que eu mesmo recebi» (v. 3) –; na passagem paralela de 1 Cor 11, 23, diz, a propósito da Eucaristia: «eu recebi do Senhor o que precisamente vos transmiti», o que indica um ensino recebido da tradição da Igreja primitiva, com origem no Senhor (em grego apó toû Kyríou), não necessariamente do próprio Jesus (então diria melhor: pará toû Kyríou).

 

Aclamação ao Evangelho          Mt 4, 19

 

Monição: O chamamento dos primeiros discípulos é um convite aberto a todos os que ouvem as palavras de Jesus, para que sejam anunciadores da Sua Boa Nova.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 16

 

Vinde comigo, diz o Senhor,

e farei de vós pescadores de homens.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 5, 1-11

Naquele tempo, 1estava a multidão aglomerada em volta de Jesus, para ouvir a palavra de Deus. Ele encontrava-Se na margem do lago de Genesaré 2e viu dois barcos estacionados no lago. Os pescadores tinham deixado os barcos e estavam a lavar as redes. 3Jesus subiu para um barco, que era de Simão, e pediu-lhe que se afastasse um pouco da terra. Depois sentou-Se e do barco pôs-Se a ensinar a multidão. 4Quando acabou de falar, disse a Simão: «Faz-te ao largo e lançai as redes para a pesca». 5Respondeu-Lhe Simão: «Mestre, andámos na faina toda a noite e não apanhámos nada. Mas, já que o dizes, lançarei as redes». 6Eles assim fizeram e apanharam tão grande quantidade de peixes que as redes começavam a romper-se. 7Fizeram sinal aos companheiros que estavam no outro barco para os virem ajudar; eles vieram e encheram ambos os barcos de tal modo que quase se afundavam. 8Ao ver o sucedido, Simão Pedro lançou-se aos pés de Jesus e disse-Lhe: «Senhor, afasta-Te de mim, que sou um homem pecador». 9Na verdade, o temor tinha-se apoderado dele e de todos os seus companheiros, por causa da pesca realizada. 10Isto mesmo sucedeu a Tiago e a João, filhos de Zebedeu, que eram companheiros de Simão. Jesus disse a Simão: «Não temas. Daqui em diante serás pescador de homens». 11Tendo conduzido os barcos para terra, eles deixaram tudo e seguiram Jesus.

 

Após esta pesca milagrosa, que antecipa simbolicamente a futura missão apostólica dos discípulos, Lucas apresenta, só agora e sinteticamente, o seu chamamento – centrado na pessoa de Simão Pedro –, os quais «deixaram tudo e seguiram Jesus» (v. 11), ao passo que os outros Sinópticos narram esse chamamento com mais pormenor e logo no início do ministério público do Senhor (Mc 1, 18-22; Mt 4, 16-20; cf. Jo 1, 35-51).

8 «Afasta-te de mim». Isto não quer dizer que Simão queira que Jesus fuja dele, apenas pretende expressar o sentimento de humildade de quem se sente indigno de estar na presença do Senhor; Pedro começa a dar conta da maneira singular como Deus está presente em Jesus, por isso sente tão ao vivo a sua condição de pecador. Esta reacção tão natural e tão sobrenatural é semelhante à de Isaías, perante o divino – tremendum et fascinans – da 1.ª leitura.

10 «Serás pescador de homens». O episódio tem um quê de paradigmático. Esta vai ser a missão da Igreja (cf. Mt 28, 18-20) – «fazer-se ao largo e lançar as redes para a pesca» (cf. v. 4) –, mas, como então, os discípulos, se trabalharem em nome próprio, afadigam-se «sem apanhar nada» (v. 5a); se, porém, lançam as redes em nome do Senhor – «já que o dizes» ( v. 5b) –, então o resultado será deveras maravilhoso (vv. 6-7).

 

Sugestões para a homilia

 

O temor de Isaías

A pesca em condições desfavoráveis

O convite de Paulo

 

O temor de Isaías

Na primeira leitura da Palavra deste domingo vimos que Isaías nos conta, em forma de visão, a sua experiência interior. Ele sente-se homem pecador, mas intui que Deus o chama para seu mensageiro. A sua primeira reacção foi de temor. Sente-se pequeno perante a grandeza e santidade de Deus e não se atreve a ir falar em Seu nome. Porém, desde que o Senhor lhe manifesta a Sua complacência e o purifica, Isaías já não teme. É um homem inteiramente disponível para cumprir as missões que Deus lhe quiser confiar e, por isso, diz: «Eis-me aqui: podeis enviar-me».

A pesca em condições desfavoráveis

Pedro também teve uma reacção muito semelhante à de Isaías perante o convite que Jesus lhe faz e aos seus companheiros. Esse convite é-lhes manifestado no contexto das suas vidas diárias: a pesca.

Jesus quer despertar a fé no coração destes homens. É por isso que os convida a pescar em condições que eles, como pescadores experientes, reconhecem como desfavoráveis. Todavia, o resultado ultrapassa as suas previsões puramente humanas.

Este facto abre os olhos e o coração de Pedro e dos outros discípulos. Por um lado, Simão reconhece no Mestre algo que está para além do simples homem; por outro sente-se pecador e indigno de estar na presença de Jesus. O Senhor, como resposta e utilizando expressões familiares a Simão, invoca outro género de actuação, o apostolado: serão «pescadores de homens».

A barca em que se deslocavam simboliza a comunidade cristã onde há pessoas boas, com certeza, mas pecadoras. Todavia, e apesar de ser ocupada por pecadores, é nesta barca que ressoa a palavra do Mestre. O facto de o episódio se ter passado num dia de semana em que eles se dedicavam à sua faina peculiar é um sinal de que a Palavra de Deus não está restringida aos ambientes e lugares sagrados, mas deve ser proclamada mesmo nos lugares apontados como profanos.

A vocação de Pedro e dos apóstolos é um acto gratuito da parte de Deus. Nos Seus desígnios, o Senhor escolhe tais pessoas como uma prova de confiança nos homens. O chamamento não transforma as pessoas chamadas: continuam a ser homens limitados e a ter defeitos. Mas com a vocação vem uma série de graças que ajudam a superar as limitações e a sua confiança apenas na «sabedoria dos homens».

Também nos dias de hoje, as propostas do Evangelho parecem caricatas aos olhos do mundo e por isso são ridicularizadas e esquecidas. Enquanto nós não tivermos a coragem de confiar na Palavra do Mestre, não conseguiremos concretizar nenhuma obra de libertação.

Nos episódios hoje recordados, a resposta foi pronta e generosa. No caso de Pedro e dos seus companheiros a resposta é sintetizada em breves palavras: «deixando tudo, seguiram-n’O».

O convite de Paulo

Também a resposta de Paulo à graça de Deus foi pronta e generosa. A sua mudança radical deve-se à experiência perturbante que ele e todos os seguidores de Jesus fizeram com a experiência de Cristo ressuscitado.

Por isso, Paulo nos convida a fazermos o mesmo percurso. Principalmente neste Ano da Fé somos convocados a debruçarmo-nos mais intensamente sobre as Sagradas Escrituras, a escutarmos a Palavra de Deus proclamada nas nossas comunidades, no silêncio do nosso coração à luz e com o fogo do Espírito. Deste modo seremos capazes, também nós, de fazermos uma experiência semelhante à das primeiras testemunhas da ressurreição.

É um tema de reflexão para cada um de nós. Momento também de oração por todos aqueles que hoje continuam a ser radicalmente chamados como anunciadores do Reino de Deus. E por último, perguntarmo-nos, com toda a sinceridade, qual o serviço concreto que poderemos prestar aos homens nossos irmãos e à nossa comunidade.

O Senhor espera pela nossa resposta...

 

Fala o Santo Padre

 

«O encontro autêntico com Deus leva o homem a reconhecer a própria pobreza e insuficiência.»

 

Queridos irmãos e irmãs!

A liturgia deste quinto domingo do tempo comum apresenta-nos o tema da chamada divina. Numa visão majestosa, Isaías encontra-se diante do Senhor três vezes Santo e é tomado por um grande receio e pelo sentimento profundo da própria indignidade. Mas um serafim purifica os seus lábios com um carvão ardente e cancela o seu pecado, e ele, sentindo-se pronto para responder à chamada, exclama: "Eis-me Senhor, envia-me!" (cf. Is 6, 1-2.3-8). A mesma sucessão de sentimentos está presente no episódio da pesca milagrosa, da qual nos fala o trecho evangélico de hoje. Convidados por Jesus a lançar as redes, não obstante a noite fosse infrutuosa, Simão Pedro e os outros discípulos, confiando na sua palavra, obtêm uma pesca superabundante. Diante deste prodígio, Simão Pedro não abraça Jesus para expressar a alegria por aquela pesca inesperada, mas, como narra o Evangelista Lucas, lança-se aos seus pés, dizendo: "Senhor, afasta-te de mim, porque sou um pecador". Então Jesus tranquiliza-o: "Não temas; de hoje em diante serás pescador de homens" (cf. Lc 5, 10); e ele, deixando tudo, segue-O.

 

Também Paulo, recordando-se que foi um perseguidor da Igreja, professa-se indigno de ser chamado apóstolo, mas reconhece que a graça de Deus realizou nele maravilhas e, não obstante os próprios limites, confiou-lhe a tarefa e a honra de pregar o Evangelho (cf. 1 Cor 15, 8-10). Vemos nestas três experiências como o encontro autêntico com Deus leve o homem a reconhecer a própria pobreza e insuficiência, o próprio limite e o seu pecado. Mas, apesar desta fragilidade, o Senhor, rico em misericórdia e em perdão, transforma a vida do homem e chama-o a segui-lo. A humildade testemunhada por Isaías, por Pedro e Paulo convida quantos receberam o dom da vocação divina a não se concentrarem nos seus limites, mas a manter o olhar fixo no Senhor e na sua surpreendente misericórdia, para converter o coração, e continuar, com alegria, a "deixar tudo" por Ele. De facto, Ele não vê o que é importante para o homem: "O homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração" (1 Sm 16, 7), e faz de homens pobres e frágeis, mas que têm fé n'Ele, intrépidos apóstolos e anunciadores da salvação.

 

Peçamos ao Dono da messe, que envie trabalhadores para a sua messe e que quantos ouvem o convite do Senhor para O seguir, depois do necessário discernimento, lhe saibam responder com generosidade, não confiando nas próprias forças, mas abrindo-se à acção da sua graça. Em particular, convido todos os sacerdotes a reavivar a sua generosa disponibilidade a responder todos os dias à chamada do Senhor com a mesma humildade e fé de Isaías, de Pedro e de Paulo. À Virgem Santa confiemos todas as vocações, particularmente as vocações para a vida religiosa e sacerdotal. Maria suscite em cada um o desejo de pronunciar o próprio "sim" ao Senhor com alegria e dedicação plena.

 

Bento XVI, Angelus na Praça de São Pedro a 7 de Fevereiro de 2010

 

Oração Universal

 

Oremos a Deus Pai

e supliquemos-Lhe que inspire

o nosso coração e a nossa vontade,

para ouvirmos a Sua voz

e dar-Lhe a conveniente resposta.

Com toda a humildade, digamos:

 

Ouvi, Senhor, a nossa prece.

 

1.  Pela Santa Igreja de Deus:

para que, fiel ao mandamento de Cristo,

continue firme no ensino da doutrina Sagrada

de que é depositária,

oremos, irmãos.

 

2.     Pelo Santo Padre, bispos. Presbíteros e Diáconos,

para que, à semelhança de Isaías e dos Apóstolos

correspondam ao chamamento interpelativo do Senhor,

com todas as suas forças,

oremos, irmãos.

 

3.     Pelos membros empenhados da nossa comunidade,

para que saibam sempre ter espírito de serviço

e partilhar os seus projectos e actividades

com todos aqueles que sintam o desejo sincero de participar,

oremos, irmãos.

 

4.     Para que todos nós consigamos alegrar-nos

com os gestos de amor feitos pelos outros,

sejam ou não do nosso circulo restrito de amigos,

oremos, irmãos.

 

5.     Por todos nós,

para que saibamos fazer gestos simples

e espontâneos de hospitalidade,

lançando assim  relações de confiança que dêem fruto,

oremos, irmãos.

 

6.     Por todos os cristãos,

para que, pelas suas atitudes,

não sejam nunca pedra de escândalo,

que impeça a aproximação a Jesus Cristo,

oremos, irmãos.

 

     

Senhor nosso Deus e nosso Pai,

dai-nos um coração atento e solícito

que se deixe conduzir pelo Espírito,

para acolher e anunciar com alegria

a Boa Nova da ressurreição do vosso Filho.

Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Tomai, Senhor, e Recebei, J. Santos, NRMS 70

 

Oração sobre as oblatas: Senhor nosso Deus, que criastes o pão e o vinho para auxílio da nossa fraqueza concedei que eles se tornem para nós sacramento de vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: M. Luis, NCT 297

 

Monição da Comunhão

 

Que a comunhão do Corpo e Sangue do Senhor Jesus Cristo nos ajude a sermos anunciadores convictos da sua ressurreição e possamos lutar, neste tempo de crise e de falta de valores credíveis, contra o egoísmo, a violência, o ódio, a mentira, a corrupção moral e a destruição da família numa correspondência eficaz à vocação cristã a que fomos chamados.

 

Cântico da Comunhão: Não Fostes Vós que Me Escolhestes, Az. Oliveira, NRMS 59

 

Salmo 106, 8-9

Antífona da comunhão: Dêmos graças ao Senhor pela sua misericórdia, pelos seus prodígios em favor dos homens, porque Ele deu de beber aos que tinham sede e saciou os que tinham fome.

 

Ou

Mt 5, 5-6

Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.

 

 

Oração depois da comunhão: Deus de bondade, que nos fizestes participantes do mesmo pão e do mesmo cálice, concedei que, unidos na alegria e no amor de Cristo, dêmos fruto abundante para a salvação do mundo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Que o Senhor nos auxilie, neste Ano da Fé, a não desanimarmos quando nos vemos confrontados com as nossas misérias; que nos fortaleça sempre com a Sua graça; que nos purifique para podermos corresponder ao seu chamamento e à nossa vocação cristã; e que nos ajude a não confiarmos na sabedoria dos homens, mas a realizarmos com Ele obras extraordinárias em favor dos nossos irmãos.

 

Cântico final: Ide por Todo Mundo, M. Faria, NRMS 17

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         António Elísio Portela

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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