Apresentação do Senhor

02 de Fevereiro de 2013

Festa

 

BÊNÇÃO E PROCISSÃO DAS VELAS

 

 

Primeira forma: Procissão

 

1.  À hora marcada, reúnem-se os fiéis numa igreja secundária ou noutro local apropriado, fora da igreja para a qual se dirigirá a procissão. Os fiéis têm nas mãos as velas apagadas.

 

2.  O sacerdote aproxima-se, acompanhado dos ministros, revestido com paramentos brancos como para a Missa. Em vez da casula pode levar o pluvial, que deporá no fim da procissão.

 

3.  Enquanto se acendem as velas, canta-se a antífona: O Senhor virá com poder e iluminará os olhos dos seus servos. Aleluia, ou outro cântico apropriado.

 

4.  O sacerdote saúda a assembleia como habitualmente e em seguida faz uma breve admonição para exortar os fiéis a celebrarem activa e conscientemente este rito festivo. Para isso, pode dizer estas palavras ou outras semelhantes:

 

Caríssimos irmãos:

Celebrámos com muita alegria, há quarenta dias, a solenidade do Natal do Senhor.

Hoje é o santo dia em que Jesus foi apresentado no templo por Maria e José. Exteriormente cumpria as prescrições da lei, mas na realidade vinha ao encontro do seu povo fiel.

Aqueles dois santos velhos, Simeão e Ana, tinham vindo ao templo sob a inspiração do Espírito Santo; iluminados pelo Espírito, reconheceram o Senhor e anunciavam-no a todos com entusiasmo.

Também nós, aqui reunidos pelo Espírito Santo, caminhemos para a casa do Senhor ao encontro de Cristo. Aí O encontraremos e O reconheceremos na fracção do pão, enquanto aguardamos a sua vinda gloriosa.

 

 

5.  Terminada a admonição, o sacerdote procede à bênção das velas, dizendo de mãos juntas:

 

Oremos:

Senhor nosso Deus, fonte e origem de toda a luz, que neste dia mostrastes ao santo velho Simeão a luz que veio para se revelar às nações, humildemente Vos suplicamos: santificai com a vossa + bênção estas velas e ouvi a oração do vosso povo que se reuniu para as levar solenemente em honra do vosso nome, de modo que, seguindo sempre o caminho da virtude, chegue um dia à luz que jamais se extingue. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Ou então

 

Oremos:

Senhor Deus, fonte e origem da luz eterna, infundi no coração dos fiéis a claridade da luz que não tem ocaso, para que todos nós, iluminados no vosso templo santo pelo esplendor destas luzes, mereçamos chegar um dia à luz da vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

E asperge as velas com água benta sem dizer nada.

 

6.  Seguidamente, o sacerdote recebe a vela que está preparada para ele e dá início à procissão, dizendo:

 

Caminhemos em paz ao encontro de Cristo.

 

7.  Durante a procissão, canta-se a seguinte antífona com o respectivo cântico, ou outro cântico apropriado:

 

Antífona:     Luz para se revelar às nações

e glória de Israel, vosso povo.

 

Agora, Senhor, segundo a vossa palavra,

deixareis ir em paz o vosso servo.

 

Antífona:     Luz para se revelar às nações

e glória de Israel, vosso povo.

 

Os meus olhos viram a salvação

que oferecestes a todos os povos.

 

Antífona:     Luz para se revelar às nações

e glória de Israel, vosso povo.

 

8.  Ao entrar a procissão na igreja, canta-se a antífona de entrada da Missa. O sacerdote, depois de chegar ao altar, faz a devida reverência e, se parecer oportuno, incensa-o. Depois vai para a sua sede; ali, depõe o pluvial (se foi usado na procissão) e veste a casula.

 

Segue-se o canto do Glória, depois do qual, como de costume, diz a Oração Colecta. A Missa continua na forma habitual.

 

 

Segunda forma: Entrada Solene

 

9.  Os fiéis reúnem-se na igreja com as velas na mão. O sacerdote, revestido de paramentos brancos, acompanhado dos ministros e de uma representação da assembleia, dirige-se para o lugar mais conveniente, à porta da igreja ou dentro dela, onde ao menos uma grande parte dos fiéis possa ver facilmente o rito e participar nele.

 

10.                Quando o sacerdote tiver chegado ao lugar destinado para a bênção das velas, acendem-se as velas, enquanto se canta a antífona O Senhor virá com poder, ou outro cântico apropriado.

 

11.                Em seguida, o sacerdote, depois da saudação e da admonição, procede à bênção das velas, como acima se indica (nn. 4-5). Segue-se a procissão em direcção ao altar, durante a qual se canta a antífona própria ou um cântico apropriado (nn. 6-7). Para a Missa, observe-se o que está indicado no n. 8.

 

 

Cântico de entrada: O Senhor do Universo, F. da Silva, NRMS 21

Salmo 47, 10-11

Antífona de entrada: Recordamos, Senhor, a vossa misericórdia no meio do vosso templo. Toda a terra proclama o louvor do vosso nome, porque sois justo e santo, Senhor nosso Deus.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Como estava determinado na Lei de Moisés, quarenta dias após o nascimento de Jesus, Maria e José foram ao Templo apresentar o Menino ao Senhor e oferecer o resgate prescrito na mesma Lei. É este facto histórico da vida de Jesus Menino que estamos a celebrar.

Pelo facto da presença de Nossa Senhora, esta festa é também conhecida por festa de Nossa Senhora da Purificação, Senhora da Luz, da Candelária ou das Candeias, alusão à procissão de velas que precede esta celebração.

Só Jesus é a verdadeira Luz dos homens.

 O Santo Padre Bento XVI lembra “a necessidade de redescobrir o caminho da fé para fazer brilhar, com evidência sempre maior, a alegria e o renovado entusiasmo do encontro com Cristo.”

Vamos também hoje rogar ao Senhor pela generosa fidelidade dos que foram chamados por Ele para uma vida ao Senhor totalmente consagrada, pelo que, em algumas dioceses, este dia é chamado também “dia dos consagrados”.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, humildemente Vos suplicamos que, assim como o vosso Filho Unigénito foi neste dia apresentado no templo, revestido da natureza humana, assim também, de alma purificada, nos apresentemos diante de Vós. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Monição: A passagem do livro do Profeta Malaquias que vamos ouvir coloca-nos perante a majestade do Senhor, justo juiz, Senhor do Universo, esperado pelo povo de Israel, e que virá um dia julgar-nos, com toda a Sua Majestade. Virá purificar o culto da Antiga Aliança, consumindo como o fogo, tudo o que está carcomido e sem vida.

 

Malaquias 3, 1-4

2Assim fala o Senhor Deus: «Vou enviar o meu mensageiro, para preparar o caminho diante de Mim. Imediatamente entrará no seu templo o Senhor a quem buscais, o Anjo da Aliança por quem suspirais. Ele aí vem–diz o Senhor do Universo –. 2Mas quem poderá suportar o dia da sua vinda, quem resistirá quando Ele aparecer? Ele é como o fogo do fundidor e como a lixívia dos lavandeiros. 3Sentar-Se-á para fundir e purificar: purificará os filhos de Levi, como se purifica o ouro e a prata, e eles serão para o Senhor os que apresentam a oblação segundo a justiça. 4Então a oblação de Judá e de Jerusalém será agradável ao Senhor, como nos dias antigos, como nos anos de outrora.

 

A leitura do profeta Malaquias é um pequeno extracto da passagem (2, 17 – 3, 5) relativa aos tempos escatológicos – o dia do Senhor –, em que se dará uma radical purificação do sacerdócio («os filhos de Leví», v. 3).

1 «Anjo da Aliança». Ele é o próprio Senhor «por quem suspirais». A profecia teve o seu pleno cumprimento em Jesus Cristo, o Filho de Deus enviado à terra. A vinda deste «Anjo da Aliança» será preparada por um «mensageiro», que, segundo a interpretação dada em Mt 11, 10, é João Baptista, o Precursor. Daqui procede o uso da Liturgia, que dá o título de Santo Anjo a Cristo (Cânone Romano).

Tenha-se em conta que, por vezes, no Antigo Testamento, se designa com o nome de Anjo o próprio Deus que se manifesta: assim em Gn 16, 7.13 e Ex 3, 2, etc.. Nestes casos, «anjo» não tem o sentido frequente já no A. T. de enviado de Deus, mas o de presença ou manifestação visível de Deus.

 

Salmo Responsorial     Sl 23 (24), 7.8.9.10 (R. 10b)

 

Monição: Somos convidados a aclamar com entusiasmo o Senhor do Universo que visita o Seu Povo.

 

Refrão:        O Senhor do Universo é o Rei da glória.

 

Levantai, ó portas, os vossos umbrais,

alteai-vos, pórticos antigos,

e entrará o Rei da glória.

 

Quem é esse Rei da glória?

O Senhor forte e poderoso,

o Senhor poderoso nas batalhas.

 

Levantai, ó portas, os vossos umbrais,

alteai-vos, pórticos antigos,

e entrará o Rei da glória.

 

Quem é esse Rei da glória?

O Senhor dos Exércitos,

é Ele o Rei da glória.

 

 

Aclamação ao Evangelho          Lc 2, 32

 

Monição: Jesus, o verdadeiro e único Salvador da Humanidade, vai entrar pela primeira vez no Templo de Jerusalém, levado ao colo de Sua Mãe. Vamos aclamá-Lo jubilosamente.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação-1, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Luz para se revelar às nações

e glória de Israel, vosso povo.

 

 

Evangelho*

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa: São Lucas 2, 22-40      Forma breve: São Lucas 2, 22-32

22Ao chegarem os dias da purificação, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor, 23como está escrito na Lei do Senhor: «Todo o filho primogénito varão será consagrado ao Senhor», 24e para oferecerem em sacrifício um par de rolas ou duas pombinhas, como se diz na Lei do Senhor. 25Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão, homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel e o Espírito Santo estava nele. 26O Espírito Santo revelara-lhe que não morreria antes de ver o Messias do Senhor 27e veio ao templo, movido pelo Espírito. Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito, 28Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando: 29«Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, 30porque os meus olhos viram a vossa salvação, 31que pusestes ao alcance de todos os povos: 32luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo».

[33O pai e a mãe do Menino Jesus estavam admirados com o que d’Ele se dizia. 34Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição – 35e uma espada trespassará a tua alma – assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». 36Havia também uma profetiza, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada 37e tinha vivido casada sete anos após o tempo de donzela e viúva até aos oitenta e quatro. Não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações. 38Estando presente na mesma ocasião, começou também a louvar a Deus e a falar acerca do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. 39Cumpridas todas as prescrições da Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré. 40Entretanto, o Menino crescia e tornava-Se robusto, enchendo-Se de sabedoria. E a graça de Deus estava com Ele.]

 

A ida de Maria a Jerusalém para cumprir a lei da purificação das parturientes (Lv 12) serve de ocasião para que José e Maria procedam a um gesto que não estava propriamente prescrito pela Lei. Apresentar ali o Menino ao Senhor é um gesto de oferta que mostra que Ele não lhes pertence e que se sentem meros depositários dum tesoiro de infinito valor. Pode também ver-se o sentido de imitação do gesto de Ana, mãe de Samuel (Sam 1, 11.22-28). Mas se a lei não preceituava a «apresentação», obrigava ao resgate do primogénito varão (não pertencente à tribo de Levi). Segundo Ex 13, o primogénito animal devia ser oferecido em sacrifício, ao passo que o primogénito humano devia ser resgatado, tudo isto era justificado como uma forma de reconhecimento pelos primogénitos dos israelitas não terem sido sacrificados juntamente com os dos egípcios. O preço do resgate eram 5 siclos do santuário. Cada siclo de prata, no padrão do santuário, constava de vinte grãos com o peso total de 11,4 gramas. S. Lucas não fala deste resgate de 57 gramas de prata, que podia ser pago a qualquer sacerdote em qualquer parte da nação judaica; o evangelista apenas faz uma referência genérica ao cumprimento da Lei (v. 23; cf. Ex 13, 2.12-13).

24 A lei da purificação atingia toda a parturiente, a qual contraía impureza legal durante 7 dias, se dava à luz um rapaz, (Ex 12, 28, mas a jurisprudência judaica já tinha acrescentado mais 33 dias, um total de 40) e durante 14 dias, se tinha uma menina (tinha subido na época para 80 dias). No fim desse tempo, devia ser declarada pura mediante a oferta no templo duma rês menor (podia ser um cordeiro) e duma pomba ou rola. Quando a mãe não dispunha de meios para oferecer uma rês menor, podia oferecer um par de pombas ou rolas, como aqui se refere.

Tenha-se em conta que a «impureza legal ou ritual» não incluía a noção de pecado, ou de impureza moral. De modo particular todas as coisas relativas à transmissão da vida, mesmo no caso de serem moralmente boas, como a maternidade e o uso legítimo do matrimónio, ou moralmente indiferentes, como a menstruação e a polução nocturna, tornavam a pessoa impura, isto é, inapta para o culto de Deus Santo. A razão disto estava no carácter sagrado da vida e da sua transmissão. Parece que tudo isto implicava alguma perda de vitalidade, que devia ser reparada mediante certos ritos, para de novo poder entrar em comunhão com Deus, a plenitude e a fonte da vida. Estas leis tinham uma finalidade eminentemente didáctica: o povo de Israel era um povo santo, especialmente dedicado a Deus e ao seu culto, e em comunhão com Ele (cf. Ex 19, 5-6; Lv 19, 2). Todas as normas de pureza ritual faziam-no tomar constantemente consciência das suas relações particularíssimas com Deus e do sentido cultual da sua vida diária. A verdade é que a frequência e abundância dos ritos nem sempre foi alicerçada num coração dedicado a Deus, tendo degenerado no formalismo religioso tão denunciado pelos profetas e por Jesus Cristo (cf. Is 29, 13; Mt 15, 7-9).

Em face disto, o rito da Purificação de Maria, não pressupõe a aparência sequer de qualquer imperfeição moral ou legal da parte da SSª Virgem, como se poderia pensar. O gesto de Maria aparece como uma singular lição de naturalidade, de obediência e de pureza, cumprindo uma lei a que não estava sujeita, por ser a aeiparthénos, a sempre Virgem; Maria, a tão privilegiada, não quer para si um regime de excepção e privilégio.

25 «Simeão», de quem não temos mais notícias (supõe-se que seria velho, – assim a Liturgia – embora aqui não se diga), aparece como um dos «piedosos» do judaísmo que esperava não um messias revolucionário (como os zelotas), mas o verdadeiro Salvador – «a consolação de Israel». Apesar do que se diz no v. 34, não parece ser sacerdote, não estando no serviço do templo, mas tendo vindo lá «movido pelo Espírito» (v. 27). Há quem o considere filho do grande rabino Hillel e pai do célebre Gamaliel I (Vacari; cf. Act 5, 34; 22, 3), mas sem provas convincentes.

33 A naturalidade com que S. Lucas chama a S. José «pai de Jesus» não implica qualquer contradição com o que antes afirmou em 1, 26-38. Aqui visa o poder e missão paterna, de modo nenhum a ascendência carnal.

35 «Assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». Estas palavras ligam-se a «sinal de contradição». É que, diante de Jesus, não há lugar para a neutralidade: a sua pessoa, a sua obra e a sua mensagem fazem com que os homens revelem o seu interior, tomando uma atitude pró ou contra; a aceitação e a fé será, para muitos, motivo de salvação, ou «ressurgimento espiritual» («se levantem»), ao passo que a rejeição culpável será motivo de que muitos se condenem («muitos caiam»).

36-37 Põe-se em relevo a sua longa viuvez, como algo digno de veneração.

38 Não se afasta do Templo: hipérbole para indicar a frequência diária.

39 Este v. corresponde a Mt 2, 23, mas Lucas não relata aqui a fuga para o Egipto.

40 A Teologia explicita que «o Menino crescia», não só na manifestação da sabedoria, mas também no conhecimento experimental.

Comentário à Procissão das velas do Bº Guerric d'Igny:

«Porque meus olhos viram a Salvação que ofereceste a todos os povos». Eis, meus irmãos, entre as mãos de Simeão, um círio aceso. Acendei também, nesta luminária, os vossos círios, lâmpadas que o Senhor vos ordena que segureis, acesas, em vossas mãos (Lc 12,35). «Aqueles que O contemplam ficam iluminados» (Sl 33,6); aproximai-vos pois, de maneira a serdes, mais que meros portadores de velas, luzes que brilham no interior e no exterior, para vós mesmos e para o próximo. Que haja portanto uma vela acesa no vosso coração, na vossa mão, na vossa boca! Que a lâmpada que tendes no coração brilhe para vós mesmos, que a lâmpada que tendes na mão e na boca brilhe para o vosso próximo. A lâmpada que tendes em vosso coração é a devoção inspirada pela fé; a lâmpada que tendes em vossa mão, o exemplo das boas obras; a lâmpada na vossa boca, a palavra que edifica. Porque não devemos contentar-nos em ser luzes aos olhos dos homens por nossos actos e palavras, pois é preciso também que brilhemos diante dos anjos, com a oração, e diante de Deus, com as nossas intenções. A nossa lâmpada diante dos anjos é a pureza da devoção que nos faz cantar com recolhimento ou rezar com fervor, na sua presença. A nossa lâmpada diante de Deus é a resolução sincera de agradar unicamente Àquele diante de Quem encontrámos a graça. [...] Assim, a fim de acendermos todas estas lâmpadas, deixai-vos iluminar, irmãos, aproximando-vos da fonte da luz, Jesus, que brilha nas mãos de Simeão. Ele quer, seguramente, iluminar a vossa fé, fazer resplandecer as vossas obras, inspirar-vos palavras para dizerdes aos homens, encher-vos de fervor na oração e purificar as vossas intenções [...]. E, quando a lâmpada desta vida se extinguir [...], vereis a luz da vida que não se extingue levantar-se e elevar-se na noite como o esplendor da luz do meio-dia».

 

Sugestões para a homilia

 

1. A Sagrada Família cumpre humildemente a Lei de Moisés.

2. Jesus é a verdadeira fonte da alegria, da paz e da felicidade.

3. A nossa co-responsabilidade e gratidão.

 

 

1. A Sagrada Família cumpre humildemente a Lei de Moisés.

A Lei de Moisés determinava que quarenta dias após o nascimento de uma criança do sexo masculino, seus pais o deviam oferecer ao Senhor e sua mãe, por um rito próprio, deveria receber a purificação legal. A maternidade significava uma pausa na vida de cada dia e, por este rito, com as forças já restabelecidas, a mãe voltava à vida normal, daí a chamada purificação legal.

Com que alegria e cheios de humildade, Maria e José, cumpriram integralmente tudo quanto a Lei determinava. Se não surgissem os santos velhos Simeão e Ana, que inspirados pelo divino Espírito Santo, os reconheceram, tudo teria passado despercebido. Jesus, Maria e José, a Sagrada Família de Nazaré, cujos membros são o que de mais sublime existiu neste mundo humildemente a tudo se submetem. Ali estava o verdadeiro e único Salvador do mundo, a toda pura e imaculada Mãe de Deus e o Seu castíssimo esposo S. José, o homem justo.

Que grande lição para todos nós. Com quanta facilidade, por vezes, se procura desculpa para o não cumprimento das leis de Deus e da Santa Igreja.

2. Jesus é a verdadeira fonte da alegria, da paz e da felicidade.

Simeão exulta de alegria ao receber em seus braços o Menino Jesus que o Espírito Santo lhe havia revelado. Ao contemplá-Lo exclama inebriado: “ Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram a vossa salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos: luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo”.

O ano da fé que estamos a viver quer levar-nos a fazer com verdade a mesma experiência de alegria vivida por Simeão e Ana. De facto a fé que professamos, garante-nos que o mesmo Jesus está real e verdadeiramente presente em todos os Sacrários da Terra e pela Sagrada Comunhão quer mesmo entrar dentro de nós. Maior intimidade e motivo de alegria já não é possível!

3. A nossa correspondência e gratidão.

Recebemos da Sagrada Família de Nazaré, bem como dos Santos velhos Simeão e Ana, lições de humildade que importa imitar. Assim se confirma, mais uma vez, que é aos humildes que Deus se revela: “ Eu te bendigo ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque revelaste estes mistérios aos pequeninos ”. Quantas alegrias desperdiçamos se nos deixamos ofuscar pela soberba e vaidades da vida. Que tal desgraça nunca nos aconteça.

Jesus é levado ao Templo ao colo de Sua Mãe, Maria Santíssima. Ela, a Imaculada, a toda Pura, confessa-se humilde escrava do Senhor. Como precisamos imitá-La!

Pelo baptismo passamos a ser também filhos de Maria. Como tal Ela deseja o bem e a alegria de todos nós. A maior prenda que tem para nos dar é Jesus. Por Maria vamos a Jesus. Vamos recebê-Lo com muita fé, amor e profunda gratidão na Sagrada Comunhão. Vamos sentir a alegria de O anunciar a tantos que ainda O desconhecem. É nossa Senhora que o pede também.

Correspondendo à vocação que Deus nos deu, vamos viver esta intimidade divina, com muita fé e entusiasmo nos dias da vida que Ele, na Sua Bondade infinita ainda nos conceder. Assim com a Santíssima Trindade, Nossa Senhora, S. José e restantes Santos do Céu nos encontraremos um dia, para com eles vivermos para sempre.

 

Fala o Santo Padre

 

«Quando nos encontrarmos face a face com Deus, os outros dons faltarão;

o único que permanecerá eternamente será a caridade.»

 

Queridos irmãos e irmãs!

Na liturgia deste domingo lê-se uma das páginas mais belas do Novo Testamento e de toda a Bíblia: o chamado "hino à caridade" do apóstolo Paulo (cf. 1 Cor 12, 31-13, 13). Na sua primeira Carta aos Coríntios, depois de ter explicado, com a imagem do corpo, que os diversos dons do Espírito Santo concorrem para o bem da única Igreja, Paulo mostra o "caminho" da perfeição. Este – diz – não consiste em possuir qualidades excepcionais: falar línguas novas, conhecer todos os mistérios, ter uma fé prodigiosa ou fazer gestos heróicos. Ao contrário, consiste na caridade – ágape ou seja, no amor autêntico, o que Deus nos revelou em Jesus Cristo. A caridade é o dom "maior", que dá valor a todos os outros, mas "não se ufana, não se ensoberbece", mas "rejubila-se com a verdade" e com o bem do próximo. Quem ama verdadeiramente "não procura o próprio interesse", "não se irrita", "tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta" (cf. 1 Cor 13, 4-7). No final, quando nos encontrarmos face a face com Deus, os outros dons faltarão; o único que permanecerá eternamente será a caridade, porque Deus é amor e nós seremos semelhantes a Ele, em comunhão perfeita com Ele.

 

Entrementes, enquanto estamos neste mundo, a caridade é o distintivo do cristão. É a síntese de toda a sua vida: daquilo em que crê e do que faz. Por isso, no início do meu pontificado, quis dedicar a minha primeira Encíclica precisamente ao tema do amor: Deus caritas est. Como recordareis, esta Encíclica compõe-se de duas partes, que correspondem aos dois aspectos da caridade: o seu significado, e depois a sua actuação prática. O amor é a essência do próprio Deus, é o sentido da criação e da história, é a luz que dá bondade e beleza à existência de cada homem. Ao mesmo tempo, o amor é, por assim dizer, o "estilo" de Deus e do homem crente, é o comportamento de quem, respondendo ao amor de Deus, orienta a própria vida como dom de si a Deus e ao próximo. Em Jesus Cristo estes dois aspectos formam uma unidade perfeita: Ele é o Amor encarnado. Este Amor é-nos revelado plenamente em Cristo crucificado. Fixando o olhar n'Ele, podemos confessar com o apóstolo João: "Nós reconhecemos o amor que Deus nos tem e acreditamos nele" (cf. 1Jo 4,16; Enc. Deus caritas est, 1). […]

 

Bento XVI, Angelus na Praça de São Pedro a 31 de Janeiro de 2010

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Elevemos a Deus a nossa oração

Pelo bem estar e alegria da humanidade

Que Cristo nos veio trazer com a Sua presença.

 

R. Senhor, fazei-nos viver a alegria que da fé nos vem.

 

1.     Pela Santa Igreja de Deus

Para que pela vida dos seus fieis

E ministério dos seus sacerdotes

Faça brilhar diante dos homens a luz de Cristo,

Oremos, irmãos.

 

R. Senhor, fazei-nos viver a alegria que da fé nos vem.

 

2.     Pelos pais e mães de família:

Para que saibam oferecer a Deus o dom dos filhos

E se sintam dignamente recompensadas

Pela colaboração na obra maravilhosa da Criação

Oremos, irmãos.

 

R. Senhor, fazei-nos viver a alegria que da  fé nos vem.

 

3.     Pelos especialmente consagrados ao Senhor

Para que correspondam sempre

Com toda a generosidade e alegria

À vocação tão terna que Deus lhes concedeu

Oremos, irmãos.

 

R. Senhor, fazei-nos viver a alegria que da fé nos vem.

 

4. Pelos nossos governantes,

Para que Deus lhes dê o dom da sabedoria,

Da prudência, do desapego e da verdade,

E sempre nos orientem com leis conformes à nossa fé,

Oremos, irmãos.

 

R. Senhor, fazei-nos viver a alegria que da fé nos  vem.

 

5.     Por todos nós aqui presentes

Para que iluminados pela luz da fé

Anunciemos ao mundo o único e verdadeiro

Salvador da humanidade,

Oremos, irmãos.

 

R. Senhor, fazei-nos viver a alegria  que da fé nos vem.

 

6.     Pelos que já partiram para a eternidade

Para que sejam acolhidos na luz da glória,

Oremos, irmãos.

 

R. Senhor, fazei-nos viver a alegria que da fé nos vem.

 

 

Senhor que entre as vocações da Vossa Igreja

Nos recordais as vocações dos Consagrados

Dai-lhes a graça de uma fidelidade alegre e amorosa

Para que servindo-Vos com generosidade

Vos anunciem com suas vidas.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

Na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: O Pão da Vida Eterna, B. Salgado, CT 74

 

Oração sobre as oblatas: Senhor, que na vossa bondade quisestes que o vosso Filho Unigénito Se oferecesse a Vós como Cordeiro sem mancha pela vida do mundo, fazei que Vos seja agradável a oblação da vossa Igreja em festa. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

Cristo, luz das nações

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte.

Hoje o vosso Filho, eterno como Vós, é apresentado no templo e proclamado pelo Espírito Santo glória de Israel e luz das nações.

Por isso, vamos com alegria ao encontro do Salvador e com os Anjos e os Santos proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 14

 

Monição da Comunhão

 

O mesmo Jesus que Maria e José levaram ao Templo de Jerusalém e fez o encanto de Simeão e Ana, quer entrar em cada um de nós pela Sagrada Comunhão. Maior motivo de alegria não podemos ter.

Vamos recebê-LO com muita fé, amor e profunda gratidão.

 

Cântico da Comunhão: O Corpo de Jesus é Alimento, A. Cartageno, NRMS 60

 

Lc 2, 30-31

Antífona da comunhão: Os meus olhos viram a salvação que oferecestes a todos os povos.

 

Cântico de acção de graças: Deixai-me Saborear, F. da Silva, NRMS 17

 

Oração depois da comunhão: Deus de bondade, que respondestes à esperança do santo Simeão, confirmai em nós a obra da vossa graça: assim como lhe destes a alegria de receber em seus braços, antes de morrer, a Cristo vosso Filho, concedei que também nós, fortalecidos por estes sacramentos, caminhemos ao encontro do Senhor e alcancemos a vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Guiados pela Luz, que de Jesus nos vem, vamos prosseguir a nossa caminhada terrena e, com o nosso testemunho de vida de fé, anunciá-Lo aos que ainda O desconhecem e por isso caminham às curas nos caminhos da vida. Com esse propósito, ide em paz e Senhor vos acompanhe.

 

Cântico final: Aleluia! Glória a Deus, F. Silva, NRMS 92

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Alves Moreno

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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