2º Domingo Comum

20 de Janeiro de 2013

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Anunciai com Voz de Júbilo, Az. Oliveira, NRMS 32

 

Salmo 65, 4

Antífona de entrada: Toda a terra Vos adore, Senhor, e entoe hinos ao vosso nome, ó Altíssimo.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O milagre que Jesus fez nas bodas de Caná pertence ao ciclo da Epifania: Jesus manifestou a Sua glória. A transformação da água em vinho num contexto de banquete nupcial mostra-nos o sinal do amor de Deus para com a humanidade. Jesus desposou a natureza humana, assumiu a nossa humanidade para nos tornar participantes da Sua Divindade.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que governais o céu e a terra, escutai misericordiosamente as súplicas do vosso povo e concedei a paz aos nossos dias. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Isaías compara o amor entre Deus e o Seu povo ao amor dos esposos. Jerusalém era a imagem do povo de Israel. No Novo Testamento, é o símbolo da Igreja, desposada por Jesus. “Assim como a esposa é a alegria do marido, nós somos convidados a ser a alegria do nosso Deus.”

 

Isaías 62, 1-5

1Por amor de Sião não me calarei, por amor de Jerusalém não terei repouso, enquanto a sua justiça não despontar como a aurora e a sua salvação não resplandecer como facho ardente. 2Os povos hão-de ver a tua justiça e todos os reis a tua glória. Receberás um nome novo, que a boca do Senhor designará. 3Serás coroa esplendorosa nas mãos do Senhor, diadema real nas mãos do teu Deus. 4Não mais te chamarão «Abandonada», nem à tua terra «Deserta», mas hão-de chamar-te «Predilecta» e à tua terra «Desposada», porque serás a predilecta do Senhor e a tua terra terá um esposo. 5Tal como o jovem desposa uma virgem, o teu Construtor te desposará; e como a esposa é a alegria do marido, tu serás a alegria do teu Deus.

 

Ver supra, notas da Primeira Leitura da Vigília do Natal

 

Salmo Responsorial     Sl 95 (96), 1-3.7-8a.9-10a.c (R. 3)

 

Monição: O salmo 95 convida-nos a anunciar as maravilhas do Senhor. Cantamos cheios de gratidão a bondade de Deus, que em Jesus Cristo oferece a salvação a todos os povos.

 

Refrão:        Anunciai em todos os povos as maravilhas do Senhor.

 

Cantai ao Senhor um cântico novo,

cantai ao Senhor, terra inteira,

cantai ao Senhor, bendizei o seu nome.

 

Anunciai dia a dia a sua salvação,

publicai entre as nações a sua glória,

em todos os povos as suas maravilhas.

 

Dai ao Senhor, ó família dos povos,

dai ao Senhor glória e poder,

dai ao Senhor a glória do seu nome.

 

Adorai o Senhor com ornamentos sagrados,

trema diante d'Ele a terra inteira;

dizei entre as nações: «O Senhor é Rei»,

governa os povos com equidade.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo apela para a unidade dos cristãos da cidade de Corinto, onde eram frequentes as divisões. A unidade é a fonte comum de todos os bens com que o Espírito Santo enriquece a Igreja.

 

1 Coríntios 12, 4-11

Irmãos: 4Há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. 5Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. 6Há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos. 7Em cada um se manifestam os dons do Espírito para o bem comum. 8A um o Espírito dá a mensagem da sabedoria, a outro a mensagem da ciência, segundo o mesmo Espírito. 9É um só e o mesmo Espírito que dá a um o dom da fé, a outro o poder de curar; 10a um dá o poder de fazer milagres, a outro o de falar em nome de Deus; a um dá o discernimento dos espíritos, a outro o de falar diversas línguas, a outro o dom de as interpretar. 11Mas é um só e o mesmo Espírito que faz tudo isto, distribuindo os dons a cada um conforme Lhe agrada.

 

Nos capítulos 12 a 14 de 1 Cor, S. Paulo aborda directamente o tema dos carismas para dar algumas normas práticas a fim de que tudo decorra com ordem nas reuniões litúrgicas; reconhece e aprecia a grande variedade e diversidade de dons, mas todos eles devem concorrer para o bem de todos. Assim como num corpo os diversos membros integram a unidade desse corpo, assim sucede na Igreja.

4-6 «Dons espirituais (carismas). Ministérios. Operações». Esta tripla designação parece referir-se sempre à mesma realidade, considerada segundo aspectos diferentes: a gratuitidade, a utilidade, a manifestação do poder divino, apropriando estas qualidades ao «Espírito» (Santo), ao Filho, «o Senhor», e ao Pai, «Deus (ho Theós)», que, precedido do artigo definido, indica a pessoa do Pai, em todo o grego do Novo Testamento. Estamos, assim, perante mais uma das ricas fórmulas trinitárias de S. Paulo.

7 «Dom... em ordem ao bem comum». Aqui trata-se de dons, ou graças, que a Teologia chama «gratis datæ», ou carismas, e que Deus concede primariamente em ordem à utilidade dos outros, e não ao proveito individual.

8-10 O Apóstolo apresenta um elenco dos carismas que o Espírito Santo concede, mas não pretende dar a lista completa deles (cf. vv. 28-31; Rom 12, 6-8; Ef 4, 11). Não é fácil indicar a natureza de cada carisma e como se distinguem entre si. «A mensagem da sabedoria» diz respeito à faculdade de conhecer e expor os mistérios divinos (cf. 2, 6-7). «A mensagem da ciência» refere-se à faculdade de conhecer e de expor as verdades básicas do cristianismo. «O dom da fé» não parece ser a virtude teologal, mas a plena confiança em Deus, e as obras de fé (que procedem da fé, «capaz de transportar montanhas»). O dom de «falar em nome de Deus» – à letra, de «profetizar» – não diz respeito apenas ao dom de conhecer e manifestar o futuro oculto, mas ao poder de falar em nome de Deus, para «edificação, exortação e consolação» dos fiéis (14, 3). Algumas vezes, porém, os profetas manifestavam também as coisas futuras e ocultas e os segredos dos corações (cf. 14, 25). O dom do «discernimento dos espíritos», – avaliar dons espirituais – completa o dom da profecia e relaciona-se com o poder de julgar se uma coisa deva ser atribuída ao bom ou ao mau espírito. «O dom de falar diversas línguas» não era o poder de anunciar o Evangelho em línguas desconhecidas, mas o de louvar e adorar a Deus (cf. 14, 2) em línguas e expressões insólitas, numa espécie de exaltação extática. Complemento do dom das línguas era «o dom de as interpretar», porque aquilo que dizia o favorecido pelo dom das línguas não era compreendido pelos demais e, às vezes, nem pelo próprio.

11 «Conforme Lhe agrada». Estes dons carismáticos não pertencem à perfeição da vida cristã, não podendo o cristão reivindicá-los; e seria uma desordem mesmo até desejá-los no que têm de extraordinário, antepondo-os à caridade (cf. v. 31).

 

Aclamação ao Evangelho          cf. 2 Tes 2, 14

 

Monição: Aclamamos Jesus Cristo, que nos chamou a tomar parte na Sua glória por meio do Evangelho. De pé cantemos: Aleluia!

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 16

 

Deus chamou-nos, por meio do Evangelho,

a tomar parte na glória de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

 

Evangelho

 

São João 2, 1-11

Naquele tempo, 1realizou-se um casamento em Caná da Galileia e estava lá a Mãe de Jesus. 2Jesus e os seus discípulos foram também convidados para o casamento. 3A certa altura faltou o vinho. Então a Mãe de Jesus disse-Lhe: «Não têm vinho». 4Jesus respondeu-Lhe: «Mulher, que temos nós com isso? Ainda não chegou a minha hora». 5Sua Mãe disse aos serventes: «Fazei tudo o que Ele vos disser». 6Havia ali seis talhas de pedra, destinadas à purificação dos judeus, levando cada uma de duas a três medidas. 7Disse-lhes Jesus: «Enchei essas talhas de água». Eles encheram-nas até acima. 8Depois disse-lhes: «Tirai agora e levai ao chefe de mesa». E eles levaram. 9Quando o chefe de mesa provou a água transformada em vinho, – ele não sabia de onde viera, pois só os serventes, que tinham tirado a água, sabiam – chamou o noivo 10e disse-lhe: «Toda a gente serve primeiro o vinho bom e, depois de os convidados terem bebido bem, serve o inferior. Mas tu guardaste o vinho bom até agora». 11Foi assim que, em Caná da Galileia, Jesus deu início aos seus milagres. Manifestou a sua glória e os discípulos acreditaram n’Ele.

 

O evangelista não visa contar o modo como Jesus resolveu um problema numas bodas, mas centra-se na figura de Jesus, que «manifestou a sua glória», donde se seguiu que «os discípulos acreditaram n’Ele» (v. 11). Toda a narração converge para as palavras do chefe da mesa ao noivo: «Tu guardaste o melhor vinho até agora!» (v. 10). Esta observação encerra um sentido simbólico; o próprio milagre é um «sinal» (v. 11), um símbolo ou indício duma realidade superior a descobrir, neste caso: quem é Jesus. Podemos pressentir a típica profundidade de visão do evangelista, que acentua determinados pormenores pelo significado profundo que lhes atribui. O vinho novo aparece como símbolo dos bens messiânicos (cf. Is 25, 6; Joel 2, 24; 4, 18; Am 9, 13-15), a doutrina de Jesus, que vem substituir a sabedoria do A. T., esgotada e caduca. A abundância e a qualidade do vinho – 6 (=7-1) vasilhas [de pedra] «de 2 ou 3 metretas» (480 a 720 litros) – é um dado surpreendente, que ilustra bem como Jesus veio «para que tenham a vida e a tenham em abundância» (Jo 10, 10; cfr Jo 6, 14: os 12 cestos de sobras). O esposo das bodas de Caná sugere o Esposo das bodas messiânicas, o responsável pelo sucedido: n’Ele se cumprem os desposórios de Deus com o seu povo (cf. Is 54, 5-8; 62, 5; Apoc 19, 7.9; 21, 2; 22, 17).

Também se pode ver, na água das purificações rituais que dão lugar ao vinho, um símbolo da Eucaristia – o sangue de Cristo –, que substitui o antigo culto levítico, e pode santificar em verdade (cf. Jo 2, 19.21-22; 4, 23; 17, 17). Há quem veja ainda outros simbolismos implícitos: como uma alusão ao Matrimónio e mesmo à Ressurreição de Jesus, a plena manifestação da sua glória, naquele «ao terceiro dia» do v. 1 (que não aparece no texto da leitura de hoje).

Por outro lado, também se costuma ver aqui o símbolo do papel de Maria na vida dos fiéis (cf. Jo 19, 25-27; Apoc 12, 1-17), Ela que vai estar presente também ao pé da Cruz (Jo 19, 25-27): «e estava lá a Mãe de Jesus» (v. 1). Ao contrário dos Sinópticos, nas duas passagens joaninas fala-se da Mãe de Jesus, como se Ela não tivesse nome próprio; é como se o seu ser se identificasse com o ser Mãe de Jesus, a sua grande dignidade. Trata-se de duas menções altamente significativas: os capítulos 2 e 19 aparecem intimamente ligadas precisamente pela referência à «hora» de Jesus, numa espécie de inclusão de toda a vida de Cristo. Ela não é mais um convidado numas bodas; é uma presença actuante e com um significado particular, nomeada por três vezes (vv. 1.3.5), atenta ao que se passa: dá conta da situação irremediável, intervém e fala, quando o milagre que manifesta a glória de Jesus podia ser relatado sem ser preciso falar da sua Mãe, mas Ela é posta em foco.

1 «Caná»: só S. João fala desta terra (cf. 4, 46; 21, 2), habitualmente identificada com Kefr Kenna, a 7 Km a NE de Nazaré, o lugar de peregrinação, mas as indicações de F. Josefo fazem pensar antes nas ruínas de Hirbet Qana, a 14 Km a N de Nazaré.

3 «Não têm vinho». A expressão costuma entender-se como um pedido de milagre. A exegese moderna tende a fixar-se em que a frase não passa duma forma de pôr em relevo uma situação irremediável, de molde a fazer sobressair o milagre. Mas, sendo a Mãe de Jesus a chamar a atenção para o problema, consideramos que Ela é apresentada numa atitude de oração. Com efeito, a oração de súplica e de intercessão não consiste em exercer pressão sobre Deus, para O convencer, mas é colocar-se na posição de necessitado e mendigo perante Deus, é pôr-se a jeito para receber os seus dons. A intercessão de Maria consiste em pôr-se do nosso lado, em vibrar connosco, de modo que fique patente a nossa carência e se dilate a nossa alma para nos dispormos a receber os dons do Céu. Ela aparece aqui como ícone da autêntica oração de súplica e de intercessão; e é lícito pensar que isto não é alheio à redacção joanina, pois o milagre acaba por se realizar na sequência da intervenção da Mãe de Jesus (mesmo que alguns não considerem primigénio o diálogo dos vv. 3-4).

4 «Mulher, que temos nós com isso? Ainda não chegou a minha hora». A expressão «que a Mim e a Ti?»(ti emoi kai soi?) é confusa, pois pode significar concordância – «que desacordo há entre Mim e Ti?» –, ou então recusa – «que de comum [que acordo] há entre Mim e Ti?». Sendo assim, a expressão «ainda não chegou a minha hora», presta-se a diversas interpretações, conforme o modo de entender «a hora»: ou a hora de fazer milagres, ou a hora da Paixão. Para os que a entendem como a de fazer milagres, uns pensam que Jesus se escusa: «que temos que ver com isso Tu e Eu? (=porque me importunas?), com efeito ainda não chegou a minha hora», e só a insistência de Maria é que levaria à antecipação desta hora; ao passo que outros (E. Boismard, na linha de alguns Padres) entendem a frase como de um completo acordo: «que desacordo há entre Mim e Ti? porventura já não chegou a minha hora?»; assim se justificaria melhor a ordem que Maria dá aos serventes. Para os que entendem «a hora» como a da Paixão, também as opiniões de dividem acerca de como entender a resposta de Jesus; para uns, significaria acordo, como se dissesse: «que desacordo há entre Mim e Ti? com efeito, ainda não chegou a minha hora, a de ficar sem poder; por isso não há dificuldade para o milagre» (Hanimann); para outros, que entendem a hora do Calvário como a hora da glorificação de Jesus, de manifestar a sua glória, dando o Espírito, a expressão quer dizer: «que temos a ver Tu e Eu, um com o outro?» («que tenho Eu a ver contigo?»), uma expressão demasiado forte, a mesma que é posta na boca dos demónios (cf. Mc 5, 7; 1, 24). Sendo assim, com uma expressão tão contundente, a redacção joanina põe em evidência a atitude de Jesus, que, longe de ser ofensiva para a sua Mãe, o que pretende é mostrar a independência de Jesus relativamente a qualquer autoridade terrena, incluindo a materna (Gächter). Mas o apelo para que Maria não intervenha tem um limite: é apenas até que chegue a hora de Jesus; até lá, tem de ficar na penumbra (o que é confirmado pelas ditas «passagens anti-marianas»: Lc 2, 49; 8, 19-21 par; 11, 27-28). Então Ela vai estar como a nova Eva, a Mãe da nova humanidade, ao lado do novo Adão, junto à árvore da Cruz, daí que então seja chamada «Mulher» (Jo 19, 26), como nas Bodas de Caná.

 

Sugestões para a homilia

 

“A hora de Jesus!”

 “Fazei tudo o que Ele Vos disser!”

 

“A hora de Jesus!”

O relato das bodas de Caná é-nos oferecido por uma testemunha ocular, o Apóstolo S. João. O mais importante desta página não é a historicidade do acontecimento. As bodas de Caná foram objecto de uma profunda meditação, durante longos anos. Por isso, este primeiro sinal tornou-se para a comunidade primitiva, ocasião de uma catequese sobre Jesus, o Filho de Deus, o Messias prometido. Há neste milagre uma significação oculta: Quando S. João diz que este milagre aconteceu ao terceiro dia,  em termos teológicos, isto evoca imediatamente o dia da glória de Jesus, isto é, o dia da Ressurreição. A hora de Jesus é uma expressão pascal: “Pai, chegou a hora, glorifica o Teu Filho com a glória que tinha junto de Ti antes da criação do mundo” (Jo 17, 1.5). S. João descreve a hora de Jesus em três fases: a elevação da cruz, a ascensão à direita do Pai e a vinda do Espírito Santo sobre os Apóstolos.

Através deste milagre, Jesus manifestou a Sua glória, que haveria de ser conseguida com a sua morte e ressurreição. S. João tem o cuidado de dizer que escreveu os milagres realizados por Jesus para provar que Jesus era o Salvador e para que acreditando, tenhamos n`Ele a vida eterna (Jo 20,31).

 Estamos a celebrar o ano da fé. Recordemos o que os padres conciliares escreveram na Constituição Dei Verbum, nº 2: “Os milagres são sinais manifestadores dos segredos de Deus, que se manifesta por meio de palavras e acções.” Concluímos, então, que nas Bodas de Caná, Jesus, o Esposo da Igreja, manifestou a sua glória, saciando a nossa fome e a nossa sede com o vinho novo do Reino de Deus, num banquete nupcial que aponta para a futura Eucaristia.

 

“Fazei tudo o que Ele Vos disser!”

A Mãe de Jesus e os discípulos também foram convidados. Ainda bem que estava lá a Mãe de Jesus. Apercebendo-Se da dificuldade, fala com o Seu Filho e depois diz aos serventes: “Fazei tudo o que Ele vos disser”. Esta frase lembra o Livro do Génesis: o Faraó, diante dos egípcios com falta de pão, diz-lhes: “Ide a José e fazei tudo o que ele vos disser” (Gn 41, 55).  O Faraó tinha reconhecido em José a sabedoria do Espírito de Deus. Por isso, apaga-se diante dele, designando ao povo faminto quem os podia socorrer na sua indigência. Agora, é a Virgem Maria que Se apaga diante do Seu Filho e o designa como personagem principal: “Fazei tudo o que ele Vos disser”. Costumamos dizer que este vinho que falta é o símbolo das nossas carências profundas. Há muitas situações humanas onde nós nada podemos fazer.

Temos que olhar para Jesus, que “tem todo o poder, no Céu e na terra.” (Ma7 28,18) O vinho é um símbolo bíblico da alegria. Os tempos messiânicos tinham sido anunciados através de imagens de festas, cheias de vinho, vinho com abundância. Lembramos apenas o profeta Isaías: “O Senhor do Universo prepara para todos os povos, um banquete de vinhos finos, de carnes suculentas, com vinhos deliciosos.” (Is 25, 6). Chegaram os fins dos tempos e Deus cumpriu as suas promessas, enviando-nos o Seu Filho! Felizes os noivos das bodas de Cana! E hoje, “felizes os convidados” para mesa de Deus. As núpcias de Caná fazem lembrar a Última Ceia onde o vinho se transforma em Sangue. Por sua vez a Eucaristia de hoje, é penhor das núpcias do banquete do Cordeiro, na eternidade. Cada vez que participamos na mesa do Corpo e do Sangue de Jesus, recebemos o penhor da eterna glória. Cada Missa é o sinal da alegria e do amor que Deus nos oferece. O Evangelho revela a verdadeira identidade de Jesus, o Esposo da Humanidade, que nos oferece o vinho novo da alegria e o alimento que permanece para a vida eterna.

Ainda estamos a viver as alegrias do Mistério da Encarnação. Ainda soa aos nossos ouvidos o hino de louvor em honra de Jesus: “O Verbo Se fez Carne e habitou entre nós. Nós vimos a Sua glória de Filho Unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade.” (Jo 1, 14)

 

 

Oração Universal

 

Oremos a Deus Pai, que nos chamou a tomar parte

 na glória de Nosso senhor Jesus Cristo e digamos:

 

Senhor, nós temos confiança em Vós

 

1.     Para que o nosso bispo e o seu presbitério

 sirvam todos os homens santamente

e se alegrem com os dons de cada um, oremos.

 

2.     Para que o Senhor nos livre do pecado,

nos faça experimentar a vida do Espírito e

nos ensine a ser amigos uns dos outros, oremos.

 

3.     Paras que os homens do saber e do trabalho,

num esforço comum, sempre renovado,

procurem dar-se as mãos e crescer juntos, oremos.

 

4.     Para que os casais jovens

 sintam junto deles a presença da Mãe de Jesus

e descubram em Deus a fonte de toda a alegria, oremos.

 

5.     Para que as crianças que hoje vão nascer

sejam acolhidas com amor

e venham a conhecer a Deus, nosso Pai, oremos.

 

Senhor nosso Deus,

que dais o Vosso Espírito sem medida

a todos os que Vos procuram e trabalham para o bem comum,

ensinai-nos a escutar e a seguir as suas inspirações.

Por Jesus Cristo nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Trazemos ao Teu Altar, F. da Silva, NRMS 55

 

Oração sobre as oblatas: Concedei-nos, Senhor, a graça de participar dignamente nestes mistérios, pois todas as vezes que celebramos o memorial deste sacrifício realiza-se a obra da nossa redenção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor. Nascendo da Virgem Maria, Ele renovou a antiga condição humana; com a sua morte na cruz destruiu os nossos pecados; com a sua ressurreição conduziu-nos à vida eterna e na sua ascensão abriu-nos as portas do céu.

Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

Santo, Santo, Santo...

 

Santo: A. Cartageno, Suplemento CT

 

Monição da Comunhão

 

Jesus ama-nos até ao ponto de nos alimentar com o Seu Corpo, na mesa da Comunhão. Comungando o Seu Corpo na Eucaristia, aqui na terra, recebemos o penhor da vida imortal, na Pátria celeste! Deixemo-nos inundar pela fé jubilosa da presença de Jesus na Hóstia consagrada! Aceitemos com alegria o convite da Igreja: “Felizes os convidados para a Ceia do Senhor”

 

Cântico da Comunhão: Em vós Senhor Está a Fonte da Vida, Az. Oliveira, NRMS 67

 

Salmo 22, 5

Antífona da comunhão: Para mim preparais a mesa e o meu cálice transborda.

 

Ou

1 Jo 4, 16

Nós conhecemos e acreditámos no amor de Deus para connosco.

 

 

Oração depois da comunhão: Infundi em nós, Senhor, o vosso espírito de caridade, para que vivam unidos num só coração e numa só alma aqueles que saciastes com o mesmo pão do Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Os Apóstolos viram e acreditaram. Acerca de S. Tomé, um dos Doze, disse Jesus. “porque me viste, acreditaste.” (Jo 20, 29)

 Nós não vimos, mas também acreditamos que “Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.” (Fil. 2,11)

Alegremo-nos! São para nós as palavras de Jesus: “Felizes os que acreditam, sem terem visto!” Jo 20, 29

 

Cântico final: Queremos Ser Construtores, Az. Oliveira, NRMS 35

 

 

 

 

Homilias Feriais

 

2ª SEMANA

 

2ª Feira, 21-I: A doutrina da Igreja e os remendos.

Heb 5, 1-10 / Mc 2, 18-22

Podem os companheiros do noivo jejuar, enquanto o noivo está com eles?

O tema de Cristo, esposo da Igreja, já tinha sido preparado pelos Profetas. «O próprio Senhor se designou como o ‘Esposo’ (Ev.). E o Apóstolo apresenta a Igreja e cada fiel, membro do seu Corpo, como uma esposa ‘desposada’ com Cristo Senhor» (CIC, 796).

Nesta união não cabem ‘remendos’ como, por exemplo: a mediocridade de vida; uma interpretação diferente do Evangelho; a desobediência aos mandatos do Senhor. Cristo aprendeu, pelo sofrimento, o que é obedecer (Leit.).

 

3ª Feira, 22-I: A esperança, âncora da alma.

Heb 6, 10-20 / Mc 2, 23-28

Nessa esperança, nós temos uma espécie de âncora da alma, inabalável e segura.

A esperança mantém vivas as promessas feitas por Deus sobre a vida eterna e os meios para alcançá-la. «A esperança cristã retoma e realiza a esperança do povo eleito, que tem a sua origem e modelo na esperança de Abraão (Leit.), o qual foi cumulado das promessas de Deus» (CIC, 1819).

A esperança funciona como uma âncora alma, inabalável e segura. Apoia-se no poder de Deus: «O Filho do Homem é também Senhor do Sábado (Ev.). Tenhamos confiança nos meios de santificação que o Senhor nos proporciona.

 

4ª Feira, 23-I: A compaixão pelo próximo.

Heb 7, 1-3. 15-17 / Mc 3, 1-6

Será permitido ao Sábado fazer bem ou fazer mal, salvar a vida ou tirá-la?

«O Evangelho relata numerosos incidentes em que Jesus é acusado de violar a lei do Sábado. Mas Jesus nunca viola a santidade deste dia. Cheio de compaixão. Cristo autoriza-se, em dia de Sábado, a fazer o bem em vez do mal, a salvar uma vida antes que a perder (Ev.)» (CIC, 2173).

A atenção do próximo, a sua aproximação de Deus e a sua salvação, hão-de ocupar um lugar principal na nossa actuação, Pelo menos, podemos rezar mais e pedir a Deus que cure as ‘pequenas paralisias’ que sofrem.

 

5ª Feira, 24-I: Aproximar de Jesus com muita fé.

Heb 7, 25-8, 6 / Mc 3, 7-12

Na verdade havia curado muita gente e, assim, todos os que tinham padecimentos corriam para Ele, a fim de lhe tocarem.

«Frequentemente Jesus pede aos doentes que acreditem. Por seu lado, os doentes procuram tocar-lhe (Ev.), porque saía dele uma força que a todos curava» (CIC, 1504).

Procuremos aproximar-nos do Senhor com muita fé, porque Jesus pode salvar de maneira definitiva aqueles que, por seu intermédio se aproximaram de Deus (Leit.). «Ainda agora, Ele é o nosso advogado, junto do Pai, ‘sempre vivo para interceder por nós’ (Leit.). Com tudo o que viveu e sofreu por nós, uma vez por todas, Ele está sempre presente em nosso favor, na presença de Deus» (CIC, 519).

 

6ª Feira, 25-I: Conversão de S. Paulo:

Act 9, 1-22 / Mc 16, 15-18

Caiu por terra e ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?

S. Paulo deduzirá destas palavras de Jesus a doutrina do Corpo Místico de Cristo: o que se faz a um dos membros faz-se à Cabeça. «Partindo do princípio de que os nossos pecados atingem Cristo em pessoa (Leit.), a Igreja não hesita em imputar aos cristãos a mais grave responsabilidade no suplício de Jesus» (CIC, 598). Evitemos as ofensas ao Senhor e ao próximo, procuremos viver a nossa conversão pessoal.

Uma vez convertidos, contribuamos para a expansão da Boa Nova junto dos conhecidos: «Ide a todo o mundo e proclamai a Boa Nova a toda a criatura» (Leit.).

 

Sábado, 26-I:S. Timóteo e Tito: Frutos bons e frutos maus.

2 Tim 1, 1-8 (pp.) ou Tit 1, 1-5 (pp.) / Lc 10, 1-9 (aprop.)

Não existe boa árvore que dê mau fruto, nem tão pouco árvore má que dê bom fruto.

Com esta comparação (Ev.), o Senhor põe-nos em guarda contra aqueles que propagam doutrinas erróneas ou confusas, pois nem sempre será fácil distingui-las. Situação idêntica se verifica hoje na nossa sociedade.

Já no tempo destes dois discípulos de S. Paulo tinham aparecido muitos falsos mestres bem como doutrinas erróneas. A partir de prisão de Roma, S. Paulo escreve-lhes as ‘Epístolas pastorais’, recomendando-lhes o cuidado dos pastores e dos fiéis, para se manterem firmes na fé, que ele lhes ensinara.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         José Roque

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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