2º Domingo da Quaresma

20 de Fevereiro de 2005

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Vem Salvador do mundo, F. dos Santos, NCT 94

Salmo 26, 8-9

Antífona de entrada: Diz-me o coração: «Procurai a face do Senhor». A vossa face, Senhor, eu procuro; não escondais de mim o vosso rosto.

 

Ou

cf. Salmo 24, 6.3.22

Lembrai-vos, Senhor, das vossas misericórdias e das vossas graças que são eternas. Não triunfe sobre nós o inimigo. Senhor, livrai-nos de todo o mal.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Transfiguração de Jesus anuncia a Sua vitória sobre a morte. Somos convidados nesta Eucaristia a aumentar a nossa fé em Jesus Cristo, mesmo quando as Suas palavras nos parecem desconcertantes e nos falam de cruz, contradições, perseguições e sofrimentos. A vida cristã é vida de fé que Jesus recompensa, louva e exige de todos. Sem fé é impossível agradar a Deus.

 

Oração colecta: Deus de infinita bondade, que nos mandais ouvir o vosso amado Filho, fortalecei-nos com o alimento interior da vossa palavra, de modo que, purificado o nosso olhar espiritual, possamos alegrar-nos um dia na visão da vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A vocação de Abraão é o momento capital da história da salvação: Abraão tem de deixar tudo o que conhece- a terra, os parentes, a casa paterna- e partir para o desconhecido. A fé e obediência de Abraão fizeram dele para sempre o pai dos crentes.

 

Génesis 12, 1-4a

1Naqueles dias, o Senhor disse a Abrão: «Deixa a tua terra, a tua família e a casa de teu pai e vai para a terra que Eu te indicar. 2Farei de ti uma grande nação e te abençoarei; engrandecerei o teu nome e serás uma bênção. 3Abençoarei a quem te abençoar, amaldiçoarei a quem te amaldiçoar; por ti serão abençoadas todas as nações da terra». 4aAbrão partiu, como o Senhor lhe tinha ordenado.

 

1 «O Senhor disse a Abrão». Estamos nas origens do antigo povo de Deus, como preparação do caminho do Evangelho: «no devido tempo Deus chamou Abraão para fazer dele um grande povo» (Dei Verbum, 3). A aliança com Deus implica uma série de exigências: deixar terra, família, casa e lançar-se para o desconhecido, «a terra que Eu te indicar…», fiando-se apenas na palavra de Deus. É assim que S. Paulo há-de insistir no exemplo de fé e de obediência ao Deus de Abraão: Rom 4; cf. Hebr 11, 8-19.

 

Salmo Responsorial    Sl 32 (33), 4-5.18-19.20.22 (R. 22)

 

Monição:  A fé em Deus leva-nos à esperança confiada na Sua Misericórdia infinita. O Senhor jamais abandona os que n'Ele confiam.

 

Refrão:        Esperamos, Senhor, na vossa misericórdia.

 

Ou:               Desça sobre nós a vossa misericórdia,

                porque em Vós esperamos, Senhor.

 

A palavra do Senhor é recta,

da fidelidade nascem as suas obras.

Ele ama a justiça e a rectidão:

a terra está cheia da bondade do Senhor.

 

Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem,

para os que esperam na sua bondade,

para libertar da morte as suas almas

e os alimentar no tempo da fome.

 

A nossa alma espera o Senhor:

Ele é o nosso amparo e protector.

Venha sobre nós a vossa bondade,

porque em Vós esperamos, Senhor.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo anima o seu discípulo Timóteo a apoiar-se, como ele, na força de Deus no meio dos sofrimentos e das tribulações da vida presente.

 

2 Timóteo 1, 8b-10

Caríssimo: 8bSofre comigo pelo Evangelho, apoiado na força de Deus. 9Ele salvou-nos e chamou-nos à santidade, não em virtude das nossas obras, mas do seu próprio desígnio e da sua graça. Esta graça, que nos foi dada em Cristo Jesus, desde toda a eternidade, 10manifestou-se agora pelo aparecimento de Cristo Jesus, nosso Salvador, que destruiu a morte e fez brilhar a vida e a imortalidade, por meio do Evangelho.

 

8 S. Paulo, nas vésperas da sua execução pelo ano 67, no seu segundo cativeiro romano, aparece a animar o seu discípulo a sofrer também pelo Evangelho.

9-10 Estes versículos, num contexto exortatório, constituem mais uma das belas sínteses paulinas da salvação, em forma de hino, em prosa ritmada; esta «salvação» tem, como ponto de partida, um desígnio divino gratuito e (à letra) «um chamamento santo», santo, não só por ser de Deus, mas por levar a Deus, (daí a tradução litúrgica, menos formal: «chamou-nos à santidade»).

 

Aclamação ao Evangelho      

 

Monição: Como nos diz a Voz do Pai, devemos escutar continuamente Jesus Cristo. A Sua palavra é luz e salvação para todos os homens.

 

B. Salgado, NRMS 32

 

No meio da nuvem luminosa, ouviu-se a voz do Pai:

«Este é o meu Filho muito amado: escutai-O».

 

 

 

Evangelho

 

São Mateus 17, 1-9

1Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João seu irmão e levou-os, em particular, a um alto monte 2e transfigurou-Se diante deles: o seu rosto ficou resplandecente como o sol e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz. 3E apareceram Moisés e Elias a falar com Ele. 4Pedro disse a Jesus: «Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias». 5Ainda ele falava, quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra e da nuvem uma voz dizia: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O». 6Ao ouvirem estas palavras, os discípulos caíram de rosto por terra e assustaram-se muito. 7Então Jesus aproximou-se e, tocando-os, disse: «Levantai-vos e não temais». 8Erguendo os olhos, eles não viram mais ninguém, senão Jesus. 9Ao descerem do monte, Jesus deu-lhes esta ordem: «Não conteis a ninguém esta visão, até o Filho do homem ressuscitar dos mortos».

 

1 «A um alto monte». Os Evangelhos não dizem o nome do monte que habitualmente se julga ser o Tabor, segundo uma tradição procedente do séc. IV, um monte situado a 10 km a Leste de Nazaré. Como este monte não é muito alto (apenas 560 m), há exegetas modernos que falam antes do Monte Hermon (2.759 m), junto a Cesareia de Filipe, região onde Jesus tinha estado, segundo os três sinópticos, uma semana antes.

Pedro, Tiago e João, são os três predilectos de Jesus, destinados a ser «colunas da Igreja» (Gál 2, 9) particularmente firmes, igualmente testemunhas da ressurreição da filha de Jairo (Mc 5, 37) e da agonia de Jesus no horto (Mt 26, 37), diríamos, uma espécie de núcleo duro. Jesus sabia que a sua Paixão e Morte lhes iria provocar um violentíssimo choque, por isso quer prepará-los para enfrentarem com fé e coragem tamanha provação: Pedro acabara de confessar Jesus como «o Messias, o Filho de Deus vivo» (Mt 16, 16); Jesus tinha-o declarado «bem-aventurado» por essa confissão de fé, que afinal era muito frágil, pois, logo a seguir, perante o primeiro anúncio da Paixão, Jesus havia de o repreender pela sua visão humana (cf. Mt 16, 23).

3 «Moisés e Elias». São os dois maiores expoentes de toda a revelação do Antigo Testamento: representam a Lei e os Profetas a convergirem em Cristo.

9 «Não conteis a ninguém». Esta ordem enquadra-se na chamada «disciplina do segredo messiânico», que tinha por fim evitar uma exagerada exaltação do espírito dos Apóstolos; assim Jesus obviava a possíveis agitações populares que só viriam prejudicar e perturbar a sua missão. Em Marcos esta imposição do silêncio adquire um significado teológico muito particular.

 

Sugestões para a homilia

 

1. A Transfiguração: uma antecipação pascal.

2. Deus põe à prova a fé de Abraão.

3. A fé apoia-se na Palavra de Deus.

1. A Transfiguração: uma antecipação pascal

A esplendorosa figura de Jesus, antecipando já o triunfo da Sua Ressurreição, imediatamente depois do anúncio da sua máxima humilhação em Jerusalém, jamais se apagará da memória dos três discípulos do Senhor, a quem foi concedida essa visão.

Jesus, homem mortal em tudo igual a nós, excepto no pecado, é o Filho imortal de Deus que existe desde toda a eternidade, é o Messias Salvador anunciado no Antigo Testamento na Lei e nos Profetas, aqui no Tabor representados por Moisés e Elias. Pela sua condição divina, o esplendor da divindade penetra e transfigura a sua humanidade, deixando ver a glória do Filho muito amado do Pai.

A nossa fé é sabedoria de Deus: por ela entendemos, aceitamos e vivemos, tanto quanto é possível neste mundo passageiro, o acontecimento de Jesus Salvador; ela é a segurança daquilo que esperamos e a prova daquilo que não vemos (Hebr 11, 1); ela é a «vitória que vence o mundo» (1 Jo, 5, 4); o que crê em Jesus Cristo «não será confundido» (Rom 10, 13). Nos momentos de obscuridade devemos apoiar-nos na fé, como S. Paulo nos recorda: «Sofre comigo pelo Evangelho, apoiado na força de Deus» (2ª leitura).

2. Deus põe à prova a fé de Abraão.

Deus pede a Abraão o sacrifício de seu filho único...É uma suprema prova da fé, da confiança, da obediência e da fidelidade de um homem justo; com a agravante de que, com essa ordem, Deus parece faltar à Sua Palavra e fechar para aquele homem toda a esperança do futuro.

Não obstante, Abraão obedece...como tinha obedecido ao primeiro chamamento, quando Deus lhe pediu para deixar a sua terra, a sua família e a casa de seu pai e partir para um destino desconhecido...

A fé de Abraão é pronta, abnegada e total... Nós, cristãos, devemos procurar imitar esta fé, tendo confiança plena e segurança total na acção salvadora de Deus, não por nossos méritos, mas pelo amor que o Pai nos tem: «Deus amou de tal modo o mundo e os homens que lhes deu o seu Filho Unigénito» (Jo 3, 16). Devemos ser «fortes na fé» (1 Pedro 5, 9). As provas e os momentos de obscuridade «purificarão o nosso olhar espiritual» (Colecta) e voltaremos a ter – melhorada – uma visão luminosa, divina, sobrenatural dos acontecimentos. Para purificar a fé em Cristo temos que passar por muitas noites.

3. A fé apoia-se na palavra de Deus.

A nossa fé começa por escutar Jesus, Filho muito amado do Pai. Cristo é a Palavra pessoal de Deus. É nesta Palavra que não pode enganar-se nem enganar-nos que se apoia a nossa fé.

«Alguém que tem pouca ciência está mais seguro do que ouve a outro que possui muitíssima ciência do que aquilo que lhe parece segundo o seu entendimento; assim, muito mais seguro está o homem daquilo que lhe disse Deus, que não pode enganar-se, do que daquilo que vê com a sua própria razão que pode equivocar-se» (S. Tomás de Aquino).

Por esta fé, que é o princípio da nossa justificação e da glorificação, mereceremos contemplar, uma vez purificado o coração, o próprio Deus, a Palavra eterna do Pai, Deus de Deus, Luz da Luz para sempre.

Nos quarenta dias da Quaresma, nós, cristãos, somos convidados a percorrer este caminho de fé e de vida nova, tornando-nos cada vez mais semelhantes a Cristo, Servo obediente e sofredor. Chegaremos  assim, transfigurados n'Ele e com Ele, a renovar a nossa Aliança com Deus no mistério da Páscoa. Procuraremos, ao longo deste tempo favorável, «fortalecer-nos com o alimento interior da Sua Palavra» (Colecta).

 

Fala o Santo Padre

 

«Somos chamados a abandonar os velhos percursos de pecado, que tornam estéril a nossa vida e nos condenam à morte espiritual.»

 

1. «Este é o meu Filho amado. Escutai-o». Com o apóstolo Pedro, digo também: «É bom estarmos aqui» (Mt 17, 4), reunidos, como acontece agora, em volta do Senhor Jesus. Enquanto prosseguimos a peregrinação quaresmal para a Páscoa, sentimo-nos como envolvidos por uma nuvem luminosa. O Pai, do alto dos céus, diz-nos: «Escutai Jesus!». Porém, como Pedro, Tiago e João, também nós estamos com medo. Preferimos outras vozes, vozes da terra, pois é mais fácil escutá-las e parecem ter mais sentido. Mas só Jesus nos pode conduzir à vida. Somente a sua é palavra de vida eterna. Acolhamos o seu convite com espírito de gratidão: «Não tenhais medo! Escutai a minha voz!» […]

3. E aqui, esta manhã, Jesus fala-nos de bênção. Indica a bênção suprema da Páscoa e olha para trás, para a bênção prometida a Abraão e aos seus descendentes. Na primeira leitura do Livro do Génesis, Deus promete a Abraão duas coisas que parecem impossíveis: um filho e uma terra. Abraão era rico, mas sem a promessa do Senhor, a sua vida parecia acabada simplesmente com a morte. Abençoando Abraão com um filho e com uma terra, Deus oferece-lhe uma vida maior do que a morte. Deus assegura ao «nosso pai na fé» que a última palavra não pertencerá à morte, mas à vida. Esta promessa encontra o seu cumprimento definitivo na Páscoa, quando Cristo ressuscita dos mortos.

Não é suficiente que o seio estéril de Sara dê à luz Isaac, porque a morte ainda põe em prática o seu império. A promessa feita a Abraão só se realizará quando a morte for vencida e a morte será vencida quando Cristo ressurgir para a nova vida.

4. Devemos recordar também que a promessa não foi feita só a Abraão, mas também aos seus descendentes, ou seja, a nós! Durante a Quaresma, pois, levemos a Deus tudo o que é estéril e morto em nós mesmos, todas as nossas dores e os nossos pecados, confiando no facto de que Deus, que deu um filho a Sara e que ressuscitou Jesus dos mortos, transformará quanto é estéril e morto em nós numa vida nova e maravilhosa. Todavia, isto significa que devemos abandonar muito de quanto nos é familiar.

«Deixa a tua terra, a tua família e a casa de teu pai», disse Deus a Abraão. […]

Somos chamados a abandonar os nossos velhos percursos de pecado, que tornam estéril a nossa vida e nos condenam à morte espiritual. Todavia, muitas vezes estes percursos errados estão tão profundamente enraizados na nossa vida que é doloroso abandoná-los e procurar a terra bendita que o Senhor promete. Este arrependimento é difícil, mas é o preço a pagar para receber a bênção que o Pai promete a quantos escutam a voz de Jesus.

Recordai também a promessa de Deus de que «todas as famílias da terra serão abençoadas» em Abraão. A bênção da vida incluirá todo o mundo. Por isso, nestes dias da Quaresma e nestes tempos difíceis, levemos a Deus quanto é estéril e morto no mundo. Levemos a chaga da guerra, da violência, da doença, da fome, da pobreza e da injustiça ao Deus de toda a bênção. Peçamos-Lhe que toque estes males e os transforme em vida.

5. Ao escutar Jesus, tornamo-nos disponíveis ao que São Paulo chama «o poder de Deus que nos salvou». Este poder torna-nos capazes de o encontrar. Podemos, então, dar testemunho dele com a nossa própria vida, em virtude da graça que nos transfigura interiormente. Tornar-nos-emos luminosos como o sol, «não devido às nossas obras, mas em virtude do Seu desígnio [de Deus] e graça», como o Apóstolo escreve a Timóteo (2 Tm 1, 9).

Caríssimos Irmãos e Irmãs, aqui está o significado da Quaresma: as nossas vidas, renovadas através da oração, da penitência e da caridade, abrem-se à escuta de Deus e ao poder da sua misericórdia. Assim, na Páscoa, poderemos descer da santa montanha e afugentar as trevas do mundo com a luz gloriosa que resplandece sobre o rosto de Cristo (cf. 2 Cor 4, 6). […]

 

João Paulo II, Roma na Basílica de Santa Pudencian, 24 de Fevereiro de 2002 

 

Oração Universal

 

Reunidos, caríssimos irmãos,

para celebrar os mistérios da nossa Redenção,

roguemos a Deus para que dê a todos os homens a sua graça,

dizendo:

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

 

1.  Para que Deus todo-poderoso e eterno,

que nos enviou Jesus Cristo como Pastor e Redentor,

guarde e proteja a Sua Igreja,

a confirme e ilumine na fé,

e a conduza à unidade no amor e na obediência,

oremos, irmãos.

 

2.  Para que o Deus de Abraão, Isaac e Jacob,

faça brilhar o Seu rosto sobre o povo de Israel

e lhe revele Jesus Cristo como o Messias da sua esperança,

oremos, irmãos.

 

3.  Pelas pessoas consagradas,

pelos lares cristãos e seus filhos,

pelos idosos e pelos que vivem sozinhos:

para que Deus os guarde na santidade do seu amor,

os alegre com a sua luz

e lhes conceda a firme esperança do reino futuro,

oremos, irmãos.

 

4.  Pelos defuntos da nossa comunidade e do mundo inteiro:

para que, purificados das sua faltas,

possam contemplar na eternidade o rosto de Cristo,

oremos, irmãos.

 

Ó Deus, Pai todo-poderoso e eterno, atendei as súplicas do vosso povo;

e já que, por misericórdia, nos deste a conhecer o amor de vosso Filho,

revelado na sua bem-aventurada Paixão, fazei-nos gozar plenamente dos seus dons.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Espero em Deus, M. Carneiro, NRMS 105

 

Oração sobre as oblatas: Esta oblação, Senhor, lave os nossos pecados e santifique o corpo e o espírito dos vossos fiéis, para celebrarmos dignamente as festas pascais. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

A transfiguração do Senhor

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Depois de anunciar aos discípulos a sua morte, manifestou-lhes no monte santo o esplendor da sua glória, para mostrar, com o testemunho da Lei e dos Profetas, que pela sua paixão alcançaria a glória da ressurreição.

Por isso, com os Anjos e os Santos do Céu, proclamamos na terra a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo: F. da Silva, NRMS 99-100

 

Monição da Comunhão

 

Comungar o Corpo e o Sangue de Cristo, o Filho muito amado do Pai, é penhor de salvação. Participemos neste Banquete devidamente purificados e revestidos da veste nupcial de graça santificante, para podermos um dia participar no Banquete celeste, na glória de Deus. Avivemos a nossa fé.

 

Cântico da Comunhão: Ouviu-se uma voz, A. Mendes, Cânticos de Entrada e Comunhão I, pág. 87

Mt 17, 5

Antífona da comunhão: Este é o meu Filho muito amado, no qual pus as minhas complacências. Escutai-O.

 

Cântico de acção de graças: Bendito sejas, sei que Tu pensas em mim, H. Faria, NRMS 2 (II)

 

Oração depois da comunhão: Alimentados nestes gloriosos mistérios, nós Vos damos graças, Senhor, porque, vivendo ainda na terra, nos fazeis participantes dos bens do Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Iluminados pela Palavra do Senhor e fortalecidos com a Santíssima Eucaristia, procuremos ser cada vez mais agradecidos, primeiro que tudo a Deus, de Quem nos vêm todos os bens, e também aos homens, de quem recebemos diariamente tantos benefícios. Procuremos viver da fé, sendo testemunhas corajosas de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem. Não temos debaixo dos céus outro nome pelo qual possamos ser salvos.

 

Cântico final: Ficai connosco, Senhor, M. Borda, NRMS 43

 

 

Homilias Feriais

 

2ª SEMANA

 

2ª feira, 21-II: Como ser misericordiosos.

Dan. 9, 4-10 / Lc. 6, 36-38

Sede misericordiosos como o vosso Pai celestial é misericordioso.

Para sermos misericordiosos, como Jesus nos pede (cf. Ev.), precisamos em primeiro lugar reconhecer que somos pecadores como os demais: «Nós pecámos...deixámos os vossos mandamentos e as vossas leis (cf. oração de Daniel na Leit.).

Depois, procurando nova forças no sacramento da Eucaristia: «Tal como o alimento corporal serve para restaurar as forças perdidas, assim também a Eucaristia fortifica a caridade que, na vida quotidiana, tende a enfraquecer-se» (CIC, 1394). A vivência das obras de misericórdia ajudar-nos-á igualmente a manter a caridade mais forte.

 

3ª feira, 22- II: Cadeira de S. Pedro.

1 Pd 5, 1-4 / Mt. 16, 13-19

Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja.

Comemora-se hoje o dia da instituição do Pontificado de S. Pedro, uma manifestação clara da vontade de Cristo (cf. Ev.).

Jesus diz que a Igreja se edificará sobre S. Pedro, e o actual sucessor de Pedro, João Paulo II, diz que a Igreja se edifica sobre a Eucaristia. «O Ano da Eucaristia seja para todos ocasião preciosa para uma renovada consciência do tesouro incomparável que Cristo entregou à sua Igreja... Mesmo que o seu fruto fosse apenas para reavivar em todas as comunidades cristãs a celebração da Missa dominical e incrementar a adoração eucarística fora da missa, este ano de graças teria conseguido um significativo resultado» (MN, 29).

 

4ª feira, 23-II: Eucaristia e serviço à sociedade.

Jer. 18, 18-20 / Mt. 20, 17-28

Será como o Filho do homem, que não veio para ser servido, veio para servir e dar a vida como resgate pela multidão.

Jesus ensinou-nos o critério do serviço: «Na Eucaristia, o nosso Deus manifestou a forma extrema do amor, invertendo todos os critérios de domínio que muitas vezes regem as relações humanas e afirmando de modo radical o critério do serviço: ‘Se alguém quiser ser o primeiro, há de ser o último de todos e o servo de todos’ (Mc 9, 35)» (MN, 28).

Participar na Eucaristia há de levar-nos a um verdadeiro serviço à sociedade: «A autenticidade da participação na Eucaristia, celebrada na comunidade, é o impulso que esta aí recebe para um compromisso real na edificação de uma sociedade mais equitativa e fraterna» (MN, 28).

 

5ª feira, 24-II: Eucaristia e partilha com os pobres.

Jer. 17, 5-10 / Lc. 16, 19-31

Abraão respondeu-lhe: Filho, lembra-te que recebeste os teus benefícios durante a vida, tal como Lázaro os infortúnios.

A parábola leva-nos a pensar que hoje temos à nossa volta pessoas necessitadas, como Lázaro (cf. Ev.). Precisamos partilhar com eles os bens materiais e o afecto, a amizade, a compreensão, as palavras de estímulo...

O Papa anima-nos a um partilha com os pobres, como fruto da celebração eucarística: «S. Paulo reafirma vigorosamente que não é lícita uma celebração eucarística onde não resplandeça a caridade testemunhada pela partilha concreta com os mais pobres. Por que não fazer deste Ano Eucarístico um período em que as comunidades diocesanas e paroquiais se comprometam de modo especial a ir...ao encontro de alguma das muitas formas de pobreza do nosso mundo?» (MN, 28).

 

6ª feira, 25-II: Eucaristia e generosidade do viver cristão.

Gen. 37, 3-4. 12-13. 17-28 / Mt. 21, 33-43. 45-46

Mas, ao verem o filho, os agricultores disseram entre si: Este é  herdeiro. Vamos matá-lo ...

A parábola dos vinhateiros (cf. Ev.), bem como os maus tratos infligidos a José pelos irmãos (cf. Leit.), é um anúncio dos sofrimentos de Jesus na sua paixão e que culminaram na sua morte: «A Eucaristia é o sacramento do sacrifício pascal de Cristo (AE, 24).

Ao participarmos na celebração procuremos oferecer-nos juntamente com Cristo: «a nossa participação na celebração deve trazer consigo a oferta da nossa existência... A dimensão sacrificial da Eucaristia empenha, portanto, a vida. Daí a espiritualidade do sacrifício, do dom de si, da gratuidade, da oblatividade que o viver cristão exige» (AE, 24).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:          Alfredo Melo

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha


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