Baptismo do Senhor

13 de Janeiro de 2013

 

Festa

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Abriram-se os Céus, Az. Oliveira, NRMS 80

 

cf. Mt 3, 16-17

Antífona de entrada: Depois do Baptismo do Senhor, abriram-se os Céus. Sobre Ele desceu o Espirito Santo em figura de pomba e fez-Se ouvir a voz do Pai: Este é o meu Filho muito amado, no qual pus as minhas complacências.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Com a festa do Baptismo do Senhor encerra-se o Ciclo do Natal. Regressamos, pela mão da Liturgia, ao Tempo Comum, até ao início da Quaresma.

Jesus inicia, por ele, a Sua Vida Pública. A primeira teofania – a Sua manifestação como Deus, Enviado do Pai – dá-se junto do rio Jordão, quando Ele sai das águas, depois do Baptismo.

Jesus submete-Se humildemente ao Baptismo. Este não é como o nosso – para apagar o pecado original e infundir em nós a graça santificante, a vida de Deus – por que Jesus Cristo é própria santidade e a fonte de toda a graça.

Alegremo-nos e agradeçamos o nosso Baptismo, fazendo propósitos de vivermos com fidelidade os nossos compromissos baptismais.

 

Acto penitencial

 

Ao recordar as promessas do nosso Baptismo, lembramo-nos das muitas infidelidades que temos cometido. Prometemos renunciar a Satanás e seguir Jesus Cristo, imitando-O, mas temo-nos esquecido deste compromisso.

Reconheçamos os nossos pecados, arrependamo-nos deles e prometamos, com a ajuda do Senhor, emenda de vida.

 

 (Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, sugestões para o esquema C)

 

•   Para as nossas infidelidades às promessas do Baptismo,

    cometidas pelos pensamentos, desejos, obras e omissões,

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Para a frieza e indiferença no amor com que temos vivido

    a maravilhosa aventura e riqueza da nossa filiação divina,

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Para o desinteresse que manifestamos em ajudar os outros

    a tomarem consciência das riquezas recebidas no Baptismo,

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que proclamastes solenemente a Cristo como vosso amado Filho quando era baptizado nas águas do rio Jordão e o Espírito Santo descia sobre Ele, concedei aos vossos filhos adoptivos, renascidos pela água e pelo Espírito Santo, a graça de permanecerem sempre no vosso amor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

ou

 

Deus omnipotente, cujo Filho Unigénito Se manifestou aos homens na realidade da nossa natureza, concedei-nos que, reconhecendo-O exteriormente semelhante a nós, sejamos por Ele interiormente renovados. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Isaías anuncia um misterioso “Servo”, eleito por Deus e enviado ao mundo dos homens para instaurar nele um reino de justiça e de paz sem fim

Animado pelo Espírito de Deus, Ele realizará essa missão com humildade e simplicidade, com profunda compreensão e no silêncio, sem cair na tentação do poder, na de impor, com prepotência, a Sua vontade, pois estes não pertencem aos esquemas de Deus.

 

Isaías 42, 1-4.6-7

Diz o Senhor: 1«Eis o meu servo, a quem Eu protejo, o meu eleito, enlevo da minha alma. Sobre ele fiz repousar o meu espírito, para que leve a justiça às nações. 2Não gritará, nem levantará a voz, nem se fará ouvir nas praças; 3não quebrará a cana fendida, nem apagará a torcida que ainda fumega: 4proclamará fielmente a justiça. Não desfalecerá nem desistirá, enquanto não estabelecer a justiça na terra, a doutrina que as ilhas longínquas esperam. 6Fui Eu, o Senhor, que te chamei segundo a justiça; tomei-te pela mão, formei-te e fiz de ti a aliança do povo e a luz das nações, 7para abrires os olhos aos cegos, tirares do cárcere os prisioneiros e da prisão os que habitam nas trevas».

 

Este texto pertence ao primeiro dos quatro «cantos do Servo de Yahwéh», dispersos pelo Segundo Isaías (Is 40 – 55), mas que, na origem, talvez fizessem parte de um único poema.

«Eis o meu servo». Trata-se de um mediador através do qual Deus levará a cabo o seu plano de salvação. Torna-se difícil determinar quem é designado em primeiro plano, se é uma personalidade individual (um rei de Judá, o profeta, ou o messias), ou uma colectividade (todo o povo de Israel ou parte dele), ou um indivíduo como símbolo de todo o povo. O nosso texto deixa ver uma personagem deveras misteriosa, humilde (vv. 2-3) e poderosa (v. 4.7), escolhida por Deus e com uma missão universal (v. 1.6). Pondo de parte a complexa e discutida questão da personalidade originária deste magnífico poema, o certo é que o Novo Testamento está cheio de ressonâncias deste texto, vendo mesmo nesta figura singular um anúncio do Messias, com pleno cumprimento na pessoa de Jesus (v. 1: cf. Mt 3, 17 e Lc 9, 35; vv. 2-4: cf. Mt 12, 15-21; v. 6: Lc 1, 78-79 e 2, 32 e Jo 8, 12 e 9, 5; v. 7: Mt 11, 4-6 e Lc 7, 18-22). É evidente que foi escolhida esta leitura para hoje porque, assim Deus, pelo Profeta, apresenta o seu servo «enlevo da minha alma», sobre quem «fiz repousar o meu espírito»; é assim que também no Jordão Jesus é apresentado (cf. Evangelho de hoje e paralelos).

 

Salmo Responsorial     Sl 28 (29), 1a.2.3ac-4.3b.9b-10 (R. 11b)

 

Monição: Enquanto os pagãos divinizavam as manifestações violentas da natureza, Israel viu nelas a manifestação do poder de Deus.

Nós professamos que, por meio dos elementos naturais, como a água do Baptismo o Senhor manifesta-Se a abençoa o Seu povo.

 

Refrão:        O Senhor abençoará o seu povo na paz.

 

Tributai ao Senhor, filhos de Deus,

tributai ao Senhor glória e poder.

Tributai ao Senhor a glória do seu nome,

adorai o Senhor com ornamentos sagrados.

 

A voz do Senhor ressoa sobre as nuvens,

o Senhor está sobre a vastidão das águas.

A voz do Senhor é poderosa,

a voz do Senhor é majestosa.

 

A majestade de Deus faz ecoar o seu trovão

e no seu templo todos clamam: Glória!

Sobre as águas do dilúvio senta-Se o Senhor,

o Senhor senta-Se como Rei eterno.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. João, nos Actos dos Apóstolos, reafirma que Jesus é o Filho amado que o Pai enviou ao mundo para realizar o projecto de Salvação do Seu Povo, resume o que Jesus fez dizendo que Ele “passou pelo mundo fazendo o bem” e libertando todos os que eram oprimidos.

É este o testemunho que todos os discípulos do Mestre devem dar, para que a salvação que Deus oferece chegue, quanto antes, a todos os povos da terra.

 

Actos dos Apóstolos 10, 34-38

Naqueles dias, 34Pedro tomou a palavra e disse: «Na verdade, eu reconheço que Deus não faz acepção de pessoas, 35mas, em qualquer nação, aquele que O teme e pratica a justiça é-Lhe agradável. 36Ele enviou a sua palavra aos filhos de Israel, anunciando a paz por Jesus Cristo, que é o Senhor de todos. 37Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do baptismo que João pregou: 38Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo demónio, porque Deus estava com Ele».

 

Temos aqui uma pequenina parte do discurso de Pedro em casa do centurião Cornélio em Cesareia. quando recebeu directamente na Igreja os primeiros gentios, sem serem obrigados a judaizar. É surpreendente que um discurso dirigido a não judeus contenha alusões (não citações explícitas) ao Antigo Testamento: v. 34 – «Deus não faz acepção de pessoas» (cf. Dt 10, 17); v. 36 – «Ele enviou a sua palavra aos filhos de Israel» (cf. Salm 107, 20); «anunciando a paz» (cf. Is 52, 7); v. 38 «Deus ungiu com… Espírito Santo» (cf. Is 61, 1). Isto corresponde a que se está num ponto crucial da vida da Igreja, em que ela entra decididamente pelos caminhos da sua universalidade intrínseca, em confronto com o nacionalismo judaico; por isso era importante recorrer àquelas passagens do A. T. que se opõem a qualquer espécie de privilégio de raça ou cultura: «a palavra aos filhos de Israel» deixa ver como Deus é o «Senhor de todos», imparcial, «não faz acepção de pessoas» e que a «paz», a súmula de todos os bens messiânicos, Deus a destina a toda a humanidade. O discurso tem um carácter kerigmático evidente; e Lucas – o historiador-teólogo – ao redigi-lo, quaisquer que possam ter sido as fontes utilizadas, terá tido em vista, mais ainda do que a situação concreta em que foi pronunciado, o efeito a produzir nos seus leitores. Convém notar que, no entanto, ao redigir os discursos – o grande recurso de Actos –, Lucas não os inventa; embora não sejam uma reprodução literal, considera-se que correspondem aos temas da pregação primitiva.

38 «Ungiu do Espírito Santo». Estamos aqui em face de uma expressão simbólica tipicamente hebraica, alusiva à união misteriosa com o Espírito Santo (algo que pertence ao mistério trinitário, o verdadeiro ser e missão de Jesus, que se torna visível na sua Humanidade, na teofania do Jordão). É clara a referência a textos do A. T. de grande densidade messiânica, como Is 11, 2; 61, 1 (cf. Lc 2, 18). Ver supra nota à 1ª leitura do 3º Domingo do Advento (nota ao v. 26).

 

Aclamação ao Evangelho          cf. Mc 9, 6

 

Monição: No Baptismo de cada um de nós aconteceu – salvas as distâncias – o que se manifestou no Baptismo de Jesus.

Aclamemos o Evangelho que nos recorda esse momento único da nossa existência cristã.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação-1, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Abriram-se os céus e ouviu-se a voz do Pai:

«Este é o meu Filho muito amado: escutai-O».

 

 

Evangelho

 

São Lucas 3, 15-16.21-22

Naquele tempo, 15o povo estava na expectativa e todos pensavam em seus corações se João não seria o Messias. 16João tomou a palavra e disse-lhes: «Eu baptizo-vos com água, mas vai chegar quem é mais forte do que eu, do qual não sou digno de desatar as correias das sandálias. Ele baptizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo». 21Quando todo o povo recebeu o baptismo, Jesus também foi baptizado; e, enquanto orava, o Céu abriu-se 22e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corporal, como uma pomba. E do Céu fez-se ouvir uma voz: «Tu és o meu Filho muito amado: em Ti pus toda a minha complacência».

 

Notar como na leitura litúrgica o texto não é seguido, para que fique claro que quem baptiza Jesus é João. Com efeito Lucas narra o baptismo já depois da prisão do Baptista, sem dizer por quem é Jesus baptizado, segundo a sua técnica de composição literária chamada «de eliminação» (acumular toda a actuação da personagem em cena, eliminando uma sua intervenção posterior; assim Maria regressa a casa antes de João nascer, o qual vai para o deserto antes do nascimento de Jesus, etc.). A maior brevidade do relato de Lucas (apenas dois versículos) parece indicar que todo o acento vai para a declaração da identidade de Jesus (v. 22). Na estrutura do III Evangelho o baptismo de Jesus aparece como a charneira entre o ministério do Baptista e o ministério de Jesus.

16 «Não sou digno…» Os criados (escravos) dos judeus, entre os seus trabalhos, tinham o de tirar («desatar», Mateus diz «transportar») as sandálias dos seus senhores, para eles entrarem no templo, para comerem, etc.; assim se entende bem a humildade que revela esta exclamação de João. (Ver a nota ao Evangelho do III Domingo do Advento).

21 «Enquanto orava»: é um pormenor exclusivo de Lucas, que gosta de mostrar Jesus em oração nos momentos importantes; é bem significativo que mostre o ministério de Jesus a começar com a oração, e assim como também os começos da Igreja (cf. Act 1, 14; 2, 42). Orar é, mais que tudo, abrir o coração à acção do Espírito Santo.

21-22 O que sucede no baptismo de Jesus é descrito com elementos do género apocalíptico, que continuam a ser expressivos para nós como sinais da inauguração da absolutamente nova relação de Deus com a Humanidade: «O Céu abriu-se»: a imagem parte de que o firmamento era tido como uma superfície esférica de cristal compacto, a separar a terra do céu, por isso, para o Espírito descer, o céu tinha que se abrir; mas já S. Jerónimo (in Math I, 3) advertia que «não são os elementos que se abrem, mas sim os olhos do espírito»; este «abrir dos Céus» é o prelúdio da nova relação de Deus com o homem. «O Espírito Santo desceu… como uma pomba»: no A. T. e no Antigo Médio Oriente sempre a pomba foi associada ao mundo divino, um símbolo bem adequado para indicar a inauguração dos novos tempos; o relato não quer dizer-nos que antes o Espírito Santo estaria ausente de Jesus, mas quer revelar-nos quem é Jesus, por isso: «Fez-se ouvir uma voz…», que identifica quem é Jesus: o Filho de Deus, em quem está presente o Espírito Santo. Desde a exegese patrística até a autores modernos, tem-se visto, no baptismo de Jesus, uma revelação do mistério trinitário.

Esta narrativa é um convite para reconhecer quem é Jesus e para avaliar o valor do baptismo, semelhante ao de Jesus, mas diferente do de João; tenha-se em conta o paralelismo desta perícope com a fórmula baptismal trinitária do final de Mateus (28, 18). No baptismo de Cristo podemos apreciar como actua em nós o Sacramento, pois para nós se abrem os Céus fechados pelo pecado; desce o Espírito Santo com a sua graça, que nos renova e torna templos seus; ficamos a ser filhos de Deus muito amados.

Ninguém põe em dúvida que o baptismo de Jesus é um facto histórico. O relato não é uma invenção literária para transmitir uma ideia sobre Jesus: é algo que se encontra na tradição primitiva, bem documentado no N. T.: Act 1, 21-22; 4, 27; 10, 38; Jo 1, 26-34; Mt 13, 17; Mc 1, 9-11; Lc 3, 21-22. O próprio facto de o baptismo de Jesus ser uma coisa difícil de compreender pelas primeiras comunidades abona a favor do seu valor histórico.

 

Sugestões para a homilia

 

• A glorificação de Jesus no Baptismo

Eleito do Pai

Manso e humilde

Compreensivo e encorajador

• O Baptismo de Jesus e o nosso

Abriram-se os céus

Desceu o Espírito Santo

Filho predilecto do Pai

 

1. A glorificação de Jesus no Baptismo

Antes de dar início à Sua Vida Pública, Jesus foi junto do rio Jordão onde João baptista estava a baptizar e fez-se baptizar por ele.

Este baptismo era por imersão – metido na corrente do rio – e não apagava os pecados, como o nosso. Era um gesto público de aceitar o plano da nossa redenção estabelecido pelo Pai.

Jesus quer dar testemunho desta entrega, desta obediência ao plano de salvação do Pai, mostrando que pela obediência humilde seremos salvos.

 

a) Eleito do Pai. «Diz o Senhor: “Eis o meu servo, a quem Eu protejo, o meu eleito, enlevo da minha alma.“»

Assim o proclama o profeta Isaías (1.ª leitura) e o Pai, quando Jesus sai das águas do Jordão. Ele é a Segunda Pessoa da Santíssima trindade que Se fez um de nós para nos salvar. No Natal contemplámo-l’O Menino no presépio.

É também o eleito de cada um de nós. O cristão não se compromete a seguir uns ideais abstractos, mas uma Pessoa: Jesus Cristo. Ele é o nosso Caminho, Verdade e Vida.

A festa do Baptismo do Senhor leva-nos a fazer uma revisão profunda do nosso cristianismo.

Muitas pessoas entendem que ser cristão é acreditar em algumas verdades e comprometer-se a realizar algumas práticas religiosas rotineiras. Ser cristão é enamorar-se de Jesus Cristo, fazer d’Ele o nosso Mestre e guia durante a vida na terra, até ao Céu.

Esta amizade – como no amor humano – deve crescer cada vez mais, até à comunhão perfeita com a Santíssima Trindade.

Ele é o Mestre que nos ensina como havemos de viver como bons filhos de Deus em cada momento da vida.

 

b) Manso e humilde. «Não gritará, nem levantará a voz, nem se fará ouvir nas praças

Jesus começa por nos dar uma lição de mansidão e humildade. Mais tarde, na vida pública, proclamará «bem aventurados os mansos, porque possuirão a terra.» E dirá também: «Aprendei de Mim que sou manso e humilde de coração

O que é a mansidão, para que a possamos imitar?

É uma das manifestações de humildade. Não é apatia, o “deixar correr”, mas serenidade, domínio próprio, paciência para esperar e ouvir. É também magnanimidade, não condenando precipitadamente os outros, mas sabendo encontrar uma desculpa para os erros dos outros e esperar e encorajar para que eles mudem de conduta.

É a delicadeza na caridade. Mansa não é uma pessoa superficial que dobra para todos os lados, que diz ámen com todos, sem iniciativa, mas totalmente ao contrário.

Este é o perfil que o Espírito Santo nos traça de Jesus no texto de Isaías.

 

c) Compreensivo e encorajador. «não quebrará a cana fendida, nem apagará a torcida que ainda fumega

A pessoa impaciente e precipitada quebra a cana que está fendida, isto é, deita fora o que ainda pode ser aproveitado, descobre nas pessoas a capacidade de emenda e de poder servir.

Somos tentados a desanimar de ver nas pessoas a possibilidade de melhorar, de se emendarem. Condenamos sem remissão nem apelo os que erram.

Jesus sabe descobrir um pouco de boa vontade nas pessoas que se abandonaram ao pecado.

Chama a atenção para o muito amor da pecadora que chora aos seus pés: «Muito lhe será perdoado, porque muito amou.» Elogia a sinceridade da samaritana, uma pobre que se tinha afundado no pecado: «Disseste a verdade.» Quando Natanael se porta com irreverência, dizendo que de Nazaré não podia sair coisa de jeito, Jesus elogia a sua sinceridade, em vez de se mostrar magoado com a irreverência: «Eis um verdadeiro israelita em quem não há dolo

Acalenta sempre a esperança de que a pessoa se emende e volte a ser útil no Reino de Deus. Assim olhou para Pedro depois da queda. Por isso «nem apagará a torcida que ainda fumega

É assim que temos de conviver com as pessoas: compreensivos, animando-as e ajudando-as.

2. O Baptismo de Jesus e o nosso

No momento em que Jesus sai das águas do rio Jordão, depois de ter sido baptizado por João Baptista, dá-se uma teofania, isto é, uma manifestação solene da divindade de Jesus.

S. Lucas descreve-a e anima-nos a reflectir sobre o que aconteceu no momento do nosso Baptismo. Salvas as distâncias, aconteceu o mesmo.

 

a) Abriram-se os céus. «Jesus também foi baptizado; e, enquanto orava, o céu abriu-se

Foi uma manifestação clara e solene da divindade de Jesus. Mas há também uma significação para nós. Com o pecado dos nossos primeiros pais, cujas consequências nós herdamos, o Céu ficou fechado para nós, de modo que não poderíamos ir para lá.

Quando somos baptizados o Céu reabre-se. Se uma pessoa morresse imediatamente a seguir ao seu baptismo, sem ter cometido qualquer falta, iria direito para lá.

Além disso, todas as boas obras que praticamos – no trabalho, na oração, no cuidado da família, no convívio com as outras pessoas – são meritórias e acumulam tesouros de merecimentos para o Céu.

O “abrir-se o céu” pode ainda significar que, no Baptismo, recebemos a virtude infusa da fé, de tal modo que participamos da ciência do céu, desde o nosso Baptismo.

 

c) Desceu o Espírito Santo. «o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corporal, como uma pomba

Desde o momento em que fomos baptizados, tornamo-nos sacrário do Espírito Santo e templos da Santíssima Trindade.

Ele habite em nós como num templo, inspira-nos, conforta-nos e guia-nos no caminho da santidade.

A pessoa humana, seja ela quem for, mesmo quando não tem respeito por si própria e se vende desonestamente, deve ser tratada por nós com todo o respeito: no olhar, nas palavras, nas atitudes.

Quando uma pessoa morre, a Igreja promove uma solene celebração em que se sufraga a alma, mas também se presta honras ao corpo, tratando-o com todo o respeito e venerando-o, porque foi, durante a vida, um templo do Espírito Santo.

“Quantas pessoas – escreveu um autor espiritual – hão-de soltar um grito de assombro, na outra vida, ao descobrirem a maravilha que habitou neles!”

 

Filho predilecto do Pai. «E do céu fez-se ouvir uma voz: “Tu és o meu Filho muito amado: em Ti pus toda a minha complacência”.»

Somos filhos de Deus: não “naturais”, porque não somos deuses, mas também não só adoptivos. Participamos da natureza divina (S. Pedro) e o Pai diz a cada um de nós as mesmas palavras que disse a Jesus no baptismo do Jordão.

Deus trata-nos como o melhor dos pais e pede a cada um de nós que se conduza como o melhor dos filhos.

Somos chamados a viver uma vida íntima com Deus na terra e eternamente no Céu. É esta a maravilha da vocação cristã.

Deus ama-nos tanto que nos deu o Seu Filho Unigénito para nos salvar. Foi por amor que Ele morreu numa Cruz para nos salvar.

Esta generosidade do Senhor renova-se cada dia na Santa Missa. Nela nos é repartido o Pão da Palavra e o Pão da Eucaristia.

Que Nossa Senhora nos ensine e ajude a viver generosamente com alegria a nossa filiação divina.

 

Fala o Santo Padre

 

«Deus nasceu para que o homem possa renascer, tornando-se realmente filho de Deus

 

Queridos irmãos e irmãs!

Esta manhã, durante a santa Missa celebrada na Capela Sistina, administrei o sacramento do Baptismo a alguns recém-nascidos. Este costume está ligado à festa do Baptismo do Senhor, com a qual se conclui o tempo litúrgico do Natal. O Baptismo sugere muito bem o sentido global das Festas do Natal, nas quais o tema do tornar-se filhos de Deus graças à vinda do Filho unigénito à nossa humanidade constitui um elemento dominante. Ele fez-se homem para que nós possamos tornar-nos filhos de Deus. Deus nasceu para que nós possamos renascer. Estes conceitos repetem-se continuamente nos textos litúrgicos natalícios e constituem um entusiasmante motivo de reflexão e de esperança. Pensemos no que escreve São Paulo aos Gálatas: "Deus enviou o Seu Filho, nascido de mulher, nascido sujeito à Lei, para resgatar os que se encontravam sob o jugo da Lei e para que recebêssemos a adopção de filhos" (Gl 4, 4-5); ou ainda São João no Prólogo do seu Evangelho: "Mas a todos os que O receberam, aos que crêem n'Ele, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus" (Jo 1, 12). Este maravilhoso mistério que é o nosso "segundo nascimento"– o renascimento de um ser humano do "alto", de Deus (cf. Jo 3, 1-8) – realiza-se e resume-se no sinal sacramental do Baptismo.

 

Com este sacramento o homem torna-se realmente filho, filho de Deus. Desde então, o fim da sua existência consiste em alcançar de modo livre e consciente o que, desde o início, era e é o destino do homem. "Torna-te aquilo que és" – representa o princípio educativo de base da pessoa humana remida pela graça. Este princípio tem muitas analogias com o crescimento humano, no qual a relação dos pais com os filhos passa, através de separações e crises, da dependência total à consciência de ser filhos, ao reconhecimento pelo dom da vida recebida e à maturidade e capacidade de doar a vida. Gerado pelo Baptismo para a vida nova, também o cristão começa o seu caminho de crescimento na fé que o levará a invocar conscientemente Deus como "Abbá – Pai", a dirigir-se a Ele com gratidão e a viver a alegria de ser seu filho.

 

Do Baptismo deriva também um modelo de sociedade: a dos irmãos. A fraternidade não se pode estabelecer mediante uma ideologia, muito menos por decreto de um qualquer poder constituído. Reconhecemo-nos irmãos a partir da humilde mas profunda consciência do próprio ser filhos do único Pai celeste. Como cristãos, graças ao Espírito Santo recebido no Baptismo, temos como destino o dom e o compromisso de viver como filhos de Deus e como irmãos, para ser como "fermento" de uma humanidade nova, solidária e rica de paz e de esperança. Nisto ajuda-nos a consciência de ter, além de um Pai nos céus, também uma mãe, a Igreja, da qual a Virgem Maria é o modelo perene. Confiamos a ela as crianças recém-baptizadas e as suas famílias, e pedimos para todos a alegria de renascer todos os dias "do alto", do amor de Deus, que nos torna seus filhos e irmãos entre nós.

 

Bento XVI, Angelus na Praça de São Pedro a 10 de Janeiro de 2010

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Foi pelo Baptismo que nos tornamos filhos de Deus.

Com a confiança que a nossa filiação divina nos dá,

apresentemos com fé ao Pai por Jesus, no Espírito,

as necessidades das pessoas que partilham connosco

esta caminhada da terra para a felicidade eterna.

Oremos (cantando):

 

    Dai-nos, Senhor, a fidelidade ao Baptismo!

 

1. Para que o Santo Padre, com os Bispos e demais pastores,

    nos ensinem a fidelidade às promessas do nosso Baptismo,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a fidelidade ao Baptismo!

 

2. Para que os pais que levam os seus filhos ao Baptismo

    os ajudem a viver sempre aquilo a que se comprometeram.

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a fidelidade ao Baptismo!

 

3. Para que os catequistas, aos que ajudam no caminho da fé

    procurem primeiro viver  e depois ensinar o que vivem,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a fidelidade ao Baptismo!

 

4. Para que todos os pobres tenham a ajuda de que necessitam

    prestada pelos que procuram viver a fraternidade cristã,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a fidelidade ao Baptismo!

 

5. Para que os pais e padrinhos das crianças hoje baptizadas

    sejam fieis aos compromissos tomados diante de Deus,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a fidelidade ao Baptismo!

 

6. Para que os irmãos baptizados que já partiram desta vida,

    e se encontrem, quanto antes na luz e glória  do Paraíso,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a fidelidade ao Baptismo!

 

Ouvi, Senhor a nossa humilde prece que Vos dirigimos.

e uma vez que, pelo Baptismo, se abriu para nós o Céu,

concedei-nos a graça de Vos contemplarmos eternamente.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

A Liturgia da Palavra indicou-nos um programa de vida para executarmos no dia a dia: levar a justiça às nações, não gritar, nem levantar a voz, nem se fazer ouvir nas praças; não quebrar a cana fendida, nem apagar a torcida que ainda fumega: proclamar fielmente a justiça e não desfalecer nem desistir, enquanto não estabelecer a justiça na terra.

A fim de que tenhamos forças para este grande empreendimento, o Senhor vai agora, pelo ministério do sacerdote, consagrar o pão e o vinho para nosso Alimento.

 

Cântico do ofertório: Vi a Fonte de Água Viva, Az. Oliveira, NRMS 65

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, os dons que a Igreja Vos oferece, ao celebrar a manifestação de Cristo vosso Filho, para que a oblação dos vossos fiéis se transforme naquele sacrifício perfeito que lavou o mundo de todo o pecado. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio

 

O Baptismo do Senhor

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

v. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

v. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte:

Nas águas do rio Jordão, realizastes prodígios admiráveis, para manifestar o mistério do novo Baptismo: do Céu fizestes ouvir uma voz, para que o mundo acreditasse que o vosso Verbo estava no meio dos homens; pelo Espírito Santo, que desceu em figura de pomba, consagrastes Cristo vosso Servo com o óleo da alegria, para que os homens O reconhecessem como o Messias enviado a anunciar a boa nova aos pobres.

Por isso, com os Anjos e os Santos do Céu, proclamamos na terra a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: Santo I, H. Faria, NRMS 103-104

 

Saudação da Paz

 

O Baptismo tornou-nos todos filhos e Deus e irmãos uns dos outros, vivendo em fraterna caridade.

A primeira exigência desta vida nova é a vida na paz entre todos nós que o Senhor nos veio dar.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

É o Sacramento do Baptismo que nos abre as portas do Sacrário para podermos comungar sacramentalmente.

Na Comunhão que agora vamos fazer, renovemos generosamente as promessas do nosso Baptismo, e peçamos ao Senhor a ajuda necessária para as cumprir.

 

Cântico da Comunhão: Saciastes o Vosso Povo, F. da Silva, NRMS 90-91

 

Jo 1, 32.34

Antífona da comunhão: Eis Aquele de quem João dizia: Eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus.

 

Cântico de acção de graças: Eu Confio Senhor (Cantarei ao Senhor), F. da Silva, NRMS 70

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentais com este dom sagrado, ouvi benignamente as nossas súplicas e concedei-nos a graça de ouvirmos com fé a palavra do vosso Filho Unigénito para nos chamarmos e sermos realmente vossos filhos. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Procuremos viver de acordo com o nosso Baptismo: com a alegria de filhos de Deus e verdadeiramente comprometidos na salvação de todos os homens.

Ajudemos a todos quantos encontrarmos nos caminhos da vida a viverem generosamente a vocação baptismal.

 

Cântico final: Deus é Pai, Deus é Amor, F. Silva, NRMS 90-91

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO COMUM

 

1ª SEMANA

 

2ª Feira, 14-I: Partilha de vida e missão.

Heb 1, 1-6 / Mc 1, 14-20

Jesus começou a proclamar a Boa Nova de Deus: o reino de Deus está próximo.

Cristo, o Filho de Deus feito homem, é a Palavra do Pai. Nele o Pai disse tudo (Leit.). «Por isso Cristo, a fim de cumprir a vontade do Pai, deu começo na terra ao reino dos Céus» (CIC, 541).

«Desde o princípio, Jesus associou os discípulos à sua vida (Ev.). Revelou-lhes o mistério do Reino; deu-lhes parte na sua missão, na sua alegria e nos seus sofrimentos» (CIC, 787). E o Senhor também nos convida segui-lo, para partilhar connosco a sua vida íntima: permanecei em mim; e a sua missão: o anúncio da Boa Nova.

 

3ª Feira, 15-I: Colaborar na Redenção.

Heb 2, 5-12 / Mc 1, 21-28

Que tens eu ver connosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos perder? Eu sei quem tu és: o Santo de Deus!

Jesus não vem perder, mas salvar todos os homens. Este mistério da Redenção (Ev.) está presente em todos os momentos da vida de Cristo: na Incarnação, na vida oculta, nas suas palavras, curas e expulsões de demónios (CIC, 517).

De um modo especial, na sua Paixão e morte. «E, se Ele experimentou a morte foi, pela graça de Deus, para proveito de todos» (Leit.). Todos somos chamados igualmente a ser co-redentores, colaborando com a nossa vida de oração, os nossos sacrifícios, e o trabalho realizado em união com o Senhor.

 

4ª Feira, 16-I: Libertação da escravidão.

Heb 2, 114-18 / Mc 1, 29-39

  Jesus curou muitas pessoas, que sofriam de várias doenças, e expulsou muitos demónios.

No início da vida pública, Jesus vai curando algumas consequências do pecado original: doenças e escravidão do demónio: Por aquele pecado, «o Diabo adquiriu um certo domínio sobre o homem, embora este permanecesse livre» (CIC, 407).

«Jesus, o ‘Príncipe da Vida’, pela sua morte reduziu à impotência aquele que tem o poder da morte, isto é, o Diabo, e libertou quantos, por meio da morte, se encontravam sujeitos à servidão durante a vida inteira (Leit.)» (CIC, 635). Com a ajuda do Senhor, procuremos libertar-nos de qualquer pecado que nos escraviza.

 

5ª Feira, 17-I: A importância do hoje.

Heb 3, 7-14 / Mc 1, 40-45

Como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a voz do Senhor, não queirais endurecer os vossos corações.

«Quando a Igreja celebra o mistério de Cristo, há uma palavra que ritma a sua oração: Hoje!, como um eco da oração que lhe ensinou o seu Senhor e do chamamento do Espírito Santo (Leit.)» (CIC, 1165).

Estejamos atentos para ouvirmos ‘hoje, agora’ a voz do Senhor, que bate à porta do nosso coração. O coração endurece, quando cai na descrença, quando é seduzido pelo pecado (Leit.). Ele curar-nos-á as doenças da alma, como curou o leproso: «Quero, vou curar-te» (Ev.).

 

6ª Feira, 18-I: Entrada no ‘repouso de Deus’.

Heb 4, 1-5. 11 / Mc 2, 1-12

Embora se mantenha a promessa de entrarmos no repouso de Deus, devemos recear que algum de vós suponha ter ficado para trás.

«O Novo Testamento emprega muitas expressões para caracterizar a bem-aventurança a que Deus chama o homem: a visão de Deus; a entrada no repouso de Deus (Leit.)» (CIC, 1720).

Para entrarmos no repouso de Deus temos, entre outras coisas, dois sacramentos: «O Senhor Jesus, que perdoou os pecados ao paralítico e lhe restituiu a saúde do corpo (Ev.), quis que a Igreja continuasse a sua obra de cura e de salvação. É esta a finalidade dos sacramentos de cura: o da Penitência e o da Unção dos Enfermos» (CIC, 421).

 

Sábado, 19-I: Ao encontro do auxílio oportuno.

Heb 4, 12-16 / Mc 2, 13-17

Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas aqueles que estão doentes. Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores.

«Jesus tem poder não somente para curar, mas também para perdoar os pecados. É o médico de que os doentes precisam (Ev.)» (CIC, 1503). Jesus convida os pecadores para a mesa do reino, manifestando-lhes a sua misericórdia.

Ele é não só o médico, mas também o Sumo-Sacerdote que se compadece das nossas fraquezas (Leit.). É por isso que devemos dirigir-nos a Ele com confiança: «vamos, pois, cheios de confiança, ao trono da graça, a fim de alcançarmos a graça de um auxílio oportuno» (Leit.).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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