Epifania do Senhor

6 de Janeiro de 2013

 

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Glória a Vós, Jesus Menino, J. Santos, NRMS 76

 

cf. Mal 3, 1; 1 Cron 19, 12

Antífona de entrada: Eis que vem o Senhor soberano. A realeza, o poder e o império estão nas suas mãos.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Estamos aqui reunidos porque temos fé. Caso contrário não santificaríamos o dia do Senhor, participando na Santa Missa. Mesmo que a Igreja não nos obrigasse, nós cumpriríamos sempre este dever de cristãos.

Neste dia em que celebramos a Epifania do Senhor vamos agradecer o dom da fé.

 

Oração colecta: Senhor Deus omnipotente, que neste dia revelastes o vosso Filho Unigénito aos gentios guiados por uma estrela, a nós que já Vos conhecemos pela fé levai-nos a contemplar face a face a vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Já no Antigo Testamento o Povo Eleito, instruído pelos Profetas, vivia animado pela fé, esperando o Messias Salvador.

 

Isaías 60, 1-6

1Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor. 2Vê como a noite cobre a terra e a escuridão os povos. Mas sobre ti levanta-Se o Senhor e a sua glória te ilumina. 3As nações caminharão à tua luz e os reis ao esplendor da tua aurora. 4Olha ao redor e vê: todos se reúnem e vêm ao teu encontro; os teus filhos vão chegar de longe e as tuas filhas são trazidas nos braços. 5Quando o vires ficarás radiante, palpitará e dilatar-se-á o teu coração, pois a ti afluirão os tesouros do mar, a ti virão ter as riquezas das nações. 6Invadir-te-á uma multidão de camelos, de dromedários de Madiã e Efá. Virão todos os de Sabá; hão-de trazer ouro e incenso e proclamarão as glórias do Senhor.

 

O texto canta a glória da Jerusalém renovada, figura da «Jerusalém nova descida do Céu» (cf. Apoc 21, 2.23-24). A visão universalista que o poema apresenta corresponde à realidade da Igreja, que é católica, universal.

3 «As nações caminharão à tua luz, e os reis ao esplendor da tua aurora». Não há dúvida de que se pode adaptar perfeitamente este texto isaiano ao mistério hoje celebrado: os «magos» – este texto terá contribuído para se lhes chamar «reis» –, que seguem a «luz» da estrela, são os pioneiros de entre os povos gentios a acorrer ao encontro do Messias.

6 A menção de povos do Oriente – «Madiã e Efá» –, dos ricos comerciantes de «Sabá», a sul da Arábia (Yémen) e, sobretudo, os produtos que trazem – «ouro e incenso» – fazem lembrar o que nos relata o Evangelho: a vinda dos Magos do Oriente que trazem «oiro, incenso e mirra».

 

Salmo Responsorial     Sl 71 (72), 2.7-8.10-11.12-13(R. cf. 11)

 

Monição: Adoremos o Senhor com os crentes de todos os tempos, pedindo-Lhe nos ajude a mantermos viva a nossa fé.

 

Refrão:        Virão adorar-Vos, Senhor,

                     todos os povos da terra.

 

Ó Deus, concedei ao rei o poder de julgar

e a vossa justiça ao filho do rei.

Ele governará o vosso povo com justiça

e os vossos pobres com equidade.

 

Florescerá a justiça nos seus dias

e uma grande paz até ao fim dos tempos.

Ele dominará de um ao outro mar,

do grande rio até aos confins da terra.

 

Os reis de Társis e das ilhas virão com presentes,

os reis da Arábia e de Sabá trarão suas ofertas.

Prostrar-se-ão diante dele todos os reis,

todos os povos o hão-de servir.

 

Socorrerá o pobre que pede auxílio

e o miserável que não tem amparo.

Terá compaixão dos fracos e dos pobres

e defenderá a vida dos oprimidos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: O Apóstolo São Paulo, chamado pelo Senhor, confiou-Lhe a sua vida, chamando as outras pessoas para irem ao Seu encontro.

 

Efésios 3, 2-3a.5-6

Irmãos: 2Certamente já ouvistes falar da graça que Deus me confiou a vosso favor: 3apor uma revelação, foi-me dado a conhecer o mistério de Cristo. Nas gerações passadas, 5ele não foi dado a conhecer aos filhos dos homens como agora foi revelado pelo Espírito Santo aos seus santos apóstolos e profetas: 6os gentios recebem a mesma herança que os judeus, pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho.

 

Nesta passagem de Efésios, S. Paulo define em que consiste o «mistério de Cristo» (v. 4). Os gentios, que vêm à Igreja, estão no mesmo pé de igualdade que os judeus procedentes do antigo povo de Deus: não há lugar para cristãos de primeira e de segunda! O texto original é muito expressivo: os gentios vêm a ser «co-herdeiros» («recebem a mesma herança que os judeus», traduz, parafraseando, o texto português oficial), «com-corpóreos» (isto é, «pertencem ao mesmo Corpo» Místico de Cristo, que é a Igreja una), e «com-participantes na Promessa» («beneficiam da mesma promessa» de salvação). E é este o mistério que também se celebra na Festa da Epifania: Cristo igualmente Salvador de gentios e judeus.

 

Aclamação ao Evangelho          Mt 2, 2

 

Monição: Os Magos foram ao encontro de Jesus Menino para O adorar e oferecer-Lhe ouro, incenso e mirra. Adoremo-l’O também nós, oferecendo-Lhe o nosso coração.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação-2, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Vimos a sua estrela no Oriente

e viemos adorar o Senhor.

 

 

 

Evangelho

 

São Mateus 2, 1-12

1Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. 2«Onde está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». 3Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. 4Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. 5Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo profeta: 6‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’». 7Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. 8Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O». 9Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. 10Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. 11Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, caindo de joelhos, prostraram-se diante d’Ele e adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra. 12E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.

 

O Evangelho da adoração dos Magos foi objecto das mais belas reflexões teológico-espirituais ao longo da história: já nos fins do séc. II, Tertuliano via nas ofertas dos Magos símbolos do reconhecimento de quem era Jesus: oferecem-lhe «ouro» como Rei, «incenso» como Deus, «mirra» (outra resina aromática, usada na sepultura) como Homem. Santo Ambrósio fixa-se em que os Magos vão por um caminho e voltam por outro, porque regressam melhores, depois do encontro com Cristo. Santo Agostinho vê nos Magos as primitiæ gentium, a par dos pastores que são as primícias dos judeus, etc. Mas ainda hoje os comentadores retomam e actualizam os temas do relato: Cristo como verdadeira luz, o caminho dos pagãos para Cristo, o simbolismo dos presentes, a fé e perseverança dos Magos, a busca do sentido da Escritura e o sentido de procura do caminho, etc.

O próprio relato encerra um grande alcance teológico: Jesus é o verdadeiro «rei» que merece ser procurado e adorado por todos; a Ele acorrem, vindas de longe, gentes guiadas por uma estrela e pela Escritura; ainda menino e sem falar, já divide os homens a favor e contra Ele; a homenagem que Lhe prestam os Magos é a resposta humana ao «Emanuel, Deus connosco»; n’Ele se cumprem as profecias que falavam da vinda de reis e de todos os povos a Jerusalém (Is 60 e Salm 72). Mais ainda, ao nível da própria redacção de Mateus, o relato ilustra a teologia específica do evangelista: sendo este Evangelho dirigido a judeo-cristãos, confrontados com a Sinagoga, que não aceita Jesus, o episódio dos Magos documenta bem a teologia do «messias rejeitado», pois Jesus, logo ao nascer, encontra a hostilidade do poder e a indiferença das autoridades religiosas; é também uma ilustração das palavras de Jesus, «virão muitos do Oriente…» (Mt 8, 11).

Em face de tudo isto, o estudioso não pode deixar de se interrogar se não estaremos perante um teologúmeno, uma criação de Mateus para dar corpo a uma ideia teológica. A verdade é que em toda a tradição cristã se deu grande valor à adoração dos Magos e à festa da Epifania. Se detrás disto não há realidade nenhuma, o significado de tudo fica privado da sua base mais sólida.

Nota sobre a questão da historicidade do relato: A crítica bíblica moderna tem proposto teorias bastante discordantes; por um lado, temos um grupo em que R. E. Brown reúne as objecções que se têm levantado contra a historicidade do relato, que denotam – diz – «uma inverosimilhança intrínseca»: o movimento da estrela de Norte para Sul (Jerusalém – Belém), a sua paragem sobre a casa, a consulta de Herodes aos escribas e sacerdotes, seus inimigos, a indicação de Belém como um dado desconhecido ao contrário de Jo 7, 42, a imperdoável ingenuidade de Herodes que não manda espiar os Magos, o facto de não se ter identificado o menino após a visita de homens de fora a uma pequena povoação, o silêncio de Lucas sobre a visita; estes autores concluem que se trata, então, de uma construção artificial feita com textos do Antigo Testamento. Por outro lado, temos autores mais recentes como R. T. France (The Gospel according to Mathew) que defendem a credibilidade histórica do relato, demonstrando que as dificuldades contra têm solução. Com efeito, embora estejam subjacentes no relato vários textos do A. T., apenas um é citado, podendo mesmo ser suprimido sem interromper o discurso (vv. 5b-6), o que é sinal de que a citação foi acrescentada a um relato preexistente, não sendo a citação a dar origem ao relato. Os pretensos traços duma dita lenda edificante, ou midraxe hagadá, nada têm de historicamente improvável, fora o caso da estrela que pára sobre a casa, mas já S. João Crisóstomo observava que a estrela não vinha de cima, mas de baixo, pois não era uma estrela natural e não é provável que a Igreja, que bem cedo entrou em conflito com a astrologia, tivesse inventado uma história a favorecê-la. O facto de Herodes não ter mandado espiar os Magos não revela ingenuidade, mas prudência para que os seus guardas não viessem a dificultar a descoberta do Menino, e também uma plena confiança em que os Magos voltassem; finge colaborar com eles, a fim de obter mais dados. Também René Laurentin sublinha a credibilidade histórica de certos pormenores, como a existência de astrólogos viajantes («magos») no Oriente, ou a astúcia e crueldade de Herodes (matou a maior parte das suas 10 mulheres, vários filhos e muitas pessoas influentes na política); e, sobretudo, Mateus revela «sensibilidade histórica», ao não fazer coincidir bem os factos que narra com as citações e alusões ao A. T.: se os factos fossem inventados, teriam sido forjados de molde a que se adaptassem bem às passagens bíblicas (a estrela da profecia de Balaão – Num 24, 17 – não é a estrela que indica o Messias, mas sim o próprio Messias, etc.). Também a propaganda religiosa judaica tinha despertado a expectativa do nascimento do Messias (ver, por ex., a IV écloga de Virgílio) e fervorosos aderentes entre os gentios, o que torna mais compreensível a visita destes estranhos. A. Díez Macho afirma que «a intenção de Mateus é narrar história confirmada com profecias ou paralelos vétero-testamentários», e descobre no episódio do Magos uma grande quantidade de «alusões» ao A. T. (o chamado rémez, figura retórica muito do gosto dos semitas e frequente na Bíblia). Este célebre biblista espanhol (assim também G. Segalla) diz que o fenómeno da estrela pode muito bem corresponder à conjunção de Júpiter e Saturno que se deu na constelação de Peixe, e que teve lugar três vezes no ano 7 a. C., data provável de nascimento de Jesus. Mas a verdade é que não se pode negar o carácter popular do relato, pouco preocupado com o rigor das coisas, pois até dá a entender que a estrela se deslocava de Norte para Sul até parar sobre a casa.

Também se deve considerar um sinal de credibilidade histórica o facto de Mateus apresentar uns Magos à procura de Jesus, pois, posto a forjar uma relato edificante, ter-se-ia lembrado de, em vez duns magos, pôr uns reis a caminho de Belém; com efeito o teólogo Mateus ou a sua escola, não podiam ignorar que no Antigo Testamento quem vem a Jerusalém não são nunca os magos, mas «os reis ao esplendor da tua aurora» (Is 60, 3). Mais explícito temos ainda o Salmo 71 (72,), que diz: «Os reis de Társis e das ilhas virão com presentes, os reis da Arábia e de Sabá trarão suas ofertas. Prostrar-se-ão diante dele todos os reis, todos os povos o hão-de servir».

 

Sugestões para a homilia

 

Ano da Fé

Acreditamos em Deus

Oferecemos a nossa vida ao Senhor

 

Ano da Fé

Estamos a viver o Ano da Fé. É uma feliz iniciativa do Papa Bento XVI. Os tempos não são muito favoráveis…A humanidade tem outras prioridades, outros interesses, outra busca da felicidade. Mas só é verdadeiramente feliz quem tem Fé.

A Fé é um dom de Deus. Aproveitemos a vida na Terra para Lhe agradecer. Acreditamos que na eternidade jamais nos separaremos d’Ele.

Como é bom acreditarmos em Deus! Ele criou o universo. Sem precisar de nós, quis criar-nos unicamente por Amor. Ele existe desde sempre. Nós jamais deixaremos de existir. A morte não será o fim, será uma passagem para a vida eterna.

Acreditamos em Deus

 Por isso queremos viver em paz com Deus e com os irmãos.

A vontade de Deus está sempre em primeiro lugar. Podiam dar-nos todas as riquezas do mundo que nós nada quereríamos pois apenas Deus é tudo para nós.

Cumprimos os Seus Mandamentos e queremos dizer a todos os responsáveis dos governos nos diversos países do mundo que nenhuma lei deve contrariar a Lei de Deus.

Feliz o povo que vive segundo a Lei de Deus! Aí não haverá injustiças, nem ódio ou vingança, nem atentados ou guerras, nem violência alguma. Todos viverão em paz, amando-se uns aos outros como Deus nos ama.

Sonhar com um mundo assim poderá parecer uma utopia. Mas este sonho não é de agora. Já dura há dois mil anos. É verdade… Foi Cristo que veio ao encontro dos homens para os salvar. Muitos quiseram felicitá-l’O em Belém quando nasceu. Isaías já o tinha profetizado no Antigo Testamento (1.ª Leitura). O Evangelho descreve-nos a visita encantadora dos Magos que O adoraram e Lhe ofereceram ouro, incenso e mirra.

Jesus cresceu, chamou os Discípulos, fez milagres, anunciou a Boa Nova da Salvação. Em vez de Lhe agradecerem, os seus contemporâneos mataram-n’O, pregando-o na Cruz, pensando que assim calavam a Sua Palavra para sempre. Ai como se enganaram!...

Oferecemos a nossa vida ao Senhor

A partir de então quantos e quantos cristãos Lhe ofereceram as suas vidas, muitos deles com o martírio! Recordemos São Paulo, convertido e seduzido pelo Senhor, a anunciá-l’O apaixonadamente durante toda a vida! ( 2.ª Leitura )

Hoje queremos juntar-nos a todos esses santos para, juntos, tornarmos o mundo melhor.

Esta chama de amor nunca mais se apagará. Com o nosso exemplo e apostolado convidaremos as crianças e os jovens a amarem o Senhor e a transmitirem às gerações futuras esta mesma mensagem.

Avivemos a nossa Fé! Nunca duvidemos! As tentações para o desânimo acompanhar-nos-ão ao longo da vida. Venceremos porque tudo podemos com a graça do Senhor.

Maria Santíssima aderiu sem reservas à vontade de Deus, sendo Mãe de Jesus, nosso Salvador. Que esteja sempre connosco como nossa querida Mãe e seremos eternamente felizes!

 

Fala o Santo Padre

 

«Os Magos são para nós modelos dos autênticos pesquisadores da verdade.»

 

Queridos irmãos e irmãs!

Celebramos hoje a grande festa da Epifania, o mistério da Manifestação do Senhor a todas as nações, representadas pelos Magos, que vieram do Oriente para adorar o Rei dos Judeus (cf. Mt2, 1-2). São Mateus, que narra o acontecimento, ressalta como eles chegaram a Jerusalém seguindo uma estrela, vista surgir e interpretada como sinal do nascimento do Rei anunciado pelos profetas, isto é, o Messias. Mas, tendo chegado a Jerusalém, os Magos precisaram das indicações dos sacerdotes e dos escribas para conhecer exactamente o lugar aonde ir, isto é, Belém, a cidade de David (cf. Mt 2, 5-6; Mq 5, 1). A estrela e as Sagradas Escrituras foram as duas luzes que guiaram o caminho dos Magos, os quais são para nós modelos dos autênticos pesquisadores da verdade.

 

Eles eram sábios, que perscrutavam os astros e conheciam a história dos povos. Eram homens de ciência num sentido amplo, que observavam o cosmos considerando-o quase como um grande livro cheio de sinais e de mensagens divinas para o homem. Por conseguinte, o seu saber, longe de ser considerado auto-suficiente, era aberto a ulteriores revelações e apelos divinos. Teriam podido dizer: fazemos sozinhos, não precisamos de ninguém, evitando, segundo a nossa mentalidade de hoje, qualquer "contaminação" entre a ciência e a Palavra de Deus. Ao contrário, os Magos ouviram as profecias e acolheram-nas; e, logo que se puseram a caminho rumo a Belém, viram novamente a estrela, quase como confirmação de uma perfeita harmonia entre a busca humana e a Verdade divina, uma harmonia que encheu de alegria os seus corações de sábios autênticos (cf. Mt2, 10). O ápice do seu itinerário de busca foi quando se encontraram diante "do menino com Maria sua mãe" (Mt 2, 11). Diz o Evangelho que "se prostraram e o adoraram". Teriam podido ficar desiludidos, aliás, escandalizados. Mas não! Como verdadeiros sábios, estão abertos ao mistério que se manifesta de modo surpreendente; e com os seus dons simbólicos demonstram reconhecer em Jesus o Rei e o Filho de Deus. Precisamente com aquele gesto cumprem-se os oráculos messiânicos que anunciam a homenagem das nações ao Deus de Israel.

 

Um último pormenor confirma, nos Magos, a unidade entre inteligência e fé: é o facto de que, "avisados em sonho a não voltarem para junto de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho" (Mt 2, 12). Teria sido natural voltar a Jerusalém, ao palácio de Herodes e ao Templo, para dar realce à sua descoberta. Ao contrário, os Magos, que escolheram como seu soberano o Menino, guardaram-na no escondimento, segundo o estilo de Maria, ou melhor, do próprio Deus e, assim como tinham surgido, desapareceram no silêncio, satisfeitos, mas também transformados pelo encontro com a Verdade. Tinham descoberto um novo rosto de Deus, uma nova realeza: a do amor. Ajude-nos a Virgem Maria, modelo de verdadeira sabedoria, a ser autênticos pesquisadores da verdade sobre Deus, capazes de viver sempre a profunda sintonia que existe entre razão e fé, ciência e revelação.

 

Bento XVI, Angelus na Praça de São Pedro a 6 de Janeiro de 2010

 

Oração Universal

 

Irmãos, oremos a Deus Omnipotente

e imploremos a Sua misericórdia,

dizendo  confiadamente:

Ouvi, Senhor, a oração do Vosso povo.

 

1.     Para que o Santo Padre, os Bispos, Sacerdotes,

Diáconos, Religiosos e Leigos

anunciem o Evangelho ao mundo,

oremos, irmãos.

 

2.     Para que os ateus, os que não acreditam em Deus

e os que vacilam na Fé

aceitem Jesus Cristo que vem ao seu encontro,

oremos, irmãos.

 

3.     Para que os catequistas que dão testemunho da doutrina de Jesus

e os cristãos que pertencem a grupos de apostolado

levem os educandos e as outras pessoas a amar a Deus,

oremos, irmãos.

 

4.     Para que os membros da nossa comunidade (paroquial)

e nós mesmos, animados pela Fé,

vivamos com Jesus na Terra e no Céu,

oremos, irmãos.

 

5.     Para que os idosos que vivem a Fé com alegria constante,

os doentes e todos os que sofrem

continuem a rezar pela salvação do mundo,

oremos, irmãos.

 

6.     Para que os familiares, amigos falecidos

e todos aqueles que se purificam no Purgatório

alcancem a felicidade eterna,  prometida aos que têm Fé,

oremos, irmãos.

 

Senhor nosso Deus e nosso Pai,

dignai-Vos atender estas súplicas

e, por intercessão da  Virgem Santa Maria,

concedei-nos o que for melhor para nós.

Por N. S. J. C. Vosso Filho que é Deus Convosco

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Senhor, Tu és a luz, Az. Oliveira, NRMS 6(II)

 

Oração sobre as oblatas: Olhai com bondade, Senhor, para os dons da vossa Igreja, que não Vos oferece ouro, incenso e mirra, mas Aquele que por estes dons é manifestado, imolado e oferecido em alimento, Jesus Cristo, vosso Filho, Nosso Senhor, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio da Epifania: p. 460 [592-704]

 

No Cânone Romano diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio. Nas Orações Eucarísticas II e III faz-se também a comemoração própria.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Jesus Eucaristia está tão próximo de nós! Não recusemos recebê-l’O na Sagrada Comunhão, se estivermos devidamente preparados. Com Ele em nós não haverá lugar para dúvidas porque nos torna imensamente felizes.

 

Cântico da Comunhão: Uns Magos Vindo do Além, F. da Silva, NRMS 76

cf. Mt 2, 2

Antífona da comunhão: Vimos a sua estrela no Oriente e viemos com presentes adorar o Senhor.

 

Oração depois da comunhão: Iluminai-nos, Senhor, sempre e em toda a parte com a vossa luz celeste, para que possamos contemplar com olhar puro e receber de coração sincero o mistério em que por vossa graça participámos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Vivemos a nossa Fé aqui neste templo sagrado. Agora queremos dar testemunho do Senhor em casa, na sociedade, no mundo inteiro…

Maria Santíssima que nos ofereceu Jesus vai connosco para nos animar, abençoar e salvar.

 

Cântico final Exultai de Alegria no senhor, F. Silva, NRMS 87

 

Homilias Feriais

 

TEMPO DEPOIS DA EPIFANIA

 

2ª Feira, 7-I: Conversão e arrependimento.

1 Jo 3, 22-4, 6 / Mt 4, 12-17. 23-25

A partir de então, Jesus começou a dizer: Arrependei-vos, pois o reino de Deus está próximo.

São estas as primeiras palavras de Jesus, dirigidas à humanidade (Ev.)

«Convertei-vos! Converter-se é um termo de significado profundo. Quer dizer, na dimensão espiritual, mudar a direcção da própria vida: abrir-se à fé; passar da dissipação mundana à seriedade cristã, da desilusão e do desânimo à esperança e à alegria de uma existência plena de sentido. Arrepender-se quer dizer acreditar no Evangelho, familiarizar-se com os ensinamentos do Salvador, fazer com que se tornem norma do próprio viver quotidiano» (J. Paulo II, comentário 3º mistério luminoso).

 

3ª Feira, 8-I: A Eucaristia e o amor de Deus.

1 Jo 4, 7-10 / Mc 6, 34-44

Nisto consiste o amor: não fomos nós que amámos a Deus, foi Ele que nos amou e enviou o seu Filho.

«O Verbo fez-se carne, para que assim conhecêssemos o amor de Deus: ‘Assim se manifestou para connosco: Deus enviou ao mundo o seu Filho Unigénito para que vivamos por Ele’ (Leit.)» (CIC, 458).

Esse amor manifesta-se na Eucaristia: «Os milagres da multiplicação dos pães, quando o Senhor disse a bênção, partiu e distribuiu os pães pelos seus discípulos para alimentar a multidão, prefiguram a superabundância deste pão único da Eucaristia» (CIC, 1335).

 

4ª Feira, 9-I: A vocação do homem: o amor.

1 Jo 4, 11-18 / Mc 6, 45-52

Deus é amor. Quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus permanece nele.

«Deus é amor», e este amor foi derramado por Deus nas nossas almas pelo Espírito Santo, que nos foi concedido. «Deus, que criou o homem por amor, também o chamou ao amor, vocação fundamental de todo o ser humano. Porque o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, que é amor» (CIC, 1604).

É o amor que leva Jesus a andar sobre o mar, para ajudar os discípulos, que estavam extenuados de remar. Transmite-lhes a serenidade para vencerem o medo e enfrentarem as dificuldades. Assim faz com cada um de nós.

 

5ª Feira, 10-I: Diferentes formas de pobreza.

1 Jo 4, 19-5, 4 / Lc 4, 14-22

É este o mandamento que recebemos dele: quem ama a Deus, ame igualmente o seu irmão.

Jesus deu-nos exemplo deste amor, ao dar a vida pelos seus. Por isso nos pede que, como Ele, amemos os outros, incluindo os inimigos e os pobres: «Enviou-me a anunciar a Boa Nova aos pobres» (Ev.).

«O amor da Igreja pelos pobres faz parte da sua constante tradição. Esse amor respira-se no Evangelho das bem-aventuranças, na pobreza de Jesus e na sua atenção aos pobres. E este amor não se estende somente à pobreza material, mas também às numerosas formas de pobreza cultural e religiosa» (CIC, 2444).

 

6ª Feira, 11-I: Fé de que o Senhor nos cura nos Sacramentos.

1 Jo 5, 5-6. 8-13 / Lc 5, 12-16

A ver Jesus, caiu por terra e dirigiu-lhe esta súplica: Senhor, se quiseres, podes curar-me.

«A oração a Jesus já foi sendo atendida durante o seu ministério: Jesus atende a oração de fé expressa em palavras do leproso (Ev.)» (CIC, 2616). A seguir, Jesus estendeu a mão, tocou-lhe e dele saiu uma força que curou o leproso.

Por isso, nos sacramentos, Cristo continua a ‘tocar-nos’ para nos curar» (CIC, 1504). Aproximemo-nos com mais fé da Eucaristia ou da Confissão, mesmo que as nossas faltas sejam sempre as mesmas. Na Confissão são-nos aplicados os méritos da Paixão de Cristo, da Virgem Maria e de todos os Santos.

 

Sábado, 12-I: Um duro combate diário.

1 Jo 5, 14-21 / Jo 3, 22-30

Se alguém vir seu irmão cometer um pecado que não leva à morte… Há um pecado que leva a morte.

«Os pecados devem ser julgados segundo a sua gravidade. A distinção entre pecado mortal e venial, já perceptível na Escritura (Leit.), impôs-se na Tradição da Igreja. A experiência dos homens corrobora-a» (CIC, 1854).

Como sabemos que o mundo inteiro está sob o poder do Maligno (Leit.), a nossa vida é um grande combate: «Um duro combate contra os poderes das trevas atravessa toda a história dos homens. Empenhado nesta batalha, o homem vê-se na necessidade de lutar sem descanso para aderir ao bem» (CIC, 409).

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Aurélio Araújo Ribeiro

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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