Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo

Missa do Dia

25 de Dezembro de 2012

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Glória a Vós, Jesus Menino, J. Santos, NRMS 76

 

Is 9, 6

Antífona de entrada: Um Menino nasceu para nós, um Filho nos foi dado. Tem o poder sobre os seus ombros e será chamado Conselheiro admirável.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Hoje é o dia do Natal do Senhor! O Pai do Céu deu-nos os Seu Filho: por este Dom inefável, sentimo-nos a transbordar de alegria. O Filho de Deus, concebido por obra do Espírito santo no seio da Imaculada Virgem Maria e nascido na gruta de Belém, é perfeito Deus e perfeito Homem. Todo aquele que n’Ele crê tem a vida eterna.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que de modo admirável criastes o homem e de modo ainda mais admirável o renovastes, fazei que possamos participar na vida divina do vosso Filho que Se dignou assumir a nossa natureza humana. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O anúncio do profeta Isaías é repleto de alegria e entusiasmo pela chegada do senhor. Todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus.

 

Isaías 52, 7-10

7Como são belos sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia a paz, que traz a boa nova, que proclama a salvação e diz a Sião: «O teu Deus é Rei». 8Eis o grito das tuas sentinelas que levantam a voz. Todas juntas soltam brados de alegria, porque vêem com os próprios olhos o Senhor que volta para Sião. 9Rompei todas em brados de alegria, ruínas de Jerusalém, porque o Senhor consola o seu povo, resgata Jerusalém. 10O Senhor descobre o seu santo braço à vista de todas as nações e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus.

 

Esta página maravilhosa de Isaías que se refere à boa nova do fim do desterro trazida a Jerusalém pelos «belos pés do mensageiro que anuncia a paz», serve, na Liturgia de hoje, como de um hino triunfal a Cristo que vem à terra.

10 «O Senhor descobre o seu santo braço». Antropomorfismo que contém uma expressiva e frequente metáfora: o braço designa o poder e a força. Descobrir o braço é manifestar o poder.

 

Salmo Responsorial     Sl 97 (98), 1.2-3ab.3cd-4.5-6 (R. 3c)

 

Monição: O salmo que vamos meditar é uma aclamação cheia de alegria pela salvação que foi revelada a todas as nações.

 

Refrão:        Todos os confins da terra

                     viram a salvação do nosso Deus.

 

Cantai ao Senhor um cântico novo

pelas maravilhas que Ele operou.

A sua mão e o seu santo braço

Lhe deram a vitória.

 

O Senhor deu a conhecer a salvação,

revelou aos olhos das nações a sua justiça.

Recordou-Se da sua bondade e fidelidade

em favor da casa de Israel.

 

Os confins da terra puderam ver

a salvação do nosso Deus.

Aclamai o Senhor, terra inteira,

exultai de alegria e cantai.

 

Cantai ao Senhor ao som da cítara,

ao som da cítara e da lira;

ao som da tuba e da trombeta,

aclamai o Senhor, nosso Rei.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A carta aos Hebreus recorda-nos que Deus, ao chegar a plenitude dos tempos, nos falou pelo Seu Filho. Ele é o esplendor da glória de Deus. Escutemo-Lo.

 

Hebreus 1, 1-6

1Muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais, pelos Profetas. 2Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por seu Filho, a quem fez herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo. 3Sendo o Filho esplendor da sua glória e imagem da sua substância, tudo sustenta com a sua palavra poderosa. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, sentou-Se à direita da Majestade no alto dos Céus 4e ficou tanto acima dos Anjos quanto mais sublime que o deles é o nome que recebeu em herança. 5A qual dos Anjos, com efeito, disse Deus alguma vez: «Tu és meu Filho, Eu hoje Te gerei»? E ainda: «Eu serei para Ele um Pai e Ele será para Mim um Filho»? 6E de novo, quando introduziu no mundo o seu Primogénito, disse: «Adorem-n’O todos os Anjos de Deus».

 

Hebreus, o célebre escrito doutrinal e exortatório, começa com um prólogo solene que nos situa, sem rodeios, perante a suma dignidade da pessoa de Jesus Cristo, à semelhança do prólogo do Evangelho de S. João. Começa por mostrar que é n’Ele que o Pai nos fala e se revela de modo exaustivo e definitivo, em contraste com toda a revelação anterior, fragmentária, variada e feita numa fase da história da salvação já superada. «Falou-nos por seu Filho», por isso a história da salvação chegou ao seu apogeu e plenitude, de modo que já não há lugar para mais nenhuma revelação ulterior (cf. DV, 4). Como observa S. João da Cruz, o Pai tendo-nos dito a sua própria Palavra, já não tem mais outra palavra para nos dizer (cf. Subida ao Monte Carmelo, 2, 22).

3 «Esplendor da glória de Deus. Fórmula muito expressiva no original, mas dificilmente traduzível em toda a sua riqueza. O Filho é a irradiação da substância do Pai, distinto d’Ele, mas da mesma substância; é «Deus de Deus, luz de luz», como diz o símbolo de Niceia para exprimir a processão, ou origem do Filho no Pai, sendo com Ele um mesmo e único Deus.

«Imagem do ser divino». À letra, «reprodução da sua essência». Mais que imagem, quer significar, no original, a marca deixada pelo sinete no lacre, por um selo branco no papel, ou pela matriz na moeda cunhada. O Filho identifica-se com o Pai, quanto ao ser divino, mas esta imagem põe em evidência sobretudo a distinção de Pessoas na igualdade, como o cunho se distingue do objecto cunhado. A primeira expressão visa mais a identidade da natureza («esplendor», ou luz e irradiação).

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: Demos glória e louvor a Deus, pois hoje uma grande luz desceu sobre a Terra.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4,F. Silva, NRMS 50-51

 

Santo é o dia que nos trouxe a luz. Vinde adorar o Senhor.

Hoje, uma grande luz desceu sobre a terra.

 

 

Evangelho*

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa: São João 1, 1-18          Forma breve: São João 1, 1-5.9-14

1No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, 2Ele estava com Deus. 3Tudo se fez por meio d’Ele e sem Ele nada foi feito. 4N’Ele estava a vida e a vida era a luz dos homens. 5A luz brilha nas trevas e as trevas não a receberam. 16(Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João. 7Veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. 8Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz.). 9O Verbo era a luz verdadeira, que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem. 10Estava no mundo e o mundo, que foi feito por Ele, não O conheceu. 11Veio para o que era seu e os seus não O receberam. 12Mas, àqueles que O receberam e acreditaram no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. 13Estes não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. 14E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que Lhe vem do Pai como Filho Unigénito, cheio de graça e de verdade. 15(João dá testemunho d’Ele, exclamando: «Era deste que eu dizia: ‘O que vem depois de mim passou à minha frente, porque existia antes de mim’». 16Na verdade, foi da sua plenitude que todos nós recebemos graça sobre graça. 17Porque, se a Lei foi dada por meio de Moisés, a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. 18A Deus, nunca ninguém O viu. O Filho Unigénito, que está no seio do Pai, é que O deu a conhecer.)

 

A leitura evangélica de hoje é o prólogo do IV Evangelho, que constitui a chave para uma profunda compreensão de toda a obra do discípulo amado e da Pessoa adorável de Jesus Cristo: Ele é o Verbo incriado, o Deus Unigénito, que assumiu a nossa condição humana e nos oferece a possibilidade de ser filhos de Deus. Discute-se se o Evangelista compôs este texto para encabeçar a sua obra, ou se aproveitou algum hino litúrgico já existente (a que acrescentaria os vv. 6-9.13.15.17-18). Tem a forma dum poema em que os seus 18 versos se podem agrupar em 4 estrofes (vv. 1-5; 6-8; 9-13; 14-18), cada uma com uma ideia central, que se vai ampliando e esclarecendo progressivamente. Este prólogo é como uma solene abertura de uma grande obra musical, onde os grandes temas a desenvolver ao longo do Evangelho começam por ser apontados: o Verbo Incarnado, Luz e Vida dos homens, Messias e revelador do Pai, os testemunhos a seu favor, a resposta humana de aceitação ou de rejeição, bem como as consequências de transcendental importância que tem a dramática alternativa em que o homem é posto perante a pessoa de Jesus.

1 «No princípio». Esta expressão faz-nos pensar no início do Génesis, onde se falava da Primeira Criação, que culminou com a criação do homem; no IV Evangelho fala-se duma Nova Criação, a Redenção operada pelo Verbo Incarnado, que culmina na elevação do homem à dignidade de filho de Deus. A própria noção de «princípio» é diferente em Gn 1, 1 e em Jo 1, 1: lá designava o início do tempo, aqui exprime o princípio absoluto que transcende o tempo e nos situa na própria eternidade de Deus. É muito expressivo o imperfeito de duração do verbo grego «eimi» repetido no v. 1, com três matizes: havia ou existia, estava, era, em contraposição com o aoristo de verbo «gínomai» no v. 3: tudo «foi feito», ao passo que o Verbo «existia», permanecia na existência («havia o Verbo»)! Não é possível fazer uma afirmação mais forte e clara da divindade de Jesus – o Verbo que se fez homem (v. 14) – do que esta frase com que S. João inicia o seu Evangelho: «O Verbo era Deus». Com razão desde os Santos Padres o IV Evangelista é figurado pela águia (cf. Ez 1, 10), pois o seu voo sobe de chofre até às alturas da divindade de Cristo e o seu olhar aquilino penetra nas profundezas do mistério da Pessoa divina de Jesus, no seio da Santíssima Trindade.

3 «Tudo foi feito por Ele». Esta expressão não significa que o Verbo foi o meio ou instrumento de que o Pai se serviu para criar. Ele age juntamente com o Pai e com o mesmo e único poder. A preposição grega «diá» («por») não se usa com genitivo para indicar apenas a causa instrumental; também pode indicar a causa principal como é aqui o caso e em Rom 11, 36. Esta expressão também evidencia que o Verbo não é criatura, uma vez que tudo o que foi feito, foi feito por Ele, em aberto contraste com a sabedoria, que Provérbios e Eclesiástico personificam (Prov 8, 22 ss; Sir 1, 4; 24, 8-9), a qual foi criada e nasceu. Os Padres falam do Verbo como causa exemplar de todas as coisas.

4 «Vida». «Luz». São estes dois dos grandes temas do IV Evangelho (cf. Jo 8, 12; 14, 6). «A Vida era a Luz dos Homens»: o Verbo é a Luz da Vida (Jo 8, 12), Luz que conduz à Vida, Vida que é Luz, e Luz que é Vida. São dois conceitos que caracterizam a esfera da divindade, em oposição antagónica com as trevas, que são o reino de Satanás e seus sequazes. Este antagonismo que está patente ao longo dos escritos paulinos e joaninos, era corrente na literatura da época tanto judaica (em especial de Qumrã), como depois na gnóstica.

5 «As trevas não a receberam». Também se pode traduzir «não a compreenderam», ou «não a dominaram» (tendo em conta o contexto joanino da luta entre a luz e as trevas).

6-8 João não se interessa no seu Evangelho por nos dar a conhecer a vida ou a pregação moral do seu antigo mestre (Jo 1, 37 ss), mas não perde uma ocasião de pôr em realce o seu «testemunho» em favor de Jesus (Jo 1, 16.19.29.35; 3, 27; 5, 33). A insistência, em especial nestes versículos do prólogo (6-8.15) que interrompem o ritmo do poema, concretamente ao dizer que João «não era a Luz», pode dever-se a querer refutar os «joanitas», uma espécie de seita que seguia o Baptista, sem ter chegado a aderir a Cristo (cf. Act 19, 3-4).

9 Este versículo tem diversas traduções legítimas; a litúrgica segue a tradução preferível da Nova Vulgata, ao passo que a Vulgata dizia: «era a luz verdadeira que ilumina todo o homem que vem a este mundo».

10 «Não O conheceu», isto é, não O reconheceu como o Verbo de Deus e Salvador.

11 «Os seus» poderia designar o povo de Israel, enquanto propriedade de Deus (cf. Ex 19, 5; Dt 7, 6), mas parece designar, dado o paralelismo com o v. anterior, a humanidade no seu conjunto. A observação amarga de S. João (cf. Jo 12, 37) não tem vigência só para o dia de Natal (cf. Lc 2, 7) e para aqueles tempos, pois também cada um de nós sempre pode «acolher» melhor a Jesus.

12 «Deu-lhes o poder», isto é, concedeu-lhes a graça, dom e favor inteiramente gratuito que supera as possibilidades de qualquer criatura. «O Filho de Deus fez-se homem, para que os filhos dos homens, os filhos de Adão, se fizessem filhos de Deus... Ele é o Filho de Deus por natureza, nós pela graça» (Santo Atanásio).

13 «E estes». Textos muito antigos e de grande valor têm o singular – «Este» – (adoptado pela Bíblia de Jerusalém) referido a Jesus, indicando assim simultaneamente a concepção e o parto virginal da Santíssima Virgem (um nascimento sem sangue).

14 Duma penada, S. João exprime toda a riqueza do mistério do Natal, sem se deter a narrar os seus pormenores, como S. Lucas. «Fez-se carne» é um hebraísmo para dizer que Se fez homem; de qualquer modo, põe-se o acento no aspecto mortal e passível: o Verbo eterno, a Segunda Pessoa divina, torna-se um de nós, sem deixar de ser Deus, em tudo igual a nós, excepto no pecado (cf. Hbr 4, 15).

«Habitou», literalmente significa: «ergueu a sua tenda no meio de nós». Parece haver aqui uma alusão à presença de Deus no meio do seu povo, na nuvem branca que pairava, no deserto, sobre a Tenda da Reunião. Esta alusão torna-se mais clara, se temos em conta o texto original grego – «eskénôsen» (ergueu a tenda) – que tem uma certa assonância com «xekhiná» a presença de Deus no meio do Povo (cf. Ex 40, 34-38). Esta presença misteriosa, mas real, continua-se na Santíssima Eucaristia, «Incarnação continuada».

A «Glória» do Verbo incarnado, que S. João e os demais viram, é a manifestação externa da sua divindade: os seus milagres, a sua transfiguração, a sua ressurreição, etc.

«Filho Unigénito». S. João, ao longo de todo o seu Evangelho, tem o cuidado de sempre reservar um termo grego para designar Jesus como Filho do Pai – yiós –, usando outra palavra para se referir a nós, enquanto filhos de Deus: téknon (cf. v. 12). Nós «tornamo-nos» filhos de Deus, (v. 12), ao passo que Jesus é o Filho por natureza, igual ao Pai, o «Unigénito» (vv. 14.18). O termo «Unigénito» (muitos traduzem por «Único») presta-se a exprimir o que a Teologia veio a explicitar como a «geração» eterna, intelectual e única do Verbo no Pai.

«Cheio de graça e de verdade». S. João aplica ao Verbo incarnado a mesma definição que Yahwéh dá de Si mesmo a Moisés em Ex 34, 6: «Deus de muito amor e fidelidade». Por um lado, é mais uma referência à divindade de Cristo, por outro, põe em relevo as qualidades que resumem a grandeza do seu Coração de «pontífice misericordioso e fiel» (Hebr 2, 17).

16 «Graça sobre graça», isto é, graças em catadupa, umas atrás das outras, procedentes da plenitude de Cristo, como duma fonte inexaurível (cf. Jo 7, 37-39), ou também, como pensam alguns, «graça após graça», ou «graça em vez de graça» (Cristo-Moisés, Antiga-Nova Aliança), ou ainda «graça correspondente à graça» (a do Verbo: graça criada-graça incriada).

17 «Jesus Cristo» é aqui identificado explicitamente com o Verbo. A Lei mosaica limitava-se a dar normas, mas só por si não podia salvar ninguém, só a graça que Cristo nos trouxe a salvação.

18 «A Deus nunca ninguém O viu. Todas as «visões» de Deus eram indirectas, pois o homem não pode ver a Deus sem morrer (cf. Ex 19, 21; Is 6, 5), mas em Jesus temos a máxima manifestação de Deus à criatura nesta vida, a tal ponto que, mesmo sem contemplarmos a essência divina, quem vê a Jesus vê o Pai (Jo 14, 9). Com a Incarnação do Verbo temos a maior revelação de Deus à Humanidade.

«O Filho Unigénito, que está no seio do Pai». Outra variante possível na transmissão do texto original: «Deus Unigénito» (adoptada pela Nova Vulgata).

 

Sugestões para a homilia

 

1.     Hoje nasceu o nosso Salvador.

2.     Deus ama-nos.

3.     O Amor de Deus fez-se carne.

 

Hoje nasceu o nosso Salvador.

Hoje, caríssimos irmãos, nasceu o nosso Salvador. Alegremo-nos e exultemos. Não pode haver tristeza no dia em que nasce a Vida, uma Vida que destrói o temor da morte e nos infunde a alegria da eternidade prometida.

Ninguém é excluído desta felicidade, porque é comum a todos os homens a causa da nossa alegria: JESUS nosso Deus e Senhor, vencedor do pecado e da morte. Não tendo encontrado ninguém isento de culpa, veio para nos salvar a todos. Alegre-se o santo, porque se aproxima a vitória; alegre-se o pecador, porque lhe é oferecido o perdão; alegrem-se os que vivem nas trevas porque brilhou para eles a luz: “O povo que andava nas trevas viu uma grande Luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz começou a brilhar” (1ª leitura).

Desperta, tu que dormes, levanta-te de entre os mortos e Cristo te iluminará”.

Por ti Deus se fez homem! Terias morrido para sempre, se Ele não nascesse no tempo. Estarias condenado à miséria eterna, se não fosse a sua grande misericórdia. Não terias voltado à vida, se Ele não descesse ao encontro da morte. Que seria de nós, se Ele não viesse em nosso auxílio? Estaríamos perdidos sem remédio, se Ele não viesse salvar-nos.

Deus ama-nos.

O Mistério do Natal é um mistério de Amor. Diz-nos o Evangelista S. João: “Deus amou tanto o mundo que lhe deu o Seu Filho Unigénito…Deus não enviou o Seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para o salvar”. É o que repetimos sempre que professamos a nossa fé: “E por nós homens e para a nossa salvação desceu do Céu”.

Há uns anos, por ocasião de um Natal, a Beata Teresa de Calcutá, galardoada com o prémio Nobel da Paz em 1979, foi visitar uma leprosaria e disse àqueles leprosos desfigurados que Deus se fez homem e nasceu num presépio por amos de todos os homens, mas especialmente por amor deles, que eles eram muito queridos por Deus, que a sua doença não era nenhum pecado e que o pecado era o único mal que existia no mundo. Um deles tentou aproximar-se dela e disse-lhe: “Repita-me isso outra vez, porque caiu-me bem. Eu sempre ouvi dizer que ninguém nos ama, que ninguém quer saber de nós, que ninguém liga ao que a gente diz. É maravilhoso saber que Deus nos ama. Diga-me isso outra vez!

Deus ama-nos. “Deus é Amor e o que vive no amor permanece em Deus e Deus permanece nele” (1 Jo 4, 16).

O Amor de Deus fez-se carne.

Celebremos com alegria a vinda da nossa Salvação! Celebremos o dia feliz em que o Amor de Deus se fez carne e nasceu do seio puríssimo da Virgem Maria!

Glória a Vós, Virgem Maria, que nos deste o Pão do Céu! Com o vosso Sim fizestes de nós filhos de Deus e herdeiros da glória eterna! Bendita sejais!

Quando Jesus nasceu, os Anjos cantaram: «Glória Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Deus amados» (Lc 2, 14). Jesus é a nossa paz. O Filho de Deus fez-se Filho do Homem, para que os filhos dos homens se fizessem filhos de Deus. Que maior graça poderia brilhar para nós?!...

Diante de prodígio tão assombroso, só cabe uma atitude: cair de joelhos para adorá-Lo, agradecer a Deus tanta bondade, cantar-Lhe um cântico novo pelas maravilhas do Seu amor.

Beijemos o Menino Deus com devoção, adoremo-Lo sobretudo na Eucaristia onde Ele está vivo com Seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade, feito alimento para as nossas almas.

Um santo e feliz Natal para todos.

 

 

Oração Universal

 

Vibrando de alegria por estarmos junto do Senhor,

neste dia do Seu nascimento segundo a carne,

elevemos por Ele a Deus Pai as nossas súplicas

pela Santa Igreja, pelo mundo inteiro e por cada um de nós,

dizendo:

Ouvi-nos, Senhor!

 

1.     Para que a luz do Natal brilha para todos os homens

e reconheçam a Jesus como Deus e Salvador,

oremos, irmãos.

 

2.     Pelo Santo Padre Bento XVI,

para que a sua palavra seja bem recebida por todos os homens

como um clarão de esperança,

oremos, irmãos.

 

3.     Para que todos os cristãos, neste Natal,

renovem, à luz do presépio,

a sua fé e o seu amor,

oremos, irmãos.

 

4.     Pelas crianças abandonadas,

pelos doentes e pelos idosos,

para que neste Natal encontrem alívio para as suas dores,

oremos, irmãos.

 

5.     Para que os nossos familiares e amigos que já faleceram

passem um santo Natal no Céu,

na alegria dos Anjos e dos Santos,

oremos, irmãos.

 

Deus Pai, que nos destes a salvação em Jesus Cristo,

dignai-Vos ouvir as preces que humildemente Vos dirigimos.

Pelo mesmo Jesus Cristo, Vosso Filho,

que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: A Vida que Estava Junto do Pai, A. Cartageno, NRMS 56

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, a oblação que Vos apresentamos neste dia solene de Natal, em que nasceu para nós a verdadeira paz e reconciliação e se instituiu entre os homens a plenitude do culto divino. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio do Natal: p. 457 [590-702] ou 458-459

 

No Cânone Romano diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio. Também nas Orações Eucarísticas II e III se faz a comemoração própria.

 

Santo: Santo, F. da Silva, NRMS 99-100

 

Monição da Comunhão

 

“O Verbo fez-se carne e habitou entre nós”- a Sua carne é verdadeira comida e o Seu sangue é verdadeira bebida. Belém, onde quis nascer, significa casa do pão. O pão que Jesus nos dá na Eucaristia é a sua própria carne para a vida do mundo.

 

Cântico da Comunhão: O Verbo Fez-se Carne, Az. Oliveira, NRMS 47

 

Salmo 97, 3

Antífona da comunhão: Todos os confins da terra viram a salvação do nosso Deus.

 

Cântico de acção de graças: A Minha Alma Louva o Senhor, M. Carneiro, NRMS 76

 

Oração depois da comunhão: Nós Vos pedimos, Deus misericordioso, que o Salvador do mundo hoje nascido, assim como nos comunicou a sua vida divina, nos faça também participantes da sua imortalidade. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Foi com muita alegria que celebrámos os mistérios do Nascimento de Jesus, nosso Salvador. Vivamos este Natal com um amor mais intenso a Deus e ao próximo. Que mereçamos um dia participar da glória de Deus no Céu, depois de uma vida digna e cheia de boas obras.

 

Cântico final: Cantem, Cantem os Anjos, M. Faria, NRMS 56

 

Beijar o Menino: Vamos Todos a Belém, Az. Oliveira, NRMS 15

 

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO DO NATAL

 

4ª Feira, 26-XII: S. Estêvão: Características do pecado.

Act 6, 8-10; 7, 54-59 / Mt 10, 17-22

Estêvão dizia a seguinte oração: Senhor Jesus, recebe o meu espírito. E bradou com voz forte: Senhor, não os acuses deste pecado.

Na sua oração, Estêvão pedia a Deus que lhe concedesse a vida eterna e perdoasse aos seus carrascos (Leit.). A oração cristã vai até ao perdão dos inimigos. «O perdão é o cume da oração cristã; o dom da oração só pode ser recebido num coração em sintonia com a paixão divina. O perdão testemunha também que, no nosso mundo, o amor é mais forte que o pecado. Os mártires de ontem e de hoje dão este testemunho de Jesus. O perdão é a condição fundamental da reconciliação dos filhos de Deus com o seu Pai e dos homens entre si» (CIC, 2844).

 

5ª Feira, 27-XII: S. João: As riquezas de Cristo.

1 Jo 1, 1-4 / Jo 20, 2-8

O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, e as nossas mãos tocaram acerca do Verbo da Vida, é o que vos anunciamos.

João, conhecido como o discípulo amado (Ev.), obteve abundantes provas dessa amizade: recebeu um maior conhecimento dos mistérios da vida de Jesus; repousou a cabeça no peito do Senhor durante a Última Ceia; esteve junto à Cruz; recebeu Nª Senhora como sua Mãe e nossa Mãe.

Todas estas riquezas foram devidamente assimiladas e transmitidas (Leit.). Procuremos imitar o seu exemplo de fé, porque viu e acreditou (Ev.), e porque anunciou aquilo que aprendeu e contemplou nos anos passados junto do Senhor (Leit.).

 

6ª Feira, 28-XII: Santos Inocentes: O sofrimento e a Redenção.

1 Jo 1, 5-2, 2 /Mt 2, 13-18

Foge para o Egipto e fica lá até que eu te diga, pois Herodes vai procurar o Menino para o matar.

A fuga para o Egipto (Ev.) e a matança dos inocentes manifestam, já desde o princípio, a oposição a Cristo. Esta crueldade continua a manifestar-se nos nossos dias, e é levada a cabo por aqueles que querem eliminar Jesus da sociedade: são constantes os ataques à lei de Deus e aos ensinamentos do Papa.

Coloca-nos também o problema do sofrimento: «Jesus é a vítima de expiação pelos nossos pecados e também pelos do mundo inteiro» (Leit.). Com os nossos sofrimentos unimo-nos a Cristo para a salvação do mundo.

 

Sábado, 29-XII: A luz e o amor ao próximo.

1 Jo 2, 3-11 / Lc 2, 22-35

Porque os meus olhos viram a vossa salvação. Luz para se revelar aos pagãos e glória de Israel, vosso povo.

Quarenta dias depois do nascimento de Jesus, Maria e José levaram-no ao Templo, conforme previa a Lei de Moisés (Ev.). E Simão profetiza o aparecimento da luz (Ev.). «E as trevas estão a passar, e já brilha a luz verdadeira» (Leit.). Mas junto com essa alegria, Nª Senhora ouve a profecia do seu sofrimento, que há-de acompanhar todo o discípulo de Cristo.

Quem quiser andar na luz tem, por exemplo, que amar o seu próximo: «quem ama seu irmão permanece na luz» (Leit.).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Alfredo A. Melo

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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