4º Domingo do Advento

23 de Dezembro de 2012

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Sabei que o Nosso Deus, M. Simões, NRMS 24

 

Is 45, 8

Antífona de entrada: Desça o orvalho do alto dos Céus e as nuvens chovam o Justo. Abra-se a terra e germine o Salvador.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O Senhor manifesta, neste último Domingo do Advento, o 4.º sinal pelo qual poderemos reconhecer que Jesus é o Redentor prometido há muitos séculos ao Seu Povo: será Filho da sempre-virgem-Maria, descendente de David e nascerá em Belém.

É tempo de perguntarmos a nós mesmos se estamos realmente à espera de Jesus e se queremos, de facto que Ele venha, com toda a exigência do Seu amor por nós, agora que a oração da Igreja parece querer subir mais alto.

 

Acto penitencial

 

Muitas vezes, o nosso cristianismo tem caído na rotina. Contentamo-nos com uma série de práticas sem vida nem amor, enganando, deste modo, a fome que temos de Deus.

Peçamos perdão de ainda não estarmos verdadeiramente à espera de que o Senhor tome conta da nossa vida até aos mais pequenos pormenores e imploremos a Sua ajuda para o fazermos no futuro.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: que vida seria a nossa, neste momento e sempre,

    sem o Amigo íntimo a quem falamos dos nossos problemas?

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

•   Cristo: que pouco me diz o encontro convosco na Santa Missa,

    por causa da rotina e frieza em que nos vamos deixando cair!

    Cristo, tende piedade de nós!

 

    Cristo, tende piedade de nós!

 

•   Senhor Jesus: Que sentido teriam os nosso passos dados nesta vida,

    se não caminhássemos para a comunhão eterna convosco no Céu?

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Infundi, Senhor, a vossa graça em nossas almas, para que nós, que pela anunciação do Anjo conhecemos a encarnação de Cristo vosso Filho, pela sua paixão e morte na cruz alcancemos a glória da ressurreição. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Miqueias anuncia a restauração de Israel realizado pelo Messias, que nascerá em Belém. Sugere que este mundo novo que Jesus, o descendente de David, vem propor é um dom do amor de Deus. O nome de Jesus é “a Paz”. Ele vem propor-nos um “reino” de paz e de amor, não construído com a força das armas, mas edificado e acolhido no coração de cada pessoa.

 

Miqueias 5, 1-4a

1Eis o que diz o Senhor: «De ti, Belém-Efratá, pequena entre as cidades de Judá, de ti sairá aquele que há-de reinar sobre Israel. As suas origens remontam aos tempos de outrora, aos dias mais antigos. 2Por isso Deus os abandonará até à altura em que der à luz aquela que há-de ser mãe. Então voltará para os filhos de Israel o resto dos seus irmãos. 3Ele se levantará para apascentar o seu rebanho pelo poder do Senhor, pelo nome glorioso do Senhor, seu Deus. Viver-se-á em segurança, porque ele será exaltado até aos confins da terra. 4aEle será a paz».

 

Em face da situação grave que pesava sobre o povo com as invasões assírias, no século VIII a. C., o Profeta tem palavras de esperança; após a ruína virá a restauração, que se fará por meio dum descendente de David. A profecia projecta-nos para um futuro de segurança e de paz, para tempos messiânicos.

1 «De ti sairá aquele…». Tanto a tradição judaica (cf. Rut 4, 11; 1 Sam 16, 1-13; 17, 12; e o Talmud: Pesahim 51, 1; Nedarim 39, 2) como a cristã (cf. Mt 2, 4-6; Jo 7, 40-42) entenderam esta profecia como referida ao lugar do nascimento de Cristo em Belém. «Beth-léhem» significa «casa do pão»; «Efratá» (fecunda) distingue-a de outra Belém, na Galileia.

«Pequena entre as cidades…». S. Mateus (Mt 2, 4-6) cita este texto fazendo dele uma leitura actualizada para mostrar que em Jesus se cumpre esta profecia de Miqueias. Para isso recorre ao deraxe: um recurso de actualização próprio da hermenêutica judaica (aqui o chamado al-tiqrey: «não leias»), que tem em conta que em hebraico não se escreviam as vogais: assim, a palavra hebraica com que se diz «as cidades de» (alfey) é lida com outras vogais de modo a significar «as principais (príncipes) de» (al-lufey). É assim que Mateus pode dizer, não falseando o texto, mas interpretando-o: «não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá».

«As suas origens remontam...» A expressão hebraica presta-se a designar uma origem anterior ao tempo, portanto, eterna e divina. Assim pensam muitos exegetas católicos, recorrendo à analogia com Is 9, 5.

2 «Aquela que há-de ser mãe». Esta maneira de falar faz pensar numa alusão à célebre profecia de Isaías 7, 14, conhecida dos destinatários do oráculo, coisa aliás compreensível, uma vez que já teriam passado uns anos.

4 «Ele será a Paz». Em Ef 2, 14 parece haver uma citação desta passagem messiânica.

 

Salmo Responsorial     Sl 79 (80), 2ac.3b.15-16.18-19 (R.4)

 

Monição: Perante a opressão que o faz sofrer, o Povo de Deus implora a misericórdia do Altíssimo e a Sua ajuda para alcançar a libertação. Jerusalém foi devastada e sofreu uma incursão do Reino do Norte, e o Povo de Israel recorda, nesta oração do salmo 80, que é o rebanho do Senhor.

A poucos dias da celebração do Natal, manifestemos ao nosso Deus, com o texto deste salmo, que desejamos ardentemente a Sua vinda aos nossos corações.

 

Refrão:        Senhor nosso Deus, fazei-nos voltar,

                     mostrai-nos o vosso rosto e seremos salvos.

 

Ou:               Mostrai-nos, Senhor, o vosso rosto

                     e seremos salvos.

 

Pastor de Israel, escutai,

Vós estais sobre os Querubins, aparecei.

Despertai o vosso poder

e vinde em nosso auxílio.

 

Deus dos Exércitos, vinde de novo,

olhai dos céus e vede, visitai esta vinha;

protegei a cepa que a vossa mão direita plantou,

o rebento que fortalecestes para Vós.

 

Estendei a mão sobre o homem que escolhestes,

sobre o filho do homem que para Vós criastes.

Nunca mais nos apartaremos de Vós,

fazei-nos viver e invocaremos o vosso nome.

 

Segunda Leitura

 

Monição: O autor da Carta aos Hebreus coloca nos lábios de Cristo, ainda no seio materno, palavras que exprimem a perfeita concordância com a vontade do Pai: «Eu venho, ó Deus, para fazer a tua vontade».

Sugere que a missão libertadora de Jesus vem estabelecer uma relação de comunhão e de proximidade entre Deus e os homens. É necessário que os homens acolham esta proposta com disponibilidade e obediência – à imagem de Jesus Cristo – num “sim” total ao projecto de Deus.

 

Hebreus 10, 5-10

Irmãos: 5Ao entrar no mundo, Cristo disse: «Não quiseste sacrifício nem oblações, mas formaste-Me um corpo. 6Não Te agradaram holocaustos nem imolações pelo pecado. 7Então Eu disse: ‘Eis-Me aqui; no livro sagrado está escrito a meu respeito: Eu venho, ó Deus, para fazer a tua vontade’». 8Primeiro disse: «Não quiseste sacrifícios nem oblações, não Te agradaram holocaustos nem imolações pelo pecado». E no entanto, eles são oferecidos segundo a Lei. 9Depois acrescenta: «Eis-Me aqui: Eu venho para fazer a tua vontade». Assim aboliu o primeiro culto para estabelecer o segundo. 10É em virtude dessa vontade que nós fomos santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita de uma vez para sempre.

 

O autor inspirado aplica a Cristo, «ao entrar no mundo» (bela maneira de designar a sua Incarnação), o Salmo 40 (39), que, literalmente, não é considerado um salmo messiânico, mas em que ele descobre um sentido oculto (que se pode chamar um sentido típico ou plenário, e não mera acomodação) que, ao fim e ao cabo, exprime não só a atitude interior de Cristo, mas também o alcance redentor da sua vinda ao mundo. Com efeito, Cristo sabe que aquilo que é exterior ao homem (como era o caso do sangue dos animais oferecidos no culto levítico) tem uma ineficácia radical para agradar a Deus e salvar do pecado a Humanidade (cf. v. 11). Por isso Ele intervém, de modo definitivo, oferecendo-Se a si mesmo em sacrifício, numa homenagem de obediência livre e plena, «de uma vez para sempre» (v. 10) – «eis-me aqui: Eu venho para fazer a tua vontade» (v. 9). Foi assim que «aboliu o culto antigo» (centrado na oferta de animais a Deus), «para estabelecer o segundo» e novo culto sempre vivo a actuante na Liturgia da Igreja, que na Eucaristia torna presente o único sacrifício de Cristo.

5 «Formaste-me um corpo»: Como habitualmente em Hebreus, a citação do Salmo também é feita segundo a versão grega dos LXX, que, embora substancialmente idêntica ao original hebraico («abriste-me me os meus ouvidos»), é muito mais expressiva para designar o mistério da Incarnação.

 

Aclamação ao Evangelho          Mt 1, 38

 

Monição: Nossa Senhora ensina-nos, no mistério da Anunciação, que é no acolhimento sereno e generoso da vontade do Senhor que poderemos contribuir para um mundo novo.

Aclamemos o Evangelho que ensina tão preciosa verdade, cantando aleluia.

 

Aleluia

 

Cântico: J. Duque, NRMS 21

 

Eis a escrava do Senhor:

faça-se em mim segundo a vossa palavra.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 1, 39-45

39Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direcção a uma cidade de Judá. 40Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo 42e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. 43Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? 44Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. 45Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor».

 

Os exegetas descobrem neste relato uma série de ressonâncias vétero-testementárias, o que corresponde não apenas ao estilo do hagiógrafo, mas sobretudo à sua intenção teológica de mostrar como na Mãe de Jesus se cumprem as figuras do A.T.: Maria é a verdadeira e nova Arca da Aliança (comparar Lc 1, 43 com 2 Sam 6, 9 e Lc 1, 56 com 2 Sam 6, 11) e a verdadeira salvadora do povo, qual nova Judite (comparar Lc 1, 42 com Jdt 13, 18-19) e qual nova Ester (Lc 1, 52 e Est 1 – 2).

39 «Uma cidade de Judá». A tradição diz que é Ain Karem, uma bela povoação a 6 Km a Oeste da cidade nova de Jerusalém. De qualquer modo, ficaria a uns quatro ou cinco dias de viagem de Nazaré (uns 150 Km). Maria empreende a viagem movida pela caridade e espírito de serviço. A «Mãe do meu Senhor» (v. 43) não fica em casa à espera de que os Anjos e os homens venham servir a sua rainha; e Ela mesma, que se chama «escrava do Senhor» (v. 38), «a sua humilde serva» (v. 48), apressa-se em se fazer a criada da sua prima e de acudir em sua ajuda. Ali permanece, provavelmente, até depois do nascimento de João, uma vez que S. Lucas nos diz que «ficou junto de Isabel cerca de três meses» Se Lucas diz que «regressou a sua casa» antes de relatar o nascimento de João, isso deve-se a uma técnica de composição literária chamada «de eliminação» (arrumar um assunto de vez antes de passar a outro, independentemente da sucessão real dos factos), do gosto de São Lucas (ver tb. Lc 1, 80 e 2, 7; 3, 20 e 21; 22, 15-18 e 22, 19-20, sem a interrupção que aparece nos outros Sinópticos: vv 21-23).

42 «Bendita és Tu entre as mulheres». Superlativo hebraico: a mais bendita de todas as mulheres.

43-44 «A Mãe do meu Senhor». As palavras de Isabel aparecem como proféticas, fruto duma luz sobrenatural que faz ver que o mexer-se do menino no ventre (v. 41) não era casual, mas que «exultou de alegria» para saudar o Messias e sua Mãe. É natural que esta reflexão de fé já circulasse nas fontes familiares dos Evangelhos da Infância.

 

Sugestões para a homilia

 

• O verdadeiro rosto de Jesus Cristo

Dom do Pai

Filho de Maria sempre Virgem

Ele será a paz

• Maria, Sacrário vivo

Resplandece em caridade

Leva Jesus ao encontro de João

Aclamada por todas as gerações

 

1. O verdadeiro rosto de Jesus Cristo

Miqueias foi contemporâneo, ao menos durante alguns anos, do Profeta Isaías e procurou levar o Povo de Deus ao arrependimento dos seus pecados, alternando os seus oráculos com ameaças de castigo e promessas de libertação.

 

a) Dom do Pai. «De ti, Belém-Efratá, pequena entre as cidades de Judá, de ti sairá aquele que há-de reinar sobre Israel

A maior inteligência humana não poderia nunca idealizar o plano de resgate que Deus estabeleceu para nós. A Segunda Pessoa da Santíssima Trindade assumiu a nossa natureza humana, com todas as suas limitações, à excepção do pecado; e, uma vez Deus e Homem verdadeiro, apresentou-Se diante do pai como nosso representante, com todo o poder que Lhe vem da Sua condição divina, a saldar a nossa dívida contraída pelo pecado dos nossos primeiros pais e pelos de cada um de nós.

Jesus dirá o encontro com Nicodemos: «Deus amou de tal modo o mundo, que lhe deu o seu Filho Unigénito, para que todo aquele que nele acreditar não pereça, mas tenha a vida eterna.» (Jo 3, 16).

Jesus que o Pai nos oferece no mistério da Incarnação é o maná divino que Ele nos oferece nesta caminhada pelo deserto da vida até à terra da promissão.

Belém significa ‘Casa do Pão’, porque era fecunda em cereais e rebanhos. Ali morreu Raquel, mãe de José do Egipto (Jz 17,7; Mt 2,5; Sam 17, 12); nos seus campos respigou Rute, a Moabita, e nasceu David e os seus companheiros de aventura: Joab e os valentes guerreiros que o seguiram. Para lá se dirigiu o profeta Samuel, enviado por Deus para ungir David como rei.

 

b) Filho de Maria sempre Virgem. «Por isso Deus os abandonará até à altura em que der à luz aquela que há-de ser mãe

Maria aparece na profecia de Miqueias como sinal da benevolência de Deus para com o Seu Povo. Ele voltará a amparar o Povo de Deus quando Maria for Mãe de Jesus.

Na mãe de família concretiza-se a unidade de todos irmãos, e mesmo de todo um povo.

Maria é também uma bênção para a Igreja, porque nos dá Jesus e é Mãe de todos nós. Por isso, a devoção a Nossa Senhora não é apenas mais uma entre tantas que encontramos, porque o seu lugar na Igreja e na nossa vida, pelo querer de Deus, é único.

Como sinal da bênção de Deus, Ela é o caminho mais fácil e seguro para o Senhor. Nada está perdido enquanto houver no coração uma réstia de amor a Maria. A história dá-nos muitas provas disto mesmo.

Bênção de Deus e sinal da sua solicitude por nós são as manifestações particulares na vida da Igreja. Basta pensarmos na de Lourdes e Fátima.

Este momento da Liturgia é também uma oportunidade que O Senhor nos concede para nos examinarmos sobre o lugar que Ela ocupa na nossa vida.

 

c) Ele será a paz. «Viver-se-á em segurança, porque ele será exaltado até aos confins da terra. Ele será a paz

Antes de tudo, é preciso entender de que paz falamos. Imaginamo-la como preguiça, ausência de esforço, vida sem luta e sem contrariedades de maior. Sonhamos com uma utopia que não é possível na vida presente, e muito menos na outra, onde não entram defeitos.

A paz é a tranquilidade na ordem. Não na desordem: com o cumprimento dos deveres e exercício dos direitos.

A ordem tem uma sequência obrigatória: Deus, os outros e nós. Muitas vezes saltamos fora deste caminho e colocamos o nosso egoísmo à frente de tudo e de todos.

Esta paz só existe se começar pela paz de consciência – uma consciência bem formada – que implica o estado de graça e o esforço por fazer a vontade de Deus.

Quando a paz começa por esta profundidade, é fácil que sejamos depois construtores da paz entre os nossos semelhantes.

Todas as outras formas de paz que se procuram podem ter como motivo a boa vontade, mas são ineficazes.

2. Maria, Sacrário vivo

O Autor da Carta aos Hebreus coloca nos lábios d Jesus Cristo, ainda no sei imaculado de Maria, as palavras de perfeita entrega à vontade do Pai. «Eis-Me aqui: Eu venho para fazer a tua vontade».

Ela é, desde o momento da Incarnação, um sacrário vivo, o primeiro Sacrário do mundo. A ida a casa de Isabel foi a primeira procissão teofórica do mundo.

Para acompanharmos Maria na sua caminhada para Belém, temos necessidade de imitar as suas virtudes

 

a) Resplandece em caridade. «Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direcção a uma cidade de Judá

Maria aparece na visitação a santa Isabel como um modelo de caridade.

Disponibilidade. Vai apressadamente a casada sua parente, sem adiamentos, desculpas ou demoras. Teria muitos motivos para adiar este encontro: a vida que mudara radicalmente, depois da Anunciação; a pouca idade para a viagem; os perigos da jornada; a urgência que tinha em preparar o enxoval e acompanhar de perto o evoluir da situação, junto da família.

A caridade, para ser verdadeira, não permite qualquer adiamento, porque não se pode reservar para quando nos apetecer ou não tivermos mais nada para fazer.

Coragem. Uma jovem de 16 anos lança-se numa viagem de mais de cem quilómetros, sem olhar às dificuldades.

É verdade que procurou as garantias humanas possíveis: integrada numa caravana, depois de ter consultado os pais e obtido a sua autorização, possivelmente com a companhia de S. José.

Partilha. Maria disponibiliza em favor da família de Isabel o tempo, a alegria e a sua aptidão pessoal para ajudar.

Quantas ‘caridades’ neste Natal que têm em vista apenas a imprensa, a fotografia ou a TV!

 

b) Leva Jesus ao encontro de João. «Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio

O Espírito Santo marca presença nesta visita: “Isabel ficou cheia de Espírito Santo”, como consequência, a graça opera: “Logo que a tua voz soou aos meus ouvidos, o menino exultou de alegria no meu seio.”.

E tudo isto se opera pelo gesto carinhoso de Maria de saudar santa Isabel, e pela sua disponibilidade em servi-los e acompanhar a família neste fim de gravidez.

“De onde me vem a mim que venha visitar-me a Mãe do meu Senhor?” Quando nos encontramos de verdade com Nossa Senhora, rejubilamos na paz e na alegria

Há muitos modos de levar Jesus ao encontro das pessoas, desde procuremos trazê-lo no coração.

Temos de defender a vida em graça nas almas com a mesma coragem, pelo menos, com que defendemos a vida natural. Sem isso não há amizade verdadeira e não ajudamos as pessoas.

Precisamos imitá-l’O no seu acolhimento às pessoas, sem distinção de idade, de sexo ou condição social. Temos, isso sim. De nos adaptar com inteligência e sensibilidade às diversas circunstâncias em que as pessoas vivem.

 

c) Aclamada por todas as gerações. «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre

Numa visão profética que não perturba a sua humildade, Maria compreende que será exaltada em virtude da sua missão, mas está consciente de que tudo n’Ela é obra do Altíssimo.

Isabel coloca-a em primeiro lugar entre todas as mulheres que viveram, vivem e hão-de viver.

Quando fala de gerações, fala de cada um de nós. Exaltar Maria com cânticos, louvores e orações – especialmente a do terço, em que repetimos insistentemente a saudação do Arcanjo – é cumprir um desígnio do Altíssimo. Ao fazê-lo, estamos a cantar as maravilhas de Deus.

Não há santidade sem amor a Nossa Senhora, porque seria contra os planos de Deus. Foi o Senhor quem A colocou neste lugar eminente e deseja que o reconheçamos.

O Natal que se aproxima é, pois, festa do nascimento de Jesus, mas também festa própria para atentarmos mais na grandeza da Mãe de Deus.

Será pedir muito que do programa da noite de Consoada faça parte a recitação do Terço em comum, por toda a família, com cânticos?

Nesta Celebração da Eucaristia podemos deixar-nos tocar pelo Senhor, ao receber a Sagrada Comunhão, depois de termos sido tocados pela Sua palavra.

Que este contacto divino produza em cada um de nós os frutos do encontro de Maria com Isabel e João Baptista.

 

Fala o Santo Padre

 

«O Natal não é uma fábula para crianças, mas a resposta de Deus

ao drama da humanidade em busca da verdadeira paz.»

 

Queridos irmãos e irmãs!

Com o 4º Domingo do Advento, o Natal do Senhor já está diante de nós. A liturgia, com as palavras do profeta Miqueias, convida a olhar para Belém, a pequena cidade da Judeia testemunha do grande acontecimento: "Mas tu, Bet-Ephrata, tão pequena entre as famílias de Judá, / é de ti que me há-de sair / aquele que governará em Israel. / As suas origens remontam aos tempos antigos, / aos dias do longínquo passado" (Mq 5, 1). Mil anos antes de Cristo, Belém tinha visto nascer o grande rei David, que as Escrituras concordam em apresentar como antepassado do Messias. O Evangelho de Lucas narra que Jesus nasceu em Belém porque José, o esposo de Maria, sendo da "casa de David", teve que ir àquela cidade para o recenseamento, e precisamente nesses dias Maria deu à luz Jesus (cf. Lc 2, 1-7). De facto, a mesma profecia de Miqueias prossegue mencionando precisamente um nascimento misterioso: "Deus abandonará o seu povo diz até ao tempo em que der à luz aquela que há-de dar à luz, / e em que o resto dos seus irmãos voltará / para junto dos filhos de Israel" (Mq 5, 2). Há portanto um desígnio divino que inclui e explica os tempos e os lugares da vinda do Filho de Deus ao mundo. É um desígnio de paz, como anuncia ainda o profeta, falando do Messias: "Ele permanecerá firme e apascentará o rebanho com a força do Senhor, / e com a majestade do nome do Senhor, seu Deus. / Haverá segurança porque ele será grande / até aos confins da terra. / Ele próprio será a paz" (Mq 5, 3-4).

 

Precisamente este último aspecto da profecia, o da paz messiânica, nos leva naturalmente a ressaltar que Belém é também uma cidade símbolo da paz, na Terra Santa e no mundo inteiro. Infelizmente, nos nossos dias, ela não representa uma paz alcançada e estável, mas uma paz cansativamente procurada e esperada. Mas Deus nunca se resigna a esta situação, e por isso também este ano, em Belém e no mundo inteiro, renovar-se-á na Igreja o mistério do Natal, profecia de paz para cada homem, que compromete os cristãos a entrarem nos fechamentos, nos dramas, muitas vezes desconhecidos e escondidos, e nos conflitos do contexto no qual se vive, com os sentimentos de Jesus, para se tornarem em toda a parte instrumentos e mensageiros de paz, para levar amor onde há ódio, perdão onde há ofensa, alegria onde há tristeza e verdade onde há erro, segundo as bonitas expressões de uma conhecida oração franciscana.

 

Hoje, como nos tempos de Jesus, o Natal não é uma fábula para crianças, mas a resposta de Deus ao drama da humanidade em busca da verdadeira paz. "Ele próprio será a paz!" diz o profeta referindo-se ao Messias. Compete a nós abrir, de par em par, as portas para o receber. Aprendamos de Maria e de José: ponhamo-nos com fé ao serviço do desígnio de Deus. Mesmo se não o compreendemos plenamente, confiemo-nos à sua sabedoria e bondade. Procuremos antes de tudo o Reino de Deus, e a Providência ajudar-nos-á. Bom Natal a todos!

 

Bento XVI, Angelus na Praça de São Pedro a 20 de Dezembro de 2009

 

Oração Universal

 

(Do livro oficial Oração universal ou a seguinte)

 

Irmãos e irmãs:

Exultando com a proximidade do nascimento do Salvador,

Ajudemo-nos uns aos outros a prepará-lo dignamente,

rogando ao Senhor pelas necessidades de todo o mundo.

Oremos (cantando):

 

    Vinde, Senhor! Por Vós esperamos!

 

1.     Pelo Santo Padre, com todo o Colégio Episcopal,

    para que não se canse de defender a vida humana,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde, Senhor! Por Vós esperamos!

 

2. Pelas mães que esperam o nascimento de um filho,

    para que sejam bem acolhidas na sua bela missão,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde, Senhor! Por Vós esperamos!

 

3. Pelas pessoas que se dedicam a cuidar das crianças,

    para que vejam em cada uma delas Jesus Menino,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde, Senhor! Por Vós esperamos!

 

4. Pelas pessoas que estão de luto recente neste Natal,

    para que possam contar com alguma presença amiga,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde, Senhor! Por Vós esperamos!

 

5. Pelos que vêm de longe celebrar o Natal com os seus,

    para que o Senhor recompense o seu esforço e os ajude,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde, Senhor! Por Vós esperamos!

 

6. Pelos nossos irmãos que Deus chamou à Sua presença,

    para que, pela Sua misericórdia, descansem em paz,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde, Senhor! Por Vós esperamos!

 

Senhor, que nos prometeis a Vossa visita,

neste Natal de Salvação que se aproxima:

ajudai-nos a prepará-lo com fé e diligência,

para que seja penhor da bem-aventurança.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Jesus, na Sua vida Pública, proclamou a Palavra do Pai e confirmou-a com muitos milagres. Só depois instituiu a Santíssima Eucaristia, na noite da Última Ceia.

Mandou que imitássemos este Seu gesto em cada Missa. Proclamada a Palavra de Deus, segue-se a consagração do pão e do vinho que a nossa generosidade colocou sobre o altar.

Convida-nos agora a participar, com profundo recolhimento, no Seu gesto magnânimo da Última Ceia em que se tornou nosso alimento.

Com profunda gratidão, avivemos a nossa fé, confiança n’Ele e Amor.

 

Cântico do ofertório: O Anjo do Senhor, M. Simões, NRMS 31

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, os dons que trazemos ao vosso altar e santificai-os com o mesmo Espírito que, pelo poder da sua graça, fecundou o seio da Virgem Santa Maria. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio do Advento II: p. 455 [588-700]

 

Santo: Santo III, H. Faria, NRMS 103-104

 

Saudação da Paz

 

A paz tem de começar no coração de cada um de nós pela vida em graça e por um esforço generoso orientado em ordem a cumprir os mandamentos da lei de Deus que se resumem no mandamento novo do Amor.

Com profunda humildade e generosidade sincera, perdoemos aos nossos irmãos e aceitemos ser perdoados.

Com este desígnio,

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

O mesmo Senhor que é fruto do ventre puríssimo da Virgem santa Maria, nasceu em Belém e morreu por nós no Calvário, ressuscitando ao terceiro dia, oferece-se agora como nosso alimento.

Se nos preparámos convenientemente, pela vida longe do pecado mortal e um esforço para O amarmos cada vez mais, aproximemo-nos a comungá-l’O com fé, reverência e amor.

 

Cântico da Comunhão: Eu estou à porta chamo, F. Silva, NRMS 22

cf. Is 7, 14

Antífona da comunhão: A Virgem conceberá e dará à luz um filho. O seu nome será Emanuel, Deus-connosco.

 

Cântico de acção de graças: Cantai um cântico novo, J. Santos, NRMS10 (II)

 

Oração depois da comunhão: Tendo recebido neste sacramento o penhor da redenção eterna, nós Vos pedimos, Senhor: quanto mais se aproxima a festa da nossa salvação, tanto mais cresça em nós o fervor para celebrarmos dignamente o mistério do Natal do vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Vamos continuar na vida a celebração desta Eucaristia, pelo trabalho, pela vida em família e pela convivência humana.

Estejamos atentos. Pode ser que são José bata a nossa porta, na pessoa de um necessitado, a pedir ajuda.

Não respondamos que não temos tempo, disponibilidade ou que lhe dar. Especialmente neste Ano da Fé, sejamos generosos.

 

Cântico final: Exultai de Alegria no Senhor, M. Carneiro, NRMS 21

 

 

Homilia FeriaL

 

4ª SEMANA

 

2ª Feira, 24-XII: A restauração da semelhança com Deus.

2 Sam 7, 1-5, 8-11. 16 / Lc 1, 67-79

(Zacarias): Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e libertou o seu povo, e nos fez surgir poderosa salvação na família de seu pai David.

O profeta Natã comunica a David que a casa e a realeza deste permanecerão para sempre (Leit.). E a mesma profecia é feita por Zacarias, recordando o juramento feito por Deus a Abraão (Ev.).

O homem, desfigurado pelo pecado, mantém a ‘imagem’ de Deus, à ‘imagem do Filho’, mas ficou privado da ‘semelhança’. Mas Deus promete a Abraão uma descendência, em que o seu próprio Filho assumirá a ‘imagem’ e restaurará a ‘semelhança’ como Pai (CIC, 705).

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilia Ferial:                      Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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