3º Domingo do Advento

16 de Dezembro de 2012

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Preparai os caminhos do Senhor, M. Carneiro, NRMS 95-96

 

cf. Filip 4, 4.5

Antífona de entrada: Alegrai-vos sempre no Senhor. Exultai de alegria: o Senhor está perto.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Muitas pessoas pensam que só temos duas alternativas na vida: ser bons cristãos, e viver tristes; ou não ter qualquer compromisso, e andar cheios de alegria. Esta mentira afecta principalmente os mais novos, convencidos de que os compromissos com Deus são uma prisão, inimigos da verdadeira liberdade e alegria.

Mais uma vez o Inimigo trocou os sinais para nos enganar, colocando-os ao contrário. Os que compram a alegria passageira, para algumas horas, mergulham depois numa tristeza asfixiante; os que se comprometem a sério com Deus são felizes. Seremos capazes de apontar um único santo triste?

A Liturgia da Palavra deste 3.º Domingo do Advento lembra-nos, uma vez mais esta verdade. A caminhada preparando o Natal é inseparavelmente um tempo de alegria. 

 

Acto penitencial

 

Apesar dos ensinamentos do Senhor, muitas vezes deixamo-nos desorientar pelos caminhos das falsas alegrias, afastando-nos de Deus, fonte de toda a alegria.

Reconheçamo-lo humildemente e prometamos, uma vez mais e ajudados pelo Senhor, recomeçar o caminho.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Para a nossa falta de fé, nas dificuldades e tentações da vida

    que nos leva, por vezes, a cair na tristeza e no pessimismo,

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Para as falsas alegrias em que nos deixamos aprisionar,

    quando nos deixamos cair em pecados e infidelidades,

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Para as nossas faltas de testemunho alegre e optimista

    nas conversas de tom negativo e sem horizontes de fé,

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

 

Oração colecta: Deus de infinita bondade, que vedes o vosso povo esperar fielmente o Natal do Senhor, fazei-nos chegar às solenidades da nossa salvação e celebrá-las com renovada alegria. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Sofonias, um dos profetas menores, cujo nome significa “o Senhor protege”, que em todo o “caminho de conversão”, espera-nos o nosso Deus que nos ama.

O Seu amor não se limita só perdoar as nossas faltas, mas anima-nos à conversão pessoal, transforma-nos e renova-nos. Daí o convite à alegria: Deus está no meio de nós, ama-nos e, apesar de tudo, insiste em fazer caminho connosco.

 

Sofonias 3, 14-18a

14Clama jubilosamente, filha de Sião; solta brados de alegria, Israel. Exulta, rejubila de todo o coração, filha de Jerusalém. 15O Senhor revogou a sentença que te condenava, afastou os teus inimigos. O Senhor, Rei de Israel, está no meio de ti e já não temerás nenhum mal. 16Naquele dia, dir-se-á a Jerusalém: «Não temas, Sião, não desfaleçam as tuas mãos. 17O Senhor teu Deus está no meio de ti, como poderoso salvador. Por causa de ti, Ele enche-Se de júbilo, renova-te com o seu amor, exulta de alegria por tua causa, 18acomo nos dias de festa».

 

Magnífico hino de júbilo a Sião, um cântico de esperança de salvação dirigido ao «resto» (cf. v. 13) que pela sua fidelidade sobreviverá às tremendas calamidades que o profeta anuncia. Uma leitura cristã (lectio divina) do belíssimo texto enquadra-se às mil maravilhas nesta quadra litúrgica; por um lado, condiz com o tom de alegria deste Domingo, por outro, faz pensar nas palavras de Gabriel à Virgem Maria (cf. Lc 1, 28.30.48); daí que condiz bem com este texto a tradução da saudação angélica «avé!» por «alegra-te!».

«Filha de Sião», «Filha de Jerusalém», forma poética de se dirigir aos habitantes da cidade, e mesmo a todos os israelitas (como aqui sucede). A Igreja é o novo «Israel de Deus», «o monte Sião» (cf. Gal 4, 26; 6, 16; Hbr 12, 22; Apoc 14, 1; 21).

«Sião» (etimologicamente lugar seco) era a cidadela da capital, Jerusalém. Inicialmente designava a fortaleza conquistada por David aos jebuseus, a colina oriental de Jerusalém (Ofel), que começou a ser chamada «cidade de David», para onde este transladou a arca da aliança. Quando Salomão construiu o Templo, a Norte de Sião, e para lá levou a arca, também se começou a dar a esse lugar o nome de Sião. Depois veio a designar o conjunto da cidade de Jerusalém, ou todos os seus habitantes e mesmo todo o povo de Israel. Na tradição cristã, veio a dar-se uma confusão acerca da localização topográfica do monte Sião, ao situá-lo no Cenáculo, na colina ocidental da cidade alta. Esta confusão parece ter origem em que o Cenáculo foi considerado a sede da primitiva Igreja de Jerusalém, o novo «monte Sião», segundo Hbr 12, 22 e Apoc 14, 1. A Arqueologia esclarece estes locais.

 

Salmo Responsorial     Is 12, 2-3.4bcd.5-6 (R. 6)

 

Monição: O profeta Isaías descreve o regresso dos deportados em Babilónia à sua terra e coloca em seus lábios um salmo de acção de graças ao Senhor.

Agora que percorremos o caminho do regresso do pecado aos braços libertadores do nosso Deus, façamos dele a nossa oração.

 

Refrão:        Exultai de alegria,

                     porque é grande no meio de vós o Santo de Israel.

 

Ou:               Povo do Senhor, exulta e canta de alegria.

 

Deus é o meu Salvador,

Tenho confiança e nada temo.

O Senhor é a minha força e o meu louvor.

Ele é a minha salvação.

 

Tirareis água com alegria das fontes da salvação.

Agradecei ao Senhor, invocai o seu nome;

anunciai aos povos a grandeza das suas obras,

proclamai a todos que o seu nome é santo.

 

Cantai ao Senhor, porque Ele fez maravilhas,

anunciai-as em toda a terra.

Entoai cânticos de alegria, habitantes de Sião,

porque é grande no meio de vós o Santo de Israel.       

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo, na Carta aos cristãos da cidade de Filipos, na Macedónia, dirige-lhes, desde a prisão de Roma onde se encontra, um solene apelo à alegria, dando testemunho dela perante as outras pessoas.

A razão para o fazer é uma verdade que vivemos com peculiar actualidade neste 3.º Domingo do Advento: O Senhor está próximo e devemos entregar-Lhe as nossas preocupações.

 

Filipenses 4, 4-7

Irmãos: 4Alegrai-vos sempre no Senhor. Novamente vos digo: alegrai-vos. 5Seja de todos conhecida a vossa bondade. O Senhor está próximo. 6Não vos inquieteis com coisa alguma; mas em todas as circunstâncias, apresentai os vossos pedidos diante de Deus, com orações, súplicas e acções de graças. 7E a paz de Deus, que está acima de toda a inteligência, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.

 

A carta é um escrito da prisão, num tom muito familiar e predominantemente exortatório, incitando a perseverar na vida cristã, apresentada como um desporto sobrenatural (3, 13-16). Ela tem aqui o «seu ponto culminante» (H. Schlier).

4 «Alegrai-vos sempre no Senhor». A alegria é uma nota típica desta epístola (cf. 1, 3.18.25; 2, 2.17.18.28-29; 3, 1; 4, 1.10) e da vida do cristão. É uma virtude para viver «sempre», pois não tem o seu fundamento em nada de efémero, mas «no Senhor», na certeza de que Deus é Pai providente, que «está próximo» – «no meio de ti» (cf. 1ª leitura); é uma alegria sobrenatural. A leitura, que fornece o mote do canto de entrada, deu origem à designação deste 3.º Domingo do Advento como Domingo Gaudete, com manifestações de alegria pela proximidade da vinda de Cristo: flores no altar, paramentos cor de rosa…

 

Aclamação ao Evangelho          Is 61, 1 (cf. Lc 4, 18)

 

Monição: O profeta Isaías apresenta-se como profeta da Boa Nova da Salvação. A Liturgia entrega-nos as suas palavras que são a palavra do Senhor, para a aclamarmos.

Cantemos as alegrias da nossa fé, agora que nos preparamos para acolher o Evangelho.

 

Aleluia

 

Cântico: Az. Oliveira, NRMS 36

 

O Espírito do Senhor está sobre mim:

enviou-me a anunciar a boa nova aos pobres.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 3, 10-18

Naquele tempo, 10as multidões perguntavam a João Baptista: «Que devemos fazer?» 11Ele respondia-lhes: «Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma; e quem tiver mantimentos faça o mesmo». 12Vieram também alguns publicanos para serem baptizados e disseram: «Mestre, que devemos fazer?» 13João respondeu-lhes: «Não exijais nada além do que vos foi prescrito». 14Perguntavam-lhe também os soldados: «E nós, que devemos fazer?» Ele respondeu-lhes: «Não pratiqueis violência com ninguém nem denuncieis injustamente; e contentai-vos com o vosso soldo». 15Como o povo estava na expectativa e todos pensavam em seus corações se João não seria o Messias, 16ele tomou a palavra e disse a todos: «Eu baptizo-vos com água, mas está a chegar quem é mais forte do que eu, e eu não sou digno de desatar as correias das suas sandálias. Ele baptizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo. 17Tem na mão a pá para limpar a sua eira e recolherá o trigo no seu celeiro; a palha, porém, queimá-la-á num fogo que não se apaga». 18Assim, com estas e muitas outras exortações, João anunciava ao povo a Boa Nova».

 

Continuamos hoje a ouvir a pregação daquele que veio a preparar os caminhos do Senhor, a sua vinda. A sua pregação tinha provocado uma forte sacudidela nas consciências, por isso temos hoje, num trecho exclusivo de S. Lucas, uma repetida pergunta, muito do seu gosto: «Que devemos fazer?» (vv. 10.12.14; cf. Lc 10, 25; 18, 18; Act 2, 37; 22, 10). A conversão (pregada pelo Baptista) leva sempre a atitudes concretas de mudança de vida, vida nova que implica interrogar-se sobre deveres morais que se têm de cumprir, recorrendo a quem possa esclarecer a nossa consciência, uma vez que para actuar bem não basta actuar com «consciência certa, ou segura», mas é preciso actuar com «consciência verdadeira» (de acordo com a lei moral objectiva). Nesta formação da consciência para actuar segundo a vontade de Deus, devem-se ter muito em conta os deveres profissionais e do próprio estado, como é o caso aqui dos empregados do fisco (publicanos), dos soldados…

16 «Baptizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo». Os exegetas, em geral, pensam que João profetiza o Sacramento do Baptismo – que dá o Espírito Santo e que purifica – embora alguns, tendo em conta o contexto – «a pá» de joeirar, «limpar a eira, recolher o trigo, queimar a palha» (cf. Mt 13, 42) – pensem que o Baptista não sai da perspectiva vétero-testamentária e que toma o baptismo em sentido figurado: seria o juízo escatológico anunciado pelos profetas, que o Messias levaria a cabo com a sua vinda no fim dos tempos. João Baptista, numa perspectiva do A.T., uniria a primeira à segunda vinda do Messias, a primeira em que veio como Salvador e a segunda em que virá como Juiz. Uma coisa é certa: João reconhece a insuficiência e o carácter transitório do seu baptismo, que não podia dar o Espírito Santo prometido em abundância para os dias do Messias, nem purificar a fundo as consciências. Por outro lado, na linguagem de Lucas parece haver uma alusão ao Pentecostes (cf. Act 1, 5; 2, 3-4).

 

Sugestões para a homilia

 

• A alegria dos filhos de Deus

Convite do Senhor à alegria

A reconciliação, caminho para a alegria

Viver em Deus, fonte da alegria

• Caminho do Advento, caminho da alegria

Desprendimento, para estar alegre

Construir a paz

Viver a justiça

 

1. A alegria dos filhos de Deus

 

A meio do Advento, a liturgia faz-nos um chamamento à verdadeira alegria. Com isto ensina-nos que ela não só não é incompatível com uma preparação séria para a vinda do Senhor, mas é um dos seus frutos.

 

a) Convite do Senhor à alegria. «Clama jubilosamente, filha de Sião; solta brados de alegria, Israel

O Senhor, por meio do profeta Sofonias, convida o Seu Povo à alegria. Haverá algum pai ou mãe que goste de ver um filho triste?

A tristeza pode ser manifestação de doença – a depressão é uma delas – ou da falta de fé: estamos desiludidos com as pessoas ou sentimo-nos incapazes de resolver os nossos problemas, porque não encontramos apoio.

Outras vezes nasce do pecado: tínhamos procurado a felicidade no pecado, contra a vontade de Deus e vemo-nos defraudados; pode ainda ser fruto da soberba: sonhámos em ser o centro do mundo, e as pessoas não nos dão a importância a que julgamos ter direito.

A alegria, o sorriso e a gargalhada teatral não são a mesma coisa. Tudo depende da fonte de onde brotam.

Há quem ria faltando à caridade, porque se ri dos outros, dos seus erros ou limitações, do mal que lhes acontece; ou da malícia, manifestando a podridão que se traz no interior.

Só há verdadeira alegria quando brota do Amor de Deus, e da caridade para com os outros. A verdadeira alegria nasce da fé na filiação divina, da confiança no Pai. Por isso, é inseparável da paz.

Esta confiança em Deus leva-nos a entregar-Lhe os problemas, depois de termos feito o que está na nossa mão para os resolver.

Sorrir também pode ser um sacrifício, se o fizermos por caridade ou exprimir por meio dela a nossa confiança em Deus.

 

b) A reconciliação, caminho para a alegria. «O Senhor revogou a sentença que te condenava, afastou os teus inimigos

Se o pecado é uma escravidão que nos rouba a liberdade e a alegria, a conversão pessoal é o caminho da libertação e da alegria.

Não é por acaso que o sacramento da reconciliação e penitência é chamado por muitos o sacramento da alegria. Todos nós o temos experimentado.

Nele são quebradas as algemas que nos atavam ao demónio e recebemos ali o abraço do nosso Pai, como um filho pródigo que regressa a casa.

O que verdadeiramente nos torna tristes e infelizes é teimar em permanecer agarrados ao que nada vale, recusando a libertação que o Senhor nos oferece.

O mesmo se diga da reconciliação com os nossos semelhantes. Quando somos capazes de vencer o orgulho e oferecer generosamente a reconciliação aos que nos ofenderam, sentimos em nós o conforto do Espírito Santo.

Um acto de contrição, no meio do trabalho ou no silêncio da nossa noite é o modo prático de ir renovando sempre a alegria.

 

c) Viver em Deus, fonte da alegria. «O Senhor teu Deus está no meio de ti, como poderoso salvador

Teremos alegria na medida em que deixarmos que o Senhor conduza a nossa vida pela Sua Lei.

Quando olhamos a vida e os acontecimentos iluminados pela fé, verificamos que o pessimismo não faz sentido. Como poderia o Senhor, que é Pai, abandonar os Seus filhos, deixando-os no meio das dificuldades? Confiemos n’Ele.

Por isso recomenda S. Tiago menor na sua carta: «Está alguém triste entre vós? Faça oração.» Quando nos sentirmos deprimidos, incapazes de resolver os problemas, paremos alguns momentos diante do Sacrário ou no silêncio do nosso quarto, para orarmos, veremos como tudo passa a ser diferente.

O que renova o mundo em que vivemos e o transforma não é o medo, mas o amor de Deus. O medo provoca insegurança, pessimismo, angústia, sofrimento, bloqueamento de energias e sentimentos; o amor é que nos faz crescer, e cria dinamismos de superação, tornando-nos mais humanos; faz-nos confiar uns nos outros, levando-nos ao encontro e à comunhão...

2. Caminho do Advento, caminho da alegria

Nos dias em que João Baptista prega no deserto da Judeia há uma grande expectativa. Os que já conhecem o Antigo Testamento sabem que se completaram as 70 semanas de Daniel e a vinda do Messias está eminente. Por isso vão ao seu encontro as multidões e pedem-lhe conselho em ordem a prepararem-se para a sua vinda.

Como eles, também nós havemos perguntar, nesta parte final do Advento: «Que devemos fazer

Recolhamos os três conselhos de S. João Baptista, apropriados a cada situação na vida.

 

a) Desprendimento, para estar alegre. «Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma; e quem tiver mantimentos faça o mesmo».

O desprendimento não é uma afirmação de miséria, mas de liberdade. Os bens que o Senhor confia ao nosso uso são bons. Mas não nos podemos deixar escravizar por eles, como não deve acontecer com a comida e com tantos outros bens que Deus pôs ao nosso uso.

A verdade é que nós criamos facilmente necessidades artificiais – hábitos, dependências, obsessões – e acabamos por fabricar ídolos das coisas que usamos.

Temos de pedir a libertação delas e viver atentos para não criar novas escravidões.

Os soldados na frente de batalha, os doentes internados, uma pessoa ao despedir-se deste mundo experimentando como é realmente pouco aquilo de que precisamos.

Neste contexto faz-nos bem prescindir de vez em quando daquilo a que estamos habituados: um café, um bolo, o tabaco, o carro quando não é rigorosamente necessário, um programa de Televisão e tantas outras dependências que criamos.

Nesta ordem de ideias está o dar a quem precisa, tendo o cuidado de não alimentar vícios ou defeitos.

No tempo do Natal que se aproxima necessitamos maior atenção, porque somos dominados facilmente pelo consumismo.

 

b). Construir a paz. «Não pratiqueis violência com ninguém, nem denuncieis injustamente».

O Senhor proclama «bem-aventurados – felizes – os pacíficos, os construtores da paz, porque serão chamados filhos de Deus. (Mt 5, 5).»

Construímos a paz com os pensamentos, as palavras e as atitudes.

Não construímos a paz pelos pensamentos, mas a desavença quando, por princípio, julgamos sempre más as intenções dos outros.

As nossas palavras tanto podem construir a paz, a harmonia, a concórdia, como espalhar a desavença e atear o ódio. A murmuração presta-se muito a isso. Precisamos de ter sumo cuidado com o que dizemos.

Também no relacionamento com as outras pessoas, com as nossas atitudes, facilmente reclamamos aquilo a que não temos direito, provocando a desordem e o desentendimento entre todos.

Como poderíamos possuir a verdadeira alegria, se passamos o tempo a atear incêndios de desavenças no meio em que vivemos?

Para construirmos a paz temos necessidade de a vivermos no nosso íntimo. Como poderia ser construtor da paz alguém que não a tivesse no seu íntimo?

 

c) Viver a justiça. «contentai-vos com o vosso soldo

Muita gente vive infeliz porque nunca se contenta com que tem. Estão com a boca cheia de comida a pensar na que está na boca dos outros.

S. João Baptista aconselha os ouvintes a contentar-se com aquilo a que têm direito. Não é fácil vivermos com o que temos.

Verificamos que hoje se fala muito em direitos, mas pouco ou nada em deveres, em obrigações. Este cuidado tem de começar na família e temos necessidade de nos ajudarmos muito uns aos outros.

Somos propensos a exigir ser servidos e nunca a servir. Damos trabalho aos outros desnecessariamente, ou guardamo-lo para quem vier depois, por preguiça e falta de sensibilidade.

O Senhor dá-nos exemplo desta liberdade que está por dentro da alegria que manifesta na vida pública.

O Seu desprendimento, no nascimento, na vida e na morte vai até aos limites.

Toda a Sua vida é uma construção de paz entre os homens. Os anjos, em Belém, proclamam-n’O Príncipe da Paz.

E ensina-nos a viver a justiça, chamando a atenção para as usurpações que encontra no caminho.

Que o nosso encontro com Ele, em cada Domingo, com a ajuda de Nossa Senhora, nos ajude a viver estas virtudes que estão no segredo da verdadeira alegria.

 

Fala o Santo Padre

 

«O presépio é uma escola de vida, da qual podemos aprender o segredo da verdadeira alegria.»

 

Queridos irmãos e irmãs!

Já estamos no terceiro domingo do Advento. Hoje na liturgia ressoa o convite do apóstolo Paulo: "Alegrai-vos sempre no Senhor, repito, alegrai-vos... O Senhor está perto" (Fl 4, 4-5). A mãe Igreja, enquanto nos acompanha rumo ao Santo Natal, ajuda-nos a redescobrir o sentido e o gosto da alegria cristã, tão diversa da alegria do mundo.[…]

 

É para mim motivo de alegria saber que nas vossas famílias se conserva o hábito de fazer o presépio. Mas não é suficiente repetir um gesto tradicional, embora seja importante. É preciso procurar viver na realidade de todos os dias aquilo que o presépio representa, isto é, o amor de Cristo, a sua humildade, a sua pobreza. […] O presépio é uma escola de vida, da qual podemos aprender o segredo da verdadeira alegria. Ela não consiste em ter muitas coisas, mas em sentir-se amado pelo Senhor, em fazer-se dom para os outros e em querer-se bem. Olhemos para o presépio: Nossa Senhora e São José não parecem ser uma família coroada de êxito; tiveram o seu primogénito entre grandes indigências; contudo estão repletos de alegria interior, porque se amam, se ajudam e sobretudo porque estão certos de que na sua história é Deus quem age, o Qual se fez presente no pequenino Jesus. E os pastores? Que motivo teriam para se alegrar? Aquele recém-nascido não mudará certamente a sua condição de pobreza nem de marginalização. Mas a fé ajuda-os a reconhecer no "menino envolvido em panos, e colocado numa manjedoura" o "sinal" do cumprir-se das promessas de Deus para todos os homens "que Ele ama" (cf. Lc 2, 12-14), também para eles!

 

Eis, queridos amigos, em que consiste a verdadeira alegria: é o sentir que a nossa existência pessoal e comunitária é visitada e colmada por um grande mistério, o mistério do amor de Deus. Para rejubilar precisamos não só de coisas, mas de amor e de verdade: precisamos de um Deus próximo, que conforta o nosso coração, e responde às nossas profundas expectativas. Este Deus manifestou-se em Jesus, nascido da Virgem Maria. Por isso aquele Menino, que colocamos na cabana ou na gruta, é o centro de tudo, é o coração do mundo. Rezemos para que cada homem, como a Virgem Maria, possa acolher como centro da própria vida o Deus que se fez Menino, fonte da verdadeira alegria.

 

Bento XVI, Angelus na Praça de São Pedro a 13 de Dezembro de 2009

 

Oração Universal

 

(Do livro oficial Oração universal ou a seguinte)

 

Irmãos e irmãs:

 

O Senhor chamou-nos a esta vida na terra,

para vivermos felizes como filhos de Deus,

preparando uma eternidade feliz com Ele.

Peçamos-Lhe nos ajude a conseguir esta graça,

para nós e para todos os homens nossos irmãos.

Oremos (cantando):

 

    Dai-nos, Senhor, a verdadeira alegria!

 

1. Pelo Santo Padre, Bispos, Presbíteros e Diáconos,

    para que nos ajudem a preparar o Natal de Jesus,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a verdadeira alegria!

 

 2. Pelos que estão tristes, porque não encontram ajuda,

    para que o Senhor os conforte  nas suas dificuldades,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a verdadeira alegria!

 

3. Pelos doentes, idosos, abandonados e encarcerados,

    para que sejam ajudados sempre por cada um de nós,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a verdadeira alegria!

 

4. Pelos jovens, que procuram as verdadeiras alegrias,

    para que não se deixem enganar pelos exploradores,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a verdadeira alegria!

 

5. Por cada um de nós, presente nesta Celebração,

    para que saibamos encontrar na oração a alegria,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a verdadeira alegria!

 

6. Pelos nossos irmãos que o Senhor já chamou a Si,

    para que possam participar das alegrias eternas,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a verdadeira alegria!

 

Senhor, que nos ensinais os caminhos da alegria,

para que os sigamos com fidelidade crescente:

ajudai-nos a viver agora como Vós nos ensinais,

a fim de que comunguemos da Vossa alegria.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

Na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Jesus Cristo, nesta Celebração da Eucaristia em que estamos a participar, vive connosco que o se passou na Última Ceia. Proferiu uma longa exortação dirigida aos Apóstolos e consagrou o pão e o vinho, transubstanciando-os no Seu Corpo e Sangue.

Agradeçamos-Lhe as verdades que nos ensinou na Mesa da palavra, e avivemos a nossa fé, agora que Ele vai renovar este gesto de consagração, pelo ministério do sacerdote.

 

Cântico do ofertório: O Espirito de Deus Repousou, Az. Oliveira, NRMS 58

 

Oração sobre as oblatas: Fazei, Senhor, que a oblação deste sacrifício se renove sempre na vossa Igreja, de modo que a celebração do mistério por Vós instituído realize em nós plenamente a obra da salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio do Advento I: p. 453 [586-698] ou II p. 455 [588-700]

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Saudação da Paz

 

Monição da Comunhão

 

O Senhor realiza em nosso favor o mais generoso gesto de amor. Não se limita a dar-nos alguma coisa, mas dá-Se-nos na sagrada Comunhão.

Era pedir-nos muito que estejamos em graça e O recebamos com fé, amor e devoção?

 

Cântico da Comunhão: Senhor, Eu Creio que sois Cristo, F. Silva, NRMS 67

 

cf. Is 35, 4

Antífona da comunhão: Dizei aos desanimados: Tende coragem e não temais. Eis o nosso Deus que vem salvar-nos.

 

 

Oração depois da comunhão: Concedei, Senhor, pela vossa bondade, que este divino sacramento nos livre do pecado e nos prepare para as festas que se aproximam. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Sejamos na vida semeadores de paz e de alegria, no meio de quantos partilham connosco a existência.

Ensinemos a todos a procurar a verdadeiras fontes da alegria.

 

Cântico final: Não Demoreis, ó Salvador, F. Borda, NRMS 31

 

 

Homilias Feriais

 

3ª SEMANA

 

2ª Feira, 17-XII:Invocar o nome de Jesus.

Gen 49, 2. 8-10 / Mt 1, 1-17

(Jacob): O ceptro não há-de fugir a Judá, até que venha aquele que lhe tem direito e a quem os povos hão-de obedecer.

Jacob anuncia a seus filhos a vinda do Messias (Leit.). E é precisamente da sua descendência que foi gerado Jesus, muitos séculos depois: «José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo» (Ev.).

«Jesus, ‘Iavé salva’. O nome de Jesus contém tudo: Deus e o homem e toda a economia da criação e da salvação. Rezar ‘Jesus’ é invocá-lo, chamá-lo a nós» (CIC, 2666). Preparemo-nos para chamá-lo pelo seu nome, para que esteja sempre presente em todas as nossas acções e nos ajude a vencer as tentações.

 

3ª Feira, 18-XII: O nome de José.

Jer 23, 5-8 / Mt 1, 18-24

Dias virão em que farei surgir para David um rebento justo. Será um verdadeiro rei e agirá com sabedoria.

O profeta anuncia a vinda do Salvador, como descendente messiânico de David (Leit. e CIC, 437). É José, filho de David, que receberá a mensagem do Anjo, que lhe comunica o nascimento de Jesus (Ev.).

«O Evangelho é a revelação em Jesus Cristo, da misericórdia de Deus para com os pecadores. O Anjo assim o disse a José: ‘Pôr-lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o seu povo dos pecados» (CIC, 1846). O nome de José significa em hebreu ‘Deus acrescentará’, isto é, o que recebe graças porque cumpre a vontade de Deus (Ev.).

 

4ª Feira, 19-XII: Programa de preparação para o Natal.

Jz 13, 2-7. 24-25 / Lc 1, 5-25

O Anjo do Senhor apareceu a essa mulher e disse-lhe: És estéril e não tens tido filhos, mas hás-de conceber e terás um filho.

Uma mulher estéril, esposa de Manoá, recebe a visita do Anjo do Senhor, que lhe anuncia o nascimento de um filho, Sansão (Leit.). O mesmo acontecerá com Isabel, esposa de Zacarias, que deu à luz João Baptista (Ev.).

João Baptista foi enviado a fim de preparar os caminhos do Senhor: «A assembleia deve preparar-se para o encontro com o seu Senhor, ser um ‘povo bem disposto’ (Ev.). A graça do Espírito Santo procura despertar a fé, a conversão do coração e a adesão à vontade do Pai» (CI, 1098).

 

5ª Feira, 20-XII: O consentimento de Nª Senhora.

Is 7, 10-14 / Lc 1, 26-38

Há-de a Virgem conceber e dar à luz um filho, a quem porá o nome de ‘Emanuel’.

Já no proto-Evangelho se anunciava a escolha de Nª Senhora. Isaías diz como se dará o nascimento do Messias, que está prestes a realizar-se, à espera do ‘sim’ de Nª Senhora (Ev.).

«O Pai das misericórdias quis que a aceitação, por parte da que Ele predestinara para Mãe, precedesse a Encarnação, para que, assim como uma mulher contribuiu para a morte, também outra mulher contribuísse para a vida» (CIC, 488). Procuremos imitar Nª Senhora no seu Advento, dizendo mais vezes que ‘sim’ ao que Deus nos pede.

 

6ª Feira, 21-XII: Os frutos da obediência da fé.

Sof 3, 14.18 / Lc 1, 39-45

Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.

Cheia de alegria, porque tem o Senhor dentro do seu ventre: «O Senhor está no meio de ti» (Leit.), Maria dirige-se a casa de Isabel, que a recebe com grandes louvores: «Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre» (Ev.).

«Depois da saudação do Anjo, fazemos também  nossa a de Isabel. Maria é ‘bendita entre as mulheres’, porque acreditou na palavra do Senhor. Pela sua fé tornou-se a mãe dos crentes, graças a quem todas as nações da terra recebem Aquele que é a própria bênção de Deus: Jesus, ‘bendito fruto do vosso ventre’» (CIC, 2676).

 

Sábado, 22-XII: Acto de adoração a Deus.

1 Sam 1, 24-28 / Lc 1, 46-56

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador.

Ana levou o seu filho Samuel para o entregar ao serviço do Senhor (Leit.), e o seu coração exulta de alegria no Senhor (S. Resp.). Também Nª Senhora, transportando o Filho de Deus no seu ventre, faz chegar a Deus um cântico de louvor (Ev.).

«Adorar a Deus é, como no Magnificat, louvá-lo, exaltá-lo e humilhar-se, confessando com gratidão que Ele fez grandes coisas e que o seu Nome é santo (Ev.). A adoração do Deus único liberta o homem de se fechar sobre si próprio, da escravidão do pecado e da idolatria do mundo» (CIC, 2097).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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