2º Domingo do Advento

9 de Dezembro de 2012

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Senhor virá no esplendor, Az. Oliveira, NRMS 64

 

cf. Is 30, 19.30

Antífona de entrada: Povo de Sião: eis o Senhor que vem salvar os homens. O Senhor fará ouvir a sua voz majestosa na alegria dos vossos corações.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Queremos preparar bem o Natal que se aproxima, acolher a Jesus que vem até nós. Vamos avivar a nossa fé. Com ela podemos apreciar as maravilhas de Deus, que continuam a realizar-se no mundo em que vivemos.

 

Preparar o caminho do Senhor é reconhecer os nossos pecados e pedir perdão. Aproveitemos este momento para o fazer.

 

Oração colecta: Concedei, Deus omnipotente e misericordioso, que os cuidados deste mundo não sejam obstáculo para caminharmos generosamente ao encontro de Cristo, mas que a sabedoria do alto nos leve a participar no esplendor da sua glória. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Baruc anuncia o regresso do cativeiro de Babilónia, convidando Jerusalém à alegria com as maravilhas que Deus vai realizar, que se concretizarão sobretudo na vinda do Messias prometido.

 

Baruc 5, 1-9

1Jerusalém, deixa a tua veste de luto e aflição e reveste para sempre a beleza da glória que vem de Deus. 2Cobre-te com o manto da justiça que vem de Deus e coloca sobre a cabeça o diadema da glória do Eterno. 3Deus vai mostrar o teu esplendor a toda a criatura que há debaixo do céu; 4Deus te dará para sempre este nome: «Paz da justiça e glória da piedade». 5Levanta-te, Jerusalém, sobe ao alto e olha para o Oriente: vê os teus filhos reunidos desde o Poente ao Nascente, por ordem do Deus Santo, felizes por Deus Se ter lembrado deles. 6Tinham-te deixado, caminhando a pé, levados pelos inimigos; mas agora é Deus que os reconduz a ti, trazidos em triunfo, como filhos de reis. 7Deus decidiu abater todos os altos montes e as colinas seculares e encher os vales, para se aplanar a terra, a fim de que Israel possa caminhar em segurança, na glória de Deus. 8Também os bosques e todas as árvores aromáticas darão sombra a Israel, por ordem de Deus, 9porque Deus conduzirá Israel na alegria, à luz da sua glória, com a misericórdia e a justiça que d’Ele procedem.

 

O autor apresenta-se como estando no exílio de Babilónia; felicita jubilosamente Jerusalém, ao mesmo tempo que anuncia a sua restauração e o regresso dos cativos, com uma linguagem de sabor escatológico e messiânico, à maneira de Isaías, de quem retoma as ideias e as próprias expressões poéticas, como se pode ver: v. 1 – Is 52, 1; v, 2 – Is 61, 10; v. 7 – Is 40, 3.4; v. 8 – Is 41, 19; v. 9 – Is 40, 10-11; 42, 16; 52, 12. Também são notáveis as semelhanças com a literatura sapiencial (cf. Salm 126), o que leva a situar a obra entre os livros proféticos e os sapienciais. A Jerusalém descida dos Céu de Apoc 21, 1-4 tem grande semelhança com o texto da nossa leitura. O autor e a data do escrito continuam a ser discutidos.

4 «Paz da justiça e glória da piedade» são hebraísmos (genitivos de qualidade) que correspondem à nossa maneira de dizer: paz justa e piedade gloriosa.

7 «Aplanar a terra», abatendo «montes» e preenchendo «vales» é uma grandiosa imagem com que, à maneira isaiana (cf. Is 40, 3-5), dramatiza a preparação do caminho do regresso de Babilónia, vista como um novo Êxodo. O Baptista, no Evangelho de hoje, apela para o sentido messiânico da imagem: a vinda do exílio prefigura a salvação definitiva. No fundo, temos sempre a teologia do deserto; assim como a libertação da escravidão do Egipto se deu através do deserto, assim também será a libertação do cativeiro e também a salvação messiânica.

 

Salmo Responsorial     Sl 125 (126), 1-2ab.2cd-3.4-5.6 (R.3)

 

Monição: O salmo 125 recorda a alegria do regresso do cativeiro de Babilónia. Sentimos uma alegria ainda maior quando nos libertamos da escravidão do pecado, por uma conversão sincera.

 

Refrão:        Grandes maravilhas fez por nós o Senhor:

                     por isso exultamos de alegria.

 

Ou:               O Senhor fez maravilhas em favor do seu povo.

 

Quando o Senhor fez regressar os cativos de Sião,

parecia-nos viver um sonho.

Da nossa boca brotavam expressões de alegria

e de nossos lábios cânticos de júbilo.

 

Diziam então os pagãos:

«O Senhor fez por eles grandes coisas».

Sim, grandes coisas fez por nós o Senhor,

estamos exultantes de alegria.

 

Fazei regressar, Senhor, os nossos cativos,

como as torrentes do deserto.

Os que semeiam em lágrimas

recolhem com alegria.

 

À ida, vão a chorar,

levando as sementes;

à volta, vêm a cantar,

trazendo os molhos de espigas.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S.Paulo recorda o bom exemplo dos cristãos de Filipos e anima-os a crescer na caridade e no conhecimento da fé.

 

Filipenses 1, 4-6.8-11

Irmãos: 4Em todas as minhas orações, peço sempre com alegria por todos vós, 5recordando-me da parte que tomastes na causa do Evangelho, desde o primeiro dia até ao presente. 6Tenho plena confiança de que Aquele que começou em vós tão boa obra há-de levá-la a bom termo até ao dia de Cristo Jesus. 8Deus é testemunha de que vos amo a todos no coração de Cristo Jesus. 9Por isso Lhe peço que a vossa caridade cresça cada vez mais em ciência e discernimento, 10para que possais distinguir o que é melhor e vos torneis puros e irrepreensíveis para o dia de Cristo, 11na plenitude dos frutos de justiça que se obtêm por Jesus Cristo, para louvor e glória de Deus.

 

A leitura é tirada do início da Carta aos fiéis de Filipos, a primeira cidade europeia onde Paulo tinha fundado uma comunidade florescente. Temos aqui uma das dimensões da espiritualidade do Advento: a preparação de modo efectivo e progressivo (vv. 9-11) com frutos de santidade – «na plenitude dos frutos de justiça» – para «o dia de Cristo», isto é, o da sua segunda vinda, o seu advento escatológico, que pode dar-se a todo o momento. Os primeiros cristãos de tal maneira viviam numa forte tensão para ele, que o consideravam iminente. S Paulo quer que a espera da vinda de Cristo sirva de estímulo para crescer no amor de Deus – «que a vossa caridade cresça cada vez mais» –, de modo que saibam discernir «o que é melhor» (v. 10), para o porem em prática.

 

Aclamação ao Evangelho          Lc 3, 4.6

 

Monição: S.Lucas indica-nos com pormenor e rigor histórico o começo da pregação de S.João Baptista. Isso vem reforçar a nossa fé naquilo que foi escrito pelos evangelistas. Escutemos com atenção e fé.

 

Aleluia

 

Cântico: F. Silva, NRMS 35

 

Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas

e toda a criatura verá a salvação de Deus.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 3, 1-6

1No décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério, quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe tetrarca da região da Itureia e Traconítide e Lisânias tetrarca de Abilene, 2no pontificado de Anás e Caifás, foi dirigida a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto. 3E ele percorreu toda a zona do rio Jordão, pregando um baptismo de penitência para a remissão dos pecados, 4como está escrito no livro dos oráculos do profeta Isaías: «Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. 5Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas; 6e toda a criatura verá a salvação de Deus’».

 

1 «No décimo quinto ano de Tibério»: Lucas, um talento de historiador, não se limita a apresentar a substância da mensagem de salvação. Ele quer que fique bem claro que não se trata duma mensagem fora do tempo, de uma ideia como os mitos; é uma mensagem situada no tempo e no espaço em que se desenvolve a história humana. É assim que nos deixa um dado de excepcional valor para sincronizar os acontecimentos salvíficos com os sucessos da história profana, a saber, ao ano 15 do reinado do imperador romano Tibério, aduzindo também outros cinco dados que, mais do que a cronologia, visam descrever-nos o ambiente político da época (vv. 1-2).

A pregação do Baptista teve início, pois, no ano 27-28 da nossa era. Com efeito, Tibério começou propriamente a reinar só com a morte de Augusto em 19 de Agosto de 767 a. U. c.. Ora, segundo a contagem síria que adoptaria S. Lucas, em 1 de Outubro – o início do ano – já se começava a contar o 2º ano de Tibério; isto leva a pensar que o 15.º ano do reinado de Tibério vem a ser o ano 781 de Roma, o que corresponde ao ano 27-28 da nossa era cristã.

«Pôncio Pilatos» foi governador ou procurador (na inscrição de Cesareia chama-se præfectus) da Judeia, Samaria e Idumeia desde o ano 26 a 36. «Herodes» é o Antipas, filho de Herodes o Grande, com o simples título de tetrarca na Galileia; foi quem mandou degolar João Baptista na fortaleza de Maqueronte, tendo reinado de 4 a. C, a 39 d. C, ano em que foi destituído e exilado para a Gália por Calígula; «Filipe», filho de Cleópatra de Jerusalém (distinto do seu meio irmão Herodes Filipe casado com Herodíades), foi quem reconstruiu Panias com o nome de Cesareia de Filipe e Betsaida com o nome de Júlia; veio a casar com Salomé, filha de Herodíades e Herdes Filipe.

2 José «Caifás» presidiu ao Sinédrio, como sumo sacerdote de 18 a 36 da nossa era, após a deposição pelos romanos, no ano 15, de seu sogro «Anás», que continuou a manter grande influência político-religiosa (cf. Jo 18, 12-24). A discrição e respeito com que o IV Evangelho fala de Caifás leva alguns a imaginarem que se terá feito cristão, o que falta provar.

4-6 «Preparai o caminho do Senhor…» A longa citação do início da segunda parte de Isaías, o Dêutero-Isaías (Is 40, 3-5), é aplicada pelo Baptista a si próprio (cf. Jo 1, 23). Esta passagem isaiana contempla, num primeiro plano, o «regresso triunfal» dos deportados de Babilónia, uma figura dos tempos messiânicos, em que «toda a criatura verá a salvação de Deus». S. Lucas, o único evangelista a dar-nos a citação completa de Isaías, em que inclui o v. 5, pretende sublinhar a universalidade da salvação trazida por Cristo. A imagem de «endireitar os caminhos» provém do costume de ajeitar os caminhos, em geral escabrosos, por onde vai passar um soberano; presta-se muito bem a indicar a purificação das consciências para receberem a Cristo.

 

Sugestões para a homilia

 

Preparai o caminho do Senhor

Baptismo de penitência

A vossa caridade cresça cada vez mais

 

 

Preparai o caminho do Senhor

O Santo Padre convidou todos os cristãos a viver o Ano da Fé, celebrando assim os cinquenta anos do começo do Concílio Vaticano II. É pela fé que nos abrimos a Jesus e à salvação que nos traz.

Ele é a Palavra viva e eterna de Deus, o Seu Verbo que vem até nós através da Virgem Imaculada. Vem trazer-nos a Boa Nova, o Evangelho da alegria, da salvação. ”Deus que falou outrora aos nossos pais (ao povo de Israel) pelos profetas nestes tempos que são os últimos falou-nos por Seu Filho” (Heb 1,1).

A fé é sinónimo de alegria, como o pecado é sinónimo de tristeza e desilusão. Ao contrário das promessas de Satanás: ele enganou os nossos primeiros pais e levou-os para a desgraça.

Na primeira leitura o profeta Baruc anunciava a Jerusalém o regresso do exílio de Babilónia. Ali o povo se tinha convertido pela penitência, pelo arrependimento. O Senhor iria trazê-los em triunfo como filhos de reis. “Deus conduzirá Israel na alegria, à luz da Sua glória” (1ª leit).

O salmo 125 recorda também o regresso do cativeiro e a alegria que inundava os corações dos que voltavam à sua pátria. A Igreja anima-nos com estas palavras à conversão neste tempo do Advento.

Jesus faz maravilhas maiores se nos convertemos dos nossos pecados pelo arrependimento. Encher-nos-á da Sua alegria se nos abrimos à Sua graça, que nos trouxe com o Seu Nascimento.

A Igreja repete-nos nestes domingos de preparação as palavras de João Baptista, o Precursor: -“Preparai o caminho do Senhor, endireitai as Suas veredas”(Ev.).

Preparemos bem o Natal. Não fiquemos nas exterioridades. Não nos contentemos com as belas tradições natalícias. Procuremos enchê-las de sentido por uma fé mais vivida e consciente e pelo esforço em pô-la em prática, fazendo o que Jesus nos pede, endireitando o que está mal em nossa vida.

Baptismo de penitência

S.João Baptista pregava um baptismo de penitência. Muitos iam ter com ele para ser baptizados, confessando os seus pecados. Era como que uma antecipação dos sacramentos que Jesus iria instituir para nós.

Jesus deixou à Sua Igreja o verdadeiro baptismo, que, através da água e do Espírito Santo, lava os pecados e inicia na alma uma vida nova, a vida da graça.

Deixou também o sacramento da Penitência, que perdoa as faltas cometidas depois do baptismo.

A nossa conversão, uma e outra vez pela vida fora, passa por este sacramento do perdão e da alegria, que podemos receber muitas vezes e que devemos procurar neste tempo de preparação para o Natal

Jesus nasceu num curral em Belém, porque ninguém Lhe abriu as portas de suas casas. S.José procurou limpar aquele espaço o melhor que podia. Que procuremos abrir a Jesus as portas do nosso coração, e limpemos bem o lixo, para que Se sinta a Seu gosto em nós.

Com a confissão bem feita varremos a imundície que há em nós. Com as nossas pequenas penitências adornamos a nossa alma. Serão como as palhinhas do presépio para aquecer o Deus Menino. E ficaremos a falar com Ele por uma oração mais intensa e mais amorosa, como José e Maria.

Encontraremos a alegria que só Ele pode dar. A fé é o segredo e a fonte dessa alegria verdadeira. Temos de o lembrar a todos os que nos rodeiam, animando-os a vir a Jesus. Só Ele tem palavras de vida eterna e a Sua mensagem continua a ser Evangelho, Boa Nova, para todos os homens.

A Igreja convida-nos a todos a colaborar na Nova Evangelização e o Natal é uma bela oportunidade de o fazermos.

A vossa caridade cresça cada vez mais

Na segunda leitura S.Paulo louvava a fé dos Filipenses e dizia-lhes: «Peço-Lhe que a vossa caridade cresça cada vez mais em ciência e discernimento, para que possais distinguir o que é melhor e vos torneis puros e irrepreensíveis para o dia de Cristo».

A fé tem de se manifestar na caridade e a caridade há-de levar, por sua vez, a conhecer melhor a fé, a saborear as suas maravilhas e a orientar por ela a nossa vida, distinguindo à sua luz o que é a vontade de Deus.

Nos sacramentos vamos buscar as energias espirituais para fazer o bem, para crescer na fé e no amor de Deus. Eles são os canais da graça, que Jesus instituiu. A Vida nova recebida no baptismo alimenta-se na Eucaristia em que recebemos o pão vivo que dá a vida eterna.

Agradeçamos a Jesus os sacramentos que nos deixou. Os mistérios da vida de Cristo são os fundamentos do que, de ora em diante, pelos ministros da sua Igreja, Cristo dispensa nos sacramentos, porque «o que no nosso Salvador era visível, passou para os seus mistérios» (S.LEÃO MAGNO, Sermão 74,2). «Forças que saem» do corpo de Cristo (29), sempre vivo e vivificante: acções do Espírito Santo que opera no Seu Corpo que é a Igreja, os sacramentos são «as obras-primas de Deus», na nova e eterna Aliança. (Cat.I.Cat. 1115-6).

Neles se torna presente Cristo, como há dois mil anos. Está vivo aqui connosco, embora mais escondido que no presépio.

A beata Jacinta antes das aparições foi vestida de anjinho na festa do Corpo de Deus para deitar flores a Jesus, quando passasse na procissão. Estava toda contente, mas quando viu o sacerdote com a sagrada custódia não deitou flores apesar dos sinais que lhe faziam.

– Então não deitaste flores a Jesus? – perguntaram-lhe depois.

– Eu não O vi – respondeu.

Explicaram que era Jesus escondido que ia ali. Daí para diante falava muitas vezes no Jesus escondido. Que neste tempo de Natal também pensemos muitas vezes em Jesus escondido e O visitemos com mais fé e mais amor no Sacrário.

 Jesus vem até nós em cada missa. Continua a ser Deus connosco na Eucaristia. Que a Virgem nos ensine a tratá-Lo bem, com uma fé mais viva e um amor mais carinhoso.

 

Fala o Santo Padre

 

«Jesus é a Palavra divina que se fez carne no seio virginal de Maria:

nele, Deus revelou-se plenamente.»

 

Caros irmãos e irmãs

Neste segundo domingo do Advento, a liturgia propõe o trecho evangélico em que São Lucas, por assim dizer, prepara a cena sobre a qual Jesus está para aparecer e dar início à sua missão pública (cf. Lc 3, 1-6). O Evangelista chama a atenção para João Baptista, que foi o precursor do Messias, e traça com grande exactidão as coordenadas espaço-temporais da sua pregação. Lucas escreve: "No décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério, sendo Pôncio Pilatos governador da Judeia, Herodes tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe tetrarca da Itureia e da Traconítide, e Lisânias tetrarca da Abilena; sob o pontificado de Anás e Caifás, a palavra de Deus foi dirigida a João, filho de Zacarias, no deserto" (Lc 3, 1-2). Dois elementos chamam a nossa atenção. O primeiro é a abundância de referências a todas as autoridades políticas e religiosas da Palestina no ano 27/28 d.C. Evidentemente, o Evangelista quer recordar a quem lê ou ouve, que o Evangelho não é uma lenda, mas a narração de uma história verdadeira, e que Jesus de Nazaré é uma personagem histórica inserida naquele contexto específico. O segundo elemento digno de nota é o facto de que, depois desta ampla introdução histórica, o sujeito torna-se "a palavra de Deus", apresentada como uma força que desce do alto e se põe sobre João Baptista.

 

[…] Santo Ambrósio, num comentário deste texto evangélico, escreve: "O Filho de Deus antes de reunir a Igreja, age principalmente no seu servo humilde. Por isso, São Lucas diz bem que a palavra de Deus desceu sobre João, filho de Zacarias, no deserto, porque a Igreja não teve início a partir dos homens, mas da Palavra" (Exposição do Evangelho de Lucas 2, 67). Por conseguinte, eis o significado: a Palavra de Deus é o sujeito que move a história, inspira os profetas, prepara o caminho do Messias e convoca a Igreja. O próprio Jesus é a Palavra divina que se fez carne no seio virginal de Maria: nele, Deus revelou-se plenamente, disse-nos e deu-nos tudo, abrindo-nos os tesouros da sua verdade e da sua misericórdia. Santo Ambrósio dá continuidade ao seu comentário: "Portanto a Palavra desceu, a fim de que a terra, que antes era um deserto, produzisse os seus frutos para nós" (ibidem). […]

 

Bento XVI, Angelus na Praça de São Pedro a 6 de Dezembro de 2009

 

Oração Universal

 

Unidos a Jesus e com toda a Igreja, apoiados na intercessão de Maria, peçamos ao Pai:

 

1.     Pela Santa Igreja de Deus,

para que se renove na fé, na esperança e no amor,

oremos ao Senhor.

 

2.     Pelo Santo Padre,

para que todos escutem os seus ensinamentos,

vendo nele a Jesus, que continua a guiar a Sua Igreja,

oremos ao Senhor.

 

3.     Pelos bispos e sacerdotes,

para que se entreguem generosamente ao serviço das almas,

sobretudo no ministério da pregação e da confissão, oremos ao Senhor.

 

4.     Por todos os que sofrem,

 pelos pobres, pelos doentes, pelos idosos, pelos marginalizados,

para que saibamos ser para eles uma presença de Jesus neste Natal,

oremos ao Senhor.

 

5.     Para que aumentem em toda a Igreja

as vocações de entrega total ao Senhor

e os casados saibam viver o matrimónio como caminho de santidade,

oremos ao Senhor.

 

6.     Por todos os que andam afastados de Deus,

para que o Senhor os converta e os atraia ao Seu amor,

para aproveitarem a salvação que Jesus lhes traz,

oremos ao Senhor.

 

7.     Por todos os que se encontram no Purgatório,

para que o Senhor os purifique e lhes conceda a felicidade do Céu,

oremos ao Senhor.

 

Senhor, que nos enviastes o Vosso Filho como a maior prenda para a Humanidade ajudai-nos a preparar bem os nossos corações para O acolher neste Natal e para abri-los depois a todos os que nos rodeiam.

Por N.S.J.C.Vosso Filho que conVosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Quando Virá Senhor o Dia, NRMS 39

 

Oração sobre as oblatas: Olhai benignamente, Senhor, para as nossas humildes ofertas e orações e, como diante de Vós não temos méritos, ajudai-nos com a vossa misericórdia. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio I do Advento I: p. 453 [586-698] ou I/A p. 454

 

Santo: Santo IV, H. Faria, NRMS 103-104

 

Monição da Comunhão

 

Na Eucaristia Jesus continua a vir até nós. Saibamos acolhê-Lo com mais fé e amor.

 

Cântico da Comunhão: Levanta-te Jerusalém, F. Silva, NRMS 39

 

Bar 5, 5; 4, 36

Antífona da comunhão: Levanta-te, Jerusalém, sobe às alturas e vê a alegria que vem do teu Deus.

 

Cântico de acção de graças: Velai sobre nós (Antífona), J. Santos, NRMS 40

 

Oração depois da comunhão: Saciados com o alimento espiritual, humildemente Vos pedimos, Senhor, que, pela participação neste sacramento, nos ensineis a apreciar com sabedoria os bens da terra e a amar os bens do Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Queremos guardar o que Jesus nos lembrou: queremos saborear pela fé e pelo amor a Sua presença na Eucaristia e nos demais sacramentos.

 

Cântico final: Exultai de alegria, cantai hinos, F. Silva, NRMS 87

 

 

Homilias Feriais

 

2ª SEMANA

 

2ª Feira, 10-XII: As obras-primas de Deus.

Is 35, 4-7 / Lc 5, 17-26

Então os olhos dos cegos hão-de abrir-se, e descerrar-se os ouvidos dos surdos. Então o coxo saltará de alegria.

Conforme as palavras do profeta, a vinda do Messias proporcionará acontecimentos extraordinários (Leit.). E Jesus realiza essas maravilhas. De entre elas destacam-se o perdão dos pecados e a cura de um paralítico (Ev.).

Deixemos actuar o Messias nas nossas vidas, para que Ele perdoe os nossos pecados, abeirando-nos do sacramento da Penitência. E para que cure algumas das nossas ´paralisias’: ausência de sacramentos e de vida de oração, comodismo na vida familiar e no local de trabalho, etc.

 

3ª Feira, 11-XII: O ofício do bom Pastor.

Is 40, 1-11 / Mt 18, 12-14

Olhai que o Senhor Deus vai chegar com poder. É como o bom pastor que apascenta o seu rebanho.

De acordo com as palavras do profeta (Leit.), o Messias será o bom Pastor, que cuida de todas as ovelhas do seu rebanho (CIC, 754). E Jesus exercitará essa tarefa procurando que todas as ovelhas do seu rebanho se salvem (Ev.).

É no sacramento da Penitência que encontramos esta actuação do bom Pastor: «Ao celebrar o sacramento da Penitência, o sacerdote exerce o ministério do bom Pastor, que procura a ovelha perdida; do bom samaritano que cura as feridas; do Pai que espera pelo filho pródigo e o acolhe no seu regresso» (CIC, 1465).

 

4ª Feira, 12-XII: Ajuda aos que passam por dificuldades.

Is 40, 25-31 / Mt 11, 25-30

Os que esperam no Senhor não recuperam as forças, Crescem sem se fatigarem, caminham sem se cansarem.

De acordo com esta profecia (Leit.), o Messias viria ajudar todos os cansados: «Vinde a mim, todos os que vos afadigais (Ev.).

 Esforcemo-nos por imitar Jesus. Deste modo, ajudaremos todos os que passam por dificuldades: «A quem passa por dificuldades, e cuja vida se torna pesada, é necessário abrir as portas dos lares, das ‘igrejas domésticas’, e da grande família, que é a Igreja. Ninguém se sinta privado da família neste mundo: a Igreja é casa e família para todos, especialmente para quantos estão cansados e oprimidos (Ev.)» (CIC, 1658).

 

5ª Feira, 13-XII: A virtude da fortaleza.

Is 41, 13-20 / Mt 11, 11-15

Eu venho socorrer-te, diz o Senhor. Irás bater e triturar os montes, reduzir as colinas a palha.

De acordo com esta profecia, o Messias vem dar-nos as forças necessárias para vencermos as dificuldades que encontrarmos (Leit.). E é igualmente com essa força que nos apoderaremos do reino dos Céus (Ev.).

A virtude da fortaleza, de que João Baptista deu um belo testemunho (Ev.), mantém-nos firmes na resistência às tentações; ajuda-nos a superar os obstáculos; a vencer o medo e a enfrentar com coragem as provas e perseguições; prepara-nos para sacrificar a própria vida na defesa de uma causa justa (CIC, 1808).

 

6ª Feira, 14-XII: Felicidade e aceitação da palavra de Deus.

Is 48, 17-19 / Mt 11, 16-19

Oh! Se tivesses atendido às minhas ordens, o teu bem-estar seria como um rio, e a tua prosperidade como as ondas do mar.

De acordo com a profecia, a nossa felicidade está ligada ao modo como acolhemos os mandatos, a palavra de Deus (Leit.). Infelizmente assim não aconteceu ao não entenderem os comportamentos de João Baptista e de Jesus (Ev.).

Sendo Deus fiel e eternamente justo, «daí se segue que devemos necessariamente aceitar as suas palavras e ter nele uma fé e confiança plenas. Quem não poderia pôr nele todas as suas esperanças? E quem seria capaz de não o amar, ao ver os tesouros de bondade e ternura que derramou sobre nós?» (CIC, 2086).

 

Sábado, 15-XII: Fogo que o Messias traz

Sir 48, 1-4. 9-11 / Mt 17, 10-13

Tu (Elias), que foste levado em turbilhão de chamas e num carro puxado por cavalos de fogo.

«O profeta Elias, que ‘apareceu como um fogo e cuja palavra queimava como um facho ardente’ (Leit.), pela sua oração faz descer o fogo do céu sobre o sacrifício do Monte Carmelo, figura do fogo do Espírito Santo» (CIC, 696).

João Baptista anuncia Cristo como aquele que há-de baptizar no Espírito Santo e no fogo (Lc 1, 17). Ele vem atear este fogo para que abandonemos a nossa vida tíbia, com muitas negligências e desleixos, e para podermos ‘queimar’ à nossa volta, como fez o profeta Elias.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Celestino Ferreira Correia

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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