aCONTECIMENTOS eclesiais

DO MUNDO

 

 

SUÍÇA

 

O QUE REVELA

O BOSÃO DE HIGGS?

 

O jesuíta Pe. Gabriele Gionti, físico teórico do Observatório Astronómico do Vaticano, afirmou no passado dia 6 de Julho que a anunciada descoberta do Bosão de Higgs prova a existência de uma “estrutura racional” na Natureza.

 

“Se alguém tem fé e acredita num Deus benévolo, que criou o universo, a sua fé é confirmada pela descoberta da simetria que existe na Natureza”, disse o sacerdote jesuíta.

O especialista diz que essa simetria “é, por assim dizer, uma prova indirecta da existência de um Deus benévolo, que criou este universo”. “Contudo, não é uma prova científica, é apenas uma confirmação de um pressuposto de fé”, acrescenta o padre Gionti.

A descoberta de uma nova partícula que pode ser o Bosão de Higgs fora anunciada dois dias antes pelo Centro Europeu de Investigação Nuclear (CERN), na Suíça.

Os dados divulgados num seminário em Genebra ainda são preliminares, mas os cientistas afirmam que a nova partícula tem características de massa e comportamento previstas para o bosão, que é considerado a mais elementar das partículas atómicas constitutivas do universo.

O presidente da Academia Pontifícia das Ciências e Prémio Nobel da Medicina em 1978, Werner Arber, afirmou, a este respeito, que o Bosão de Higgs não revela “nem mais nem menos sobre a existência de Deus”.

“Do ponto de vista religioso, no entanto, é preciso dizer que por trás de qualquer partícula que existe está a mão de Deus”, acrescenta o geneticista e especialista em biologia molecular, nascido na Suíça.

 

 

PERU

 

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA

DEIXA DE SER «PONTIFÍCIA» e «CATÓLICA»

 

Em comunicado divulgado em 21 de Julho passado, a Santa Sé, através de um decreto do Cardeal Secretário de Estado, com base em específico mandato pontifício, retirou o direito de usar os títulos de «Pontifícia» e «Católica» à Pontifícia Universidade Católica do Peru.

 

A mencionada Universidade, fundada em 1917 e erigida canonicamente com decreto da Santa Sé em 1942, a partir de 1967 modificou unilateralmente os seus estatutos em diversas ocasiões “prejudicando seriamente os interesses da Igreja”, lê-se no comunicado.

A partir de 1990 – continua a nota –, a Santa Sé solicitou, em várias ocasiões, à Universidade que adequasse os seus estatutos à Constituição Apostólica Ex corde, sem que a mesma tenha respondido a essa exigência legal.

Recentemente, através de duas cartas dirigidas ao Secretário de Estado, o Reitor manifestou a impossibilidade de realizar o que se pedia, condicionando a modificação dos estatutos à renúncia, por parte da Arquidiocese de Lima, ao controle da gestão dos bens da Universidade.

A Santa Sé seguirá atentamente a evolução da situação dessa Universidade, desejando que, num futuro próximo, as Autoridades académicas competentes reconsiderem a sua posição com a finalidade de poder rever as actuais medidas.  

 

 

BRASIL

 

ENCONTRO INTERNACIONAL

DAS EQUIPAS DE NOSSA SENHORA

 

O Secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcísio Bertone, em mensagem dirigida ao 11.º Encontro Internacional das Equipas de Nossa Senhora, que terminou em 26 de Julho passado, recordou que a comunicação permanente entre os membros do casal contribui para evitar o divórcio.

 

“No nosso mundo tão marcado pelo individualismo, o activismo, a pressa e a distracção, o diálogo sincero e constante entre os esposos é essencial para evitar que surjam, cresçam e endureçam incompreensões que, infelizmente, muitas vezes acabam em rupturas insanáveis”, afirma o cardeal.

O prelado pediu aos esposos para cultivarem o “valioso hábito de se sentarem um ao lado do outro para falarem e ouvirem entre si”, o que consiste em “manter periodicamente um tempo de diálogo pessoal entre os cônjuges”, durante o qual cada um torna presente ao outro, “com toda a sinceridade e num clima de escuta mútua, os problemas e os assuntos relevantes para a vida de casal”.

Bento XVI enviou a sua paterna saudação aos oito mil católicos de mais de 50 países presentes em Brasília para a assembleia de um movimento que mantém a sua “actualidade e urgência”, desde que em 1939 o padre francês Henri Caffarel deu início a reuniões com casais, que evoluíram para o que são hoje as Equipas de Nossa Senhora (ENS).

A responsabilidade das Equipas de Nossa Senhora “aumentou à luz dos problemas e dificuldades que o matrimónio e a família experimentam hoje, rodeados por uma atmosfera de crescente secularização”, frisou o cardeal Tarcisio Bertone.

A delegação portuguesa presente no encontro era composta por perto de 300 pessoas, lideradas pelo bispo do Porto e vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Manuel Clemente, bem como pelos bispos D. Virgílio Antunes (Coimbra), D. António Francisco dos Santos (Aveiro) e D. Joaquim Mendes (auxiliar de Lisboa).

O novo conselheiro espiritual internacional das ENS, o padre português Jacinto Farias, disse que está empenhado em ajudar os casais a manterem-se em sintonia com as exigências do matrimónio cristão.

O congresso marcou também a entrada em funções de um casal português, Maria Berta e José Moura Soares, à frente da Equipa Internacional Responsável das ENS.

As Equipas de Nossa Senhora são constituídas por um número indicativo de cinco a sete casais e um padre, designado conselheiro espiritual, que se reúnem mensalmente num encontro de oração, partilha de vida e estudo de um tema de formação cristã.

 

 

MOÇAMBIQUE

 

A 20 ANOS DO

ACORDO GERAL DE PAZ

 

«Construir a Democracia para preservar a Paz» é o título da Nota Pastoral dos Bispos Católicos, apresentada domingo, dia 26 de Agosto passado, nas paróquias e dioceses de Moçambique. O documento, considerado corajoso e muito actual, é alusivo à celebração dos 20 anos do Acordo Geral de Paz, assinado no dia 4 de Outubro de 1992, em Roma, que pôs fim à guerra civil no país.

 

A Conferência Episcopal de Moçambique, por ocasião do 20º aniversário da assinatura do Acordo Geral de Paz, quer reflectir com os católicos sobre o caminho percorrido nestas duas décadas de paz e de convivência democrática. Pretende avaliar os frutos positivos alcançados, discernir o que ainda precisa de ser consolidado e chamar a atenção para alguns constrangimentos e ameaças no processo da construção de um Moçambique independente, soberano, pacífico e capaz de assegurar a prosperidade e o bem-estar para todos.

Neste sentido, na primeira parte da Nota Pastoral, os bispos, depois de recordarem que a paz é um bem comum a preservar por todos, enumeram os frutos alcançados: reconciliação nacional, democracia, liberdade de expressão, afirmação da sociedade civil e a reconstrução e expansão de algumas infraestruturas sociais e económicas.

Na segunda parte do documento, chamam a atenção para os “males” e “fraquezas” da democracia em Moçambique que são ameaças à paz e à convivência democrática, como “as práticas autoritárias nos partidos políticos; a absolutização dos partidos e o culto da personalidade; o fraco espírito de diálogo, respeito e tolerância pelo diferente; a usurpação das riquezas do país por uma elite restrita”.

Os bispos lançam também um olhar sobre a vaga de descobertas de recursos minerais no país e manifestam-se preocupados com o risco de essa riqueza se poder converter em “pesadelo”. “Se vierem a faltar a sabedoria, a prudência e políticas justas e clarividentes na sua exploração, os recursos naturais podem tornar-se em pesadelo”, alertam. É evidenciada a ambivalência dos chamados “mega-projectos” ligados à extracção de gás natural, carvão, areias pesadas e outros minérios por parte de multinacionais; e lançado um alerta para o perigo de estas riquezas em vez de criarem prosperidade e bem estar para todos, por motivos de ganância e corrupção material e moral, se transformarem em fonte de desigualdades, de violência, de criminalidade organizada, de destruição e morte.

Na conclusão, o episcopado convida todos os moçambicanos a comprometerem-se com a reconciliação, com a justiça e a paz. “Se queremos preservar a paz é necessário e urgente um repensamento e debate inclusivo das nossas opções e prioridades no campo ético, político, económico e social. Trata-se de fazer de Moçambique uma casa para todos os moçambicanos e não um mercado para os mais espertos; superar a pobreza não só económica mas também espiritual; repensar a política dos 'megaprojectos'; educar para os valores da solidariedade e a partilha”, sublinham.

Para quem já contactou com o documento, considera-o “corajoso, de extrema acuidade e actualidade social e política, que ousa dizer e explanar o que todos vêm e sentem, sem porém terem voz para se fazer ouvir”. E encara-o como um forte apelo a todos os elementos da sociedade: dos dirigentes políticos e empresas, aos sacerdotes e fiéis, em que cada um é chamado a intervir e assumir o compromisso de zelar para que Moçambique seja realmente de e para todos os moçambicanos.

 

 

TIMOR-LESTE

 

ENCONTRO

DOS BISPOS LUSÓFONOS

 

Os católicos sós e de espiritualidade pouco fundamentada são mais vulneráveis às seitas, consideram os bispos que participaram no 10.º Encontro das Conferências Episcopais de países de língua oficial portuguesa, que se realizou pela primeira vez em Díli, de 6 a 10 de Setembro passado.

 

A incidência dos novos movimentos religiosos “recai mais entre católicos cuja fé não assenta sobre um encontro pessoal com Cristo e o seu corpo eclesial, nem se traduziu numa verdadeira iniciação à vida em Cristo”, refere o comunicado final da reunião.

Os prelados presentes no encontro dedicado ao tema “O desafio das seitas, no horizonte da nova evangelização” frisam que “os católicos mais sensíveis às novas propostas religiosas são os que se sentem mais sós e indefesos perante os problemas que a vida lhes levanta”.

A Igreja é chamada a apresentar a fé e a moral com mais clareza, ao mesmo tempo que deve insistir na iniciação cristã, assinala o documento, que também vinca a necessidade de “promover iniciativas de formação aos diversos níveis”, dado que “a ignorância é porta para todos os erros”.

“Requerem-se também comunidades mais convivenciais, com relações próximas de fraternidade, atentas a cada um dos seus membros, sobretudo aos que, de algum modo, mais sofrem”, acrescentam os responsáveis, entre os quais o bispo do Porto e vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Manuel Clemente.

Os participantes foram recebidos pelo presidente da República, Taur Matan Ruak, que sublinhou as “óptimas relações” existentes entre o Estado timorense e a Igreja, assim como a “relevante importância” dos católicos “para a paz e o progresso” do país.

O primeiro-ministro, Xanana Gusmão, também reuniu com as delegações para apresentar as prioridades do Governo para os próximos anos.

D. Manuel Clemente presidiu no domingo à missa na Catedral de Díli, celebração “particularmente significativa” que assinalou 450 anos de evangelização de Timor.

“Fomos testemunhas da fé de um povo, que passou por tempos duros de guerra e perseguição, mas que se tem mantido fiel a Jesus Cristo, contribuindo eficazmente para a identidade cultural de uma nação livre, que este ano celebra o 10.º aniversário da sua independência”, acentuam os prelados.

Os padres Manuel Morujão, porta-voz do episcopado português, e José Maia, presidente da Fundação Fé e Cooperação (FEC), organização responsável pela preparação e acompanhamento dos encontros dos episcopados lusófonos, completaram a delegação portuguesa.

O Encontro, inaugurado por D. Basílio do Nascimento, bispo de Bacau e presidente da nova Conferência Episcopal Timorense, contou com a participação de representantes dos episcopados de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

A assembleia decidiu que os encontros de bispos lusófonos serão organizados rotativamente cada dois anos, realizando-se o próximo em Angola, no segundo semestre de 2013, anuncia o padre José Maia.

Os participantes pediram à FEC que enviasse à Secretaria de Estado da Cooperação do Governo português "uma mensagem de reconhecimento e apreço pelos apoios concedidos a vários projectos de desenvolvimento que decorrem em países lusófonos, em parceria com as Igrejas locais".

O documento "ressalva que uma descontinuidade neste apoio poderá comprometer todo o trabalho realizado ao longo de vários anos".

 

 

ESPANHA

 

CONCURSO DE POESIA

SOBRE S. JOÃO DE ÁVILA

 

A Conferência Episcopal Espanhola promoveu um concurso de poesia sobre São João de Ávila (c. 1499-1569), que a 7 de Outubro vai ser declarado Doutor da Igreja pelo papa Bento XVI.

 

Os poemas, escritos em espanhol e centrados no tema “Saibam todos que o nosso Deus é amor”, devem ter entre 14 e 100 versos.

O “Apóstolo da Andaluzia” começou por estudar direito em Salamanca, mas transferiu-se para a universidade de Alcalá de Henares, onde se diplomou em teologia e filosofia.

Após a ordenação sacerdotal, em 1526, o bispo de Sevilha encarregou-o de organizar missões de evangelização em toda a Andaluzia, e a partir de então a sua fama de orador espalhou-se por todos os estratos sociais da população.

Amigo de Santo Inácio de Loyola, fundador dos Jesuítas, favoreceu o desenvolvimento e a difusão da Companhia de Jesus em Espanha.

Apoiou Santa Teresa de Ávila na reforma da Ordem Carmelita e o português São João de Deus na fundação de casas de apoio aos desfavorecidos.

Foi a homilia pronunciada durante o funeral da rainha D. Isabel de Portugal (1503-1539) que levou à conversão São Francisco de Borja, o qual viria a renunciar ao cargo de vice-rei da Catalunha para ser ordenado sacerdote, chegando a ser Geral dos jesuítas.

“Desprendido, generoso e, sobretudo, enamorado de Deus, S. João de Ávila viveu sem bens materiais mas com o coração cheio de fé e entusiasmo evangelizador, dedicado por inteiro à oração, ao estudo, à pregação e à formação de pastores”, tendo fundado cerca de 15 colégios, antecessores dos actuais seminários, e uma universidade.

 


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