Quarta-Feira de Cinzas

09 de Fevereiro de 2005

 

Na Missa deste dia benzem-se e impõem-se as cinzas, feitas dos ramos de oliveira (ou de outras árvores), benzidos no Domingo de Ramos do ano anterior.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Eis o tempo favorável, M. Borda, NRMS 53

cf. Sab 11, 24-25.27

Antífona de entrada: De todos Vos compadeceis, Senhor, e amais tudo quanto fizestes; perdoais aos pecadores arrependidos, porque sois o Senhor nosso Deus.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O núcleo litúrgico desta quadra será a Páscoa; é um ciclo com preparativos e um tempo de felicidade consequente pela chegada do nosso Redentor que após a Paixão e Morte ressuscita.

A cinza é o símbolo do luto, da dor, da penitência; é a imagem da fragilidade humana.

No Antigo Testamento lê-se que os judeus, para expiar os seus pecados ou apartar de si as tribulações da doença, fome e guerra, recobriam de cinza, ou comiam o pão misturado com cinza.

A cinza dos holocaustos era tida como sagrada.

 

Omite-se o acto penitencial, porque é substituído pela imposição das cinzas.

 

Oração colecta: Concedei-nos, Senhor, a graça de começar com santo jejum este tempo da Quaresma, para que, no combate contra o espírito do mal, sejamos fortalecidos com o auxílio da temperança. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Joel após voltar a descrever a invasão dos gafanhotos como exemplo da justiça divina, repete a exortação, a relembrar a meditação sobre a própria conduta moral.

 

Joel 2, 12-18

12Diz agora o Senhor: «Convertei-vos a Mim de todo o coração, com jejuns, lágrimas e lamentações. 13Rasgai o vosso coração e não os vossos vestidos. Convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque Ele é clemente e compassivo, paciente e misericordioso, pronto a desistir dos castigos que promete. 14Quem sabe se Ele não vai reconsiderar e desistir deles, deixando atrás de Si uma bênção, para oferenda e libação ao Senhor, vosso Deus? 15Tocai a trombeta em Sião, ordenai um jejum, proclamai uma reunião sagrada. 16Reuni o povo, convocai a assembleia, congregai os anciãos, reuni os jovens e as crianças. Saia o esposo do seu aposento e a esposa do seu tálamo. 17Entre o vestíbulo e o altar, chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, dizendo: ‘Perdoai, Senhor, perdoai ao vosso povo e não entregueis a vossa herança à ignomínia e ao escárnio das nações. Porque diriam entre os povos: Onde está o seu Deus?’». 18O Senhor encheu-Se de zelo pela sua terra e teve compaixão do seu povo.

 

12-13 «Convertei-vos a Mim de todo o coração». Joel não se detém a denunciar os pecados concretos do povo, como é costume dos grandes profetas. Diante de uma grande calamidade agrícola, que apresenta como castigo divino (v. 11), o profeta apela para uma sincera conversão. Não chega uma manifestação exterior de dor (rasgar as vestes, v. 13, era um típico gesto de grande dor ou indignação, entre os judeus: rasgavam violentamente a túnica exterior, do pescoço até à cintura, cf. Gn 37, 29; Mt 26, 65). O coração não significa, na linguagem bíblica, apenas a afectividade, mas toda a interioridade do homem, todas as suas virtualidades, a sua inteligência e a sua vontade. Deus também nos convida a nós, mais fortemente neste tempo da Quaresma, a voltarmo-nos para Ele de todo o coração. Mas esta dor não é dor angustiante e desesperada, porque é cheia de esperança no perdão, pois Ele é clemente e compassivo... rico de bondade.

«Clemente». A bondade do Senhor («hésed») não é uma bondade qualquer, é a misericórdia de Quem se mantém fiel a Si próprio (cf. Ez 36, 22); daqui a frequente hendíadis da S. E.: «amor e fidelidade» («hésed v-émet»). Este atributo divino tem na sua origem bíblica um matiz jurídico: a fidelidade de Deus à Aliança; uma fidelidade tal que, após o pecado, se mantém, embora já não dentro do mero âmbito legal dum pacto bilateral. Com efeito, mesmo quando o homem rompe a Aliança, Deus continua a manter-se Fiel a Si próprio, ao seu amor gratuito, ao seu dom inicial (cf. Rom 11, 29). O amor de Deus é mais forte do que o nosso desamor, as nossas traições e pecados: «jamais algum pecado do mundo poderá superar este Amor» (cf. Homilia do Papa João Paulo II em Fátima, em 13-5-82).

«Compassivo», isto é, dotado de piedade e ternura, de compreensão e disposição para perdoar: o termo hebraico «rahum» é derivado de «réhem»(ventre materno), o que sugere que Deus tem entranhas de mãe, sentimentos e coração de mãe para connosco; assim, o seu amor não acaba quando nos portamos mal com Ele; então tem pena de nós, compreende e facilita a reconciliação.

14 «Vai reconsiderar». A expressão é um antropomorfismo com que se fala de Deus à maneira humana, mas de facto Deus não pode reconsiderar e mudar; se, em face da nossa penitência, Deus já não nos castiga e atende às nossas súplicas, a mudança apenas se dá em nós, não em Deus que, sempre tudo tem presente e tudo dispõe, contando com as nossas mudanças.

 

Salmo Responsorial    Sl 50 (51), 3-4.5-6a.12-13.14.17 (R. cf. 3a)

 

Monição: Nenhum de nós se libertou ainda de todas as fraquezas e pecados. O Salmo diz-nos que não devemos perder a esperança de o conseguir. Poderá ser uma súplica individual a Deus porque reconhecemos que somos pecadores.

 

Refrão:        Pecámos, Senhor: tende compaixão de nós.

 

Ou:               Tende compaixão de nós, Senhor,

                porque somos pecadores.

 

Compadecei-Vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade,

pela vossa grande misericórdia, apagai os meus pecados.

Lavai-me de toda a iniquidade

e purificai-me de todas as faltas.

 

Porque eu reconheço os meus pecados

e tenho sempre diante de mim as minhas culpas.

Pequei contra Vós, só contra Vós,

e fiz o mal diante dos vossos olhos.

 

Criai em mim, ó Deus, um coração puro

e fazei nascer dentro de mim um espírito firme.

Não queirais repelir-me da vossa presença

e não retireis de mim o vosso espírito de santidade.

 

Dai-me de novo a alegria da vossa salvação

e sustentai-me com espírito generoso.

Abri, Senhor, os meus lábios

e a minha boca cantará o vosso louvor.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Ganha-se quando licitamente se aproveita. A Quaresma é tempo de quilate especial em ordem à aquisição das graças do Senhor.

 

2 Coríntios 5, 20 – 6, 2

Irmãos: 20Nós somos embaixadores de Cristo; é Deus quem vos exorta por nosso intermédio. Nós vos pedimos em nome de Cristo: reconciliai-vos com Deus. 21A Cristo, que não conhecera o pecado, identificou-O Deus com o pecado por amor de nós, para que em Cristo nos tornássemos justiça de Deus. 1Como colaboradores de Deus, nós vos exortamos a que não recebais em vão a sua graça. 2Porque Ele diz: «No tempo favorável, Eu te ouvi; no dia da salvação, vim em teu auxílio». Este é o tempo favorável, este é o dia da salvação.

 

20 «Reconciliai-vos com Deus». É este o insistente convite que a Igreja nos faz em nome de Deus, a mesma exortação que fazia S. Paulo, consciente de que «é Deus quem nos exorta por nosso intermédio»; de facto, os Apóstolos, como os demais ministros de Cristo, são «embaixadores de Cristo», e não apenas ao seu serviço, mas actuando «em vez de Cristo e por autoridade de Cristo», como o texto original parece dar a entender com a preposição «hypér» (em favor de), usada no sentido de «anti» («em vez de» – cf. Jo 11, 50; Gal 3, 13; etc.).

21 «Deus identificou-O com o pecado», à letra, Deus fê-l'O pecado, uma expressão extraordinariamente forte e chocante. Note-se, no entanto, que não se diz que Deus O tenha feito pecador; o que se pretende significar é que Deus permitiu que Jesus viesse a sofrer o castigo que cabia ao pecado. Trata-se aqui duma identificação jurídica, não moral: Cristo, tornando-se Cabeça e o Chefe duma raça pecadora, toma sobre os seus ombros não a responsabilidade dos pecados alheios, mas a sua raça, para os expiar, sofrendo a pena devida por eles (cf. Gal 3, 13).

6, 2 «Este é o tempo favorável». S. Paulo cita aqui Isaías 49, 8, em que assim se classifica o momento em que aprouve à misericórdia divina libertar os judeus do cativeiro: o tempo favorável (kairós dektós). S. Paulo diz que agora é que é o tempo realmente favorável, o tempo em que Jesus Cristo nos redimiu do cativeiro do pecado (cf. Gal 4, 4-5). O Apóstolo usa um termo mais expressivo e rico do que Isaías (na versão grega dos LXX): kairós euprósdektos (um tempo especialmente favorável), insinuando que agora é que é o momento singularmente oportuno em que apraz à misericórdia divina operar a nossa salvação. A Liturgia uma releitura deste texto, aplicando-o ao tempo da Quaresma.

 

Aclamação ao Evangelho       cf. Sl 94, 8ab

 

Monição: A nossa total inclinação para Deus, num todo simultâneo, a sós ou em assembleia, é contributo para recolhimento agradável a Deus.

 

 

Se hoje ouvirdes a voz do Senhor,

não fecheis os vossos corações.

 

Cântico: M. Simões, NRMS 1 (I)

 

 

Evangelho

 

São Mateus 6, 1-6.16-18

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 1«Tende cuidado em não praticar as vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Aliás, não tereis nenhuma recompensa do vosso Pai que está nos Céus. 2Assim, quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. 3Quando deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita, 4para que a tua esmola fique em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa. 5Quando rezardes, não sejais como os hipócritas, porque eles gostam de orar de pé, nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. 6Tu, porém, quando rezares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa. 16Quando jejuardes, não tomeis um ar sombrio, como os hipócritas, que desfiguram o rosto, para mostrarem aos homens que jejuam. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. 17Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, 18para que os homens não percebam que jejuas, mas apenas o teu Pai, que está presente em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa».

 

1 «Praticar as vossas boas obras», à letra, «a vossa justiça». Os actos tradicionais da boa piedade judaica eram a esmola, a oração e o jejum. Jesus de modo algum os suprime ou diminui o seu valor, pelo facto de serem actos de piedade pessoal individual (o que não significa individualista). Mas Jesus Cristo exige que todos estes actos se façam sempre com rectidão de intenção, isto é, com uma verdadeira piedade, com o fim de agradar a Deus e não por ostentação, ou para receber o aplauso dos homens.

6 «Tu, porém, quando rezares, entra no teu quarto». Segundo estas palavras de Jesus, desde crianças, fomos ensinados a rezar não apenas comunitariamente, mas também, a sós, «no teu quarto». O Senhor ensina aqui a necessidade da oração individual (o que não quer dizer individualista). Deus chama os homens à salvação, fazendo-os entrar dentro do Povo de Deus, a sua Igreja, mas chama-os um a um; daqui que são imprescindíveis tanto a oração pública, que manifesta o carácter de família e povo que somos em Cristo, como a oração a sós, que manifesta a resposta pessoal e intransferível de cada um de nós ao seu Pai celeste. E Jesus não se limitou a pregar a necessidade da oração individual, Ele deu esse exemplo, que foi seguido pelos Apóstolos (cf. Mt 14, 23; Mc 1, 35; Lc 5, 16; 6, 12; 9, 18; 11, 1.28-29; Act 10, 9-16).

 

Sugestões para a homilia

 

1. O arrependimento interior não pode expressar-se apenas em palavras, sons vazios, significantes sem significado.

As catástrofes exteriores deixam-nos marcas económicas, contrariedades familiares, amigos perdidos, inimizades conquistadas; sabemos que «a natureza não perdoa, os homens perdoam algumas vezes, Deus perdoa sempre».

O choro exterior não leva à emenda, mas as lágrimas do coração sim, tocam a misericórdia do Senhor, inclinam-nos a atender-nos.

Cada profeta tem o seu cariz.

Isaías ensina: – não cruzemos os braços, não nos abandonemos à frouxidão e desânimo, não prejudiquemos o nosso vestuário exterior;

– o que interessa é a alma; quando esta abandona o corpo, que foi sua veste, possuída de contrição, de mágoa de haver ofendido a Deus, livre das peias do pecado,

– encarará, em definitivo, a riqueza da bondade d'Aquele que ela serviu, que escolheu e que a acolhe com clemência, compaixão e misericórdia.

 

2. S. Paulo afirma-nos, hoje:

«Reconciliai-vos com Deus». Queremos ser amigos ou inimigos, queremos trabalhar espiritualmente ou ser vencidos pela preguiça, o sétimo pecado capital?

Confiar no Senhor, singularmente, é importante; convidar todas as idades, todas as profissões, todos os grupos sociais bondosos do Senhor.

Este é o ar da respiração espiritual, a concentração em Deus, uns momentos de pausa nos trabalhos físicos, o silêncio exterior que deixe existir diálogo da alma com o Senhor.

Trabalhar o campo das virtudes, no tempo, é preparar a vitória e o prémio do céu.

Cada um exerça o seu sacerdócio, baptismal ou ministerial, como «embaixador» de Deus; estão reconciliados com Ele, aptos a não recebermos em vão a sua graça ficamos seguros.

S. Paulo diz-nos que a nossa época é a ocasião mais oportuna para a misericórdia divina operar a nossa salvação.

Digamos uma vez mais ao Senhor que nos livre das tentações maldosas e de todo o mal.

 

3. Importante é sabermos qual é a vontade do Senhor – Os Mandamentos.

Para o seu cumprimento praticam-se as boas obras; quando a transgredimos pecamos.

Pela repetição das obras boas adquirimos virtudes e pela repetição dos pecados aparecem os vícios.

As boas obras e os pecados são actos transitórios mas as virtudes e os vícios são hábitos permanentes.

O Evangelho de hoje apresenta-nos esses factos:

a) A esmola, oração e jejum.

O arcanjo S. Rafael disse a Tobias: a oração com o jejum e a esmola, é melhor que amontoar porções de ouro.

São três obras, três tesouros que a ferrugem não consome nem a traça, nem os ladrões podem desenterrar e roubar (S. Mt.)

Jesus Cristo recomendou-as no Sermão da Montanha e por elas foi o centurião Cornélio levado pelo anjo.

b) Por oração entende-se todo o acto de culto divino como recepção de sacramentos, assistência à missa, a ouvir a palavra de Deus.

Por jejum entende-se não só a abstinência de certos alimentos e a redução das refeições, mas todas a mortificação de sensualidade, da curiosidade, da loquacidade, dos deleites ilícitos.

Esmola é todo o serviço que fazemos ao próximo, especialmente as obras de misericórdia, espiritual e corporal.

Assim as obras boas são acções humanas conformes com a vontade de Deus, feitas livremente, com intenção de lhe agradar e que por Ele são recompensadas.

 

Fala o Santo Padre

 

«Para sermos autênticos discípulos de Cristo, é preciso renunciar a si mesmos, tomar a própria cruz todos os dias e segui-Lo.»

 

1. «Teu Pai... que vê o oculto, há-de recompensar-te» (Mt 6, 4.6.18). Esta palavra de Jesus dirige-se a cada um de nós no início do caminho quaresmal. Empreendemo-lo com a imposição das cinzas, gesto penitencial austero, tão querido à tradição cristã. Ele realça a consciência do homem pecador perante a majestade e a santidade de Deus. Ao mesmo tempo, manifesta a sua disponibilidade para acolher e transpor para escolhas concretas a adesão ao Evangelho.

São muito eloquentes as fórmulas que o acompanham. A primeira, tirada do Livro do Génesis: «Tu és pó e ao pó voltarás» (cf. 3, 19), recorda a actual condição humana sob a marca da caducidade e dos limites. A segunda retoma as palavras evangélicas: «arrependei-vos e crede no Evangelho» (Mc 1, 15), que constituem um premente apelo a mudar de vida. As duas fórmulas convidam-nos a entrar na Quaresma com uma atitude de escuta e de conversão sincera.

2. O Evangelho realça que o Senhor «vê o oculto», ou seja, perscruta o coração. Os gestos de penitência têm valor se forem a manifestação de uma atitude interior, se manifestam a vontade firme de se afastar do mal e de percorrer o caminho do bem. Eis o sentido profundo da ascese cristã. «Ascese»: a própria palavra evoca a imagem do subir para metas elevadas. Isto exige necessariamente sacrifícios e renúncias. De facto, convém levar só o equipamento essencial para que a viagem não se torne pesada; estar dispostos a enfrentar todas as dificuldades e superar qualquer obstáculo para alcançar o objectivo estabelecido. Para sermos autênticos discípulos de Cristo, é preciso renunciar a si mesmos, tomar a própria cruz todos os dias e segui-l'O (cf. Lc 9, 23). É o caminho difícil da santidade que cada cristão está chamado a percorrer.

3. Desde sempre a Igreja indica alguns meios úteis para seguir este caminho. Em primeiro lugar, é necessário a humilde e dócil adesão à vontade de Deus acompanhada pela oração incessante; são as formas penitenciais típicas da tradição cristã, como a abstinência, o jejum, a mortificação e a renúncia mesmo aos bens que são legítimos; são os gestos concretos de acolhimento em relação ao próximo, que a página do Evangelho de hoje recorda com a palavra «esmola». Tudo isto é reproposto com maior intensidade durante o período quaresmal, que representa, a este propósito, um «tempo forte» de treino espiritual e de generoso serviço aos irmãos. […]

 

João Paulo II, Roma, 25 de Fevereiro de 2004

 

Bênção das cinzas

 

Depois da homilia, o sacerdote, de pé, diz com as mãos juntas:

 

Irmãos caríssimos: Oremos fervorosamente a Deus nosso Pai, para que Se digne abençoar com a abundância da sua graça estas cinzas que vamos impor sobre as nossas cabeças, em sinal de penitência.

 

E depois de alguns momentos de oração em silêncio, diz uma das orações seguintes:

 

Senhor nosso Deus, que Vos compadeceis daquele que se humilha e perdoais àquele que se arrepende, ouvi misericordiosamente as nossas preces e derramai a vossa bênção + sobre os vossos servos que vão receber estas cinzas, para que, fiéis à observância quaresmal, mereçam chegar, de coração purificado, à celebração do mistério pascal do vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

ou

 

Deus de infinita bondade, que não desejais a morte do pecador mas a sua conversão, ouvi misericordiosamente as nossas súplicas e dignai-Vos abençoar + estas cinzas que vamos impor sobre as nossas cabeças, para que, reconhecendo que somos pó da terra e à terra havemos de voltar, alcancemos, pelo fervor da observância quaresmal, o perdão dos pecados e uma vida nova à imagem do vosso Filho ressuscitado, Nosso Senhor Jesus Cristo, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

O sacerdote asperge as cinzas com água benta, sem dizer nada.

 

Imposição das cinzas

 

Em seguida, o sacerdote impõe as cinzas a todos os presentes que se aproximam dele, dizendo a cada um:

 

Mc 1, 15

Arrependei-vos e acreditai no Evangelho.

 

Ou

cf. Gen 3, 19

Lembra-te, homem, que és pó da terra e à terra hás-de voltar.

 

Entretanto, canta-se um cântico apropriado, por exemplo:

 

Cântico: Confesso o meu pecado, J. Santos, NRMS 61              

 

cf. Joel 2, 13

Antífona: Mudemos as nossas vestes pela cinza e o cilício. Jejuemos e choremos diante do Senhor, porque Deus é infinitamente misericordioso e perdoa os nossos pecados.

 

ou

cf. Joel 2, 17; Est 13, 17

Entre o vestíbulo e o altar, chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, dizendo: Perdoai, Senhor, perdoai ao vosso povo, para que possa cantar sempre os vossos louvores.

 

ou

Salmo 50, 3

Lavai-me de toda a iniquidade, Senhor.

 

Pode repetir-se esta antífona depois de cada versículo ou estrofe do salmo 50. Compadecei-Vos de mim, ó Deus.

 

Responsório

cf. Bar 3, 2; Salmo 78, 9

V.  Renovemos a nossa vida,

reparemos o mal que fizemos,

para que não nos surpreenda o dia da morte

e nos falte o tempo para nos convertermos.

R.  Ouvi-nos, Senhor, e tende compaixão de nós,

porque somos pecadores.

 

V.  Ajudai-nos, Senhor, para glória do vosso nome;

perdoai as nossas culpas e salvai-nos.

R.  Ouvi-nos, Senhor, e tende compaixão de nós,

porque somos pecadores.

 

Terminada a imposição das cinzas, o sacerdote lava as mãos. O rito conclui-se com a oração universal ou oração dos fiéis. Não se diz o Credo.

 

Oração Universal

 

Neste início da Quaresma,

peçamos a Deus Pai a graça de viver este tempo em clima de conversão,

na esperança de chegar às alegrias da salvação,

dizendo: Dai-nos, Senhor, a alegria da salvação.

 

1.  Para que o Senhor desperte em toda a lgreja

um desejo sincero de conversão,

oremos, irmãos.

Dai-nos, Senhor, a alegria da salvação.

 

2.  Para que as autoridades acabem com as lutas partidárias

e trabalhem de mãos dadas

na construção de um mundo melhor,

oremos, irmãos.

Dai-nos, Senhor, a alegria da salvação.

 

3.  Pelo aumento das vocações sacerdotais e religiosas,

oremos, irmãos.

Dai-nos, Senhor, a alegria da salvação.

 

4.  Para que cessem as injustiças

e as desigualdades entre os homens,

criados à imagem e semelhança de Deus,

oremos, irmãos.

Dai-nos, Senhor, a alegria da salvação.

 

5.  Para que todos os que vivem afastados de Deus

sejam atraídos 3 Sua amizade

e trilhem os caminhos da verdade e do bem,

oremos, irmãos.

Dai-nos, Senhor, a alegria da salvação.

 

6.  Pelos pobres, pelos doentes

e por todos os que sofrem na alma ou no corpo,

oremos, irmãos.

Dai-nos, Senhor, a alegria da salvação.

 

7.  Por todas as almas do purgatório,

oremos, irmãos.

Dai-nos, Senhor, a alegria da salvação.

 

Concedei-nos, Senhor, a graça de começar esta Quaresma com grande entusiasmo,

para que, apoiados na Vossa graça, trilhemos os caminhos da conversão

com progressiva generosidade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: No coro da assembleia, Az. Oliveira, NRMS 105

 

Oração sobre as oblatas: Recebei, Senhor, este sacrifício, com o qual iniciamos solenemente a Quaresma, e fazei que, pela penitência e pela caridade, nos afastemos do caminho do mal, a fim de que, livres de todo o pecado, nos preparemos para celebrar fervorosamente a paixão de Cristo, Vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio da Quaresma III p. 463 ou IV p. 464 [598-710]

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

A alegria daquele que com as devidas disposições é um antegozo da felicidade de eterna, pois na sagrada Comunhão saboreia-se a doçura na sua própria fonte.

 

Cântico da Comunhão: O Senhor me apontará o caminho, F. da Silva, NRMS 69

Salmo 1, 2-3

Antífona da comunhão: Aquele que medita dia e noite na lei do Senhor dará fruto a seu tempo.

 

Oração depois da comunhão: Senhor, fazei que este sacramento nos leve a praticar o verdadeiro jejum que seja agradável a vossos olhos e sirva de remédio aos nossos males. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Os mistérios luminosos recordam-nos que a transfiguração é mudança! Como a encaramos em nós?

 

Cântico final: Da morte e do pecado, J. Santos, NRMS 29

 

A bênção e imposição das cinzas pode fazer-se também fora da Missa. Nesse caso, convém que preceda uma liturgia da palavra, utilizando a antífona de entrada, a oração colecta, as leituras e seus cânticos, como na Missa. Depois da homilia, procede-se à bênção e imposição das cinzas. O rito conclui com a oração universal.

 

Homilias Feriais

 

TEMPO DA QUARESMA

 

CINZAS

 

5ª feira, 10-II: Os dois modos de carregar com a cruz.

Deut. 30, 15-20 / Lc. 9, 22-25

Pois quem quiser salvar a própria vida há de perdê-la, mas quem perder a vida por minha causa há de salvá-la.

Diante de nós temos dois caminhos: um que conduz à vida e outro que leva à perdição (cf. Leit. e Ev.). A Quaresma é uma boa altura para nos decidirmos pelo ‘caminho da vida’.

Podemos pegar na cruz de cada dia revoltados, incomodados, pensando que é inútil. Pelo contrário, se aceitarmos a cruz com amor, oferecendo-a pelos pecados dos homens, essa cruz salvará os outros e a nós próprios. Aceitemos pois as contrariedades, a dor e os sofrimentos, unindo-os à santa Missa e à Cruz que Jesus leva.

 

6ª feira, 11-II: N.ª S.ª de Lourdes: O recurso à Saúde dos enfermos.

Is. 58, 1-9 / Mt. 9, 14-15

O jejum que me interessa... não é dares pousada aos pobres sem abrigo,..., não voltares as costas ao teu semelhante?

Celebra-se hoje o ‘dia mundial do doente’. É uma boa ocasião para recorrermos a Nossa Senhora, Saúde dos enfermos. Pedimos-lhe que obtenha a cura de muitos doentes, se for o mais conveniente para a sua salvação.

É uma boa altura para recordarmos que a doença, aceite com paciência e visão sobrenatural, aumenta o tesouro que vamos encontrar no Céu. E, unida à santa Missa, produzirá abundantes frutos de salvação para muitas pessoas que, sem essa ajuda, não encontrariam o caminho do Céu.

 

Sábado, 12-II: Defesa do dia do Senhor.

Is. 58, 9-14 / Lc. 5, 27-32

Se disseres... do dia consagrado ao Senhor, que ele é digno de respeito, se o respeitares, não fazendo viagens, evitando negócios e acordos, então acharás no Senhor as tuas delícias.

Neste ano Eucarístico que pede o Santo Padre? «Desejo em particular que, neste ano, se ponha um especial empenho em descobrir e viver plenamente o Domingo como dia do Senhor e dia da Igreja... De facto, é precisamente na missa dominical que os cristãos revivem, com particular intensidade, a experiência feita pelos Apóstolos na tarde da Páscoa, quando, estando eles reunidos, o Ressuscitado lhes apareceu» (Carta Mane nobiscum  (MN), n. 23).

É um convite para se recuperar o significado profundo do dia do Senhor, para defendê-lo de todos os ataques, organizando a vida pessoal e da família.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:          Ferreira de Sousa

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha


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