Nosso Senhor Jesus Cristo Rei

25 de Novembro de 2012

 

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Cordeiro que foi imolado, J. Santos, NRMS 92

Ap 5, 12; 1, 6

Antífona de entrada: O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder e a riqueza, a sabedoria, a honra e o louvor. Glória ao Senhor pelos séculos dos séculos.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Depois de uma longa caminhada que se prolongou por 53 semanas, chegámos ao fim deste Ano Litúrgico.

Celebrámos a Incarnação do Verbo no Ciclo do Natal; a Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor no Ciclo da Páscoa; e guiados pelo Espírito Santo, percorremos o caminho da esperança cristã do Tempo Comum, acolhendo a Palavra de Deus e alimentados pela Santíssima Eucaristia.

Pelo caminho, fomos encontrando, ao celebrar as suas festas, modelos de vida e companheiros da viagem para a eternidade que são os santos.

Que significa agora para nós a solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo?

 

Acto penitencial

 

Somos tentados a encarar o nosso cristianismo como assunto pessoal, sem qualquer interesse nem lucro para os outros que partilham a vida connosco.

Esta mentalidade leva-nos a atitudes de isolamento egoísta, como se tivéssemos sido chamados à Igreja apenas para nos servirmos e não para servir.

Peçamos humildemente perdão ao Senhor das faltas de amor à Igreja, de atitudes de indiferença, quando se trata de ajudar os outros, dos pecados cometidos que são outras tantas desobediências ao nosso Rei.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Para a nossa indiferença cruel e apatia, fruto da preguiça,

    perante o apelo do Senhor para prestar ajuda aos irmãos,

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Para os nossos pecados que afastam as outras pessoas

    de seguirem generosamente a Jesus Cristo na sua vida,

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Para as nossas críticas desapiedadas à Igreja de Cristo,

    como se ela fosse uma estranha e indiferente para nós,

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que no vosso amado Filho, Rei do universo, quisestes instaurar todas as coisas, concedei propício que todas as criaturas, libertas da escravidão, sirvam a vossa majestade e Vos glorifiquem eternamente. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Senhor promete-nos, pelo profeta Daniel, que vai intervir no mundo, a fim de eliminar a crueldade, a ambição, a violência, a opressão que marcam a história dos reinos humanos.

Por um “filho de homem” que vai aparecer “sobre as nuvens”, Deus vai devolver à história a sua dimensão de “humanidade”, possibilitando que os homens sejam livres e vivam na paz e na tranquilidade.

Nós, os cristãos vemos neste “filho do homem” vitorioso um anúncio da realeza de Jesus Cristo.

 

Daniel 7, 13-14

13Contemplava eu as visões da noite, quando, sobre as nuvens do céu, veio alguém semelhante a um filho do homem. Dirigiu-Se para o Ancião venerável e conduziram-no à sua presença. 14Foi-lhe entregue o poder, a honra e a realeza, e todos os povos e nações O serviram. O seu poder é eterno, não passará jamais, e o seu reino não será destruído.

 

A leitura é tirada da 2ª parte do livro de Daniel, a parte profética (7 – 12). O contexto é a descrição, em estilo apocalíptico, do julgamento divino, com três quadros: a apresentação do Juiz, Deus, (vv. 9-10); a destruição do reino inimigo (vv. 11-12); e o estabelecimento do reino de Deus, donde são tirados os vv. 13-14, em forma poética, que correspondem à leitura de hoje.

13 «Alguém semelhante a um filho de homem». Os exegetas, partindo da análise do contexto (vv. 18.22-27), dizem que o sentido literal directo desta expressão visa não um indivíduo singular, mas o povo dos «santos do Altíssimo» (v. 18). Contudo, como sucede frequentemente, o que é dito em geral acerca de todo o povo entende-se, de um modo eminente – sentido eminente –, como referido a uma personagem singular, nomeadamente o chefe do povo, neste caso o próprio Messias. O judaísmo assim o entendeu, (como também as palavras de Jesus em Mt 24, 30; 26, 64); discute-se, porém, se «Filho do Homem» é um verdadeiro título cristológico (assim parece em Lc 1, 32-33; Mt 8, 20; 24, 30; 26, 64; Apoc 1, 7; 14, 14), ou uma maneira discreta de Jesus se referir a si mesmo (uma figura chamada asteísmo: filho do homem equivalendo a este homem); uma coisa, porém, é certa: este não era um título com que Jesus fosse tratado nem pelo povo da Palestina, nem pela Igreja primitiva; a expressão aparece sempre nos lábios de Jesus; fora dos Evangelhos, só se encontra em Act 7, 56 e em Apoc 1, 13; 14, 14. Os que a entendem como um título cristologico sublinham o seu carácter simultaneamente humilde e glorioso, humano e divino. De qualquer modo, diante de Caifás Jesus cita esta passagem de Daniel referindo-a a si (cf. 26, 24). Bento XVI desenvolve a importância dada a este título (Jesus de Nazaré, pp. 398-413).

«O Ancião venerável» (à letra, «o antigo em dias») é uma forma antropomórfica de falar de Deus eterno (cf. 36, 26; Salm 102(101), 25-26; Is 41, 4).

 

Salmo Responsorial     Sl 92 (93), 1ab.1c-2.5 (R. 1a)

 

Monição: O reinado eterno de Jesus Cristo está reflectido na criação. No salmo 93 proclama-se que o Senhor reinará sobre o mundo e o Seu trono é eterno.

Nesta solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do universo, aclamemos também a Sua realeza.

 

Refrão:        O Senhor é rei num trono de luz.

 

O Senhor é rei,

revestiu-Se de majestade,

revestiu-Se e cingiu-Se de poder.

 

Firmou o universo, que não vacilará.

É firme o vosso trono desde sempre,

Vós existis desde toda a eternidade.

 

Os vossos testemunhos são dignos de toda a fé,

a santidade habita na vossa casa

por todo o sempre.

 

Segunda Leitura

 

Monição: O Livro do Apocalipse apresenta Jesus como o Senhor do Tempo e da História, o princípio e o fim de todas as coisas, o “príncipe dos reis da terra”, Aquele que há-de vir “por entre as nuvens” cheio de poder, de glória e de majestade para instaurar um reino definitivo de felicidade, de vida e de paz.

É, precisamente, a leitura cristã dessa figura de “filho de homem” de que nos falava a primeira leitura.

 

Apocalipse 1, 5-8

5Jesus Cristo é a Testemunha fiel, o Primogénito dos mortos, o Príncipe dos reis da terra. Aquele que nos ama e pelo seu sangue nos libertou do pecado 6e fez de nós um reino de sacerdotes para Deus seu Pai, a Ele a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amen. 7Ei-l'O que vem entre as nuvens, e todos os olhos O verão, mesmo aqueles que O trespassaram; e por sua causa hão-de lamentar-se todas as tribos da terra. Sim. Amen. 8«Eu sou o Alfa e o Ómega», diz o Senhor Deus, «Aquele que é, que era e que há-de vir, o Senhor do Universo».

 

Estes breves versículos fazem parte da saudação inicial do autor, uma saudação enviada da parte do Deus uno e trino, particularmente de Jesus Cristo. Ao referir-se a Cristo, apresenta-o numa rica síntese, como hoje se diz, who is who, quem é Ele, e o que Ele fez por nós. Ele é o Senhor da História! Logo de início fica bem vincado o colorido litúrgico da obra, levando-nos a sentir na terra o ecoar das aclamações celestes a Cristo morto e ressuscitado; logo de início temos dois «Amen» (vv. 6.7), a resposta litúrgica que continua a ecoar na Igreja orante e celebrante.

5-7 «Testemunha fiel» da verdade de Deus: Jesus é testemunha – mártir (assim se diz em grego) – por antonomásia, uma vez que pela verdade se deixou matar (cf. Jo 18, 37; 1 Tim 6, 13). «O primogénito dos mortos» (cf. Col 1, 18), com efeito, antes de Cristo ninguém ressus­citou para não tornar a morrer. O Aquinatense explica que, pela sua Ressurreição, Jesus é a causa meritória e exemplar e causa eficiente instrumental da nossa própria ressurreição (cf. 1 Cor 15, 2a-23). Esta expressão implica uma imagem curiosa em que a morada dos mortos – o Xeol – é considerada corno uma mulher grávida, e a ressurreição corno um parto (cf. 4 Esdr 4, 3342). «O Soberano dos reis da Terra», com uma realeza que é própria de Yahwéh (cf. os Salmos reais), com quem Jesus se identifica enquanto Deus. Parece haver nesta expressão uma certa réplica de protesto em face do imperador romano que se arrogava uma soberania universal e absoluta. «Fez de nós um reino de sacerdotes para Deus», isto é para Lhe dar glória e louvor, como se vê adiante em 5, 9-10; vejam-se os lugares paralelos de Ex 19, 6 e de 1 Pe 2, 5.9 (cf. Vaticano II, LG 10). «Ei-lo que vem sobre as nuvens...» Cf. 1ª leitura (Dan 7, 13) e Zac 12, 10.14; Jo 19, 37; Mt 24, 30.

8 «Eu sou o Alfa e o Ómega». Com a referência à primeira e última letra do alfabeto grego, o autor quer dizer que Deus tudo abarca no tempo (o passado, o presente e o futuro) e no espaço (Senhor do Universo – pantokrátor). Este título é igualmente dado a Cristo em Apoc 22, 13.

 

Aclamação ao Evangelho          Mc 11, 9.10

 

Monição: Diante de Pilatos, Jesus assume a Sua condição de rei. A cena revela, contudo, que a realeza reivindicada por Jesus não assenta em esquemas de ambição, de poder, de autoridade, de violência, como acontece com os reis da terra. A missão “real” de Jesus é dar “testemunho da verdade”; e concretiza-se no amor, no serviço, no perdão, na partilha, no dom da vida.

Por isso mesmo O aclamamos com o cântico do aleluia.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação-2, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Bendito o que vem em nome do Senhor,

bendito o reino do nosso pai David.

 

 

Evangelho

 

São João 18, 33b-37

Naquele tempo, 33bdisse Pilatos a Jesus: «Tu és o Rei dos judeus?» 34Jesus respondeu-lhe: «É por ti que o dizes, ou foram outros que to disseram de Mim?» 35Disse-Lhe Pilatos: «Porventura eu sou judeu? O teu povo e os sumos sacerdotes é que Te entregaram a mim. Que fizeste?» 36Jesus respondeu: «O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que Eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui». 37Disse-Lhe Pilatos: «Então, Tu és Rei?» Jesus respondeu-lhe: «É como dizes: sou Rei. Para isso nasci e vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz».

 

A leitura de hoje deixa claro em que consiste a realeza de Jesus, na maneira como se comporta em face da acusação feita à autoridade imperial. As razões para as autoridades judaicas eliminarem Jesus eram de natureza religiosa, mas Ele é denunciado ao prefeito romano – a quem não interessavam as questões de natureza religiosa –, como um conspirador político: «rei dos judeus». Jesus responde a Pilatos com uma pergunta: «É por ti que o dizes, ou foram outros…?» (v. 34), o que não é um subterfúgio, mas um meio de esclarecer bem qual o ponto de vista para falar de Si como rei. A resposta de Pilatos – «Mas serei eu judeu? O teu povo e os sumos sacerdotes é que Te entregaram a mim» (v. 35) – mostra como ele apenas se interessa por questões de natureza política, não pretendendo imiscuir-se em questões de natureza religiosa («serei eu judeu?»). Mas Jesus, que não podia negar a sua realeza, distancia-se igualmente da perspectiva nacionalista judaica, afirmando o carácter transcen­den­te da sua realeza (cf. Rom 14, 17), o que punha a sua missão ao abrigo de qualquer suspeita: «o meu reino não é deste mundo» (v. 36); visa manifestar a verdade e está ao serviço dela (v. 37). E a prova cabal de que o seu reino não é terreno é que não tinha homens armados a lutar por Ele: então, «os meus guardas lutariam…» (v. 36). O reinado de Deus implica uma submissão, mas esta não colide com qualquer autoridade humana, nem rebaixa o homem na sua dignidade, pois é entrar no âmbito da verdade, é submeter-se à Verdade, que é Jesus-Deus, e «a Verdade liberta» (Jo 8, 32). O reinado universal de Cristo é um «reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça, reino de justiça, de amor e de paz» (prefácio da Missa).

 

Sugestões para a homilia

 

• Cristo, Rei do Universo

Jesus fez-se Homem por nós

É verdadeiramente nosso Rei

Submete-nos amorosamente

• O Reinado do Amor de Deus

Reino da Verdade e do Amor

Reino de santidade e de graça

 

1. Cristo, Rei do Universo

a) Jesus fez-se Homem por nós. «Contemplava eu as visões da noite, quando, sobre as nuvens do céu, veio alguém semelhante a um filho do homem

Daniel contempla, em visão Jesus Cristo, nosso Salvador e Rei do universo.

Proclamamos a verdade da Encarnação no Credo: “E por nós, homens, e para nossa salvação desceu dos Céus. E encarnou pelo Espírito Santo, no seio de Maria Virgem e Se fez Homem.”

Foi para reconduzir toda a criação aos desígnios do Pai – centrada no homem criado por Deus – que Ele veio ao mundo, porque Adão e Eva tinham-se perdido no caminho, fazendo a vontade à serpente.

A certeza de que o Pai nos ama e nos deu a maior prova do Seu Amor em Cristo anima-nos. S. Paulo escreve cheio de alegria: «Vivo pela fé no Filho de Deus que me amou Se entregou por mim.»

O pecado transtorna e deforma o homem e, com ele, toda a criação. Para compreendermos isto basta pensar na perturbação da harmonia do universo que causam as guerras, o crime organizado, a falta de respeito das pessoas pela natureza, poluindo os rios, causando a desertificação e as alterações do clima.

Foi para restaurar o homem e este berço – jardim florido da terra – preparado para receber o homem, que Ele Se fez Homem.

 

b) É verdadeiramente nosso Rei. «Foi-lhe entregue o poder, a honra e a realeza [...].»

O Pai entregou o domínio de todo o universo ao Seu Filho Unigénito, feito Homem por nosso Amor.

O que Ele fez no mistério da Encarnação foi uma verdadeira reconquista de um mundo que se alienara pelo pecado. Resgatou-nos da tirania de Satanás, tornou-nos conscientes da nossa dignidade de filhos de Deus e da nossa vocação à santidade e ensinou-nos como a havemos de seguir.

Destruiu o reinado do Inimigo pela Sua Paixão e Morte e oferece-nos, na Igreja, os meios necessários para o vencermos, de tal modo que podemos dizer com verdade que só está submetido à tirania de Satanás quem o quiser.

Chama-nos agora, de mãos dadas com Ele, a tomar parte nesta libertação universal.

 «A Igreja nasceu para tornar todos os homens participantes da redenção salvadora (Cfr. Pio XI, Encíclica Rerum Ecclesiae: AAS 18 (1926), p. 65.) e, por eles, ordenar efectivamente a Cristo o universo inteiro, dilatando pelo mundo o seu reino para glória de Deus Pai. Toda a actividade do Corpo místico que a este fim se oriente, chama-se apostolado. A Igreja exerce-o de diversas maneiras, por meio de todos os seus membros, já que a vocação cristã é também, por sua própria natureza, vocação ao apostolado.» (Vaticano II, Dec. Sobre o Apostolado dos Leigos Apostolicam Actuositatem, n.º 2).

 

c) Submete-nos amorosamente. «todos os povos e nações O serviram

Há uma rebelião generalizada na terra contra Deus e o Seu reinado de Amor. O salmista pergunta, admirado: «Porque se agitam as nações e os povos meditam projectos vãos? Levantaram-se os reis da terra e os príncipes conspiraram unidos.» (Salmo 2).

Esta rebelião tem um mentor. É o mesmo que no Éden enganou os nossos primeiros pais. Tenta inutilmente estabelecer no mundo um reinado de ódio.

Cristo Rei oferece-nos um reinado de Amor e não perde batalhas, muito embora não as queira ganhar ao estilo dos homens: com triunfalismo e humilhando os vencidos. Começa por nos amar até à loucura e convida-nos a imitá-l’O no amor aos irmãos.

Há frequentemente a tentação de pensar numa vinda espectacular de Cristo que, sem trabalho algum da nossa parte, sem conversão pessoal, transforme o mundo.

Não é este o projecto de Deus. Ele venceu pela Cruz, aparentemente derrotado, oferecendo-nos a maior prova de Amor.

Depois de aceitarmos o amor de Deus, temos de o oferecer também às pessoas que partilham connosco a existência na terra, de tal modo que esta vida se transforme já num começo da comunhão com a Santíssima Trindade e com todos os bem-aventurados que nos espera na eternidade.

2. O Reinado do Amor de Deus

a) Reino da Verdade e do Amor. «Disse-Lhe Pilatos: “Então, Tu és Rei?” Jesus respondeu-lhe: “É como dizes: sou Rei.”»

Pilatos receava que Jesus fosse um ambicioso político que vinha roubar-lhe o lugar e fazer frente ao poder de Tibério, Imperador de Roma.

O Mestre procura esclarecer completamente a verdade. Quando Pilatos Lhe pergunta se é Rei, indaga cuidadosamente qual é o sentido daquela pergunta: é um romano que a faz, cioso de defender o império, ou foram os Seus conterrâneos que o disseram e, portanto, significa que Ele se apresenta como Messias?

Quando Pilatos Lhe responde que foram os judeus que O acusaram de Se proclamar Rei, isto é o Messias esperado, então Ele responde: «Sim, Eu sou Rei»; quer dizer: Eu sou o Redentor do mundo prometido.

Mas, para que Pilatos não ficasse com dúvidas, o Senhor acrescenta que o Seu Reino não é temporal, como o dos políticos. Não é deste mundo.

Não vem estabelecer o Seu reinado valendo-se da força das armas, inseparável da crueldade e da injustiça. Vem conquistar os corações pelo Amor. E a maior prova disso vai ser a Sua Paixão e Morte. Jesus disse em certa ocasião: «Ninguém tem maior amor ao irmão do que aquele que dá a vida pelo seu irmão.»

 

b) Reinado espiritual. «Jesus respondeu: “O meu reino não é deste mundo. [...]»

A tentação de um triunfalismo temporal, ruidoso, ao gosto dos homens, tem sido uma tentação de todos os tempos, na história da Igreja.

Estamos sempre à espera que Jesus Cristo, com uma vinda solene e assustadora, acabe com todos os males e castigue os que prevaricaram. Ainda hoje aparecem pessoas suspeitas a dar-nos uma imagem deformada do verdadeiro plano da Redenção.

A santidade pessoal passa pela Cruz, e a renovação do mundo começa pelo coração de cada um de nós. Não há outro caminho senão este para estabelecer o reinado de Cristo.

É verdade que precisamos na Igreja dum mínimo de organização e de visibilidade, para que Jesus Cristo Se revele aos homens.

Mas não podemos fazer disto o essencial, apostando nas manifestações externas num aparato de triunfalismo, com a alma deserta de qualquer amor de Deus.

É necessário ter sempre presente o que nos disse Jesus: «O reino de Deus está dentro de vós». (Lc 17, 21).

É essencialmente isto reino que pedimos todos os dias, quando rezamos o Pai nosso, ensinado por Jesus: «Venha a nós o Vosso Reino». Equivale a pedir: “Fazei-nos santos.”

 

c) Reino de santidade e de graça. «Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz

São os santos que nos mostram o verdadeiro rosto da Igreja de Cristo: a família dos filhos de Deus humilde, servidora e profundamente empenhada em crescer na intimidade com o Pai e em ajudar as outras pessoas a ir ao encontro de Cristo.

Aqueles que alimentam a ilusão de poderem agradar a Deus – crescer em santidade pessoal – desinteressando-se, ao mesmo tempo, de ajudar os outros – o homem todo –, não entende o que é ser cristão.

A fidelidade ao reinado de Cristo começa pela escuta atenta da Sua voz que se faz ouvir na Sagrada Escritura e no Magistério da Igreja.

Pede-nos, depois, um empenhamento sério na ajuda aos nossos irmãos. «Mais ainda: é tanta neste corpo a conexão e coesão dos membros (cfr. Ef. 4, 16), que se deve dizer que não aproveita nem à Igreja nem a si mesmo aquele membro que não trabalhar para o crescimento do corpo, segundo a própria capacidade.» (Vaticano II, Dec. Sobre o Apostolado dos Leigos Apostolicam Actuositatem, n.º 2).

É para ouvirmos a voz de Jesus Cristo Rei do Universo que Ele nos convoca e reúne no primeiro dia de cada semana – o Domingo – para nos falar, esclarecendo as nossas dúvidas e rasgando novos horizontes para caminharmos ao Seu encontro.

O Senhor dá-Se-nos na Palavra e na Eucaristia, para que possamos edificar, de mãos dadas com Ele um Reino de verdade e de vida, de santidade e de graça, de justiça, de amor e de paz.

Que Nossa Senhora, Rainha do Universo, nos ajude a sermos fieis a esta vocação de filhos de Deus e construtores do Reinado de Jesus Cristo.

 

Fala o Santo Padre

 

“O poder de Jesus Cristo Rei é o poder do Amor, que do mal sabe obter o bem.”

 

Queridos irmãos e irmãs!

Neste último domingo do Ano litúrgico celebramos a solenidade de Jesus Cristo Rei do universo, uma festa instituída recentemente, mas que tem contudo profundas raízes bíblicas e teológicas. O título "rei", referido a Jesus, é muito importante nos Evangelhos e permite fazer uma leitura completa da sua figura e da sua missão de salvação. Pode-se observar a este propósito uma progressão:  parte-se da expressão "rei de Israel" e chega-se à de rei universal, Senhor da criação e da história, portanto muito além das expectativas do próprio povo judeu. No centro deste percurso de revelação da realeza de Jesus Cristo está mais uma vez o mistério da sua morte e ressurreição. Quando Jesus é crucificado, os sacerdotes, os escribas e os idosos escarnecem-no dizendo:  "Se é o rei de Israel, desça da cruz, e acreditaremos n'Ele" (Mt 27, 42). Na realidade, precisamente porque é o Filho de Deus Jesus entregou-se livremente à sua paixão, e a cruz é o sinal paradoxal da sua realeza, que consiste na vontade do amor de Deus Pai sobre a desobediência do pecado. É precisamente oferecendo-se a si mesmo no sacrifício de expiação que Jesus se torna o Rei universal, como Ele mesmo declarará ao aparecer aos Apóstolos depois da ressurreição:  "Foi-Me dado todo o poder no céu e na terra" (Mt 28, 18).

Mas em que consiste o "poder" de Jesus Cristo Rei? Não é o dos reis e dos grandes deste mundo; é o poder divino de dar a vida eterna, de libertar do mal, de derrotar o domínio da morte. É o poder do Amor, que do mal sabe obter o bem, enternecer um coração endurecido, levar paz ao conflito mais áspero,  acender  a  esperança  na  escuridão mais  cerrada.  Este  Reino da Graça nunca se impõe, e respeita sempre a nossa liberdade. Cristo veio para "dar testemunho da verdade" (Jo 18, 37) – como declarou diante de Pilatos –:  quem acolhe o seu testemunho, coloca-se sob a sua "bandeira", segundo a imagem querida a Santo Inácio de Loyola. Portanto, torna-se necessária – sem dúvida – para cada consciência uma opção:  quem quero seguir? Deus ou o maligno? A verdade ou a mentira? Escolher Cristo não garante o sucesso segundo os critérios do mundo, mas assegura aquela paz e alegria que só Ele pode dar. Demonstra isto, em todas as épocas, a experiência de tantos homens e mulheres que, em nome de Cristo, em nome da verdade e da justiça, souberam opor-se às lisonjas dos poderes terrenos com as suas diversas máscaras, até selar com o martírio esta sua fidelidade.

Queridos irmãos e irmãs, quando o Anjo Gabriel levou o anúncio a Maria, prenunciou-lhe que o seu Filho teria herdado o trono de David e reinado para sempre (cf. Lc 1, 32-33). E a Virgem Santa acreditou ainda antes de O dar ao mundo. Depois, sem dúvida, teve que se interrogar sobre qual novo género de realeza era a de Jesus, e compreendeu-o ouvindo as suas palavras e sobretudo participando intimamente do mistério da sua morte e ressurreição. Peçamos a Maria que nos ajude também a nós a seguir Jesus, nosso Rei, como ela fez, e a dar testemunho dele com toda a nossa existência.

 

Bento XVI no Angelus, Praça de São Pedro, 22 de Novembro de 2009

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Não poderíamos ajudar a construir o Reino de Cristo,

se nos faltasse a ajuda que vem do Senhor do universo.

Imploremo-la com humildade e confiança de filhos,

pedindo a Nossa Senhora, Mãe de Deus e nossa Mãe,

para que interceda por nós junto do Senhor, nosso Deus.

Oremos (cantando):

 

    Senhor, venha a nós o Vosso Reino!

 

1. Pelo Santo Padre, com os Bispos, Presbíteros e Diáconos,

    para que nos ensine a construir o Reino de Jesus Cristo,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, venha a nós o Vosso Reino!

 

2. Pelos Pais, testemunhas da Verdade e do Amor na família,

    para que acolham generosamente os filhos e os eduquem,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, venha a nós o Vosso Reino!

   

3. Por todos os militantes das obras de apostolado da Igreja,

    para que edifiquem o Reino com o exemplo e com a palavra.

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, venha a nós o Vosso reino!

 

4. Pelos missionários que oferecem generosamente a vida,

    para que o Senhor lhes dê muita alegria, paz e consolação,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, venha a nós o Vosso reino!

 

5.  Pelos cristãos perseguidos pela sua fidelidade a Cristo,

    para que Nosso Senhor os encha de fortaleza e de alegria,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, venha a nós o Vosso reino!

 

6. Pelos nossos irmãos que já partiram e estão a ser purificados,

    para que o Senhor, por mediação de Maria, os receba na glória,

    oremos, irmãos.

 

Senhor, venha a nós o Vosso reino!

 

Senhor, que nos chamastes a esta vida na terra,

para ajudar a construir o Vosso Reino de Amor:

Concedei-nos uma coração generoso em dar,

ajudando as pessoas a descobrir a felicidade,

dom nesta vida e dom na vida que há-de vir.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

O Reino de Jesus Cristo é construído pela Palavra de Deus e pela Santíssima Eucaristia.

Depois de nos ter sentado à Mesa da Palavra, o mesmo Senhor prepara agora a Mesa da Eucaristia. Jesus Cristo, pelo ministério do sacerdote, vai transubstanciar no Seu Corpo e Sangue o pão e o vinho que levámos ao altar.

 

Cântico do ofertório: Todas as nações recebeu em herança, M. Faria, NRMS 3(II)

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, este sacrifício da reconciliação humana e, pelos méritos de Cristo vosso Filho, concedei a todos os povos o dom da unidade e da paz. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio

 

Cristo, Sacerdote e Rei do universo

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte.

Com o óleo da alegria consagrastes Sacerdote eterno e Rei do universo o vosso Filho, Jesus Cristo, Nosso Senhor, para que, oferecendo-Se no altar da cruz, como vítima de reconciliação, consumasse o mistério da redenção humana e, submetendo ao seu poder todas as criaturas, oferecesse à vossa infinita majestade um reino eterno e universal: reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça, reino de Justiça, de amor e de paz.

Por isso, com os Anjos e os Arcanjos e todos os coros celestes, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo: Santo I, H. Faria, NRMS 103-104

 

Saudação da Paz

 

O Reino que Jesus Cristo veio fundar é um Reino de Paz, de Verdade, de Justiça e de Amor.

Ajudemos a construí-lo, perdoando e aceitando ser perdoados, para que reine entre todos a verdadeira paz que Ele veio trazer ao mundo.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

A sagrada comunhão é o encontro mais íntimo que podemos ter na terra com o Senhor do universo.

Não faria, pois, sentido comungar sem estarmos em comunhão com Ele pela graça santificante. O mínimo que nos pode ser pedido é que não tenhamos qualquer pecado grave na consciência.

Aproximemo-nos com toda a fé, humildade, reverência e amor do Senhor que Se fez nosso Alimento.

 

Cântico da Comunhão: Se escutais a Jesus Cristo, M. Carneiro, NRMS 92

Sl 28, 10-11

Antífona da Comunhão: O Senhor está sentado como Rei eterno; O Senhor abençoará o seu povo na paz.

 

Cântico de acção de graças: Povos, batei palmas, C. Silva, NRMS 48

 

Oração depois da Comunhão: Senhor, que nos alimentastes com o pão da imortalidade, fazei que, obedecendo com santa alegria aos mandamentos de Cristo, Rei do universo, mereçamos viver para sempre com Ele no reino celeste. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

O Senhor conta connosco para a edificação do Seu Reino em nosso coração e no dos nossos irmãos.

Proclamemos que Jesus Cristo é de ontem, de hoje e de sempre o único Salvador do mundo.

 

Cântico final: Aleluia! Glória a Deus, F. da Silva, NRMS 92

 

 

Homilias Feriais

 

34ª SEMANA

 

2ª Feira, 26-XI: Vida eterna e desprendimento.

Ap 14, 1-3. 4-5 / Lc 21, 1-4

Então afirmou: Em verdade vos digo: esta viúva pobre deitou mais do que todos.

O discípulo de Jesus deve viver o desprendimento dos bens materiais: «Jesus impõe aos seus discípulos que o prefiram a tudo e a todos e propõe-lhes que renunciem a todos os seus bens por causa d’Ele e do Evangelho» (CIC, 2544).

Este desprendimento é também necessário para alcançar a vida eterna: «Pouco antes da sua paixão, deu-lhes o exemplo da viúva pobre de Jerusalém que, da sua penúria, deu tudo o que tinha para viver (Ev.) O preceito do desapego das riquezas é obrigatório para entrar no reino dos céus» (CIC, 2544).

 

3ª Feira, 27-XI: A vitória do reino de Cristo.

Ap 14, 14-19 / Lc 21, 5-11

Mestre, porque será tudo isto? Que sinal haverá de que está para acabar?

Jesus profetiza a destruição do magnífico Templo de Jerusalém, orgulho dos judeus (Ev.). Mas também se refere ao fim dos tempos. Quando acontecerá? «Mete a tua foice e ceifa, pois chegou a hora de ceifar; a seara da terra está madura» (Leit.).

O reino de Cristo ainda não está acabado. «É ainda atacado pelos poderes do mal, embora estes já tenham sido radicalmente vencidos pela Páscoa de Cristo. Por este motivo, os cristãos oram, sobretudo na Eucaristia, para que se apresse o regresso de Cristo, dizendo-lhe: «Vem, Senhor Jesus» (CIC, 671).

 

4ª Feira, 28-XI: Firmeza nas tribulações.

Ap 15, 1-4 / Lc 21, 12-19

Deitar-vos-ão as mãos e hão-de perseguir-vos, para vos entregarem às sinagogas e às prisões.

«Antes da vinda de Cristo, a Igreja deverá passar por uma prova final, que abalará a fé de numerosos crentes. A perseguição, que acompanha a sua peregrinação na terra (Ev.), porá a descoberto o ‘mistério da iniquidade’» (CIC, 675).

No meio dos obstáculos e dificuldades, havemos de nos esforçar por nos mantermos firmes. Esta fidelidade é possível porque se apoia em Deus: «Porque só vós sois santo, e todas as nações virão prostrar-se diante de vós, pois se manifestaram os vossos santos desígnios» (Leit.).

 

5ª Feira, 29-XI: O juízo final e a conversão.

Ap 18, 1-2. 21-23; 19, 1-3. 9 / Lc 21, 20-28

Nessa altura verão o Filho do homem vir numa nuvem com grande poder e glória.

A consumação do reino far-se-á através de uma vitória sobre a revolta do mal (Leit.), que tomará a forma de juízo final, após o último abalo cósmico deste mundo passageiro.

Quando se der esta vinda gloriosa de Cristo (Ev.), terá lugar o juízo final: «A mensagem do juízo final é um apelo à conversão, enquanto Deus dá ainda aos homens o tempo favorável, o tempo de salvação» (CIC, 1041). Podemos ir aproveitando esta mensagem através de pequenas conversões diárias.

 

6ª Feira, 30-XI: S. André: A sua vocação e missão.

Rom 10, 9-18 / Mt 4, 18-22

Quando viu dois irmãos, Simão, que é chamado Pedro, e seu irmão André. Eles deixaram logo as redes e seguiram-no.

S. André foi dos primeiros discípulos a ouvir o chamamento do Senhor, e a segui-lo (Ev.). Todos recebemos a vocação cristã que, ao longo da vida, se vai concretizando em novos apelos do Senhor: para melhorar a nossa vida espiritual, a vida familiar, o trabalho, a caridade. É preciso levar à prática esses apelos do Senhor.

Segundo uma tradição pregou o Evangelho na Grécia e morreu na Acaia, crucificado numa cruz em forma de X. Cumpriu a sua missão: «A voz deles propagou-se a toda a terra, e as suas palavras, até aos confins do mundo» (Leit.).

 

Sábado, 1-XII: Preparação para viver sempre com Cristo.

Ap 22, 1-7 / Lc 21, 34-36

Velai, pois, e orai em todo o tempo, para terdes a força de fugir a tudo isto que está para acontecer e de comparecer diante do Filho do homem.

«Jesus apela à conversão e à fé, mas também à vigilância. Na oração, o discípulo vela, atento àquele que é e que vem, na humildade da carne e na esperança da sua segunda vinda na glória. Em comunhão com o Mestre, a oração dos discípulos é um combate» (CIC, 2612). Esta vigilância estende-se também ao campo da mortificação, lutando contra a intemperança, a embriaguez e as preocupações da vida (Ev.).

Assim perfeitamente purificados viveremos para sempre com Cristo. Seremos semelhantes a Deus, porque o veremos face a face (Leit. e CIC, 1023).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 



[1]              Assim pensa L. Cerfaux, Le Christ dans la théologie de Saint Paul, Paris, Cerf, 21954, pp. 29-34. J. Dupont pensa antes na analogia Ex 19, 17 – o encontro do povo com Yahwéh –, mas o termo grego usado pelos LXX é outro.


 [GC1]* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 [GC2]* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 [ CC3]*Vaticano II - Constituição Gaudium et Spes, Congregação para a Doutrina da Fé – Instrução sobre alguns aspetos da teologia da libertação (1984) e Instrução sobre a liberdade cristã e a libertação (1986)

 

 [ CC4]

 [ CC5]

 [ CC6]*Bento XVI- Caminhar juntos na Fé –A.O. Braga.2005, p.151

 


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