33º Domingo Comum

18 de Novembro de 2012

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Chegue até vós, Senhor, F. dos Santos, NCT 213

Jer 29, 11.12.14

Antífona de entrada: Os meus pensamentos são de paz e não de desgraça, diz o Senhor. Invocar-Me-eis e atenderei o vosso clamor, e farei regressar os vossos cativos de todos os lugares da terra.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A liturgia da Palavra deste 33º Domingo do Tempo Comum, apresenta-nos textos chamados apocalípticos que, se forem interpretados à letra, nos podem levar a pensar que se referem ao fim do mundo.

A forma apocalíptica é uma linguagem que foi muito utilizada no tempo de Jesus, bem como anteriormente, e cujos ensinamentos eram transmitidos em forma de imagens misteriosas.

Estes livros foram escritos em tempos históricos muito difíceis quando o povo se interrogava como e quando acabaria o sofrimento por que estava a passar.

Chegou, de facto, o fim do mundo, mas não se identifica com a destruição da terra, da humanidade ou dos seres materiais, mas sim com a vinda do Reino de Deus. As palavras de esperança que neles estão contidas continuam a ser válidas para todos nós sempre que temos situações semelhantes às daqueles tempos e lembram-nos que a nossa vida neste mundo é uma breve passagem que prepara a entrada definitiva no Reino.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, concedei-nos a graça de encontrar sempre a alegria no vosso serviço, porque é uma felicidade duradoira e profunda ser fiel ao autor de todos os bens. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Daniel, nesta leitura, anuncia-nos uma mensagem de esperança: a maldade, a injustiça, a perseguição, a crise, já estão para acabar e está para surgir um reino de justiça e de paz, o Reino de Deus.

 

Daniel 12, 1-3

1Naquele tempo, surgirá Miguel, o grande chefe dos Anjos, que protege os filhos do teu povo. Será um tempo de angústia, como não terá havido até então, desde que existem nações. Mas nesse tempo, virá a salvação para o teu povo, para aqueles que estiverem inscritos no livro de Deus. 2Muitos dos que dormem no pó da terra acordarão, uns para a vida eterna, outros para a vergonha e o horror eterno. 3Os sábios resplandecerão como a luz do firmamento e os que tiverem ensinado a muitos o caminho da justiça brilharão como estrelas por toda a eternidade.

 

O texto, seleccionado em função do discurso escatológico do Evangelho, é tirado da segunda parte do livro de Daniel (7, 1 – 12, 13), que consta de quatro visões. Estamos no desenlace final das guerras que se seguem à última visão: após a derrota de Antíoco IV Epífanes, «então chegará o fim e não haverá ninguém que lhe preste auxílio» (11, 45). A partir da «angústia» das guerras da época, o autor, à maneira do estilo apocalíptico, leva-nos a dar o salto para os tempos finais e decisivos, dos quais a situação presente não é mais do que um prenúncio e um prelúdio: a salvação final virá de Deus, trazida pela mediação de Miguel, o anjo protector do povo de Israel, «o grande chefe dos Anjos», uma figura que também aparece em Dan 10, 13.20-21 e em Apoc 12, 7-9; o seu nome hebreu, «mi-ka-El», significa «quem como Deus?»; de patrono do antigo povo de Deus, passou a patrono da Igreja, o novo Israel de Deus, que lhe presta especial culto.

A salvação aparece como reservada «para aqueles que estiverem inscritos no livro de Deus», isto é, para aqueles que permaneceram fiéis a Deus. A imagem do livro da vida é corrente no Antigo Testamento, donde passa para o Novo; se fosse hoje, teríamos a imagem da base de dados. O autor sagrado situa-nos numa perspectiva nova, que representa um grande avanço relativamente à pregação dos profetas, que, ao falarem de ressurreição, visavam uma ressurreição colectiva do povo, a sua restauração (cf. Is 26, 19; Ez 37); o livro 2º dos Macabeus também fala duma ressurreição individual, que não é a pura imortalidade helénica, mas limita-se a referi-la ao caso dos mártires (2 Mac 7, 9-14.29; 12, 43-44). Dan 12, 2 fala de uma ressurreição com duas sortes opostas e definitivas: para «uns será para a vida eterna», para outros será «para a vergonha e o horror eterno» (cf. Jo 5, 29; Mt 25, 34.41.46).

 

Salmo Responsorial     Sl 15 (16), 5.8.9-10.11 (R. 1)

 

Monição: O meu coração se alegra e a minha alma exulta, proclamaremos nós neste salmo responsorial, porque sabemos que o Senhor nos defende de todo o mal, pois Ele é o nosso refúgio.

 

Refrão:        Defendei-me, Senhor: Vós sois o meu refúgio.

 

Ou:               Guardai-me, Senhor, porque esperei em Vós.

 

Senhor, porção da minha herança e do meu cálice,

está nas vossas mãos o meu destino.

O Senhor está sempre na minha presença,

com Ele a meu lado não vacilarei.

 

Por isso o meu coração se alegra e a minha alma exulta

e até o meu corpo descansa tranquilo.

Vós não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos,

nem deixareis o vosso fiel sofrer a corrupção.

 

Dar-me-eis a conhecer os caminhos da vida,

alegria plena em vossa presença,

delícias eternas à vossa direita.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Foi através do sacrifício de Cristo com a Sua Paixão, Morte e Ressurreição que fomos libertos do pecado e da morte. Daí que tenhamos fé e não nos angustiemos, embora aceitando haver no mundo ainda miséria, maldade e muitas atrocidades.

 

Hebreus 10, 11-14.18

11Todo o sacerdote da antiga aliança se apresenta cada dia para exercer o seu ministério e oferecer muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca poderão perdoar os pecados. 12Cristo, ao contrário, tendo oferecido pelos pecados um único sacrifício, sentou-Se para sempre à direita de Deus, 13esperando desde então que os seus inimigos sejam postos como escabelo dos seus pés. 14Porque, com uma única oblação, Ele tornou perfeitos para sempre os que Ele santifica. 15Onde há remissão dos pecados, já não há necessidade de oblação pelo pecado.

 

O texto é extraído da 1ª parte do capítulo 10 da Hebreus, onde se faz uma recapitulação do discurso sobre o sacerdócio de Cristo, em concreto, no que diz respeito à perfeição e eficácia do seu sacrifício (vv. 1-18).

11-14 «Cristo, ao contrário, (...) sentou-se para sempre». Esta expressão procede do Salmo 110 (109), 1; e o gesto de sentado aparece em contraposição com o gesto dos sacerdotes da Antiga Lei, que, de pé, «cada dia», oficiavam no Templo, denunciando assim a sua própria insuficiência. Mas Cristo, consumada a sua obra salvadora de uma vez para sempre, «tendo oferecido pelos pecados um único sacrifício», pôde sentar-se como quem já cumpriu a sua missão, aguardando que os frutos do seu sacrifício cheguem a todos e que os seus inimigos, que resistem a beneficiar da Redenção, sejam definitivamente sepultados no seu próprio fracasso (notar como são os inimigos a cair vencidos sob os pés de Cristo, não é Ele a desencadear um ataque avassalador). A superioridade e perfeição do sacerdócio de Cristo – sacerdote eterno – está patente em não precisar de oferecer muitas vezes os mesmos sacrifícios rituais (v. 11); assim, «tornou perfeitos para sempre os que Ele santifica» (v. 14).

18 A exposição doutrinal fecha-se com uma frase que diz tudo: «Onde há remissão dos pecados, já não há necessidade de oblação pelo pecado», isto é, caducou o culto levítico. É em vão que alguns se apoiaram aqui, como os protestantes, para negar o carácter sacrificial da Santa Missa, pois esta não é algo que se soma ao sacrifício da Cruz, constituindo mais outro sacrifício; ela é um sacrifício relativo, que torna presente e aplica o mesmo e único sacrifício do Calvário. Com efeito, como ensina João Paulo II, «este sacrifício é tão decisivo para a salvação do género humano que Jesus realizou-o e só voltou ao Pai depois de nos ter deixado o meio para dele participarmos como se tivéssemos estado presentes» (Ecclesia de Eucharistia, 11).

 

Aclamação ao Evangelho          Lc 21, 36

 

Monição: A vigilância e a oração constantes são a condição para assimilarmos e vivermos sadiamente a Palavra de Jesus, a fim de aumentarmos a nossa fé e sermos fiéis aos Seus desejos de esperança e de paz.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia Gregoriano

 

Vigiai e orai em todo o tempo,

para poderdes comparecer diante do Filho do homem.

 

 

Evangelho

 

São Marcos 13, 24-32

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 24«Naqueles dias, depois de uma grande aflição, o sol escurecerá e a lua não dará a sua claridade; 25as estrelas cairão do céu e as forças que há nos céus serão abaladas. 26Então, hão-de ver o Filho do homem vir sobre as nuvens, com grande poder e glória. 27Ele mandará os Anjos, para reunir os seus eleitos dos quatro pontos cardeais, da extremidade da terra à extremidade do céu. 28Aprendei a parábola da figueira: quando os seus ramos ficam tenros e brotam as folhas, sabeis que o Verão está próximo. 29Assim também, quando virdes acontecer estas coisas, sabei que o Filho do homem está perto, está mesmo à porta. 30Em verdade vos digo: Não passará esta geração sem que tudo isto aconteça. 31Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão. 32Quanto a esse dia e a essa hora, ninguém os conhece: nem os Anjos do Céu, nem o Filho; só o Pai».

 

Temos, a terminar o ano litúrgico, uma parte final do chamado discurso escatológico (sobre o fim dos tempos), ou apocalíptico (de revelação de coisas ocultas), comum aos três Sinópticos. É um discurso algo enigmático, o que ajuda a pôr em evidência o seu ensinamento central, que não é deprimente e catastrófico (como por vezes se entendeu), mas de apelo à esperança e à vigilância: «o Filho do homem está perto» (v. 29); «tomai cuidado, vigiai!» (v. 33; cf. vv. 9.23.35.37).

24 «Depois de uma grande aflição», isto é, a que antes foi descrita (vv. 14-20): a ruína de Jerusalém (figura do fim do mundo), ou mais provavelmente o aparecimento de falsos messias e falsos profetas (vv. 21-23).

24-25 «Sol…, Lua…, estrelas…, forças do Céu...» Jesus, servindo-se dum estilo corrente na época, o apocalíptico, apresenta o próprio cosmos a estremecer perante o Supremo Juiz; as convulsões cósmicas eram um artifício para anunciar uma próxima, decisiva e poderosa intervenção de Deus, o Senhor do Universo (cf. Joel 2, 10; 3, 3-4).

26 «O Filho do homem vir sobre as nuvens», numa alusão ao célebre texto de Daniel 7, 13. A imagem das nuvens exprime admiravelmente a majestade divina de Jesus: Ele aparecerá à vista de todos como Deus que é. Com efeito, no A. T. Deus revela-se no claro-escuro das nuvens (estas ocultam-no e revelam-no), as quais também constituem como que o seu carro (Is 19, 1; Salmo 104 (103), 3) e a sua tenda (2 Sam 22-12; Salmo 18 (17), 12).

28-31 «Aprendei…». Os discípulos de Jesus, imbuídos das ideias judaicas do tempo, estavam incapacitados para distinguir duas realidades distintas de que Jesus lhes acabava de falar: a destruição de Jerusalém (vv. 5-20) e o fim do mundo (vv. 21-27), uma vez que, sendo Jerusalém a capital messiânica de todo o mundo (cf. Is 2, 2-5), esta seria tão indestrutível como o próprio reino messiânico. Por isso, Jesus sente necessidade de ser ainda mais explícito: «não passará esta geração sem que tudo isto aconteça», a saber, o que se refere à destruição de Jerusalém; e é ainda mais enérgico ao acrescentar: «passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão». De facto, não tardou que estalasse a guerra judaica contra os Romanos, 26 anos depois, quando o procurador Floro exigiu uma grande soma tirada do próprio tesouro do Templo. Nero encarregou Vespasiano de esmagar a rebelião; mais tarde, o seu filho Tito, após cinco meses de heróica resistência judaica, conquista Jerusalém, nos finais de Agosto do ano 70. Segundo conta Flávio José, Tito queria poupar o santuário da destruição, mas quando o viu a arder, não podendo dominar o incêndio, mandou que fosse totalmente arrasado, não tendo ficado até hoje pedra sobre pedra (cf. Mc 13, 2); as muralhas que hoje restam não são as do Templo, mas as dos muros que cercavam o adro exterior (átrio dos gentios).

32 «Esse dia e essa hora ninguém os conhece... nem o Filho». Passagem que se refere ao fim do mundo; já nos profetas habitualmente era designado deste modo: «aquele dia». Em Is 8, 9; Jer 4, 23-26; Ez 32, 7-8; Joel 2, 1.11; 4, 15-16; Ag 2, 6; etc. Este dia é o momento histórico da intervenção de Deus a favor do seu povo, em que salvará os que lhe são fiéis e castigará os que se lhe opõem. Sobretudo a partir de Daniel (9, 26; 11, 27; 12-13), este «dia» passa a designar o fim do mundo, precedido de uns tempos finais. Mas como é possível que Jesus não conheça este momento? Não parece correcto dizer que Jesus o ignorava enquanto homem, uma vez que não podia ignorar o que se relacionava com a sua missão de Salvador e Juiz. A afirmação de Cristo, porém, justifica-se pelo facto de se tratar de um conhecimento que não fazia parte daquele conjunto de coisas que tinha missão de revelar: era como se não conhecesse esse dia e hora.

 

Sugestões para a homilia

 

§  Saber interpretar os livros apocalípticos

§  Para pôr em prática a Palavra escutada

§  Prosseguindo com fé e esperança a nossa peregrinação neste mundo

Saber interpretar os livros apocalípticos

Os chamados livros apocalípticos nasceram em momentos da história em que o povo sofria grandes dificuldades, vexações e angústias. Apenas os destinatários os poderiam compreender, pois os seus ensinamentos eram transmitidos por imagens misteriosas, mas informativas. Ora, quem interpretar à letra estas imagens corre o risco de incorrer em grave erro e associá-las ao fim do mundo, como acontece com certas pessoas mal informadas a tal respeito.

Estas leituras, tal como acontece com a primeira leitura e o Evangelho deste dia, anunciam a esperança fazendo passar a mensagem de que a crueldade, a arbitrariedade, a perseguição, o momento difícil em que as pessoas vivem já estão a acabar e está para surgir um reino de justiça e de paz.

As palavras de esperança contidas no Livro de Daniel não foram dirigidas apenas aos judeus escravizados e perseguidos no tempo do desumano rei Antíoco. Elas são dirigidas e válidas sempre para todos aqueles que vivem situações análogas em qualquer tempo. O pensamento apocalíptico entrou hoje na vida quotidiana com novas figuras, a da crise por exemplo, ou da catástrofe ecológica, pois nos revelam algo de fundamental a propósito do mundo humano e da sua desordem. Mas nenhuma canseira será vã, nenhuma lágrima, nenhum sofrimento, nenhum sacrifício, se perderá. A nossa fidelidade à Palavra e a correcta interpretação dos sinais dos tempos, apressarão o nascimento do mundo novo anunciado e também nós participaremos na glória do reino de Deus. Saibamos escutar atentamente a Palavra de Deus, especialmente neste ano que somos chamados a viver em «Ano da Fé», proclamado por Bento XVI.

A vida obriga ao discernimento, à palavra da verdade que é o lugar onde respiramos a paz, após a fuga da selva obscura onde o medo é o senhor e nós escravos. A verdade anunciada é o tirar o véu definitivo ao mal que nos repete, e, simultaneamente, o reconhecimento de um salvador, um Nome que está acima de todo o nome. Ao escutar a sua Palavra devemos saber pô-la em prática.

Para pôr em prática a Palavra escutada

É isto que Jesus pretende ensinar aos seus discípulos com as palavras que lemos no Evangelho. Ele não quer meter medo aos seus discípulos, mas consolá-los, como fez Daniel na primeira leitura. O seu discurso é uma resposta que S. Marcos aproveita para contrapor aos graves problemas da comunidade cristã do seu tempo.

A estes cristãos intensamente perseguidos e humilhados, arriscados a deixar-se vencer pelo desânimo, Marcos recorda-lhes as palavras de Jesus: o Filho do Homem não permitirá que sejam dispersos. Reuni-los-á não para o juízo, para «ajustar contas», mas para a salvação. Não manifesta nenhuma intimação, mas faz uma predição de alegria: nenhum dos eleitos será esquecido, nenhum se perderá.

O texto aconselha-nos a não atender às pessoas exageradas, que começam a vaticinar catástrofes e a proximidade do fim do mundo. Pelo contrário, ensina-nos a espalhar sempre o optimismo à nossa volta. Embora não negando as dificuldades que nos rodeiam e os problemas e dramas com que nos debatemos, não os devemos tomar como sinais de morte, mas antes como dores de parto que precedem o nascimento de uma nova vida, são sinais de esperança e fonte de amor, alegria e paz que somos chamados a anunciar.

Só o Pai, e mais ninguém, conhece o dia e a hora em que o reino de Deus terá a sua realização.

Quantos fracassos, quantos atropelos, quantas decepções na nossa vida: amigos que nos enganam, filhos que nos decepcionam, parentes que provocam desavenças, pessoas que são desleais, perseguições a que muitos cristãos estão sujeitos fazem parte do quotidiano das nossas vidas.

Jesus convida todas as pessoas que sofrem por amarem a verdade, a justiça, a paz e a liberdade, a não desanimarem. Mesmo nos momentos mais difíceis devem descobrir os sinais do reino de Deus.

Também nos podemos sentir aterrados perante os cataclismos políticos, económicos e sociais que se vivem neste mundo global. Não podemos fugir da globalização, nem do crescimento económico mundial que criou novas formas de desigualdades e de violência.

O fim dos tempos somos nós que o impomos a nós mesmos, nos papéis de vítima inocente, do pecador malfeitor ou do anjo exterminador. Quando invocamos o Espírito Santo não é para que nos enxugue as lágrimas, mas para que «renove a face da Terra». É essa a fé e a esperança que a vivência da Palavra nos convida a pôr em prática na nossa peregrinação neste mundo.

Prosseguindo com fé e esperança a nossa peregrinação neste mundo

A catástrofe-revelação já aconteceu, não no fim, mas no meio da história, com a morte e ressurreição de Cristo, que não se deixou arrastar pela excitação apocalíptica.

Quem estiver convencido de que o mal já foi vencido pelo momento sacrificial de Cristo, não se angustia, mesmo que seja obrigado a admitir que no mundo continua a haver muita desgraça, muita impiedade, muita corrupção e muitos crimes.

Quem se deixa vencer pelo terror perante um inimigo já vencido, manifesta uma fé muito fraca, porque, como nos refere a segunda leitura, Jesus tornou perfeitos para sempre os que Ele santifica.

A linguagem apocalíptica era a linguagem do desejo: «Vem!»: «O esposo e a esposa dizem: vem!». É esse desejo que teremos de acender no tempo presente, se é o Esposo (Cristo) que o nosso coração procura nesta peregrinação por este mundo.

Que o Espírito nos conduza pela direcção correcta a caminho do reino e fortaleça a nossa alegria, a nossa fé e a nossa esperança nesse mundo novo prometido, sabendo que Deus é fiel à Sua promessa.

 

Fala o Santo Padre

 

“A Palavra de Deus é semente de eternidade

que transforma a partir de dentro este mundo e o abre ao Reino dos Céus.”

 

Queridos irmãos e irmãs!

Chegamos às duas últimas semanas do ano litúrgico. Agradecemos ao Senhor que nos concedeu cumprir, mais uma vez, este caminho de fé – antigo e sempre novo – na grande família espiritual da Igreja! É um dom inestimável, que nos permite viver na história o mistério de Cristo, acolhendo nos sulcos da nossa existência pessoal e comunitária a semente da Palavra de Deus, semente de eternidade que transforma a partir de dentro este mundo e o abre ao Reino dos Céus. No itinerário das Leituras bíblicas dominicais acompanhou-nos este ano o Evangelho de São Marcos, que hoje apresenta uma parte do sermão de Jesus sobre o fim dos tempos. Neste sermão, há uma frase que surpreende pela sua clareza sintética: "O céu e a terra passarão, mas as Minhas palavras não passarão" (Mc 13, 31). Detenhamo-nos um momento a reflectir sobre esta profecia de Cristo.

A expressão "o céu e a terra" é frequente na Bíblia para indicar todo o universo, a criação inteira. Jesus declara que tudo isto está destinado a "passar". Não só a terra, mas também o céu, que aqui é entendido precisamente em sentido cósmico, não como sinónimo de Deus. A Sagrada Escritura não conhece ambiguidades: toda a criação está marcada pela finitude, incluídos os elementos divinizados pelas antigas mitologias: não há confusão alguma entre a criação e o Criador, mas uma diferença evidente. Com esta clara distinção, Jesus afirma que as suas palavras "não passarão", ou seja, estão da parte de Deus e por isso são eternas. Mesmo se pronunciadas na sua existência terrena concreta, elas são palavras proféticas por excelência, como afirma noutro lugar Jesus dirigindo-se ao Pai celeste: "porque lhes dei as palavras que Tu Me destes e eles receberam-nas; reconheceram verdadeiramente que saí de Ti e creram que Me enviaste" (Jo 17, 8). Numa célebre parábola, Cristo compara-se com o semeador e explica que a semente é Palavra (cf. Mc 4, 14): quantos a ouvem, a acolhem e dão fruto (cf. Mc 4, 20) fazem parte do Reino de Deus, isto é, vivem sob o seu senhorio; permanecem no mundo, mas já não são do mundo; levam em si o germe de eternidade, um princípio de transformação que se manifesta já agora numa vida boa, animada pela caridade, e no final produzirá a ressurreição da carne. Eis o poder da Palavra de Cristo.

Queridos amigos, a Virgem Maria é o sinal vivo desta verdade. O seu coração foi "terra boa" que acolheu com plena disponibilidade a Palavra de Deus, de modo que toda a sua existência, transformada segundo a imagem do Filho, foi introduzida na eternidade, alma e corpo, antecipando a vocação eterna de cada ser humano. Agora, na oração, façamos nossa a sua resposta ao Anjo: "Faça-se em mim segundo a tua vontade" (Lc 1, 38), para que, seguindo Cristo pelo caminho da Cruz, possamos alcançar também nós a glória da ressurreição.

 

Bento XVI no Angelus, Praça de São Pedro, 15 de Novembro de 2009

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos:

peçamos ao Senhor que nos ajude

a escutar a sua Palavra para a vivermos

como fonte de amor, alegria, esperança e paz,

rezando:

 

    Senhor, ajudai-nos a viver em esperança.

 

1.     Pelo Papa, Bispos, Presbíteros e Diáconos,

para que saibam anunciar e viver a esperança

do reino neste conturbado mundo,

oremos, irmãos.

 

2.     Por toda a humanidade,

para que se aperceba que nenhum sofrimento,

canseira ou sacrifício feito neste mundo,

se perderá, porque não acaba tudo com esta vida,

oremos, irmãos.

 

3.     Por todos os fiéis, para que Cristo os santifique,

a fim de que espalhem sempre o optimismo à sua volta,

apesar dos sinais contrários que a vida apresenta,

oremos, irmãos.

 

4.     Por todos nós aqui hoje reunidos,

para que ajudemos a construir um mundo novo

acreditando firmemente em alcançar as alegrias eternas,

oremos, irmãos.

 

5.     Pela nossa comunidade orante,

para que nunca se deixe vencer pelo desânimo

mas saiba ser portadora de esperança e felicidade

para todos os homens,

oremos, irmãos.

 

Senhor nosso Deus,

que sois o único que conhece o dia e a hora

em que o reino de Deus terá a sua plena realização,

ajudai-nos a saber procurar a justiça, a paz e a liberdade,

sem nunca desanimarmos.

Por Jesus Cristo, nosso Senhor,

Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Senhor, nós vos oferecemos, B. Salgado, NRMS 5 (II)

 

Oração sobre as oblatas: Concedei-nos, Senhor, que os dons oferecidos para glória do vosso nome nos obtenham a graça de Vos servirmos fielmente e nos alcancem a posse da felicidade eterna. Por Nosso Senhor...

 

Santo: F. Silva, NRMS 99-100

 

Monição da Comunhão

 

Somente a escuta atenta da Palavra que é o próprio Verbo, Jesus Cristo Nosso Senhor, e a sua vivência coerente nos podem conduzir à plena recepção e comunhão verdadeira do Seu Corpo e Sangue, realmente presentes sobre o altar.

 

Cântico da Comunhão: O Corpo de Jesus é alimento, A. Cartageno, NRMS 60

Sl 72, 28

Antífona da Comunhão: A minha alegria é estar junto de Deus, buscar no Senhor o meu refúgio.

Ou:   

Mc 11, 23.24

Tudo o que pedirdes na oração vos será concedido, diz o Senhor.

 

Cântico de acção de graças: É bom louvar-Te Senhor, M. Carneiro, NRMS 84

 

Oração depois da Comunhão: Depois de recebermos estes dons sagrados, humildemente Vos pedimos, Senhor: o sacramento que o vosso Filho nos mandou celebrar em sua memória aumente sempre a nossa caridade. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Que o nosso coração se alegre e a nossa alma exulte, como rezávamos no salmo responsorial deste domingo, porque sabemos que Deus é fiel e que mesmo nos momentos mais difíceis da nossa vida, nos ajuda a descobrir os sinais do reino que se aproxima. Não vivamos angustiados, mesmo que admitamos que neste mundo continua a haver muita desgraça, muita incredulidade, muita corrupção e muitos crimes, pois temos a certeza de que o Senhor sempre nos auxilia a descobrir, na sua Palavra e nos sinais dos tempos, o mundo novo que nasce do reino do mal já vencido pelo sacrifício de Jesus Cristo.

 

Cântico final: Louvado seja o meu Senhor, J. Santos, NRMS 30

 

 

Homilias Feriais

 

33ª SEMANA

 

2ª Feira, 19-XI: A fé e o amor a Deus.

Ap 1, 1-4 / Lc 18, 35-43

Que queres que eu faça? Ele respondeu-lhe: Que veja, Senhor!

Ao passar Jesus perto de Jericó, um cego pede-lhe a cura. O Senhor louva a fé do cego: «pois vê, que a tua fé te salvou» (Ev.). «Os sinais realizados por Jesus convidam a crer nele. Aos que se lhe dirigem com fé, concede-lhes o que pedem (Ev.)» (CIC, 548).

Uma fé viva exige obras. E o Senhor pergunta-nos: «Tenho contra ti que deixaste perder a tua caridade primitiva» (Leit.). Como está o nosso amor a Deus? Como se concretiza nos actos de piedade, na maneira de trabalhar e na vida familiar?

 

3ª Feira, 20-XI: Tenho desejos de aproximação do Senhor?

Ap 3, 1-6. 14-22 / Lc 19, 1-10

Olha que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei para junto dele.

Assim aconteceu (Leit.) à passagem de Jesus por Jericó: Zaqueu manifestou um grande desejo de ver Jesus (Ev.).

«Quero ver Jesus? Faço todos os possíveis para poder vê-lo? Este problema, passados dois mil anos, é tão actual como outrora. Quero verdadeiramente contemplá-lo ou evito o encontro com Ele? Prefiro não vê-lo ou que Ele não me veja? Prefiro vê-lo ao longe, não me aproximando muito, não me colocando diante dos seus olhos para não ter que aceitar toda a verdade que há nele?» (J. Paulo II).

 

4ª Feira, 21-XI: Apresentação de Nª Sª: A família de Deus.

Zac 2, 14-17 / Mt 12, 46-50

Aí está minha mãe e meus irmãos, pois todo aquele que fizer a vontade de meu Pai, que está nos céus é que é meu irmão, minha irmã e minha mãe.

Celebramos a ‘dedicação’ de Nª Senhora a Deus, de acordo com uma antiga tradição. Alegremo-nos: «Ela foi, por graça, concebida sem pecado. É a justo título que o Anjo Gabriel a saúda como ‘filha de Sião’: ‘Avé’ (Alegra-te) (Leit.)» (CIC, 722).

Queremos igualmente pôr a nossa vida ao serviço do Senhor para fazermos parte da sua família: «aceitar o convite para pertencer à família de Jesus, para viver em conformidade com a sua maneira de viver: ‘Todo o que fizer a vontade de meu Pai…’ (Ev.)» (CIC, 2233).

 

5ª Feira, 22-XI: A correspondência de Jesus e a nossa.

Ap.5, 1-10 / Lc 19, 41-44

Ao ver a cidade de Jerusalém chorou à vista dela, e disse: Se tu também soubesses, hoje ao menos, os meios de alcançar a paz!

«Jesus recorda o martírio dos profetas que tinham sido entregues à morte em Jerusalém. Quando já avista Jerusalém, chora sobre ela e exprime uma vez mais o desejo do seu coração: ‘Se neste dia, tu também soubesses’ (Ev.)» (CIC, 558). A dor de Jesus é uma consequência da falta de correspondência dos habitantes daquela cidade.

Procuremos imitar o seu exemplo: O Cordeiro foi imolado e resgatou-nos com o seu sangue, a nós homens de todas as nações, para fazer de nós um reino de sacerdotes, que vão reinar sobre a Terra (Leit.).

 

6ª Feira, 23-XI: Conhecer o projecto de Deus para cada um de nós.

Ap 10, 8-11 / Lc 19, 45-48

Vai buscar o livro aberto. Pega nele e devora-o.

O livro aberto «contém o plano criador e salvador de Deus, o seu projecto detalhado sobre a realidade inteira, sobre as pessoas, as coisas, os acontecimentos» (João Paulo II). Trata-se de saber qual o projecto que Deus tem para cada um de nós. Estejamos atentos ao que Ele nos disser: «Todo o povo ficava suspenso quando o ouvia» (Ev.).

Da nossa alma, que é templo de Deus, procuremos expulsar tudo o que não agrada a Deus, que não está de acordo com a sua vontade (Ev.).

 

Sábado, 24-XI: A Eucaristia e a fé na ressurreição dos mortos.

Ap 11, 4-12 / Lc 20, 27-40

E não se trata de um Deus de mortos, mas de vivos, porque, para Ele todos vivem.

Jesus resolve o problema colocado pelos saduceus, reafirmando a ressurreição e as propriedades dos corpos ressuscitados: «A fé na ressurreição assenta na fé em Deus, que ‘não é um Deus de mortos, mas de vivos’ (Ev.)» (CIC, 993).

A Eucaristia é também o ‘segredo’ da ressurreição: «Na Eucaristia recebemos a garantia também da ressurreição do corpo no fim do mundo: ‘Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e eu ressuscitá-lo-ei no último dia. Pela Eucaristia assinala-se, por assim dizer, o ‘segredo’ da ressurreição» (J. Paulo II).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         António E. Portela

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 

 


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