aCONTECIMENTOS eclesiais

DO MUNDO

 

 

FRANÇA

 

DECLARADAS AS VIRTUDES HERÓICAS DO

FUNDADOR DO ESCUTISMO CATÓLICO

 

Bento XVI aprovou no passado dia 10 de Maio a publicação do decreto que reconhece as “virtudes heróicas” do jesuíta francês Jacques Sévin, responsável pela integração do movimento escutista no meio católico.

 

Esta é uma etapa do processo que leva à proclamação de um fiel católico como beato, e permite que, após o reconhecimento de um milagre atribuído à intercessão do sacerdote, tenha lugar a sua beatificação, penúltima etapa para a declaração da santidade.

O Escutismo (que vem do inglês scout, explorar) surgiu em 1907, pela mão de Robert Baden-Powell, um oficial do exército britânico que, aproveitando a sua experiência militar, desenvolveu uma forma de treino e educação para crianças e jovens, preparando-os para a sobrevivência e para o serviço ao próximo.

Seis anos mais tarde, o sacerdote jesuíta Jacques Sévin encontrar-se-ia com o Pai do movimento e, inspirado pelo seu método, transportou-o para a realidade católica, a partir dos princípios do Evangelho.

Desta síntese surgiu a obra “O Escutismo”, que contribuiu decisivamente para o nascimento do escutismo católico francês, em 1920, e depois para o seu desenvolvimento em todo o mundo.

Em 2013 comemora-se o centenário da fundação do Escutismo católico.

 

 

CUBA

 

DECLARADAS AS VIRTUDES HERÓICAS

DO PADRE FÉLIX VARELA

 

Bento XVI aprovou também no passado dia 10 de Maio a publicação do decreto que reconhece as “virtudes heróicas” do padre Félix Varela (1788-1853) professor, escritor, filósofo e político cubano, nascido em Havana e falecido nos Estados Unidos da América.

 

O padre Varela, um dos precursores do movimento independentista de Cuba, foi evocado por Bento XVI a 28 de Março, durante a sua visita à ilha de Cuba, como alguém que indicou “o caminho para uma verdadeira transformação social”.

Após a audiência concedida ao Cardeal Angelo Amato, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, o Papa estendeu a toda a Igreja Católica o culto litúrgico em honra de Santa Hildegarda de Bingen (1089-1179), monja germânica da Ordem de São Bento que é assim inscrita no “catálogo dos santos”.

A canonização, acto reservado ao Papa desde o século XIII, é a confirmação, por parte da Igreja Católica, de que um fiel católico é digno de culto público universal e de ser apresentado aos fiéis como intercessor e modelo de santidade.

Nos primeiros séculos da Igreja, o reconhecimento da santidade acontecia em âmbito local, a partir da fama popular do santo e com a aprovação dos bispos.

 

 

ITÁLIA

 

PAULO VI INSPIRA

CÁTEDRA UNIVERSITÁRIA

 

A Universidade Livre Maria Santíssima Assunta apresentou no passado dia 18 de Maio no Vaticano uma cátedra inteiramente dedicada ao Papa Paulo VI, que tem como objectivo aprofundar o conhecimento sobre uma figura histórica da Igreja Católica do século XX.

 

O reitor da Universidade, Giuseppe Dalla Torre, adianta que a nova cadeira irá incluir aspectos pouco conhecidos da vida de Giovanni Battista Montini, que assumiu o lugar mais alto da hierarquia católica em 1963, sucedendo a João XXIII.

Para além de ter presidido a grande parte das orientações apostólicas saídas do Concílio Vaticano II, que em Outubro assinala 50 anos, e de ter escrito a encíclica “Humanae vitae”, um marco da doutrina da Igreja em questões como o aborto e a regulação da natalidade, Paulo VI foi responsável por uma “enorme actividade sócio-caritativa e humana durante a Segunda Guerra Mundial”, realça o professor.

“Pretende-se não só aprofundar essa página da História como fornecer um conjunto de elementos válidos de reflexão”, salienta Dalla Torre.

Alunos e investigadores vão ter oportunidade de conhecer o trabalho que Giovanni Battista Montini, ainda como secretário de Estado do Vaticano, ao serviço de Pio XII, fez durante a Guerra Mundial de 1940-1945.

Através da criação de uma Comissão de Socorros, Mons. Montini prestou auxilio humanitário a inúmeros prisioneiros judeus e refugiados políticos escondidos em conventos e instituições religiosas.

Ao mesmo tempo, assumiu o cargo de assistente eclesiástico na Federação Universitária Católica Italiana e a formação religiosa, civil e social de jovens e adultos, apesar da ideologia fascista e totalitária que marcava a sociedade italiana.

 

 

ISRAEL

 

NOVA CONSTRUÇÃO

DO MOSTEIRO BENEDITINO

 

A nova construção do mosteiro beneditino de Tabgha, em Israel, região que a tradição cristã associa a vários episódios da vida de Jesus, como a multiplicação dos pães e dos peixes, foi abençoada a 17 de Maio passado.

 

A bênção, presidida pelo cardeal alemão Joachim Meisner, contou com a participação do Patriarca latino emérito de Jerusalém e do representante diplomático da Santa Sé (Núncio apostólico) em Israel, além de bispos, monges beneditinos, padres, religiosos e leigos, como o embaixador da Alemanha em Israel.

Os beneditinos, congregação católica inspirada na regra de São Bento de Núrsia (c. 480-583), instalaram-se em Tabgha no ano de 1939 e em 1954 construíram o seu primeiro mosteiro, agora substituído pela nova construção erguida 210 metros abaixo do nível do mar e financiada parcialmente por instituições católicas e benfeitores alemães.

O mosteiro, localizado na costa norte do Mar da Galileia, 200 km a norte de Jerusalém, situa-se numa área onde terão decorrido diversos passos da vida de Jesus narrados na Bíblia, como o sermão das bem-aventuranças, a multiplicação dos pães e dos peixes e a confirmação de São Pedro como o primeiro entre os apóstolos.

 

 

NIGÉRIA

 

PAPA PREOCUPADO COM

VIOLÊNCIA RELIGIOSA

 

Bento XVI manifestou no passado dia 20 de Junho “profunda preocupação” perante os atentados terroristas que têm provocado dezenas de mortes na Nigéria, “dirigidos sobretudo contra fiéis cristãos”.

 

“Apelo aos responsáveis pela violência para que cesse imediatamente o derramamento de sangue de tantos inocentes”, disse, falando durante a audiência geral da quarta-feira na sala Paulo VI do Vaticano.

O Papa assegurou as suas orações “pelas vítimas e por quantos sofrem”, pedindo a “plena colaboração de todas as partes da sociedade da Nigéria, para que não se persiga o caminho da vingança”.

Segundo Bento XVI, todos os cidadãos devem cooperar “para a edificação de uma sociedade pacífica e reconciliada, na qual seja tutelado plenamente o direito de professar livremente a própria fé”.

Cinco igrejas cristãs do Estado de Kaduna, no norte da Nigéria, foram alvo no domingo anterior de atentados reivindicados pelo grupo fundamentalista islâmico “Boko Haram”, o que acontece pela terceira semana consecutiva.

Os ataques foram seguidos por acções de represálias levadas a cabo por grupos armados contra a comunidade muçulmana, provocando pelo menos 48 mortes.

As vítimas dos atentados contra as igrejas são 23, incluindo quatro crianças que brincavam diante da Catedral de Zaria e mais dez crianças da escola da igreja evangélica de Wusasa.

O “Boko Haram” – nome em língua hausa que significa “a educação ocidental é pecaminosa” – pretende a implementação da lei islâmica, a sharia, e é considerado responsável pela morte de 580 pessoas este ano, segundo a Rádio Vaticano.

 

 

ROMA

 

DECLARADO VENERÁVEL

D. ÁLVARO DEL PORTILLO,

PRELADO DO OPUS DEI

 

 

O Santo Padre Bento XVI autorizou no passado dia 28 de Junho a Congregação das Causas dos Santos a promulgar decretos relativos a 16 causas de canonização. Entre eles encontra-se o decreto de virtudes heróicas do Bispo Álvaro del Portillo (1914-1994), prelado do Opus Dei.

 

Álvaro del Portillo nasceu em Madrid em 11 de Março de 1914, terceiro de oito irmãos. Engenheiro civil, doutor em Filosofia e Letras e em Direito Canónico. Em 1935 incorporou-se no Opus Dei. Rapidamente se converteu no mais sólido apoio do fundador, São Josemaria Escrivá. Foi um dos três primeiros sacerdotes do Opus Dei ordenados em 1944.

Em 1946 passou a viver em Roma. Com a sua actividade intelectual junto de S. Josemaria e com o seu trabalho na Santa Sé, realizou uma profunda reflexão sobre o papel e a responsabilidade dos fiéis leigos na missão da Igreja, através do trabalho profissional e das relações sociais e familiares. Entre 1947 e 1950 impulsionou a expansão apostólica do Opus Dei em Roma e outras cidades italianas.

Desde o pontificado de Pio XII até ao de João Paulo II desempenhou numerosos cargos na Santa Sé. Participou activamente no Concílio Vaticano II e foi consultor, durante muitos anos, da Congregação para a Doutrina da Fé.

Em 15 de Setembro de 1975, após o falecimento do fundador, D. Álvaro foi eleito para lhe suceder à frente do Opus Dei. Em 28 de Novembro de 1982, quando o Beato João Paulo II erigiu o Opus Dei em Prelatura pessoal, designou-o Prelado do Opus Dei e ordenou-o bispo em 6 de Janeiro de 1991. Ao longo dos anos em que esteve à frente do Opus Dei, promoveu o início da actividade pastoral da prelatura em 20 novos países. Como prelado do Opus Dei, estimulou também o arranque de numerosas iniciativas sociais e educativas.

D. Álvaro del Portillo faleceu em Roma na madrugada do dia 23 de Março de 1994, com 80 anos de idade, poucas horas depois de regressar de uma peregrinação à Terra Santa. Após a sua morte, milhares de pessoas testemunharam por escrito as suas recordações: a sua bondade, o calor do seu sorriso, a sua humildade, a sua audácia sobrenatural, a paz interior que a sua palavra lhes comunicava.

 

O itinerário da causa de canonização

 

Em 19 de Fevereiro de 1997 Mons. Flávio Capucci foi nomeado postulador da Causa de canonização de D. Álvaro del Portillo. De seguida decorreram dois processos paralelos. Um perante o tribunal da Prelatura do Opus Dei e o segundo perante o tribunal do Vicariato de Roma, que levaram a cabo as suas investigações, respectivamente, de 5 de Março de 2004 a 26 de Junho de 2008 e de 20 de Março de 2004 a 7 de Agosto de 2008.

Para além disso, dado o elevado número de testemunhas que viviam longe de Roma, foram elaborados oito processos rogatórios em Madrid, Pamplona, Leiria-Fátima, Montreal, Washington, Varsóvia, Quito e Sidney. No total interrogaram-se 133 testemunhas (todas de visu, salvo duas que relataram dois milagres atribuídos ao Servo de Deus). Entre eles há 19 cardeais e 12 bispos ou arcebispos. Das testemunhas, 62 eram fiéis da Prelatura; os restantes 71, não.

A 2 de Abril de 2009, a Congregação para as Causas dos Santos decretou a validade das actas processuais e a 12 de Junho nomeou como Relator da Positio o P. Cristoforo Bove, O.F.M.Conv., que foi apresentada no dia 19 de Fevereiro de 2010: eram 3 volumes (Informatio, Summarium e Biographia documentata), com um total de 2.530 páginas.

A 10 de Fevereiro de 2012, o Congresso peculiar dos Consultores Teólogos da Congregação para as Causas dos Santos, deu resposta positiva por unanimidade à pergunta sobre o exercício heróico das virtudes por parte do Servo de Deus D. Álvaro del Portillo. Nesse mesmo sentido, se pronunciou a Congregação Ordinária dos Cardeais e dos Bispos a 5 de Junho de 2012.

O Cardeal Angelo Amato, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, apresentou uma relação detalhada destas fases ao Romano Pontífice. Com data de 28 de Junho de 2012, Bento XVI aceitou e ratificou o voto da Congregação para as Causas dos Santos e indicou que se publicasse o Decreto pelo qual declarava D. Álvaro del Portillo Venerável.

 


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