aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

GRUPO BENETTON

RETRATA-SE

 

O director da Sala de imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi, anunciou no passado dia 15 de Maio a conclusão da disputa legal entre o Vaticano e a Benetton pelo uso abusivo da imagem do Papa numa campanha publicitária.

 

“O grupo Benetton publicou uma nota na qual reafirma que «sente ter ferido a sensibilidade de sua santidade Bento XVI e dos crentes»”, refere o padre Federico Lombardi.

O grupo italiano adianta que todas as imagens fotográficas do Papa foram “retiradas do seu circuito comercial” e compromete-se, no futuro, a “não utilizar a imagem do Santo Padre sem autorização prévia da Santa Sé”.

O Vaticano revela ainda que a Benetton vai procurar que “cesse a utilização da imagem por parte de terceiros”.

"A Santa Sé não quis pedir qualquer ressarcimento de natureza económica, mas quis obter o ressarcimento moral do reconhecimento do abuso levado a cabo", sublinha o padre Lombardi, acrescentando que o grupo italiano ofereceu um donativo "limitado, mas efectivo" destinado a apoiar a "actividade caritativa da Igreja".

A questão surgiu em Novembro de 2011, quando começou a circular uma fotomontagem com a imagem do Papa, realizada no âmbito de uma campanha publicitária da marca italiana, na qual Bento XVI surgia a beijar o imã da mesquita Al-Azhar, no Cairo.

A Santa Sé considerou que a imagem era “lesiva não apenas da dignidade” do Papa e da Igreja Católica, mas também da “sensibilidade dos crentes”.

O grupo Benetton anunciou, posteriormente, a decisão de retirar de circulação a campanha publicitária, alegando estar "desolado” com o facto de a utilização da imagem ter “chocado tanto a sensibilidade dos fiéis".

 

 

FILME SOBRE

A VIRGEM MARIA

 

Bento XVI assistiu no passado dia 17 de Maio à projecção do filme Maria de Nazaré, sobre a vida da Mãe de Jesus e a sua amizade com Maria Madalena.

 

No fim da projecção, o Papa pronunciou umas breves palavras sobre o filme, que se centra em três figuras femininas – Herodias, Maria Madalena e Maria de Nazaré –, cujas vidas se entrecruzam, mas que seguem caminhos diversos.

“Herodias – disse o Papa – fecha-se em si mesma e no seu mundo; não consegue levantar os olhos para ver os sinais de Deus e não se liberta do mal. A vida de Maria Madalena é mais complicada: fascina-a uma vida fácil e serve-se de diversos meios para conseguir os seus objectivos; até ao momento dramático em que se vê julgada e repara como é a sua vida. O encontro com Jesus abre-lhe o coração e muda a sua existência. Mas o centro é Maria de Nazaré, que possui a riqueza de uma vida que foi um “Eis-me aqui” para Deus: é uma mãe que quereria ter sempre o seu Filho ao lado, mas sabe que o seu filho é Deus; a sua fé e o seu amor são tão grandes que aceita que ele parta e cumpra a sua missão”.

A obra, do realizador Giacomo Campiotti, é uma coprodução de RaiFiction, Lux Vide, BetaFilm, Tellux, Bayerischer Rundfunk e Telecinco Cinema.

O elenco é constituído por actores e actrizes de vários países, como Paz Vega, Antonia Liskova, Andrea Giordana e Sergio Muñiz, com Alissa Jung no papel de Maria.

 

 

GRATUIDADE NA

ECONOMIA E POLÍTICA

 

Bento XVI considerou, no passado dia 19 de Maio, que “cultura, voluntariado e trabalho constituem um trinómio indissolúvel do empenho quotidiano do laicado católico”.

 

O Papa recebeu na Aula Paulo VI, no Vaticano, vários milhares de leigos pertencentes a três movimentos laicais italianos, que celebram aniversários da respectiva fundação, todos eles graças ao interesse pessoal de Paulo VI.

Para Bento XVI, aqueles três âmbitos têm um denominador comum: o dom de si. “O compromisso cultural, sobretudo o escolar e universitário, destinado à formação das gerações vindouras, não se limita efectivamente à transmissão de noções técnicas e teóricas, mas exige o dom de si com a palavra e o exemplo. O voluntariado, recurso insubstituível da sociedade, exige não tanto dar coisas, mas dar-se a si mesmo como ajuda concreta aos mais necessitados. Finalmente, o trabalho não é apenas um instrumento de lucro individual, mas um momento no qual manifestar as próprias capacidades, dedicando-se com espírito de serviço à actividade profissional, quer ela seja de tipo operário, agrícola, científico ou de outro género”.

O Papa sublinhou ainda que “a família é o primeiro lugar onde se vive a experiência do amor gratuito; e, quando isto não se verifica, a família desnaturaliza-se, entra em crise”.

E acrescentou, referindo-se à gratuidade: “Na Encíclica Caritas in veritate desejei ampliar o modelo familiar da lógica da gratuidade e do dom a uma dimensão universal. Com efeito, a justiça sozinha não é suficiente. Para que haja uma justiça verdadeira, é necessário aquele «suplemento» que só a gratuidade e a solidariedade podem dar: «A solidariedade consiste primariamente em que todos se sintam responsáveis por todos e, por conseguinte, não pode ser delegada só ao Estado. Se, no passado, era possível pensar que havia necessidade primeiro de procurar a justiça e que a gratuidade intervinha depois como um complemento, hoje é preciso afirmar que, sem a gratuidade, não se consegue sequer realizar a justiça» (n. 38). A gratuidade não se adquire no mercado, nem pode ser prescrita por lei. E todavia, tanto a economia como a política têm necessidade da gratuidade, de pessoas capazes de um dom recíproco (cf. ibid., n. 39)”.

Bento XVI recebia o Movimento Eclesial da Empenho Cultural, que surgiu em 1932 a partir de núcleos de universitários católicos, de que era capelão o então padre Giovanni Batista Montini; a Federação de Organismos Cristãos de Serviço Internacional de Voluntariado, que celebra 40 anos de criação, juntamente com o Movimento cristão dos trabalhadores, ambos surgidos em 1972, com o impulso do Papa Montini.

 

 

NOVA SUPERIORA GERAL DAS

IRMÃS HOSPITALEIRAS

 

A religiosa portuguesa Anabela Carneiro foi eleita no passado dia 23 de Maio Superiora geral das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus até 2018, durante a assembleia da congregação que decorreu em Roma.

 

A nova Superiora geral, de 48 anos, foi escolhida por 43 religiosas representantes da instituição católica dedicada aos cuidados médicos no âmbito da saúde mental.

A Irmã Anabela Carneiro, nascida em Amorim, Póvoa de Varzim, entrou na congregação em 1983, na comunidade de Idanha, Belas, e em 1991 fez a profissão perpétua em Madrid.

A nova Superiora geral é licenciada em Ciências Religiosas pelo Instituto Pontifício Regina Mundi e em Pedagogia das Vocações pela Universidade Pontifícia Salesiana, ambos em Roma, tendo ocupado a função de mestra de noviças entre 1994 e 2006, ano em que foi eleita vigária e primeira conselheira geral, o segundo posto mais importante da hierarquia na congregação.

A congregação foi fundada a 31 de Maio de 1881 em Madrid por São Bento Menni, Maria Josefa Récio e Maria Angústias Gímenez, tendo chegado 13 anos depois a Portugal, onde actualmente possui oito estabelecimentos de saúde no continente, dois na Madeira e igual número nos Açores.

As Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, presentes em 24 países de quatro continentes, prestam cuidados a pessoas com doença ou perturbações mentais, deficientes físicos e psíquicos e outros doentes, “preferencialmente os mais pobres e desfavorecidos”.

 

 

DOIS NOVOS DOUTORES DA IGREJA,

EM BREVE

 

A próxima Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos, que terá lugar em Roma no mês de Outubro, vai ser marcada pela proclamação de dois novos doutores da Igreja Católica, São João d’Ávila e Santa Hildegarda de Bingen.

 

O anúncio foi feito por Bento XVI, durante a recitação do Regina Caeli, no passado domingo 27 de Maio.

O Papa destacou a “marca intensa de fé” que os dois santos deixaram, “em períodos e ambientes culturais bem diferentes”.

Hildegarda, nascida em Bermershein, na actual Alemanha, em 1098, “assumiu o carisma beneditino no meio da cultura medieval, foi uma autêntica professora da teologia e estudou aprofundadamente a ciência natural e a música”, sublinhou.

Quanto a São João d’Ávila, sacerdote espanhol, nascido em 1500, “participou e trabalhou na renovação cultural e religiosa da Igreja e na configuração da sociedade na transição para a modernidade”.

À luz do tema da “Nova Evangelização”, que marcará o Sínodo dos Bispos a partir de 7 de Outubro, e no âmbito do Ano da Fé, que será lançado no mesmo mês, o exemplo destes dois santos e doutores “é da maior importância e relevância”, afirmou Bento XVI.

 

 

FUGA DE DOCUMENTOS

DOS APOSENTOS DO PAPA

 

No final da audiência geral da quarta-feira, no passado dia 30 de Maio, Bento XVI afirmou que continua a confiar nos seus colaboradores mais próximos, ainda que esteja consternado pelos factos ocorridos nos últimos dias no Vaticano, onde se inclui a detenção de um dos seus assistentes pessoais.

 

“Os acontecimentos verificados nestes dias, acerca da Cúria e dos meus colaboradores, causaram tristeza no meu coração, mas nunca se ofuscou a certeza firme de que, não obstante a debilidade do homem, as dificuldades e as provas, a Igreja é guiada pelo Espírito Santo e o Senhor nunca lhe fará faltar a sua ajuda para a apoiar no seu caminho. Contudo, multiplicaram-se ilações, amplificadas por alguns meios de comunicação, totalmente gratuitas e que foram muito além dos factos, oferecendo uma imagem da Santa Sé que não corresponde à realidade. Por isso, desejo renovar a minha confiança e o meu encorajamento aos meus colaboradores mais directos e a todos os que, quotidianamente, com fidelidade, espírito de sacrifício e em silêncio, me ajudam no cumprimento do meu Ministério”.

A polícia italiana detivera na semana anterior o mordomo do Papa por estar na posse de documentos confidenciais.

Paolo Gabriele, de 46 anos, foi acusado de passar a alguns jornalistas informação subtraída dos aposentos papais que alegadamente envolve membros da Cúria Romana em situações ilegais. O processo decorre no Tribunal da Cidade do Vaticano, e actualmente ele encontra-se em prisão.

A investigação sobre as fugas de informação no Vaticano, conhecidas por “Vatileaks”, foi posta em marcha depois de o Papa ter designado uma comissão de cardeais para identificar a sua origem.

 

 

ENCONTRO MUNDIAL DAS FAMÍLIAS

 

O Papa Bento XVI defendeu no passado domingo 3 de Junho, em Milão (Itália), um “equilíbrio harmonioso” entre “família, trabalho e festa”, durante a homilia da Missa a que presidiu, perante um milhão de pessoas, na qual criticou a lógica “utilitarista” do mercado.

 

“Harmonizar os horários do trabalho e as exigências da família, a profissão e a maternidade, o trabalho e a festa, é importante para construir sociedades com um rosto humano”, disse o Papa, na celebração conclusiva do VII Encontro Mundial das Famílias, que se iniciou no dia 30 de Maio, tendo como tema A família: o trabalho e a festa.

Aos participantes de mais de 150 países, incluindo Portugal, Bento XVI pediu que privilegiem “a lógica do ser sobre a do ter”, frisando que “a primeira constrói, a segunda acaba por destruir”.

“Vemos que, nas teorias económicas modernas, prevalece muitas vezes uma concepção utilitarista do trabalho, da produção e do mercado”, alertou.

Segundo o Papa, “o projecto de Deus e a própria experiência mostram que não é a lógica unilateral do que é útil e do maior lucro que pode concorrer para um desenvolvimento harmonioso, o bem da família e para construir uma sociedade mais justa”.

Bento XVI lamentou a proliferação de “uma competição exasperada, fortes desigualdades, degradação do meio ambiente, corrida ao consumo, mal-estar nas famílias”.

“A mentalidade utilitarista tende a estender-se também às relações interpessoais e familiares, reduzindo-as a convergências precárias de interesses individuais e minando a solidez do tecido social”, acrescentou.

A homilia destacou a importância da dimensão da festa na vida familiar e de cada pessoa, apresentando o domingo, “dia do Senhor”, como “dia do homem e dos seus valores: convivência, amizade, solidariedade, cultura, contacto com a natureza, jogo, desporto”.

“É o dia da família, em que se há de viver, juntos, o sentido da festa, do encontro, da partilha, também com a participação na Santa Missa”, prosseguiu.

O Papa insistiu na necessidade de promover a “família fundada no matrimónio entre o homem e a mulher” e a “procriação generosa e responsável dos filhos”.

“Deus criou o ser humano, homem e mulher, com igual dignidade, mas também com características próprias e complementares”, observou.

Bento XVI dirigiu-se ainda aos fiéis que, “embora compartilhando os ensinamentos da Igreja sobre a família, estão marcados por experiências dolorosas de falência e separação”.

“Sabei que o Papa e a Igreja vos apoiam no vosso sofrimento e fadiga. Encorajo-vos a permanecerdes unidos às vossas comunidades, enquanto almejo que as dioceses assumam adequadas iniciativas de acolhimento e proximidade”, declarou.

A homilia papal sublinhou que a vocação das famílias “não é fácil de viver, especialmente hoje”, mas sublinhou que “a realidade do amor é maravilhosa, é a única força que pode verdadeiramente transformar o mundo”.

“A vida familiar é a primeira e insubstituível escola das virtudes sociais”, sustentou Bento XVI.

O próximo Encontro Mundial das Famílias terá lugar em 2015, em Filadélfia, nos Estados Unidos da América.

 

 

CENSURADA OBRA SOBRE

MORAL SEXUAL

 

A Congregação para a Doutrina da Fé publicou no passado dia 4 de Junho uma Notificação denunciando “graves problemas” no livro Just Love (Só amor), obra da religiosa norte-americana Margaret A. Farley que aborda vários temas da moral sexual.

 

No documento, o organismo da Santa Sé critica a antiga Superiora geral da congregação Sisters of Mercy of the Americas (Irmãs da Misericórdia das Américas) por não apresentar “uma compreensão correcta do papel do Magistério da Igreja” neste campo e aponta “numerosos erros e ambiguidades” nas posições a respeito “da masturbação, dos actos homossexuais, das uniões homossexuais, da indissolubilidade do matrimónio e do problema do divórcio e das segundas núpcias”.

A Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) “expressa profundo pesar” pelo facto de um membro de um Instituto de Vida Consagrada afirmar “posições em contradição directa com a doutrina católica no âmbito da moral sexual”.

Neste sentido, o organismo da Santa Sé “previne os fiéis de que o livro Just Love. A Framework for Christian Sexual Ethics (2006) não é conforme à doutrina da Igreja e portanto não pode ser utilizado como válida expressão da doutrina católica nem para a direcção espiritual e formação, nem para o diálogo ecuménico e inter-religioso”.

A Notificação, assinada pelo Cardeal William Levada, Prefeito da CDF, foi aprovada pelo Papa a 16 de Março de 2012.

 

 

FIDELIDADE E LEALDADE

AO ROMANO PONTÍFICE

 

Bento XVI apelou no passado dia 11 de Junho à “fidelidade” e “lealdade” dos seus colaboradores imediatos, tanto na Cúria Romana como nas representações pontifícias espalhadas pelo mundo.

 

“Na medida em que fordes fiéis, sereis também credíveis. Aliás, sabemos que a fidelidade que se vive na Igreja e na Santa Sé não é uma lealdade ‘cega’, pois é iluminada pela fé”, disse, perante os representantes da Pontifícia Academia Eclesiástica, que prepara os diplomatas da Igreja Católica.

O Papa quis manifestar a sua “gratidão” pela ajuda que recebe “dos numerosos colaboradores”, bem como pelo apoio “da oração de incontáveis irmãos e irmãs de todo o mundo”.

Na audiência, Bento XVI sublinhou que o serviço à Santa Sé é “uma responsabilidade séria, mas também um dom especial, que, com o passar do tempo, vai desenvolvendo um vínculo afectivo com o Papa”.

“A virtude da fidelidade está profundamente ligada ao dom sobrenatural da fé, tornando-se expressão daquela solidez própria de quem fundou toda a sua vida em Deus”, acrescentou.

Para Bento XVI, o “vínculo pessoal” com o Papa deve ser “um elemento próprio de todo o católico, e mais ainda de todo o sacerdote”.

“Para aqueles que trabalham na Santa Sé, este vínculo assume um carácter particular, já que colocam ao serviço do sucessor de Pedro boa parte das suas energias, do seu tempo e do seu ministério diário”, prosseguiu.

O Papa pediu aos futuros diplomatas que levem aos vários países do mundo a “solidariedade e carinho” com que ele segue “o caminho de cada povo” e que procurem encorajar também as Igrejas particulares a “crescerem na fidelidade ao Romano Pontífice e a encontrarem no princípio da comunhão com a Igreja universal uma orientação segura para a sua peregrinação na história”.

“Por último, mas não menos importante, ajudareis o próprio sucessor de Pedro a ser fiel à missão recebida de Cristo, permitindo-lhe conhecer mais de perto o rebanho que lhe está confiado e fazer-lhe chegar mais eficazmente a sua palavra, a sua solidariedade, o seu afecto”, concluiu.

 

 

CONTINUA EM APRECIAÇÃO

O CASO LEFEBVRIANO

 

Na sequência dos contactos existentes desde há anos, entre a Santa Sé e a “Fraternidade Sacerdotal São Pio X” fundada por D. Marcel Lefèbvre, entrevê-se agora a criação de uma prelatura pessoal que possa sanar o cisma criado.

 

Segundo declarou o porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi, comentando os últimos contactos havidos na segunda semana de Junho, esta estrutura seria o “instrumento mais apropriado” neste caso e permitiria o “reconhecimento canónico” daquela Fraternidade.

O superior da fraternidade, D. Bernard Fellay, recebeu no passado dia 13 de Junho um “projecto de documento” sobre a prelatura, após um encontro com o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, cardeal William Levada, e outros responsáveis do Vaticano encarregados do acompanhamento deste processo.

Objectivo do encontro foi “apresentar a avaliação da Santa Sé” a respeito do texto enviado em Abril pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X, em resposta ao preâmbulo doutrinal submetido a 14 de Setembro de 2011 pela Congregação para a Doutrina da Fé. O bispo Bernard Fellay “expôs, por seu lado, a situação actual” da fraternidade e “prometeu dar a conhecer a sua resposta num prazo razoável”.

O preâmbulo apresentado pelo Vaticano apresenta “certos princípios doutrinais e critérios de interpretação da doutrina católica necessários para garantir a fidelidade ao magistério da Igreja”. Entre as questões que separam as duas partes destacam-se a aceitação do Concílio Vaticano II (1962-1965) e do magistério pós-conciliar dos Papas em matérias como as celebrações litúrgicas, o ecumenismo ou a liberdade religiosa.

Recordamos que em Março de 2009, Bento XVI enviou uma carta aos bispos de todo o mundo, para explicar a remissão das excomunhões de quatro bispos da Fraternidade São Pio X que tinham sido ordenados pelo arcebispo Lefèbvre, sem mandato pontifício, no ano de 1988.

Na altura, o Papa escreveu que "enquanto a Fraternidade não tiver uma posição canónica na Igreja, também os seus ministros não exercem ministérios legítimos na Igreja (...); enquanto as questões relativas à doutrina não forem esclarecidas, a Fraternidade não possui qualquer estado canónico na Igreja, e os seus ministros (...) não exercem de modo legítimo qualquer ministério na Igreja".

Alguns dos bispos da Fraternidade São Pio X têm rejeitado publicamente a aproximação a Roma. A Santa Sé reafirmou agora que esses outros casos serão tratados “separada e individualmente”.

Após a reunião do dia 13, no Vaticano, “fizeram-se votos de que, graças a este momento suplementar de reflexão, se possa chegar à plena comunhão da Fraternidade Sacerdotal São Pio X com a Sé Apostólica”.

 

 

NOVO ORDINARIATO

PARA EX-ANGLICANOS

 

No passado dia 15 de Junho, Bento XVI erigiu na Austrália o Ordinariato Pessoal de Nossa Senhora do Cruzeiro do Sul, para receber os fiéis anglicanos que querem ser católicos, sem perderem as suas legítimas tradições.

 

O primeiro deste tipo de Ordinariatos foi erigido para Inglaterra e Gales e o segundo para os Estados Unidos.

À frente do novo Ordinariato, o Papa colocou o Rev. Harry Entwistle, antes bispo anglicano pertencente ao ramo da Comunhão Anglicana Tradicional. Entwistle, casado e pai de dois filhos, foi ordenado sacerdote católico no mesmo dia 15 de Junho, não podendo ser ordenado bispo.

No dia da sua ordenação sacerdotal, o Rev. Entwistle explicou a função destes Ordinariatos e como reforçam a unidade dos cristãos. Também recordou as normas previstas para o acolhimento dos ex-anglicanos, que inclui tomar a sério o processo de formação na fé católica.

“Bento XVI deixou claro que a unidade entre os cristãos não se consegue procurando um acordo de mínimos; os que entram no Ordinariato aceitam o Catecismo da Igreja Católica como expressão autorizada da fé católica”.

 

 

CONGRESSO EUCARÍSTICO

INTERNACIONAL

 

O Santo Padre Bento XVI lamentou os casos de abusos sexuais cometidos por sacerdotes católicos, encerrando no passado domingo 17 de Junho a 50ª edição do Congresso Eucarístico Internacional que decorreu em Dublin (Irlanda).

 

O Papa afirmou que estes padres e consagrados atentaram contra pessoas confiadas aos seus cuidados: “Em vez de lhes mostrar o caminho para Cristo, para Deus, em vez de dar testemunho da sua bondade, abusaram delas e minaram a credibilidade da mensagem da Igreja”.

Para Bento XVI, continua a ser “um mistério” que pessoas, que “regularmente receberam o Corpo do Senhor e confessaram os seus pecados no sacramento da Penitência”, tenham “incorrido em tais transgressões”.

“O seu cristianismo já não era alimentado pelo encontro jubiloso com Jesus Cristo: tornara-se meramente uma questão de hábito” – disse na videomensagem transmitida na capital irlandesa.

O Papa dirigiu uma palavra particular aos católicos da Irlanda, “herdeiros duma Igreja que foi uma poderosa força de bem no mundo, e que transmitiu a muitos e muitos outros um amor profundo e duradouro a Cristo e à sua Mãe Santíssima”.

“A gratidão e a alegria por uma história tão grande de fé e amor foram recentemente abaladas de maneira horrível pela revelação de pecados cometidos por sacerdotes e consagrados”, admitiu.

O Congresso Eucarístico Internacional de Dublin reuniu milhares de peregrinos de vários países, incluindo Portugal, para debaterem o tema A Eucaristia: Comunhão com Cristo e entre nós, retomando os ensinamentos do II Concílio do Vaticano (1962-1965).

O Congresso, iniciado no dia 10, concluiu-se com uma missa presidida pelo Cardeal Marc Ouellet, Prefeito da Congregação para os Bispos e legado papal, que durante o encontro se reuniu com vítimas de abusos sexuais.

Na sua mensagem final, o Papa convidou à reflexão sobre a Igreja “como mistério de comunhão” e afirmou que “há muito a fazer na senda duma real renovação litúrgica”.

Bento XVI recordou que o Congresso decorreu num período em que a Igreja se prepara, em todo o mundo, para celebrar o Ano da Fé, que assinalará o cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II.

“Hoje, olhando os desejos então expressos pelos Padres Conciliares sobre a renovação litúrgica à luz da experiência da Igreja universal no período transcorrido, é claro que uma grande parte foi alcançada; mas vê-se igualmente que houve muitos equívocos e irregularidades”, alertou.

O Papa considera que, em vários casos, “a revisão das formas litúrgicas manteve-se a um nível exterior e a “participação activa” foi confundida com o agitar-se externamente”.

Num “mundo em mudança, obcecado cada vez mais com as coisas materiais”, Bento XVI destacou a necessidade de “aprender a reconhecer de novo a presença misteriosa do Senhor Ressuscitado”.

A Eucaristia, acrescentou, “deve ser celebrada com grande alegria e simplicidade, mas também de forma quanto possível digna e reverente”.

O Papa anunciou ainda que o 51.º Congresso Eucarístico Internacional vai decorrer em 2016 na cidade filipina de Cebu.

 

 

PREPARAÇÃO DO

SÍNODO DOS BISPOS

 

A Santa Sé apresentou no passado dia 19 de Junho o Instrumento de trabalho (Instrumentum laboris) da XIII Assembleia geral ordinária do Sínodo dos Bispos, a realizar-se de 7 a 28 de Outubro próximo, sobre o tema A nova evangelização para a transmissão da fé cristã.

 

O documento sublinha a existência de "uma desorientação que se traduz em formas de desconfiança relativamente a tudo o que foi transmitido acerca do sentido da vida” e numa “relutância para aderir total e incondicionalmente” àquilo que foi dado como “revelação da verdade profunda” do ser humano.

Neste contexto, assinalam-se “transformações sociais e culturais” que estão a “modificar profundamente a percepção que o homem tem de si e do mundo”, gerando repercussões também sobre “o seu modo de acreditar em Deus”.

“É necessário procurar novos métodos e novas formas expressivas para transmitir ao homem contemporâneo a perene verdade de Jesus Cristo, sempre novo, fonte de toda a novidade”, indica o texto preparatório para o próximo Sínodo.

Este documento é o resultado da síntese das respostas ao texto preparatório (Lineamenta) desta reunião magna, divulgado em Março de 2011, vindas dos vários episcopados, da Cúria Romana e da União dos Superiores Gerais dos institutos de religiosos e religiosas.

Os responsáveis católicos manifestam preocupações face ao “fenómeno do distanciamento da fé que progressivamente se manifesta nas sociedades e nas culturas que desde há muito apareciam impregnadas pelo Evangelho”.

A assembleia sinodal, acrescentam, deve procurar “repostas concretas às muitas perguntas que surgem hoje na Igreja, no que diz respeito à sua capacidade de evangelizar”.

“A Igreja sente como seu dever ser capaz de imaginar novos instrumentos e novas palavras para tornar audível e compreensível também nos novos desertos do mundo a palavra da fé que nos regenerou para a vida verdadeira em Deus”, pode ler-se.

O documento traça uma análise a sete cenários: cultural, migratório, económico, político, pesquisa científica e tecnológica, comunicativo e religioso.

O Sínodo dos Bispos pode ser definido, em termos gerais, como uma assembleia consultiva de representantes dos episcopados católicos de todo o mundo, com a tarefa ajudar o Papa no governo da Igreja.

 

 

PROGRAMA PARA O

ANO DA FÉ

 

O presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização, o arcebispo Rino Fisichella, apresentou no passado dia 21 de Junho o Ano da Fé, convocado por Bento XVI, que vai decorrer entre Outubro de 2012 e Novembro de 2013.

 

O arcebispo disse que “é necessário poder ir para além da pobreza espiritual em que se encontram muitos dos nossos contemporâneos, os quais não percebem a ausência de Deus da sua vida como algo que deveria ser colmatado”.

“Este ano insere-se num contexto mais amplo, marcado por uma crise generalizada que também atinge a fé”, sublinhou.

Mons. Rino Fisichella aludiu às consequências do secularismo nas sociedades contemporâneas, afirmando que “a crise de fé é expressão dramática de uma crise antropológica que deixou o homem entregue a si mesmo”.

“O Ano da Fé quer ser um caminho que a comunidade cristã oferece aos que vivem com nostalgia de Deus e com o desejo de o encontrar de novo”, acrescentou.

O arcebispo apresentou o calendário dos eventos centrais que vão decorrer em Roma, ao longo da iniciativa, a começar pela celebração de abertura, a 11 de Outubro, na Praça de São Pedro, com os bispos presentes no Sínodo que vai estar a decorrer, os presidentes das Conferências Episcopais e participantes no Concílio Vaticano II (1962-1965), que se iniciou nesse dia, há 50 anos.

O primeiro evento do Ano da Fé será a canonização de seis mártires e confessores da fé, em 21 de Outubro. Seguidamente, o Papa celebrará a vida consagrada (2 de Fevereiro de 2013), administrará o Crisma a um grupo de jovens (28 de Abril), recordará a piedade popular (5 de Maio), terá um encontro com os movimentos eclesiais na vigília de Pentecostes, na Praça de São Pedro (18 de Maio) de 2013, celebrará a  Eucaristia na solenidade do Corpo de Deus (2 de Junho).

 O dia 16 de Junho vai ser dedicado ao testemunho do “Evangelho da Vida”, apresentando a Igreja Católica como “promotora da vida humana” e defensora da “dignidade da pessoa desde o primeiro instante até ao seu último momento natural”.

Seguir-se-á a celebração com os seminaristas (7 de Julho). De 23 a 25 de Julho vai decorrer a próxima Jornada Mundial da Juventude, na cidade brasileira do Rio de Janeiro. Depois serão recordados os catequistas (27 de Setembro) e a presença da Virgem Maria na Igreja (13 de Outubro).

 

O Ano da Fé  vai concluir-se a 24 de Novembro de 2013, solenidade de Cristo Rei, e assinala os 50 anos da abertura do Concílio Vaticano II e o 20.º aniversário da publicação do Catecismo da Igreja Católica.

A iniciativa inclui ainda a realização de eventos culturais, entre os quais uma exposição sobre São Pedro, no Castelo Sant'Angelo (Roma) e um concerto na Praça de São Pedro, a 22 de Junho do próximo ano.

O arcebispo Rino Fisichella apresentou ainda o logótipo deste Ano da Fé, uma barca, “imagem da Igreja”, cujo mastro é uma cruz com as velas enfunadas e o trigrama IHS, símbolo do nome de Jesus.

 

 

PROPOSTA DE

TRATAMENTO GRATUITO DA SIDA

 

O Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Tarcísio Bertone, pediu em Roma no passado dia 22 de Junho que se forneça "acesso gratuito e universal às terapias” a todas as pessoas que vivem com o HIV/SIDA.

 

Esta proposta é “possível e economicamente alcançável”, referiu o Cardeal, numa iniciativa promovida pela Comunidade de Santo Egídio, voltada para o combate à doença.

O Secretário de Estado representou o Papa no encontro, que contou com a participação de expoentes da comunidade internacional, entre os quais ministros da Saúde e delegações dos países da África subsariana, onde opera o programa DREAM (Drug Resource Enhancement against AIDS and Malnutrition), contra a SIDA e a desnutrição.

O Cardeal Bertone destacou que “o acesso universal e gratuito ao tratamento da doença é uma proposta concreta para salvar a vida do que existe de mais frágil e, ao mesmo tempo, mais pleno de futuro: as crianças e as suas mães.

O Cardeal lembrou no seu discurso que, actualmente, 30% dos centros de tratamento para a doença em todo o mundo são mantidos por organizações católicas.

 

 

ORIENTAÇÕES PARA

VOCAÇÕES SACERDOTAIS

 

A Santa Sé apresentou no passado dia 25 de Junho um documento da Congregação para a Educação Católica e da Obra Pontifícia para as Vocações Sacerdotais, com o título Orientações pastorais para a promoção das vocações para o ministério sacerdotal.

 

“Uma mentalidade secularizada, bem como opiniões erróneas no seio da Igreja, levam a desprezar o carisma e a escolha celibatária”, assinala o documento apresentado pelo Prefeito da Congregação para a Educação Católica, Cardeal Zenon Grocholewski, e pelos Secretário e Subsecretário da mesma Congregação.

O texto admite a existência de “graves efeitos negativos” que decorrem da “incoerência e do escândalo causado pela infidelidade aos deveres do ministério sacerdotal”, como aconteceu nos casos de “abusos sexuais”.

“A integração e a maturidade afectiva são uma meta necessária”, refere o documento, pedindo aos responsáveis pelos seminários que evitem fazer “propostas vocacionais” a pessoas “marcadas por profundas fragilidades humanas”.

Outro aspecto destacado nas orientações pastorais é a “gradual marginalização do sacerdote da vida social”, com a consequente “perda de relevância pública”.

A Santa Sé alerta, por outro lado, para o risco de um “activismo exagerado” por parte dos padres, que leva a uma “sobrecarga de trabalho pastoral”.

No documento aponta-se para uma “preocupante queda numérica dos sacerdotes”, a que se soma “o aumento da sua média de idade”.

O Cardeal Zenon Grocholewski disse aos jornalistas que o objectivo das orientações é “convidar toda a comunidade eclesial a uma renovada tomada de consciência da responsabilidade educativa e pastoral na promoção de vocações ao sacerdócio”.

O Cardeal Grocholewski acrescentou que a “queda demográfica e a crise da família”, aliadas à difusão de uma “mentalidade secularizada”, têm tido consequências na quebra do número de padres nalgumas regiões do globo.

As orientações pastorais agora publicadas pela Santa Sé propõem a criação de um ‘mosteiro invisível’, reunindo pessoas em oração “contínua” pelas vocações sacerdotais.

O documento refere ainda a importância crescente das experiências de voluntariado para a descoberta do “chamamento ao sacerdócio” e recorda as possibilidades abertas pelo “serviço ao altar” (acólitos) para “outras formas de serviço na comunidade cristã”.

 

 

PAPA VAI REZAR A LORETO

 

O Papa Bento XVI vai deslocar-se a 4 de Outubro ao Santuário de Loreto para rezar pelo Sínodo dos Bispos e pelo Ano da Fé.

 

O Papa repete, 50 anos depois, o gesto de João XXIII que se deslocou a Loreto, de combóio, para confiar a Nossa Senhora os trabalhos do II Concílio Ecuménico do Vaticano, que começou a 11 de Outubro de 1962.

O Ano da Fé decorre entre Outubro de 2012 e Novembro do ano seguinte e foi proclamado por Bento XVI com o objectivo de assinalar o 50.º aniversário do II Concílio do Vaticano (1962-1965) e relançar o anúncio da fé à sociedade contemporânea.

O início coincide com a abertura dos trabalhos da assembleia sinodal, que vai decorrer entre 7 e 28 de Outubro, dedicada ao tema A nova evangelização para a transmissão da fé cristã.

 

 


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