24º Domingo Comum

16 de Setembro de 2012

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Deus, vinde em meu auxílio, F. da Silva, NRMS 53

 

cf. Sir 36, 18

Antífona de entrada: Dai a paz, Senhor, aos que em Vós esperam e confirmai a verdade dos vossos profetas. Escutai a prece dos vossos servos e abençoai o vosso povo.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Estamos aqui com Jesus porque temos fé. Ele é o Messias o Filho de Deus vivo. Queremos pedir-Lhe que aumente a nossa fé e aprendamos a ver todas as coisas com os Seus olhos. Também os sofrimentos.

 

Preparemos o nosso coração para escutar a Sua Palavra. Ele e só Ele tem palavras de vida eterna.

 

Oração colecta: Deus, Criador e Senhor de todas as coisas, lançai sobre nós o vosso olhar; e para sentirmos em nós os efeitos do vosso amor, dai-nos a graça de Vos servirmos com todo o coração. Por Nosso Senhor...

 

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Isaías descreveu, muitos séculos antes, a Paixão do Messias para salvar os homens. Ele escreveu como que o primeiro Evangelho da Paixão.

 

Isaías 50, 5-9a

5O Senhor Deus abriu-me os ouvidos e eu não resisti nem recuei um passo. 6Apresentei as costas àqueles que me batiam e a face aos que me arrancavam a barba; não desviei o meu rosto dos que me insultavam e cuspiam. 7Mas o Senhor Deus veio em meu auxílio e por isso não fiquei envergonhado; tornei o meu rosto duro como pedra, e sei que não ficarei desiludido. 8O meu advogado está perto de mim. Pretende alguém instaurar-me um processo? Compareçamos juntos. Quem é o meu adversário? Que se apresente! 9aO Senhor Deus vem em meu auxílio. Quem ousará condenar-me?

 

A leitura é extraída do 3º poema dos célebres Cantos do Servo de Yahwéh, que aparecem dispersos pelo Segundo Isaías. Trata-se de um poema literariamente bem estruturado em estrofes iniciadas da mesma forma: «O Senhor Deus». Neste texto é o próprio Servo (cf. v. 10) quem é apresentado a falar. Apresenta-se «a falar como um discípulo» (v. 4), embora não se trate de um discípulo qualquer: é um discípulo do Senhor (cf. Is 54, 13), instruído pelo próprio Deus, tal como dirá Jesus: «a minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou» (Jo 7, 16; cf. 14, 24). Segundo o que os Evangelhos deixam ver, a Tradição cristã primitiva logo viu nesta figura uma representação profética de Jesus Cristo e da sua Paixão, ao arrepio das expectativas messiânicas da época.

5 «Eu não resisti nem recuei». Mesmo os maiores profetas e os maiores santos tiveram a consciência clara de opor alguma resistência, embora sem qualquer rebeldia, à acção de Deus, como Moisés e Jeremias (cf. Ex 3, 11; 4, 10; Jer 1, 6). Jesus, porém, identifica-se plenamente com a vontade do Pai (cf. Jo 4, 34; Lc 22, 42).

6 «Apresentei as costas àqueles que me batiam... não desviei o rosto daqueles que me insultavam e cuspiam». Um pleno cumprimento deu-se no relato da Paixão do Senhor, particularmente Mt 26, 67; 27, 26-30; Lc 22, 63-64; etc.

 

Salmo Responsorial    Sl 114 (116), 1-2.3-4.5-6.8-9 (R. 9)

 

 

Monição: O salmo lembra os sofrimentos que batem à porta dos amigos de Deus e anima-nos a pôr a nossa confiança no Senhor.

 

Refrão:        Andarei na presença do Senhor

                     sobre a terra dos vivos.

Ou:               Caminharei na terra dos vivos

                     na presença do Senhor.

Ou:               Aleluia.

 

Amo o Senhor,

porque ouviu a voz da minha súplica.

Ele me atendeu

no dia em que O invoquei.

 

Apertaram-me os laços da morte,

caíram sobre mim as angústias do além,

vi-me na aflição e na dor.

Então invoquei o Senhor:

«Senhor, salvai a minha alma».

 

Justo e compassivo é o Senhor,

o nosso Deus é misericordioso.

O Senhor guarda os simples:

estava sem forças e o Senhor salvou-me.

 

Livrou da morte a minha alma,

das lágrimas os meus olhos, da queda os meus pés.

Andarei na presença do Senhor,

sobre a terra dos vivos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A fé tem de manifestar-se em nossa vida de cristãos. Não pode ser apenas sentimento ou palavriado – diz-nos S.Tiago.

 

Tiago 2, 14-18

Meus irmãos: 14De que serve a alguém dizer que tem fé, se não tem obras? Poderá essa fé obter-lhe a salvação? 15Se um irmão ou uma irmã não tiverem que vestir e lhes faltar o alimento de cada dia, 16e um de vós lhe disser: «Ide em paz. Aquecei-vos bem e saciai-vos», sem lhes dar o necessário para o corpo, de que lhes servem as vossas palavras? 17Assim também a fé sem obras está completamente morta. 18Mas dirá alguém: «Tu tens a fé e eu tenho as obras». Mostra-me a tua fé sem obras, que eu, pelas obras, te mostrarei a minha fé.

 

Tiago começa a desenvolver aqui a ideia subjacente a toda a carta: a coerência da vida com a fé, com uma argumentação repetitiva para insistir na mesma ideia nuclear, expressa em termos equivalentes (v. 14.17.18.20.26). Conjugando o método sapiencial e exemplos vivos do A. T. com a pedagogia estóica de perguntas retóricas e de interlocutores fictícios, obtém um belo efeito, desperta o interesse do leitor e convence. Na leitura de hoje o ensino gira à volta duma situação típica, a saber, a do crente que não presta assistência ao irmão (v. 14-17; cf. 1 Jo 3,17).

17 «Assim também a fé sem obras está completamente morta». S. Tiago não está em oposição a S. Paulo, como Lutero afirmou, mas coloca-se noutro ponto de vista distinto. S. Paulo quer demonstrar aos judaizantes que as obras da Lei de Moisés são inúteis para obter a salvação, que só Cristo nos traz. S. Tiago pretende visar os crentes que não vivem a fé, e, segundo pensam alguns, apoiando-se numa interpretação abusiva de S. Paulo, o qual também não deixa de apelar para a necessidade das boas obras, uma vez recebido o dom da graça (cf. Rm 2, 6; 6, 15-22; 8, 4.12-13; 12, 9-21; 1 Cor 13, 2-3; Gl 5, 6.19-22). O mesmo texto de Gn 15,6 é citado por ambos: S. Paulo para ensinar a gratuidade da justificação (Rm 4,2-3; Gl 3,5-7), S. Tiago para inculcar a necessidade duma fé coerente e activa (mais adiante, nos vv. 20-23). S. Paulo tem diante de si a lei judaica e situa-se na fase que precede a justificação, ao passo que S Tiago considera o cristão, o homem já justificado, que tem de viver a sua fé com obras de amor a Deus e ao próximo, e não considera aqui as observâncias próprias do judaísmo. Os ensinamentos estão em plena concordância com o Evangelho: «Nem todo o que me diz ‘Senhor, Senhor’ entrará no Reino dos Céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos Céus» (Mt 7, 21).

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Gal 6, 14

 

Monição: S.Pedro manifesta a fé dos Apóstolos em Jesus, mas olha para os sofrimentos de Cristo com uma visão puramente humana, que merece a repreensão de Jesus. Digamos a Jesus, que vai falar-nos, que queremos aceitar sem reserves o que nos ensina.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4,F. Silva, NRMS 50-51

 

Toda a minha glória está na cruz do Senhor,

por quem o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo.

 

 

Evangelho

 

São Marcos 8, 27-35

Naquele tempo, 27Jesus partiu com os seus discípulos para as povoações de Cesareia de Filipe. No caminho, fez-lhes esta pergunta: «Quem dizem os homens que Eu sou?» 28Eles responderam: «Uns dizem João Baptista; outros, Elias;  e outros, um dos profetas». 29Jesus então perguntou-lhes: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» Pedro tomou a palavra e respondeu: «Tu és o Messias». 30Ordenou-lhes então severamente que não falassem d’Ele a ninguém. 31Depois, começou a ensinar-lhes que o Filho do homem tinha de sofrer muito, de ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos escribas; de ser morto e ressuscitar três dias depois. 32E Jesus dizia-lhes claramente estas coisas. Então, Pedro tomou-O à parte e começou a contestá-l’O. 33Mas Jesus, voltando-Se e olhando para os discípulos, repreendeu Pedro, dizendo: «Vai-te, Satanás, porque não compreendes as coisas de Deus, mas só as dos homens». 34E, chamando a multidão com os seus discípulos, disse-lhes: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. 35Na verdade, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas quem perder a vida, por causa de Mim e do Evangelho, salvá-la-á».

 

O texto da leitura pode ser considerada como um ponto de charneira na estrutura do Evangelho de S. Marcos. Os vv. 27-29 encerram a primeira parte do Evangelho, com a confissão de fé de Pedro, «Tu és o Messias», a qual não é mais uma resposta entre tantas acerca da pessoa de Jesus, mas é a resposta certa, a resposta da fé à pergunta implícita ao longo da redacção: «Quem é este homem?» Os vv. 30-35 iniciam a segunda parte do Evangelho de Marcos, em que Jesus começa uma instrução aprofundada aos discípulos, revelando a natureza da sua condição de Messias, contra tudo o que era de esperar, bem posto em evidência na oposição frontal do próprio Pedro, que «não compreende as coisas de Deus» (vv. 32-33).

 34-35 «Renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me…» Esta passagem evangélica, em termos fortemente paradoxais – um recurso semítico frequente em Jesus para chamar a atenção para um ensinamento importante e a não esquecer –, é uma daquelas que todos os cristãos deviam saber de cor, a par com as outras fórmulas do catecismo (cf. Cathechesi tradendæ). Aceitar e abraçar a cruz é fundamental para o homem alcançar a salvação: para viver é preciso morrer. O fim do homem é o próprio Deus, não é gozar dos bens deste mundo, que são puros meios. Para se chegar a Deus é preciso «renegar-se a si mesmo», renunciando ao comodismo, egoísmo, apego aos bens terrenos, e «tomar a sua cruz», abraçando os sacrifícios que acarreta o dever bem cumprido. Na expressão do Catecismo da Igreja Católica, no nº 2015: «O caminho da perfeição passa pela Cruz. Não há santidade sem renúncia e combate espiritual. O progresso espiritual implica a ascese e a mortificação, que conduzem gradualmente a viver na paz e na alegria das bem-aventuranças».

 

Sugestões para a homilia

 

Tu és o Messias

Vai-te, satanás

Se alguém quiser seguir-Me

 

Tu és o Messias

S.Pedro faz um acto de fé muito bonito em Jesus. S.Mateus conta-nos mais em pormenor a resposta de Pedro: Tu és o Messias o Filho de Deus vivo. E como Jesus elogiou a fé do Apóstolo: Não foram a carne e o sangue que to revelaram mas sim Meu Pai que está no Céu. E diz-lhe: Também Eu te digo: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja e as portas do inferno não levarão a melhor contra ela. Dar-te-ei as chaves do Reino do Céu e tudo o que ligares na terra será ligado no céu e tudo o que desligares na terra será desligado no céu (Mt 16,16-19).

Jesus faz dele o chefe da Sua Igreja, a pedra da unidade e confere-lhe poderes maravilhosos para serviço da mesma Igreja.

Apesar disso vemos que a fé de Pedro é ainda muito imperfeita. Não abrange o sofrimento que Jesus terá de suportar para salvar os homens. Por uma amizade mal entendida ao Senhor quer afastá -Lo da Sua Paixão redentora. Por isso Jesus lhe dirige uma repreensão muito forte.

Ao pregar o Evangelho, de que, segundo a tradição, S.Marcos é o redactor, o apóstolo não esconde o que o envergonha, mas passa por alto os elogios que Jesus lhe tinha feito.

Temos de pedir ao Senhor que nos dê uma fé grande e com ela saibamos iluminar todos aspectos da nossa vida. Que ela ilumine as vinte e quatro horas do nosso dia. Que procuremos ter visão sobrenatural, que procuremos contemplar todos os acontecimentos como Deus os vê.

Alguns cristãos pensam que a fé é para usar apenas na igreja, nas cerimónias religiosas e que não tem a ver com a vida familiar, com as relações sociais, com os divertimentos, com os negócios, com a sua actividade politica. Falta-lhes unidade de vida. São, como contava João Paulo I, como a lebre da lenda que tinha dois jogos de patas. Quando era perseguida pelos galgos e já estava cansada, dava meia volta e corria com as patas que tinha no lombo.

A nossa fé há-de iluminar toda a nossa vida e tem de manifestar-se em todas as nossas acções. Há-de mostrar-se nas obras, como lembra S.Tiago: «De que serve a alguém dizer que tem fé se não tem obras?... A fé sem obras está completamente morta» (2ª leit.).No Ano da Fé, que está prestes a começar, devemos procurar conhecer melhor a nossa fé, lendo e meditando o Catecismo da Igreja Católica como nos recomenda Bento XVI.

Vai-te, satanás

Uma das palavras que os Apóstolos tiveram mais dificuldade em aceitar – diz o Evangelho – foi o anúncio da Paixão e morte de Jesus. Por um lado porque tinham uma ideia do Messias à maneira dos judeus do seu tempo, um Messias terreno, que iria conquistar o mundo à maneira dos reis de então. Por outro custava-lhes pensar nos sofrimentos do Seu Mestre e Amigo. Por isso Pedro quer afastar Jesus de cumprir a vontade do Pai. O Senhor repreende-o com severidade: – Vai-te da minha frente Satanás, porque não compreendes as coisas de Deus mas só as dos homens.

Jesus falou-lhes várias vezes da Sua Paixão e morte. Mesmo assim não souberam acompanhá-Lo até ao Calvário.

Também a nós pode acontecer o mesmo. Custa-nos compreender como é que Deus permite uma doença, a morte inesperada dum amigo ou familiar. Como é que permite que tantos cristãos sejam humilhados e perseguidos em tantos países do mundo Pode vir a tentação de duvidar da sabedoria ou do poder de Deus.

Temos de ver as coisas com olhos de fé, sabendo dizer ao Senhor: – Tu sabes mais!

Aceitemos com alegria as coisas aborrecidas da vida, sabendo que são permitidas pelo nosso Pai Deus, que tem todo o poder e toda a sabedoria. E que nos ama mais que as mães a seus filhos pequenos. Tudo concorre para o bem dos que amam a Deus – diz S.Paulo (Rom 8,28).

Ao olhar para trás verificamos que foi nas coisas desagradáveis que recebemos mais graças de Deus, que amadurecemos espiritualmente, que alcançámos mais frutos de apostolado.

Se alguém quiser seguir-Me

Para seguir a Cristo é preciso estar disposto a sofrer por Ele. Conta-se que o imperador Heráclio, ao recuperar a Santa Cruz das mãos dos persas, em 630, a quis levar aos ombros para a colocar na igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém. Mas era tão pesada que não conseguia dar um passo. Então o patriarca de Jerusalém lembrou-lhe: – Como quer vossa majestade levar a cruz vestido com os seus trajes reais se Jesus a levou na pobreza e na humildade?

O imperador despojou-se de suas vestes de honra e então já foi capaz de a transportar.

No dia 14 deste mês a Igreja celebrou a festa da Santa Cruz. É mistério central na pregação do Evangelho, como S.Paulo diz aos Coríntios:

«Cristo não me enviou a baptizar, mas a pregar o Evangelho, não com a sabedoria das palavras, para que não se torne inútil a Cruz de Cristo.

Efectivamente, a linguagem da cruz é uma loucura para os que se perdem, mas, para os que se salvam, isto é, para nós, é a força de Deus. Porque está escrito: “Destruirei a sabedoria dos sábios e reprovarei a prudência dos prudentes”...

Enquanto os judeus exigem milagres e os gregos buscam a sabedoria, nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus e loucura para os gentios, mas, para os que são chamados, quer dos judeus, quer dos gregos, é Cristo força de Deus e sabedoria de Deus; porque o que é loucura em Deus é mais sábio que os homens, e o que é fraqueza em Deus é mais forte que os homens» (1 Cor 1,17-25).

E o Apóstolo continua:

«Eu, pois, quando fui ter convosco, irmãos, a anunciar-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de estilo ou de sabedoria. Porque julguei que não devia saber coisa alguma entre vós senão a Jesus Cristo, e Este crucificado.

 Estive entre vós com fraqueza, temor e grande tremor; a minha conversação e a minha pregação não tinham nada da linguagem persuasiva da sabedoria, mas eram manifestação de Espírito e de força, para que a vossa fé não se baseie sobre a sabedoria dos homens, mas na força de Deus” (1 Cor 2,1-5).

Se a Igreja esquecesse esta centralidade do mistério da Cruz, depressa se deixaria arrastar pela sabedoria humana, arrogante e falsa sabedoria, que é loucura para Deus.

S.Paulo não só pregou a sabedoria da Cruz mas soube viver unido a ela. Escrevia aos Gálatas:

«Estou pregado com Cristo na cruz; vivo, mas já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim. A vida com que vivo agora na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, que me amou e Se entregou a Si mesmo por mim.» (Gal 2,19)

Longe de mim o gloriar-me senão na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, por Quem o mundo está crucificado para mim e eu crucificado para o mundo. De facto, nem a circuncisão nem a incircuncisão valem nada, mas sim o ser uma nova criatura. A todos os que seguirem esta regra, paz e misericórdia, assim como ao Israel de Deus. Para o futuro ninguém me moleste, porque eu trago no meu corpo as marcas de Jesus. ” (Gal 6,14-17)

Temos de amar a Santa Cruz e pedir a valentia dos cristãos, ao longo dos tempos, que não tiveram medo de dar a sua vida por Cristo.

Temos de pedir ao Senhor que nos faça corajosos para dar testemunho dEle no cumprimento do dever de cada dia, de não ter medo de sofrer para viver a nossa fé nas variadas circunstâncias da nossa vida, sobretudo quando isso significa humilhação, desprezo ou perda de benefícios materiais.

Muitas vezes trata-se de vencer os respeitos humanos, a vergonha de nos mostrarmos amigos de Jesus.

Outras a de vencer a preguiça e o desleixo e sermos fieis ao nosso plano de vida de piedade, quer chova quer faça sol. Para os casais pode ser o de aceitar generosamente os filhos, sabendo confiar em Deus e vencer a tentação de ir atrás dos outros. Para os jovens o de irem a confessar-se com frequência e de não frequentar certos divertimentos com medo de ser diferentes dos colegas.

É perdendo a vida – dizia-nos Jesus – que se encontra a vida de verdade.

Que Nossa Senhora das Dores, que celebrámos há poucos dias, nos ensine a estar unidos com Ela à cruz de Jesus.

 

Fala o Santo Padre

 

“Jesus não nos veio ensinar uma filosofia, mas mostrar-nos o caminho que conduz à vida.”

 

Queridos irmãos e irmãs!

 

Neste Domingo — o 24º do Tempo Comum — a Palavra de Deus interpela-nos com duas questões cruciais que resumiria assim: "Quem é para ti Jesus de Nazaré?". E depois: "Traduz-se ou não a tua fé em obras?". A primeira pergunta encontramo-la no Evangelho de hoje, onde Jesus pede aos seus discípulos: "E vós quem dizeis que Eu sou"? (Mc 8, 29). A resposta de Pedro é clara e imediata: "Tu és Cristo", isto é, o Messias, o consagrado de Deus enviado para salvar o seu povo. Portanto, Pedro e os outros apóstolos, ao contrário da maior parte das pessoas, crêem que Jesus não é só um grande mestre, ou um profeta, mas muito mais. Têm fé: crêem que n'Ele está presente e age Deus. Mas logo após esta profissão de fé, quando Jesus pela primeira vez anuncia abertamente que terá que sofrer e morrer, o próprio Pedro opõe-se à perspectiva de sofrimento e de morte. Então Jesus deve repreendê-lo com vigor, para lhe fazer compreender que não é suficiente crer que Ele é Deus, mas estimulado pela caridade é preciso segui-lo pelo seu mesmo caminho, o da cruz (cf. Mc 8, 31-33). Jesus não nos veio ensinar uma filosofia, mas mostrar-nos um caminho, aliás, o caminho que conduz à vida.

Este caminho é amor, que é a expressão da verdadeira fé. Se alguém ama o próximo com coração puro e generoso, significa que deveras conhece Deus. Se ao contrário alguém diz que tem fé, mas não ama os irmãos, não é um verdadeiro crente. Deus não habita nele. Afirma-o claramente São Tiago na segunda leitura da Missa deste Domingo: "Se ela não tiver obras [a fé] é morta em si mesma" (Tg 2, 17). A este propósito, apraz-me citar um escrito de São João Crisóstomo, um dos grandes Padres da Igreja, que hoje o calendário litúrgico nos convida a recordar. Comentando precisamente o trecho citado da Carta de Tiago ele escreve: "Uma pessoa pode até ter uma recta fé no Pai e no Filho, assim como no Espírito Santo, mas se não tem uma vida recta, a sua fé não lhe servirá para a salvação. Portanto o que lês no Evangelho: "A vida eterna consiste nisto: que Te conheçam a Ti, único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a Quem enviaste" (Jo 17, 3), não penses que este versículo seja suficiente para nos salvar: são necessários uma vida e um comportamento puríssimos" (cit. em J.A. Cramer, Catenae graecorum Patrum in n.t., vol. VIII In Epist. Cath. et Apoc., Oxford 1844). […]

 

Papa Bento XVI, Angelus, Castel Gandolfo, 13 de Setembro de 2009

 

Oração Universal

 

Da Cruz de Jesus nos vêm todas as graças, que Ele nos alcançou com o Seu sangue. Imploremos com toda a confiança neste dia:

 

1-Pela Santa Igreja de Deus,

perseguida em tantas nações e pelos que sofrem pela Sua fé,

para que essas dores continuem a ser semente de cristãos, oremos ao Senhor.

 

2-Pelo Santo Padre, para que o Senhor o encha de alegrias

nos trabalhos e nos cuidados por todas as Igrejas, oremos ao Senhor.

 

3-Pelos bispos e sacerdotes,

para que se entreguem generosamente no serviço das almas

sem medo das cruzes do seu ministério, oremos ao Senhor.

 

4-Pelos cristãos do mundo inteiro,

para que cresçam na devoção à Santa Cruz, oremos ao Senhor.

 

5-Para que todos escutemos os apelos de Nossa Senhora

para oferecer a Jesus os sacrifícios nas pequenas coisas de cada dia, oremos ao Senhor.

 

6-Para que sejamos valentes,

abraçando com alegria a nossa cruz de cada dia, oremos ao Senhor.

 

Senhor, que nos chamastes a seguir a Cristo, Vosso Filho,

pelo caminho da cruz,

ensinai-nos a entender melhor o mistério da Sua Paixão e Morte

e a unir-nos mais a Ele em nossa vida.

Pelo mesmo N.S.J.C.Vosso Filho que conVosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Confiarei no meu Deus, F. da Silva, NRMS 106

 

Oração sobre as oblatas: Ouvi, Senhor, com bondade as nossas súplicas e recebei estas ofertas dos vossos fiéis, para que os dons oferecidos por cada um de nós para glória do vosso nome sirvam para a salvação de todos. Por Nosso Senhor...

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Jesus vem até nós na Comunhão. Alimenta-nos e fortalece-nos para seguir os Seus passos.

 

Cântico da Comunhão: Saciastes o vosso povo, F. da Silva, NRMS 90-91

Salmo 35, 8

Antífona da Comunhão: Como é admirável, Senhor, a vossa bondade! A sombra das vossas asas se refugiam os homens.

Ou:           Salmo 35, 8

O cálice de bênção é comunhão no Sangue de Cristo; e o pão que partimos é comunhão no Corpo do Senhor.

 

Cântico de acção de graças: A toda a hora bendirei o Senhor, M. Valença, NRMS 60

 

Oração depois da Comunhão: Senhor nosso Deus, concedei que este sacramento celeste nos santifique totalmente a alma e o corpo, para que não sejamos conduzidos pelos nossos sentimentos mas pela virtude vivificante do vosso Espírito. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Jesus animou-nos a segui-Lo fielmente, tomando a nossa cruz de cada dia. Assim encontraremos a verdadeira felicidade já na terra.

 

Cântico final: Senhor fica connosco, M. Carneiro, NRMS 94

 

 

Homilias Feriais

 

24ª SEMANA

 

2ª Feira, 17-IX: A Comunhão sacramental na edificação da Igreja.

1 Cor 11, 17-26 / Lc 7, 1-10

Sempre que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciareis a morte do Senhor, até que Ele venha.

A Igreja vive da Eucaristia desde os primeiros tempos: «No Cenáculo, os Apóstolos, tende aceite o convite de Jesus: ‘Tomai, comei’, entraram pela primeira vez em comunhão sacramental com Ele. Desde então e até ao final dos séculos, a Igreja edifica-se através da comunhão sacramental com o Filho de Deus imolado por nós: ‘Todas as vezes…’ (Leit.)» (IVE, 21).

Para recebermos o Senhor na Comunhão procuremos seguir o exemplo do centurião (Ev.), e imitemos as suas disposições de fé, humildade e delicadeza.

 

3ª Feira, 18-IX: Imitação da misericórdia de Jesus.

1 Cor 12, 12-14. 27-31 / Lc 7, 11-17

E vinha com ela (a viúva) bastante gente da cidade. Ao vê-la, o Senhor compadeceu-se e disse-lhe: Não chores.

Jesus veio carregar com as nossas misérias sobre os seus ombros. Veio compadecer-se dos que sofrem, como a viúva de Naim (Ev.). «Jesus faz da misericórdia um dos temas principais da sua pregação. São muitos os passos dos seus ensinamentos que manifestam o amor misericórdia sob uma espécie sempre nova» (Rico em misericórdia, 3).

À semelhança de Cristo todos devemos ser igualmente misericordiosos com os outros: «todos os membros do corpo constituem um só corpo, assim sucede também com Cristo» (Leit.).

 

4ª Feira, 19-IX: A Magna Carta do serviço.

1 Cor 12, 3111-13, 3 / Lc 7, 31-35

Aspirai com ardor aos dons espirituais mais elevados. Vou mostrar-vos um caminho de perfeição que ultrapassa tudo.

Este caminho de perfeição é o caminho da caridade: «No seu hino à caridade (Leit.), S. Paulo ensina-nos que a caridade é sempre algo mais do que mera actividade. ‘Ainda que eu distribua todos os meus dons em esmolas e entregue o meu corpo a fim de ser queimado, se não tiver caridade, de nada me aproveita’. Este hino deve ser a Magna Carta de todo o serviço eclesial» (Deus é amor, 34).

Um dos aspectos da caridade que devemos melhorar é o dos juízos críticos. Assim foram criticados João Baptista e Jesus (Leit.).

 

5ª Feira, 20-IX: O arrependimento e as obras.

1 Cor 15, 1-11 / Lc 7, 36-50

Por isso te digo: os seus numerosos pecados ficam perdoados, uma vez que manifestou tanto amor.

A atitude da pecadora para com Jesus é um exemplo de oração silenciosa: não precisou de palavras; manifestou o seu amor com obras: «Jesus atende a oração expressa em palavras; ou feita em silêncio (as lágrimas e o perfume da pecadora (Ev.)» (CIC, 2616).

A fé e a humildade salvaram aquela mulher; e o arrependimento e perdão do Senhor levaram-na a começar uma vida nova. «Cristo morreu pelos nossos pecados, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia» (Leit.).

 

6ª Feira, 21-IX: S. Mateus: Para obter o estado do homem adulto.

Ef 4, 1-7. 11-13 / Mt 9, 9-13

Jesus ia a passar, quando viu um homem chamado Mateus, sentado no posto de cobrança, e disse-lhe: Segue-me.

Logo que foi chamado pelo Senhor, S. Mateus deixou logo tudo para se dedicar ao serviço do Senhor (Ev.). A partir de então pode acompanhá-lo, ser testemunha da sua vida e ensinamentos, dos milagres, da Última Ceia, etc. Deixou-nos um precioso documento: o seu Evangelho.

Para imitarmos Jesus precisamos conhecer melhor a sua vida: «No fim chegaremos todos á unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, ao estado do homem adulto, à medida da estatura de Cristo na sua plenitude» (Leit.).

 

Sábado, 22-IX: Provações e crescimento das virtudes.

1 Cor 15, 35-37. 42-49 / Lc 8, 4-15

E a semente que ficou na boa terra são aqueles que ouviram a palavra com um coração recto e bom, a conservaram e, com perseverança, dão fruto.

Ambas as leituras referem as sementeiras e os frutos. S. Paulo recorda: «O que tu semeias não volta à vida sem morrer» (Leit.). Isto significa que, sem o sacrifício, não pode haver frutos na vida de um cristão.

Jesus fala de terrenos que recebem a sementeira de Deus. Num deles, o demónio tenta arrancar a palavra do coração: «O Espírito Santo permite-nos discernir entre a provação necessária ao crescimento interior em vista duma virtude comprovada» (CIC, 2847). Mais uma vez se vê que o crescimento das virtudes está ligado ao sacrifício.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Celestino C. Ferreira

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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