21º Domingo Comum

26 de Agosto de 2012

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Escutai, Senhor, a prece, M. Carneiro, NRMS 90-91

Salmo 85, 1-3

Antífona de entrada: Inclinai o vosso ouvido e atendei-me, Senhor, salvai o vosso servo, que em vós confia. Tende compaixão de mim, Senhor, que a Vós clamo dia inteiro.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Estamos no final do mês de Agosto, tempo de férias e de turismo, de festas religiosas e de casamentos. É também tempo de preocupações pelos frutos do campo que vão amadurecendo, pelo emprego e pela vida do país.

A palavra de Deus convida-nos à reflexão sobre tudo isso, fala-nos da pessoa de Jesus e da família.

 

Acto penitencial

 

Com a nossa conduta – a falta de coerência na vida – semeamos, por vezes a desorientação à nossa volta.

Falta-nos a virtude da fortaleza para discordar duma conversa, afastar-se dum ambiente doentio ou mau, proclamar a nossa fé – na verdade e na moral – quando é necessário.

Peçamos perdão destes pecados e a graça de nos comportarmos de modo diferente no futuro.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Para os silêncios cobardes em que nos deixamos cair,

    como se não víssemos o mal que estamos  presenciar,

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Para o medo que nos arrasta a agir como toda a gente,

    em vez de sermos, como cristãos, sal e luz do mundo,

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Para a louca vaidade que muitas vezes nos escraviza,

    levando-nos a procurar uma glória infantil e ilusória,

    Senhor, misericórdia!

 

Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Senhor Deus, que unis os corações dos fiéis num único desejo, fazei que o vosso povo ame o que mandais e espere o que prometeis, para que, no meio da instabilidade deste mundo, fixemos os nossos corações onde se encontra as verdadeiras alegrias. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Antes de tomar posse da Terra Santa, Josué desafia as tribos de Israel reunidas em Siquém a escolherem entre “servir o Senhor” e servir outros deuses.

Diante do bom exemplo de Josué e da sua família, o Povo escolhe claramente “servir o Senhor”. Ele viu, na história recente da libertação do Egipto e da caminhada pelo deserto, como só Jahwéh pode proporcionar ao seu Povo a vida, a liberdade, o bem estar e a paz.

 

Josué 24, 1-2a.15-17.18b

Naqueles dias, 1Josué reuniu todas as tribos de Israel em Siquém. Convocou os anciãos de Israel, os chefes, os juízes e os magistrados, que se apresentaram diante de Deus. 2aJosué disse então a todo o povo: 15«Se não vos agrada servir o Senhor, escolhei hoje a quem quereis servir: se os deuses que os vossos pais serviram no outro lado do rio, se os deuses dos amorreus em cuja terra habitais. Eu e a minha família serviremos o Senhor». 16Mas o povo respondeu: «Longe de nós abandonar o Senhor para servir outros deuses; 17porque o Senhor é o nosso Deus, que nos fez sair, a nós e a nossos pais, da terra do Egipto, da casa da escravidão. Foi Ele que, diante dos nossos olhos, realizou tão grandes prodígios e nos protegeu durante o caminho que percorremos entre os povos por onde passámos. 18bTambém nós queremos servir o Senhor, porque Ele é o nosso Deus».

 

A leitura é tirada do capítulo final do livro de Josué, uma obra impregnada do espírito e da teologia do Deuteronómio, que celebra a fidelidade do amor de Deus e apela para uma correspondência fiel à escolha gratuita do seu amor. A obra termina com o relato da Grande Assembleia de Siquém, para a ratificação da Aliança, cujo rito, à maneira dos pactos hititas, não aparece na leitura (vv. 25-27). O povo decidiu livremente escolher a Yahwéh, melhor dito, decidiu não O abandonar. Josué, com vigorosa decisão, adianta-se com o seu exemplo: «eu e minha família serviremos o Senhor» (v. 15); o povo responde: «também nós queremos servir o Senhor, pois Ele é o nosso Deus» (v. 18b). Como então, ainda hoje a fidelidade e a santidade do povo depende muito da decidida fidelidade dos seus chefes e daqueles fiéis cujo bom exemplo deixa rasto.

1 «Siquém». Cidade ligada à vida dos Patriarcas (Gn 12, 6; 33, 18), na Samaria, entre os montes Garizim e Ebal, que os arqueólogos localizaram a 2 km a Sul de Nablus. Já não existia no tempo de Jesus, por ter sido destruída por João Hircano, em 128 a. C.

15 «Amorreus». Designação frequente no A.T., como forma muito genérica para indicar os habitantes da Palestina antes dos hebreus. Para os especialistas de História os amorreus são povos semitas que pelo ano 2.000 se fixaram na Mesopotâmia, Síria e Palestina. A sua primeira metrópole foi Mari, na margem ocidental do médio Eufrates, mas no seu apogeu foi Babilónia.

 

Salmo Responsorial            Sl 33 (34), 2-3.16-17.18-19.20-21.22-23 (R. 9a)

 

Monição: São muitas as razões para louvarmos continuamente o Senhor: Ele está continuamente atento às nossas petições e livra-nos de todas as dificuldades que não podemos superar.

Só os que fazem a vontade do Senhor, observando os Seus mandamentos, são inteiramente felizes.

 

 

Refrão:    Saboreai e vede como o Senhor é bom.

 

A toda a hora bendirei o Senhor,

o seu louvor estará sempre na minha boca.

A minha alma gloria-se no Senhor:

escutem e alegrem-se os humildes.

 

Os olhos do Senhor estão voltados para os justos

e os ouvidos atentos aos seus rogos.

A face do Senhor volta-se contra os que fazem o mal,

para apagar da terra a sua memória.

 

Os justos clamaram e o Senhor os ouviu,

livrou-os de todas as suas angústias.

O Senhor está perto dos que têm o coração atribulado

e salva os de ânimo abatido.

 

Muitas são as tribulações do justo,

mas de todas elas o livra o Senhor.

Guarda todos os seus ossos,

nem um só será quebrado.

 

A maldade leva o ímpio à morte,

os inimigos do justo serão castigados.

O Senhor defende a vida dos seus servos,

não serão castigados os que n’Ele se refugiam.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo diz aos cristãos de Éfeso que o seguimento dos ensinamentos de Jesus começa na vida familiar. A partir daí, ajuda o marido e a esposa a estabelecerem regras cristãs de comportamento.

Com a sua partilha de amor, com a sua união, com a sua comunhão de vida, o casal cristão é chamado a ser sinal e imagem da união de Cristo com a Sua Igreja.

 

Efésios 5, 21-32

Irmãos: 21Sede submissos uns aos outros no temor de Cristo. 22As mulheres submetam-se aos maridos como ao Senhor, 23porque o marido é a cabeça da mulher, como Cristo é a cabeça da Igreja, seu Corpo, do qual é o Salvador. 24Ora, como a Igreja se submete a Cristo, assim também as mulheres se devem submeter em tudo aos maridos. 25Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e Se entregou por ela. 26Ele quis santificá-la, purificando-a no baptismo da água pela palavra da vida, 27para a apresentar a Si mesmo como Igreja cheia de glória, sem mancha nem ruga, nem coisa alguma semelhante, mas santa e imaculada. 28Assim devem os maridos amar as suas mulheres, como os seus corpos. Quem ama a sua mulher ama-se a si mesmo. 29Ninguém, de facto, odiou jamais o seu corpo, antes o alimenta e lhe presta cuidados, como Cristo à Igreja; 30porque nós somos membros do seu Corpo. 31Por isso, o homem deixará pai e mãe, para se unir à sua mulher, e serão dois numa só carne. 32É grande este mistério, digo-o em relação a Cristo e à Igreja.

 

Terminamos hoje com a leitura respigada de Efésios, precisamente com a referência aos deveres dos esposos cristãos. Marido e mulher encontravam-se numa situação nova relativamente à vida das outras pessoas casadas com quem conviviam, por isso o amor, o respeito e a obediência são focados numa nova perspectiva, a da união indissolúvel e da mútua entrega entre Cristo e a Igreja. S. Paulo parte da consideração duma analogia em que o marido representa Cristo e a esposa a Igreja, por isso as suas exortações têm como pano de fundo esta representação. Mas de modo nenhum ele pretende reduzir os deveres e as relações familiares a este figurino. Ele foca os aspectos que se enquadram nesta semelhança. Assim, ao dizer, «as mulheres submetam-se aos maridos como ao Senhor» (v. 22), não pretende negar o que diz antes: «sede submissos uns aos outros» (v. 21), ou contradizer o princípio da igualdade de dignidade e direitos já dado por assente em Gálatas: «já não há diferença entre judeu e grego, nem entre escravo e livre, nem entre homem e mulher» (Gal 3, 28). Se sublinha para a mulher o dever de submissão é em virtude da analogia estabelecida, pois também o marido tem que ser submisso à mulher (cf. v. 21); mas também poderíamos pensar que S. Paulo, como bom psicólogo, fala em concreto da submissão para a mulher, aludindo a que o coração (a mulher) tem de se submeter à razão (o homem). De qualquer modo, não se opõe à justa promoção da mulher, o que aliás não é mais do que uma das consequências da doutrina cristã bem entendida e bem vivida, sem que com isso se queira dizer que já nem tem em nada que se submeter ao marido, pois também o marido, para ser bom marido, tem que se submeter à mulher, e, afinal, quando a submissão é ditada pelo amor e respeito mútuos, não é deprimente, mas libertadora.

32 «É grande este mistério...» A Vulgata diz «sacramento», não no sentido técnico da Teologia, mas no sentido de algo sagrado que contém um significado oculto. Ora este significado é grande, importantíssimo, do mais alto alcance, pela sua referência a Cristo e à Igreja. Com isto, S. Paulo ensina que o Criador, ao unir o homem e a mulher em matrimónio, deixou-nos uma figura ou «tipo» da união de Cristo com a Igreja, união que é una, indissolúvel e santificante. Daqui que o Concílio de Trento tenha dito que este texto paulino insinua a sacramentalidade do Matrimónio cristão.

 

Aclamação ao Evangelho   cf. Jo 6, 63c.68c

 

Monição: Num primeiro momento, somos tentados a ver nas palavras de Jesus um peso e estorvo que nos complica a vida. Na realidade, elas são o caminho da verdadeira felicidade já nesta vida, e daquela que nos espera depois da morte.

Aclamemos, pois, com alegria, esta mensagem de salvação.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 3, F. da Silva, NRMS 50-51

 

As vossas palavras, Senhor, são espírito e vida:

Vós tendes palavras de vida eterna.

 

 

Evangelho

 

São João 6, 60-69

Naquele tempo, 61muitos discípulos, ao ouvirem Jesus, disseram: «Estas palavras são duras. Quem pode escutá-las?» 62Jesus, conhecendo interiormente que os discípulos murmuravam por causa disso, perguntou-lhes: «Isto escandaliza-vos? 63E se virdes o Filho do homem subir para onde estava anteriormente? 64O espírito é que dá vida, a carne não serve de nada. As palavras que Eu vos disse são espírito e vida. 65Mas, entre vós, há alguns que não acreditam». Na verdade, Jesus bem sabia, desde o início, quais eram os que não acreditavam e quem era aquele que O havia de entregar. 66E acrescentou: «Por isso é que vos disse: Ninguém pode vir a Mim, se não lhe for concedido por meu Pai». 67A partir de então, muitos dos discípulos afastaram-se e já não andavam com Ele. 68Jesus disse aos Doze: «Também vós quereis ir embora?» Respondeu-Lhe Simão Pedro: «Para quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. 69Nós acreditamos e sabemos que Tu és o Santo de Deus».

 

A reacção dos ouvintes de Jesus às suas palavras de revelação no discurso eucarístico passa da discussão (vv. 41.52) e do escândalo (v. 61) ao abandono da parte de muitos discípulos que já tinham aderido a Ele (v. 67). No meio deste descalabro ergue-se a voz de Pedro, em nome dos Doze, numa confissão de fé clara, firme e decidida, que permanece como o ponto de referência da fé recta e como paradigma de comunhão entre todos aqueles que ao longo dos tempos hão-de seguir a Cristo.

60-71. As palavras de Jesus não são palavras «duras» (v. 60), mas são «espírito e vida» (v. 64); não são palavras humanas, pois são a revelação do espírito de Deus e dão a vida eterna; por isso têm de ser acolhidas com fé, com a fé, humilde e firme, de Pedro (v. 69). As palavras de Jesus são espírito, mas de modo nenhum isto significa que são palavras para serem entendidas num sentido espiritual e figurado (como pensam muitos protestantes); elas não são palavras humanas, se o fossem, é que haveria razão para o escândalo.

69. «O Santo de Deus»: este título, apesar das variantes textuais (na Vulgata aparece Christus Filius Dei, por influência da confissão de Pedro em Mt 16, 16) está mais bem documentado. Não aparece nunca como título messiânico, a não ser na boca dos demónios (Mc 1,24; Lc 4,34); «sendo o Santo de Deus, Jesus não pertence à esfera terrestre, mas à ultra-terrena, ao mundo do divino, e encontra-se com Deus numa relação que nenhum outro ser tem, porque Deus o santificou e o enviou ao mundo (10, 16), por isso Ele, e só Ele, pode dar a vida eterna» (A. Wikenhauser). Segundo J. Ratzinger, estas palavras, o Santo de Deus, «recordam-nos também o embaraço de Pedro ao ver-se na proximidade do Santo depois da pesca milagrosa, que lhe faz experimentar, de modo dramático, a miséria do seu ser pecador» (Jesus de Nazaré, cap. IX).

 

Sugestões para a homilia

 

1. A primeira leitura fala-nos de Josué, sucessor de Moisés. Depois da travessia do Jordão, e conquistada a terra prometida, Josué quer estabelecer a unidade religiosa. Os povos locais praticam o culto de baal, um culto sensual e sedutor que constitui uma ameaça para o povo de Israel; algumas tribos de Israel continuavam afeiçoadas ao antigo culto dos antepassados, anterior a Moisés. Josué convida o povo a decidir-se pelo abandono de velhas tradições e dos cultos pagãos e a celebrar a Aliança em volta de Iavé, conforme a revelação feita a Moisés no monte Sinai.

O Evangelho apresenta Jesus numa situação semelhante à de Josué. Depois de longo trabalho de evangelização e vários milagres, Jesus anuncia a Eucaristia. A multidão e muitos dos seus discípulos mantêm-se afeiçoados às suas tradições, incrédulos perante a palavra de Jesus, e abandonam o grupo. Pedro proclama solenemente a sua fidelidade ao Senhor, consciente de que «só Ele tem palavras de vida eterna».

 

2. Estes factos e respectivos textos iluminam a nossa vida.

a) Como no tempo de Josué, vivemos num tempo de desorientação religiosa: uns vivem amarrados ao chão, não acreditam em nada, outros acreditam em tudo; uns limitam-se uma religiosidade vaga de que há alguma coisa para além da morte e fabricam a «sua moral e a sua religião», outros aderem a seitas do seu gosto.

Foi isso que afirmaram os bispos europeus no Sínodo do ano 2000:

«A par de muitos exemplos de fé genuína, existe na Europa também uma religiosidade vaga e, por vezes, insidiosa. Os seus sinais são frequentemente genéricos e superficiais, se não mesmo contraditórios, nas próprias pessoas que os fornecem. Trata-se de fenómenos evidentes de fuga para o espiritualismo, sincretismo religioso e esotérico, procura de factos extraordinários a todo o custo, chegando-se mesmo a opções transviadas, como a adesão a seitas ou a experiências pseudo religiosas» (João Paulo II - Exortação apostólica pós-sinodal sobre a Igreja na Europa, 2003, n.68)

Muitos europeus Esqueceram a mensagem de Jesus ou trocaram-na pelas modas e filosofias do mundo. Inverteu-se o sentido da religião: em vez de ser o homem a obedecer a um plano de Deus acerca do mundo, é o homem a traçar o seu plano e a exigir de Deus que o sancione. É uma espécie de religião do homem construída pela sua cultura, pelos seus costumes, e pelos seus técnicos. O objectivo final de tais religiões é garantir o «bem-estar», o conforto, algo semelhante ao antigo culto de baal do tempo de Josué.

Falta uma verdadeira adesão à pessoa de Jesus Cristo. O caminho para nos encontrarmos com Deus é o caminho que Deus escolheu para se encontrar connosco, a revelação consumada em Jesus Cristo, agora presente na sua Palavra e na Eucaristia: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida ( Jo 14, 6).

 

«Por isso, a pregação da Igreja, em todas as suas formas, deve ser cada vez mais centrada na pessoa de Jesus e orientar sempre para Ele, não só como modelo ético, mas como Filho de Deus, o salvador único e necessário de todos» (Exortação apostólica, n.48).

 

b) Para Josué, a vida Israel depende da sua fidelidade a Deus, e por isso coloca Deus em primeiro lugar. As sociedades antigas estabeleceram mesmo uma comunhão total entre o poder religioso e o poder político, de que são exemplo alguns países muçulmanos, o que conduz à imposição de uma religião a todo os cidadãos.

O homem moderno perdeu essa certeza da dependência de Deus e tenta construir a sociedade humana à margem de Deus, apoiado unicamente nos valores humanos e no consenso dos cidadãos. Isto o briga a profunda reflexão.

Em primeiro lugar, seria trágico que nós cristãos, e sobretudo os presbíteros, tivéssemos dúvidas sobre a presença e a influência de Jesus Cristo na sociedade e na evolução do mundo (Gaudium et Spes, 45; Presb.Ordinis, 22). Jesus ressuscitado é, verdadeiramente, o sal e o fermento da sociedade. O que mudou é o modo de fazer chegar o Evangelho às estruturas da sociedade.

Hoje nem a sociedade nem a Igreja defendem aquela união dos poderes e menos ainda a imposição de uma religião pelo Estado. A Igreja deve trabalhar directamente com os cidadãos e a seu pedido, deixando ao Estado o governo das tarefas temporais. Quando o bem da sociedade o pedir, a Igreja procura estabelecer com o poder político normas de conduta.

Deste modo, a Igreja oferece às pessoas uma orientação que tem em conta a vida eterna, e à sociedade oferece critérios de mais justiça, mais verdade e mais vida. De todos os modos, não haverá vida digna dos cidadãos nem da sociedade à margem de Deus.

 

3. A segunda leitura apresenta-nos uma realidade concreta intimamente ligada a essa Aliança de Deus com o mundo: é o casamento e a família.

Os antigos hebreus tomavam a aliança conjugal do homem e da mulher como sinal da Aliança de Deus com o seu povo. De facto, Deus nunca trocou o seu povo por outro e, apesar das fraquezas desse povo, esperou o seu arrependimento. S. Paulo acrescenta que o casamento entre cristãos é também o sinal do amor de Cristo pela Igreja, que lhe dirige a sua Palavra e se sacrifica por ela. Os casados devem tomar essa Aliança de Cristo com a sua Igreja como modelo e fonte do seu amor. É esse o sentido da Comunhão eucarística dos noivos no dia do casamento. Os que consideram este casamento impossível são os mesmos que consideram a Eucaristia impossível.

A fé cristã e a vida de família andam tão unidas que as épocas em que os casamentos falham são as épocas em que desce a prática religiosa, e as épocas de fidelidade conjugal e de vida familiar intensas são os tempos em que floresce a vida da Igreja, reina a paz, aumenta a economia e aumentam as vocações.

Vem aí o «Ano da fé» e o Cinquentenário da abertura do Concílio. Aprendamos a andar por caminhos seguros com Jesus Cristo, e preparemo-nos para estudar a doutrina do Concílio como resposta aos problemas modernos.

 

Fala o Santo Padre

 

“Há quem rejeite e abandone Cristo e há quem procure "adaptar" a sua palavra às modas dos tempos desvirtuando o seu sentido e valor.”

 

Queridos irmãos e irmãs!

 

[…] Sabeis que há alguns domingos a liturgia propõe à nossa reflexão o capítulo 6 do Evangelho de João, no qual Jesus se apresenta como o "pão vivo que desceu do céu" e acrescenta: "Se alguém comer deste pão viverá eternamente; e o pão que Eu hei-de dar é a minha carne pela vida do mundo" (Jo 6, 51). Aos judeus que discutem asperamente entre si, perguntando-se: "Como pode Ele dar-nos a comer a Sua carne?" (v. 52) — e o mundo continua a discutir —Jesus reafirma em todos os tempos: "Se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o Meu sangue não tereis a vida em vós" (v. 53); motivo também para nós de reflectir se compreendemos realmente esta mensagem. Hoje, 21º domingo do tempo comum, meditamos a parte conclusiva deste capítulo, no qual o quarto Evangelista descreve a reacção do povo e dos próprios discípulos, escandalizados com as palavras do Senhor, a ponto que muitos, depois de o terem seguido até então, exclamam: "Duras são estas palavras! Quem pode escutá-las?" (v. 60). A partir de então "muitos dos Seus discípulos retiraram-se e já não andavam com Ele" (v. 66), e acontece sempre de novo a mesma coisa, em diversos períodos da história. Poderíamos esperar que Jesus procure maneiras para se fazer compreender melhor, mas Ele não abranda as suas afirmações, aliás dirige-se directamente aos Doze, dizendo: "Também vós quereis retirar-vos?" (v. 67).

Esta pergunta provocatória não se destina só aos ouvintes de então, mas atinge os crentes e os homens de todas as épocas. Também hoje muitos permanecem "escandalizados" diante do paradoxo da fé cristã. Os ensinamentos de Jesus parecem "duros", demasiado difíceis de aceitar e de pôr em prática. Então há quem rejeita e abandona Cristo; há quem procura "adaptar" a sua palavra às modas dos tempos desvirtuando o seu sentido e valor. "Também vós quereis retirar-vos?". Esta preocupante provocação ressoa no nosso coração e espera de cada um uma resposta pessoal; trata-se de uma pergunta feita a cada um de nós. Jesus não se contenta com uma pertença superficial e formal, não lhe é suficiente uma primeira e entusiasta adesão; ao contrário, é necessário participar toda a vida "no seu pensar e no seu querer". Segui-l'O enche o coração de alegria e dá sentido pleno à nossa existência, mas inclui dificuldades e renúncias porque com muita frequência se deve ir contra a corrente.

"Também vós quereis retirar-vos?". Pedro responde à pergunta de Jesus em nome dos Apóstolos, dos crentes de todos os séculos: "Senhor, para quem havemos nós de ir? Tu tens palavras de vida eterna; e nós acreditamos e sabemos que és o Santo de Deus" (v. 68-69). Queridos irmãos e irmãs, também nós podemos e queremos repetir a resposta de Pedro neste momento, conscientes da nossa fragilidade humana, dos nossos problemas e dificuldades, mas confiantes no poder do Espírito Santo, que se exprime e se manifesta na comunhão com Jesus. A fé é dom de Deus ao homem e é, ao mesmo tempo, entrega livre e total do homem a Deus; a fé é escuta dócil da palavra do Senhor, que é "farol" para os nossos passos e "luz" para o nosso caminho (cf. Sl 119, 105). Se abrirmos com confiança o coração a Cristo, se nos deixarmos conquistar por Ele, podemos experimentar também nós, como por exemplo o santo Cura d'Ars, que "a nossa única felicidade nesta terra é amar Deus e saber que Ele nos ama". Peçamos à Virgem Maria que mantenha sempre despertada em nós esta fé impregnada de amor, que a tornou, humilde jovem de Nazaré, Mãe de Deus e mãe e modelo de todos os crentes.

 

Papa Bento XVI, Angelus, Castel Gandolfo, 23 de Agosto de 2009

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

 

Também nós precisamos da ajuda do Senhor,

para correspondermos sempre ao Seu apelo.

Peçamo-lo com toda a humildade e confiança,

na certeza de que o Pai do Céu no-lo concederá,

por mediação de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Oremos, cantando:

 

    Dai-nos Senhor, a graça da fidelidade!

 

1.             Para que os apelos do Santo Padre à santidade

    sejam acolhidos por nós com generosidade,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos Senhor, a graça da fidelidade!

 

2.             Para que os Pastores da Santa Igreja de Deus

    ajudem os que lhes estão confiados a crescer,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos Senhor, a graça da fidelidade!

 

3.             Para que os pais de família ajudem os filhos

    a crescer numa santa exigência de vida cristã,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos Senhor, a graça da fidelidade!

 

4.             Para que todas as  pessoas não se contentem

    com uma vida baptismal na mediocridade,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos Senhor, a graça da fidelidade!

 

5.             Para que os jovens compreendam que ser cristão

    significa entregar todo o coração a Jesus Cristo,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos Senhor, a graça da fidelidade!

 

6.             Para que os nossos irmãos que Deus já chamou

    recebam, pela liberalidade do Senhor a vida eterna.

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos Senhor, a graça da fidelidade!

 

Senhor que nos colocastes nesta vida terrena,

para que fosse um tempo de prova de Amor:

ajudai-nos a vivê-la com generosidade crescente,

a fim de que mereçamos o prémio prometido.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

Na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Quando Jesus prometeu à multidão, que saciara com a multiplicação dos pães, a Santíssima Eucaristia, eles recusaram-se a acreditar, porque estavam somente interessados no pão material.

Depois de nos ter instruído com a Sua Palavra, Jesus faz uma vez mais o apelo à nossa fé na Presença Real.

Diante de nós, pelo ministério do sacerdote, vai dar-nos o Pão do Céu, penhor da imortalidade, que nos prometeu.

 

Cântico do ofertório: Cristo amou a Igreja, J. Santos, NRMS 71-72

 

Oração sobre as oblatas: Senhor, que pelo único sacrifício da cruz, formastes para Vós um povo de adopção filial, concedei à vossa Igreja o dom da unidade e da paz. Por Nosso Senhor.

 

Santo: M. Luis, NCT 297

 

Saudação da Paz

 

Levemos a exigência do nosso Baptismo ao perdão generoso de todas as ofensas recebidas.

Manifestemos esta disposição interior pelo gesto litúrgico da reconciliação fraterna.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Está sobre o altar para nos ser oferecido o Pão maravilhoso que o Senhor prometeu à multidão que O queria aclamar Rei.

Avivemos a fé na Presença Real e procuremos comungar – se estamos devidamente preparados – com Amor e devoção, com terá feito muitas vezes Nossa Senhora.

 

Cântico da Comunhão: Eu vim para que tenham vida, F. da Silva, NRMS 70

Salmo 103, 13-15

Antífona da comunhão: Encheis a terra, Senhor, com o fruto das vossas obras. Da terra fazeis brotar o pão e o vinho que alegra o coração do homem.

 

Ou

Jo 6, 55

Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, diz o Senhor, e Eu o ressuscitarei no último dia.

 

Cântico de acção de graças: Pelo Pão do teu Amor, H. Faria, NRMS 2 (II)

 

Oração depois da comunhão: Realizai em nós plenamente, Senhor, a acção redentora da vossa misericórdia e fazei-nos tão generosos e fortes que possamos ajudar-Vos em toda a nossa vida. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Saímos do templo investidos em arautos do da Boa Nova, para anunciar a todas as pessoas que Jesus Cristo vive, nos ama, e quer ser recebido sacramentalmente por cada um de nós.

 

Cântico final: Uma certeza nos guia, M. Carneiro, NRMS 11-12

 

 

Homilias Feriais

 

21ª SEMANA

 

2ª Feira, 27-VIII: Oração de intercessão.

2 Tes 1, 1-5, 11-12 / Mt 23, 15-22

Que Ele faça, com o seu poder, se realizem plenamente todos vossos bons propósitos e o trabalho que a fé vos inspira.

Os fariseus davam mais importância às práticas externas do que às interiores (Ev.). Pelo contrário, era muito corrente nas primeiras comunidades cristãs a oração de intercessão. S. Paulo deixou-nos um exemplo de intercessão por esta igreja de Tessalónica (Leit.).

«Interceder, pedir a favor de outrem, é próprio dum coração conforme com a misericórdia de Deus. Na intercessão, aquele que ora não olha aos seus próprios interesses, mas aos interesses dos outros» (CIC, 2635).

 

3ª Feira, 28-VIII: A Eucaristia e a purificação

2 Tes 2, 1-3. 13-16 / Mt 23, 23-26

Fariseu cego! Purifica primeiro o interior do copo e do prato, para o exterior ficar limpo também.

Os fariseus dedicavam mais atenção às aparências e descuidavam o mais importante: a limpeza do coração (Ev.).

Esta limpeza é muito importante para os nossos encontros com o Senhor, especialmente na Eucaristia. Constata-se que os fiéis são influenciados por uma cultura que tende a esquecer o sentido do pecado e, por isso, a esquecer a necessidade de estar na graça de Deus para se aproximarem dignamente da comunhão sacramental (SC, 20). Na Missa há momentos que estimulam a purificação: o acto penitencial, o Senhor tende piedade de nós, o Cordeiro de Deus…

 

4ª Feira, 29-VIII: Martírio de S. João Baptista: O seu testemunho.

Jer 1, 17-19 / Mc 6, 17-29

Ela voltou logo a toda a pressa para junto do rei. Quero que me dês, sem demora, num prato, a cabeça de João Baptista.

«João Baptista, precedendo Jesus, dá testemunho dele pela sua pregação, pelo seu baptismo de conversão e, finalmente, pelo seu martírio (Ev.)» (CIC, 523).

Na sua pregação nunca temeu ninguém, nem o poderoso Herodes. Assim o preparou Deus: «Não tremas diante daqueles a quem te enviar» (Lei.). Orientou a sua pregação para a conversão, tal como Jesus na sua 1ª mensagem pública: «Convertei-vos e acreditai no Evangelho». Recordando o seu martírio, aceitemos com fortaleza os nossos ‘martírios diários’.

 

5ª Feira, 30-VIII: Cuidar a vigilância.

1 Cor 1, 1-9 / Mt 24, 42-51

Vigiai, porque não sabeis o dia em que virá o Senhor. Por isso, estai vós também preparados.

O mesmo apelo faz S. Paulo aos fiéis de Corinto: «Ele é que vos fará firmes até ao fim, irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo» (Leit.).

Estaremos vigilantes quando nos esforçamos por melhorar a nossa própria vida: pondo mais empenho na nossa oração pessoal; no sacrifício; no cuidado das coisas pequenas do dia (como o servo fiel e prudente do Ev., que cuida de tudo). E procurando também melhorar a vida da sociedade em que estamos integrados: vivendo melhor a nossa profissão e a vida familiar; tornando o mundo mais justo e mais humano.

 

6ª Feira, 31-VIII: Vigilância e negligência.

1 Cor 1, 17-25 / Mt 25, 1-13

O reino dos Céus será semelhante a dez virgens que pegaram nas suas lâmpadas e saíram ao encontro do noivo.

Para alcançarmos a vida eterna, precisamos estar vigilantes como as cinco virgens prudentes (Ev.).

«A vigilância opõe-se à negligência ou falta de solicitude devida, que procede de uma falta de vontade» (S. Tomás). Foi o que aconteceu às virgens insensatas (Ev.). Estaremos vigilantes se lutarmos por viver bem as coisas pequenas (o azeite); se vivermos a virtude da fortaleza, que se opõe à preguiça e ao desleixo; se metermos uma pequena cruz em cada uma das nossas ocupações.

 

Sábado, 1-IX: Os talentos, tesouros de Deus.

1 Cor 1, 26-31 / Mt 25, 14-30

Muito bem, excelente e fiel servidor! Como foste fiel em pouca coisa à testa de muita coisa te hei-de colocar.

O significado da parábola é bem claro. Deus entregou-nos muitos talentos humanos e sobrenaturais (Ev.): a vida humana, os bens temporais, a vida sobrenatural, as graças, etc.

E espera que os saibamos administrar muito bem, aproveitando o tempo da nossa vida. Deste modo poderemos alcançar a vida eterna: «O Novo Testamento emprega muitas expressões para caracterizar a bem-aventurança a que Deus chama o homem: a visão de Deus, a entrada na alegria do Senhor (Ev.)» (CIC, 1720).

 

 

 

 

 

 

Celebração:                Fernando Silva

Homilia:                      D. Joaquim Gonçalves

Nota Exegética:         Geraldo Morujão

Homilias Feriais:         Nuno Romão

Sugestão Musical:      Duarte Nuno Rocha

 


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