OS BONS LIVROS, NOSSOS AMIGOS

Luís MIGUEL LARCHER CRUZ, Matrimónio. Um Amor indissolúvel. DIEL, L.da, Lisboa, 2004, 106 pp., em 205x140.

 

Nota. Por lapso, na apresentação deste livro houve enganos que comprometem a informação que queríamos dar.

Apresentamos uma nova redacção – aquela que deveria ser publicada em primeira mão, pedindo desculpa aos nossos leitores do que ocorreu involuntariamente.

Como deixa facilmente entrever o título desta obra, o tema de fundo é a indissolubilidade do matrimónio, tentando responder ao grave problema pastoral dos «recasados». (Pessoalmente, não gostamos do termo, até porque nos parece inexacto).

Estranha-se em certos meios que a Igreja não condescenda com as fraquezas humanas, fazendo descontos à Lei de Deus, à medida que o comportamento pagão conquista terreno.

Depois de uma introdução em que se põe clara e resumidamente A Questão da Indissolubilidade do Matrimónio, seguem-se mais três capítulos: A Questão da Indissolubilidade na Sagrada Escritura; A Indissolubilidade na Patrística; As tradições das Igrejas sobre a Doutrina da Indissolubilidade.

Luís MIGUEL LARCHER CRUZ, que se move com muita facilidade dentro do tema, exprime, sem rodeios, as suas intenções. «O fim e a razão de ser desta reflexão, é simplesmente a de procurar re-orientar a reflexão católica do marginal e acessório para o que é essencial: Cristo, o que Ele apresentou como Sacramento do matrimónio e os valores que lhe são intrínsecos»

Ao ler, porém, este trabalho, constatamos que o objecto não terá sido inteiramente logrado. O Autor alinha com certo entusiasmo no que ele define como «a mudança de uma perspectiva jurídica para a aplicação pastoral do mandamento do Amor e do princípio da Misericórdia.» (p 14).

Algum leitor menos acautelado poderá ficar com a impressão de que a misericórdia é uma capa que esconde as feridas da alma sem as curar.

No entanto, notamos que Jesus diz à mulher surpreendida em adultério: «vai e não tomes a pecar»; e à pecadora: «muito lhe foi perdoado, porque muito amou»; e não realiza a festa ao filho pródigo antes de ele voltar à casa paterna. Por outras palavras: Deus chama à conversão pessoal, e acolhe de braços abertos os que aceitam este convite.

A solução do problema dos «recasados» – segundo julgamos – terá de procurar-se, não numa mudança de atitude da Igreja neste problema grave, mas por outros caminhos: melhor formação doutrinal dos leigos; mais séria preparação dos noivos para o matrimónio; e mais intensa pastoral da família, logo desde os primeiros dias até ao fim da vida.

Há, sem dúvida, casamentos nulos – e talvez imensamente mais dos que chegam aos tribunais eclesiásticos – mas o mal poderia ser atenuado significativamente.

Isto leva-nos a formular algumas perguntas que podem abrir pistas de reflexão: Quantas dioceses têm tribunais em funcionamento real? Quantas pessoas se preparam para trabalhar neles com eficácia, deixando-as suficientemente livres para o fazer?

Confiar à consciência de cada um a avaliação sobre a validade ou nulidade do seu matrimónio poderia ser uma ingenuidade fatal, porque bem sabemos que ninguém é bom juiz em causa própria; e querer que a Igreja mude a doutrina que Jesus Cristo nos ensinou é impensável.

A existência de muitos matrimónios possivelmente nulos não pede mudança de doutrina, mas que todos encaremos mais a sério aquele que S. Paulo chama «magnum mysterium», grande sacramento.

Merece realce a preocupação pastoral de Luís MIGUEL LARCHER CRUZ, mas fica-nos o receio de que aumente a confusão que reina neste campo doutrinal.

 

 

AA, Carlos I, o Imperador da Paz,. DIEL, L.da, Lisboa, 2004, 36 pp., em 210x125.

 

Carlos I foi beatificado por João Paulo II no dia 3 de Outubro de 2004. DIEL teve o bom gosto de prestar mais este serviço aos leitores da língua de Luís de Camões.

Este opúsculo vem enriquecido com um prólogo de Dom Duarte de Bragança, Príncipe herdeiro do trono português e parente do último imperador da Áustria e Rei da Hungria.

Aqui se narra toda a caminhada heróica deste homem bom que transportou com fortaleza de mártir a cruz dos últimos anos da sua vida.

Na verdade, ele sofreu afrontas e vexames, a incerteza do futuro, o exílio que veio a consumar na Ilha da Madeira e uma doença muito dolorosa que levou com notável entrega à vontade de Deus.

Contribui este livro para que mais uma luz seja colocada sobre o candelabro, para que alumie todos os que estão nesta casa dos homens que é o mundo presente.

 

 

SÃO JOSEMARÍA ESCRIVÁ, Sacerdote para a Eternidade. Homilias, n.º 7, DIEL, L.da, Lisboa, 2004, 40 pp., em 1160x115.

 

Trata-se de uma meditação que nos lança um repto: O que espera a Igreja dos sacerdotes para os nossos dias.

O Autor parte da experiência dos sacerdotes da Prelatura Pessoal. Eram bons profissionais, com um futuro económico garantido – médicos, arquitectos, engenheiros, professores universitários, etc., que deixaram generosamente o exercício da sua profissão em que eram inegavelmente competentes, para assumirem o estatuto de sacerdotes cem por cento, totalmente dedicados ao exercício do sagrado ministério.

Ao escrever esta homilia, S. Josemaría Escrivá fá-lo com autoridade inegável. Na sua vida sacerdotal conduziu ao sacerdócio ministerial mais de um milhar e meio de universitários de várias raças e nações.

 

 

SÃO Josemaría ESCRIVÁ, Vida de Fé. Homilias, n.º 8, DIEL, L.da, Lisboa, 2004, 36 pp., em 1160x115.

 

Correspondendo, certamente, aos desejos de muitos leitores, e à imagem do que se tem feito noutros países, a Diel lançou uma colecção intitulada Homilias de S. Josemaría Escrivá, que vai já no n.º 10.

Trata-se – como refere o título da Colecção, de Homilias – meditações – pronunciadas por S. Josemaría Escrivá, canonizado em 6 de Outubro de 2002, por João Paulo II.

Embora existam já obras em português que as inserem (Cristo que passa, Amigos de Deus, e Temas Actuais de Cristianismo), esta iniciativa merece o nosso aplauso, porque, em formato de bolso, possibilita a sua leitura em qualquer lugar: na espera do transporte, em viagem, num intervalo do trabalho, etc.

 

 

EUGÉNIA TOMAZ, A Moda e a Arte. Considerações para o século XXI. DIEL, L.da, Lisboa, 2004, 108 pp., em 205x150.

 

EUGÉNIA TOMAZ abre o seu livro com uma série de testemunhos sobre a moda e a arte. Talvez possamos, ao final de ler este livro, fazer a mesma confissão de Alexandra Lisboa, Artista plástica/Joalharia que, numa das primeiras páginas, dá o seu testemunho: «se antes via a moda como uma frivolidade humana, agora passo a vê-la como um objecto da criação humana tornando-se numa especialidade, contudo, apenas enquanto objecto único, irredutível, autónomo e revelador de uma imagem.» (p. 7).

A sua reflexão sobre este tema desenrola-se ao longo de 6 pequenos capítulos bem estruturados: A origem da moda; A alta-costura; O Oriente; Regresso à origem; O pronto-a-vestir; O rosto do futuro.

Uma Bibliografia com numerosos títulos possibilita ao leitor continuar a reflectir sobre o tema por sua conta.

 

 

ANA MARTA GONZÁLEZ, Pensar a Moda. Colecção Coisas pequenas DIEL, L.da, Lisboa, 2004, 44 pp., em 130x100.

 

O original de Pensar a Moda foi escrito na língua de Cervantes e foi impresso em formato de bolso. ANA MARTA GONZÁLEZ é professora na Faculdade de Filosofia da Universidade de Navarra (Pamplona).

A autora justifica deste modo a redacção deste folheto: «O 'mundo intelectual' distinguiu-se durante muito tempo pelo seu desinteresse, e até desprezo, pelo tema da moda. [...] A exaltação contemporânea da moda é indubitavelmente um reflexo [...] de um culto explícito às aparências brilhantes e sedutoras da sociedade de consumo. Por detrás dessa exaltação artificiosa e por vezes perversa [...] a moda persiste como fenómeno social que carece de uma explicação equilibrada, tendente a precisar o seu lugar no contexto geral da vida humana.» (p 5).

ANA MARTA pretende contribuir para esta iluminação. Para isso expõe o seu pensamento em seis sub-títulos: Pensar a moda; Duas abordagens críticas do tema da moda; Sociedade moderna e aparências; Moda e modernidade; Moda e identidade; Civilização moderna e moda moderna; Outro modo de abordar a moda.

Agradecemos este contributo para abordar um tema que se enquadra também na evangelização da cultura.

 

 

GONÇALO PORTOCARRERO E ALMADA, A Igreja e a Vida. Tópicos sobre a interrupção voluntária da gravidez DIEL, L.da, Colecção Documentos, n.º 12, Lisboa, 2004, 154 pp., em 200x130.

 

GONÇALO PORTOCARRERO E ALMADA escreve com facilidade um português que se lê com agrado e vai directo ao assunto sem qualquer espécie de rodeios, o que torna a leitura ainda mais agradável.

Nesta obra sobre A Igreja e a Vida. Tópicos sobre a interrupção voluntária da gravidez, o autor formula perguntas sobre afirmações em voga sobre o tema do aborto e responde com precisão, desmontando equívocos que se criaram, para lançar a confusão.

Trata-se de um livro que se recomenda a todos os que estão do lado da vida, pois o ajudará na sua missão de esclarecer os espíritos mais confusos.

Oxalá GONÇALO PORTOCARRERO continue a brindar-nos com livros deste género, contribuindo, deste modo, para a formação doutrinal permanente de todos nós.

 

Fernando Silva


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