aCONTECIMENTOS eclesiais

DO MUNDO

 

 

TIMOR-LESTE

 

NOVA CONFERÊNCIA EPISCOPAL

 

D. Basílio do Nascimento é o primeiro presidente da nova Conferência Episcopal Timorense, aprovada pela Santa Sé a 28 de Março passado.

 

O núncio apostólico neste país asiático, D. Leopoldo Girelli, “entregou aos bispos de Timor-Leste o decreto da Congregação para a Evangelização dos Povos com o qual se declara a erecção canónica da Conferência Episcopal Timorense”.

O bispo de Baucau foi eleito presidente da Conferência Episcopal, tendo como vice-presidente o bispo de Díli, D. Alberto Ricardo da Silva, e como secretário-geral D. Norberto do Amaral, bispo de Maliana, a terceira e mais recente diocese de Timor-Leste, erigida em 30 de Janeiro de 2010.

 

 

CUBA

 

FIDEL CASTRO

ENCONTRA-SE COM O PAPA

 

Depois da Missa na Praça da Revolução de Havana, em 29 de Março passado, o Santo Padre encontrou-se com o ex-Presidente Fidel Castro, na sede da Nunciatura Apostólica.  

 

“Tomei a decisão de pedir alguns minutos do seu tempo, que sei está cheio de compromissos – disse Fidel –, quando soube que lhe agradaria este modesto e simples contacto”. O encontro durou cerca de meia hora. O ex-Presidente disse ao Santo Padre ter desejado muito a beatificação da Madre Teresa de Calcutá, grande benfeitora de Cuba, e a beatificação de João Paulo II, um homem ao qual o contacto com as crianças e cidadãos humildes suscitava invariavelmente sentimentos de afecto”. Bento XVI, por sua vez, falou da sua alegria de estar em Cuba e da cordialidade com que foi acolhido.

Fidel Castro fez algumas perguntas ao Papa acerca das mudanças na liturgia da Igreja e sobre o papel do Pontífice. Bento XVI respondeu falando-lhe das viagens, dos encontros com os povos, do serviço à Igreja universal.

O ex-Presidente fez referência às dificuldades dos tempos actuais e o Papa falou da ausência de Deus, do não reconhecimento de Deus e da importância fundamental da relação entre fé e razão.

Por fim, Castro pediu ao Papa que lhe enviasse livros para aprofundar melhor os temas tratados no encontro e Bento XVI respondeu dizendo que vai pensar que textos enviar-lhe.

Finalmente, o ex-Presidente apresentou ao Papa a mulher Dália e os dois filhos.

 

 

ITÁLIA

 

NOVO RITUAL DAS EXÉQUIAS

 

A segunda edição em língua italiana do "Ritual das exéquias", publicado pela Libreria Editrice Vaticana, foi apresentada em finais de Março na sede da Rádio Vaticana. Contém uma referência especial à possibilidade da cremação.

 

A nova edição apresenta uma revisão de todos os textos bíblicos e das orações.

Uma primeira novidade diz respeito ao momento da visita à família, que não era contemplada na edição anterior. Mons. Angelo Lameri, director do Serviço Nacional para as Comunicações Sociais da Conferência Episcopal Italiana, explicou: "Para um sacerdote, é um momento de compartilhar a dor, de ouvir os familiares enlutados, de conhecer alguns aspectos da vida da pessoa defunta, em vista de uma correcta e personalizada recordação durante a celebração das exéquias".

Outra novidade é a sequência ritual, revista e ampliada, no momento de fechar o caixão. São propostos textos adaptados para diversas situações: para uma pessoa idosa, uma pessoa jovem, uma pessoa morta de repente e assim por diante. Em referência ao Rito das exéquias, uma outra adaptação permite pronunciar palavras de recordação cristã do defunto no momento da despedida.

Mons. Limeri precisou que foi dedicado um apêndice aparte às exéquias no caso de cremação, para sublinhar que a Igreja, "embora não se oponha à cremação dos corpos quando não é feita in odium fidei, continua a considerar a sepultura do corpo dos defuntos a forma mais idónea para expressar a fé na ressurreição da carne, para alimentar a piedade dos fiéis e para promover a recordação e a oração de sufrágio por parte de familiares amigos".

Excepcionalmente, os ritos previstos na capela do cemitério ou junto da sepultura podem realizar-se no mesmo local da cremação. Recomenda-se também o acompanhamento do féretro, tanto quanto possível, para o local da cremação.

"Particularmente importante, depois, é a afirmação de que a cremação se considera concluída com a deposição da urna no cemitério". Isto porque, mesmo se algumas legislações permitem espalhar as cinzas na natureza ou guardá-las em outros lugares do cemitério, "estas práticas levantam não poucas perplexidades sobre a sua plena coerência com a fé cristã, sobretudo quando elas subentendem concepções panteístas ou naturalistas".

O novo "Ritual das exéquias" quer ser também um instrumento para aprofundar a pesquisa sobre o sentido da morte. O Bispo Alceste Catella, Presidente da Comissão Episcopal para a Liturgia, afirmou: "Este livro testemunha a fé dos crentes e compartilha o valor do respeito e da piedade para com os defuntos, o respeito pelo corpo humano, mesmo morto. Certifica a forte exigência de poder cultivar a memória, de ter um lugar certo para colocar o corpo ou as cinzas, na certeza profunda de que esta é a verdadeira fé e o humanismo autêntico".

 

 

ESTADOS UNIDOS

 

BÊNÇÃO PARA BEBÉS

NO VENTRE MATERNO

 

A partir da segunda semana de Maio, quando em muitos países se celebra o Dia da Mãe, ficou disponível nas paróquias dos Estados Unidos o texto do rito da bênção das crianças no ventre materno, que recebeu a aprovação da Santa Sé.

 

Assim foi comunicado pela Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, depois da recognitio outorgada pela Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos. O texto do rito está em inglês e em espanhol, para responder às necessidades do crescente número de fiéis hispanos emigrantes no país.

O Cardeal Daniel N. Di Dardo, arcebispo de Galveston-Houston, presidente da Comissão de actividades pró-vida da Conferência episcopal norteamericana, explicou que a bênção foi pensada “para amparar os pais que esperam um filho, para favorecer a oração das comunidades e o reconhecimento do precioso dom da maternidade, e para promover o respeito da vida no âmbito mais amplo da sociedade”.

A bênção poderá ser dada tanto no contexto da celebração de uma Missa como fora dela. No futuro, o texto poderia entrar a formar parte do Livro das Bênçãos, quando for revisto.

A preparação do texto da bênção das crianças no ventre materno foi promovida pelo arcebispo de Louisville, Mons. Joseph Edward Kurtz, que, quando era bispo de Knoxville, perguntou à Comissão de actividades pró-vida se existia uma oração semelhante. Perante a resposta negativa, a Comissão iniciou a preparação do texto, que foi apresentado à Comissão Episcopal para o Culto Divino em Março de 2008. Em Novembro do mesmo ano, a assembleia dos Bispos aprovou a nova bênção, que foi enviada para a Santa Sé para obter a respectiva aprovação (recognitio).

 

 

PAQUISTÃO

 

MINISTRO QUER PROTEGER

MINORIAS RELIGIOSAS

 

O ministro paquistanês da Unidade Nacional, Paul Bhatti, afirmou que as minorais religiosas no seu país “necessitam da protecção da comunidade internacional”, revelou no passado dia 12 de Abril a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre.

 

O responsável, que se reuniu em Bruxelas com o presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, sublinhou que a ajuda é particularmente urgente na educação, dado que “o analfabetismo e a intolerância são as principais causas da deterioração da situação social no Paquistão e da crescente tensão entre diferentes grupos étnicos e religiosos”.

Paul Bhatti, católico, é irmão do antigo ministro dos Direitos das Minorias, Shahbaz Bhatti, assassinado em Março de 2011.

No Paquistão vivem 2,2 milhões de cristãos, dois por cento da população do país asiático, dos quais cerca de metade são católicos.

As minorias religiosas estão sujeitas à lei da blasfémia, legislação que segundo Ajuda à Igreja que Sofre é fonte de acusações arbitrárias e intolerância.

 

 

ESTADOS UNIDOS

 

BISPOS PEDEM

FIM DE EMBARGO A CUBA

 

A Conferência Episcopal dos Estados Unidos enviou uma carta ao Governo norte-americano a pedir o fim do embargo e o restabelecimento de todas as relações diplomáticas com Cuba.

 

Na missiva, datada de 17 de Abril passado e endereçada à secretária de Estado, Hillary Clinton, os bispos realçam que “a normalização das relações entre os dois países ajudará a população cubana a atingir a liberdade, em termos humanos e religiosos”.

Por outro lado, “trará também benefícios para a economia dos Estados Unidos, que assim ganhariam um novo parceiro comercial”, sustentam.

Destacam ainda a relação de proximidade que foi sendo construída ao longo dos anos, entre a hierarquia católica dos dois países, como uma forma de “garantir um futuro positivo” para a população cubana.

 

 

ANGOLA

 

DEZ ANOS DE PAZ

 

30 de Março de 2002. Cidade de Lwena, interior de Angola. O MPLA e o que restava da UNITA, após a morte de Jonas Savimbi, assinaram o Memorando de Entendimento que garantiu o cessar fogo definitivo de uma guerra que, oficialmente começara em 1961 (colonial) e se transformara em civil no ano de 1975.

 

Foram mais de quarenta anos a destruir um povo e uma terra. Os Bispos de Angola, em Mensagem Pastoral (15 Abril 2002), pediram aos angolanos para darem as mãos, disseram que era tempo de cicatrizar feridas e resolver os problemas que a guerra agudizou. A verdade é que o fim da guerra civil, em 2002, devolveu aos angolanos a paz roubada durante várias décadas.

 

Papel da Igreja católica

Os senhores da guerra, já em 1992, fizeram sobre a Igreja Católica afirmações surpreendentes. Eduardo dos Santos disse que a Igreja foi “uma luz pacificadora” e Jonas Savimbi afirmou que “a Igreja foi muito corajosa”. Ambos assumiram o capital extraordinário da Igreja junto do povo que ela defendeu, encorajou e apoiou. Mas ambos decidiram recomeçar a guerra que só terminaria dez anos depois. Em balanço, na minha tese de doutoramento*, apresentei assim o papel desempenhado pela Igreja:

1. As intervenções da Igreja Católica em Angola, através das denúncias das injustiças, da proposta de valores, princípios e objetivos e do trabalho em favor da justiça e da paz, tiveram impacto no processo de pacificação do país.

2. A Igreja Católica ganhou crédito junto das populações pelas intervenções de alto risco a favor das vítimas da guerra.

3. A Igreja Católica, ao ficar nos cenários da guerra civil, mediatizou-a e não permitiu aos beligerantes uma “guerra à porta fechada” onde todas as barbáries são praticadas de forma impune.

4. As ideias mais fortes da Igreja Católica, gravadas nos dez mandamentos do Congresso Pro Pace, destituíram todas as razões para se continuar a guerra civil.

Dez anos depois…

Hoje, dez anos depois, Angola tem mais progresso, mais estradas, mais infra-estruturas básicas, mais saúde, mais educação, mais alimentação, mais tecnologia, mais agricultura, mais indústria, mais circulação de pessoas e bens, mais trabalho…mas (e os “mas” são sempre terríveis!) há muito caminho a percorrer para que a palavra “democracia” saia dos discursos e passe para a vida dos angolanos.

Os Bispos, reunidos em Luanda, publicaram, a 21 de Março, uma Nota Pastoral sobre as Eleições de 2012 e um Comunicado de Imprensa com seis grandes Conclusões e Recomendações. E é aqui que aparecem os “mas”…: “os Bispos manifestaram alguma apreensão quanto à forma violenta como são realizadas e reprimidas algumas manifestações de alguns grupos de cidadãos, nas cidades de Luanda e Benguela…”. D. Francisco da Mata Mourisca e D. Filomeno Dias, em conferência de imprensa, condenaram abertamente a forma como as manifestações estão a ser reprimidas.

Outro “mas” tem a ver com o facto do sinal da Rádio Ecclesia estar proibido pelo governo de se estender a todo o país. Os Bispos elogiaram a visita da Ministra da Comunicação Social às instalações da Emissora Católica, renovando a esperança de que a Ecclesia possa ser escutada por todos os angolanos.

É muito profundo o fosso entre ricos e pobres – denunciam os Bispos –, apesar dos esforços na luta contra a fome e a pobreza, através da construção de empreendimentos sociais (escolas, postos médicos…). Esta é outra área onde há muito que fazer.

 

Desafio das Eleições

As eleições de 2012 já fazem ferver o país e os Bispos recordam que, em democracia, os governantes têm de ser eleitos pelos cidadãos. Elas são um direito do povo, que se transforma em dever, pelo que todos devem votar.

Os Bispos lembram na Nota Pastoral que os cidadãos devem conhecer bem o programa eleitoral de cada partido e a competência dos executores de tais programas. Mais: “é importante que o programa dos partidos dê resposta aos graves problemas da sociedade – pobreza, aumento do fosso entre ricos e pobres, desigualdade de oportunidades, assimetrias regionais, defesa da vida e da família, recuperação dos valores éticos e espirituais”.

 

Tony Neves

Missionário espiritano

 

* Tese de doutoramento sobre «Justiça e Paz nas intervenções da Igreja Católica em Angola (1989-2002)»1.

 

 

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial