aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

ORIENTAÇÕES PARA

EMPRESÁRIOS CATÓLICOS

 

O Conselho Pontifício Justiça e Paz (CPJP), apresentou um novo documento, dirigido aos empresários católicos, aos quais pede respeito pela dignidade humana e o bem comum.

 

“As boas decisões de negócios são as que estão ancoradas em princípios sociais de fundo, como o respeito pela dignidade da pessoa humana, o serviço ao bem comum e uma visão de empresa como comunidade de pessoas”, pode ler-se na nota.

O CPJP fala em “tempos difíceis para a economia mundial, durante os quais muitos homens e mulheres de negócios sofreram as consequências da crise que reduziu fortemente o rendimento das suas empresas, colocando em risco a sua sobrevivência e ameaçando muitos empregos”.

Apesar desta “escuridão”, o organismo da Santa Sé convida os empresários a “restaurar a confiança e inspirar a esperança”, como sublinha o presidente deste organismo, o cardeal ganês Peter Turkson.

O documento apresenta “seis princípios práticos” para empresas, desafiando-as a produzirem bens que sejam “realmente um bem” e serviços que “sirvam realmente para o bem comum”.

Solidariedade com os pobres, respeito pela dignidade do trabalho humano ou custódia dos recursos económicos, humanos e naturais são outros dos pontos enunciados.

Os empresários são desafiados a organizar um trabalho “bom e produtivo”, criando “riqueza sustentável e distribuindo-a de forma justa”.

Este documento foi apresentado pelo cardeal Turkson, no final de Março, durante as jornadas nacionais de empresários e gestores cristãos de França.

O CPJP lamenta os “obstáculos ao bem comum” como a “ausência de regras de Direito, a corrupção, as tendências para a avareza e a má gestão dos recursos”.

 

 

DEFESA DA FAMÍLIA

CONTRA A CRISE

 

O presidente do Conselho Pontifício para a Família, Cardeal Ennio Antonelli, defende os modelos familiares tradicionais e o aumento do valor dado ao relacionamento entre as pessoas como caminhos de saída para a crise.

 

“Os indicadores sociais revelam que à medida que se empobrece a qualidade das relações familiares cresce também a necessidade de consumir coisas; assim cresce o endividamento das pessoas, das famílias e do Estado”, alertou o cardeal que passou por Portugal, em entrevista à ECCLESIA.

“É certo que o nosso modelo económico assenta na máxima produção e no maior consumo, mas não há muito futuro nisto, é necessário repensá-lo e reequilibrar as coisas”, observa.

O cardeal italiano destaca as funções que pertencem à família, “mesmo no plano económico”, considerando-a como “um amortecedor social quando falta o trabalho, ou na criação e condução de pequenas empresas familiares que são o nervo da economia de muitos países”.

“Se olharmos os indicadores sociais, também os jovens colocam a família no topo dos seus desejos e dos seus valores, uma família estável que depois não conseguem concretizar”, frisou.

Neste contexto, o cardeal Antonelli declara que “as pessoas que se dizem mais felizes são os casados que têm uma família normal”.

“Pensa-se que com o divórcio se resolvem os problemas mas não é assim, não é verdade, por vezes acabam é multiplicados”, sustenta.

 

Também falou à ECCLESIA sobre 7.º Encontro Mundial das Famílias, que vai decorrer em Milão (Itália), entre 29 de Maio e 3 de Junho, tendo como tema “A família: o trabalho e a festa”.

“É um tema muito actual, porque a família, o trabalho e a festa estão interligados; a família depende do trabalho, basta pensar que muitos jovens atrasam o seu matrimónio porque não têm trabalho”, explica.

Para o cardeal, “a festa e o trabalho condicionam muito o comportamento da família”, assinalando que quando o tempo livre “ocorre num dia específico é um factor de coesão, de união para a família e para a comunidade”, enquanto “o tempo livre individual se torna factor de desagregação”.

“O encontro de Milão tem valor em si mesmo, são famílias de tantos países do mundo que se encontram, que trocam conhecimentos, que fazem amizades, que partilham experiências”, acrescenta.

A iniciativa vai ser encerrada pelo próprio Bento XVI, que chega a Milão no dia 1 de Junho e encerra o encontro dois dias depois, no Parque Norte, na periferia da cidade, numa Missa em que, segundo o cardeal Antonelli, se esperam um milhão de pessoas.

Os Encontros Mundiais das Famílias iniciaram na capital italiana, em 1994, repetindo-se a cada três anos com o objectivo de “celebrar o dom divino da família” e aprofundar a “compreensão da família cristã como Igreja doméstica e unidade básica de evangelização”.

 

 

COMISSÃO PARA INVESTIGAR

FUGA DE DOCUMENTOS

 

Bento XVI constituiu uma Comissão de cardeais para investigar a fuga de documentos internos do Vaticano para a comunicação social, nos quais se referem, entre outras matérias, alegadas práticas de corrupção e má gestão.

 

“Após a recente divulgação, nas televisões, nos jornais e outros meios de informação de documentos que estavam ao abrigo do segredo profissional, o Santo Padre determinou a constituição de uma comissão cardinalícia, para indagar com propriedade e lançar luz sobre os referidos actos”, anunciou no passado dia 25 de Abril a Secretaria de Estado.

A comissão vai actuar com mandato do Papa e é constituída pelos cardeais Julián Herranz, que a preside, Jozef Tomko e Salvatore De Giorgi.

O Cardeal espanhol Julián Herranz, de 82 anos, foi o anterior presidente do Conselho Pontifício para a Interpretação dos Textos Legislativos.

O porta-voz do Vaticano aludiu em Fevereiro a estas fugas de documentos que considerou destinadas a “criar confusão” e deixar “sob suspeita” o Vaticano e o governo da Igreja Católica.

Em causa, entre outros, estão acusações de corrupção contra o Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano e o Instituto para as Obras Religiosas (conhecido como o banco do Vaticano), na imprensa italiana.

O padre Lombardi afirma que alguns dos documentos difundidos recentemente tendem a “desacreditar” um “sério esforço para garantir uma verdadeira transparência no funcionamento das instituições do Vaticano, também do ponto de vista económico”.

 

 

CRÍTICAS AO GOVERNO CHINÊS

PELA PRISÃO DE PADRES E BISPOS

 

O Vaticano criticou no passado dia 26 de Abril a detenção de padres e bispos na China, considerando que o regime de Pequim impõe “limitações injustas” à acção da Igreja Católica no país.

 

A denúncia é feita no comunicado final da quinta reunião da Comissão criada por Bento XVI, em 2007, para debater as “questões de maior importância” para a Igreja Católica na China.

O documento manifesta “admiração pela firmeza” dos fiéis que se mantêm ligados ao Papa, apesar das pressões do Governo chinês, que defende o controlo de todas as actividades religiosas, em particular a nomeação de bispos para as comunidades católicas.

A Santa Sé refere que a missão episcopal tem de ser exercida em união com o Papa, rejeitando as pretensões de organismos estatais de se “colocarem acima dos bispos”.

Na China existem entre oito a 12 milhões de católicos, segundo o Vaticano, divididos entre os que pertencem à Igreja "oficial" (Associação Patriótica Católica – APC, controlado pelo governo de Pequim) e à "clandestina", fiel a Roma.

A APC foi criada em 1957 para evitar "interferências estrangeiras", em especial da Santa Sé, e para assegurar que os católicos viviam em conformidade com as políticas do Estado, deixando assim na clandestinidade os fiéis que reconhecem a autoridade do Papa.

O Vaticano considera “ilegítimos” os bispos que receberam jurisdição da APC, “usurpando um poder que a Igreja não lhes conferiu”.

A nota oficial da Santa Sé admite que bispos reconhecidos pelo Vaticano participaram em “ordenações episcopais ilegítimas”, tendo alguns deles pedido desculpas ao Papa e “esclarecido a sua posição”.

 

 

ACTUALIDADE DA ENCÍCLICA

PACEM IN TERRIS

 

A Pontifícia Academia das Ciências Sociais reuniu-se em Sessão Plenária de 27 de Abril a 1 de Maio, para estudar a contribuição da encíclica Pacem in terris, do beato Papa João XXIII, à doutrina social da Igreja, no 50.º aniversário da sua publicação (1961).

 

A encíclica reafirma a tese central de toda a doutrina social: “Todo o homem é pessoa, isto é, natureza dotada de inteligência e de livre arbítrio”. Sobre esta base, faz ressaltar a noção de bem comum, que “compreende todo um conjunto de condições sociais que permitam aos cidadãos o desenvolvimento expedito e pleno da sua própria perfeição.

Em pleno apogeu da Guerra Fria e quando a opinião pública se punha a questão da proliferação de armas de destruição massiva, o Papa João XXIII escreveu uma «carta aberta ao mundo», um “chamamento pressuroso (…) para promover em todos os âmbitos sociais, nacionais e internacionais a causa da paz e da justiça”. Assim o recordou Bento XVI numa Mensagem publicada em 30 de Abril e dirigida a Mary Ann Glendon, presidente da Academia Pontifícia.

“Embora o cenário político mundial tenha mudado significativamente no último meio século – escreve o Papa –, a visão de João XXIII ainda tem muito a ensinar-nos agora, quando nos enfrentamos aos novos desafios para a paz e a justiça na era da Pósguerra Fria, no meio da contínua proliferação de armas”. A encíclica “dá uma visão completamente cristã do lugar do homem no cosmos, confiando em que, ao fazê-lo, oferece uma mensagem de esperança a um mundo que está faminto dela”.

“Nesse mesmo espírito, depois dos atentados terroristas que sacudiram o mundo em Setembro de 2001, o beato João Paulo II insistiu em que não pode haver «paz sem justiça, nem justiça sem perdão». A noção de perdão tem de abrir-se caminho no discurso internacional sobre a resolução de conflitos, para transformar a linguagem estéril da recriminação mútua que não leva a parte alguma. Se a criatura humana está feita à imagem de Deus, um Deus de justiça que é «rico em misericórdia», estas qualidades devem reflectir-se na resolução dos assuntos humanos (…). O perdão não é uma negação do erro, mas uma participação na cura e no amor transformador de Deus que reconcilia e restaura”.

 

 

CARITAS INTERNATIONALIS

COM NOVO ESTATUTO

 

A Caritas Internationalis tem um novo Estatuto e um novo Regulamento. Os dois documentos foram hoje publicados no passado dia 2 de Maio, acompanhados do relativo Decreto de aplicação, assinado pelo Cardeal Secretario de Estado, Cardeal Tarcisio Bertone.

 

A publicação destes novos instrumentos jurídicos vem reforçar e ajudar na interpretação do documento com que, em 2004, o Papa João Paulo II conferira à Caritas uma personalidade jurídica e canónica pública.

O novo Estatuto esclarece melhor as relações entre a Caritas e outros órgãos da Santa Sé, pois que compete à Santa Sé acompanhar as actividades deste organismo caritativo da Igreja e vigiar a fim de que tanto as suas acções humanitárias e de caridade, como o conteúdo dos documentos que difunde, estejam em sintonia com a Sede Apostólica e com o Magistério da Igreja. A Santa Sé tem ainda a tarefa de vigiar a fim de que a Caritas seja administrada com competência e transparência.

Estas tarefas todas foram confiadas pelo Papa João Paulo II sobretudo ao Conselho Pontifício Cor Unum. E, embora não o tivesse especificado no documento, entendia-se que a Caritas ficava também sob as orientações gerais da Congregação para a Doutrina da Fé, assim como da Prefeitura para os Assuntos Económicos.

O artigo 6 do novo Estatuto sublinha a estreita ligação entre a Caritas e o Sucessor de Pedro que nomeia directamente três membros do Conselho Executivo, podendo assim escolher pessoas de reconhecida competência provenientes de regiões pobres ou que mereçam especial atenção. Contudo, a maioria dos membros do Conselho são escolhidos pela própria Caritas Internationalis.

A Caritas Internationalis foi ideada pelo Papa Pio XII em 1950, na sequência dos horrores da segunda guerra mundial, para manifestar a solidariedade da Igreja toda perante as numerosas situações de conflito e de emergências no mundo. Em 2004, como dizíamos, João Paulo II conferiu-lhe personalidade jurídica canónica pública com um documento denominado “Durante a Última Ceia”.

A Santa Sé considera que a normativa agora adoptada faz ressaltar a identidade distintiva da Caritas Internationalis que, embora desempenhe actividades semelhantes a muitas ONG’s, não é uma ONG qualquer. A sua identidade, baseada no Evangelho e na Doutrina Social da Igreja, constitui a sua força e torna a sua acção particularmente eficaz.

 

 

PAPA ALERTA PARA

CRISE DO PENSAMENTO

 

O Papa Bento XVI alertou no passado dia 3 de Maio para a “sombra de uma crise do pensamento” que considera estar a projectar-se sobre o saber científico e a vida académica, pedindo maior abertura para a reflexão sobre a transcendência.

 

“O homem do nosso tempo vive muitas vezes condicionado pelo reducionismo e o relativismo, que levam à perda do sentido das coisas”, afirmou no discurso que proferiu durante a visita que realizou à Universidade Católica do Sagrado Coração, em Roma, no 50.º aniversário da criação da Faculdade de Medicina.

Segundo o Papa, há um deslumbramento face à “eficácia técnica” que leva a esquecer “o horizonte essencial da questão do sentido, relegando assim à insignificância a dimensão transcendente”.

“O nosso é um tempo em que as ciências experimentais transformaram a visão do mundo e a própria autocompreensão do homem”, referiu, perante a comunidade académica e os profissionais da Clínica Agostino Gemelli, nome do fundador da Faculdade de Medicina da Universidade Católica romana.

Bento XVI criticou um pensamento “fraco” e o “empobrecimento ético” nas sociedades europeias, convidando a redescobrir o “vigor do significado e o dinamismo da transcendência” e à abertura para “o horizonte do quaerere Deum (a busca de Deus)”.

“Uma mentalidade fundamentalmente tecnocrática gera um perigoso desequilíbrio entre aquilo que é tecnicamente possível e o que é moralmente bom, com consequências imprevisíveis”, alertou.

Neste contexto, o Papa admitiu que as “múltiplas descobertas e tecnologias inovadoras” que se sucedem a um ritmo acelerado são “motivo de orgulho”, mas trazem também “implicações perturbadoras”.

Bento XVI aludiu à “missão insubstituível” das universidades católicas, locais “onde a relação educativa é colocada ao serviço da pessoa” para promover “competência científica” e oferecer um “património de saberes que as várias gerações destilaram em sabedoria de vida”.

O discurso papal encerrou-se com uma referência ao “amor de Deus”, frisando que “sem amor também a ciência perde a sua nobreza”.

“Só o amor garante a humanidade da investigação”, concluiu.

 

 

PAPA VAI VISITAR

O LÍBANO

 

O Vaticano confirmou que o Papa Bento XVI vai realizar uma visita apostólica ao Líbano de 14 a 16 de Setembro próximo.

 

O anúncio foi feito através de notas oficiais publicadas pela Presidência da República Libanesa e a Comissão Episcopal Católica para os Meios de Comunicação.

O principal objectivo da viagem de Bento XVI é a promulgação da Exortação Apostólica pós-sinodal para o Médio Oriente, documento conclusivo da Assembleia Especial do Sínodo realizada entre 10 e 24 de Outubro de 2010, no Vaticano.

A deslocação termina com uma missa presidida pelo Papa na capital, Beirute, adianta a Santa Sé.

Bento XVI foi convidado a visitar o Líbano pelo primeiro-ministro Najib Mikati, em Novembro de 2011, e pelo presidente do país, Michael Suleiman, em Fevereiro do mesmo ano, após deslocações destes responsáveis ao Vaticano.

A viagem ao “país dos cedros” vai ser a segunda de Bento XVI à região, depois da visita que efectuou em Maio de 2009 à Jordânia, Israel e Territórios Palestinos.

 


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