OPINIÃO

PODEMOS ACREDITAR NOS MILAGRES DOS EVANGELHOS?

 

 

 

 

Rodrigo Lynce de Faria

 

 

Serão mesmo verdadeiros os milagres narrados pelos Evangelhos? Tenho de aceitar esses acontecimentos espectaculares? Não posso ser um bom cristão sem acreditar nesses assombrosos prodígios? Estas questões, nos dias de hoje, proliferam como cogumelos em floresta húmida.

 

Mas, afinal, o que é um milagre? É, por definição, um facto inexplicável pelas leis da natureza. Um milagre – se o é de verdade – possui sempre uma causa sobrenatural. Se alguém procurar entender os milagres partindo do princípio de que o sobrenatural não existe, eles tornam-se, evidentemente, realidades inaceitáveis. No entanto, ao contrário do que muitos pensam, esse princípio é um acto de fé – uma vez que não provém de nenhuma comprovação científica. Não se pode provar cientificamente que o sobrenatural existe, mas também não se pode provar o contrário.

 

Para serem coerentes com esse princípio, algumas pessoas procuram dar uma explicação natural dos milagres relatados nos Evangelhos. O problema é que, com frequência, essas explicações são muitíssimo mais milagrosas do que os próprios milagres. No fim de contas, com grande à-vontade e sem nenhum tipo de cerimónias, pedem-nos mais fé nas suas explicações do que no poder de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

Parecem aquelas pessoas que se negam a acreditar que o homem esteve na lua pelo simples facto de não terem estado lá com ele. E não adianta tentar convencê-las de que tal convicção é razoável. Sem uma atitude sincera de procura da verdade, os argumentos só servirão para confirmá-las naquilo em que sempre quiseram acreditar. Para rematar a questão, até são capazes de acrescentar: “Que importa a verdade? O importante é aquilo que cada um de nós acredita que é verdade”. Com esta atitude – em sentido estrito – o diálogo torna-se impossível.

 

Mas é tão importante assim acreditar em que os milagres são possíveis? Sim, é. O que não significa sermos uns ingénuos e acreditarmos em tudo o que nos contam. Feita esta ressalva, convém ter em conta que acreditar em que os milagres são possíveis é a mesma coisa que acreditar em que Deus existe. Os Evangelhos não são livros que coleccionam amáveis afirmações – relatam factos históricos! E entre esses factos históricos estão as afirmações de que Jesus fez muitos milagres – o que mostrava aos seus conterrâneos que Deus estava com ele.

 

Se uma pessoa pensa que os milagres são impossíveis, não pode aceitar que Deus se fez homem em Jesus Cristo, nem a sua ressurreição – duas verdades centrais da fé cristã. Restam duas atitudes: ou nega a existência de Deus, ou aceita um deus impessoal que não intervém na natureza, nem na história, nem manda e muito menos proíbe.

 

Por isso, geralmente, o problema não está tanto na dificuldade em acreditar nos milagres dos Evangelhos, mas sim na recusa em aceitar uma mudança radical na própria vida. Já dizia alguém cheio de razão: “Basta muitas vezes mudar o modo de viver para acreditarmos na verdade que antes negávamos”.

 

 


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