DOCUMENTAÇÃO

BENTO XVI

 

VIAGEM APOSTÓLICA AO MÉXICO E A CUBA

 

 

De 23 a 29 de Março passado, o Santo Padre realizou a sua Viagem Apostólica ao México e à República de Cuba.

Damos a seguir o comentário que o próprio Papa fez na audiência geral da Quarta-feira Santa, 4 de Abril de 2012.

Título e subtítulos da Redacção da CL.

 

 

Queridos irmãos e irmãs

 

Estão ainda vivas em mim as emoções vividas na recente Viagem apostólica ao México e a Cuba, sobre a qual gostaria de meditar hoje. Brota espontânea da minha alma a acção de graças ao Senhor: na sua Providência, Ele quis que eu fosse pela primeira vez como Sucessor de Pedro a estes dois países, que conservam a memória indelével das visitas realizadas pelo Beato João Paulo II. O bicentenário da Independência do México e de outros países latino-americanos, o vigésimo aniversário das relações diplomáticas entre o México e a Santa Sé, e o quarto centenário da descoberta da imagem da Virgem da Caridade do Cobre na República de Cuba foram as ocasiões da minha peregrinação. Com ela desejei abraçar idealmente todo o Continente, convidando todos a viverem juntos na esperança e no empenho concreto de caminhar unidos rumo a um futuro melhor. Estou grato aos Senhores Presidentes do México e de Cuba que, com deferência e cortesia, me deram as suas boas-vindas, assim como às demais Autoridades. Agradeço de todo o coração aos Arcebispos de León, de Santiago de Cuba e de Havana, e aos outros venerados Irmãos no Episcopado, que me receberam com grande afecto, assim como aos seus colaboradores e a quantos se dedicaram generosamente a esta minha visita pastoral. Foram dias inesquecíveis de alegria e de esperança, que permanecerão gravados no meu coração!

No México

A primeira etapa foi León, no Estado de Guanajuato, centro geográfico do México. Ali, uma grande multidão em festa reservou-me um extraordinário e entusiástico acolhimento, como sinal do abraço caloroso de todo o povo. Desde a cerimónia das boas-vindas, pude sentir a fé e o afecto dos sacerdotes, das pessoas consagradas e dos fiéis leigos. Na presença dos dirigentes das Instituições, de numerosos Bispos e de representantes da sociedade, recordei a necessidade do reconhecimento e da tutela dos direitos fundamentais da pessoa humana, entre os quais sobressai a liberdade religiosa, assegurando a minha proximidade a quantos sofrem por causa de flagelos sociais, de antigos e novos conflitos, da corrupção e da violência. Volto a pensar com profunda gratidão na fila interminável de pessoas ao longo das estradas, que me acompanharam com entusiasmo. Naquelas mãos estendidas em sinal de saudação e de afecto, naqueles rostos alegres, naqueles gritos de alegria, senti a esperança tenaz dos cristãos mexicanos, esperança que permaneceu viva nos corações, não obstante os momentos difíceis das violências, que não deixei de deplorar, e a cujas vítimas dirigi um pensamento amargurado, podendo confortar pessoalmente algumas delas. Nesse mesmo dia encontrei-me com numerosas crianças e adolescentes, que são o futuro da Nação e da Igreja. A sua alegria inesgotável, expressa com cantos e músicas ruidosas, assim como os seus olhares e os seus gestos, exprimiam o forte desejo de todos os jovens do México, da América Latina e do Caribe, de poderem viver em paz, em serenidade e harmonia, numa sociedade mais justa e reconciliada.

Os discípulos do Senhor devem fazer crescer a alegria de serem cristãos, a alegria de pertencerem à sua Igreja. Desta alegria nascem também as energias para servir a Cristo nas situações difíceis e de sofrimento. Recordei esta verdade à multidão imensa congregada para a celebração eucarística dominical no Parque do Bicentenário de León. Exortei todos a confiarem na bondade de Deus Todo-Poderoso, que pode mudar a partir de dentro, do coração, as situações insuportáveis e obscuras. Os mexicanos responderam com a sua fé fervorosa e, na sua adesão convicta ao Evangelho, reconheci mais uma vez sinais consoladores de esperança para o Continente. O último acontecimento da minha Visita ao México foi, ainda em León, a Celebração das Vésperas na Catedral de Nossa Senhora da Luz, com os Bispos mexicanos e os representantes dos Episcopados da América. Manifestei a minha proximidade ao seu empenho diante dos vários desafios e dificuldades, e a minha gratidão a quantos anunciam o Evangelho em situações complexas e muitas vezes não desprovidas de limitações. Encorajei-os a serem Pastores zelosos e guias seguros, suscitando em toda a parte comunhão sincera e adesão cordial ao ensinamento da Igreja. Depois deixei a amada terra mexicana, onde experimentei uma devoção e um carinho especiais pelo Vigário de Cristo. Antes de partir, encorajei o povo mexicano a permanecer fiel ao Senhor e à sua Igreja, bem alicerçado nas próprias raízes cristãs.

Em Cuba

No dia seguinte teve início a segunda parte da minha Viagem apostólica com a chegada a Cuba, aonde fui antes de tudo para apoiar a missão da Igreja católica, empenhada em anunciar com alegria o Evangelho, não obstante a pobreza de meios e as dificuldades que ainda precisam de ser superadas, para que a religião possa desempenhar o seu serviço espiritual e de formação no âmbito público da sociedade. Foi isto que desejei sublinhar ao chegar a Santiago de Cuba, segunda cidade da Ilha, sem deixar de evidenciar as boas relações existentes entre o Estado e a Santa Sé, encaminhadas ao serviço da presença viva e construtiva da Igreja local. Assegurei também que o Papa leva no coração as preocupações e as aspirações de todos os cubanos, especialmente daqueles que sofrem devido à limitação da liberdade.

A primeira Santa Missa que tive a alegria de celebrar em terra cubana inseria-se no contexto do IV centenário da descoberta da imagem da Virgem da Caridade do Cobre, padroeira de Cuba. Foi um momento de grande intensidade espiritual, com a participação atenta e orante de milhares de pessoas, sinal de uma Igreja que vem de situações não fáceis, mas com um testemunho vivo de caridade e de presença activa na vida das pessoas. Aos católicos cubanos que, juntamente com toda a população, esperam num futuro cada vez melhor, dirigi o convite a dar novo vigor à sua fé e a contribuir, com a coragem do perdão e da compreensão, para a construção de uma sociedade aberta e renovada, onde haja cada vez mais espaço para Deus, porque quando Deus é expulso, o mundo transforma-se num lugar inóspito para o homem. Antes de deixar Santiago de Cuba dirigi-me ao Santuário de Nossa Senhora da Caridade do Cobre, tão querida ao povo cubano. A peregrinação da imagem de Nossa Senhora da Caridade pelas famílias da Ilha suscitou grande entusiasmo espiritual, representando um significativo acontecimento de nova evangelização e uma ocasião de redescoberta da fé. À Virgem Santa recomendei sobretudo as pessoas que sofrem e os jovens cubanos.

A segunda etapa cubana foi Havana, capital da Ilha. Os jovens, em particular, foram os principais protagonistas do acolhimento exuberante no percurso rumo à Nunciatura, onde tive a oportunidade de conversar com os Bispos do país para falar dos desafios que a Igreja cubana é chamada a enfrentar, na consciência de que as pessoas olham para ela com confiança crescente. No dia seguinte presidi à Santa Missa na Praça principal de Havana, apinhada de gente. Recordei a todos que Cuba e o mundo têm necessidade de mudanças, mas elas só se verificarão se cada um se abre à verdade integral sobre o homem, pressuposto imprescindível para alcançar a liberdade, e decide semear ao seu redor reconciliação e fraternidade, fundando a própria vida em Jesus Cristo: só Ele pode dispersar as trevas do erro, ajudando-nos a vencer o mal e tudo o que nos oprime. Desejei também reiterar que a Igreja não pede privilégios, mas deseja proclamar e celebrar também publicamente a fé, portanto a mensagem de esperança e de paz do Evangelho em todos os ambientes da sociedade. Ao apreciar os passos dados até agora neste sentido pelas Autoridades cubanas, sublinhei que é necessário continuar por este caminho de liberdade religiosa cada vez mais plena.

No momento de deixar Cuba, dezenas de milhares de cubanos vieram saudar-me ao longo da estrada, apesar da chuva torrencial. Na cerimónia de despedida, recordei que na hora presente os vários componentes da sociedade cubana são chamados a um esforço de colaboração sincera e de diálogo paciente para o bem da pátria. Nesta perspectiva, a minha presença na Ilha como testemunha de Jesus Cristo quis ser um encorajamento a abrir as portas do coração a Ele, que é fonte de esperança e de força para fazer crescer o bem. Por isso, saudei os cubanos exortando-os a reavivarem a fé dos seus pais e a edificarem um futuro sempre melhor.

Esta Viagem ao México e a Cuba, graças a Deus, alcançou o almejado êxito pastoral. Possam o povo mexicano e o cubano obter dela frutos abundantes para construir na comunhão eclesial e com coragem evangélica um futuro de paz e de fraternidade.

 


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