13º Domingo Comum

1 de Julho de 2012

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Senhor é o Pastor, M. Simões, NRMS 116

cf. Sl 46, 2

Antífona de entrada: Louvai o Senhor, povos de toda a terra, aclamai a Deus com brados de alegria.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A liturgia da Palavra deste Domingo convida-nos a reflectir sobre o binómio vida-morte. Jesus disse: “Eu sou o caminho a verdade e a Vida! Estive morto, mas agora vivo pelos séculos dos séculos e tenho a chave da vida e da morte!” Que felicidade a nossa! As leituras bíblicas de hoje lembram-nos que Deus é o autor da vida! Fomos criados para a imortalidade!

 

oração colecta: Senhor, que pela vossa graça nos tornastes filhos da luz, não permitais que sejamos envolvidos pelas trevas do erro, mas permaneçamos sempre no esplendor da verdade. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O autor do livro da Sabedoria afirma que Deus criou o homem para que viva eternamente. Se temos a impressão de que estamos sob o domínio da morte é porque nos deixamos seduzir pela inveja do demónio. No livro do Génesis (3,19) a morte é apresentada como consequência do pecado.

 

 

Sabedoria 1, 13-15; 2, 23-25 (23-24)

13Não foi Deus quem fez a morte, nem Ele se alegra de os vivos perecerem. 14Pela criação, deu o ser a todas as coisas e o que nasce no mundo destina-se ao bem. Em nada existe o veneno que mata, nem o poder da morte reina sobre a Terra, 15pois a justiça é imortal. 23Deus criou o homem para ser incorruptível e fê-lo à imagem do que Ele é em Si mesmo. 24A morte entrou no mundo pela inveja do Demónio, e os seus partidários sentem-lhe os efeitos.

 

A leitura contém cinco versículos respigados da 1ª parte do livro da Sabedoria, o mais recente dos livros do A. T. e escrito em grego. O autor inspirado mostra como a verdadeira felicidade consiste em fazer a vontade de Deus e disso depende a sorte de cada um após a morte, pois «a justiça (de Deus) é imortal» (v. 15), não deixa de haver uma retribuição justa pelo proceder de cada um. E Deus não quer a morte de ninguém, mas esta é consequência do pecado: «não foi Deus quem fez a morte» (v. 13). Mais adiante (vv. 23-24) insiste-se na mesma ideia, depois de censurar os ímpios que perseguem o justo, cuja vida santa consideram para eles uma repreensão do seu mau proceder. Como pano de fundo do texto, temos a narrativa do Génesis (Gn 3), embora não citada expressamente; na origem do mal e da morte – «não foi Deus quem fez a morte» (v. 23) – está «a serpente antiga, chamada Diabo e Satanás, que seduz toda a humanidade» (Apoc 12, 9), «assassino desde o princípio… mentiroso e pai da mentira» (Jo 8, 44); notar que a tradução litúrgica utilizou uma expressão mais suave, «demónio», em vez do termo grego Diabo, que significa caluniador, acusador, a tradução do nome hebraico Satanás.

 

Salmo Responsorial     Sl 29 (30), 2.4.5-6.11.12a.13b (R. 2a)

 

Monição: “Vós convertestes em júbilo o meu pranto!” O salmista canta a sua gratidão porque Deus arrebatou a sua alma ao abismo da morte! Voltou a reviver quando já descia ao túmulo! A experiência da salvação faz brotar o louvor; cantemos nós também:

EU VOS LOUVAREI, senhor, POQUE ME SALVASTE!

 

Refrão:        Eu Vos louvarei, Senhor, porque me salvastes.

 

Eu Vos glorifico, Senhor, porque me salvastes

e não deixastes que de mim se regozijassem os inimigos.

Tirastes a minha alma da mansão dos mortos,

vivificastes-me para não descer ao túmulo.

 

Cantai salmos ao Senhor, vós os seus fiéis,

e dai graças ao seu nome santo.

A sua ira dura apenas um momento

e a sua benevolência a vida inteira.

Ao cair da noite vêm as lágrimas

e ao amanhecer volta a alegria.

 

Ouvi, Senhor, e tende compaixão de mim,

Senhor, sede Vós o meu auxílio.

Vós convertestes em júbilo o meu pranto:

Senhor meu Deus, eu Vos louvarei eternamente.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Ser cristão significa ser solidário. S. Paulo recolhe a oferta generosa dos crentes gregos em favor da Igreja pobre de Jerusalém. Esta passagem bíblica ensina-nos que o amor fraterno passa pela partilha dos bens materiais e espirituais.

 

 

2 Coríntios 8, 7.9.13-15

Meus irmãos: 7vós sois ricos em tudo: na fé, na eloquência, no conhecimento da doutrina, em toda a espécie de atenções e na caridade que recebestes de nós. Mostrai-vos também ricos em generosidade. 9Conheceis a generosidade de Nosso Senhor Jesus Cristo: Ele, que era rico, fez-se pobre por vossa causa, para que vos tornásseis ricos pela sua pobreza. 13Não se trata de vos sobrecarregar a vós, para aliviar os outros, trata-se de procurar a igualdade. 14Na presente ocasião, aquilo que vos sobra compensa o que falta aos vossos irmãos, para que um dia, o que venha a sobrar-lhes compense o que vier a faltar-vos. E assim haverá igualdade, como esta escrito: 15«A quem tinha muito não sobejou, e a quem tinha pouco não faltou.»

 

A leitura é tirada da segunda parte da Carta (2 Cor 8 – 9), escrita da Macedónia; contém um forte apelo do Apóstolo ao desprendimento e à generosidade dos fiéis de Corinto na esmola para socorrer os pobres de Jerusalém. No regresso da sua 3ª viagem missionária, Paulo vai passar por Corinto e ali recolher o fruto da colecta, já recomendada na sua 1ª Carta, a fazer «no primeiro dia da semana», certamente na Liturgia dominical (cf, 1 Cor 16, 2.5), como veio a ser um costume cristão, já referido por S. Justino no século II: «Desde o princípio, com o pão e o vinho para a Eucaristia, os cristãos trazem as suas ofertas para a partilha com os necessitados. Este costume, sempre actual, da colecta inspira-se no exemplo de Cristo, que Se fez pobre para nos enriquecer» (Catecismo da Igr. Cat., nº 1351; cf. S. Justino, Apol. I, 67, 6). A imitação de Cristo passa também pelo exercício das virtudes do desprendimento e da generosidade: «Ele, que era rico, fez-se pobre por vossa causa, para que vos tornásseis ricos pela sua pobreza» (v. 9). S. Paulo faz ainda apelo a uma justa repartição de bens (vv. 13-15), recorrendo ao texto de Ex 16, 18, que se refere à recolha equitativa do maná no deserto.

 

Aclamação ao Evangelho          2 Tim 1, 10

 

Monição: S. Paulo diz-nos “Jesus, nosso Salvador destruiu a morte!” (2 Tim 1,10) Exultemos e cantemos de alegria: “Aleluia! Jesus fez brilhar a vida por meio do Evangelho! Aleluia!” 

 

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 87

 

Jesus Cristo, nosso Salvador, destruiu a morte

e fez brilhar a vida por meio do Evangelho.

 

 

Evangelho*

 

Forma longa: São Marcos 5, 21-43.   Forma breve: São Marcos 5, 21-24.35b-43

Naquele tempo, 21Jesus voltou a atravessar, de barco, para a outra margem do lago. Reuniu-se junto d'Ele grande multidão, e Ele permaneceu a beira-mar. 22Chegou então um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo. Ao ver Jesus, 23caiu-lhe aos pés e suplicou-Lhe com insistência: «A minha filha está a morrer. Vem impor-lhe a mão, para que seja salva e viva.» 24Jesus foi com ele. Acompanhava-O tão grande multidão, que O comprimia. [25Certa mulher tinha hemorragias havia doze anos. 26Sofrera muito com grande número de médicos e gastara todos os seus bens, sem ter obtido qualquer resultado; antes piorava cada vez mais. 27Como tinha ouvido falar Jesus, veio por detrás, no meio da multidão, e tocou-Lhe na capa. 28Pois dizia consigo: «Se eu, ao menos, Lhe tocar nas vestes, ficarei curada.» 29No mesmo instante, estancou-se-lhe o sangue, e sentiu no seu corpo que estava curada da doença. 30Jesus notou logo em Si mesmo que saíra d’Ele uma força. Voltou-Se no meio da multidão e perguntou: «Quem Me tocou nas vestes?» 31Diziam-Lhe os discípulos: «Tu vês a multidão que Te aperta e perguntas: «Quem Me tocou?» 32Mas Jesus olhou em volta, para ver aquela que o tinha feito. 33E a mulher, assustada e a tremer, por saber o que Lhe tinha sucedido, veio prostrar-se diante de Jesus e disse-Lhe toda a verdade. 34Jesus replicou-Lhe: «Minha filha, foi a tua fé que te salvou! Vai em paz e fica sarada do teu mal.»] 35Ainda Ele falava, quando vieram dizer da casa do chefe da sinagoga: «A tua filha morreu. Porque estás ainda a importunar o Mestre?» 36Mas Jesus, que surpreendera as palavras proferidas, disse ao chefe da sinagoga: «Não tenhas receio. Crê somente.» 37E não deixou que ninguém O acompanhasse, a não ser Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago. 38Chegaram a casa do chefe da sinagoga. E Jesus deparou com o reboliço e com a gente que chorava e gritava muito. 39Ao entrar, perguntou-lhes: «Porque estais nesta agitação a chorar? A criança não morreu, está a dormir!» 40E riam-se d’Ele. Jesus, depois de os ter mandado sair a todos, tomou consigo o pai e a mãe da criança e os que vinham com ele, e entrou no local onde estava a criança. 41Pegou na mão da criança e disse-lhe: «Talitá qumi Menina, Eu te ordeno: levanta-te». 42Ela ergueu-se imediatamente e começou a andar, pois tinha doze anos. E logo se encheram de grande pasmo. 43Jesus fez-lhes instantes recomendações, para que ninguém soubesse do caso, e mandou que dessem de comer à menina.

 

Voltamos hoje ao nosso Evangelho do ano, com mais dois milagres de Jesus (na forma longa da leitura). «O encadeamento destas duas narrações de milagres é tão íntimo e tão natural, que é impossível considerá-lo como obra do evangelista ou da tradição donde as tomou. Trata-se evidentemente da reprodução da realidade histórica. O carácter vivo e gráfico da descrição remete-nos mais uma vez para uma testemunha ocular, Pedro» (Josef Schmid).

22 «Um dos chefes da sinagoga», certamente uma pessoa importante na terra, responsável pela orientação da sinagoga, especialmente nas celebrações dos sábados e dias festivos; competia-lhe dirigir o canto e as orações, bem como designar o leitor e comentador dos sedarim (secções) em que estava dividido o Pentateuco na Palestina no tempo de Jesus, para ser lido por ciclos de três anos, em forma de lectio continua. É de notar como um homem importante recorre a Jesus numa situação extrema, com a filha a morrer. Marcos, com uma informação mais directa, não enfatiza a situação como Mateus, que fala de que a filha já estava morta (cf. Mt 9, 18).

25 «Certa mulher tinha hemorragias havia doze anos». A hemorragia, constituía uma impureza legal da infeliz mulher, que também tornava impuro tudo e rodos os que ela tocasse. Já farta de sofrer – havia já 12 anos – e de ser maltratada pelos humilhantes métodos curativos rabínicos, atreve-se a recorrer a Jesus. É impressionante a fé humilde e delicada daquela mulher envergonhada, que pensa que não precisa de se sujeitar a expor o seu mal; mas também se considera indigna de tocar em Jesus e, do meio da multidão, sem que fosse notada, limita-se a tocar-lhe na capa pela parte detrás (v. 27). Sentindo-se curada, não o manifesta logo, e, ao ouvir de Jesus que tinha sido tocado (v. 30), fica confundida pelo seu atrevimento e, «assustada e a tremer… veio prostrar-se diante de Jesus e disse-lhe toda a verdade». Não foram, porém, palavras de censura as que ouviu do seu médico, mas o louvor da sua fé e a paz que lhe inundou a alma com a garantia dada duma cura definitiva: «Minha filha, foi a tua fé que te salvou! Vai em paz e fica sarada do teu mal» (v. 34).

36-40 «Não tenhas receio. Crê somente». Para quem crê, Jesus nunca chega demasiado tarde (cf. v. 35) e sobra-lhe o reboliço da gente, o choro e o grito das carpideiras… Jesus, ao fazer bem, não quer dar espectáculo nem provocar alarido que venha a perturbar o seu ministério, por isso só o pai e a mãe da menina hão-de presenciar o milagre, além de Pedro Tiago e João, de que Jesus que fazer como que o núcleo duro dos Doze, pois são os mesmos que hão-de presenciar a Transfiguração e a Agonia, em dois montes contrapostos.

41-43 «Menina, levanta-te!» A expressão original de Jesus «talitá qumi», são umas palavras que terão causado tal impacto nos ouvintes, que jamais se lhes apagaram da memória, e que a tradição conservou tal qual, mesmo quando o Evangelho passou a ser pregado e finalmente escrito na língua grega. Não deixa de ser interessante o pormenor tão realista e tão humano de Jesus ao mandar que dessem de comer à menina, mesmo depois de ela já ter começado a andar.

 

Sugestões para a homilia

 

Jesus afirma: Eu sou a Ressurreição e Vida!

A primeira leitura diz claramente que não foi Deus que fez a morte! E numa linguagem positiva afirma que nos criou para a imortalidade! Criou-nos à sua imagem e semelhança. Deus é imortal. Ele não se pode alegrar com a morte dos seus filhos, ciados a sua imagem. Podemos concluir que se vivermos unidos a Deus, não experimentaremos a morte eterna. Jesus garante-nos: “Todo aquele que vive e crê em Mim jamais verá a morte!” (Jo 11,26) A morte corporal é consequência do pecado, mas pela fé, a morte, torna-se passagem para avida eterna! “Em verdade, em verdade vos digo, quem acredita em Mim tem a vida eterna!” (Jo 6,47) Por ocasião da morte de Lázaro, afirmou: “Eu sou a ressurreição e vida, aquele que acredita em Mim, ainda que esteja morto (morte natural), viverá!” (Jo 11,25)

Jesus pela sua morte e ressurreição redimiu-nos dos nossos pecados, venceu a morte. No Evangelho de hoje, Jesus revela o seu poder sobre a morte, ressuscitando a filha de Jairo! “Menina, levanta-te!” Jesus não fala de morte, mas de sono! “A criança não morreu! Está a dormir!”

Santo Atanásio ajuda-nos a compreender este tema da liturgia de hoje. Escreveu assim: “O Verbo de Deus, compadecido da fragilidade do género humano, não suportando que fossemos vítimas da morte, tomou um corpo semelhante ao nosso e ofereceu-o ao Pai, aceitando morrer por todos os homens. Deste modo, a lei da morte ficou anulada para aqueles que morrem em comunhão com Ele.” (Ofício de Leituras, 2 de Maio)

A Fé na ressurreição aponta-nos horizontes de vida eterna. Todos os Domingos rezamos cheios de esperança: Creio na ressurreição dos mortos! Espero a vida do mundo que há-de vir! Amen”

 

Fala o Santo Padre

 

«Cada homem pode dizer: Deus não me abandonou, ama-me, deu a vida por mim»

 

No passado, o primeiro domingo de Julho caracterizava-se pela devoção ao Preciosíssimo Sangue de Cristo. Alguns meus venerados Predecessores no século passado confirmaram-na, e o beato João XXIII, com a Carta Apostólica Inde a primis (30 de Junho de 1960), explicou o seu significado e aprovou as suas Litanias. O tema do sangue, ligado ao do Cordeiro pascal, é de primária importância na Sagrada Escritura. A aspersão com o sangue dos animais sacrificados representava e estabelecia, no Antigo Testamento, a aliança entre Deus e o povo, como se lê no livro do Êxodo: "Moisés tomou o sangue e aspergiu com ele o povo, dizendo: Este é o sangue da aliança que o Senhor concluiu convosco mediante todas estas palavras" (24, 8).

Jesus, na Última Ceia, inspira-se explicitamente nesta fórmula quando, ao oferecer o cálice aos discípulos, diz: "Este é o meu sangue da aliança, que é derramado por muitos para a remissão dos pecados" (Mt 26, 28). E efectivamente, a partir da flagelação, até ao trespasse do lado depois da morte de cruz, Cristo derramou todo o seu sangue, como verdadeiro Cordeiro imolado para a redenção universal. O valor salvífico do seu sangue é afirmado expressamente em muitos trechos do Novo Testamento. Citemos, neste Ano sacerdotal, a bela expressão daCarta aos Hebreus: "Cristo... entrou uma só vez no Santo dos Santos, não com o sangue dos carneiros ou dos bezerros, mas com o Seu próprio sangue, tendo obtido uma redenção eterna. Porque, se o sangue dos carneiros e dos touros e a cinza da novilha com que se aspergem os impuros os santifica, quanto à pureza da carne, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito Santo Se ofereceu a Si mesmo sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência das obras mortas para servir o Deus vivo!" (9, 11-14).

Queridos irmãos, está escrito no Génesis que o sangue de Abel, morto pelo irmão Caim, brada a Deus da terra (cf. 4, 10). E infelizmente, hoje como ontem, este brado não cessa, porque continua a ser derramado sangue humano por causa da violência, da injustiça e do ódio. Quando aprenderão os homens que a vida é sagrada e pertence só a Deus? Quando compreenderão que somos todos irmãos? Ao brado pelo sangue derramado, que se eleva de tantas partes da terra, Deus responde com o sangue do seu Filho, que entregou a sua vida por nós. Cristo não respondeu ao mal com o mal, mas com o bem, com o seu amor infinito. O sangue de Cristo é o penhor do amor fiel de Deus pela humanidade. Fixando as chagas do Crucificado, cada homem, também em condições de extrema miséria moral, pode dizer: Deus não me abandonou, ama-me, deu a vida por mim; e desta forma reencontrar esperança. A Virgem Maria, que aos pés da cruz, juntamente com o apóstolo João, recebeu o testamento do sangue de Jesus, nos ajude a redescobrir a inestimável riqueza desta graça, e a sentir por ela uma gratidão íntima e perene.

 

Papa Bento XVI, Angelus , Praça de São Pedro, 5 de Julho de 2009

 

Oração Universal

 

Caríssimos irmãos e irmãs:

Com a força que nos vem da fé, façamos subir até ao Pai celeste

súplicas e preces por toda a humanidade, dizendo:

R. Concedei-nos, Senhor, a vossa graça.

 

1.     Para que o nosso Bispo N., e os nossos presbíteros e diáconos,

recordem sempre aos fiéis e aos catecúmenos,

que a salvação vem pela fé em Jesus Cristo, oremos ao Senhor.

 

2.     Para que os homens, ao olharem para Jesus,

que Se fez pobre para nos enriquecer dos seus dons,

sintam fome e sede de justiça, oremos ao Senhor.

 

3.     Para que a semente que os agricultores lançam à terra

lhes dê o fruto que eles esperam e desejam

e traga o sustento àqueles que nada têm, oremos ao Senhor.

 

4.     Para que a fé da mulher que tocou no manto de Jesus

e a de Jairo, que esperou contra toda a esperança,

dêem vigor à nossa própria fé, oremos ao Senhor.

 

5.     Para que os membros da nossa assembleia dominical

honrem sempre o seu nome de cristãos

e aliviem a indigência dos mais pobres, oremos ao Senhor.

 

Pai santo, fonte de todos os bens e origem de tudo quanto temos e somos,

ensinai-nos a reconhecer os benefícios que recebemos da vossa liberalidade

e a louvar-Vos, com a voz e com a vida.

Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Os dons que vos trazemos, F. da Silva, NRMS 4 (II)

 

Oração sobre as oblatas: Senhor nosso Deus, que assegurais a eficácia dos vossos sacramentos, fazei que este serviço divino seja digno dos mistérios que celebramos. Por Nosso Senhor...

 

Santo: A. Cartageno, NRMS 99-100

 

Monição da Comunhão

 

Jesus, ensinando os Judeus acerca do alimento que permanece para a vida eterna, afirmou: “ Eu sou o Pão Vivo descido do Céu. Se alguém comer deste Pão, viverá eternamente.” (Jo 6, 51) Jesus amou-nos até ao ponto de nos dar o Seu Corpo como alimento. Comungando o Seu Corpo na mesa da comunhão, aqui na Terra, recebemos o penhor da vida imortal, na Pátria celeste. Testemunhemos a Jesus a nossa gratidão!

 

 

Cântico da Comunhão: Nosso Pai que está no céu, A. Cartageno, NRMS 107

Sl 102, 1

Antífona da Comunhão: A minha alma louva o Senhor, todo o meu ser bendiz o seu nome santo.

Ou:    cf. Jo 17, 20-21

Pai santo, Eu rogo por aqueles que hão-de acreditar em Mim, para que sejam em Nós confirmados na unidade e o mundo acredite que Tu Me enviaste.

 

Cântico de acção de graças: Em Vós, Senhor, ponho a minha esperança, M. Simões, NRMS 116

 

Oração depois da Comunhão: Concedei-nos, Senhor, que o Corpo e o Sangue do vosso Filho, oferecidos em sacrifício e recebidos em comunhão, nos dêem a verdadeira vida, para que, unidos convosco em amor eterno, dêmos frutos que permaneçam para sempre. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

“Aliviai com a vossa abundância a indigência dos irmãos pobres!” (2 Cor 8, 14)

Que linguagem apelativa a de S. Paulo! Em tempo de crise, aceitemos o pedido de S. Paulo e a exortação de S. João: “Meus filhos, não amemos com palavras e com a língua, mas com obras e em verdade.” Sejamos pessoas felizes, defendendo a vida, socorrendo os pobres, praticando as obras de misericórdia! Felizes os misericordiosos! (Mat 5,7)

 

Cântico final: Nós vamos com o Senhor, H. Faria, NRMS 103-104

 

 

Homilias Feriais

 

13ª SEMANA

 

2ª Feira, 2-VII: Que significa seguir Cristo?

Am 2, 6-10. 13-16 / Mt 8, 18-22

Aproximou-se então um escriba, que lhe disse: Mestre, seguir-te-ei para onde fores.

O Senhor lamenta-se daqueles que se esqueceram das maravilhas feitas em favor deles: «Fui eu que vos retirei do Egipto» (Leit.). E Jesus tem pena daqueles que o querem seguir, mas impõem condições: «deixa-me ir primeiro sepultar meu pai» (Ev.).

O que significa seguir Cristo? «Seguindo Cristo e, em união com Ele, os cristãos podem esforçar-se por ser imitadores de Deus, como filhos bem amados, e por proceder com amor, conformando os seus pensamentos, palavras e acções, com os sentimentos de Cristo Jesus e seguindo os seus exemplos» (CIC, 1694).

 

3ª Feira, 3-VII: S. Tomé: O poder da fé.

Ef 2, 19-22 / Jo 20-24-29

Tomé respondeu-lhe: Meu Senhor e meu Deus!

S. Tomé, como muitos outros nos Evangelhos, chama ‘Senhor’ a Jesus: «Este título exprime a confiança dos que se aproximam de Jesus e dele esperam socorro e cura. No encontro com Jesus ressuscitado, transforma-se em adoração: ‘Meu Senhor e meu Deus’» (Ev.).

Ele construiu a sua fé apoiado no Senhor. Todos somos convidados a fazer o mesmo: «Fostes edificados sobre o alicerce dos Apóstolos, que tem Cristo como pedra angular» (Leit.). E assim levou a Boa Nova até à Índia.

 

4ª Feira, 4-VII: O sacrifício espiritual

Am 5, 14-25. 21-24 / Mt 8, 28-34

Se me ofereceis holocaustos e oblações, Eu não quero aceitá-los e, para os vossos sacrifícios de animais gordos, nem sequer me digno olhar.

«Para ser autêntico, o sacrifício exterior deve ser expressão do sacrifício espiritual. Os profetas da Antiga Aliança denunciaram muitas vezes os sacrifícios feitos sem participação interior ou sem ligação com o amor do próximo» (CIC, 2100).

Os gadarenos rejeitaram a presença de Jesus no seu território por Ele ter libertado 2 possessos e, por isso, terem perdido uma vara de porcos (Ev.). Deram mais valor a um bem material do que ao próprio Deus e à felicidade de dois homens. Os nossos sacrifícios devem ser feitos por amor a Deus e ao próximo.

 

5ª Feira, 5-VII: A perda do sentido do pecado.

Am 7, 10-17 / Mt 9, 1-8

Na verdade o que é mais fácil dizer: os teus pecados são-te perdoados ou dizer: levanta-te e anda?

Os que estavam presentes preferiam ter ouvido Jesus dizer que o curava da sua doença, mas Jesus teve que falar primeiro do perdão dos pecados (Ev.). É uma prova de que se perde o sentido e a malícia do pecado.

 Também o profeta Amós se podia ter calado diante do rei, mas teve que dizer-lhe coisas muito duras: a morte dele e da família, etc. (Leit.). Não deixemos de dizer a verdade com caridade aos que se encontram em estado de pecado, ajudando-os a formarem bem a sua consciência.

 

6ª Feira, 6-VII: A fome da palavra de Deus.

Am 8, 4-6. 9-12 / Mt 9, 9-13

Dias virão em que mandarei a fome à terra: não será fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir a palavra do Senhor.

Os homens morrem também de um outro tipo de fome: «’O homem não vive só de pão, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus’. Há uma fome na terra que ‘não é fome de pão nem de sede de água, mas de ouvir a palavra de Deus’ (Leit.). Para isso temos que escutar o Senhor na leitura das Escrituras.

Do mesmo modo, quando estamos doentes da alma, devemos recorrer ao Senhor: «Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas aqueles que estão doentes» (Ev.).

 

Sábado, 7-VII: Guardar e defender a boa doutrina.

Am 9, 11-15 / Mt 9, 14-17

Mas deita-se vinho novo em odres novos, e ambas as coisas se conservam.

A vinda de Cristo à terra e a sua mensagem são como o vinho novo, que exige um recipiente novo (Ev.). O vinho novo representa a vida da graça, a doutrina e a moral novas. Compete à Igreja guardar as verdades da fé e da moral, para que não se alterem ao sabor das modas, defendendo-as do laicismo e relativismo reinantes.

Para reconstruir a vida do povo exilado, Deus vai dotá-lo de novas formas: reconstrução das cidades em ruínas, plantação de videiras e aproveitamento do vinho, etc. (Leit.).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         José Roque

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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