S. Pedro e S. Paulo

 

Missa do Dia

29 de Junho de 2012

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Fez-vos Cristo luz do mundo, F. da Silva, NRMS 36

 

Antífona de entrada: Estes são os Apóstolos, que durante a sua vida na terra plantaram a Igreja com o seu sangue. Beberam o cálice do Senhor e tornaram-se amigos de Deus.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos hoje a solenidade de S. Pedro e S. Paulo. A sua devoção e sincera abnegação à Igreja levou-os ao derradeiro sacrifício e a uma consideração missionária ligada à diligência pela unidade na diferença.

O seu exemplo deve levar-nos a reconsiderar os dons com que o Senhor Deus nos cumulou e a repensar a nossa vida cristã onde exercemos a nossa actividade quotidiana.

Diligenciemos por viver como autênticos cristãos esta solenidade, afastando de nós toda a tentação de a popularizar com festejos pagãos que nada têm a ver com o cristianismo.

 

Oração colecta: Senhor, que nos encheis de santa alegria na solenidade dos apóstolos São Pedro e São Paulo, concedei à vossa Igreja que se mantenha sempre fiel à doutrina daqueles que foram o fundamento da sua fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Pedro que se encontrava preso a mando de Herodes, perseguidor dos cristãos, é libertado. A leitura refere um facto histórico, mas quer salientar, como principal, que Pedro reconhece que a libertação acontecida não foi da sua iniciativa, mas acção do Senhor.

 

Actos dos Apóstolos 12, 1-11

1Naqueles dias, o rei Herodes começou a perseguir alguns membros da Igreja. 2Mandou matar à espada Tiago, irmão de João, 3e, vendo que tal procedimento agradava aos judeus, mandou prender também Pedro. Era nos dias dos Ázimos. 4Mandou-o prender e meter na cadeia, entregando-o à guarda de quatro piquetes de quatro soldados cada um, com a intenção de o fazer comparecer perante o povo, depois das festas da Páscoa. Enquanto 5Pedro era guardado na prisão, a Igreja orava instantemente a Deus por ele. 6Na noite anterior ao dia em que Herodes pensava fazê-lo comparecer, Pedro dormia entre dois soldados, preso a duas correntes, enquanto as sentinelas, à porta, guardavam a prisão. 7De repente, apareceu o Anjo do Senhor e uma luz iluminou a cela da cadeia. 8O Anjo acordou Pedro, tocando-lhe no ombro, e disse-lhe: «Levanta-te depressa». E as correntes caíram-lhe das mãos. Então o Anjo disse-lhe: «Põe o cinto e calça as sandálias». Ele assim fez. Depois acrescentou: «Envolve-te no teu manto e segue-me». 9Pedro saiu e foi-o seguindo, sem perceber a realidade do que estava a acontecer por meio do Anjo julgava que era uma visão. 10Depois de atravessarem o primeiro e o segundo posto da guarda, chegaram à porta de ferro, que dá para a cidade, e a porta abriu-se por si mesma diante deles. Saíram, avançando por uma rua, e subitamente o Anjo desapareceu. 11Então Pedro, voltando a si, exclamou: «Agora sei realmente que o Senhor enviou o seu Anjo e me libertou das mãos de Herodes e de toda a expectativa do povo judeu».

 

1-2 «Herodes»: é Herodes Agripa I, o terceiro monarca do mesmo nome a ser nomeado no NT; era filho da Aristóbulo e sobrinho de Herodes Antipas (o que mandara matar o Baptista) e neto de Herodes, o Grande (o da construção do Templo e da matança dos inocentes). Depois de uma vida libertina em Roma, obteve o favor de Calígula, vindo a poder usar o título de rei dum território quase tão grande como o do avô, apresentando-se muito zeloso da religiosidade judaica. «Tiago» é o filho de Zebedeu e Salomé, irmão do Apóstolo João evangelista. O seu martírio deve ter sido um ano ou dois após a tomada de posse de Herodes, a qual se deu no ano 41.

4-6 «Guarda de 4 piquetes de 4 soldados»: note-se o contraste entre a severidade da segurança e a serenidade de Pedro que dorme; cada piquete correspondia a uma das quatro vigílias da noite; Pedro «dormia entre dois soldados», com uma das mãos atada à mão de um soldado e a outra à do outro, enquanto «a Igreja orava instantemente a Deus por ele» (belo fundamento bíblico da oração assídua pelo Papa).

7-10 A intervenção libertadora do «Anjo do Senhor» já tinha sido assinalada em semelhante circunstância (cf. Act 5, 18-19); esta está na linha da fé da Igreja na protecção dos anjos da guarda, conforme lembra o Catecismo da Igreja Católica, nº 336: «Desde a infância até à morte, a vida humana é acompanhada pela sua assistência e intercessão…».

 

Salmo Responsorial     Sl 33 (34), 2-3.4-5.6-7.8-9 (R. 5b)

 

Monição: Este salmo ajuda-nos a confirmar o reconhecimento e louvor a Deus, que sempre ouve, acolhe e livra de todos os riscos aqueles que O procuram sinceramente.

 

Refrão:        O Senhor libertou-me de toda a ansiedade.

 

A toda a hora bendirei o Senhor,

o seu louvor estará sempre na minha boca.

A minha alma gloria-se no Senhor:

escutem e alegrem-se os humildes.

 

Enaltecei comigo ao Senhor

e exaltemos juntos o seu nome.

Procurei o Senhor e Ele atendeu-me,

libertou-me de toda a ansiedade.

 

Voltai-vos para Ele e ficareis radiantes,

o vosso rosto não se cobrirá de vergonha.

Este pobre clamou e o Senhor o ouviu,

salvou-o de todas as angústias.

 

O Anjo do Senhor protege os que O temem

e defende-os dos perigos.

Saboreai e vede como o Senhor é bom:

feliz o homem que n’Ele se refugia.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Perante a certeza do martírio, Paulo equipara-se a um atleta que recebe o prémio da vitória: ele sabe que a sua vida foi totalmente aplicada a proclamar e preservar a fé e o seu olhar continua escorado no Senhor. Acredita plenamente que Ele o levará a participar no seu Reino.

 

2 Timóteo 4, 6-8.17-18

Caríssimo: 6Eu já estou oferecido em libação e o tempo da minha partida está iminente. 7Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. 8E agora já me está preparada a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me há-de dar naquele dia e não só a mim, mas a todos aqueles que tiverem esperado com amor a sua vinda. 17O Senhor esteve a meu lado e deu-me força, para que, por meu intermédio, a mensagem do Evangelho fosse plenamente proclamada e todos os pagãos a ouvissem e eu fui libertado da boca do leão. 18O Senhor me livrará de todo o mal e me dará a salvação no seu reino celeste. Glória a Ele pelos séculos dos séculos. Amen.

 

A leitura é um extracto da parte final da Carta, em que o Paulo, pressentindo a morte iminente, faz como que um balanço da sua vida toda devotada à causa da Boa Nova. Consideramos o escrito dotado de autenticidade criticamente segura, não obstante uma certa tendência negativa mesmo entre diversos autores católicos. De facto aqui, como noutros pontos das Cartas Pastorais, observam-se pormenores biográficos de tal maneira vivos, concretos e coerentes, que não se podem atribuir a um falsário. Há quem pense na intervenção dum secretário diferente dos habituais, que muito bem poderia ter sido o seu discípulo e companheiro (cf. v. 11) no segundo cativeiro romano, Lucas (Spicq).

6-7 «Já estou oferecido em libação», isto é, «sinto que a morte se avizinha»; é uma linguagem que bem pode proceder do costume, referido por Tácito, de se fazerem libações por ocasião da morte de alguém. «Combati o bom combate»: São Paulo sempre gostou de comparar a vida cristã e as lides apostólicas a lutas desportivas, pugilismo, corridas... (cf. Filp 2, 16; 3, 12-14; 1 Cor 9, 24-26; Gal 2, 2); «terminei a minha carreira», à letra, corrida.

17 «A mensagem... fosse proclamada a todos…» Pensa-se haver aqui uma referência a algum testemunho público nalguma audiência do tribunal perante grande multidão. «Fui libertado da boca do leão», o que não significa forçosamente que estivesse para ser lançado às feras, mas simplesmente o adiamento da condenação à pena capital, talvez para se proceder a melhor estudo da causa, em face do surpreendente testemunho do heróico pregador do Evangelho, que teria deixado os seus juízes perplexos…

 

Aclamação ao Evangelho          Mt 16, 18

 

Monição: O exercício da autoridade de ensinar e de excluir ou introduzir na comunidade eclesial todos os homens, até à consumação dos séculos, foi concedida por Jesus a Pedro, e aos seus sucessores.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS10 (II)

 

Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja

e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 16, 13-19

Naquele tempo, 13Jesus foi para os lados de Cesareia de Filipe e perguntou aos seus discípulos: «Quem dizem os homens que é o Filho do homem?». 14Eles responderam: «Uns dizem que é João Baptista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas». Jesus perguntou: 15«E vós, quem dizeis que Eu sou?». 16Então, Simão Pedro tomou a palavra e disse: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo». 17Jesus respondeu-lhe: «Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus. 18Também Eu te digo: Tu és Pedro sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. 19Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus».

 

O texto da leitura consta de duas partes distintas, mas intimamente ligadas: a confissão de fé de Pedro (vv. 13-16), comum a Marcos 8, 27-30 e a Lucas 9, 18-21 (cf. Jo 6, 67-71), e a promessa feita a Pedro (vv. 17-19), exclusiva de Mateus (cf. Jo 21, 15, 23).

13 «Cesareia de Filipe» era a cidade construída por Filipe, filho de Herodes, o Grande, em honra do César romano, nas faldas do Monte Hermon, a uns 40 quilómetros a Nordeste do Lago de Genesaré.

13-17 «Quem dizem os homens… E vós, quem dizeis que Eu sou?» É uma pergunta que, em face de Jesus – uma pessoa tão singular, surpreendente e apaixonante –, não pode deixar de ser feita em todos os tempos. As respostas podem ser variadas e até contraditórias, mas só uma é a certa, a resposta de Pedro, a resposta esclarecida da fé, resposta que Jesus aprova: «Feliz de ti, Simão» (v. 17). «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo» (v. 16): Messias é a forma hebraica da palavra do texto original grego, Cristo, que quer dizer ungido (os reis eram ungidos com azeite na cabeça ao serem investidos). Jesus é o Rei (ungido) anunciado pelos Profetas e esperado pelo povo. Quando se diz Jesus Cristo é como confessar a mesma fé de Pedro, reconhecer que Jesus é o Cristo, isto é, o Messias, mas num sentido mais denso e profundo, a saber, o Filho de Deus, num sentido que ultrapassa o corrente e que só o dom divino da fé pode fazer descobrir, segundo as palavras de Jesus a Pedro: «Não foram a carne e o sangue que to revelaram» (v. 17). A fé de Pedro, como a nossa, não pode proceder dum mero raciocínio humano, da sagacidade natural, mas da luz, da certeza e da firmeza, que procede da revelação de Deus. «A carne e o sangue» é uma forma semítica de designar o homem enquanto ser débil e exposto ao erro e ao pecado.

18 «Tu és Pedro». É significativo que o texto grego não tenha conservado a palavra aramaica «kêphá», aliás usada noutras passagens do N. T. sem ser traduzida, como é habitual com os patronímicos. Aqui o evangelista teve o cuidado de usar o nome correntemente dado ao Apóstolo Simão: Pedro. É expressivo o trocadilho, com efeito Pedro é a pedra sobre a qual assenta a solidez de toda a Igreja do Senhor. Note-se que o apelido de Pedro = Pedra não existia na época, nem em aramaico (Kêphá), nem em grego (Pétros), nem em latim (Petrus), uma circunstância que reforça o seu significado e originalidade. Além disso, este apelido também não era apto para caracterizar o temperamento ou o carácter do Apóstolo, pois aquilo que distingue a sua personalidade não é precisamente a dureza ou firmeza da pedra, mas antes a debilidade, mobilidade e até inconstância (cf. Mt 14, 28-31; 26, 33-35.69-75; Gal 2, 11-14). Se Jesus assim o chama, é em razão da função ou cargo em que há-de investi-lo.

«Edificarei a minha Igreja». Jesus, ao dizer a minha, significa que tem intenção de fundar algo de novo, uma nova comunidade de Yahwéh. «Ekklêsía» é a tradução grega corrente dos LXX para a designação hebraica da Comunidade de (qehal) Yahwéh, isto é, «o povo escolhido de Deus reunido para o culto de Yahwéh» (cf. Dt 23, 2-4.9). Não é, portanto, a Igreja uma seita dentro do judaísmo, é uma realidade nova e independente. «Jesus pôde dizer minha, porque Ele a salva, Ele a adquire com o seu sangue, Ele a convoca, Ele realiza nela a presença divina, a aliança, o sacrifício». «As portas do inferno não prevalecerão». Esta linguagem tipicamente bíblica (Is 38, 10; Sab 16, 13; cf. Job 38, 17; Salm 9, 14) é uma sinédoque com que se designa a parte pelo todo. Inferno tanto pode designar a destruição e a morte (xeol=inferi=os infernos), como Satanás e os poderes hostis a Deus. Também hoje não é difícil ver como estes poderes hostis à verdadeira Igreja de Cristo mais uma vez se assanharam contra o Papa…

19 «Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus». Os poderes conferidos a Pedro não são para ele vir a exercer no Céu, mas aqui neste mundo, onde a Igreja, o Reino de Deus em começo e em construção, tem de ser edificada. No judaísmo e no Antigo Testamento (cf. Is 22, 22), lidar com as chaves é uma atribuição de quem representa o próprio dono, significa administrar a casa. Ligar-desligar quer dizer tomar decisões com tal autoridade e poder supremo, que serão consideradas válidas por Deus, «nos Céus». É de notar que Jesus diz a todos os Apóstolos esta mesma frase (Mt 18, 18), mas sem que seja tirada qualquer força à autoridade suprema de Pedro, a quem é dado um especial poder de «ligar e desligar» na Igreja, enquanto pedra fundamental e pastor supremo a ser investido após a Ressurreição (Jo 21, 15-17). Este primado de Pedro sobre toda a Igreja – que hoje se designa por ministério petrino – não é conferido apenas à pessoa de Pedro, mas a todos os seus sucessores; com efeito Jesus fala a Pedro na qualidade de chefe duma edificação estável e perene, a Igreja; se o edifício é perene também o será a pedra fundamental. Como recorda o Catecismo da Igreja Católica, nº 882, «o Papa, Bispo de Roma e sucessor de S. Pedro, «é princípio perpétuo e visível, e fundamento da unidade que liga, entre si, todos os bispos com a multidão dos fiéis» (LG 23). Em virtude do seu cargo de vigário de Cristo e pastor de toda a Igreja, o Pontífice romano tem sobre a mesma Igreja um poder pleno, supremo e universal, que pode sempre livremente exercer» (LG 22). Este é um dos pontos cruciais do diálogo ecuménico, que terá uma saída feliz quando todos os que se consideram cristãos compreenderem que o carisma petrino, por vontade de Cristo, é o indispensável instrumento de união e unidade na legítima diversidade.

 

Sugestões para a homilia

 

Pedro e o sentido da unidade

Paulo e a condição principal do Evangelho

Nos dois, a dedicação sem limites à Igreja

Pedro e o sentido da unidade

“Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja...” Jesus referia-se à fé que Pedro n’Ele anunciara. Esta fé institui o fundamento sólido da Igreja, torna-a inexcedível e capaz de vencer as forças adversas. Todos aqueles que, como Pedro, adoptam a fé em Jesus Cristo Filho do Deus vivo, passam a fazer parte deste edifício extraordinariamente sólido que nunca cairá. Nada nem ninguém poderá impedir a Igreja de realizar a sua missão de salvação.

Pedro que acaba de exteriorizar a sua fé em Cristo caracteriza os apóstolos e todos os cristãos que praticam a mesma fé.

Este Apóstolo aparece sempre em primeiro lugar e é aquele que deve certificar a fé dos outros. Isto anuncia que ele é o incumbido de manter a unidade de todos os cristãos nessa mesma fé. Por isso, a Igreja confia no bispo de Roma, sucessor de Pedro, como responsável de preservar a fé em Cristo recomendada por esse apóstolo, a fim de executar tal missão no decurso de todos os tempos.

Temos a obrigação de rejeitar tudo aquilo que não é evangélico no nosso modo de perceber o ministério do Papa e a sua autoridade na Igreja. Devemos ajustar-nos, sobretudo, àquilo que Jesus repetiu tantas vezes e com tanta evidência: «Aquele que for o maior, proceda como se fosse o mais pequeno, e o que governar proceda como o que serve os outros» (Lc 22, 26).

Paulo e a imposição principal do Evangelho

É esta também a óptica de Paulo. Poucos meses antes de morrer, fechado numa prisão de Roma, escreve a Timóteo, seu companheiro de missão, dando-se conta que o seu fim está próximo, faz um balanço de toda a sua vida. Está convencido que, no anúncio do Evangelho, realizou a sua imposição principal como os atletas que participam nas competições desportivas no estádio: consumiu todas as suas forças pela causa justa do anúncio do Evangelho, quando afirma: «Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé».

Está convicto de que Deus lhe dará também a ele, no dia em que for recebido na morada eterna, a coroa da vitória que espera todos aqueles «que aguardaram com amor a sua vinda», isto é, a todos aqueles que, como ele, tenham lutado pela justiça.

Nos dois, a dedicação sem limites à Igreja

Pedro e Paulo apontaram-nos com que abnegação à Igreja, com que qualidade de amor, com que desprendimento e com que coragem deve ser cumprido o ministério do anúncio do Evangelho. São o modelo de lealdade à vocação cristã quando somos confrontados com situações nada fáceis: perante a amargura, o isolamento, o desentendimento, ou a marginalização a que nos possam algemar.

Como nos refere a primeira leitura, quem está a sofrer por causa de Cristo deve demonstrar, como Pedro e Paulo, o seu amor franco e dedicado à Igreja, mesmo quando todos lhe são desfavoráveis. Do seu lado terão sempre o «anjo do Senhor» para os amparar e libertar, como fez com Pedro no momento em que ele mais precisava.

Quando todas as esperanças humanas se esmorecem, tenhamos a certeza que o Senhor interfere para nos salvar.

 

Fala o Santo Padre

 

«Deixai-vos transformar e renovar sempre pelo Evangelho»

 

Hoje celebramos solenemente os Santos Apóstolos Pedro e Paulo, especiais Padroeiros da Igreja de Roma: Pedro, o pescador da Galileia, que "foi o primeiro a professar a fé em Cristo... constituindo a primeira comunidade com os justos de Israel"; Paulo, o ex-perseguidor dos cristãos, "que iluminou as profundidades do mistério... o mestre e doutor, que anunciou a salvação a todos os povos" (cf. Prefácio da Missa hodierna). Numa das suas homilias à comunidade de Roma, o Papa São Leão Magno afirmava: "Estes são os teus Pais e verdadeiros Pastores, que te fundaram para que fosses inserida no reino celeste" (Sermo I in Nat. App. Petri et Pauli, c. I, PL 54, 422). […]

Caros irmãos e irmãs, o Senhor vos abençoe e proteja por intercessão dos Santos Pedro e Paulo! Como vosso pastor, exorto-vos a permanecer fiéis à vocação cristã e a não vos conformar com a mentalidade deste mundo — como escrevia o Apóstolo das nações precisamente aos cristãos de Roma — mas a deixar-vos transformar e renovar sempre pelo Evangelho, para seguir o que é verdadeiramente bom e agradável a Deus (cf. Rm 12, 2). […] Portanto com — as palavras de São Pedro —convido-vos, caros irmãos e irmãs, discípulos de Cristo, a ser "pedras vivas", compactas ao redor daquele que é a "pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus" (cf. 1 Pd 2, 4).[…]

 

Papa Bento XVI, Angelus, 29 de Junho de 2009

 

Oração Universal

 

Oremos a Deus Pai Omnipotente,

por  intermédio de Nosso Senhor Jesus Cristo, aclamando:

 

    Aumentai, Senhor, a nossa fé.

 

Pela santa Igreja fundada sobre Pedro

e presente em toda a terra,

para que, no meio das dificuldades desta vida,

seja fiel  à missão recebida

de anunciar a salvação a todo o mundo,

oremos, irmãos.

 

Pelo Papa, Bispos, Sacerdotes, Diáconos,

religiosos e leigos responsáveis,

para que, à imitação de S. Pedro e S. Paulo,

procurem desenvolver de espírito cristão a nossa sociedade,

oremos, irmãos.

 

Por todos os que, a exemplo de S. Pedro e S. Paulo,

anunciam  o Evangelho de Cristo,

sejam protegidos de todo o mal,

oremos, irmãos.

 

Por todos aqueles que participam desta festividade,

para que o façam com espírito verdadeiramente cristão,

oremos, irmãos.

 

Por todos nós, pelas nossas intenções

e pelas intenções que nos recomendaram,

para que, por intercessão de S. Pedro e S. Paulo,

alcancemos as graças pedidas ao Senhor,

oremos, irmãos.

 

Pela nossa comunidade,

para que viva em paz, harmonia e unidade,

oremos, irmãos.

 

Ouvi, Senhor, as nossas súplicas

e dignai-vos atender os nossos rogos,

por intermédio de Jesus Cristo vosso Filho,

que é Deus convosco,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Tu és Pedro, M. Simões, NRMS 42

 

Oração sobre as oblatas: Fazei, Senhor, que a oração dos santos Apóstolos acompanhe a oferta que trazemos ao vosso altar e nos una intimamente a Vós ao celebrarmos este divino sacrifício. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Prefácio

 

A dupla missão de São Pedro e São Paulo na Igreja

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte.

Vós nos concedeis a alegria de celebrar hoje a festa dos santos apóstolos Pedro e Paulo: Pedro, que foi o primeiro a confessar a fé em Cristo, e Paulo, que a ilustrou com a sua doutrina; Pedro, que estabeleceu a Igreja nascente entre os filhos de Israel, e Paulo, que anunciou o Evangelho a todos os povos; ambos trabalharam, cada um segundo a sua graça, para formar a única família de Cristo; agora, associados na mesma coroa de glória, recebem do povo fiel a mesma veneração.

Por isso, com todos os Anjos e Santos, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: M. Simões, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

Conciliados com Cristo e com todos os irmãos, recebamos o Senhor em comunhão, para que através dela alcancemos a força de unidade expressa por S. Pedro e a combatividade expressa por S. Paulo, na vivência do nosso dia-a-dia.

 

Cântico da Comunhão: Não fostes vós que me escolhestes, Az. Oliveira, NRMS 59

Mt 16, 16.18

Antífona da comunhão: Disse Pedro a Jesus: Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo. Jesus respondeu: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja.

 

Cântico de acção de graças: Senhor, fazei de mim um instrumento, F. da Silva, NRMS 6 (II)

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes com este sacramento, concedei-nos a graça de vivermos de tal modo na vossa Igreja que, assíduos à fracção do pão e ao ensino dos Apóstolos, sejamos um só coração e uma só alma, solidamente enraizados no vosso amor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Correspondamos categoricamente ao apelo que nos foi exposto pelo Senhor nesta celebração da solenidade de S. Pedro e S. Paulo. Com o nosso testemunho fortaleçamos este mundo em que vivemos, a fim de que haja mais justiça, paz e unidade entre todos os povos e nações.

 

Cântico final: Ide por todo o mundo e proclamai, J. Santos, NRMS 59

 

 

Homilias Feriais

 

Sábado, 30-VI: Reconstrução das ruínas.

Lam 2, 2. 10-14. 18-19 / Mt 8, 5-17

A tua ruína é grande como o mar: quem poderá curar-te? Clama de todo o teu coração ao Senhor.

As filhas de Sião e de Jerusalém lamentam-se pela ruína da cidade (Leit.). Podemos fazer o mesmo ao contemplarmos a ruína moral de tantos países do mundo, incluindo o nosso.

O criado do centurião também estava com a saúde arruinada. Cristo era a única esperança e, graças ao pedido do centurião, o homem ficou curado. No mesmo dia, curou a sogra de Pedro e muitos possessos (Ev.). Peçamos com muita fé ao Senhor que cure as doenças da nossa alma e revitalize os bons costumes no mundo inteiro.

 

 

 

Celebração e Homilia:         António Elísio Portela

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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