Imaculado Coração de Maria

16 de Junho de 2012

 

Memória

 

O Evangelho desta memória é próprio.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Senhora do manto lindo, H. Faria, NRMS 103-104

cf. Salmo 12, 6

Antífona de entrada: O meu coração exulta em Deus meu Salvador. Cantarei ao Senhor por tudo o que Ele fez por mim.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O coração de Maria é Imaculado pois pertence à mais santa e autêntica Mulher, a escolhida por Deus para ser a mãe do Redentor.

Não é uma deusa; não é de essência divina; não tem direito a adoração.

Tão santa, tão boa que, quando Deus desceu à terra, a escolheu para ser Sua Mãe e a Mulher do mundo.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que preparastes no coração da Virgem Santa Maria uma digna morada do Espírito Santo, transformai-nos, por sua intercessão, em templos da vossa glória. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Cada um de nós traz no coração a imagem da pessoa amada; encontramos no Antigo Testamento um povo ornado de bênçãos e carinhos de Deus a simbolizar Nossa Senhora, a cheia de graça, que realizará maravilhas.

 

Isaías 61, 9-11

A linhagem do povo de Deus será conhecida entre os povos e a sua descendência no meio das nações. Quantos os virem terão de os reconhecer como linhagem que o Senhor abençoou.

Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus, que me revestiu com as vestes da salvação e me envolveu num manto de justiça, como noivo que cinge a fronte com o diadema e a noiva que se adorna com as suas jóias. Como a terra faz brotar os germes e o jardim germinar as sementes, assim o Senhor Deus fará brotar a justiça e o louvor diante das nações.

 

O Terceiro Isaías (Is 56 – 66) não se cansa de cantar as glórias de Jerusalém, em especial nos capítulos 60 a 64, donde é extraído o trecho da leitura. Jerusalém é uma figura da Igreja e a Liturgia, como acontece frequentemente aplica a Virgem Maria o que se diz da Igreja de quem Ela é Mãe, modelo e tipo (cf. LG 53).

10 «A minha alma rejubila… com as vestes da salvação». O capítulo 61 de Isaías canta as alegrias do regresso do exílio, mas com um profundo sentido messiânico, como consta do discurso de Jesus na sinagoga de Nazaré (cf. Lc 4, 16-22). É por isso que os Padres gostavam de identificar estas «vestes da salvação» com o manto de Sol da Mulher do Apocalipse (cf. Apoc 12, 1): Cristo é o Sol da Justiça que purifica de toda a mancha a sua Mãe desde o primeiro instante da sua concepção (cf. o artigo de Karol Wojtyla na obra colectiva: «Im Gewande des Heils», Essen, 1979).

 

Salmo Responsorial    1 Sam 2, 1.4-5.6-7.8abcd (R. 1a)

 

Monição: Ana, mulher de Elcana, dedica o seu filho a Deus e canta um hino de acção de graças; é um cântico com grandes afinidades com o Magnificat, em que a Virgem louva a Deus em situação semelhante.

 

Refrão:        O meu coração exulta no Senhor, meu Salvador.

 

Exulta o meu coração no Senhor,

no meu Deus se eleva a minha fronte.

Abre-se a minha boca contra os inimigos,

porque me alegro com a vossa salvação.

 

A arma dos fortes foi destruída

e os fracos foram revestidos de força.

Os que viviam na abundância andam em busca de pão

e os que tinham fome foram saciados.

A mulher estéril deu à luz muitos filhos

e a mãe fecunda deixou de conceber.

 

É o Senhor quem dá a morte e dá a vida,

faz-nos descer ao túmulo e de novo nos levanta.

É o Senhor quem despoja e enriquece,

é o Senhor quem humilha e exalta.

 

Levanta do chão os que vivem prostrados,

retira da miséria os indigentes

fá-los sentar entre os príncipes

e destina-lhes um lugar de honra.

 

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Lc 2, 19

 

Monição: Meditar os mistérios da vida de Jesus, todos os seus passos, implica ter presente Nossa Senhora; imitemo-la na guarda e meditação dos mesmos.

 

Aleluia

 

Cântico: F. da Silva, NRMS 50-51

 

Bendita seja a Virgem Santa Maria,

que conservava a palavra de Deus, meditando-a em seu coração.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 2, 41-51

41Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. 42Quando Ele fez doze anos, subiram até lá, como era costume nessa festa. 43Quando eles regressavam, passados os dias festivos, o Menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem. 44Julgando que Ele vinha na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos. 45Não O encontrando, voltaram a Jerusalém, à sua procura. 46Passados três dias, encontraram-no no templo, sentado no meio dos doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. 47Todos aqueles que O ouviam estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas. 48Quando viram Jesus, seus pais ficaram admirados e sua Mãe disse-Lhe: «Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura». 49Jesus respondeu-lhes: «Porque Me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?». 50Mas eles não entenderam as palavras que Jesus lhes disse. 51Jesus desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso. Sua Mãe guardava todos estes acontecimentos em seu coração.

 

Segundo a Mixnáh (Niddáh, V, 6), depois dos 13 anos, o rapaz israelita começava a ser «bar-hamitswáh», «filho-da-lei», isto é, passava ter os deveres e direitos da Lei mosaica, incluindo o dever de peregrinar a Jerusalém, mas os pais piedosos costumavam antecipar um ano ou dois o cumprimento deste dever. Os judeus tinham por hábito deslocar-se em caravanas e em grupos separados de homens e de mulheres, podendo as crianças fazer viagem em qualquer dos grupos; nas paragens do caminho, as famílias reuniam-se. É neste contexto que se desenrola o relato. Para o leitor, a atitude de Jesus de ficar em Jerusalém é deveras surpreendente. Não deveria ter avisado os pais ou outros familiares? Mas também não faz sentido buscar a explicação do episódio relatado numa rebeldia ou na irresponsabilidade dum adolescente – este rapaz é o Filho de Deus! –, embora o relato evangélico possa fornecer luzes aos pais que se deparam com situações similares de filhos perdidos.

A teologia de Lucas talvez nos possa dar alguma pista para a compreensão do episódio narrado, e sem que nos vejamos forçados a ter de o imaginar como mera criação literária do Evangelista. «Jerusalém» não é simplesmente o centro da vida religiosa de Israel. Para os evangelistas, e de modo singular para Lucas, Jerusalém representa o culminar de toda a obra salvadora de Jesus, por ocasião da Páscoa da Paixão, Morte e Ressurreição; é por isso que Lucas, ao pôr em evidência a tensão de Jesus para a sua Paixão, apresenta grande parte do seu ensino «a caminho de Jerusalém» (Lc 9, 51 – 19, 27), onde Jesus tem de padecer para ir para o Pai e entrar na sua glória (cf. Lc 24, 26). A teologia de Lucas não é abstracta e desligada da realidade. Ora a realidade é que Jesus não é apenas «o Mestre», Ele é «o Profeta», e, por isso mesmo, não ensina apenas quando exerce a função de rabi. Em todos os passos da sua vida Ele actua como Profeta, ensinando através do seu agir, mormente através de acções simbólicas de profundo alcance, por vezes bem chocantes. O «Menino perdido» não aparece como um simples menino, é apresentado como um Profeta que realiza uma acção simbólica para proclamar quem é e qual é a sua missão: «Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?». Ele é o Filho de Deus, e tem de cumprir a missão que o Pai lhe confiou, em Jerusalém, ainda que isto lhe custe bem e tenha de fazer sofrer aqueles que mais ama – «aflitos à tua procura» (v. 48). O episódio passa-se em Jerusalém, como prenúncio e paralelo de um sofrimento bem maior, também em Jerusalém. A lição é clara: não se pode realizar plenamente a vontade do Pai do Céu e, ao mesmo tempo, evitar todo o sofrimento próprio e dos seres mais queridos; subir a Jerusalém é subir à Cruz, e subir à Cruz é «elevar-se» ao Céu, também em Jerusalém (cf. Lc 24, 50-51).

41 «Os pais de Jesus. Teu pai» (v. 48). Uma vez que Lucas tinha acabado de falar tão explicitamente da concepção virginal de Jesus, não tem agora qualquer receio de nomear S. José como pai (virginal) do Senhor.

49 «Eu devia estar na Casa de Meu Pai». A tradução de tá toû Patrós mou pode significar tanto «a casa de meu Pai», como «as coisas (assuntos, vontade) de meu Pai». A verdade é que o redactor pode ter querido dar à resposta de Jesus uma certa ambiguidade: «Não sabíeis que Eu tenho de estar nas coisas de meu Pai» (e que, por isso mesmo, me deveria encontrar aqui no Templo)?

50 «Eles não entenderam». A resposta do Menino envolve um sentido muito profundo que ultrapassa uma simples justificação da sua «independência». O Evangelista sublinha que não alcançam ver até onde poderia ir este «estar nas coisas do Pai», mas também deixa ver que não se atrevem a fazer mais perguntas, o que evidencia a sua extrema delicadeza e reverência, ditada por uma profunda fé. E nós estamos postos perante o mistério do ser e da missão de Jesus, perante mais um «sinal» e mais uma «espada» (cf. Lc 2, 34-35).

 

Sugestões para a homilia

 

a)     Anúncio de uma futura alegria impensável

b)    Concretização dos planos da redenção

c)     Coração Imaculado

d)    Jesus e Maria eternamente inseparáveis

 

a) – É maravilhoso que toda a criatura racional, crente ou não crente, saiba que há uma vida a imitar, a conquistar, a indicada por Deus ao seu povo; os valores verdadeiros suportados – os espirituais – a par das contingências territoriais mundanas, podem adquirir-se porque Deus nos possibilita e dá forças e graças para a fidelidade à Sua vontade.

– É bom que os cumpridores sejam reconhecidos, imitados, sirvam de modelo aos espíritos rebeldes, aos que desafinam dos tons da vontade do Amor e graça de Deus.

– Durante vários séculos, o povo de Deus, estudado, visto nas suas infidelidades, perseguições e dispersão, observado nos momentos do cumprimento da aliança com Deus, foi exemplo a seguir e a temer nos bons tempos de paz e bonança oferecidos por Deus protector;

Foi causa de reflexão sobre o destino futuro das almas, e alicerce preparatório da grande construção do edifício de salvação a ser levantado pelo Messias na plenitude dos tempos.

– Por isso se canta Jerusalém (a Igreja e a sua liturgia), Jesus Cristo como Sol da justiça que virá purificar o mundo das manchas do mal; assim possibilita a alegria esperançosa da eterna felicidade e paz.

 

b) Todo o coração é uma síntese global da personalidade nos seus contornos físicos e psicológicos; retrata e é a fonte de todos os sentimentos e acções como frutos da grande árvore – o coração – que os exibe para com o seu semelhante, para com as criaturas e, sobretudo, para com Deus.

As boas acções são os saborosos frutos que nos indicam o quilate de bondade dos corações – pessoas de bom coração.

Se de um arcanjo se diz «quem como Deus», da Mãe de Deus podemos lançar o desafio: «quem como o Coração Imaculado de Maria»?

Não existem referências bíblicas, da Tradição, dos Santos Padres, das aparições de Maria que não expressem o cumprimento da vontade de Deus, no pensar, nas palavras, obras, em todos os actos, nas relações com a criação, no cumprimento das verdades reveladas e ensinamentos, por parte da Mãe de Deus.

 

c) O coração bondoso sabe agir horizontal e verticalmente, dobrar os joelhos e cativar as mãos, em obediência às solicitações e inspirações espirituais.

Referimos o seu Coração Imaculado:

no oferecimento das obras do dia,

nas invocações da ladainha, nos cânticos litúrgicos, em jaculatórias,

em nome de fundações religiosas,

em monumentos (Santa Maria da Vitória),

em festividades em honra da Senhora da Vitória (Lepanto).

De facto ela disse: «Por fim o meu Coração Imaculado triunfará»:

No coração de Maria temos um amor ao mesmo tempo criado, resgatado e co-redentor, humano e sobrenatural, imaculado e virginal.

 

d) Há um amor materno e glorificado relativamente às Pessoas divinas, angélicas e humanas, com todas as virtudes, adquiridas, e infusas, todos os carismas e dons da mãe de Deus.

O melhor meio para compreendermos o coração de Maria é começarmos por Cristo, Filho de Deus vivo. Quanto menos n’Ele pensarmos, menos pensamos nela; quanto mais n’Ele pensarmos, mais pensamos nela, quanto mais adoramos a Divindade d’Ele mais veneramos o coração da Mãe;

Ninguém ama verdadeiramente a Cristo, como Divino Salvador, sem amar o Coração Imaculado de Maria.

“Coração Imaculado de Maria sede a nossa Salvação”

 

 

 

 

Oração Universal

 

 

Elevemos irmãos as nossas súplicas ao Pai

por intermédio da sempre Virgem Maria,

nossa medianeira, advogada e Mãe.

Digamos:

Por intercessão de Maria, ouvi-nos Senhor.

 

1.     Para que a Santa Igreja, Esposa de Cristo,

conserve a firmeza da fé, a alegria da esperança

e o ardor da caridade no meio das angústias do mundo,

oremos irmãos.

Por intercessão de Maria ouvi-nos Senhor.

 

2.     Para que as nações, os povos e todos os homens

se acolham ao amor materno do Imaculado Coração de Maria,

oremos irmãos.

Por intercessão de Maria, ouvi-nos Senhor.

 

3.     Pelos jovens e pelos adolescentes,

para que à imitação da Virgem Imaculada,

guardem a palavra de Deus no seu coração

e sigam fielmente a pureza da sua vida,

com entusiasmo e alegria, oremos irmãos.

Por intercessão de Maria, ouvi-nos Senhor.

 

4.     Para que todos quantos choram neste vale de lágrimas

sintam a protecção de Maria, nossa Mãe,

e se vejam livres das suas angústias e penas,

oremos irmãos.

Por intercessão de Maria, ouvi-nos Senhor.

 

5.     Por todos nós aqui reunidos,

para que tenhamos sempre a preocupação,

de saber aquilo que Nossa Senhora quer de nós

para o realizarmos com prontidão de filhos, oremos irmãos.

Por intercessão de Maria, ouvi-nos Senhor.

 

Ouvi, Deus de misericórdia, as orações do Vosso povo que Vo-las apresenta pelas mãos de Maria, Mães de Vosso Filho, o qual é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Bendito sejais, Senhor nosso Deus, Az. Oliveira, NRMS 93

 

Oração sobre as oblatas: Ouvi, Senhor, as orações dos vossos fiéis e aceitai os dons que Vos oferecemos, ao celebrar a memória da Virgem Mãe de Deus, para que esta oblação Vos seja agradável e nos obtenha o auxílio da vossa misericórdia. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio de Nossa Senhora I [e na veneração] p. 486 [644-756] ou II p. 487

 

Santo: Santo, F da Silva, NRMS 99-100

 

Monição da Comunhão

 

Que Nossa Senhora do SS. Sacramento nos auxilie a preparar, diariamente, a nossa comunhão em amor e graça.

 

Cântico da Comunhão: Saboreai como é bom, M. Carneiro, NRMS 93

Lc 2, 19

Antífona da comunhão: Maria guardava todas estas palavras, meditando-as em seu coração.

 

Cântico de acção de graças: Alegres Jubilosos, F. da Silva, NRMS 10 (II)

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos fizestes participar no sacramento da redenção eterna, concedei que, ao celebrarmos a memória da Mãe do vosso Filho, nos alegremos com a plenitude da vossa graça e sintamos crescer continuamente em nós os frutos de salvação. Por Nosso Senhor ...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Regressemos a nossas casas e que nossas funções de cada dia sejam peças de um rosário que agrade ao Imaculado Coração de Maria.

 

Cântico final: Coração Imaculado da Virgem, M. Faria, NRMS 33-34

 

 

 

Celebração e Homilia:         Ferreira de Sousa

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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