Solenidade da Santíssima Trindade

3 de Junho de 2012

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Ao Senhor do Universo, F. da Silva, NRMS 8 (II)

 

Antífona de entrada: Bendito seja Deus Pai, bendito o Filho Unigénito, bendito o Espírito Santo, pela sua infinita misericórdia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A solidão é um peso que oprime um grande número de pessoas de todas as idades, nos nossos dias. Cria a insegurança e mergulha as suas vítimas na tristeza, e pode fechá-las no egoísmo ou em atitudes anti-sociais.

Os excluídos do convívio humano, isolados de tudo e de todos, não são apenas os idosos e os doentes. São já a crianças abandonadas pela família, os jovens de ambos os sexos que se deixam encerrar nas malhas do vício e até as pessoas em certos meios de trabalho.

Deus comunidade de Três Pessoas na Verdade e no Amor, oferece-nos o remédio contra esta solidão e ajuda-nos a vencê-la, chamando-nos a uma vida eterna que será comunhão com o Pai e o Filho e o Espírito Santo e há-de ser experimentada já na terra.

 

Acto penitencial

 

Fugindo desta comunhão, somos tentados ao isolamento, caindo na solidão interior pelo pecado. Fechamo-nos no egoísmo e na sensualidade, separando-nos da vida dos outros.

Reconheçamos os nossos pecados, arrependamo-nos desta fuga à vontade de Deus e prometamos emenda de vida, com a Sua ajuda.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Para a crueldade com que abandonamos à solidão

    as pessoas doentes e idosas das nossas relações,

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•  Para o abandono da oração e dos sacramentos

    deixando-nos cair na solidão e no desânimo,

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Para os nossos pecados cometidos em cada dia

    que facilmente nos condenam na solidão interior,

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus Pai, que revelastes aos homens o vosso admirável mistério, enviando ao mundo a Palavra da verdade e o Espírito da santidade, concedei-nos que, na profissão da verdadeira fé, reconheçamos a glória da eterna Trindade e adoremos a Unidade na sua omnipotência. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Senhor revela-se-nos como o Deus da relação, empenhado em estabelecer comunhão e familiaridade com o seu Povo. É um Deus que vem ao encontro dos homens, que lhes fala, que lhes indica os caminhos seguros da liberdade e da vida, que está permanentemente atento aos nossos problemas, e que intervém no mundo para nos libertar de tudo aquilo que nos oprime e para nos oferecer horizontes de vida plena e verdadeira, em comunhão com Ele e uns com os outros.

 

 

Deuteronómio 4, 32-34.39-40

Moisés falou ao povo, dizendo: 32«Interroga os tempos antigos que te precederam, desde o dia em que Deus criou o homem sobre a terra. Dum extremo ao outro dos céus, sucedeu alguma vez coisa tão prodigiosa? Ouviu-se porventura palavra semelhante? 33Que povo escutou como tu a voz de Deus a falar do meio do fogo e continuou a viver? 34Qual foi o deus que formou para si uma nação no seio de outra nação, por meio de provas, sinais, prodígios e combates, com mão forte e braço estendido, juntamente com tremendas maravilhas, como fez por vós o Senhor vosso Deus no Egipto, diante dos vossos olhos? 39Considera hoje e medita em teu coração que o Senhor é o único Deus, no alto dos céus e cá em baixo na terra, e não há outro. 40Cumprirás as suas leis e os seus mandamentos, que hoje te prescrevo, para seres feliz, tu e os teus filhos depois de ti, e tenhas longa vida na terra que o Senhor teu Deus te vai dar para sempre».

 

Terá presidido à escolha deste texto para este dia, a preocupação de, por um lado, pôr em evidência que o mistério da Trindade divina em nada fere a sua indivisível unidade: «o Senhor é o único Deus… e não há outro» (v. 39), e, por outro, abrir-nos para a consideração de que Deus não é um mero princípio explicativo do que existe, uma força cega, mas um ser pessoal – «o Senhor teu Deus» – um pai providente, que fez pelo seu povo «tremendas maravilhas» (v. 34). A leitura é tirada da 2ª parte do 1.° discurso de Moisés, nas estepes de Moab, que aqui atinge o seu ponto culminante ao exaltar, em estilo oratório e comovente, o incomparável amor de Deus para com o seu Povo. Mas Ele não aparece como um Deus, cool (fixe), para quem tudo está sempre bem, pelo contrário, como um verdadeiro pai, que quer ver os seus filhos felizes, por isso lhes recorda como é indispensável «cumprir as suas leis e os seus mandamentos» (v. 40). Esta é uma daquelas passagens, fervorosas e ardentes, que vieram a moldar a alma do piedoso israelita.

 

Salmo Responsorial     Sl 32 (33), 4-5.6.9.18.19.20.22 (R. 12b)

 

Monição: O Espírito Santo convida-nos a entoar um hino de louvor ao nosso Deus criador e providente.

Está continuamente atento aos nossos problemas. Por isso, confiamos n’Ele, e esperamos que a Sua bondade venha sobre nós.

 

Refrão:        Feliz o povo que o Senhor escolheu para sua herança.

                    

A palavra do Senhor é recta,

da fidelidade nascem as suas obras.

Ele ama a justiça e a rectidão:

a terra está cheia da bondade do Senhor.

 

A palavra do Senhor criou os céus,

o sopro da sua boca os adornou.

Ele disse e tudo foi feito,

Ele mandou e tudo foi criado.

 

Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem,

para os que esperam na sua bondade,

para libertar da morte as suas almas

e os alimentar no tempo da fome.

 

A nossa alma espera o Senhor:

Ele é o nosso amparo e protector.

Venha sobre nós a vossa bondade,

porque em Vós esperamos, Senhor.

 

Segunda Leitura

 

Monição: O Deus em quem acreditamos – diz-nos S. Paulo, na Carta aos fiéis de Roma – não é um Deus distante e inacessível, que se tivesse demitido do seu papel de Criador e que assistisse com indiferença e impassibilidade aos dramas dos homens.

Mas é um Deus que acompanha com Amor a caminhada da humanidade e que não desiste de oferecer aos homens a vida plena e definitiva.

 

Romanos 8, 14-17

Irmãos: 14Todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. 15Vós não recebestes um espírito de escravidão para recair no temor, mas o Espírito de adopção filial, pelo qual exclamamos: «Abba, Pai». 16O próprio Espírito dá testemunho, em união com o nosso espírito, de que somos filhos de Deus. 17Se somos filhos, também somos herdeiros, herdeiros de Deus e herdeiros com Cristo; se sofrermos com Ele, também com Ele seremos glorificados.

 

Esta belíssima passagem põe em relação com as três Pessoas divinas a nossa vida cristã, que é uma vida trinitária. Pela obra redentora de «Cristo» – o Filho (v. 17) –, recebemos o «Espírito Santo» que se une ao nosso espírito (v. 16) e que nos põe em relação com o «Pai», levando-nos a bradar: «Abbá, ó Pai!» (v. 15). Esta filiação adoptiva, põe-nos em relação com cada uma das Pessoas divinas. Tem-se discutido muito sobre o sentido desta repetição: Abbá, ó Pai!; parece não se tratar de uma simples tradução do próprio termo arameu usado pelo Senhor, mas antes de uma filial explosão de piedosa ternura para com Deus – Pai Nosso! –, uma espécie de jaculatória pessoal, correspondente à exclamação: «ó Pai, Tu que és Pai!» (M. J. Lagrange).

 

Aclamação ao Evangelho          cf. Ap 1, 8

 

Monição: Jesus fala-nos, no Evangelho, da comunidade de Verdade e de Amor do Pai e do Filho e do Espírito Santo e à qual somos chamados a pertencer.

Alegremo-nos com a Boa Nova da Salvação e aclamemos o Evangelho que no-la anuncia.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4,F. Silva, NRMS 50-51

 

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,

ao Deus que é, que era e que há-de vir.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 28, 16-20

16Naquele tempo, os onze discípulos partiram para a Galileia, em direcção ao monte que Jesus lhes indicara. 17Quando O viram, adoraram-n'O; mas alguns ainda duvidaram. 18Jesus aproximou-Se e disse-lhes: «Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra. 19Ide e fazei discípulos de todas as nações, baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, 20ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei. Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos».

 

Estamos perante o final, sóbrio mas solene de Mateus, que condensa todo o seu Evangelho num tríptico deveras paradigmático. Assim, temos: no v. 18 Jesus ressuscitado, como o Pantokrátor – «todo o poder me foi dado no Céu e na Terra!» –; no v. 17, temos a Igreja nascente que O reconhece como Senhor, apesar da vacilação de alguns – «adoraram-no, mas alguns ainda duvidaram» –; nos vv. 19-20 está a sua Igreja em missão – «ide… até ao fim dos tempos». Ao mesmo tempo, o Evangelista introduz-nos numa visão holística e cósmica da história da salvação centrada em Cristo (cf. Ef 1, 10.23; 3, 9; Filp 3, 21; Col 1, 16.17.18.20; 3, 11), projectada para todo o Universo na abrangência dos quatro pontos cardeais, através do recurso à quádrupla repetição da palavra todo:» todo o poder» (v. 18), «todas as nações» (v. 19), «tudo o que vos mandei» (v. 20a), «todos os dias» (v. 20b), que a tradução litúrgica traduziu por «sempre», empobrecendo assim a força expressiva do texto.  

16 «O monte que Jesus lhes indicara», na Galileia, mas sem mais precisão. Há quem queira ver esta aparição como a referida por S. Paulo a mais de 500 irmãos (1 Cor 15, 6).

19-20 «Baptizando… em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo». Em nome de não significa em vez de, mas, tendo em conta o sentido dinâmico da preposição grega eis, trata-se de ser baptizado para Deus; tenha-se em conta que o nome não é um simples apelativo, mas um hebraísmo que designa o próprio ser de alguém. Sendo assim, as palavras da forma do Baptismo sugerem a substância cristã deste Sacramento, a saber, ficar radicalmente dedicado para Deus, a fim de, em todas as circunstâncias da vida, Lhe dar glória (é o chamado sacerdócio baptismal comum de todos os fiéis: LG 10; cf. 1 Pe 2, 4-10). A fórmula encerra a referência mais explícita ao mistério da própria vida de Deus, o mistério da SS. Trindade: a unidade de natureza é sugerida pelo singular – em nome, não nos nomes –, e a distinção de hipóstases (não se trata de pessoas como indivíduos ou realidades separadas e autónomas!), pela indicação de cada uma delas como realmente distintas, pois para cada uma se usa o artigo grego: «em nome de o Pai e de o Filho e de o Espírito Santo». Por outro lado, a proposição de parece corresponder à tradução de um genitivo epexegético (à maneira dum aposto), o que nos leva a entender a fórmula assim: baptizando… para (dedicar a) Deus, que é Pai e Filho e Espírito Santo.

20 «Eu estou convosco, todos os dias, até ao fim dos tempos». Podemos ver todo o Evangelho de Mateus marcado por uma inclusão: Mt 1, 23 – «Deus connosco» – e Mt 28, 20 – «estou sempre convosco» –. Jesus garante a assistência contínua e a indefectibilidade à sua Igreja. A História da Igreja é a melhor confirmação destas palavras de Jesus; mas Ele não prometeu que não haveria crises na sua Igreja – as provocadas quer por perseguições, quer pelo mau comportamento dos seus filhos –, mas sim que todas estas seriam seguramente superadas.

 

Sugestões para a homilia

 

• Deus vence as nossas solidões

Deus quer viver em familiaridade connosco

Nunca estamos sós

Deus vence a nossa solidão

• Ele chama-nos comunhão de Verdade e de Amor

Deus faz-nos companhia na terra

Demos a conhecer aos homens o mistério da Trindade

Vivamos na intimidade com Deus

 

1. Deus vence as nossas solidões

Junto ao Monte Sinai, depois da promulgação das duas Tábuas da Lei, Moisés fala ao Povo de Deus sobre a riqueza da sua vocação de Povo do Senhor e exorta-o à fidelidade.

 

a) Deus quer viver em familiaridade connosco. «Que povo escutou como tu a voz de Deus a falar do meio do fogo e continuou a viver?»

«Quem é Deus? Como é Ele? Qual a sua relação com os homens? O Deus em quem acreditamos é um Deus sensível aos problemas dos homens e que Se preocupa em percorrer com eles um caminho de amor e de relação, ou é um Deus insensível e distante, que olha com enfado e indiferença o caminho que percorremos e que Se recusa a sujar as mãos com a nossa humanidade? Trata-se de um Deus capaz de amar os homens e de aceitar, com misericórdia, as nossas falhas, ou de um Deus intolerante, duro e insensível, que castiga sem piedade qualquer deslize do homem? A Solenidade da Santíssima Trindade é, antes de mais, um convite a descobrir o verdadeiro rosto de Deus.» (Dehonianos).

A fé ensina-nos que Deus é uma comunidade de Três Pessoas e um só Deus verdadeiro e nos chama à comunhão com Ele, nesta vida e para sempre, no Céu.

Participamos da vida de Deus na terra, pela graça santificante recebida no Baptismo e recuperada – todas as vezes que for preciso, no Sacramento da Reconciliação e Penitência –, e somos chamados a viver em comunhão com a Santíssima Trindade, para sempre, no Céu.

É esta a nossa Esperança. Por isso, este tempo comum, normalmente com paramentos verdades, mostra-nos o prémio, a meta do nosso caminho, para nos animar a seguir sem desânimo.

As pessoas que perderam a fé ou que nunca a tiveram, vivem como se Deus não existisse e nada mais houvesse depois desta vida. Querem reduzir-nos à condição de animais, para quem tudo acaba com a morte.

Mesmo que houvesse dúvida – não há, porque a vida eternal é uma verdade de fé – eles estariam num risco maior.

 

b) Nunca estamos sós. «Considera hoje e medita no teu coração que o Senhor é o único Deus, no alto dos céus e cá em baixo na terra, e não há outro.»

Desde o Baptismo que fomos constituídos templos de Deus, Tabernáculos da Santíssima Trindade. É por isso que a Igreja trata com todo o respeito e profundo carinho o corpo humano, mesmo já inanimado.

Deus habita em nós, de modo que, se quisermos, nunca nos encontramos na solidão, porque Ele está connosco para dialogar e nos dar ajuda. (Dehonianos).

(Um dos 30 sacerdotes recém ordenados para a Prelatura Opus Dei foi parado na rua por uma pessoa que lhe perguntou: “É verdade que S. Josemaria, fundador da Obra, falava com Deus quando queria?” O sacerdote teve de a esclarecer que todos nós podemos falar com Deus em qualquer momento pela oração, porque Ele vive em nós.

Ele mesmo dizia numa tertúlia de sacerdotes, em determinada altura: “Hoje fala-se muito da solidão do sacerdote… Só está só quem quer, porque, pela oração, podemos estar em diálogo com o melhor dos amigos.)

Muitas pessoas metem-se no ruído e agitação, porque têm medo de se encontrarem face a face com Ele, para conhecer a verdade das suas vidas.

«Por vezes, ao longo da nossa caminhada pela vida, sentimo-nos sós e perdidos, afogados nas nossas dúvidas, misérias e dramas, assustados e inquietos face ao rumo que a história segue... Mas a certeza da presença amorosa, salvadora e reconfortante de Deus deve ser uma luz de esperança que ilumina o nosso caminho e que nos permite encarar cada passo da nossa existência com alegria e serenidade.» (Dehonianos).

 

c) Deus vence a nossa solidão. «Cumprirás as suas leis e os seus mandamentos, que hoje te prescrevo, para seres feliz, tu e os teus filhos depois de ti [...].»

Para estarmos em comunhão com Deus, temos de fazer um esforço para viver na Sua graça... e este não existe, se não cumprimos os Mandamentos.

S. Paulo fala-nos desta vocação admirável que recebemos: «Todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Vós não recebestes um espírito de escravidão para recair no temor, mas o Espírito de adopção filial, pelo qual exclamamos: “Abba, Pai”.» (Rom. 15).

Trazemos connosco a Santíssima Trindade que nos convida a um diálogo contínuo. Jesus Cristo fala em nós ao Pai com gemidos inenarráveis.

Muitas vezes, as pessoas que se encontram connosco tentam arrastar-nos para a infelicidade; ou então, mesmo quando têm boa vontade, não conseguem dar resposta a todas as nossas dúvidas nem resolver os nossos problemas. Deus pode, porque é omnipotente, a sabedoria e bondade infinitas.

As Três Pessoas da Santíssima Trindade são as nossas companheiras, de dia e de noite. Basta que nos recolhamos um momento no silêncio, para podermos falar com Elas.

Temos a certeza de que não as perturbamos, como acontece com as pessoas da terra, porque somos chamados à intimidade com elas, a partir da vida da terra e por toda a eternidade no Céu.

Por isso, cantamos: “Feliz o povo que o Senhor escolheu para sua herança.” (Salmo responsorial).

2. Ele chama-nos comunhão de Verdade e de Amor

O Evangelho fala-nos do Testamento de Jesus, nos últimos momentos antes de subir gloriosamente ao Céu.

 

a) Deus faz-nos companhia na terra. «Quando O viram, adoraram-n’O; mas alguns ainda duvidaram.»

Cerca de quinhentos discípulos estão à volta de Cristo glorioso no Monte das Oliveiras, perto de Jerusalém, momentos antes de Ele subir ao Céu.

A Ressurreição do Senhor é uma verdade tão assombrosa que alguns ainda pensam: “Isto é demasiado bom e belo para ser verdade!” Então Ele anima-os a viver da fé. Vai, mas fica connosco.

Nunca em toda a história das religiões da antiguidade os homens foram capazes de imaginar esta familiaridade com Deus que Ele nos revela.

Chama-nos à comunhão com Ele, mas quer ajudar-nos a viver esta comunhão já na terra. Ás vezes custa-nos fazer oração e distraímo-nos, porque apenas queremos pensar no sentido das palavras e não encontrarmo-nos em dialogo com Deus, face a face.

 

b) Demos a conhecer aos homens o mistério da Trindade. «Ide e fazei discípulos de todas as nações, baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei

A Santíssima Trindade é o mistério central da nossa fé: um só Deus em Três Pessoas distintas – o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Com a pedagogia do melhor dos pais, Deus revela-nos tudo e só o que é necessário para crer, orar e celebrar a nossa salvação.

«A celebração da Solenidade da Trindade não pode ser a tentativa de compreender e decifrar essa estranha charada de “um em três”. Mas deve ser, sobretudo, a contemplação de um Deus que é amor e que é, portanto, comunidade. Dizer que há três pessoas em Deus, como há três pessoas numa família – pai, mãe e filho – é afirmar três deuses e é negar a fé; inversamente, dizer que o Pai, o Filho e o Espírito são três formas diferentes de apresentar o mesmo Deus, como três fotografias do mesmo rosto, é negar a distinção das três pessoas e é também negar a fé. A natureza divina de um Deus amor, de um Deus família, de um Deus comunidade, expressa-se na nossa linguagem imperfeita das três pessoas. O Deus família torna-Se trindade de pessoas distintas, porém unidas. Chegados aqui, temos de parar, porque a nossa linguagem finita e humana não consegue “dizer” o indizível, não consegue definir cabalmente o mistério de Deus.» (Dehonianos).

 

c) Vivamos na intimidade com Deus. «Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos

Onde está uma Pessoa estão as Três, porque não há possibilidade de separação, de isolamento uma das outras.

Quis Deus que na mensagem de Fátima houvesse uma referência muito clara ao mistério da Santíssima Trindade: começa com ele, na Loca do cabeço, quando o Anjo de Portugal aparece aos Pastorinhos em 1916. Convida-os a adorar profundamente a Santíssima Trindade, a reparar os ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Deus é ofendido no Santíssimo Sacramento.

Em Tuy, na Galiza, quando se encontrava no convento de Santa Doroteia em adoração na capela, tem, sobre o altar, a visão deste mistério. A envolvê-lo aparecem duas palavras: Graça e Misericórdia.”

S. Pedro dizia ao paralítico à porta do templo de Jerusalém: “ Não tenha prata nem ouro... em Nome de Jesus levanta-te e caminha!”

A todos os paralíticos e demais doentes na vida espiritual que encontrarmos, ofereçamos-lhes a cura, ensinando-lhes esta verdade consoladora da nossa fé: um Deus que quer chegar á familiaridade connosco.

Ninguém, como Nossa Senhora, viveu e vive numa intimidade tão grande com a Trindade Beatíssima como Ela. É Filha de Deus Pai; Mãe de Deus Filho; Esposa, Templo e Sacrário do espírito Santo. Que Ela nos ensine e ajude a crescer nesta intimidade.

 

Fala o Santo Padre

 

«Deus é tudo e somente amor, amor puríssimo, infinito e eterno»

 

Depois do tempo pascal, culminado na festa de Pentecostes, a liturgia prevê estas três solenidades do Senhor:  hoje, a Santíssima Trindade; na próxima quinta-feira, Corpus Christi que, em muitos países entre os quais a Itália, será celebrada no próximo domingo; e finalmente, na sexta-feira sucessiva, a festa do Sagrado Coração de Jesus. Cada uma destas celebrações litúrgicas evidencia uma perspectiva a partir da qual se abrange todo o mistério da fé cristã:  ou seja, respectivamente a realidade de Deus Uno e Trino, o Sacramento da Eucaristia e o centro divino-humano da Pessoa de Cristo. Na verdade são aspectos do único mistério da salvação, que num certo sentido resumem todo o itinerário da revelação de Jesus, da encarnação à morte e ressurreição até à ascensão e ao dom do Espírito Santo.

No dia de hoje contemplamos a Santíssima Trindade, do modo como Jesus no-la fez conhecer. Ele revelou-nos que Deus é amor, "não na unidade de uma única pessoa, mas na Trindade de uma só substância" (Prefácio):  é Criador e Pai misericordioso; é Filho Unigénito, eterna Sabedoria encarnada, morto e ressuscitado por nós; é, finalmente, Espírito Santo que tudo move, cosmos e história, rumo à plena recapitulação final. Três Pessoas que são um só Deus, porque o Pai é amor, o Filho é amor e o Espírito é amor. Deus é tudo e somente amor, amor puríssimo, infinito e eterno. Não vive numa solidão maravilhosa, mas é sobretudo fonte inesgotável de vida que se doa e se comunica incessantemente. Em certa medida podemos intuí-lo, observando quer o macro-universo:  a nossa terra, os planetas, as estrelas e as galáxias; quer o micro-universo:  as células, os átomos e as partículas elementares. Em tudo o que existe está num certo sentido gravado o "nome" da Santíssima Trindade, porque todo o ser, até às últimas partículas, é um ser em relação, e assim transparece o Deus-relação, transparece por fim o Amor criador. Tudo deriva do amor, tende para o amor e se move impelido pelo amor, naturalmente com diferentes graus de consciência e de liberdade. "Ó Senhor, nosso Deus / como é admirável o vosso nome em toda a terra" (Sl 8, 2), –  exclama o salmista. Falando de "nome" a Bíblia indica o próprio Deus, a sua identidade mais verdadeira; identidade que resplandece sobre toda a criação, onde cada ser, pelo próprio facto de existir e pelo "tecido" de que é feito, faz referência a um Princípio transcendente, à Vida eterna e infinita que se doa, em síntese, ao Amor. "É nele – disse São Paulo no Areópago de Atenas – que realmente vivemos, nos movemos e existimos" (Act 17, 28). A prova mais forte de que fomos criados à imagem da Trindade é esta:  somente o amor nos torna felizes, porque vivemos em relação, e vivemos para amar e ser amados. Utilizando uma analogia sugerida pela biologia, diríamos que o ser humano traz no seu "genoma" o vestígio profundo da Trindade, de Deus-Amor. […]

 

Papa Bento XVI, Angelus , Praça de São Pedro, 7 de Junho de 2009

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Neste dia em celebramos um só Deus em Três Pessoas,

adoremo-l’O e desgravemo-l’O dos nossos pecados,

e apresentemos-Lhe com toda a intimidade as necessidades

da Santa Igreja, de todo o mundo e de cada um de nós.

Oremos (cantando) com filial confiança:

 

    Para sempre, glória à Santíssima Trindade!

 

1. Para que o Santo Padre e demais pastores da santa Igreja

    nos preparem, nesta vida da terra, para uma eternidade feliz,

    oremos, irmãos.

 

    Para sempre, glória à Santíssima Trindade!

 

2. Para que todas as pessoas tomem consciência e vivam

    a infinita dignidade de templos, filhos e íntimos de Deus,

    oremos, irmãos.

 

    Para sempre, glória à Santíssima Trindade!

 

3. Para que todas as nossas famílias se esforcem por viver

    à imagem da Santíssima Trindade, na Verdade e no Amor,

    oremos, irmãos.

 

    Para sempre, glória à Santíssima Trindade!

 

4. Para que todos nós, que aqui celebramos esta Eucaristia,

    nos empenhemos por viver em graça e Templos de Deus,

    oremos, irmãos.

 

    Para sempre, glória à Santíssima Trindade!

 

5. Para que todos aqueles que sentem o peso da solidão

    compreendam que Deus Trino mora nos seus corações,

    oremos, irmãos.

 

    Para sempre, glória à Santíssima Trindade!

 

6. Para que todas as pessoas que partiram desta vida terrena

    contemplem quanto antes a glória da Santíssima Trindade,

    oremos, irmãos.

 

    Para sempre, glória à Santíssima Trindade!

 

Senhor, que fazeis da nossa vida na terra

uma comunhão que nos prepara para o Céu:

ajudai-nos a viver com fidelidade e Amor

a nossa vocação de filhos muito amados de Deus,

para alcançarmos a intimidade convosco para sempre.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

Na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Foi para nos elevar à Sua divina altura que o Senhor se rebaixou até à nossa pequenez e indignidade.

Para o fazer, desceu até se nos apresentar como alimento sob as aparências de pão e vinho.

Depois de nos ter falado, na Liturgia da Palavra, do mistério admirável a Santíssima Trindade, o Senhor vai agora transubstanciar os nossos dons em alimento divino para nós.

 

Cântico do ofertório: Seja bendito e louvado, F. da Silva, NRMS 22

 

Oração sobre as oblatas: Santificai, Senhor, os dons sobre os quais invocamos o vosso santo nome e, por este divino sacramento, fazei de nós mesmos uma oblação eterna para vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Prefácio

 

O mistério da Santíssima Trindade

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte:

Com o vosso Filho Unigénito e o Espírito santo, sois um só Deus, um só Senhor, não na unidade de uma só pessoa, mas na trindade de uma só natureza. Tudo quanto revelastes acerca da vossa glória, nós o acreditamos também, sem diferença alguma, do vosso Filho e do Espírito Santo. Professando a nossa fé na verdadeira e sempiterna divindade, adoramos as três Pessoas distintas, a sua essência única e a sua igual majestade.

Por isso Vos louvam os Anjos e os Arcanjos, os Querubins e os Serafins, que Vos aclamam sem cessar, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Saudação da Paz

 

Sem a comunhão com a Santíssima Trindade, pela graça, e com os irmãos, por uma caridade sem fingimento, não há verdadeira paz.

Desejemo-nos uns aos outros a paz que Jesus Cristo nos veio oferecer, pelo mistério da Incarnação.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Se estamos preparados, isto é, na graça de Deus, recebida do Baptismo e recuperada por uma confissão bem feita; sabemos e estamos recolhidos, pensando, recolhidos, que vamos receber o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, aproximemo-nos reverentemente da Santíssima Eucaristia.

E quando tivermos Jesus Cristo em nós, podemos rezar-lhe, recolhidos, a oração que o Anjo de Portugal ensinou aos Pastorinhos de Fátima. 

 

Cântico da Comunhão: Senhor, eu creio que sois Cristo, F. da Silva, NRMS 67

cf. Gal 4, 6

Antífona da comunhão: Porque somos filhos de Deus, Ele enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: Abba, Pai.

 

Cântico de acção de graças: Nós Vos louvamos, ó Deus - Te Deum, M. Faria, NRMS 8 (I)

 

Oração depois da comunhão: Ao professarmos a nossa fé na Trindade Santíssima e na sua indivisível Unidade, concedei-nos, Senhor nosso Deus, que a participação neste divino sacramento nos alcance a saúde do corpo e da alma. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Agradeçamos ao Senhor este mistério admirável da Santíssima Trindade que Ele nos revelou e a Igreja nos ensina.

Cumpramos o Testamento de Jesus Cristo, ensinando aos nossos amigos tudo o que Ele nos mandou.

 

Cântico final: Com a benção do Pai, J. Santos, NRMS 38

 

 

Homilias Feriais

 

9ª SEMANA

 

2ª Feira, 4-VI: A Eucaristia, pedra angular da nossa vida.

2 Ped 1, 2-7 / Mc 12, 1-12

(Os agricultores): Este é o herdeiro: Vamos matá-lo e a herança será nossa.

Com esta parábola dos agricultores homicidas (Ev.), Jesus resume a história da salvação. Aquele que foi rejeitado transformou-se na «pedra angular» (Ev.) de todas as construções. Apoiados nele queremos construir a nossa vida.

Ele tornou-nos participantes da «natureza divina» (Leit.) e, através da Eucaristia e da espiritualidade eucarística, é a pedra angular da nossa vida: «A Eucaristia é Cristo que se dá a nós, edificando-nos continuamente como seu corpo» (Sacramento da caridade, 14).

 

3ª Feira, 5-VI: Os novos céus e a nova terra.

2 Ped 3, 12-15, 17-18 / Mc 12, 13-17

Mas, de acordo com a promessa dele, nós esperamos novos céus e uma nova terra, nas quais habitará a justiça.

«A esta misteriosa renovação, que há-de transformar a humanidade e o mundo, a S. Escritura chama ‘os novos céus a nova terra’ (Leit.). Será a realização definitiva do desígnio divino de reunir sob a chefia de Cristo todas as coisas que há no céu e na terra» (CIC, 1043). Mas «Deus já está a agir para renovar o mundo; a Páscoa de Cristo renova e transforma a história» (INE, 106)

Neste sentido, «o homem não deve submeter a sua liberdade pessoal, de modo absoluto, a nenhum poder terreno, mas somente a Deus Pai e ao Senhor Jesus Cristo: César não é o Senhor (Ev.)» (CIC, 450).

 

4ª Feira, 6-VI: O Evangelho e a nossa ressurreição.

2 Tim 1, 1-3. 6-12 / Mc 12, 18-27

Ele não é Deus de mortos, mas de vivos!

Jesus refere-se claramente à nossa ressurreição. «E, aos saduceus, que a negavam, responde: ‘Não andareis vós enganados, ignorando as Escrituras e o poder de Deus?’ (Ev.). A fé na ressurreição assenta na fé em Deus, que não é um Deus de mortos, mas de vivos (Ev.)» (CIC, 993).

Jesus liga a fé na ressurreição à sua própria pessoa: «Eu sou a Ressurreição e a Vida». E o Evangelho é o meio de que se serve para fazer brilhar a imortalidade: «Ele destruiu a morte, e fez brilhar a vida e a imortalidade, por meio do Evangelho» (Leit.).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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