PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR:

Sábado Santo e Solene Vigília Pascal

10 de Abril de 2004



Vigília pascal na Noite Santa


Segundo uma antiquíssima tradição, esta é uma noite de vigília em nome do Senhor (Ex 12, 42), noite que os fiéis celebram, segundo a recomendação do Evangelho (Lc 12, 35 ss.), de lâmpadas acesas na mão, à semelhança dos servos que esperam o Senhor, para que, quando Ele vier, os encontre vigilantes e os faça sentar à sua mesa.

A Vigília desta noite ordena-se deste modo: depois de um breve lucernário (primeira parte), a santa Igreja medita nas maravilhas que o Senhor, desde o princípio dos tempos, realizou em favor do seu povo confiante na sua palavra e na sua promessa (segunda parte: liturgia da palavra), até ao momento em que, ao despontar o dia da ressurreição, juntamente com os novos membros renascidos pelo Baptismo (terceira parte), é convidada para a mesa que o Senhor, com a sua morte e ressurreição, preparou para o seu povo (quarta parte).

Toda a celebração da Vigília Pascal se realiza de noite, isto é, não se pode iniciar antes do anoitecer do Sábado e deve terminar antes do amanhecer do Domingo.

A Missa da Vigília Pascal, ainda que termine antes da meia noite, é a Missa pascal do Domingo da Ressurreição. Quem participar nesta Missa pode comungar de novo na segunda Missa da Páscoa.

Quem celebrar ou concelebrar a Missa da Vigília pode celebrar ou concelebrar de novo na segunda Missa da Páscoa.

O sacerdote e os ministros revestem-se, desde o princípio, com paramentos brancos, como para a Missa.

Preparam-se velas para todos os que tomam parte na Vigília.



Solene início da Vigília ou Lucernário


Introdução ao espírito da Celebração


Ao longo da semana que passou fomos recordando o sofrimento e a paixão de Jesus, que se entregou à morte para salvação de todos os homens. Ao fazê-lo, não pudemos esquecer o sofrimento de homens e mulheres de todos os tempos, pois que um rasto de dor e sangue atravessa a história: o atentado contra a vida pelo agravamento da violência e das ameaças às pessoas e aos povos; a crescente criminalidade; a multidão de irmãos nossos que não têm abrigo condigno; os deslocados por causa das guerras fratricidas; a fome que impera em grande parte do mundo; a miséria física, moral e espiritual que nos rodeia; a ausência de valores e de sentido para a vida.

Sentimo-nos, pois, às escuras neste mundo de trevas. Simbolizámo-lo na ausência de iluminação momentânea deste templo onde nos encontramos.

Todavia, com a sua Ressurreição, Cristo veio trazer a luz que ilumina este mundo e fazer renascer a esperança onde antes existia o desespero.


Bênção do fogo


As luzes da igreja devem estar apagadas.

Fora da igreja, em lugar apropriado, acende-se o lume. Reunido o povo nesse lugar, o sacerdote aproxima-se, acompanhado dos ministros, um dos quais leva o círio pascal.


Monição: Cristo é a luz que brilha nas trevas!

Acenderemos o lume novo e nele, o círio pascal, a luz de Cristo, cujo clarão iluminará todos aqueles que nesta noite aqui nos reunimos.

À medida que nos encontrarmos com Ele a sua luz nos iluminará. Então, por força dessa luz, decidamo-nos a fazer da nossa vida espaço onde o Reino de Deus acontece. Comprometamo-nos a ser sinal de salvação para os homens, vivendo todos os dias o amor a Deus e aos irmãos, através da proclamação e vivência da Boa Nova, em todas as situações da nossa vida.


Onde não for possível acender o fogo fora da igreja, o rito será como se indica no n. 13.

O sacerdote saúda o povo na forma habitual e faz uma breve admonição sobre o significado desta vigília nocturna, com estas palavras ou outras semelhantes:


Caríssimos irmãos:

Nesta noite santíssima, em que Nosso Senhor Jesus Cristo passou da morte à vida, a Igreja convida os seus filhos, dispersos pelo mundo, a reunirem-se em vigília e oração. Vamos comemorar a Páscoa do Senhor, ouvindo a sua palavra e celebrando os seus mistérios, na esperança de participar no seu triunfo sobre a morte e de viver com Ele para sempre junto de Deus.


Em seguida, benze-se o fogo:


Oremos.

Senhor, que por meio do vosso Filho destes aos homens a claridade da vossa luz, santificai este lume novo e concedei-nos que a celebração das festas pascais acenda em nós o desejo do céu, para merecermos chegar com a alma purificada às festas da luz eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.


Do fogo novo acende-se o círio pascal.


Preparação do Círio


Se a mentalidade do povo o aconselhar, pode ser oportuno realçar a dignidade e o significado do círio pascal mediante alguns símbolos. Isto pode fazer-se do seguinte modo:

Depois da bênção do lume novo, um acólito ou um dos ministros apresenta o círio pascal ao celebrante, o qual, com um estilete, grava no círio uma cruz; depois grava a letra grega Alfa por cima da cruz e a letra grega Ómega por debaixo e, entre os braços da cruz, grava os quatro algarismos do ano corrente. Enquanto grava estes símbolos, diz:


1. Cristo, ontem e hoje

Grava a haste vertical da cruz.


2. Princípio e fim

Grava a haste horizontal da cruz.


3. Alfa

Grava o Alfa por cima da haste vertical.


4. e Ómega.

Grava o Ómega por debaixo da haste vertical.


5. A Ele pertence o tempo

Grava no ângulo superior esquerdo o primeiro algarismo do ano corrente.


6. e a eternidade.

Grava no ângulo superior direito o segundo algarismo do ano corrente.


7. A Ele a glória e o poder

Grava no ângulo inferior esquerdo o terceiro algarismo do ano corrente.


8. para sempre. Amen.

Grava no ângulo inferior direito o quarto algarismo do ano corrente.


Depois de ter gravado a cruz e os outros símbolos, o sacerdote pode colocar no círio cinco grãos de incenso, em forma de cruz, dizendo:


1. Pelas Suas chagas 1

2. santas e gloriosas,

3. nos proteja 4 2 5

4. e nos guarde

5. Cristo Senhor. Amen. 3


O sacerdote acende do lume novo o círio pascal, dizendo:

A luz de Cristo gloriosamente ressuscitado nos dissipe as trevas do coração e do espírito.


Estes elementos podem ser utilizados, no todo ou em parte, conforme as circunstâncias pastorais do ambiente e do lugar. Entretanto, as Conferências Episcopais também podem determinar outras formas mais adaptadas à índole dos povos.

Quando, por justas razões, não se acende o fogo, a bênção do lume será adaptada convenientemente às circunstâncias. Reunido o povo na igreja, o sacerdote dirige-se para a porta da igreja, acompanhado dos ministros com o círio pascal. O povo, na medida do possível, volta-se para o sacerdote.

Feita a saudação e a admonição, como acima no n. 8, procede-se à bênção do lume (n. 9) e, se parecer oportuno, prepara-se e acende-se o círio (nn.10-12).


Procissão


Monição: Segundo o relato bíblico, os israelitas ao saírem do Egipto foram guiados por uma coluna de fogo, que manifestava a presença de Deus que os conduzia. Cristo ressuscitado é o Deus connosco. Saibamos segui-l´O com alegria em toda a caminhada da nossa vida. Interiorizemos este propósito acompanhando atentamente a solene procissão do círio pascal, luz de Cristo, agora aceso no lume novo.

Esta caminhada constituirá o sinal peregrino de reconversão interior, que cada um terá de fazer, para poder apresentar-se como testemunha desta luz, trazida à humanidade sofredora, como sinal da passagem da escuridão do pecado para a luz da Sua graça.


O diácono, ou, na falta dele, o sacerdote, toma o círio pascal e, levantando-o, canta sozinho:


V. A luz de Cristo. Lumen Christi

R. Graças a Deus. Deo gratias


As Conferências Episcopais podem estabelecer uma aclamação mais solene.

Dirigem-se todos para a igreja, indo à frente o diácono com o círio pascal. Se se usa o incenso, o turiferário, com o turíbulo aceso, vai à frente do diácono.

À porta da igreja, o diácono pára e, levantando o círio, canta pela segunda vez:


V. A luz de Cristo. Lumen Christi

R. Graças a Deus. Deo gratias


Acendem então as velas do lume do círio pascal. A procissão continua; e, ao chegar junto do altar, o diácono, voltado para o povo, canta pela terceira vez:


V. A luz de Cristo. Lumen Christi.

R. Graças a Deus. Deo gratias.


Cântico: A Luz de Cristo, B. Salgado, NRMS 5(II)


E acendem-se as luzes da igreja (mas não as velas do altar: cf. n. 31).


Precónio Pascal


Monição: O Precónio Pascal, que iremos escutar, recorda-nos todas as maravilhas operadas por Deus ao longo da História da Salvação até à vinda de Jesus Cristo, que ressuscitando de entre os mortos, iluminou com a sua luz e a sua paz toda a humanidade.


Ao chegar ao altar, o sacerdote dirige-se para a sua cadeira. O diácono coloca o círio pascal no respectivo candelabro, preparado no meio do presbitério ou junto ao ambão. Em seguida, se se usa incenso, faz-se como para o Evangelho na Missa: o diácono pede a bênção ao sacerdote, que diz em voz baixa:


V. O Senhor esteja no teu coração e nos teus lábios, para anunciares dignamente o seu precónio pascal. Em nome do Pai e do Filho + e do Espírito Santo.

R. Amen.


Se o precónio é cantado por outro que não seja diácono, omite-se esta bênção.

O diácono, ou, na sua falta, o sacerdote, depois de incensar o livro e o círio (se se usa o incenso), proclama o precónio pascal no ambão ou no púlpito, conservando-se todos de pé, com as velas acesas na mão.

O precónio pascal pode ser proclamado, se for necessário, por um cantor que não seja diácono. Nesse caso, omitirá as palavras Quapropter astantes vos (E vós, irmãos caríssimos) até ao fim do invitatório, bem como a saudação Dominus vobiscum (O Senhor esteja convosco).

O precónio pode ser cantado na forma mais breve.

Além disso, as Conferências Episcopais podem introduzir no precónio certas aclamações para serem ditas pelo povo.

As aclamações previstas pela Conferência Episcopal Portuguesa para se intercalarem no precónio pascal:

a. A luz de Cristo venceu as trevas da noite.

b. Cristo venceu o pecado e a morte.

c. Glória ao Senhor.


Exulte de alegria a multidão dos Anjos, exultem as assembleias celestes, ressoem hinos de glória para anunciar o triunfo de tão grande Rei. Rejubile também a terra, inundada por tão grande claridade, porque a luz de Cristo, o Rei eterno, dissipa as trevas de todo o mundo.

Alegre-se a Igreja, nossa mãe, adornada com os fulgores de tão grande luz, e ressoem neste templo as aclamações do povo de Deus.

[E vós, irmãos caríssimos, aqui reunidos para celebrar o esplendor admirável desta luz, invocai comigo a misericórdia de Deus omnipotente, para que, tendo-Se Ele dignado, sem mérito algum da minha parte, admitir-me no número dos seus ministros, infunda em mim a claridade da sua luz, para que possa celebrar dignamente os louvores deste círio] .



[V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.]


V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.


V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.


É verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação proclamar com todo o fervor da alma e toda a nossa voz os louvores de Deus invisível, Pai omnipotente, e do seu Filho Unigénito, Jesus Cristo, nosso Senhor.

Ele pagou por nós ao eterno Pai a dívida por Adão contraída e com seu Sangue precioso apagou a condenação do antigo pecado.


Celebramos hoje as festas da Páscoa, em que é imolado o verdadeiro Cordeiro, cujo Sangue consagra as portas dos fiéis.


Esta é a noite, em que libertastes do cativeiro do Egipto os filhos de Israel, nossos pais, e os fizestes atravessar a pé enxuto o Mar Vermelho.


Esta é a noite, em que a coluna de fogo dissipou as trevas do pecado.

Esta é a noite, que liberta das trevas do pecado e da corrupção do mundo aqueles que hoje por toda a terra crêem em Cristo, noite que os restitui à graça e os reúne na comunhão dos Santos.

Esta é a noite, em que Cristo, quebrando as cadeias da morte, Se levanta vitorioso do túmulo. De nada nos serviria ter nascido, se não tivéssemos sido resgatados.


Oh admirável condescendência da vossa graça! Oh incomparável predilecção do vosso amor! Para resgatar o escravo, entregastes o Filho.

Oh necessário pecado de Adão, que foi destruído pela morte de Cristo! Oh ditosa culpa, que nos mereceu tão grande Redentor!

Oh noite bendita, única a ter conhecimento do tempo e da hora em que Cristo ressuscitou do sepulcro!

Esta é a noite, da qual está escrito: A noite brilha como o dia e a escuridão é clara como a luz.

Esta noite santa afugenta os crimes, lava as culpas; restitui a inocência aos pecadores, dá alegria aos tristes; derruba os poderosos, dissipa os ódios, estabelece a concórdia e a paz.

Nesta noite de graça, aceitai, Pai santo, este sacrifício vespertino de louvor, que, na solene oblação deste círio, pelas mãos dos seus ministros Vos apresenta a santa Igreja.

Agora conhecemos o sinal glorioso desta coluna de cera, que uma chama de fogo acende em honra de Deus: esta chama que, ao repartir o seu esplendor, não diminui a sua luz; esta chama que se alimenta de cera, produzida pelo trabalho das abelhas, para formar este precioso luzeiro.


Oh noite ditosa, em que o céu se une à terra, em que o homem se encontra com Deus!


Nós Vos pedimos, Senhor, que este círio, consagrado ao vosso nome, arda incessantemente para dissipar as trevas da noite; e, subindo para Vós, como suave perfume, junte a sua claridade à das estrelas do céu. Que ele brilhe ainda quando se levantar o astro da manhã, aquele astro que não tem ocaso: Jesus Cristo vosso Filho, que, ressuscitando de entre os mortos, iluminou o género humano com a sua luz e a sua paz e vive glorioso pelos séculos dos séculos.


R. Amen.



Liturgia da Palavra


Nesta Vigília, mãe de todas as vigílias, propõem-se nove leituras: sete do Antigo Testamento e duas (Epístola e Evangelho) do Novo Testamento.

Por motivos de ordem pastoral, pode reduzir-se o número de leituras do Antigo Testamento. Mas tenha-se sempre em conta que a leitura da palavra de Deus é parte fundamental desta Vigília Pascal. Lêem-se pelo menos três leituras do Antigo Testamento, ou, em casos muito especiais, pelo menos duas. Nunca se deve omitir a leitura do cap. 14 do Êxodo.

Todos os presentes apagam as suas velas e se sentam. Antes de se iniciarem as leituras, o sacerdote dirige ao povo uma breve admonição, com estas palavras ou outras semelhantes:


Irmãos caríssimos:

Depois de iniciarmos solenemente esta Vigília, ouçamos agora, de coração tranquilo, a palavra de Deus. Meditemos como Deus outrora salvou o seu povo e como, na plenitude dos tempos, enviou Jesus Cristo, nosso Salvador. Oremos para que Deus realize esta obra pascal de salvação e seja consumada a redenção do mundo.


Seguem-se as leituras. O leitor vai ao ambão e faz a primeira leitura. Seguidamente o salmista ou cantor diz o salmo, a que o povo responde com o refrão. Depois todos se levantam; o sacerdote diz Oremos e todos oram em silêncio durante alguns momentos; o sacerdote diz então a oração colecta.

Em vez do salmo responsorial, pode guardar-se um tempo de silêncio sagrado; neste caso, omite-se a pausa depois do Oremos.



Monição às leituras do Antigo Testamento


As leituras do Antigo Testamento que iremos escutar, recordam-nos o plano amoroso de Deus para a Humanidade e relatam os episódios humanos de permanente infidelidade a esse plano. Apesar disso, o Senhor sempre mantém a fidelidade à sua promessa.



Primeira Leitura1


Forma longa: Génesis 1, 1 – 2, 2 Forma breve: Génesis 1, 1.26-31a

No princípio, Deus criou o céu e a terra. [A terra estava deserta e vazia, as trevas cobriam a superfície do abismo e o espírito de Deus pairava sobre as águas. Disse Deus: «Faça-se a luz». E a luz apareceu. Deus viu que a luz era boa, e separou a luz das trevas. Deus chamou ‘dia’ à luz e ‘noite’ às trevas. Veio a tarde e, em seguida, a manhã: era o primeiro dia. Disse Deus: «Haja um firmamento no meio das águas, para as manter separadas umas das outras». Deus fez o firmamento e separou as águas que estavam debaixo do firmamento das águas que estavam por cima dele. E ao firmamento chamou ‘céu’. Veio a tarde e, em seguida, a manhã: foi o segundo dia. Disse Deus: «Juntem-se as águas que estão debaixo do firmamento num só lugar e apareça a terra seca». E assim sucedeu. À parte seca Deus chamou ‘terra’ e ‘mar’ ao conjunto das águas. E Deus viu que isto era bom. Disse Deus: «Cubra-se a terra de verdura: ervas que dêem sementes e árvores de fruto, que produzam sobre a terra frutos com a sua semente, segundo a própria espécie». E assim sucedeu. A terra produziu verdura: erva que produz semente, segundo a sua espécie, e árvores que dão frutos com a sua semente, segundo a própria espécie. Deus viu que isto era bom. Veio a tarde e, em seguida, a manhã: foi o terceiro dia. Disse Deus: «Haja luzeiros no firmamento do céu, para distinguirem o dia da noite e servirem de sinais para as festas, os dias e os anos, para que brilhem no firmamento do céu e iluminem a terra». E assim sucedeu. Deus fez dois grandes luzeiros: o maior para presidir ao dia e o menor para presidir à noite; e fez também as estrelas. Deus colocou-os no firmamento do céu para iluminarem a terra, para presidirem ao dia e à noite e separarem a luz das trevas. Deus viu que isto era bom. Veio a tarde e, em seguida, a manhã: foi o quarto dia. Disse Deus: «Povoem as águas inúmeros seres vivos e voem as aves na terra sob o firmamento do céu». Deus criou os monstros marinhos e todos os seres vivos que se movem nas águas, segundo as suas espécies, e todos os animais voadores, segundo as suas espécies. Deus viu que isto era bom; e abençoou-os, dizendo: «Crescei e multiplicai-vos, enchei as águas dos mares e multipliquem-se as aves sobre a terra». Veio a tarde e, em seguida, a manhã: foi o quinto dia. Disse Deus: «Produza a terra seres vivos, segundo as suas espécies: animais domésticos, répteis e animais selvagens, segundo as suas espécies». E assim sucedeu. Deus fez os animais selvagens, segundo as suas espécies, os animais domésticos, segundo as suas espécies, e todos os répteis da terra, segundo as suas espécies. Deus viu que isto era bom.] Disse Deus: «Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Domine sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos, sobre os animais selvagens e sobre todos os répteis que rastejam pela terra». Deus criou o ser humano à sua imagem, criou-o à imagem de Deus. Ele o criou homem e mulher. Deus abençoou-os, dizendo: «Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem na terra». Disse Deus: «Dou-vos todas as plantas com semente que existem em toda a superfície da terra, assim como todas as árvores de fruto com semente, para que vos sirvam de alimento. E a todos os animais da terra, a todas as aves do céu e a todos os seres vivos que se movem na terra dou as plantas verdes como alimento». E assim sucedeu. Deus viu tudo o que tinha feito: era tudo muito bom. Veio a tarde e, em seguida, a manhã: foi o sexto dia. Assim se completaram o céu e a terra e tudo o que eles contêm. Deus concluiu, no sétimo dia, a obra que fizera e, no sétimo dia, descansou do trabalho que tinha realizado.


Esta leitura incide sobre a criação do homem. Omite todas as fases anteriores da Criação (vv. 2-25) por que lhe estão dirigidas e realça que esta é a grande obra de Deus ao criar, o remate depois do qual pode afirmar que tudo era bom (v. 31), e finalmente descansar (2, 1 -2).

O plural soleniza a decisão de Deus ao criar o homem: «façamos» (v. 26); a repetição do verbo criar – bara – três vezes no mesmo versículo acrescenta a importância deste acto, não comparável a tudo o que fora criado anteriormente. Deus agora criava à sua imagem e semelhança. «E Elohim criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou, e criou-os homem e mulher» (v. 27). As três frases não são pura repetição da mesma ideia mas o seu progressivo desenvolvimento. Se ainda não tínhamos reparado, criar à sua imagem é criar à imagem de Deus, e isso é criar não um mas dois, e não dois mas dois de sexo diferente, isto é, dois com a potencialidade de um terceiro. A imagem de Deus no homem está nessa imagem da Trindade que é a família.


Salmo Responsorial Sl 103 (104), 1-2a.5-6.10.12.13-14.24.35c (R. cf. 30)


Refrão: Enviai, Senhor, o vosso Espírito e renovai a face da terra.


Bendiz, ó minha alma, o Senhor.

Senhor, meu Deus, como sois grande!

Revestido de esplendor e majestade,

envolvido em luz como num manto!


Fundastes a terra sobre alicerces firmes:

não oscilará por toda a eternidade.

Vós a cobristes com o manto do oceano,

por sobre os montes pousavam as águas.


Transformais as fontes em rios

que correm entre as montanhas.

Nas suas margens habitam as aves do céu;

por entre a folhagem fazem ouvir o seu canto.


Com a chuva regais os montes,

encheis a terra com o fruto das vossas obras.

Fazeis germinar a erva para o gado

e as plantas para o homem, que tira o pão da terra.


Como são grandes as vossas obras!

Tudo fizestes com sabedoria:

a terra está cheia das vossas criaturas.

Glória a Deus para sempre.



Segunda Leitura


Êxodo 14, 15-31; 15, 1

Naqueles dias, disse o Senhor a Moisés: «Porque estás a bradar por Mim? Diz aos filhos de Israel que se ponham em marcha. E tu ergue a tua vara, estende a mão sobre o mar e divide-o, para que os filhos de Israel entrem nele a pé enxuto. Entretanto, vou permitir que se endureça o coração dos egípcios, que hão-de perseguir os filhos de Israel. Manifestarei então a minha glória, triunfando do Faraó, de todo o seu exército, dos seus carros e dos seus cavaleiros. Os egípcios reconhecerão que Eu sou o Senhor, quando Eu manifestar a minha glória, vencendo o Faraó, os seus carros e os seus cavaleiros». O Anjo de Deus, que seguia à frente do acampamento de Israel, deslocou-se para a retaguarda. A coluna de nuvem que os precedia veio colocar-se atrás do acampamento e postou-se entre o campo dos egípcios e o de Israel. A nuvem era tenebrosa de um lado e do outro iluminava a noite, de modo que, durante a noite, não se aproximaram uns dos outros. Moisés estendeu a mão sobre o mar e o Senhor fustigou o mar, durante a noite, com um forte vento de leste. O mar secou e as águas dividiram-se. Os filhos de Israel penetraram no mar a pé enxuto, enquanto as águas formavam muralha à direita e à esquerda. Os egípcios foram atrás deles: todos os cavalos do Faraó, os seus carros e cavaleiros os seguiram pelo mar dentro.

Na vigília da manhã, o Senhor olhou da coluna de fogo e da nuvem para o acampamento dos egípcios e lançou nele a confusão. Bloqueou as rodas dos carros, que só dificilmente conseguiam avançar. Então os egípcios disseram: «Fujamos dos israelitas, que o Senhor combate por eles contra os egípcios». O Senhor disse a Moisés: «Estende a mão sobre o mar e as águas precipitar-se-ão sobre os egípcios, sobre os seus carros e os seus cavaleiros». Moisés estendeu a mão sobre o mar e, ao romper da manhã, o mar retomou o seu nível normal, quando os egípcios fugiam na sua direcção. E o Senhor precipitou-os no meio do mar. As águas refluíram e submergiram os carros, os cavaleiros e todo o exército do Faraó, que tinham entrado no mar, atrás dos filhos de Israel. Nem um só escapou. Mas os filhos de Israel tinham andado pelo mar a pé enxuto, enquanto as águas formavam muralha à direita e à esquerda. Nesse dia, o Senhor salvou Israel das mãos dos egípcios e Israel viu os egípcios mortos nas praias do mar. Viu também o grande poder que o Senhor exercera contra os egípcios, e o povo temeu o Senhor, acreditou n'Ele e em seu servo Moisés. Então Moisés e os filhos de Israel cantaram este hino em honra do Senhor: «Cantemos ao Senhor, que fez brilhar a sua glória, precipitou no mar o cavalo e o cavaleiro».


Descreve-se a passagem do Mar Vermelho a pé enxuto pelos filhos de Israel, graças à acção de Deus, o qual extermina debaixo das águas o exército egípcio.

Depois da imolação do cordeiro nessa mesma noite, o Faraó deixa partir livremente o Povo para sacrificar e adorar o seu Deus (cf. Ex 12, 31), e de nada lhe valeu a perseguição que move mais tarde aos israelitas em fuga. O Senhor impediu que fossem atingidos os que tinha libertado com o sangue do cordeiro. Para que permite então que os egípcios os persigam? Para que os israelitas creiam n'Ele e em Moisés, como explica o texto (v. 31); mas também se poderia aventurar outra resposta: para provocar o arrependimento dos perseguidores. Durante a perseguição o Senhor provoca atrasos entre a cavalaria egípcia no leito seco do Mar Vermelho (v. 25); talvez seja esta a ocasião para que pela primeira vez reparem no verdadeiro Deus. Notemos a frase: «fujamos de Israel, porque Yahweh combate por ele contra os egípcios» (ib.).

Os egípcios, de facto, passam de repente a partilhar com os israelitas a condição de fugitivos. Por outro lado, invocam a Deus como Yahweh, o que não acontece jamais com o homem em pecado ou com o demónio (cf. Gen 3, 1-5 que sempre usa Elohim). Talvez o texto nos queira fazer considerar que houve uma verdadeira, embora súbita, conversão de alguns dos egípcios. Tal como nos dias de Noé, as águas e a barca significavam os dois aspectos do Baptismo: a morte com a sepultura e a salvação. As águas do Mar Vermelho têm também esse poder tipológico: são simultaneamente sepultura do pecado e meio de salvação.


Salmo Responsorial Ex 15, 1-2.3-4.5-6.17-18 (R. 1a)


Refrão: Cantemos ao Senhor, que fez brilhar a sua glória.

Ou: Deus fez maravilhas: o seu nome é Senhor.


Cantarei ao Senhor, que fez brilhar a sua glória:

precipitou no mar o cavalo e o cavaleiro.

O Senhor é a minha força e a minha protecção:

a Ele devo a minha liberdade.


Ele é o meu Deus: eu O exalto;

Ele é o Deus de meu pai: eu O glorifico.

O Senhor é um guerreiro, Omnipotente é o seu nome;

precipitou no mar os carros do Faraó e o seu exército.


Os seus melhores combatentes afogaram-se no Mar Vermelho,

foram engolidos pelas ondas, caíram como pedra no abismo.

A vossa mão direita, Senhor, revelou a sua força,

a vossa mão direita, Senhor, destroçou o inimigo.


Levareis o vosso povo e o plantareis na vossa montanha,

na morada segura que fizestes, Senhor,

no santuário que vossas mãos construíram.

O Senhor reinará pelos séculos dos séculos.


Terceira Leitura


Ezequiel 36, 16-17a.18-28

A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: «Filho do homem, quando os da casa de Israel habitavam na sua terra, mancharam-na com o seu proceder e as suas obras. Fiz-lhes então sentir a minha indignação, por causa do sangue que haviam derramado no país e dos ídolos com que o tinham profanado. Dispersei-os entre as nações, espalhei-os entre os outros povos; julguei-os segundo o seu proceder e as suas obras. Em todas as nações para onde foram, profanaram o meu santo nome; e por isso se dizia deles: 'São o povo do Senhor: tiveram de deixar a sua terra'. Quis então salvar a honra do meu santo nome, que a casa de Israel profanara entre as nações para onde tinha ido. Por isso, diz à casa de Israel: Assim fala o Senhor Deus: Não faço isto por causa de vós, israelitas, mas por causa do meu santo nome, que profanastes entre as nações para onde fostes. E as nações reconhecerão que Eu sou o Senhor – oráculo do Senhor Deus – quando a seus olhos Eu manifestar a minha santidade, a vosso respeito. Então retirar-vos-ei de entre as nações, reunir-vos-ei de todos os países, para vos restabelecer na vossa terra. Derramarei sobre vós água pura e ficareis limpos de todas as imundícies; e purificar-vos-ei de todos os falsos deuses. Dar-vos-ei um coração novo e infundirei em vós um espírito novo. Arrancarei do vosso peito o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne. Infundirei em vós o meu espírito e farei que vivais segundo os meus preceitos, que observeis e ponhais em prática as minhas leis. Habitareis na terra que dei a vossos pais; sereis o meu povo e Eu serei o vosso Deus».


Salmo Responsorial Salmo 41(42), 2-5.5; 42 (43), 3-4 (R. 41(42), 2)


Refrão: Como suspira o veado pelas correntes das águas,

assim minha alma suspira por Vós, Senhor.


Ou: Como o veado em busca das águas,

assim, ó Deus, a minha alma Vos deseja.


Como suspira o veado pelas correntes das águas,

assim minha alma suspira por Vós, Senhor.

Minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo:

Quando irei contemplar a face de Deus?


A minha alma estremece ao recordar

quando passava em cortejo para o templo do Senhor,

entre as vozes de louvor e de alegria

da multidão em festa.


Enviai a vossa luz e verdade,

sejam elas o meu guia e me conduzam

à vossa montanha santa

e ao vosso santuário.


E eu irei ao altar de Deus,

a Deus que é a minha alegria.

Ao som da cítara Vos louvarei,

Senhor, meu Deus.


Oremos. Senhor nosso Deus, poder imutável e luz sem ocaso,

olhai com bondade para a vossa Igreja,

sacramento da nova aliança, e confirmai na paz,

segundo os vossos desígnios eternos, a obra da salvação humana,

para que todo o mundo veja e reconheça como o abatido se levanta,

o envelhecido se renova e tudo volta à sua integridade original,

por meio d'Aquele que é o princípio de todas as coisas,

Jesus Cristo vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.


Ou, se houver catecúmenos a baptizar


Oremos.

Deus eterno e omnipotente,

estai presente neste mistério do vosso amor

e enviai o Espírito de adopção para renovar

aqueles que vão nascer pela água do Baptismo,

de modo que a acção do nosso humilde ministério

se torne eficaz pela intervenção do vosso poder.

Por Nosso Senhor...




Monição às leituras do Novo Testamento


Tudo aquilo que foi sendo anunciado ao longo dos tempos e que nos é relatado no Antigo Testamento, realiza-se com a missão de Jesus. Esta, todavia, não termina no túmulo, na morte e no medo. Com a Sua Ressurreição concretiza-se o plano de Deus e perpetua-se, ao longo do tempo, pela acção dos seus discípulos.

Através do Baptismo e da Sua presença real na Eucaristia, actualiza-se perene e quotidianamente o mistério pascal de Jesus Cristo. Quando o sacerdote pronuncia as palavras: «Mistério da nossa fé!», nós aclamamos: «Anunciamos, Senhor, a vossa morte, proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!».

É isso que vamos recordar nas leituras do Novo Testamento que iremos ouvir de seguida.


Quarta leitura


Romanos 6, 3-11

Irmãos: 3Todos nós que fomos baptizados em Cristo fomos baptizados na sua morte. 4Fomos sepultados com Ele pelo Baptismo na sua morte, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova. 5Se, na verdade, estamos totalmente unidos a Cristo por morte semelhante à sua, também o estaremos por uma ressurreição semelhante à sua. 6Bem sabemos que o nosso homem velho foi crucificado com Cristo, para que fosse destruído o corpo do pecado e não mais fôssemos escravos dele. 7Quem morreu está livre do pecado. 8Se morremos com Cristo, acreditamos que também com Ele viveremos, 9sabendo que, uma vez ressuscitado dos mortos, Cristo já não pode morrer, a morte já não tem domínio sobre Ele. 10Porque na morte que sofreu, Cristo morreu para o pecado de uma vez para sempre; mas a sua vida é uma vida para Deus. 11Assim vós também, considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus, em Cristo Jesus.


Esta leitura resume o tema central da Vigília Pascal: a passagem da morte à vida em Cristo e em nós pelo Baptismo. A nossa Páscoa é a transposição deste mistério da Morte e Ressurreição de Cristo para a nossa própria vida.

3-4 S. Paulo faz apelo à simbologia do Baptismo por imersão: o facto de ser imergido para dentro da água representa a morte e sepultura; o emergir da água, já tornado «nova criatura», significa a ressurreição, a nova vida divina. S. Paulo, ao dizer que nós «fomos baptizados na sua morte», quer dizer que nos unimos pelo Baptismo tão intimamente à morte de Cristo, destruidora de todo o pecado, que também nós morremos para o pecado, a tal ponto que este já não deve dominar mais a nossa vida. A nossa vida tem que ser uma vida de ressuscitados: «vivos para Deus, em Cristo Jesus» (v. 11). Mas nós não somos uns meros beneficiários, estranhos ao mistério pascal de Cristo: a nossa nova vida é uma vida em Cristo Jesus, pois estamos incorporados nele pela fé e pelo amor, feitos membros do seu Corpo, sendo Ele a Cabeça.


Salmo Responsorial Salmo 117 (118), 1-2.16ab-17.22-23 (R. Aleluia)


Refrão: Aleluia. Aleluia. Aleluia.


Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom,

porque é eterna a sua misericórdia.

Diga a casa de Israel:

é eterna a sua misericórdia.


A mão do Senhor fez prodígios,

a mão do Senhor foi magnífica.

Não morrerei, mas hei-de viver

para anunciar as obras do Senhor.


A pedra que os construtores rejeitaram

tornou-se pedra angular.

Tudo isto veio do Senhor:

é admirável aos nossos olhos.


Para a proclamação do Evangelho não se levam círios, mas apenas incenso, se este se usar.


Evangelho


São Lucas 24, 1-12

1No primeiro dia da semana, ao romper da manhã, as mulheres que tinham vindo com Jesus da Galileia foram ao sepulcro, levando os perfumes que tinham preparado. 2Encontraram a pedra do sepulcro removida 3e ao entrarem não acharam o corpo do Senhor Jesus. 4Estando elas perplexas com o sucedido, apareceram-lhes dois homens com vestes resplandecentes. 5Ficaram amedrontadas e inclinaram o rosto para o chão, enquanto eles lhes diziam: «Porque buscais entre os mortos Aquele que está vivo? 6Não está aqui: ressuscitou. Lembrai-vos como Ele vos falou, quando ainda estava na Galileia: 7‘O Filho do homem tem de ser entregue às mãos dos pecadores, tem de ser crucificado e ressuscitar ao terceiro dia’». 8Elas lembraram-se então das palavras de Jesus. 9Voltando do sepulcro, foram contar tudo isto aos Onze, bem como a todos os outros. 10Eram Maria Madalena, Joana e Maria mãe de Tiago. Também as outras mulheres que estavam com elas diziam isto aos Apóstolos. 11Mas tais palavras pareciam-lhes um desvario e não acreditaram nelas. 12Entretanto, Pedro pôs-se a caminho e correu ao sepulcro. Debruçando-se, viu apenas as ligaduras e voltou para casa admirado com o que tinha sucedido.


A ressurreição de Jesus é um mistério, um facto de ordem sobrenatural, que se situa para além da experiência humana, mas, como acontecimento real que é, teve manifestações historicamente comprováveis. A primeira destas foi a verificação do túmulo vazio. Esta verificação não constitui uma prova da ressurreição, nem é apresentada como tal pelos quatro evangelistas, pois provoca perplexidade nas Santas Mulheres que pensam no roubo do cadáver. O anúncio angélico da ressurreição contado por elas aos Onze, pareceu a estes «um desvario e não acreditaram nelas» (v. 11). A concordância entre os diversos relatos dos quatro Evangelhos é impressionante; as dificuldades para uma perfeita harmonização quanto a certos pormenores são mais um indício de veracidade.

João dá mais pormenores acerca da visita ao sepulcro vazio (Jo 20), ao passo que Lucas generaliza o relato. Assim, Lucas junta «Maria Madalena» às «outras mulheres» (v. 10), a qual não estaria com elas, como se depreende do IV Evangelho (cf. Jo 20, 1); logo de manhã, ainda escuro teria vindo ao túmulo à frente das companheiras, e sozinha, antes de qualquer visão, tinha ido avisar os Apóstolos de que o túmulo estava vazio.

N.B. – No domingo de Páscoa podem ver-se mais comentários sobre a Ressurreição, especialmente nas notas ao Evangelho.


Sugestões para a homilia


A luz da Páscoa

A proximidade de Deus e do Seu Reino

Realização actual do mistério pascal


A luz da Páscoa

A liturgia desta vigília pascal iniciou-se com o rito sugestivo da bênção do lume novo e do acender nele do círio pascal. Neste templo, todos nós aguardámos na escuridão e profundo silêncio. A chama do grande círio pascal, símbolo de Cristo ressuscitado, franqueou o portal. A partir daquela chama, muitas chamazinhas se propagaram, à medida que íamos acendendo as nossas velas. Depois, acenderam-se todas as lâmpadas e, no meio da nossa assembleia elevou-se o canto jubiloso da ressurreição.

A fé cristã é luz acesa e alimentada pela Páscoa de Cristo: «Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras» (1 Cor 15, 3-4).

É esta a Boa Nova que a Igreja recebe, transmite e conserva fielmente.

Será que nos apercebemos de que se trata de um anúncio que revoluciona a vida?

Se Jesus não tivesse ressuscitado, não seria o Salvador, mas apenas mais um mártir; a esperança humana continuaria a ser uma pobre esperança e a morte continuaria a dominar.


A proximidade de Deus e do Seu Reino

Com o Crucificado uma vez ressuscitado, a causa do reino de Deus põe-se de novo a caminho. O que, de um modo tão prometedor, tinha começado durante a vida pública e depois parecia ter sido anulado pela morte na cruz, é agora retomado com nova e poderosa eficácia.

Deus não cessa de surpreender com o Seu amor. Restitui aos homens, como Salvador o Seu Filho, que eles rejeitaram e mataram. Através do Ressuscitado, Ele torna-se definitivamente próximo dos pecadores, dos pobres, dos doentes, dos fracassados da história, dos mortos tragados pela terra. Não existe solidão humana que Ele não alcance.

Doravante, o reino de Deus é explicitamente personificado por Jesus. Deus exerce a Sua soberania por meio d´Ele e «não há salvação em nenhum outro» (Act 4, 12). O Evangelho do reino, que Jesus pregava, torna-se o «Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus». Nasce a fé cristã como fé em Jesus Senhor e em Deus que o ressuscitou dos mortos.


Realização actual do mistério pascal

«Se morremos com Cristo, acreditamos que também com Ele viveremos», ouvimos na leitura de S. Paulo aos romanos.

Quando sabemos morrer para tudo aquilo que significa infidelidade à Nova Aliança feita com Deus é que nos reencontramos verdadeiramente com a pessoa de Jesus Cristo. E a fidelidade manifesta-se no modo como vivemos o quotidiano da nossa vida numa entrega generosa, coerente e cheia de alegria nos mais pequenos pormenores por que a mesma é constituída: no encontro sincero connosco mesmos, na convivência familiar, no trabalho bem executado, na ajuda aos que privam connosco, nas atitudes de injustiça que denunciamos e naquelas que achamos de justiça promover, na dignificação de todos os nossos semelhantes, na ajuda a todos os que sofrem, nas alegrias que sentimos e nos sofrimentos que porventura nos possam atormentar.

Só assim poderemos viver a ressurreição de Jesus e sentirmos a verdadeira alegria pascal.


Fala o Santo Padre


«Cristo morrendo destruiu a morte e ressuscitando restaurou a vida».


1. «Por que motivo procurais entre os mortos Aquele que está vivo? Não está aqui; ressuscitou!» (Lc 24, 5-6). Estas palavras de dois homens «com vestes resplandecentes» reacendem a confiança nas mulheres que foram ao sepulcro, ao raiar do dia. Tinham vivido os acontecimentos trágicos que culminaram na crucifixão de Cristo no Calvário; tinham conhecido a tristeza e a confusão. Mas não tinham abandonado o seu Senhor, na hora da provação.

Às escondidas, dirigem-se ao lugar onde Jesus tinha sido sepultado, para vê-Lo uma vez mais e abraçá-Lo pela última vez. Fazem-no impelidas pelo amor; aquele mesmo amor que as tinha levado a segui-Lo pelos caminhos da Galileia e da Judeia até ao Calvário.

Mulheres felizardas! Não sabiam ainda que aquela era a madrugada do dia mais importante da história. Não podiam saber que elas, elas mesmas, haveriam de ser as primeiras testemunhas da ressurreição de Jesus.


2. «Encontraram a pedra deslocada da frente do túmulo» (24, 2). Assim o diz o evangelista Lucas, e acrescenta que, «ao entrarem, não acharam o corpo do Senhor Jesus» (24, 3). Num momento só, tudo muda. Jesus «não está aqui, ressuscitou». Este anúncio, que mudou em alegria a tristeza daquelas piedosas mulheres, ressoa com inalterável eloquência na Igreja, durante esta Vigília pascal.

Singular Vigília duma noite singular. Mãe de todas as Vigílias, é a vigília durante a qual a Igreja inteira permanece à espera junto do túmulo do Messias, sacrificado na Cruz. A Igreja espera e reza, ouvindo novamente as Escrituras que repercorrem toda a história da salvação.

Nesta noite, porém, não são as trevas que predominam, mas o fulgor duma luz inesperada, que irrompe com o anúncio desconcertante da ressurreição do Senhor. A espera e a oração tornam-se então um cântico de júbilo: «Exultet iam angelica turba caelorum...» – «Exulte de alegria a multidão dos Anjos...».

Inverte-se completamente a perspectiva da história: a morte cede a passagem à vida. Vida que não morrerá mais. Daqui a pouco cantaremos, no Prefácio, que Cristo «morrendo destruiu a morte e ressuscitando restaurou a vida». Eis a verdade que proclamamos por palavras, e sobretudo com a nossa existência. Aquele que as mulheres julgavam morto, está vivo. A experiência delas torna-se a nossa.


3. Ó Vigília recheada de esperança, que exprimes em plenitude o sentido do mistério! Ó Vigília rica de símbolos, que manifestas o coração mesmo da nossa existência cristã! Nesta noite, tudo se resume prodigiosamente num nome: o nome de Cristo ressuscitado.

Ó Cristo, como não agradecer-Vos pelo dom inefável que nos concedeis nesta noite? O mistério da vossa morte e ressurreição transvasa-se para a água baptismal, que acolhe o homem antigo e carnal e purifica-o conferindo-lhe a própria juventude divina.

Daqui a pouco, seremos imersos no vosso mistério de morte e ressurreição, ao renovar as promessas baptismais; nele serão imersos especialmente os catecúmenos que receberão o Baptismo, o Crisma e a Eucaristia. […]


5. É verdade, Irmãos e Irmãs queridos, Jesus está vivo, e nós vivemos por Ele. Para sempre. Eis o dom desta noite, que desvendou definitivamente ao mundo a força de Cristo, Filho da Virgem Maria, que nos foi dada por Mãe aos pés da Cruz.

Esta Vigília introduz-nos num dia que não conhece ocaso. Dia da Páscoa de Cristo, que inaugura para a humanidade uma nova primavera de esperança.

«Haec dies quam fecit Dominus: exsultemus et laetemur in ea» – «Este é o dia que o Senhor fez; exultemos e alegremo-nos nele». Aleluia!


João Paulo II, Sábado Santo, Roma, 14 de Abril de 2001





LITURGIA BAPTISMAL


Introdução


Depois de termos escutado e meditado a Palavra de Deus iremos continuar a nossa celebração participando na Liturgia Baptismal. Invocaremos a intercessão de todos os santos, a fim de que a nossa oração contribua para uma consciencialização mais efectiva da missão que a todos nós nos é cometida pela recepção do sacramento do Baptismo.


O sacerdote, acompanhado dos ministros, dirige-se para a fonte baptismal, se esta se encontra à vista dos fiéis; caso contrário, coloca-se um recipiente com água no presbitério.

Se houver catecúmenos para serem baptizados, faz-se a respectiva chamada; são apresentados pelos padrinhos, ou, se forem crianças, são levados pelos pais e padrinhos à presença da assembleia eclesial.

O sacerdote faz aos presentes uma admonição com estas palavras ou outras semelhantes:


Se há administração do Baptismo:


Ajudemos com as nossas preces estes nossos irmãos, preparados para receberem a vida nova do Baptismo. Oremos a Deus nosso Pai, para que, na sua grande misericórdia, os guie e acompanhe até à fonte baptismal.


Se não há administração do Baptismo, mas apenas a bênção da fonte baptismal:


Supliquemos a Deus nosso Pai que santifique esta água, para que todos os que nela receberem a vida nova do Baptismo, sejam incorporados em Cristo e contados entre os filhos de Deus.


Dois cantores entoam as Ladainhas e todos, de pé (em virtude do Tempo Pascal), respondem.


Se a procissão para o Baptistério é longa, as Ladainhas cantam-se durante a procissão. Neste caso, os baptizandos são chamados antes da procissão. Esta organiza-se do modo seguinte: à frente, o círio pascal; em seguida, os catecúmenos acompanhados dos padrinhos; depois, o sacerdote acompanhado dos ministros. A admonição faz-se antes da bênção da água.


Se não houver baptizandos nem bênção da fonte baptismal, omitem-se as Ladainhas e faz-se imediatamente a bênção da água (n. 45).


Nas Ladainhas podem acrescentar-se alguns nomes de Santos, sobretudo o do titular da igreja, dos padroeiros do lugar e dos baptizandos.


A invocação Senhor, tende piedade de nós pode ser substituída por Senhor, misericórdia ou Kyrie, eleison, como na Missa.


Ladainha dos Santos


Senhor, tende piedade de nós. Senhor, tende piedade de nós.

Cristo, tende piedade de nós. Cristo, tende piedade de nós.

Senhor, tende piedade de nós. Senhor, tende piedade de nós.


Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós.

São Miguel, rogai por nós.

Santos Anjos de Deus, rogai por nós.

São João Baptista, rogai por nós.

São José, rogai por nós.

São Pedro e São Paulo, rogai por nós.

Santo André, rogai por nós.

São João, rogai por nós.

Santa Maria Madalena, rogai por nós.

Santo Estêvão, rogai por nós.

Santo Inácio de Antioquia, rogai por nós.

São Lourenço, rogai por nós.

São João de Brito, rogai por nós.

Santa Perpétua e Santa Felicidade, rogai por nós.

Santa Inês, rogai por nós.


São Gregório, rogai por nós.

Santo Agostinho, rogai por nós.

Santo Atanásio, rogai por nós.

São Basílio, rogai por nós.

São Martinho, rogai por nós.

São Bento, rogai por nós.

São Martinho de Dume, São Frutuoso e São Geraldo, rogai por nós.

São Teotónio, rogai por nós.

São Francisco e São Domingos, rogai por nós.

Santo António de Lisboa, rogai por nós.


São João de Deus, rogai por nós.

São Francisco Xavier, rogai por nós.

São João Maria Vianney, rogai por nós.

Santa Isabel de Portugal, rogai por nós.

Santa Catarina de Sena, rogai por nós.

Santa Teresa de Jesus, rogai por nós.

Santa Beatriz da Silva, rogai por nós.

Todos os Santos e Santas de Deus, rogai por nós.


Sede-nos propício, livrai-nos, Senhor.

De todo o mal livrai-nos, Senhor.

De todo o pecado livrai-nos, Senhor.

Da morte eterna livrai-nos, Senhor.


Pela vossa encarnação, livrai-nos, Senhor.

Pela vossa morte e ressurreição, livrai-nos, Senhor.

Pela efusão do Espírito Santo, livrai-nos, Senhor.


A nós, pecadores, ouvi-nos, Senhor.


Se houver baptizandos:

Dignai-Vos dar uma vida nova a estes eleitos

pela graça do Baptismo, ouvi-nos, Senhor.


Se não houver baptizandos:

Santificai esta água, para o renascimento

espiritual dos vossos filhos, ouvi-nos, Senhor.


Jesus, Filho de Deus, ouvi-nos, Senhor.

Cristo, ouvi-nos. Cristo, ouvi-nos.

Cristo, atendei-nos. Cristo, atendei-nos.


Bênção da água


Senhor nosso Deus: Pelo vosso poder invisível, realizais maravilhas nos vossos sacramentos. Ao longo dos tempos preparastes a água para manifestar a graça do Baptismo.

Logo no princípio do mundo, o vosso Espírito pairava sobre as águas, prefigurando o seu poder de santificar.

Nas águas do dilúvio destes-nos uma imagem do Baptismo, sacramento da vida nova, porque as águas significam ao mesmo tempo o fim do pecado e o princípio da santidade.

Aos filhos de Abraão fizestes atravessar a pé enxuto o Mar Vermelho, para que esse povo, liberto da escravidão, fosse a imagem do povo santo dos baptizados.


O vosso Filho, Jesus Cristo, ao ser baptizado por João Baptista nas águas do Jordão, recebeu a unção do Espírito Santo; suspenso na cruz, do seu lado aberto fez brotar sangue e água e, depois de ressuscitado, ordenou aos seus discípulos: «Ide e ensinai todos os povos e baptizai-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo».

Olhai agora, Senhor, para a vossa Igreja e dignai-Vos abrir para ela a fonte do Baptismo. Receba esta água, pelo Espírito Santo, a graça do vosso Filho Unigénito, para que o homem, criado à vossa imagem, no sacramento do Baptismo seja purificado das velhas impurezas e ressuscite homem novo pela água e pelo Espírito Santo.


Introduzindo, conforme as circunstâncias, o círio pascal, uma ou três vezes na água, continua:


Desça sobre esta água, Senhor, por vosso Filho, a virtude do Espírito Santo,


com o círio na água, prossegue:


para que todos, sepultados com Cristo na sua morte pelo Baptismo, com Ele ressuscitem para a vida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.


Retira o círio da água; entretanto, o povo faz a seguinte aclamação ou outra semelhante:


Fontes do Senhor, bendizei o Senhor, louvai-O e exaltai-O para sempre.


Cântico: Fontes do Senhor, M. Simões, NRMS 25


Os catecúmenos, cada um por sua vez, renunciam ao demónio, professam a fé e são baptizados.

Os catecúmenos adultos, porém, se está presente o Bispo ou um sacerdote com poderes para confirmar, recebem também a Confirmação.



Bênção da água lustral


Se não houver baptizandos nem bênção da água baptismal, o sacerdote procede à bênção da água, dizendo a admonição e oração seguintes:


Oremos, irmãos caríssimos, a Deus nosso Senhor, suplicando-Lhe que Se digne abençoar esta água, que vai ser aspergida sobre nós para memória do nosso Baptismo, e nos renova interiormente, a fim de permanecermos fiéis ao Espírito que recebemos.


Todos oram em silêncio durante alguns momentos. Depois, o sacerdote diz:


Senhor nosso Deus, estai connosco e assisti ao vosso povo em vigília nesta sacratíssima noite. Ao celebrarmos a obra admirável da nossa criação e a maravilha ainda maior da nossa redenção, dignai-Vos abençoar esta água.

Vós a criastes para dar fecundidade à terra e frescura e pureza aos nossos corpos. Vós a fizestes instrumento de misericórdia, libertando da escravidão o vosso povo e matando a sua sede no deserto. Por meio dos Profetas, Vós a proclamastes sinal da nova aliança que quisestes estabelecer com os homens.

Finalmente, nas águas do Jordão, santificadas por Cristo, inaugurastes o sacramento da regeneração espiritual, que renova a nossa natureza humana, libertando-a da corrupção do pecado.

Esta água, Senhor, nos faça reviver o Baptismo que recebemos e nos leve a participar na alegria dos nossos irmãos baptizados na Páscoa de Cristo Nosso Senhor, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.



Renovação das promessas do Baptismo


Monição: Pelo Baptismo tornamo-nos novas criaturas, renascemos para a vida em Cristo e renunciamos a todo o mal. Renovemos, então, as promessas feitas nesse dia, com o firme propósito de procurarmos ser fiéis ao encontro pessoal com Jesus.


Terminado o rito do Baptismo (e da Confirmação), ou, se este não se realizou, depois da bênção da água, todos os presentes, de pé, com as velas acesas na mão, renovam as promessas do Baptismo.

O sacerdote dirige-se aos fiéis com estas palavras ou outras semelhantes:


Irmãos caríssimos:

Pelo mistério pascal, fomos sepultados com Cristo no Baptismo, para vivermos com Ele uma vida nova. Por isso, tendo terminado os exercícios da observância quaresmal, renovemos as promessas do santo Baptismo, pelas quais renunciámos outrora a Satanás e às suas obras e prometemos servir fielmente a Deus na santa Igreja católica.


Sacerdote: Renunciais a Satanás?

Todos: Sim, renuncio.


Sacerdote: E a todas as suas obras?

Todos: Sim, renuncio.


Sacerdote: E a todas as suas seduções?

Todos: Sim, renuncio.


Ou


Sacerdote: Renunciais ao pecado, para viverdes na liberdade dos filhos de Deus?

Todos: Sim, renuncio.


Sacerdote: Renunciais às seduções do mal, para que o pecado não vos escravize?

Todos: Sim, renuncio.


Sacerdote: Renunciais a Satanás, que é o autor do mal e pai da mentira?

Todos: Sim, renuncio.


Se convier, esta segunda fórmula pode ser adaptada pelas Conferências Episcopais às circunstancias do tempo e do lugar.

Depois o sacerdote continua:


Sacerdote: Credes em Deus, Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra?

Todos: Sim, creio.


Sacerdote: Credes em Jesus Cristo, seu único Filho, Nosso Senhor, que nasceu da Virgem Maria, padeceu e foi sepultado, ressuscitou dos mortos e está sentado à direita do Pai?

Todos: Sim, creio.


Sacerdote: Credes no Espírito Santo, na santa Igreja católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna?

Todos: Sim, creio.


Sacerdote: Deus todo-poderoso, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos fez renascer pela água e pelo Espírito Santo e nos perdoou todos os pecados, nos guarde com a sua graça, em Jesus Cristo Nosso Senhor, para a vida eterna.


Todos: Amen.



O sacerdote asperge o povo com água benta, enquanto todos cantam a antífona seguinte ou outro cântico de índole baptismal:


Cântico: Vi a fonte de água viva, Az. Oliveira, NRMS 65


Vi a água sair do lado direito do templo. Aleluia.

E todos aqueles a quem chegou esta água foram salvos. Aleluia. Aleluia.



Entretanto os neófitos são conduzidos para os seus lugares no meio da assembleia dos fiéis.

Se a bênção da água baptismal não tiver sido feita no baptistério, os ministros levam com reverência o recipiente da água para o baptistério.

Se não houve bênção da água baptismal, a água benta coloca-se num lugar conveniente.

Feita a aspersão, o sacerdote volta para a sua sede e, omitindo o Credo, dirige a oração universal, em que os neófitos participam pela primeira vez.


Liturgia Eucarística


O sacerdote dirige-se para o altar e dá início à liturgia eucarística na forma habitual.

É conveniente que o pão e o vinho sejam levados ao altar pelos neófitos.


Cântico do ofertório: Senhor, quebrastes os laços, M. Simões, NRMS 65


Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, com estas oferendas, as orações dos vossos fiéis e fazei que o sacrifício inaugurado no mistério pascal por vossa graça nos sirva de remédio para a vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.


Prefácio pascal I [mas com maior solenidade nesta noite]: p. 53


No Cânone Romano, diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) e o Hanc igitur (Aceitai benignamente, Senhor) próprios.


Nas Orações Eucarísticas II e III fazem-se também as comemorações próprias.


Santo: M. Luis, NCT 297


Saudação da paz


O cumprimento dos propósitos enunciados e a consciência do dever bem cumprido, são garantias de paz interior. Devemos fazer passar para o exterior essa paz, através de gestos concretos efectuados na nossa vida quotidiana. É com o desejo da concretização deste propósito pascal e em satisfação interior que iremos trocar entre nós este gesto de paz.


Cântico da Comunhão: Cristo nosso Cordeiro Pascal, M. Simões, NRMS 25

1 Cor 5, 7-8

Antífona da comunhão: Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado: celebremos a festa com o pão ázimo da pureza a da verdade. Aleluia.


Cântico de acção de graças: Cantai Comigo, H. Faria, NRMS 2 (II)


Oração depois da comunhão: Infundi em nós, Senhor, o vosso espírito de caridade, para que vivam unidos no vosso amor aqueles que saciastes com os sacramentos pascais. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.



Ritos Finais


Monição final


Regressemos a nossas casas com a satisfação da alegria vivencial desta passagem de uma vida de temor e morte, para a esperança da ressurreição jubilosa em Cristo, testemunhando-a em todas as situações da nossa vida pessoal.

Para isso, saibamos remover as muitas pedras das infidelidades que nos sepultam, a fim de que, num verdadeiro encontro pessoal com Jesus possamos ser a acção continuada do Reino de Deus no meio da vida dos homens.


Cântico final: Aleluia! Aleluia! Cristo ressuscitou, J. Santos, NRMS 2 (II)







Celebração e Homilia: António Elísio Portela

Comentários Bíblicos:

Antigo Testamento: José Miguel Ferreira Martins

Novo Testamento: Geraldo Morujão

Sugestão Musical: Duarte Nuno Rocha

1 O texto que está entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido


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