4º Domingo da Páscoa

DIa do Bom Pastor e 49.º dia MUndial De oração pelas vocações

29 de Abril de 2012

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Ressuscitou o Bom Pastor, J. Santos, NRMS 57

Salmo 32, 5-6

Antífona de entrada: A bondade do Senhor encheu a terra, a palavra do Senhor criou os céus. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Depois de ter ressuscitado, Jesus realiza os últimos trabalhos para a fundação da Igreja que será inaugurada e apresentada solenemente ao mundo na manhã do Pentecostes.

Há uma pergunta que fazemos sempre: Como era a Igreja primitiva que saiu do lado aberto do Salvador na Cruz?

Além de um laicado muito activo, estava estruturada, como hoje, pelos Pastores: Bispos e Presbíteros.

A Liturgia da Palavra convida-nos hoje a reflectir sobre a necessidade, perfil e missão destes pastores, ao celebrar o 46º Dia Mundial de Oração pelas Vocações e Dia do Bom Pastor.

E, pela importância que tem na família e na Igreja, neste primeiro Domingo de Maio, dedicado à Mãe da Igreja, convida-nos igualmente a reflectir sobre o papel da Mãe na vocação dos filhos.

 

Acto penitencial

 

O Senhor confiou aos nossos cuidados os destinos da Igreja e do mundo. Reconheçamos com humildade que não temos assumido com generosidade esta missão que nos entregou.

Façamos o propósito e peçamos ajuda para viver a nossa vocação com mais delicada fidelidade.

 

(Tempo de silêncio)

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, conduzi-nos à posse das alegrias celestes, para que o pequenino rebanho dos vossos fiéis chegue um dia à glória do reino onde já Se encontra o seu poderoso Pastor, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Perante a multidão aglomerada junto ao Pórtico do Templo de Jerusalém, por causa da cura operada no coxo de nascença, S. Pedro garante solenemente que não foi por sua virtude que se deu a cura, mas pela virtude de Jesus de Nazaré.

Jesus Cristo é o Salvador prometido aos Patriarcas e Profetas e não há salvação em nenhum outro.

 

 

Actos dos Apóstolos 4, 8-12

Naqueles dias, 8Pedro, cheio do Espírito Santo, disse-lhes: «Chefes do povo e anciãos, 9já que hoje somos interrogados sobre um benefício feito a um enfermo e o modo como ele foi curado, 10ficai sabendo todos vós e todo o povo de Israel: É em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, que vós crucificastes e Deus ressuscitou dos mortos, é por Ele que este homem se encontra perfeitamente curado na vossa presença. 11Jesus é a pedra que vós, os construtores, desprezastes e que veio a tornar-se pedra angular. 12E em nenhum outro há salvação, pois não existe debaixo do céu outro nome, dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos».

 

Temos aqui a resposta de Pedro aos chefes judeus que o interrogaram acerca do milagre da cura do coxo de nascença, que mendigava junto à porta chamada Formosa, que, do átrio dos gentios, dava para o recinto das mulheres, no Templo.

11 «Jesus é a pedra desprezada (...) pedra angular». É uma alusão ao Salmo 117 (118), de acordo com os LXX. Em Mt 21, 42-44, Jesus aplica a Si o texto do Salmo, cujo sentido mais profundo é messiânico, mesmo que o Salmista não pensasse em mais do que no pequenino povo de Israel, desprezado por todos, mas um povo donde viria a salvação através do Messias (sentido típico).

12 «Não há salvação em nenhum outro (nome)», isto é, em nenhuma outra pessoa. O próprio nome de Jesus – Yexúah –, escolhido por Deus, significa: Yahwéh é Salvação. Mesmo aqueles que se salvaram antes de Cristo vir à terra puderam chegar à salvação pelos méritos de Jesus. Toda a graça depois do primeiro pecado chega ao homem pela mediação de Cristo.

 

Salmo Responsorial    Sl 117 (118), 1 e 8-9.21-23.26.28cd.29 (R. 22)

 

Monição: O salmo 118 é uma solene acção de graças ao Senhor porque, venceu os seus inimigos. De facto, condenaram à morte Aquele que é o único Salvador do mundo.

Nós cantamos a sua vitória, alcançada pela Ressurreição gloriosa, penhor da nossa própria ressurreição.

 

Refrão:        A pedra que os construtores rejeitaram

                     tornou-se pedra angular.

 

Ou:               Aleluia

 

Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom,

porque é eterna a sua misericórdia.

Mais vale refugiar-se no Senhor,

do que fiar-se nos homens.

Mais vale refugiar-se no Senhor,

do que fiar-se nos poderosos.

 

Eu Vos darei graças porque me ouvistes

e fostes o meu Salvador.

A pedra que os construtores rejeitaram

tornou-se pedra angular.

Tudo isto veio do Senhor:

é admirável aos nossos olhos.

 

Bendito o que vem em nome do Senhor,

da casa do Senhor nós vos bendizemos.

Vós sois o meu Deus: eu vos darei graças.

Vós sois o meu Deus: eu Vos exaltarei.

Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom,

porque é eterna a sua misericórdia.

 

Segunda Leitura

 

Monição: O Apóstolo S. João proclama, na sua primeira carta, a riqueza da nossa filiação divina em que fomos investidos pelo Baptismo.

E promete-nos que, para além da consolação que esta verdade causa em nós, ainda não se manifestou toda a sua riqueza, porque, em virtude dela, veremos a Deus como Ele é.

 

1 São João 3, 1-2

Caríssimos: 1Vede que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamarmos filhos de Deus. E somo-lo de facto. Se o mundo não nos conhece, é porque não O conheceu a Ele. 2Caríssimos, agora somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Mas sabemos que, na altura em que se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porque O veremos tal como Ele é.

 

No coração da 1ª Carta de João está o apelo a viver como filhos de Deus (cap.3); a uma tão grande dignidade e a tão grande dom não se pode ficar indiferente, é forçoso romper de vez com o pecado (vv. 3-10) e corresponder com obras de amor (vv. 11-24).

1 «E somo-lo de facto». Não se diz apenas que somos chamados filhos de Deus, o que bastaria para um semita entender para quem o ser chamado (por Deus) equivalia a ser. Trata-se dum realidade sobrenatural fundamental, mas que o mundo sem fé não pode captar nem apreciar.

2 «Seremos semelhantes a Deus, porque O veremos...». Há quem pretenda ver nesta expressão a referência a uma ideia corrente na religião helenística, segundo a qual o conhecimento de Deus diviniza aqueles que chegam a alcançá-lo. A Teologia explicita que «agora» a filiação divina já nos capacita para a glória do Céu, não se tratando de algo meramente legal e extrínseco, à maneira da adopção humana de um filho; trata-se de algo sobrenatural, que implica uma participação da natureza divina (cf. 2 Pe 1, 4). «O veremos tal como Ele é», isto é, não apenas indirectamente através das suas obras, mas contemplando-o face a face (cf. 1 Cor 13, 12).

 

Aclamação ao Evangelho          Jo 10, 14

 

Monição: Causa em todos nós uma consoladora segurança o saber que Jesus Cristo vela por nós, como o Bom Pastor pelo seu rebanho, e defende-nos de todos os perigos.

Manifestemos a nossa alegria com tão consoladora mensagem.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 16

 

Eu sou o bom pastor, diz o Senhor:

conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem-Me.

 

 

Evangelho

 

São João 10, 11-18

Naquele tempo, disse Jesus: 11«Eu sou o Bom Pastor. O bom pastor dá a vida pelas suas ovelhas. 12O mercenário, como não é pastor, nem são suas as ovelhas, logo que vê vir o lobo, deixa as ovelhas e foge, enquanto o lobo as arrebata e dispersa. 13O mercenário não se preocupa com as ovelhas. 14Eu sou o Bom Pastor: conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem-Me, 15Do mesmo modo que o Pai Me conhece e Eu conheço o Pai; Eu dou a vida pelas minhas ovelhas. 16Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil e preciso de as reunir; elas ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só Pastor. 17Por isso o Pai Me ama: porque dou a minha vida, para poder retomá-la. 18Ninguém Ma tira, sou Eu que a dou espontaneamente. Tenho o poder de a dar e de a retomar: foi este o mandamento que recebi de meu Pai».

 

Todos os anos no 4º Domingo de Páscoa – o Domingo do Bom Pastor, dia mundial de oração pelas vocações –, a leitura evangélica é tirada do capítulo 10º de S. João. No ano passado, ano A, leram-se os primeiros dez versículos, onde aparecia a parábola do pastor e do ladrão; este ano temos, na sua sequência, a parábola do pastor (bom) e do mercenário, as únicas parábolas que aparecem em todo o 4.° Evangelho, se bem que se trata antes de uma alegoria, em que os seus elementos não são mero adorno, mas se revestem de significado. Para a sua compreensão devem ter-se presentes os costumes da época; durante o dia, os vários rebanhos pertencentes a distintos donos – os pastores – dispersavam-se pelas escassas pastagens da região; ao cair da noite, todos os rebanhos recolhiam a um recinto comum fechado por uma sebe ou um muro baixo – o redil – em pleno descampado, onde eram defendidos das feras e dos ladrões por um guarda – o porteiro –, que podia ser contratado – um mercenário – pelos donos; de manhã, cada pastor voltava e, da porta do recinto, chamava as suas próprias ovelhas, que já conheciam o seu grito habitual e o seguiam a caminho das pastagens; os ladrões não entravam pela porta vigiada, mas saltavam pela vedação, pois o seu objectivo não era apascentar, mas dizimar os rebanhos, roubar e matar.

11-18 «Eu sou o Bom Pastor»: a descrição da figura do Bom Pastor não é original, mas decalcada em Ezequiel 34, 1-31 e 37, 16ss; a novidade está em dar a vida pelas suas ovelhas (vv. 11 e 15). Assim, Jesus aparece a revelar-se como Deus incarnado, dando cumprimento ao anúncio profético: Eu próprio cuidarei do meu rebanho e velarei por ele (cf. Ez 34, 11.12-13.15.16.20.22.31). Deus aparece frequentemente na Escritura como o Pastor de Israel (cf. Gn 49, 24; Salm 23; 78, 52; 80, 2; Is 40, 11; Jer 31, 10…). Jesus como o Bom Pastor é uma das mais comovedoras revelações do Novo Testamento (cf. Mt 18, 12-14; Lc 15, 4-7; 1 Pe 2, 25; 5, 4...).

12 «O mercenário». A propósito desta figura, pergunta e responde Santo Agostinho: «Quem é o mercenário que vê vir o lobo e foge. É o que «procura os seus interesses, e não os que pertencem a Jesus Cristo». São os que se não atrevem a repreender desassombradamente o que peca. […] Ó mercenário, viste vir o lobo, e fugiste… Debandaste porque calaste; calaste porque receaste. O temor é a fuga da alma» (In Jo. Ev. Tractatus, LXVI, 8).

16 «Tenho ainda outras ovelhas». São certamente os gentios, não os judeus da diáspora. Também a elas se dirige a missão de Jesus através dos seus mensageiros que há-de enviar a todo o mundo (cf. Mt 28, 19-20). Estes enviados – lembrar que é hoje o dia mundial de oração pelas vocações – permitirão que se venha a constituir um só rebanho: a Igreja universal (católica) que congregue todos os redimidos dos quais Jesus é o Senhor, o único Pastor.

 

Sugestões para a homilia

 

1. As leituras apresentam-nos a vocação do rebanho e a vocação do Pastor mutuamente ligadas.

A vocação do rebanho é viver a intimidade com o Pastor, como sugere o conhecimento da sua voz (Evangelho). Essa intimidade é iniciada no baptismo e atingirá a sua plenitude no Céu. «Agora somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que havemos de ser», esclarece S. João na 2ª leitura. Torna-se assim claro que a vida cristã não é um mero sistema moralista e social, mas uma vida de intimidade com Deus que desabrocha na eternidade. 

A vocação do Pastor é o empenho total na vida do rebanho, a ponto de dar a vida voluntariamente por ele, excedendo o pastoreio normal. 

 

2. O título de «Bom Pastor» não designa somente uma qualidade moral de Jesus. É um título messiânico. Deus havia prometido dar ao seu povo um Bom Pastor, por meio do qual o próprio Deus apascentaria o seu Povo (Ez.34,1). Ao apresentar-se como esse «Bom Pastor» prometido, Jesus afirma ser o Messias anunciado.

A oferta da vida encheu a vida inteira de Jesus e assumiu o carácter de sacrifício no Calvário. Dar a vida e retomá-la pelo seu próprio poder é, afinal, a afirmação da morte e da ressurreição de Jesus. S. Pedro utilizará também essa linguagem na sua carta: «éreis como ovelhas desgarradas, mas agora voltastes para o Pastor e Supervisor (Bispo) das vossas almas» (I Ped 2,25).

Este título de Bom Pastor foi profundamente estimado pelos cristãos da antiga Roma, onde havia muitos rebanhos, e encontra-se pintado nas catacumbas de S.Calisto como símbolo de Jesus Ressuscitado.

 

3. Neste domingo, a Igreja chama atenção de todos os cristãos para o problema das vocações de especial consagração, como são os Padres e os Religiosos, afirmando que elas são um «dom do amor de Deus». É esse amor que dá a capacidade de seguir de Jesus até dar a sua vida por Ele e pelo seu rebanho.

Jesus nunca se chamou a si mesmo «sacerdote» para não se confundir o seu ministério com o sacerdócio judaico ligado ao Templo, mas apresentou-se como Pastor, fazendo da sua vida uma oferta diária que se consumou no Calvário. Tornou-se desse modo Pastor e Cordeiro, Sacerdote e Altar.

O ministério do Padre católico prolonga o mistério de Pastor que inclui o de Profeta (pregador) e de Sacerdote (celebra os sacramentos). Significativamente, o Concílio pôs em relevo o ministério do Padre como «Pastor da Igreja», de modo que as outras facetas de profeta e de sacerdote serão algo ritualistas se lhes faltar a alma e o trabalho de pastor. Também os Romanos Pontífices para falarem dos padres e dos bispos utilizam essa linguagem de Pastores: «Pastores dabo vobis» e «Pastores gregis».

 

4. A crise de vocações, que é sobretudo um problema da Europa, nasce da perda daquele sentido do amor de Deus ao mundo e da consequente falta de generosidade cristã. Não levando a vocação cristã até ao fim, que inclui um certo martírio, nem haverá filhos nas famílias nem haverá na Igreja espírito de serviço de Deus, mas unicamente gestos calculistas para proveito próprio e de cariz social.

O dia de Jesus Bom Pastor é um apelo à qualidade da nossa fé. Ao rezarmos o Prefácio da Missa de hoje, reparemos que Jesus é proclamado simultaneamente cordeiro, sacerdote e altar. Isso aconteceu porque foi Pastor em plenitude.

 

Fala o Santo Padre

 

MENSAGEM DO SANTO PADRE PARA O 49º DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES

29 de Abril de 2012 – IV Domingo de Páscoa

 

Tema: As vocações, dom do amor de Deus

 

 Amados irmãos e irmãs!

 

O XLIX Dia Mundial de Oração pelas Vocações, que será celebrado no IV domingo de Páscoa – 29 de Abril de 2012 –, convida-nos a reflectir sobre o tema «As vocações, dom do amor de Deus».

A fonte de todo o dom perfeito é Deus, e Deus é Amor – Deus caritas est –; «quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele» (1 Jo 4, 16). A Sagrada Escritura narra a história deste vínculo primordial de Deus com a humanidade, que antecede a própria criação. Ao escrever aos cristãos da cidade de Éfeso, São Paulo eleva um hino de gratidão e louvor ao Pai pela infinita benevolência com que predispõe, ao longo dos séculos, o cumprimento do seu desígnio universal de salvação, que é um desígnio de amor. No Filho Jesus, Ele «escolheu-nos – afirma o Apóstolo – antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em caridade na sua presença» (Ef 1, 4). Fomos amados por Deus, ainda «antes» de começarmos a existir! Movido exclusivamente pelo seu amor incondicional, «criou-nos do nada» (cf. 2 Mac7, 28) para nos conduzir à plena comunhão consigo.

À vista da obra realizada por Deus na sua providência, o salmista exclama maravilhado: «Quando contemplo os céus, obra das vossas mãos, a Lua e as estrelas que Vós criastes, que é o homem para Vos lembrardes dele, o filho do homem para com ele Vos preocupardes?» (Sal8, 4-5). Assim, a verdade profunda da nossa existência está contida neste mistério admirável: cada criatura, e particularmente cada pessoa humana, é fruto de um pensamento e de um acto de amor de Deus, amor imenso, fiel e eterno (cf. Jer 31, 3). É a descoberta deste facto que muda, verdadeira e profundamente, a nossa vida. Numa conhecida página das Confissões,Santo Agostinho exprime, com grande intensidade, a sua descoberta de Deus, beleza suprema e supremo amor, um Deus que sempre estivera com ele e ao qual, finalmente, abria a mente e o coração para ser transformado: «Tarde Vos amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei! Vós estáveis dentro de mim, mas eu estava fora, e fora de mim Vos procurava; com o meu espírito deformado, precipitava-me sobre as coisas formosas que criastes. Estáveis comigo e eu não estava convosco. Retinha-me longe de Vós aquilo que não existiria, se não existisse em Vós. Chamastes-me, clamastes e rompestes a minha surdez. Brilhastes, resplandecestes e dissipastes a minha cegueira. Exalastes sobre mim o vosso perfume: aspirei-o profundamente, e agora suspiro por Vós. Saboreei-Vos e agora tenho fome e sede de Vós. Tocastes-me e agora desejo ardentemente a vossa paz» (Confissões, X, 27-38). O santo de Hipona procura, através destas imagens, descrever o mistério inefável do encontro com Deus, com o seu amor que transforma a existência inteira.

Trata-se de um amor sem reservas que nos precede, sustenta e chama ao longo do caminho da vida e que tem a sua raiz na gratuidade absoluta de Deus. O meu antecessor, o Beato João Paulo II, afirmava – referindo-se ao ministério sacerdotal – que cada «gesto ministerial, enquanto leva a amar e a servir a Igreja, impele a amadurecer cada vez mais no amor e no serviço a Jesus Cristo Cabeça, Pastor e Esposo da Igreja, um amor que se configura sempre como resposta ao amor prévio, livre e gratuito de Deus em Cristo» (Exort. ap. Pastores dabo vobis, 25). De facto, cada vocação específica nasce da iniciativa de Deus, é dom do amor de Deus! É Ele que realiza o «primeiro passo», e não o faz por uma particular bondade que teria vislumbrado em nós, mas em virtude da presença do seu próprio amor «derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo» (Rm 5, 5).

Em todo o tempo, na origem do chamamento divino está a iniciativa do amor infinito de Deus, que se manifesta plenamente em Jesus Cristo. «Com efeito – como escrevi na minha primeira Encíclica, Deus caritas est – existe uma múltipla visibilidade de Deus. Na história de amor que a Bíblia nos narra, Ele vem ao nosso encontro, procura conquistar-nos – até à Última Ceia, até ao Coração trespassado na cruz, até às aparições do Ressuscitado e às grandes obras pelas quais Ele, através da acção dos Apóstolos, guiou o caminho da Igreja nascente. Também na sucessiva história da Igreja, o Senhor não esteve ausente: incessantemente vem ao nosso encontro, através de pessoas nas quais Ele Se revela; através da sua Palavra, nos Sacramentos, especialmente na Eucaristia» (n.º 17).

O amor de Deus permanece para sempre; é fiel a si mesmo, à «promessa que jurou manter por mil gerações» (Sal 105, 8). Por isso é preciso anunciar de novo, especialmente às novas gerações, a beleza persuasiva deste amor divino, que precede e acompanha: este amor é a mola secreta, a causa que não falha, mesmo nas circunstâncias mais difíceis.

Amados irmãos e irmãs, é a este amor que devemos abrir a nossa vida; cada dia, Jesus Cristo chama-nos à perfeição do amor do Pai (cf. Mt 5, 48). Na realidade, a medida alta da vida cristã consiste em amar «como» Deus; trata-se de um amor que, no dom total de si, se manifesta fiel e fecundo. À prioresa do mosteiro de Segóvia, que fizera saber a São João da Cruz a pena que sentia pela dramática situação de suspensão em que ele então se encontrava, este santo responde convidando-a a agir como Deus: «A única coisa que deve pensar é que tudo é predisposto por Deus; e onde não há amor, semeie amor e recolherá amor» (Epistolário, 26).

Neste terreno de um coração em oblação, na abertura ao amor de Deus e como fruto deste amor, nascem e crescem todas as vocações. E é bebendo nesta fonte durante a oração, através duma familiaridade assídua com a Palavra e os Sacramentos, nomeadamente a Eucaristia, que é possível viver o amor ao próximo, em cujo rosto se aprende a vislumbrar o de Cristo Senhor (cf. Mt 25, 31-46). Para exprimir a ligação indivisível entre estes «dois amores» – o amor a Deus e o amor ao próximo – que brotam da mesma fonte divina e para ela se orientam, o Papa São Gregório Magno usa o exemplo da plantinha: «No terreno do nosso coração, [Deus] plantou primeiro a raiz do amor a Ele e depois, como ramagem, desenvolveu-se o amor fraterno» (Moralia in Job, VII, 24, 28: PL 75, 780D).

Estas duas expressões do único amor divino devem ser vividas, com particular vigor e pureza de coração, por aqueles que decidiram empreender um caminho de discernimento vocacional em ordem ao ministério sacerdotal e à vida consagrada; aquelas constituem o seu elemento qualificante. De facto, o amor a Deus, do qual os presbíteros e os religiosos se tornam imagens visíveis – embora sempre imperfeitas –, é a causa da resposta à vocação de especial consagração ao Senhor através da ordenação presbiteral ou da profissão dos conselhos evangélicos. O vigor da resposta de São Pedro ao divino Mestre – «Tu sabes que Te amo» (Jo21, 15) – é o segredo duma existência doada e vivida em plenitude e, por isso, repleta de profunda alegria.

A outra expressão concreta do amor – o amor ao próximo, sobretudo às pessoas mais necessitadas e atribuladas – é o impulso decisivo que faz do sacerdote e da pessoa consagrada um gerador de comunhão entre as pessoas e um semeador de esperança. A relação dos consagrados, especialmente do sacerdote, com a comunidade cristã é vital e torna-se parte fundamental também do seu horizonte afectivo. A este propósito, o Santo Cura d’Ars gostava de repetir: «O padre não é padre para si mesmo; é-o para vós» [Le curé d’Ars. Sa pensée – Son cœur ( ed.  Foi Vivante - 1966), p. 100].

Venerados Irmãos no episcopado, amados presbíteros, diáconos, consagrados e consagradas, catequistas, agentes pastorais e todos vós que estais empenhados no campo da educação das novas gerações, exorto-vos, com viva solicitude, a uma escuta atenta de quantos, no âmbito das comunidades paroquiais, associações e movimentos, sentem manifestar-se os sinais duma vocação para o sacerdócio ou para uma especial consagração. É importante que se criem, na Igreja, as condições favoráveis para poderem desabrochar muitos «sins», respostas generosas ao amoroso chamamento de Deus.

É tarefa da pastoral vocacional oferecer os pontos de orientação para um percurso frutuoso. Elemento central há-de ser o amor à Palavra de Deus, cultivando uma familiaridade crescente com a Sagrada Escritura e uma oração pessoal e comunitária devota e constante, para ser capaz de escutar o chamamento divino no meio de tantas vozes que inundam a vida diária. Mas o «centro vital» de todo o caminho vocacional seja sobretudo a Eucaristia: é aqui no sacrifício de Cristo, expressão perfeita de amor, que o amor de Deus nos toca; e é aqui que aprendemos incessantemente a viver a «medida alta» do amor de Deus. Palavra, oração e Eucaristia constituem o tesouro precioso para se compreender a beleza duma vida totalmente gasta pelo Reino.

Desejo que as Igrejas locais, nas suas várias componentes, se tornem «lugar» de vigilante discernimento e de verificação vocacional profunda, oferecendo aos jovens e às jovens um acompanhamento espiritual sábio e vigoroso. Deste modo, a própria comunidade cristã torna-se manifestação do amor de Deus, que guarda em si mesma cada vocação. Tal dinâmica, que corresponde às exigências do mandamento novo de Jesus, pode encontrar uma expressiva e singular realização nas famílias cristãs, cujo amor é expressão do amor de Cristo, que Se entregou a Si mesmo pela sua Igreja (cf. Ef 5, 25). Nas famílias, «comunidades de vida e de amor» (Gaudium et spes, 48), as novas gerações podem fazer uma experiência maravilhosa do amor de oblação. De facto, as famílias são não apenas o lugar privilegiado da formação humana e cristã, mas podem constituir também «o primeiro e o melhor seminário da vocação à vida consagrada pelo Reino de Deus» (Exort. ap. Familiaris consortio, 53), fazendo descobrir, mesmo no âmbito da família, a beleza e a importância do sacerdócio e da vida consagrada. Que os Pastores e todos os fiéis leigos colaborem entre si para que, na Igreja, se multipliquem estas «casas e escolas de comunhão» a exemplo da Sagrada Família de Nazaré, reflexo harmonioso na terra da vida da Santíssima Trindade.

Com estes votos, concedo de todo o coração a Bênção Apostólica a vós, veneráveis Irmãos no episcopado, aos sacerdotes, aos diáconos, aos religiosos, às religiosas e a todos os fiéis leigos, especialmente aos jovens e às jovens que, de coração dócil, se põem à escuta da voz de Deus, prontos a acolhê-la com uma adesão generosa e fiel.

 

 Papa Bento XVI, Vaticano, 18 de Outubro de 2011

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Em união com toda a Igreja de Jesus Cristo

que está na terra, no Purgatório e no Céu,

apresentemos ao Pai, pelo Filho, no Espírito,

as necessidades da Igreja e deste mundo.

Confiados na misericórdia do Pai do Céu,

oremos (cantando):

 

    Dai-nos, Senhor, muitos e santos sacerdotes!

 

1. Para que as mães sejam correspondidas

    pelo seu carinho e dedicação à família,

    oremos irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, muitos e santos sacerdotes!

 

2. Para que o senhor envie muitos sacerdotes

    que se dediquem generosamente à sua missão,

    oremos irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, muitos e santos sacerdotes!

 

3. Para que todos os jovens das nossas famílias

    se deixem seduzir pelo olhar amoroso de Cristo,

    oremos irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, muitos e santos sacerdotes!

 

4. Para que os fieis ajudem com a oração e carinho

    os sacerdotes ao serviço das nossas comunidades,

    oremos irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, muitos e santos sacerdotes!

 

5. Para que muitos jovens se deixem encantar

    pelo ideal contemplativo, religioso e missionário,

    oremos irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, muitos e santos sacerdotes!  

  

6. Para que trabalhemos para a unidade da Igreja,

    evitando retalhá-la pelas divisões e criticas,

    oremos irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, muitos e santos sacerdotes!

 

7. Para que os bons pastores chamados á vida eterna

    recebam do Senhor, quanto antes, a recompensa,

    oremos irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, muitos e santos sacerdotes!

 

Senhor, que actuais nos Vossos ministérios

da Palavra e administração dos Sacramentos,

por meio de homens frágeis tirados de entre nós:

concedei-nos a graça  de muitos e santos sacerdotes

que procurem só a Vossa glória e o Vosso amor.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

Na unidade do Espírito Santo.   

 

 

Liturgia Eucarística

Introdução

 

O pão e o vinho que foram trazidos ao altar vão tornar-se nosso Alimento divino, quando Jesus Cristo, pelo ministério do sacerdote, os transubstanciar no Seu Corpo e Sangue.

Mais uma vez se torna claro que, sem sacerdotes, não há Eucaristia, nem perdão dos pecados pelo Sacramento da alegria. Por isso, a Igreja urge-nos a pedir muitos e santos operários para vinha do Senhor.

 

Cântico do ofertório: Tomai, Senhor, e recebei, J. santos, NRMS 70

 

Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, que em todo o tempo possamos alegrar-nos com estes mistérios pascais, de modo que o acto sempre renovado da nossa redenção seja para nós causa de alegria eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio pascal: p. 469 [602-714] ou 470-473

 

Santo: A. Cartageno, Suplemento ao CT

 

Saudação da Paz

 

Esta crise de paz no mundo é uma crise de santidade pessoal, o resultado do afastamento de Cristo da vida dos cristãos.

Deus quer reinar no coração de cada um de nós, livre de todo o ódio, divisão ou indiferença.

Manifestemos por um gesto litúrgico o nosso desejo de perdoarmos e a aceitação de sermos perdoados por aqueles a quem ofendemos.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Há Eucaristia onde houver sacerdotes. Deus não dispensa esta mediação humana, por muito pobre que seja, para transubstanciar o pão e o vinho no Seu Corpo e Sangue.

No encontro íntimo que hoje vamos ter com Ele, peçamos-Lhe muitos e santos sacerdotes.

 

Cântico da Comunhão: Senhor, nada somos sem Ti, F. da Silva, NRMS 84

 

Antífona da comunhão: Ressuscitou o Bom Pastor, que deu a vida pelas suas ovelhas e Se entregou à morte pelo seu rebanho. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: No meio da minha vida, F. da Silva, NRMS 1 (II)

 

Oração depois da comunhão: Deus, nosso Bom Pastor, olhai benignamente para o vosso rebanho e conduzi às pastagens eternas as ovelhas que remistes com o precioso Sangue do vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

As vocações sacerdotais nascem no coração das mães e são guiadas até ao altar pelo Bom Pastor.

Levantemos o olhar, contemplando a grande extensão da messe de Cristo e decidamo-nos a colaborar no desabrochar de muitas vocações, atendendo ao apelo de Cristo.

 

Cântico final: Seguros e fortes, F. da Silva, NRMS 11-12

 

 

Homilia FeriaL

 

4ª SEMANA

 

2ª Feira, 30-IV: Os cuidados e exigências do bom Pastor.

Act 11, 1-18 / Jo 10, 1-10

Ele (o pastor) chama as ovelhas pelos nomes e leva-as para fora. Caminha à sua frente e as ovelhas seguem-no.

Jesus é o bom Pastor que nos conhece pelo nosso nome (Ev.). Este conhecimento é um convite para nos aproximarmos mais d’Ele, confere-nos mais graças, compromete-se a ajudar-nos nas dificuldades.

Procura igualmente o que é melhor para nós, para o podermos seguir, ainda que isso nos custe e nos contrarie. Foi o que fez com Pedro: «Ergue-te, Pedro, mata e come» (Leit.). Saboreemos as palavras que Ele nos ensinou: «Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu».

 

 

 

 

 

 

Celebração:                           Fernando Silva

Homilia:                                 D. Joaquim Gonçalves

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilia Ferial:                      Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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