2º Domingo da Páscoa

15 de Abril de 2012

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Cristo ressuscitou e está vivo, J. Santos, NRMS 65

1 Pedro 2, 2

Antífona de entrada: Como crianças recém-nascidas, desejai o leite espiritual, que vos fará crescer e progredir no caminho da salvação. Aleluia.

 

Ou

4 Esd 2, 36-37

Exultai de alegria, cantai hinos de glória. Dai graças a Deus, que vos chamou ao reino eterno. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Com este 2º Domingo da Páscoa encerra-se a oitava festiva em que vivemos a solenidade da Páscoa.

Quis o Servo de Deus João Paulo II, de saudosa memória, instituir neste dia o Domingo da Divina Misericórdia [1]

Ao orgulho das pessoas de hoje repugna a ideia de serem objecto de misericórdia. Estão mais habituadas a exigir os seus direitos.

E, no entanto, o Concílio Vaticano II recorda-nos: «Assim, o mundo actual apresenta-se simultaneamente poderoso e débil, capaz do melhor e do pior; abre-se na sua frente o caminho da liberdade ou da escravidão, do progresso ou da regressão, da fraternidade ou do ódio. Além disso, o homem toma consciência de que depende dele a boa orientação das forças que suscitou, as quais tanto o podem esmagar como servir» [2]

Mas às pessoas horrorizadas com os crimes de que são capazes – injustiças pela violação dos direitos humanos, roubos em grande escala, morte programada pelos estados, pelo terrorismo e pelas guerras, perseguições religiosas, crueldades que pareciam banidas para sempre da face da terra – só a misericórdia de Deus lhes pode valer.

A experiência dos nossos pecados e infidelidades pessoais pede-a urgentemente ao Senhor.

Celebremos, pois, com filial confiança, este Domingo da Divina Misericórdia.

 

Acto penitencial

 

«Ao domingo, principalmente no tempo pascal, em vez do costumado acto penitencial pode fazer-se, por vezes, a bênção e a aspersão da água em memória do baptismo. Depois do acto penitencial, diz-se sempre o Senhor, tende piedade de nós (Kyrie, eleison), a não ser que já tenha sido incluído no acto penitencial. Dado tratar-se de um canto em que os fiéis aclamam o Senhor e imploram a sua misericórdia, é normalmente executado por todos, em forma alternada entre o povo e a schola ou um cantor.

Cada uma das aclamações diz-se normalmente duas vezes, o que não exclui, porém, um maior número, de acordo com a índole de cada língua, da arte musical ou das circunstâncias. Quando o Kyrie é cantado como parte do acto penitencial, cada aclamação é precedida de um «tropo».

(Cf. no próprio Missal [Missal Romano, Coimbra 1992, p. 1359].) » [3]

 

Jesus disse no Sermão da Montanha: «Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.»

No entanto, temos consciência de que não temos vivido a misericórdia para com os nossos irmãos.

Reconheçamos humildemente as nossas  culpas, arrependamo-nos, e peçamos ao Senhor perdão.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos também, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Para a nossa cruel insensibilidade, frieza e indiferença

    perante as dores alheias de que temos conhecimento,

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Para a dureza nos juízos que fazemos das faltas alheias,

    ao mesmo tempo que reclamamos para nós misericórdia,

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Para o medo que nos domina por causa dos pecados

    que nos mantém afastados da confissão e comunhão,

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

 

Oração colecta: Deus de eterna misericórdia, que reanimais a fé do vosso povo na celebração anual das festas pascais, aumentai em nós os dons da vossa graça, para compreendermos melhor as riquezas inesgotáveis do Baptismo com que fomos purificados, do Espírito em que fomos renovados e do Sangue com que fomos redimidos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: S. Lucas apresenta-nos uma descrição da comunidade cristã de Jerusalém, com estes traços da comunidade ideal: é uma comunidade formada por pessoas diversas, mas que vivem a mesma fé num só coração e numa só alma; é uma comunidade que manifesta o seu amor fraterno em gestos concretos de partilha e de dom e misericórdia e que, dessa forma, testemunha Jesus ressuscitado.

 

Actos dos Apóstolos 4, 32-35

32A multidão dos que haviam abraçado a fé tinha um só coração e uma só alma; ninguém chamava seu ao que lhe pertencia, mas tudo entre eles era comum. 33Os Apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus com grande poder e gozavam todos de grande simpatia. 34Não havia entre eles qualquer necessitado, porque todos os que possuíam terras ou casas vendiam-nas e traziam o produto das vendas, 35que depunham aos pés dos Apóstolos. Distribuía-se então a cada um conforme a sua necessidade.

 

Este trecho é chamado o segundo «relato sumário». O primeiro (Act 2, 42-47) leu-se neste mesmo Domingo do ano A. O terceiro (Act 5, 12-16) lê-se no ano C. Chamam-se relatos sumários por serem uma espécie de bosquejos do estado da primitiva comunidade de Jerusalém, uma descrição um tanto idealizada, generalizando o que de mais positivo e edificante se verificou nos inícios. Todos estes três sumários focam três pontos importantes da vida dos primeiros cristãos, mas este desenvolve o cuidado dos pobres que havia entre eles. O 1º detém-se mais na sua vida religiosa, e o 3º no dom de operar milagres, que tinham os Apóstolos.

32 «Um só coração e uma só alma». Note-se a redundância que confere grande expressividade ao facto. Assim os primeiros cristãos viviam de acordo com as palavras de Jesus na sua oração sacerdotal (Jo 17, 11.21-23; cf. Filp 1, 27). «Uma tal união brota espontaneamente duma mesma fé em Jesus e dum mesmo amor pela sua adorável Pessoa» (Renié).

32-34 «Tudo entre eles era comum. Todos... vendiam...» Esta atitude extraordinariamente generosa dos nossos primeiros irmãos de Jerusalém ficou para sempre como um luminoso exemplo de como «compartilhar com os outros é uma atitude cristã fundamental. Os primeiros cristãos puseram em prática espontaneamente o princípio segundo o qual os bens deste mundo são destinados pelo Criador à satisfação das necessidades de todos sem excepção» (Paulo VI). Mas esta atitude cristã nada tem a ver com a colectivização de toda a propriedade privada imposta por um estado totalitário, uma vez que aqui era respeitada a legítima liberdade individual, podendo não se pôr tudo em comum. É por isto mesmo que se louva o gesto de Barnabé, logo a seguir, nos vv. 36-37, e se censura a fraude de Ananias e Safira, que muito bem poderiam não ter vendido o seu campo, ou então ter ficado para si com o produto da venda (cf. Act 5, 4). Daqui se conclui que «todos» não se deve entender à letra, ao ser uma generalização, ou uma hipérbole. Em todos os tempos da vida da Igreja, desde então até aos nossos dias, numerosos grupos de cristãos têm posto em comum os seus bens, renunciando mesmo à sua posse, total ou parcial, imitando assim voluntariamente os primeiros cristãos.

 

Salmo Responsorial    Sl 117, 2-4. 16ab-18, 22-24

 

Monição: O Senhor convida-nos a cantar a vitória do Senhor, pela Sua Morte e Ressurreição, a vitória sobre o pecado e os poderes das trevas.

Unamos a nossa voz à oração de toda a Igreja, por este cântico inspirado pelo Espírito Santo.

 

Refrão:        Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom,

                     porque é eterna a sua misericórdia.

 

Ou:               Aclamai o Senhor, porque Ele é bom:

                     o seu amor é para sempre.

 

Ou:               Aleluia.

 

Diga a casa de Israel:

é eterna a sua misericórdia.

Diga a casa de Aarão:

é eterna a sua misericórdia.

 

Digam os que temem o Senhor:

é eterna a sua misericórdia.

A mão do Senhor fez prodígios,

a mão do Senhor foi magnífica.

 

Não morrerei, mas hei-de viver,

para anunciar as obras do Senhor.

Com dureza me castigou o Senhor,

mas não me deixou morrer.

 

A pedra que os construtores rejeitaram

tornou-se pedra angular.

Tudo isto veio do Senhor:

é admirável aos nossos olhos.

Este é o dia que o Senhor fez:

exultemos e cantemos de alegria.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. João, o Discípulo Amado, recorda-nos, na sua primeira Carta, os critérios que definem a vida cristã autêntica: é verdadeiro cristão aquele que ama Deus, que ama a Jesus Cristo, cumprindo a Sua vontade e acolhe o dom da salvação que, por d’Ele, o Pai nos oferece e vive no amor aos irmãos.

Quem vive desta forma, vence o mundo e passa a integrar a família de Deus.

 

1 São João 5, 1-6

Caríssimos: 1Quem acredita que Jesus é o Messias, nasceu de Deus, e quem ama Aquele que gerou ama também Aquele que nasceu d’Ele. 2Nós sabemos que amamos os filhos de Deus quando amamos a Deus e cumprimos os seus mandamentos, 3porque o amor de Deus consiste em guardar os seus mandamentos. E os seus mandamentos não são pesados, 4porque todo o que nasceu de Deus vence o mundo. Esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé. 5Quem é o vencedor do mundo senão aquele que acredita que Jesus é o Filho de Deus? 6Este é o que veio pela água e pelo sangue: Jesus Cristo; não só com a água, mas com a água e o sangue. É o Espírito que dá testemunho, porque o Espírito é a verdade.

 

Nos domingos pascais do Ano B, a partir deste 2º Domingo, vamos ter como 2ª leitura trechos respigados da 1ª Carta de S. João (no ano A temos trechos de 1 Pe; no ano C, do Apoc). O facto de hoje não começarmos pelo início, mas pela parte final da epístola, só se explica pelo carácter baptismal deste Domingo, que se chamou In albis, numa alusão às vestes brancas do Baptismo, e Quasi-modo pelas primeiras palavras latinas do célebre texto baptismal da Prima Petri adoptado como cântico de entrada da Missa (1 Pe 2, 2). No breve texto da leitura de hoje aparece por três vezes a palavra «água» (v. 6) e três vezes «nascer de Deus» (vv. 2a.2b.4), em que se pode ver uma alusão ao Baptismo. É interessante notar neste trecho o nexo entre a fé e o amor, e entre o amor de Deus e o dos irmãos, que, pelo Baptismo, se tornaram «filhos de Deus» (vv. 1-2).

1 «Quem ama Aquele que gerou ama também Aquele que nasceu d'Ele». Há duas possibilidades de entender o texto original. A versão litúrgica, pela utilização das maiúsculas, vê-se que prefere o sentido de que quem ama o Pai ama também o Filho (um sentido trinitário); mas o contexto próximo do amor fraterno levou-nos a preferir outra tradução: «todo aquele que ama Quem o gerou ama também quem por Ele foi gerado» (cf. a nossa tradução na Bíblia Sagrada da Difusora Bíblica). Assim, o amor aos irmãos é proposto como uma consequência da filiação divina, a derivar do amor a Deus (cf. 1 Jo 2, 29 – 3, 2; 4, 7.15; 1 Pe 1, 22-23).

3 «O amor de Deus consiste em guardar os seus mandamentos». O ensino de Jesus no Evangelho é neste sentido: Mt 7, 21; 12, 50; Jo 14, 15.21; 15, 14. «E os seus mandamentos não são pesados» é uma expressão que faz lembrar Mt 11, 30: «o meu jugo é suave e a minha carga é leve».

6 «Veio com água e com sangue»: esta insistência faz pensar na intenção de refutar os gnósticos, concretamente a heresia de Cerinto, para quem o Filho de Deus tomou posse de Jesus no Baptismo – a «água» –, e o abandonou ao chegar à sua Paixão – o «sangue». Muitos autores, seguindo os Santos Padres, vêem na referência à água e ao sangue uma alusão aos Sacramentos do Baptismo (cf. Jo 3, 5), em que se recebe o Espírito Santo (cf. Jo 7, 37-39) e da Eucaristia (cf. Jo 6, 53.55-56), figurados, por sua vez, na água e no sangue que brotaram do lado aberto de Cristo na Cruz (Jo 19, 33-35), o Novo Adão, de cujo lado saiu a Igreja, qual nova Eva. O versículo 7 (que não aparece na leitura de hoje) diz: «São três os que dão testemunho, o Espírito, a água e o sangue», o que levou os Padres a verem nestes três testemunhos unânimes um símbolo e um reflexo da SS. Trindade; daqui resultou que, em muitos manuscritos da Vulgata, o texto foi transcrito de diversas maneiras, sendo a mais corrente: «Três são os que dão testemunho no Céu: o Pai, o Verbo e o Espírito Santo, e estes três são um só». Este acrescento (o chamado comma ioanneum, que foi objecto de tanta discussão inútil) veio a entrar para o texto oficial da Igreja, mas, embora a edição da Vulgata sisto-clementina o aceite, a Nova Vulgata já não o mantém.

 

Aclamação ao Evangelho          Jo 20, 29

 

Monição: No Cenáculo, oito dias depois da Sua ressurreição, Jesus proclama bem-aventurados os que aceitam o testemunho da Igreja e acolhem as verdades da fé, procurando orientar pore la toda a sua vida.

Aclamemos esta verdade que nos guia nos caminhos da vida, cantando Aleluia.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4,F. Silva, NRMS 50-51

 

Disse o Senhor a Tomé: «Porque Me viste, acreditaste;

felizes os que acreditam sem terem visto».

 

 

Evangelho

 

São João 20, 19-31

19Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». 20Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. 21Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». 22Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: 23àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos». 24Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. 25Disseram-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor». Mas ele respondeu-lhes: «Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei». 26Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa, e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou-Se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». 27Depois disse a Tomé: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». 28Tomé respondeu-Lhe: «Meu Senhor e meu Deus!» 29Disse-lhe Jesus: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto». 30Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. 31Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.

 

Neste breve relato pode ver-se como Jesus cumpriu a suas promessas que constam dos discursos de despedida: voltarei a vós (14, 18) – pôs-se no meio deles (v. 19); um pouco mais e ver-Me-eis (16, 16) – encheram-se de alegria por verem o Senhor (v. 20); Eu vos enviarei o Paráclito (16, 7) – recebei o Espírito Santo (v. 22); ver também Jo 14, 12 e 20, 17.

19 «A paz esteja convosco!» Não se trata duma mera saudação, a mais corrente entre os judeus, mesmo ainda hoje. Esta insistência joanina na sudação do Senhor ressuscitado (vv. 19.21.26) é muito expressiva; com efeito nunca os Evangelhos registam tal saudação, mas só agora, quando Jesus, com a sua Morte e Ressurreição, acabava de nos garantir a paz, a paz com Deus, origem e alicerce de toda a verdadeira paz (cf. Jo 14, 27; Rom 5, 1; Ef 2, 14; Col 1, 20).

20 O mostrar das mãos e do peito acentua a continuidade entre o Jesus crucificado e o Senhor glorioso (cf. Hebr 2, 18); a sua presença, que transcende a dimensão espácio-temporal (cf. vv. 19.26), é uma realidade que os enche de paz (vv. 19.21.26; cf. Jo 14, 27; 16, 33; Rom 5, 1; Col 1, 20) e de alegria (v. 20; cf. Jo 15, 11; 16, 20-24; 17, 13), conforme Jesus prometera. «Ficaram cheios de alegria» é uma observação que confere ao relato uma grande credibilidade; com efeito, naqueles discípulos espavoridos (v. 19), desiludidos e estonteados, surge uma vivíssima reacção de alegria, ao verem o Senhor. Ao contrário do que era de esperar, não se verifica aqui o esquema habitual das visões divinas, as teofanias do A. T., em que sempre há uma reacção de temor e de perturbação. A grande alegria dos Apóstolos procede da certeza da vitória de Jesus sobre a morte e também de verem como Jesus reatava com eles a intimidade anterior, sem recriminar a fraqueza da sua fé e a vergonha da sua deslealdade.

22 «Soprou sobre eles… Recebei o Espírito Santo». Este soprar de Jesus não é ainda «o vento impetuoso» do dia de Pentecostes; é um sinal visível do dom invisível do Espírito (em grego é a mesma palavra que também significa «sopro»). Aqui, tem por efeito conferir-lhes o poder de perdoar os pecados, poder dado só aos Apóstolos (e seus sucessores no sacerdócio da Nova Aliança), ao passo que no dia do Pentecostes é dado o Espírito Santo também a outros discípulos reunidos com Maria no Cenáculo (cf. Act 1, 14; 2, 1), iluminando-os e fortalecendo-os com carismas extraordinários em ordem ao cumprimento da missão de que estavam incumbidos.

23 «A quem perdoardes…» A Igreja viu nestas palavras a instituição do Sacramento da Reconciliação, que é fonte de paz e alegria, e definiu mesmo o seu sentido literal; de facto Jesus diz: «a quem perdoardes os pecados», e não: «a quem pregardes o perdão dos pecados» (segundo entendeu a reforma protestante). A expressão é muito forte, pois deve-se ter em conta o uso judaico da voz passiva para evitar pronunciar o nome inefável de Deus (passivum divinum); sendo assim, dizer ficarão perdoados corresponde a «Deus perdoará» e «ficarão retidos» equivale a «Deus reterá», isto é, não perdoará (cf. Mt 16, 19; 18, 18; 2 Cor 5, 18-19). Aqui se funda o ensino do Concílio de Trento ao falar da necessidade de confessar todos os pecados graves cometidos depois do Baptismo, uma doutrina que, já depois do Vaticano II, o magistério de Paulo VI reafirma: «a doutrina do Concílio de Trento deve ser firmemente mantida e aplicada fielmente na prática»; por isso, os fiéis que, em perigo de morte ou em caso de grave necessidade, tenham recebido legitimamente a absolvição comunitária ou colectiva de pecados graves ficam com a grave obrigação de os confessar dentro de um ano (Normas Pastorais da Congregação para a Doutrina da Fé, 16-VI-1972); também o Catecismo da Igreja Católica, nº 1497, afirma: «a confissão individual e integral dos pecados graves, seguida da absolvição, continua a ser o único meio ordinário para a reconciliação com Deus e com a Igreja»; cf. tb. o Motu proprio de João Paulo II, Misericordia Dei (7.4.2002) e Código de Direito Canónico (nº 960.).

24 «Tomé», nome aramaico Tomá significa «gémeo»; em grego, dídymos.

28 «Meu Senhor e meu Deus!» É da boca do discípulo incrédulo que sai a mais elevada profissão de fé explícita na divindade de Cristo, a qual engloba todo o Evangelho numa unidade coerente.

29 «Felizes os que acreditam sem terem visto». Para a generalidade dos fiéis, a fé (dom de Deus) não tem mais apoio humano verificável do que o testemunho grandemente crível da pregação apostólica e da Igreja através dos séculos (cf. Jo 17, 20). Para crer não precisamos de milagres, basta a graça, que Deus nunca nega a quem busca a verdade com humildade e sinceridade de coração. O facto de as coisas da fé não serem evidentes, nem uma mera descoberta da razão, só confere mérito à atitude do crente, que crê confiando em Deus, que na sua Revelação não se engana nem pode enganar-nos. Por isso, Jesus proclama-nos «felizes», ao submetermos o nosso pensamento e a nossa vontade a Deus na entrega que o acto de fé implica. Como Tomé, também nós temos garantias de credibilidade suficientes para aceitar a Boa Nova de Jesus: as nossas escusas para não crer são escusas culpáveis, escusas de mau pagador. Também as estrelas não deixam de existir pelo facto de os cegos não as verem ou de o céu estar nublado.

30-31 Temos aqui a primeira conclusão do Evangelho de S. João, que nos deixa ver o objectivo que o Evangelista se propôs: fazer progredir na fé e na vida cristã os fiéis, sem que se possa excluir também uma intenção de trazer à fé os não crentes. Este Evangelho foi escrito para crermos que «Jesus é o Messias, o Filho de Deus». Note-se que a fé não é uma mera disposição interior de busca, aposta, ou caminhada, sem uma base doutrinal, implica um conteúdo de ensino (cf. Rom 6, 17), pois exige que se aceitem «verdades» como esta, a saber, que Jesus é o Filho de Deus, e Filho, não num sentido genérico, humano ou messiânico, pois é o «Filho Unigénito que está no seio do Pai» (Jo 1, 18), verdadeiro Deus, segundo a confissão de S. Tomé: «Meu Senhor e meu Deus» (v. 28; cf. Jo 1, 1; Rom 9, 5). Note-se que há quem veja o Evangelho segundo S. João contido dentro de uma grande inclusão, que põe em evidência a divindade de Cristo: Jo 1, 1 (O Verbo era Deus) e Jo 20, 28 (meu Senhor e meu Deus), tendo como centro e clímax a afirmação de Jesus: Eu e o Pai somos Um (10, 30).

 

Sugestões para a homilia

 

• Jesus, rosto da misericórdia do Pai

A unidade, fruto da misericórdia

A misericórdia e a evangelização

A misericórdia humaniza o mundo

• Acolhamos a misericórdia do Senhor

O cristão, rosto da misericórdia de Deus

O Sacramento da misericórdia

Apostolado da misericórdia

 

Ao revelar-Se ao mundo, oferecendo-nos os meios para a salvação eterna, o Senhor estabeleceu que Jesus Cristo fosse o rosto misericordioso do Pai a Igreja, o rosto misericordioso de Cristo; e cada um de nós o rosto da Igreja.

 

1. Jesus, rosto da misericórdia do Pai

 

a) A unidade, fruto da misericórdia. «A multidão dos que haviam abraçado a fé tinha um só coração e uma só alma».

A primeira pergunta que desejamos ver esclarecida é esta: o que é a misericórdia?

A misericórdia é o amor incondicional, gratuito – porque não espera recompensa de qualquer espécie, mas apenas a resposta de outro amor – . É um amor paciente, com generosidade sem limites de tempo ou de qualquer outro género: sem medida nem cansaço, sem desilusão e paciente na espera.

Nunca desiste e mantém ainda a esperança de que o filho recupere a saúde ou o bom caminho, quando todos já a perderam.

Quando estava no Convento da Encarnação, em Ávila, Santa Teresa adoeceu gravemente e a doença foi progredindo, até que a deram por morta. Submeteram-na às provas de falecimento que se usavam na época – pingos de cera quente sobre as pálpebras fechadas, etc., sem que ela desse qualquer sinal de vida. Abriram a sepultura e preparou-se tudo para o funeral. Só o pai, sentado junto do esquife teimava em não permitir que a sepultassem porque, dizia, estava a dormir. Julgaram que a morte da filha o tinha enlouquecido. Mas, inesperadamente, a filha começou a movimentar-se com dificuldade e foi recuperando da sua imobilidade.

A misericórdia é este amor que se dá e espera contra toda a esperança, quando já todos à volta dizem que não vale a pena. Aproxima-nos desta ideia de misericórdia o amor dos pais, mais visível no amor de mãe. Quando um e outro se dão ao filho pequenino que depende totalmente dele, que recompensa esperam, a não ser que ele seja feliz?

Reparando no amor dos pais – esta maravilha que o Senhor criou – vislumbramos um pouco o que é a misericórdia divina. 

Como era possível que no meio de tanto egoísmo, ódio e agitação que reinavam em Jerusalém, este grupo de fieis em Cristo se mantivesse unido contra todas as expectativas?

Sustentava-os a misericórdia divina enquanto, por sua vez, procuravam usá-la uns para com os outros, superando limitações de toda a espécie.

 

b) A misericórdia e a evangelização. «Os Apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus com grande poder e gozavam todos de grande simpatia

O Evangelho está cheio de exemplos da misericórdia do Senhor: nas três Parábolas da misericórdia (dracma perdida, ovelha extraviada e filho pródigo), na Parábola do bom samaritano (que é o próprio Jesus, enquanto cada um de nós é esse desconhecido assaltado pelos ladrões), na exigência de perdão na Parábola (que pode ter sido um caso real dos dois devedores) e em muitas outras passagens.

Responde generosamente aos que imploram o favor duma cura, sem esperar qualquer recompensa ou glória. Apenas chama a atenção dos nove leprosos, para que eles pratiquem a virtude da gratidão e não se esqueçam de agradecer a Deus, para cumprirem um legalismo que pode ser cumprido depois.

Perdoa generosamente a Pedro, depois da negação; e tenta ainda apanhar nas malhas do Seu amor, Judas tresloucado que o vem entregar. Com que nobreza aparece no Cenáculo, depois de ressuscitado, sem uma repreensão ou cara sisuda, apesar da deselegância de quase todos eles na Paixão.

Cada um de nós, na sua vida pessoal, pode testemunhar o mesmo. Quando somos indelicados para com Deus ou caímos em pecado, é ele o primeiro a correr atrás de nós, fazendo-nos sentir mal longe d’Ele. E contenta-Se com um pequeno gesto de boa vontade da nossa parte, para nos acolher nos Seus braços.

Assim faz Deus para connosco. Se queremos ser o rosto de Cristo e chamar as pessoas à reconciliação com Deus, não temos outro caminho.

 

c) A misericórdia humaniza o mundo. «Não havia entre eles qualquer necessitado, porque todos os que possuíam terras ou casas vendiam-nas e traziam o produto das vendas, que depunham aos pés dos Apóstolos. Distribuía-se então a cada um conforme a sua necessidade

A misericórdia encontra-se no pólo oposto do egoísmo, do orgulho que nada sofre e se melindra por tudo e por nada. O que hoje falta verdadeiramente é que cada pessoa se acolha confiadamente à misericórdia de Deus e se disponibilize para a praticar.

É muito fácil inscrever-se no voluntariado, dar uma ajuda para ser ver livre de quem a pede, acompanhar uma pessoa até o tempo nos faça falta para outra coisa.

Esperamos uma recompensa que seja um louvor, um agradecimento, o aumento da simpatia ou, ao menos, que alguém repare no bem que fizemos. Mas isto não é misericórdia: é negócio!

Dar-se, por amor, como fazem os pais, de tal modo que nem o próprio filho, a maior parte das vezes chega a aperceber-se do que recebeu, é exercício da verdadeira misericórdia. 

Deus ama-nos como somos, com as limitações e defeitos que temos... e parte daí para nos elevar às alturas.

Como cristãos, precisamos infundir este espírito novo no mundo, para o tornar mais feliz.

 

2. Acolhamos a misericórdia do Senhor

 

a) O cristão, rosto da misericórdia de Deus. «Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor

Na intimidade do Cenáculo, em noite d Quinta-feira Santa, Jesus responde a um dos Apóstolos que Lhe pede para lhe mostrar o Pai: «Filipe! Há tanto tempo que estás comigo e não me conheces? Quem Me vê, vê o Pai

Salvas as devidas distâncias, devíamos poder dizer aos que vivem connosco na família, no trabalho, à mesa do café: “Há tanto tempo que estás comigo e não me conheces? Quem me vê, vê Jesus Cristo!”

É verdade que temos todos muitos defeitos e muitas limitações. Mas não é menos verdade que facilmente nos esquecemos do nosso cristianismo dentro da igreja, no fim da missa dominical e não o levamos para a rua, na seriedade do trabalho, na solidariedade com os outros, na paciência para suportarmos as fraquezas e as limitações dos outros e lhes prestarmos uma ajuda para que possam melhorar.

Um pai estava desempregado e andava de porta em porta, à procura de trabalho. O filho pequeno gritava-lhe que tinha fome. Envergonhado, entrou numa padaria e pediu um pão para o filho, comprometendo-se a ajudar no que pudesse: varrer o chão, fazer um recado...

O proprietário deu uma boa refeição aos dois e, ao ver a seriedade e dedicação com que trabalhava, deu-lhe alimento para a esposa e filhos que tinham ficado em casa. Em seguida contratou-o. Era analfabeto e ele animou-o a estudar. Alguns anos depois, era advogado da firma, porque era um talento não aproveitado.

Assim como em Cristo há duas naturezas – uma humana, frágil; e uma divina, assim também na Igreja há uma Cabeça impecável – Cristo – e uns membros cheios de fragilidades e defeitos. Temos de estar preparados para aceitar isto mesmo.

Não nos detenhamos nos defeitos e pecados que podemos encontrar à nossa volta, desanimando de fazer o bem e caindo no pessimismo. O importante é afogar o mal na abundância de boas obras. Com o exercício de misericórdia, como reflexo da misericórdia de Deus, podemos transformar o ambiente.

 

b) O Sacramento da misericórdia. «”Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhe-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos”.»

Jesus saúda os Apóstolos e discípulos reunidos no Cenáculo, na tarde de Domingo de Páscoa, dando-lhes a paz, o maior dom de Deus, porque é a Sua amizade.

Sabendo, porém, como a podemos perder com facilidade, pelo pecado, institui o Sacramento da misericórdia que não só nos dá o perdão mas, entre muitas outras graças, a força para lutar contra as tentações que nos fazem perdê-la.

Com efeito, assistimos a um empobrecimento da Confissão Sacramental. Temos necessidade de aprofundar toda a riqueza que por ela nos vem:

• o perdão dos pecados sejam quais e quantos forem;

• a graça sacramental que nos fortalece para conservarmos a amizade de Deus;

• a alegria interior, fruto da libertação. A ela se refere Jesus na Parábola do filho pródigo;

• a alegria de Deus. A Sua maior alegria é perdoar);

• a oportunidade de receber um bom conselho; o fruto de um acto de humildade; uma ajuda para nos conhecermos e darmos a conhecer

Manifestamos a nossa profunda gratidão ao Senhor, pela misericórdia com que nos trata, aproximando muitas pessoas do Sacramento da alegria, levando-as a desfazer preconceitos e a vencer medos para recomeçar uma vida plenamente cristã.

 

c) Apostolado da misericórdia. «Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram-lhe os outros discípulos: “Vimos o Senhor”.»

Com quanta paciência e cuidado a comunidade primitiva se empenha em reconduzir ao bom senso Tomé, fechado na sua teimosia orgulhosa!

Quando os homens esgotaram todos os recursos, Jesus intervém para o ajudar. Submete-Se a uma prova feita por aquele que duvida da palavra de Jesus.

A Igreja convida-nos a exercitar as obras da misericórdia:

As corporais ou temporais: 1ª. Dar de comer a quem tem fome. 2ª. Dar de beber a quem tem sede. 3ª. Vestir os nus. 4ª. Dar pousada aos peregrinos. 5ª. Assistir os enfermos. 6ª. Visitar os presos. 7ª. Cuidar dos que partem pela morte.

E as espirituais: 1ª. Dar bom conselho. 2ª. Ensinar os ignorantes. 3ª. Corrigir os que erram. 4ª. Consolar os tristes. 5ª. Perdoar as injúrias. 6ª. Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo. 7ª. Rogar a Deus por todos os necessitados, tanto vivos como já passados para além do véu da morte.

O Senhor procura-nos semanalmente para nos confortar e ajudar, na missa de cada Domingo. Aviva a nossa fé, pelo anúncio da Palavra; e dá-Se-nos em Alimento na Santíssima Eucaristia, pedindo-nos que nos preparemos bem para comungar.

Invoquemos Nossa Senhora, a quem saudamos como Mãe de Misericórdia, para que sejamos objecto da Misericórdia Divina e usemos também de misericórdia.

 

Fala o Santo Padre

 

“É o amor misericordioso de Deus que une firmemente a Igreja e que faz da humanidade uma só família.”

 

 Queridos irmãos e irmãs!

 

A vós aqui presentes, […] renovo de coração os fervorosos bons votos pascais, neste domingo que encerra a Oitava de Páscoa. No clima de alegria, que provém da fé em Cristo ressuscitado, desejo expressar depois um "obrigado" muito cordial a quantos — e são deveras tantos — quiseram enviar-me um sinal de afecto e de proximidade espiritual nestes dias, quer pelas festividades pascais, quer pelo meu aniversário de nascimento [16 de Abril], assim como pelo aniversário da minha eleição para a Cátedra de Pedro [19 de Abril]. Agradeço ao Senhor a cordialidade de tanto afecto. Como tive a ocasião de afirmar recentemente, nunca me sinto sozinho. Ainda mais nesta singular semana, que para a liturgia constitui um só dia, experimentei a comunhão que me circunda e me apoia: uma solidariedade espiritual, alimentada essencialmente pela oração, que se manifesta de numerosas formas. A partir dos meus colaboradores da Cúria Romana, até às paróquias geograficamente mais distantes, animada pelos mesmos sentimentos da primeira comunidade cristã, sobre o que o texto dos Actos dos Apóstolos que se lê neste domingo, afirma: "A multidão dos que se tinham tornado crentes tinha um só coração e uma só alma" (Act 4, 32).

A comunhão dos primeiros cristãos tinha como verdadeiro centro e fundamento Cristo ressuscitado. De facto narra o Evangelho que, no momento da paixão, quando o divino Mestre foi preso e condenado à morte, os discípulos dispersaram-se. Só Maria e as mulheres, com o apóstolo João, permaneceram juntos e seguiram-no até ao calvário. Ressuscitado, Jesus doou aos seus uma nova unidade, mais forte de antes, invencível, porque fundada não nos recursos humanos, mas na misericórdia divina, que a todos fez sentir amados e perdoados por Ele. É portanto o amor misericordioso de Deus que une firmemente, hoje como ontem, a Igreja e que faz da humanidade uma só família; o amor divino, que mediante Jesus crucificado e ressuscitado nos perdoa os pecados e nos renova interiormente. Animado por esta íntima convicção, o meu amado predecessor João Paulo II quis intitular este domingo, o segundo de Páscoa, à Divina Misericórdia, e indicou a todos Cristo ressuscitado como nascente de confiança e de esperança, acolhendo a mensagem espiritual transmitida pelo Senhor a Santa Faustina Kowalska, sintetizada na invocação: "Jesus, em Ti confio!".

Como para a primeira comunidade, é Maria quem nos acompanha na vida de todos os dias. Nós invocámo-la "Rainha do Céu", sabendo que a sua realeza é como a do seu Filho: toda amor, e amor misericordioso. Peço-vos que confieis a ela de novo o meu serviço à Igreja, enquanto com confiança lhe dizemos: Mater misericordia, ora pro nobis.

 

Papa Bento XVI, Regina Caeli, Castel Gandolfo, 19 de Abril de 2009

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Acolhamo-nos com toda a confiança de filhos

à Divina Misericórdia que sempre nos acolhe.

Apresentemos-Lhe as necessidades de todos.

particularmente as dos que mais sofrem na vida.

Oremos (cantando):

 

    Pela Vossa misericórdia, atendei-nos, Senhor!

 

1.     Pelo Santo Padre, rosto de Jesus Cristo na terra,

    para que anuncie aos homens Deus misericordioso,

    oremos, irmãos.

 

    Pela Vossa misericórdia, atendei-nos, Senhor!

 

2. Pelos que vivem horrorizados com seus crimes,

    para que se voltem confiadamente para Jesus Cristo,

    oremos, irmãos.

 

    Pela Vossa misericórdia, atendei-nos, Senhor!

 

3. Pelos que se encontram aflitos com dificuldades,

    para que possam contar com a nossa solidariedade

    oremos, irmãos.

 

    Pela Vossa misericórdia, atendei-nos, Senhor!

 

4. Pelos pais e mães de família e filhos em conflito,

    para que se revistam da misericórdia do Senhor,

    oremos, irmãos.

 

    Pela Vossa misericórdia, atendei-nos, Senhor!

 

5. Pelos doentes terminais tentados ao desespero,

    para que olhem o rosto misericordioso de Deus,

    oremos, irmãos.

 

    Pela Vossa misericórdia, atendei-nos, Senhor!

 

6. Por todos nós aqui presentes nesta Celebração,

    para usarmos de misericórdia para a alcançarmos,

    oremos, irmãos.

 

    Pela Vossa misericórdia, atendei-nos, Senhor!

 

Senhor que dissestes no Sermão da Montanha:

“Bem-aventurados os que usam de misericórdia,

porque também eles alcançarão misericórdia”,

ensinai-nos a exercitá-la e a esperá-la de Vós,

para chegarmos, felizes, à bem-aventurança eterna.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Depois de termos participado da Mesa da Palavra, também nós podemos dizer aos nossos irmãos, como os discípulos a Tomé: “Vimos o Senhor!”

Ele prepara agora a Mesa da Eucaristia para nos devolver os nossos dons do pão e vinho transubstanciados no Seu Corpo e Sangue. Avivemos a nossa fé e o nosso Amor.

 

Cântico do ofertório: Senhor, quebrastes os laços da morte, M. Simões, NRMS 65

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai benignamente, Senhor, as ofertas do vosso povo [e dos vossos novos filhos], de modo que, renovados pela profissão da fé e pelo Baptismo, mereçamos alcançar a bem-aventurança eterna. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio pascal I [mas com maior solenidade neste dia]: p. 469 [602-714]

 

No Cânone Romano dizem-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) e o Hanc igitur (Aceitai benignamente, Senhor) próprios. Nas Orações Eucarísticas II e III fazem-se também as comemorações próprias.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Saudação da Paz

 

Acabamos de repetir a saudação de Cristo Ressuscitado aos Apóstolos discípulos reunidos no Cenáculo: “A paz esteja convosco!”

Repitamos esta mesma frase entre nós, com o desejo de perdoarmos e sermos perdoados.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Recordamos as palavras de Jesus, depois da multiplicação dos pães: «Se não comerdes a Minha Carne e não beberdes o meu Sangue, não tereis a Vida em vós.» (Jo 6,54).

Mas não podemos participar neste Banquete Sagrado se não estivermos na graça de Deus e nas outras condições que nos ensina a Igreja.

Acolhamos este gesto de misericórdia do Senhor para connosco, dando-Se-nos em alimento, avivando a nossa fé, amor e devoção.

 

Cântico da Comunhão: Porque me vês, acreditas, Az. Oliveira, NRMS 97

cf. Jo 20, 27

Antífona da comunhão: Disse Jesus a Tomé: Com a tua mão reconhece o lugar dos cravos. Não sejas incrédulo, mas fiel. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Bendita e louvada seja, M. Simões, NRMS 41

 

Oração depois da comunhão: Concedei, Deus todo-poderoso, que a força do sacramento pascal que recebemos permaneça sempre em nossas almas. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Tenhamos presente em cada momento da semana que somos o rosto misericordioso do Senhor.

Sejamos misericordiosos nas apreciações que fazemos dos outros e perante as suas necessidades, porque também nós queremos alcançar de Deus a misericórdia.

 

Cântico final: Vencida foi a morte, J. S. Bach, NRMS 57

 

 

Homilias Feriais

 

HOMILIAS FERIAIS

 

TEMPO PASCAL

 

2ª Feira, 16-IV: Novo nascimento e oração.

Act 4, 23-31 / Jo 3, 1-8

Disse Jesus a Nicodemos: Não te admires de eu te ter dito: Vós tendes que nascer de novo.

Jesus fala de um novo nascimento: pela água e pelo Espírito Santo (Ev.). Com efeito, o baptizado recebe uma nova vida, a vida sobrenatural, torna-se filho de Deus adoptivo, participa da sua natureza divina pela graça, é membro de Cristo e seu co-herdeiro, é templo do Espírito Santo (CIC, 1265)

Este novo nascimento deve ser acompanhado pela oração: «depois de terem rezado… todos ficaram cheios do Espírito Santo» (Leit.). Agradeçamos a Deus o 85º aniversário de nascimento do Papa Bento XVI e rezemos pela sua pessoa e intenções.

 

3ª Feira, 17-IV: O ideal de comunhão dos primeiros cristãos.

Act 4, 32-37 / Jo 3, 7-15

Naqueles dias, a multidão dos que haviam abraçado a fé tinham um só coração e uma só alma.

O tempo Pascal pede-nos uma renovação: «Vós tendes que nascer de novo» (Ev.). O ideal seria vivermos como viveram os primeiros cristãos (Leit.).

«Em cada Santa Missa, somos chamados a confrontar-nos com o ideal de comunhão que o livro dos Actos dos Apóstolos esboça como modelo para a Igreja de sempre. É a Igreja congregada ao redor dos Apóstolos, convocada pela palavra de Deus, capaz de uma partilha que inclui não só os bens espirituais, mas também os materiais (Leit.). O Senhor convida-nos a aproximarmo-nos o mais possível deste ideal» («Mane nobiscum», 22). E também ao longo de todo o dia.

 

4ª Feira, 18-IV: As palavras de vida.

Act 5, 17-26 / Jo 3, 16-21

O Anjo do Senhor abriu as portas da prisão, levou-os para fora e disse-lhes: Ide anunciar ao povo todas estas palavras de vida.

Deus não permite que se perca uma só das suas palavras, porque são palavras de vida (Leit.). E nós não podemos perder um só dos seus ensinamentos, que constituem um autêntico tesouro, uma fonte de conselhos e exemplos para os diferentes momentos da nossa actuação.

Uma dessas palavras de vida é a do amor que Deus tem por nós: «este amor de Deus chegará ao mais precioso de todos os dons: ‘Deus amou de tal maneira o mundo, que lhe entregou o seu Filho Único’ (Ev.). Guardemos este dom para sempre.

 

5ª Feira, 19-IV: Fé e secularismo.

Act 5, 27-33 / Jo 3, 31-36

 (O Sumo sacerdote): Já vos demos a ordem foral de não ensinar em nome de Jesus. E vós enchestes Jerusalém da nova doutrina.

Também na época actual a cultura secularizada pretende impor-nos o mesmo silêncio. Quer construir uma ordem temporal sem Deus, que é o seu único fundamento. Deste modo, acaba-se por cair nos maiores ataques à dignidade humana: o aborto, a destruição da família, etc.: «Quem se recusa a crer no Filho, não terá a vida» (Ev.).

Devemos reagir como os Apóstolos: «deve-se obedecer antes a Deus do que aos homens» (Leit.). Todas as situações têm que ver com Deus: o trabalho, os negócios, a família, a vida. Tenhamos presentes os ensinamentos de Bento XVI, que hoje cumpre o 7º aniversário da sua eleição.

 

6ª Feira, 20-IV: A alimentação da alma.

Act 5, 334-42 / Jo 6, 1-15

Jesus tomou os pães e distribuiu-os aos convivas. E fez o mesmo com os peixes.

Ao libertar os homens dos males terrenos – da fome (Ev.), etc.,- Jesus realizou sinais messiânicos; no entanto, Ele não veio abolir todos os males deste mundo, mas para libertar os homens da mais grave das escravidões, a do pecado (CIC, 549).

 É bom que o corpo esteja saudável, mas o melhor é que a alma esteja de boa saúde espiritual. Assim se explica que os Apóstolos aceitem os castigos, cheios de alegria, por causa do nome de Jesus (Leit.) Ao pedirmos «o pão nosso de cada dia nos dai hoje» referimo-nos às necessidades materiais e também ao pão eucarístico.

 

Sábado, 21-IV: A esperança no meio das dificuldades.

Act 6, 1-7 / Jo 6, 16-21

Como soprava intensa ventania, o mar ia-se encrespando. E tiveram medo. Mas Jesus disse-lhes: Sou Eu, não temais!

Apesar de terem visto muitos milagres, realizados pelo Senhor, a fé dos Apóstolos fraqueja perante uma tempestade no lago (Ev.).

Como Cristo fez a promessa de estar sempre presente na Igreja, como esteve no barco, não devemos temer, porque a Igreja de Deus, embora perseguida, tem que confiar sempre, porque Cristo já venceu o mal. A mesma ajuda aparecerá para a resolução de pequenos problemas: «Não convém que deixemos de pregar a palavra de Deus, para fazermos o serviço das mesas» (Leit.). E assim aparecerem os primeiros diáconos.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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