aCONTECIMENTOS eclesiais

DO PAÍS

 

 

LAMEGO

 

NOVO BISPO,

D. ANTÓNIO COUTO

 

O Papa Bento XVI nomeou no passado dia 19 de Novembro como novo bispo de Lamego D. António Couto, até agora bispo auxiliar de Braga. A tomada de posse está marcada para 29 de Janeiro de 2012.

 

O prelado, de 59 anos, substitui no cargo D. Jacinto Botelho, bispo de Lamego desde o ano 2000, que apresentara a sua renúncia ao Papa por ter atingido o limite de idade imposto pelo direito canónico (75 anos).

D. António José da Rocha Couto nasceu em 1952 em Vila Boa do Bispo, concelho de Marco de Canaveses, distrito e diocese do Porto.

Em 1963 entrou no Seminário de Tomar, da Sociedade Portuguesa das Missões Ultramarinas, hoje Sociedade Missionária da Boa Nova, na qual foi ordenado padre, em 1980.

Em Roma, na Pontifícia Universidade Urbaniana, obteve o doutoramento em Teologia Bíblica, em 1989, depois da permanência de cerca de um ano em Jerusalém, no Studium Biblicum Franciscanum.

No ano lectivo de 1989-1990 foi professor de Sagrada Escritura no Seminário Maior de Luanda, antes de regressar a Portugal, onde é professor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa.

Foi reitor do Seminário do Seminário da Boa Nova, de Valadares, de 1996 a 2002, ano em que foi eleito Superior Geral da Sociedade Missionária da Boa Nova.

D. António Couto ocupou este cargo até à data da sua ordenação episcopal, em 2007, após ter sido nomeado, por Bento XVI, bispo auxiliar de Braga.

O bispo emérito de Lamego, D. Jacinto Botelho, saudou a escolha de D. António Couto como seu sucessor à frente da diocese, anunciando a tomada de posse para o dia 29 de Janeiro de 2012.

“Trata-se de um bispo de reconhecida cultura e competência teológica, nomeadamente no campo da Sagrada Escritura, que até ao momento tem sido professor na Faculdade de Teologia do Porto da Universidade Católica”.

D. Jacinto Botelho destaca ainda que o seu sucessor “foi eleito na última assembleia da Conferência Episcopal para presidir à Comissão agora reestruturada com o pelouro da Missão e Nova Evangelização”.

Com uma população de 144 mil pessoas e mais de 143 mil católicos, a diocese de Lamego, no distrito de Viseu, conta com mais de 220 paróquias e tem uma história que remonta ao século VI.

A Celebração Litúrgica deseja a D. António Couto abundantes frutos na sua nova missão pastoral.

 

 

BEJA

 

CONDECORAÇÃO FRANCESA

AO DIRECTOR DO PATRIMÓNIO

 

Lisboa, 23 nov 2011 (Ecclesia) – A divulgação das rotas portuguesas para Santiago de Compostela, a recuperação de um quadro roubado e a promoção da arte francesa em Portugal e da portuguesa em França valeram ao arquitecto José António Falcão uma condecoração do Estado francês.

 

A Medalha da Juventude e dos Desportos, atribuída a 14 de Julho, dia da República Francesa, foi entregue no passado dia 23 de Novembro na representação diplomática francesa em Lisboa, com a presença do embaixador.

“Por aquilo que me foi comunicado, a condecoração deve-se ao trabalho que eu tenho vindo a fazer, juntamente com a minha equipa, no âmbito do caminho de Santiago”, explicou o director do Departamento do Património Histórico e Artístico da diocese de Beja.

O arquitecto sublinha o esforço muito grande que tem sido realizado “junto da juventude, sobretudo com voluntários”, na preservação e recuperação do património da diocese católica, nomeadamente na promoção da rota que atravessa a diocese em direcção a Santiago de Compostela, importante centro de peregrinação cristã.

José António Falcão salienta o empenho do seu departamento para que “a região entre nas grandes rotas culturais e artísticas da Europa”, nomeadamente através do Caminho de Santiago, claramente o “primeiro itinerário cultural” do Velho Continente.

“O aspecto mais delicado” da condecoração foi a recuperação do estudo de uma das “obras-primas da arte francesa”, “A Morte de Sardanápalo”, do pintor francês Eugène Delacroix (1798-1863), roubado em 1988 da Casa dos Patudos, em Alpiarça.

“Com muita persistência conseguiu-se que essa e outras peças voltassem a Portugal”, explicou o especialista em património religioso, que trabalhou no museu entre 1993 e 1995 como conservador, e de 2003 a 2008 como director.

A obra viria a ser recuperada pela polícia italiana em 1995, no interior de uma igreja abandonada de Milão, que servia de esconderijo para peças furtadas.

A medalha distingue também o “trabalho no campo da investigação e salvaguarda da arte francesa em Portugal”, bem como “a promoção da arte portuguesa em França”.

 

 

LISBOA

 

NOVO LIVRO SOBRE

MISERICÓRDIAS PORTUGUESAS

 

O historiador Manuel Ferreira da Silva apresentou no passado dia 24 de Novembro um livro sobre «As Misericórdias Portuguesas – Padrões de Fé, de História e de Cidadania», onde classifica aquelas entidades como pilares fundamentais da sociedade.

 

O autor explicou que o livro é resultado de um trabalho permanente de investigação, que começou a ganhar forma há mais de 27 anos, quando a União das Misericórdias Portuguesas (UMP) dava os seus primeiros passos.

“O padre Virgílio Lopes, saudoso fundador da instituição, foi-me buscar à Rádio Renascença para lhe fundar o jornal e desde então aqui tenho permanecido”, recorda.

Para além do lançamento do jornal “Voz das Misericórdias”, o investigador de 93 anos escreveu diversos textos sobre as Santas Casas e promoveu várias conferências de carácter histórico, cultural e religioso.

A sua obra mais conhecida, “A Rainha D. Leonor e as Misericórdias Portuguesas”, foi escrita em 1998, no âmbito dos 500 anos da implementação daquelas valências em Portugal, tendo merecido inclusivamente um louvor da parte do Papa João Paulo II.

Para o presidente da UMP, Manuel Lemos, o facto das Santas Casas apadrinharem a apresentação do novo livro é uma forma de dar destaque a um “autêntico arquivo histórico” e a uma figura que todos os dias “deixa algo de novo” para o trabalho daquela rede de solidariedade.

A UMP coordena cerca de 400 Santas Casas de Misericórdia em Portugal e apoia a fundação e recuperação de organismos similares em Angola, Moçambique, Timor e São Tomé e Príncipe, bem como nas comunidades de emigrantes.

A criação da primeira Misericórdia portuguesa ocorreu em Lisboa no ano de 1498, pela rainha D. Leonor, inspirada no exemplo de instituição semelhante fundada em 1244 na cidade italiana de Florença.

O nome destes organismos deriva das 14 obras de misericórdia, corporais e espirituais, que a tradição cristã chama às práticas de caridade que concretizam o amor ao próximo.

 

 

 

FÁTIMA

 

EXPOSIÇÃO E SIMPÓSIO NA

PREPARAÇÃO DO CENTENÁRIO

 

Uma exposição, um ciclo de conferências e um simpósio são os principais momentos do ano pastoral 2011/2012 no Santuário de Fátima, apresentados pelos seus responsáveis no passado dia 1 de Dezembro, num plano que visa assinalar o centenário das Aparições, até 2017.

 

As várias celebrações e peregrinações agendadas vão ser subordinadas ao tema “Quereis oferecer-vos a Deus?”, tomando como pano de fundo a primeira aparição aos pastorinhos, na Cova da Iria, a 13 de Maio de 1917.

O programa engloba um ciclo de conferências, ao ritmo de uma por mês, até Abril de 2012, e um simpósio teológico-pastoral nos dias 15 a 17 de Junho do próximo ano, que vai abordar os "Horizontes contemporâneos da entrega de si".

O site do Santuário adianta que o núcleo teológico deste segundo ciclo é o de "Deus Salvador" e a atitude crente proposta aos peregrinos é a "entrega de si".

Na sessão de apresentação do programa pastoral, Isabel Varanda, professora da Universidade Católica Portuguesa (núcleo de Braga), disse que o “século XXI já pressente o luto antropológico de uma terra sem céu e de um mundo solitário”, varrido pela “maré laicista que, como um tsunami, se abate sobre numerosas sociedades, particularmente as sociedades ocidentais, levando à sua frente todo e qualquer vestígio ou indício de transcendência, afogando o próprio Deus, sem dó nem piedade, e com ele a sua imagem e semelhança”.

“Que o cristianismo tem tido uma crescente dificuldade em partilhar a sua essência com o mundo e corre o sério risco de ver os seus lugares, principalmente no mundo ocidental, progressivamente reduzidos às quatro paredes de templos vazios, não faltam indícios”, alertou, falando na necessidade de “reinventar” em “termos de estratégias de comunicação e de evangelização”.

O Santuário apresentou também a exposição “No trilho da Luz – As Aparições de Fátima”, que vai estar aberta ao público até Outubro de 2012, todos os dias, das 09h00 às 19h00, no vestíbulo do Convivium de Santo Agostinho, igreja da Santíssima Trindade. A entrada é livre.

“Para melhor ajudar a viver o segundo ano de celebração do centenário das Aparições, a Secção de Arte e Património preparou uma nova exposição temporária que, neste ano, dedica às Aparições de Fátima”, indica a apresentação da mostra, que visa “proporcionar uma visão geral acerca de todo o percurso da Mensagem de Fátima”

Também foi disponibilizado o “calendário-itinerário temático” para o ano pastoral de 2011/2012, segundo de um ciclo de sete anos que “não pretende ser apenas evocação do passado, mas sobretudo oportunidade para divulgar e reavivar a consciência da riqueza e actualidade da Mensagem de Fátima e para aprofundar os seus conteúdos”.

 

 

LISBOA

 

NOVA IGREJA DO RESTELO

 

A nova igreja de São Francisco Xavier, no Restelo, projectada pelo arquitecto Troufa Real, foi inaugurada pelo Patriarca de Lisboa no passado dia 3 de Dezembro, memória do Santo padroeiro.

 

Troufa Real diz que quis “trazer de novo São Francisco Xavier à terra de onde partiu”, rumo ao Oriente, no século XVI.

A igreja, com capacidade para 500 pessoas, tem um bojo em cor-de-ferrugem (inicialmente estava previsto o uso de um tom dourado) e está por construir uma torre de 108 metros de altura.

A cerimónia de dedicação e bênção da nova igreja foi presidida por D. José Policarpo, cardeal-patriarca de Lisboa, pouco mais de dois anos depois do início das obras de construção (Novembro de 2009).

O pároco local, padre António Colimão, há 21 anos na comunidade, lembra o lançamento da primeira pedra da igreja pelo actual patriarca, então bispo auxiliar do Patriarcado, em 1997, e os momentos mais complicados de todo este processo.

“A comunidade tem sido maravilhosa, acompanhou-me em todos os momentos difíceis”, diz o sacerdote, sublinhando o entusiasmo com que decorrem os preparativos para a inauguração.

Troufa Real apresenta o espaço, falando numa “lâmina que separa a história portuguesa, a história indo-portuguesa, a história do movimento moderno em Portugal e que transborda para o outro lado, uma nave, que simula uma caravela”.

Coladas ao bojo da igreja, várias cornucópias simularão as ondas do mar.

No interior, contudo, não é um barco que espera as pessoas, mas uma “nuvem, que é a fé, o cosmos”.

A obra de Troufa Real baseia-se na vida do Apóstolo do Oriente, São Francisco Xavier, da Índia ao Japão, e na aventura portuguesa dos Descobrimentos.

 

 

BRAGA

 

PROGRAMA DE

EDUCAÇÃO DOS FILHOS

 

Em 3 de Dezembro passado teve início o novo Programa da Associação In Família para casais, desta vez dedicado à educação dos filhos.

 

O programa assume-se como a continuidade lógica dos que a Infamilia apresentou nos dois últimos anos.

Em 2010 e em 2011 as temas incidiram mais sobre as características das relações conjugais, ao passo que o programa que agora começou incide mais nas questões relacionadas com os filhos, o seu significado e a influência que exercem na vida familiar (e as respostas que são pedidas aos pais).

O programa “Famílias alegres e felizes 2012” consta de várias sessões distribuídas pelos trabalhos em equipas de casais e pelas sessões no grande grupo. Os temas são muito centrados na educação dos filhos, tendo sempre como pano de fundo as relações conjugais. Estas actividades pretendem constituir uma ajuda eficiente na tarefa educativa dos pais proporcionando as ferramentas que permitam edificar a construção sólida e inabalável das famílias.

As inscrições podem ser feitas por e-mail: info@infamilia.org.

Tal como nos anos anteriores, a presente edição deste programa formativo conta com o apoio do Cenofa-Centro de Orientação Familiar (Lisboa).

 

 

VILA DO CONDE

 

ACÇÃO DE GRAÇAS PELA SALVAÇÃO

DOS PESCADORES NAUFRAGADOS

 

No domingo passado dia 5 de Dezembro, o arcebispo de Braga celebrou em Caxinas uma Missa de acção de graças pelo salvamento e regresso a casa dos seis pescadores, náufragos do barco “Virgem do Sameiro”, desaparecidos ao largo da Figueira da Foz.

 

D. Jorge Ortiga convidou os náufragos a aliarem os “conhecimentos técnicos com o reconhecimento da humildade” para evitarem correr “riscos desnecessários”.

O prelado lembrou o papel da Força Aérea na recuperação dos pescadores, após 60 horas numa balsa em alto mar: “Fostes salvos por causa da vossa esperança! Salvos por homens desconhecidos. Talvez nunca mais vos voltareis a encontrar. Mas a vossa vida deve-se a eles”.

O arcebispo primaz enalteceu a fé dos náufragos, quatro dos quais presentes na celebração, a quem restou “apenas a oração que mantinha acesa a ínfima esperança de uma possível salvação”.

“A vida venceu e sentimos a necessidade de mostrar que na oração, sendo prece que invoca ou atitude de quem agradece, estamos unidos a dar um testemunho que deve passar para a vida: em todas as horas vale a pena orar, porque Deus nunca nos abandona”, salientou.

Referindo-se ao nome da embarcação, “Virgem do Sameiro”, D. Jorge Ortiga recordou “Maria, a Mãe”, a quem os náufragos estiveram ligados através do terço: “Porque esteve sempre com Cristo, Maria nunca desistiu! Nunca se atirou ao mar do desânimo”.

Para o prelado a recuperação dos pescadores foi um “milagre”, não por ser um “fenómeno sobrenatural ou um facto cientificamente não comprovado”, mas porque os náufragos vivenciaram “o que é sentir a salvação/resgate/presença de Deus numa hora de aflição extrema”.

Depois de lhes pedir “que guardem para sempre este acontecimento nas suas memórias”, D. Jorge Ortiga encorajou os náufragos a testemunhá-lo: “Façam o favor de o contar, vezes sem conta, aos vossos familiares e amigos, nos momentos em que eles também perderem a esperança na vida”.

“Acredito que foi a fé que nos manteve vivos”, afirmou o mestre da embarcação, José Manuel Coentrão, adiantando que o terço com que rezaram durante o naufrágio vai ser oferecido a Nossa Senhora de Fátima.

 

 

MADEIRA

 

BISPO ESPERA SALVAGUARDAR

FERIADO DA ASSUNÇÃO

 

O bispo do Funchal, D. António Carrilho, espera que o “estatuto de autonomia” da Madeira permita à região salvaguardar o feriado religioso da Assunção de Nossa Senhora. Assim o disse na homilia da solenidade da Imaculada Conceição, no passado dia 8 de Dezembro:

 

“O povo português sempre dedicou à Imaculada Conceição um singular carinho e grande amor filial, que bem podemos comprovar ao longo da sua história. Assim, além da reflexão sobre o sentido do dogma e do apoio de algumas instituições culturais e dos próprios poderes públicos à sua promulgação, foi particularmente significativo o gesto de D. João IV, que proclamou Nossa Senhora da Conceição Rainha e Padroeira de Portugal e depôs a coroa real a seus pés, em Vila Viçosa, no dia 25 de Março de 1646.

“É grande a devoção à Imaculada Conceição e são muitas as tradições que lhe estão ligadas, de norte a sul do nosso país, como parte da vida cristã dos católicos e da vida cultural portuguesa. Na Madeira, concretamente, a Senhora da Conceição é Padroeira de três paróquias (Porto Moniz, Machico e Conceição – Ponta do Sol) e titular de cerca de vinte capelas, construídas desde os primórdios do povoamento, até aos nossos dias.

“Ao ser, agora, colocada pelo Governo à Conferência Episcopal, a necessidade e a proposta de se prescindir de dois feriados religiosos, não é fácil indicá-los nem decidir, tendo em conta o que todos eles significam como «dias santos» para a maioria do povo português. De acordo com a Concordata, a decisão deverá ser tomada em negociações do Governo Central com a Santa Sé (Vaticano), que, para esse efeito, terá presente o parecer da Conferência Episcopal.

“Será difícil, sem dúvida, optar entre o dia 8 de Dezembro (Imaculada Conceição) e o dia 15 de Agosto (Assunção de Nossa Senhora). Entre nós, concretamente, ainda que as opiniões possam divergir e apesar do reconhecido significado da Festa da Imaculada Conceição e das muitas tradições que lhe estão associadas, o dia 15 de Agosto afigura-se igualmente ou até mais importante, com profundas marcas e expressões em toda a Diocese, tanto para os residentes, como para os milhares de emigrantes, que então nos visitam.

“É nesse dia, como sabemos, que são celebradas, em grande número de paróquias e com a participação de fiéis de toda a Ilha, muitas festas e arraiais em honra de Nossa Senhora, nas suas diversas invocações, nomeadamente a festa da Senhora do Monte, Padroeira da cidade e da Diocese do Funchal.

“Perante a questão, que agora se coloca, a minha esperança está em que, dado o estatuto de autonomia da Região, se possa salvaguardar a proposta da Conferência Episcopal, quanto ao dia 8 de Dezembro, como grande Festa da Padroeira e Rainha de Portugal, admitindo, no entanto, que se conserve o 15 de Agosto, como dia santo e feriado, na Madeira e Porto Santo. É este, aliás, o desejo de muitos católicos e das autoridades regionais e locais que, de algum modo, se têm manifestado”.

 

 

LISBOA

 

PADRE TOLENTINO DE MENDONÇA,

CONSULTOR DA SANTA SÉ

 

No passado dia 10 de Dezembro, o director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC), padre José Tolentino de Mendonça, foi nomeado pelo Papa Consultor do Conselho Pontifício para a Cultura.

 

Este professor da UCP, biblista e poeta português partilha a lista de nomeados com figuras proeminentes da arte e das ciências, como o arquitecto espanhol Santiago Calatrava e o cientista alemão Wolf Joachim Singer. A proposta da nomeação partiu do presidente do Conselho Pontifício da Cultura, o Cardeal italiano Gianfranco Ravasi.

Nascido em 1965, em Machico, na Madeira, José Tolentino Mendonça iniciou os seus estudos de Teologia em 1982 e foi ordenado sacerdote em 1990.

Pouco depois seguiu para Roma, onde se doutorou em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana.

Actualmente desempenha também as funções de director da revista de teologia Didaskalia, editada pela Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa de Lisboa.

A nível literário, a sua obra é considerada unanimemente como uma das mais rigorosas e originais da moderna poesia portuguesa, tendo-se destacado também nos campos da espiritualidade, exegese e tradução bíblica.

Publicou ensaios sobre Ruy Belo, Teixeira de Pascoaes e Eugénio de Andrade; apresentou reflexões como “O Outro Que Me Torna Justo” e “Métodos de Leitura da Bíblia”; e traduziu do hebraico o “Cântico dos Cânticos” e o “Livro de Ruth”.

Além dos seus sete livros de poesia, entre os quais “A Noite abre os meus olhos” (2006) – uma antologia da sua obra poética –, escreveu uma peça de teatro, dois ensaios sobre Teologia e ainda diversos artigos em revistas científicas desta matéria.

O Conselho Pontifício da Cultura tem como missão favorecer “as relações entre a Santa Sé e o mundo da cultura, promovendo de modo particular o diálogo com as várias culturas”, a fim de que “os cultores das ciências, das letras e das artes se sintam reconhecidos pela Igreja como pessoas ao serviço da verdade, do bem e do belo”.

 

 

SETÚBAL

 

CINEMA PARA “DESCOBRIR CRISTO”

 

A Pastoral Universitária diocesana promoveu em Almada, de 7 a 11 de Dezembro passado, um ciclo de cinema católico intitulado “Revelar-te”, que pretendia ajudar o público em geral a “descobrir Cristo” através da Sétima Arte.

 

O padre Joaquim Pedro Quintella explicou que se tratou de um “gesto de cidadania católica, na cidade e para a cidade”, para favorecer um diálogo aberto a pessoas de todas as religiões.

Procurou-se também envolver de forma especial a comunidade estudantil de Almada, já que “as pessoas, por causa do que lhes é solicitado ou da exigência do estudo, ficam-se muitas vezes pelas competências técnicas, sem se abrirem a todas as dimensões do humano”. 

“O que nos parece relevante é descobrir Cristo nas metáforas, na inquietação, na beleza, através de um cinema que marque pela qualidade”, realçou.

Pela sala de projecção do Fórum Romeu Correia, em Almada, passou no dia 7 um filme dedicado ao filósofo e teólogo franciscano escocês beato João Duns Scoto.

Uma figura que se destacou no final do século XIII por ter defendido a Imaculada Conceição de Maria, contra o parecer de S. Tomás de Aquino e dos dominicanos, cerca de 500 anos antes da proclamação do dogma pela Igreja Católica.

No dia 9, os cinéfilos ficaram a conhecer a vida de São Vicente de Paulo, sacerdote católico francês que foi um dos grandes protagonistas da Reforma Católica no seu país, durante o século XVII.

No dia 10, foi exibida a longa-metragem A festa de Babette, do realizador dinamarquês Gabriel Axel, uma obra que o padre Joaquim Pedro Quintella define como uma “belíssima metáfora à volta do diálogo construtivo entre católicos e luteranos”.

O ciclo de cinema “Revelar-te” terminou no domingo dia 11 com o filme Shadowlands, que relata o romance dramático entre um prestigiado professor inglês de Oxford (inspirado em C.S. Lewis) e uma americana divorciada acabada de chegar a Inglaterra.  

Desde o início, o programa do evento tem contado com a presença de diversas figuras do mundo da cultura e da religião, que procuram contextualizar as temáticas abordadas em cada obra. A sala tem cerca de 230 lugares e tem estado praticamente cheia.

 

 

LISBOA

 

EMPREENDEDORISMO,

ANTES DE EMIGRAÇÃO

 

A aposta no poder de iniciativa dos desempregados deve estar antes dos apelos à emigração feitos por membros do Governo, considera João Meneses, professor universitário e quadro da Câmara Municipal de Lisboa.

 

Em entrevista ao Programa ECCLESIA, o economista sustenta que, “mais do que emigrar”, a alternativa à falta de trabalho é o “empreendedorismo”, num país onde há muitos jovens com “entusiasmo, criatividade e conhecimento” que não têm “espaço para desabrochar”.

O antigo presidente da TESE, organização de desenvolvimento social, está convencido de que “grande parte dos jovens já cumpre o que lhes cabe, ou seja, estarem disponíveis para a mudança e terem capacidade”, faltando agora que o “sistema lhes dê as devidas oportunidades”.

Referindo-se aos convites à emigração lançados por membros do Executivo, o responsável considera que “é muito bom as pessoas terem uma experiência do mundo e circularem pelo estrangeiro, mas também é muito importante que não o façam por não haver oportunidades” no país.

“Esta geração precisa que confiem nela, sob pena de ela própria não confiar em si própria. E, se assim for, não vamos conseguir entrar numa nova fase de entusiasmo, desenvolvimento e coesão”, salienta o coordenador do Gabinete de Apoio à Mouraria, bairro da capital de “intervenção prioritária”.

Depois de mencionar o programa “Acredita Portugal”, de incentivo ao empreendedorismo da juventude, que este ano teve 7.500 concorrentes motivados a “fazer alguma coisa por si e pelo país”, o responsável sugere a criação de um “sistema facilitador” que potencie as ideias dos jovens.

João Meneses pensa que o investimento na criatividade juvenil vai converter-se em “empresas, emprego e impostos que possam ser redistribuídos”: “Isso sim, vai trazer riqueza ao país, não só no domínio económico mas em sentido amplo”.

 

 

SETÚBAL

 

COLABORAÇÃO COM

COMUNIDADE MUÇULMANA

 

A paróquia de Miratejo-Laranjeiro está a trabalhar em conjunto com a comunidade muçulmana da região para “tornar Deus mais presente” na vida das pessoas, sobretudo das mais pobres e descristianizadas.

 

O pároco daquela localidade do concelho de Almada considera a comunidade islâmica uma aliada no sentido de combater a indiferença de uma população afastada de Deus, em muitos casos até mesmo ateia.

“Os muçulmanos são sinal de uma espiritualidade, desta procura de Deus que nós queremos continuar a desenvolver, para tornar Deus mais presente no meio da cidade”, sublinha o padre José Pinheiro.

A Mesquita do Laranjeiro, uma das maiores da Margem Sul, promoveu no passado dia 12 de Dezembro um “almoço de solidariedade”, com carácter inter-religioso, que reverteu a favor de uma centena de pessoas desfavorecidas.

Presente nesse evento, o presidente da Comunidade Islâmica do Sul do Tejo considerou essencial despertar mais empresários muçulmanos para a necessidade de ajudar o próximo.

“Temos de manter o espírito natalício durante todo o ano e desenvolver iniciativas como esta, que são um sinal para todos e que permitem a nossa aproximação”, disse Sabbir Seedat.

O pároco local elogia a atitude de abertura que tem sido adoptada pelos responsáveis muçulmanos e que já levou inclusivamente o bispo de Setúbal, D. Gilberto dos Reis, a visitar aquele templo islâmico, em Fevereiro passado.

 

 

LISBOA

 

PRÉMIO DIREITOS HUMANOS

PARA CNIS

 

A Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS) encara a recepção do “Prémio Direitos Humanos” 2011, da Assembleia da República, como um reconhecimento pelo “muito e bem” que as organizações sociais fazem pelo país.

 

O presidente daquele organismo, padre Lino Maia, partilhou o Prémio com todos os agentes de um sector que, “nesta altura muito complicada”, tem funcionado como uma “verdadeira almofada social”.

O padre Lino Maia considerou a distinção como um desafio para que, apesar das imensas dificuldades com que se debatem as instituições de solidariedade, ninguém desista e se continue a “pugnar para que os mais carenciados tenham um futuro melhor”.

No sentido de contribuir para esse objectivo, a Confederação vai canalizar os 25 mil euros do Prémio para as organizações que mais precisam de apoios, para que “nenhuma instituição tenha de fechar portas”, adiantou o sacerdote.

A cerimónia de atribuição do Prémio, presidida pela presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, decorreu no passado dia 13 de Dezembro no salão nobre do Palácio de São Bento.

Um júri formado por representantes da “Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias” propusera o Prémio à CNIS “pela sua intervenção no apoio, defesa, congregação e representação das instituições particulares de solidariedade social em Portugal”.

No entender do padre Lino Maia, trata-se de uma mensagem “extremamente gratificante”, uma vez que indica também “uma vontade firme” da parte do Governo, em considerar estas instituições como “parceiros credíveis e responsáveis”.

Depois de um período difícil, em que se “começou por vencer alguma ignorância”, aponta o sacerdote, começa “a haver uma boa relação, de entreajuda”, consubstanciada em pedidos de “contributos, opiniões e estudos” por parte do poder político e, mais recentemente, na passagem de equipamentos sociais do Estado para as IPSS.

Uma medida que o presidente da CNIS aplaude já que “quem está no terreno está em melhores condições de actuar, até por uma questão de proximidade, de sensibilidade”.

No entanto, essa passagem de competências “não pode ser feita de ânimo leve, até porque normalmente estes equipamentos têm custos elevados e terão de ser feitos aqui uns esforços de adaptação ao longo do ano de 2012”, adverte aquele responsável.

O “Prémio Direitos Humanos”, que a Assembleia da República atribui desde 1999, pretende “reconhecer o alto mérito de organizações não governamentais ou do original de trabalho literário, histórico, científico, jornalístico, televisivo ou radiofónico, que contribuam para a divulgação ou o respeito dos direitos humanos”.

 

 

FÁTIMA

 

INICIATIVA DE ORAÇÃO

DE CARMELITAS DESCALÇOS

 

A família dos Carmelitas Descalços em Portugal lançou a iniciativa intitulada “Orar com os místicos”, destinada a partilhar online o “rico património doutrinal, espiritual e místico” dos santos desta ordem religiosa.

 

O espaço foi apresentado no passado dia 14 de Dezembro, memória litúrgica de São João da Cruz (1542-1591), que juntamente com Santa Teresa de Jesus é um dos responsáveis da reforma da Ordem Carmelita.

O site www.carmelitas.pt vai apresentar diariamente “uma oração ou pensamento orante dos místicos carmelitas”, um trabalho realizado pelas irmãs carmelitas contemplativas de todos os Carmelos de Portugal, pelos leigos carmelitas da Ordem Secular dos Carmelitas Descalços, pelos Padres Carmelitas Descalços, pelas Irmãs Carmelitas Missionárias, pelas Irmãs Carmelitas Missionárias Teresianas e por outros cristãos que “conhecem e se alimentam da espiritualidade carmelita”.

 

 

LISBOA

 

FREI HERMANO DA CÂMARA

COMEMORA JUBILEU

 

Frei Hermano da Câmara assinalou no passado dia 16 de Dezembro os 50 anos de carreira com um concerto no Coliseu dos Recreios.

 

O fundador da comunidade “Apóstolos de Santa Maria”, actualmente com 77 anos, surgiu na cena musical portuguesa no programa Nova Onda, da Emissora Nacional, e posteriormente no programa Lisboa à noite, da RTP, recorda o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC).

Sunset and sentimental assinala a sua estreia discográfica, em 1959, ano em que grava um fado de Alfredo Marceneiro, Colchetes de oiro.

Aos 27 anos decidiu professar votos religiosos no mosteiro de São Bento de Singeverga, no Minho, tornando-se monge beneditino; posteriormente, deixaria para fundar nova comunidade religiosa.

Frei Hermano da Câmara gravou Fado da despedida, que se tornou um êxito, e manteve presença regular nos palcos e nos estúdios discográficos; colaborou com o Quarteto 1111 e José Cid, e em 1978 editou o álbum O Nazareno, que vendeu cerca de 120 mil exemplares.

O monge-músico continuou a editar, inspirando-se em temas religiosos como o caso de Deus é música (1980) ou Totus Tuus (1982), uma serenata à Virgem Maria que teve como ponto de partida a tentativa de assassinato do Papa João Paulo II, no Santuário de Fátima.

Em Abril de 1986 esgotou o Coliseu dos Recreios, em Lisboa, durante cinco dias sucessivos. Em 1992 apresentou O Nazareno nos coliseus de Lisboa e Porto com a soprano Teresa Couto e o tenor João Costa Campos, entre outros artistas.

As receitas do espectáculo jubilar, organizado pela fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre, revertem em favor dos cristãos no Iraque.

 

 

BRAGA

 

PRESÉPIO VIVO

EM PRISCOS

 

No domingo dia 18 de Dezembro, a paróquia de Priscos inaugurou “o maior presépio vivo da Europa”, no qual cerca de 800 voluntários e dezenas de cenários ajudavam a fazer uma reconstituição histórica do tempo de Jesus.

 

O pároco, padre João Torres, explicou que o principal objectivo deste projecto, na sua sexta edição, é “levar as pessoas, neste tempo de sombras, a olharem para a luz do Natal e a perceberem que Jesus não foi um mito, nasceu numa cultura concreta, com pessoas que também trabalhavam e tinham as suas dificuldades”.

A iniciativa estendia-se por um espaço com cerca de 30 mil metros quadrados de ocupação e mais de 70 cenários, com referência às culturas egípcia, judia e romana.

“Este presépio ajuda cada um a sonhar que pode ser mais e melhor”, realçou o sacerdote, dando como exemplo o “autêntico milagre” humano.

Além de contar com a participação da comunidade local, na representação das personagens bíblicas, na demonstração das artes e profissões da época e no fornecimento e construção dos cenários, a organização do evento envolveu pessoas vindas de regiões mais distantes.

Uma demonstração de empenho “comunitário e gratuito” que, no entender do padre João Torres, deve ser tida em conta, numa fase em que se buscam soluções para o futuro económico de Portugal e da Europa.

Numa alusão a esta temática, que domina há largos meses o panorama social e político, foram incluídas no presépio deste ano dois elementos novos, uma “Torre de Babel” e uma “Arca de Noé”.

Os símbolos pretendem alertar as pessoas para a necessidade de uma Europa “mais solidária e unida”, onde ninguém fique de fora, abandonado à sua sorte”, explicou o pároco de Priscos.

“Acho que andamos todos muito distraídos com o futuro e esquecemo-nos de construir o hoje, que começa com quem temos ao lado”, apontou.

O “maior presépio ao vivo da Europa”, que nos últimos anos tem recebido uma média de 50 mil visitantes, estava sediado numa área junto à igreja paroquial.

Durante os seis dias da exposição, entre 18 de Dezembro e 8 de Janeiro, a entrada era gratuita, sendo possível deixar uma contribuição monetária utilizada para financiar a construção de uma estrutura social direccionada aos idosos da região, com centro de dia e apoio domiciliário.

 

 

LISBOA

 

PATRIARCA PEDE

“NOVA ORDEM ECONÓMICA”

 

Na passada noite de 24 de Dezembro, o Cardeal-Patriarca D. José Policarpo apelou a uma “nova ordem económica”, em tempos de crise, assinalando que o “grito de equidade e de justiça” deve respeitar uma “harmonia social que permita e favoreça mais a cooperação do que o confronto”.

 

“Esta busca da paz pode ser atitude decisiva para vencermos a crise”, disse D. José Policarpo, na mensagem de Natal transmitida pela RTP.

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa espera que a nova ordem da economia “acentue o bem comum, vença os individualismos, as desigualdades chocantes, todas as formas de materialismo”.

O Cardeal afirmou que “um dos frutos do presente sofrimento colectivo pode ser levar a sociedade a abrir-se a uma nova etapa da civilização, que dê maior prioridade à pessoa” e que “aprenda a dar prioridade aos valores do espírito e não apenas ao dinheiro”.

Na mensagem, intitulada E se o Natal nos ajudasse a enfrentar a crise?, frisou que “os portugueses, este ano, celebram o Natal em ambiente de crise”.

“Há desempregados, famílias em dificuldade, há mais pobreza, mais sofrimento, há crise de esperança”, acrescentou.

Para o Patriarca de Lisboa, é necessário “inverter os termos da questão”: “Em vez de nos perguntarmos como é possível celebrar a alegria do Natal, mergulhados neste sofrimento colectivo, procuremos descobrir em que medida é que o Natal, a festa do Deus connosco, nos pode ajudar a viver positivamente este momento”.

“Ele [Jesus] ensina-nos a não nos assustarmos com o sofrimento, mas a enfrentá-lo com coragem e generosidade. Ele próprio enfrentou uma morte cruel e injusta e ofereceu-se por nós, amou-nos no seu sofrimento”.

Lamentando a perda da “fecundidade do sofrimento” na cultura contemporânea, D. José Policarpo destacou que esse sofrimento pode gerar “a comunhão de amor” e ajudar “à vitória sobre os individualismos”, como “semente de transformação da sociedade”.

“Quando o sofrimento dos outros nos toca o coração, tornamo-nos inventivos na busca de ajuda; é a fecundidade transformadora do amor”, precisou.

Evocando o exemplo de Maria, a mãe de Jesus, o Cardeal-Patriarca declarou que “a alegria é sempre possível” e que “a esperança é atitude que não morre em quem acredita e ama”.

 

 

 


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