ANUNCIAÇÃO DO SENHOR

26 de Março de 2012

 

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Acolhe Virgem piedosa, M. Cartageno, NRMS 101

Hebr 10, 5.7

Antífona de entrada: Ao entrar no mundo, o Senhor disse: Eu venho, meu Deus, para fazer a vossa vontade.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Daqui a nove meses celebramos uma festa encantadora: o Natal. O Menino Jesus vai ter o carinho e a dedicação de todos nós.

Hoje celebramos o dia em que foi concebido no seio puríssimo de Nossa Senhora. Com Ela vamos aprender a amar Jesus.

 

Oração colecta: Deus, Pai santo, que na vossa benigna providência quisestes que o vosso Verbo assumisse verdadeira carne humana no seio da Virgem Maria, concedei-nos que, celebrando o nosso Redentor como verdadeiro Deus e verdadeiro homem, mereçamos também participar da sua natureza divina. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Seis séculos antes, o Profeta Isaías anuncia que o Messias nascerá duma Virgem. Que a Virgem Maria nos ajude a acolher em nosso coração o Senhor Jesus!

 

Isaías 7, 10-14 8, 10

 

Naqueles dias, 10o Senhor mandou ao rei Acaz a seguinte mensagem: 11«Pede um sinal ao Senhor teu Deus, quer nas profundezas do abismo, quer lá em cima nas alturas». 12Acaz respondeu: «Não pedirei, não porei o Senhor à prova». 13Então Isaías disse: «Escutai, casa de David: Não vos basta que andeis a molestar os homens para quererdes também molestar o meu Deus? 14Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: a virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será ‘Emanuel’, porque Deus está connosco».

 

Este célebre texto messiânico é extraído do início do «Livro do Emanuel», assim chamado pela misteriosa figura central do Immánu-El (connosco Deus), um «menino» descrito com traços que, excedendo tudo o que a história da monarquia hebraica regista (Is 7, 1 – 12, 6), lhe dão um carácter messiânico, em quem os cristãos vêem uma figura do Salvador.

10-13 Como prova de que o rei Acaz não virá a ser destronado e substituído pelo filho de Tabel, estranho à linhagem davídica (estamos na conjura siro-efraimita contra o rei de Judá), o profeta Isaías propõe ao rei que peça um sinal divino, por mais extraordinário que seja (cf. v. 11). O rei, com hipócrita religiosidade, nega-se a pedir esse sinal, porque não acredita em sinais, em coisas sobrenaturais. Foi por esta ocasião (o que não quer dizer exactamente no mesmo momento) que o Profeta, dirigindo-se à linhagem (casa) de David, anunciou que o Senhor dará um sinal verdadeiramente extraordinário e que o trono de David se consolidará eternamente (cf. 2 Sam 7, 16).

14 Esse «sinal» é a virgem que concebe. Muito se tem discutido e escrito sobre este sinal. Uma coisa é certa, é que o crente não pode prescindir de algum sentido messiânico (directo ou indirecto) desta célebre passagem isaiana. De facto, a própria exegese bíblica mostra que estamos no chamado «Livro do Imanuel» (Is 7 – 12), uma secção de carácter vincadamente messiânico por apontar para um descendente de David, em quem se concentram as promessas da salvação de Deus, o Imanuel (o Deus connosco). Ainda que, num primeiro plano, possa ser visado o próprio filho do rei Acaz, Ezequias, ele pode ser considerado como uma figura ou tipo do Messias. A tradução grega dos LXX (inspirada por Deus?) utilizou um termo específico para designar a virgindade desta mãe, chamando-a parthénos, quando o termo hebraico original não designa mais que a sua idade juvenil: ‘almáh. A célebre tradução grega em que se apoiavam os primeiros apologistas cristãos para demonstrarem aos judeus que Jesus é o Messias prometido, veio a ser rejeitada pelos judeus, que a substituíram por outras versões (ou antes adaptações gregas, Áquila, Símaco e Teodocião); e o dia festivo para comemorar a tradução dos LXX passou a ser um dia de luto! A interpretação mais tradicional defende o sentido literal (não se contentando com o sentido chamado típico ou pleno, suficientes para se garantir o sentido messiânico da passagem) e faz finca-pé em que Deus tinha oferecido pelo Profeta um sinal prodigioso, e eis que o dá; ora esse sinal só é prodigioso se a concepção e o nascimento do Menino acontece sem destruir a virgindade da Mãe; aliás é ela a pôr o nome ao filho, coisa que pertence sempre ao pai (que aqui não aparece). O próprio nome do filho insinua a sua divindade, «Deus connosco»: é a mesma personagem extraordinária anunciada em Is 9, 5-6: «Deus forte, príncipe da paz...».

 

Salmo Responsorial    Sl 39 (40), 7–8a.8b–9.10.11 (R. 8a.9a)

 

Monição: Viemos aqui porque queremos cumprir a vontade do Senhor. Que ninguém nos consiga desviar d’Ele. Que esteja sempre connosco!

 

Refrão:        Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade.

 

Não Vos agradaram sacrifícios nem oblações,

mas abristes–me os ouvidos;

não pedistes holocaustos nem expiações,

então clamei: «Aqui estou».

 

De mim está escrito no livro da Lei

que faça a vossa vontade.

Assim o quero, ó meu Deus,

a vossa lei está no meu coração».

 

Proclamei a justiça na grande assembleia,

não fechei os meus lábios, Senhor, bem o sabeis.

 

Não escondi a vossa justiça no fundo do coração,

proclamei a vossa fidelidade e salvação.

Não ocultei a vossa bondade e fidelidade

no meio da grande assembleia.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Jesus vem para fazer a vontade do Pai. Também nós devemos cumprir a vontade de Jesus durante toda a vida.

 

Hebreus 10, 4-10

 

Irmãos: 4É impossível que o sangue de touros e cabritos perdoe os pecados. 5Por isso, ao entrar no mundo, Cristo disse: «Não quiseste sacrifícios nem oblações, mas formaste-Me um corpo. 6Não Te agradaram holocaustos nem imolações pelo pecado. 7Então Eu disse: ‘Eis-Me aqui no livro sagrado está escrito a meu respeito: Eu venho, meu Deus, para fazer a tua vontade’». 8Primeiro disse: «Não quiseste sacrifícios nem oblações, não Te agradaram holocaustos nem imolações pelo pecado». E no entanto, eles são oferecidos segundo a Lei. 9Depois acrescenta: «Eis-Me aqui: Eu venho para fazer a tua vontade». Assim aboliu o primeiro culto para estabelecer o segundo. 10É em virtude dessa vontade que nós somos santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita de uma vez para sempre.

 

O autor de Hebreus está no final da primeira parte da obra, precisamente quando discorre sobre a superioridade do sacrifício de Cristo relativamente a todos os sacrifícios da Lei Antiga (8, 1 – 10, 18), sob o ponto de vista da eficácia, argumentando, à boa maneira rabínica, a partir dos Salmos 40, 7-9 e 110, 1. Perante a ineficácia dos sacrifícios da Antiga Lei, o próprio Deus decide vir à Terra, na pessoa do Filho para poder oferecer, da parte da humanidade (Cristo é perfeito homem), um sacrifício de eficácia infinita (Cristo é perfeito Deus), oferecido de uma vez para sempre (v. 10), e assim aboliu o primeiro culto, o levítico (v. 9). Recorde-se que o Sacrifício do Calvário é único pelo seu infinito valor, o Sacrifício da Missa não é outro sacrifício diferente, mas o mesmo sacrifício que se torna presente sacramentalmente a todos os tempos nos nossos altares, aplicando-nos os méritos da Cruz (cf. Encíclica Ecclesia de Eucharistia, nº 12).

7 «Eis-me aqui». Palavras do Salmo 40 (39) que o autor inspirado aplica a Jesus, e que a Liturgia hoje põe no coração do Filho de Deus, ao incarnar no seio da Santíssima Virgem.

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 1, 14ab

 

Monição: O Evangelho que vamos escutar descreve-nos pormenorizadamente a mensagem divina do Anjo a Nossa Senhora que respondeu sim. Deve ser essa a nossa resposta ao Senhor.

 

 

Cântico: J. Santos, NRMS 40

 

O Verbo fez–Se carne e habitou entre nós

e nós vimos a Sua glória.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 1, 26-38

 

Naquele tempo, 26o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José. 27O nome da Virgem era Maria. 28Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo». 29Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. 30Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. 31Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. 32Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David 33reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». 34Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?». 35O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. 36E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril 37porque a Deus nada é impossível». 38Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor faça-se em mim segundo a tua palavra».

 

A narrativa da Anunciação reveste-se duma densidade tal, que cada palavra encerra uma riqueza e profundidade impressionante, o que condiz bem com o acontecimento mais transcendente da História, o preciso momento em que, com o sim da Virgem Maria, o Eterno entra no tempo, o Criador se faz criatura.

26 «O Anjo Gabriel». O mesmo que anunciou a Zacarias o nascimento de João. Já era conhecido o seu nome no A.T. (Dan 8, 16-26; 9, 21-27). O seu nome significa «homem de Deus» ou também «força de Deus».

28 Coadunando-se com a transcendência da mensagem, a tripla saudação a Maria é absolutamente inaudita:

«Ave»: Vulgarizou-se esta tradução, correspondente a uma saudação comum (como ao nosso «bom dia»; cf. Mt 26, 49), mas que não parece ser a mais exacta, pois Lucas, para a saudação comum usa o semítico «paz a ti» (cf. Lc 10, 5); a melhor tradução é «alegra-te» – a tradução literal do imperativo grego khaire –, de acordo com o contexto lucano de alegria e com a interpretação patrística grega, não faltando mesmo autores modernos que vêm na saudação uma alusão aos convites proféticos à alegria da «Filha de Sião» (Sof 3, 14; Jl 2, 21-23; Zac 9, 9).

Ó «cheia de graça»: Esta designação tem muita força expressiva, pois está em vez do nome próprio, por isso define o que Maria é na realidade. A expressão portuguesa traduz um particípio perfeito passivo que não tem tradução literal possível na nossa língua: designa Aquela que está cumulada de graça, de modo permanente; mais ainda, a forma passiva parece corresponder ao chamado passivo divino, o que evidencia a acção gratuita, amorosa, criadora e transformante de Deus em Maria: «ó Tu a quem Deus cumulou dos seus favores». De facto, Maria é a criatura mais plenamente ornada de graça, em função do papel a que Deus A chama: Mãe do próprio Autor da Graça, Imaculada, concebida sem pecado original, doutro modo não seria, em toda a plenitude, a «cheia de graça», como o próprio texto original indica.

«O Senhor está contigo»: a expressão é muito mais rica do que parece à primeira vista; pelas ressonâncias bíblicas que encerra, Maria é posta à altura das grandes figuras do Antigo Testamento, como Jacob (Gn 28, 15), Moisés (Ex 3, 12) e Gedeão (Jz 6, 12), que não são apenas sujeitos passivos da protecção de Deus, mas recebem uma graça especial que os capacita para cumprirem a missão confiada por Ele.

Chamamos a atenção para o facto de na última edição litúrgica ter sido suprimido o inciso «Bendita és tu entre as mulheres», pois este não aparece nos melhores manuscritos e pensa-se que veio aqui parar por arrasto do v. 42 (saudação de Isabel). A Neovulgata, ao corrigir a Vulgata, passou a omiti-lo.

29 «Perturbou-se», ferida na sua humildade e recato, mas sobretudo experimentando o natural temor de quem sente a proximidade de Deus que vem para tomar posse da sua vida (a vocação divina). Esta reacção psicológica é diferente da do medo de Zacarias (cf. Lc 1, 12), pois é expressa por outro verbo grego; Maria não se fecha no refúgio dos seus medos, pois nela não há qualquer espécie de considerações egoístas, deixando-nos o exemplo de abertura generosa às exigências de Deus, perguntando ao mensageiro divino apenas o que precisa de saber, sem exigir mais sinais e garantias como Zacarias exigira (cf. Lc 1, 18).

32-33 «Encontraste graça diante de Deus»: «encontrar graça» é um semitismo para indicar o bom acolhimento da parte dum superior (cf. 1 Sam 1, 18), mas a expressão «encontrar graça diante de Deus» só se diz no A. T. de grandes figuras, Noé (Gn 6, 8) e Moisés (Ex 33, 12.17). O que o Anjo anuncia é tão grandioso e expressivo que põe em evidência a maternidade messiânica e divina de Maria (cf. 2 Sam 7, 8-16; Salm 2, 7; 88, 27; Is 9, 6; Jer 23, 5; Miq 4, 7; Dan 7, 14).

34 «Como será isto, se Eu não conheço homem?» Segundo a interpretação tradicional desde Santo Agostinho até aos nossos dias, tem-se observado que a pergunta de Maria careceria de sentido, se Ela não tivesse antes decidido firmemente guardar a virgindade perpétua, uma vez que já era noiva, com os desposórios ou esponsais (erusim) já celebrados (v. 27). Alguns entendem a pergunta como um artifício literário e a expressão «não conheço» no sentido de «não devo conhecer», como compete à Mãe do Messias (cf. Is 7, 14). Pensamos que a forma do verbo, no presente, «não conheço», indica uma vontade permanente que abrange tanto o presente como o futuro. Também a segurança com que Maria aparece a falar faz supor que José já teria aceitado, pela sua parte, um matrimónio virginal, dando-se mutuamente os direitos de esposos e renunciando a consumar a união; mas nem todos os estudiosos assim pensam, como também se vê no recente e interessante filme Figlia del suo Figlio.

35 «O Espírito Santo virá sobre ti…». Este versículo é o cume do relato e a chave do mistério: o Espírito, a fonte da vida, «virá sobre ti», com a sua força criadora (cf. Gn 1, 2; Salm 104, 30) e santificadora (cf. Act 2, 3-4); «e sobre ti a força do Altíssimo estenderá a sua sombra» (a tradução litúrgica «cobrirá» seria de evitar por equívoca e pobre; é melhor a da Nova Bíblia da Difusora Bíblica): o verbo grego (ensombrar) é usado no A. T. para a nuvem que cobria a tenda da reunião, onde a glória de Deus estabelecia a sua morada (Ex 40, 34-36); aqui é a presença de Deus no ser que Maria vai gerar (pode ver-se nesta passagem mais um fundamento bíblico para o título de Maria, «Arca da Aliança»).

«O Santo que vai nascer…». O texto grego admite várias traduções legítimas; a litúrgica, afasta-se tanto da da Vulgata, como da da Nova Vulgata; uma tradução na linha da Vulgata parece-nos mais equilibrada e expressiva: «por isso também aquele que nascerá santo será chamado Filho de Deus». I. de la Potterie chega a ver aqui uma alusão ao parto virginal de Maria: «nascerá santo», isto é, não manchado de sangue, como num parto normal. «Será chamado» (entenda-se, «por Deus» – passivum divinum) «Filho de Deus», isto é, será realmente Filho de Deus, pois o que Deus chama tem realidade objectiva (cf. Salm 2, 7).

38 «Eis a escrava do Senhor…». A palavra escolhida na tradução, «escrava» talvez queira sublinhar a entrega total de Maria ao plano divino. Maria diz o seu sim a Deus. Chamando-se «serva do Senhor», é a primeira e única vez que na história bíblica se aplica a uma mulher este apelativo, como que evocando toda uma história maravilhosa de outros «servos» chamados por Deus, que puseram a sua vida ao seu serviço: Abraão, Jacob, Moisés, David… É o terceiro nome com que Ela aparece neste relato: «Maria», o nome que lhe fora dado pelos homens, «cheia de graça», o nome dado por Deus, «serva do Senhor», o nome que Ela se dá a si mesma.

«Faça-se…». O «sim» de Maria é expresso com o verbo grego no modo optativo (génoito, quando o normal seria o uso do modo imperativo génesthô), o que põe em evidência a sua opção radical e definitiva, o seu vivo desejo (matizado de alegria) de ver realizado o desígnio de Deus (M. Orsatti).

 

Sugestões para a homilia

 

Anunciação do Senhor

A Mãe de Jesus

Anunciemos Jesus Cristo

Anunciação do Senhor

Um dia o Senhor chamou Abraão que foi sempre fiel aos Seus desígnios. Os descendentes de Abraão constituíram o Povo Eleito, cumulado de bênçãos e graças através das gerações.

Deste Povo nasceria o Messias Salvador. A Sua vinda ao mundo é um mistério de amor que nunca nos cansaremos de agradecer.

Como nos refere o Evangelho, Deus quis que o Seu Anjo visitasse a Virgem Maria. Que saudação verdadeira e bonita! «Ave, cheia de Graça, o Senhor está contigo». De tal modo que, acima de todos os santos e logo abaixo de Deus, está a Virgem Maria. Amemo-l’A como nossa terna Mãe. Nunca nos cansemos de Lhe rezar, invocando-A e imitando-A na Sua vida consagrada ao Senhor.

A Mãe de Jesus

O Anjo continua o diálogo dizendo-Lhe que, entre todas as mulheres da Terra, foi escolhida para Mãe de Jesus. Explica-Lhe que conceberá por obra e graça do Espírito Santo. Maria não se considera superior a ninguém. Agradece a escolha e humildemente responde: «Eis a escrava do Senhor; faça-se em Mim segundo a tua palavra».

E nesse momento Jesus, concebido em Seu seio puríssimo, nele viverá nove meses até ao Seu nascimento que o povo cristão celebra anualmente em 25 de Dezembro.

Como Maria procuremos cumprir sempre a vontade do Senhor. Ele nos libertará de tudo aquilo que nos impede de O amar verdadeiramente. E seremos felizes. Tão felizes que teremos de repartir com os outros a felicidade que já enche completamente o nosso coração.

E então com Maria Santíssima vamos pelo mundo inteiro anunciar Jesus Cristo que a todos quer tornar felizes.

Anunciemos Jesus Cristo

Anunciemos Jesus Cristo aos ateus. Sim, exactamente aos que O negam. O Senhor também os ama. E quem sabe se na Sua infinita misericórdia lhes concederá a graça da conversão?!

Anunciemos Jesus Cristo aos indiferentes e agnósticos. Pode ser que se entusiasmem por Jesus ao verem que Ele sempre se interessou pelos outros sobretudo os pobres e abandonados.

Anunciemos Jesus Cristo aos que professam outras religiões. Talvez se sintam atraídos para a Sua Igreja que é una, santa, católica e apostólica.

Anunciemos Jesus Cristo aos que perseguem os cristãos nos países onde impera o fanatismo religioso. Se os povos desses países podem viver livremente a sua religião nas nações cristãs por que não procedem da mesma forma nas suas terras para com os cristãos que constituem aí uma pequena percentagem da população?

Anunciemos Jesus Cristo aos nossos irmãos perseguidos por causa da sua Fé. Lembrem-se que não os esquecemos e rezamos em cada dia para que nunca reneguem o Senhor que está com eles para os animar e salvar (Lc 12, 8).

Anunciemos Jesus Cristo aos que não O conhecem. Digamos aos emigrantes para darem testemunho da sua Fé onde quer que se encontrem. Utilizemos os meios de comunicação social para que a mensagem chegue a todo o mundo onde vivem actualmente sete biliões de pessoas.

A alegria e felicidade que sentiremos será na Terra a recompensa do Senhor que nos concederá um dia a bem-aventurança eterna no Céu.

 

Diz-se o Credo. Às palavras e encarnou..., ajoelha-se.

 

Oração Universal

 

Irmãos, oremos a Deus Omnipotente

e imploremos a Sua misericórdia,

dizendo confiadamente:

Escutai, Senhor, a nossa oração.

 

1.     Para que a Santa Igreja

anuncie Jesus Cristo ao Mundo

a fim de que a guerra dê lugar à paz,

por intercessão de Maria, oremos irmãos.

 

2.     Para que as famílias cristãs

vivam no Amor do Senhor

e nelas surjam vocações consagradas,

por intercessão de Maria, oremos irmãos.

 

3.     Para que os indiferentes, agnósticos, ateus

e os que nunca ouviram falar de Jesus Cristo

aceitem o testemunho e apostolado dos cristãos,

por intercessão de Maria , oremos irmãos.

 

4.     Para que os cristãos perseguidos

e os que são aliciados com falsas promessas

se mantenham firmes na Fé,

por intercessão de Maria, oremos irmãos.     

 

5.     Para que os doentes, idosos, abandonados e desprezados

recebam o conforto e a ajuda que merecem

a fim de se sentirem úteis na sociedade,

por intercessão de Maria, oremos irmãos.

 

6.     Para que os familiares, amigos e pessoas falecidas

alcancem a felicidade eterna no Céu

onde os esperamos encontrar após a morte,

por intercessão de Maria, oremos irmãos.

 

Senhor nosso Deus e nosso Pai,

dignai-Vos atender estas súplicas

e, por intercessão da  Virgem Santa Maria,

concedei-nos o que for melhor para nós.

Por N. S. J. C. Vosso Filho que é Deus Convosco

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: O Anjo do Senhor, M. Simões, NRMS 31

 

Oração sobre as oblatas: Recebei, Senhor, os dons da vossa Igreja, que reconhece a sua origem na Encarnação do vosso Filho e fazei-lhe sentir a alegria de celebrar nesta solenidade os mistérios do seu Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Prefácio

 

O mistério da Encarnação

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor. Pela Anunciação do mensageiro celeste, a Virgem Imaculada acolheu com fé a vossa Palavra e pela acção admirável do Espírito Santo trouxe em seu ventre com amor inefável o Primogénito da nova humanidade, que vinha cumprir as promessas feitas a Israel e revelar-Se ao mundo como a esperança de todos os povos.

Por isso com os Anjos, que adoram a vossa majestade e exulta eternamente na vossa presença, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

Santo, Santo, Santo...

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Maria acolheu Jesus com muito amor e carinho. Também nós O podemos receber na Sagrada Comunhão, se estamos devidamente preparados. Como Maria confiemos- Lhe a nossa vida.

 

Cântico da Comunhão: Eu venho, Senhor, Az. Oliveira, NRMS 62

Is 7,14

Antífona da comunhão: A Virgem conceberá e dará à luz um Filho e o seu nome será Emanuel, Deus connosco.

 

Cântico de acção de graças: O Senhor fez em mim maravilhas, Az. Oliveira, NRMS 45

 

Oração depois da comunhão: Confirmai em nós, Senhor, os mistérios da verdadeira fé, para que, tendo proclamado que Jesus Cristo, concebido da Virgem Maria, é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, cheguemos, pelo poder da sua ressurreição, às alegrias da vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Felizes por termos participado nesta Eucaristia da Anunciação do Senhor, partimos confiantes com a missão de anunciarmos Jesus Cristo ao mundo. Que a Mãe de Jesus e nossa Mãe nos acompanhe sempre!

 

Cântico final: Avé Maria Senhora, F. da Silva, NRMS 81

 

Homilias Feriais

 

5ª SEMANA

 

3ª Feira, 27-III: Um olhar que salva.

Num 21, 4-9 / Jo 8, 21-30

Faz uma serpente de fogo e prende-a num poste. Todo aquele que, depois de mordido, olhar para ela, terá a vida salva.

Esta serpente (Leit.) é a imagem da cruz de Cristo no Calvário. «Já no Antigo Testamento, Deus ordenou ou permitiu a instituição de imagens, que conduziriam simbolicamente à salvação pelo Verbo encarnado: por exemplo, a serpente de bronze» (CIC, 2130).

É sobretudo na celebração eucarística que podemos olhar para a cruz de Cristo: «Pela sua santíssima Paixão no madeiro da cruz, Ele mereceu-nos a justificação…sublinhando o carácter do sacrifício de Cristo como fonte de salvação eterna» (CIC, 617).

 

4ª Feira, 28-III: A libertação da escravidão.

Dan 3, 14-20. 91-92. 95 / Jo 8, 31-42

Bendito seja o Deus de Sidrach…Mandou o seu Anjo, para livrar os seus servidores, que tiveram confiança nele.

Embora sendo escravos do rei da Babilónia, os três jovens foram salvos e libertados pela confiança em Deus, que é a Verdade (Leit.).

Jesus também nos recorda que é a verdade que nos libertará: «Pela sua Cruz gloriosa, Cristo obteve a salvação de todos os homens. Resgatou-os do pecado, que os retinha nessa situação de escravatura. ‘Foi para a liberdade que Cristo nos libertou’. Nele, nós comungamos a verdade que nos liberta (Ev.)» (CIC, 1741). Procuremos chegar ao conhecimento da Verdade, contida nos ensinamentos de Jesus.

 

5ª Feira, 29-III: Fidelidade à Aliança.

Gen 17, 3-9/ Jo 8, 51-59

Vou estabelecer uma Aliança contigo e, depois de ti, com a tua descendência de geração em geração.

«A esperança cristã retoma e realiza a esperança do povo eleito, que tem a sua origem na esperança de Abraão, o qual, em Isaac, foi cumulado das promessas de Deus e purificado pela provação do sacrifício (Leit.)» (CIC, 1819).

A Aliança estabelecida com Abraão foi renovada de uma vez para sempre, por Cristo na Cruz. A Eucaristia é memorial da Páscoa de Cristo e também um sacrifício que se manifesta nas palavras da instituição: ‘este cálice é a nova Aliança…’ (CIC, 1365). Sejamos fiéis à nova Aliança, cumprindo o que prometemos a Deus.

 

6ª Feira, 30-III: A vitória alcançada na Cruz.

Jer 20, 10-13 / Jo 10, 31-42

Mas o Senhor está comigo como herói poderoso e os meus perseguidores cairão vencidos.

Este herói poderoso (Leit.) é o próprio Cristo, que veio à terra para vencer o demónio. Mas, mesmo assim, os judeus queriam apedrejá-lo.

Esta luta contra o demónio continuará até ao fim dos tempos. Mas temos motivos fundados de esperança, porque Cristo o venceu e nada devemos temer, porque a derrota já está consumada. Esta vitória de Cristo foi alcançada na Cruz: «A vitória sobre o príncipe deste mundo foi alcançada de uma vez para sempre, na hora em que Jesus livremente se entregou à morte para nos dar a sua vida» (CIC, 2853).

 

Sábado, 31-III: Como obter a unidade dos cristãos.

Ez 37, 21-28 / Jo 11, 45-46

(Caifás) profetizou que Jesus ia morrer pela Nação; também para trazer à unidade os filhos de Deus que andavam dispersos.

O Senhor Deus, através de Ezequiel, já prometera reunir os filhos de Israel, dispersos por toda a parte (Leit.). E Caifás afirma que essa unidade será fruto da morte de Jesus na Cruz (Ev.). Mas é também dom do Espírito Santo que, no dia de Pentecostes, reuniu uma enorme multidão, de diferentes línguas.

A unidade dos cristãos é indispensável para que a Igreja de Deus seja um sinal cada vez mais luminoso de esperança e conforto para toda a humanidade (Paulo VI). No Pai-nosso pedimos para que todos se reúnam à volta do Pai comum (CIC, 2793).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Aurélio Araújo ribeiro

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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