S. José, Esp. da V. Santa Maria

19 de Março de 2012

 

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Eis o servo fiel e diligente, F. Silva, NRMS 89

Lc 12, 42

Antífona de entrada: Este é o servo fiel e prudente, que o Senhor pôs à frente da sua família.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos a festa de S. José, pai virginal de Jesus e pai de todos os que estão unidos a Ele pelo baptismo. Ele é poderoso protector diante de Deus e modelo de santidade para todos os cristãos.

Enchamo-nos de alegria, olhemos para o seu exemplo e peçamos o seu patrocínio.

 

Peçamos perdão dos nossos pecados e procuremos aprender com o Santo Patriarca a tratar a Jesus que está aqui connosco.

 

Oração colecta: Deus todo-poderoso, que na aurora dos novos tempos confiastes a São José a guarda dos mistérios da salvação dos homens, concedei à vossa Igreja, por sua intercessão, a graça de os conservar fielmente e de os realizar até à sua plenitude. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: David diz ao profeta Natan que vai construir para Deus uma casa em Jerusalém. O Senhor manda dizer-lhe pelo profeta que vai fazer que a casa de David, a sua descendência, durará para sempre. Dele iria nascer o Messias Rei.

É através de S. José que vai concretizar-se essa profecia, como lembra o Evangelho. Ele é da linhagem do grande rei do Povo de Israel.

 

2 Samuel 7, 4-5a.12-14a.16

4Naqueles dias, o Senhor falou a Natã, dizendo: 5a«Vai dizer ao meu servo David: Assim fala o Senhor: 12Quando chegares ao termo dos teus dias e fores repousar com os teus pais, estabelecerei em teu lugar um descendente que nascerá de ti e consolidarei a tua realeza. 13Ele construirá um palácio ao meu nome e Eu consolidarei para sempre o seu trono real. 14aSerei para ele um pai e Ele será para Mim um filho. 16A tua casa e o teu reino permanecerão diante de Mim eternamente e o teu trono será firme para sempre».

 

Este texto, respigado da célebre profecia dinástica do profeta Natã, em que se garante a estabilidade da descendência de David à frente do povo de Israel – «o teu trono será firme para sempre» (v. 16) –, irá alimentar a esperança de restauração messiânica, após o desterro de Babilónia e justifica o título de «Filho de David» dado a Jesus ao longo do Novo Testamento (cf. Mt 1, 1; 9, 27; 12, 23; 15, 22; 20, 30-31; 21, 9; 22, 42; Act 2, 30; 13, 22-23; Rom 1, 3; 2 Tim 2, 8; Apoc 5, 5; 22, 16). O texto é escolhido para a solenidade de S. José, por ser ele quem garante a Jesus a sua descendência de David (Mt 1, 1; Lc 1, 31-33: «reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reino não terá fim»); com efeito, segundo a lei, José era pai de Jesus, um dado suficiente para Ele ser considerado descendente de David, embora também Maria devesse ser descendente de David, dado o costume de os casamentos se fazerem dentro da parentela.

4 «Naqueles dias», isto é, na mesma noite em que o profeta Natã tinha apoiado a resolução do rei David de vir a construir uma casa digna para a arca da aliança que substituísse o modesto tabernáculo feito de cortinados. A mensagem divina para David é que não vai ser ele a conseguir uma casa (templo) para Deus, mas vai ser o próprio Deus a erguer-lhe uma casa (descendência) que permanecerá eternamente. O profeta joga com o duplo sentido da palavra hebraica «báyit», casa e dinastia (v. 11-12).

 

Salmo Responsorial    Sl 88 (89), 2-3.4-5.27 e 29 (R. 37)

 

Monição: Aclamemos a descendência de David, Jesus, que é Rei de reis e Senhor de senhores, por todos os séculos.

 

Refrão:        A sua descendência permanecerá eternamente.

 

Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor

e para sempre proclamarei a sua fidelidade.

Vós dissestes: «A bondade está estabelecida para sempre»,

no céu permanece firme a vossa fidelidade.

 

Concluí uma aliança com o meu eleito,

fiz um juramento a David meu servo:

Conservarei a tua descendência para sempre,

estabelecerei o teu trono por todas as gerações.

 

Ele Me invocará: «Vós sois meu Pai,

meu Deus, meu Salvador».

Assegurar-lhe-ei para sempre o meu favor,

a minha aliança com ele será irrevogável.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo exalta a fé de Abraão, pai de todo o povo de Israel. Também o glorioso S. José, na linha da descendência de Abraão, se tornou, pela sua fé, pai de Jesus e de todos os crentes unidos a Jesus pelo baptismo.

 

Romanos 4, 13.16-18.22

Irmãos: 13Não foi por meio da Lei, mas pela justiça da fé, que se fez a Abraão ou à sua descendência a promessa de que receberia o mundo como herança. 16Portanto a herança vem pela fé, para que seja dom gratuito de Deus e a promessa seja válida para toda a descendência, não só para a descendência segundo a Lei, mas também para a descendência segundo a fé de Abraão. 17Ele é o pai de todos nós, como está escrito: «Fiz de ti o pai de muitos povos». Ele é o nosso pai diante d’Aquele em quem acreditou, o Deus que dá vida aos mortos e chama à existência o que não existe. 18Esperando contra toda a esperança, Abraão acreditou, tornando-se pai de muitos povos, como lhe tinha sido dito: 22«Assim será a tua descendência». Por este motivo é que isto «lhe foi atribuído como justiça».

 

Se na 1.ª leitura se falava de David, ascendente de S. José, nesta fala-se de outro ascendente mais longínquo, Abraão, o primeiro Patriarca do antigo povo de Deus. S. José é o Santo Patriarca do novo Povo de Deus, pois tem sobre Jesus os direitos legais de pai. 22Assim como Abraão foi pai de muitas nações (v. 17) também o Patriarca S. José é Pai e Patrono da Igreja de Cristo.

 

Aclamação ao Evangelho        Sl 83 (84), 5

 

Monição: Aclamemos a Jesus aqui presente e a S. José que Ele escolheu para Seu pai adoptivo na terra e quis fosse também nosso pai adoptivo.

 

 

Cântico: J. Santos, NRMS 40

 

Felizes os que habitam na vossa casa, Senhor:

eles Vos louvarão pelos tempos sem fim.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 1, 16.18-21.24a

16Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo. 18O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. 19Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. 20Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. 21Ela dará à luz um filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». 24aQuando despertou do sono, José fez como lhe ordenara o Anjo do Senhor.

 

S. Mateus centra o seu relato do nascimento de Jesus na figura de S. José (S. Lucas na de Maria), com uma clara intencionalidade teológica de apresentar Jesus como o Messias, anunciado como descendente de David. Isto é posto em evidência logo de início: «Genealogia de Jesus Cristo (=Messias), Filho de David» (v. 1). Como a linha genealógica passava pelo marido, é a de José que é apresentada. Os elos são seleccionados para que apareçam três séries de 14 nomes, obedecendo a uma técnica rabínica, chamada gematriáh, ou recurso ao valor alfabético dos números; assim o número 14, reforçado pela sua tripla repetição – «catorze gerações» – (no v. 17), sugere o nome de David, que em hebraico se escreve com três consoantes (em hebraico não se escrevem as vogais) que dão o número catorze ([D=4]+[V=6]+[D=4]=14). A concepção virginal antes de ser explicada e justificada pelo cumprimento das Escrituras (vv. 18-25), é logo anunciada na genealogia, pois para todos os seus elos se diz «gerou», quando para o último elo se diz «José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus» (v. 16).

18 «Antes de terem vivido em comum»: Maria e José já tinham celebrado os esponsais (erusim), que tinham valor jurídico de um matrimónio, mas ainda não tinham feito as bodas solenes (nissuim ou liqquhim), em que o noivo trazia festivamente a noiva para sua casa, o que costumava ser cerca de um ano depois.

«Encontrava-se grávida por virtude do Espírito Santo»: isto conta-se em pormenor no Evangelho de S. Lucas (1, 26-38), lido na festa da Imaculada Conceição (ver comentário então feito). Ao dizer-se «por virtude do Espírito Santo», não se quer dizer que o Espírito Santo desempenhou o papel de pai, pois Ele é puro espírito. Também isto nada tem que ver com os relatos mitológicos dos semideuses, filhos dum deus e duma mulher. Além do mais, é evidente o carácter semítico e o substrato judaico e vétero-testamentário das narrativas da infância de Jesus em Mateus e Lucas; ora, nas línguas semíticas a palavra «espírito» (rúah) não é masculina, mas sim feminina. Isto chegava para fazer afastar toda a suspeita de dependência do relato relativamente aos mitos pagãos. Por outro lado, na Sagrada Escritura, Deus nunca intervém na geração à maneira humana, pois é espiritual e transcendente: Deus não gera, Deus cria. As narrativas de Mateus e Lucas têm tal originalidade que excluem qualquer dependência dos mitos, coisa totalmente contrária à verdade da Revelação divina.

19 «Mas José, seu esposo…». Partindo do facto real e indiscutível da concepção virginal de Jesus, aqui apresentamos uma das muitas explicações dadas para o que se passou. Não dispomos da crónica dos factos, pois a intenção do Evangelista era primordialmente teológica, embora sem inventar histórias, pois, em face dos dados das suas fontes, nem sequer disso precisava. Maria nada teria revelado a José do mistério que nela se passava e José ao saber da gravidez de Maria, não a denuncia como adúltera; sendo um santo, «justo», não a condena, pois conhecia a santidade singular de Maria; não admite qualquer suspeita, mas pressente que está perante algo de sobrenatural e não quer intrometer-se num mistério que o ultrapassava. É assim que «resolveu repudiá-la em segredo», evitando, «difamá-la» (colocá-la numa situação infamante) ou simplesmente «tornar público» («deigmatísai») o mistério messiânico. A sua delicadeza extrema levava-o a não pedir explicações a Maria. Ela também não falou de algo tão extraordinário, inaudito e incrível. Maria calava, sofria também, deixando nas mãos de Deus a sua honra e as angústias por que José iria passar por sua causa; Deus, que tinha revelado já a Isabel o mistério da sua concepção, podia igualmente vir a revelá-lo a José.

20 «Não temas receber Maria, tua esposa». O Anjo não diz: «não desconfies», mas: «não temas». Segundo a explicação anterior, José deveria andar amedrontado com algo de divino e misterioso que pressentia: Julgando-se indigno de Maria, decide não se imiscuir num mistério que o transcende; «tomado dum assombro sagrado perante a novidade de tão grande milagre, perante a proximidade de tão grande mistério, quis deixá-la ocultamente... José tinha-se, por indigno...» (S. Bernardo). Zerwick pensa que o texto poderia mesmo traduzir-se: «embora o que nela foi gerado seja do Espírito Santo, Ela dar-(te-)á à luz um filho ao qual porás o nome de Jesus», exercendo assim para Ele a missão de pai». O Anjo não só elucida José, como também lhe diz que ele tem uma missão a cumprir no mistério da Incarnação, a missão e a dignidade de pai do Salvador. Comenta Santo Agostinho: «A José não só se lhe deve o nome de pai, mas este é-lhe devido mais do que a qualquer outro. Como era pai? Tanto mais profundamente pai, quanto mais casta foi a sua paternidade... O Senhor não nasceu do germe de José. Mas à piedade e amor de José nasceu um filho da Virgem Maria, que era Filho de Deus».

23 «Será chamado Emanuel». No original hebraico de Isaías 7, 14, temos o verbo no singular (forma aramaica para a 3ª pessoa do singular feminino: weqar’at referido a virgem, que é quem põe o nome = «e ela chamará»). Mateus, porém, usa o plural, que não aparece na tradução litúrgica, (kai kalésousin: «e chamarão»), um plural de generaliza­ção, a fim de que o texto possa ser aplicado a S. José, para pôr em evidência a missão de S. José, como pai «legal» de Jesus (era ao pai que pertencia pôr o nome, não à mãe). Mateus não receia adaptar o texto à realidade maravilhosa, muito mais rica do que a letra do anúncio profético. Note-se que esta técnica de actualização (o deraxe) não é arbitrária, pois se baseia na regra hermenêutica rabínica chamada al-tiqrey («não leias»), a qual consiste em não ler um texto consonântico com umas vogais, mas com outras (o hebraico escrevia-se sem vogais). Neste caso, trata-se de «não ler» as consoantes do verbo (wqrt) com as vogais que correspondem à forma feminina (tanto da 3ª pessoa do singular da forma aramaica, como da 2ª pessoa do singular da tradução dos LXX: weqar’at – «e tu chamarás»), mas de ler com as vogais que correspondem à 2ª pessoa do singular masculino (weqar’ata «e tu chamarás» (lembrar que em hebraico há formas diferentes para o masculino e feminino das 2ª e 3ª pessoas dos verbos). Como pensa Alexandre Díez Macho, «com este deraxe oculto, mas real, Mateus confirma as palavras do anjo do Senhor no v. 21: «e (tu, José) o chamarás». Assim, S. João Crisóstomo parafraseia: «Tu lhe farás as vezes de pai, por isso, começando pela imposição do nome, Eu te uno intimamente com Aquele que vai nascer» (Homil. in Mt, 4).

25 «E não a tinha conhecido...» S. Mateus pretende realçar que Jesus nasceu sem prévias relações conjugais, mas por um milagre de Deus. Quanto à posterior virgindade o Evangelista não só não a nega, como até a parece insinuar no original grego, ao usar o imperfeito de duração («não a conhecia») em vez do chamado aoristo complexívo como seria de esperar, caso quisesse abranger apenas o tempo até ao parto (Zerwick). Uma tradução mais à letra seria «até que Ela deu à luz» (em vez de: «quando Ela deu à luz»), uma afirmação que não significa necessariamente que depois já não se verificasse o que até este momento acontecera (assim é também em Jo 9, 18).

 

 

Evangelho alternativo:

São Lucas 2, 41-51a

41Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. 42Quando Ele fez doze anos, subiram até lá, como era costume nessa festa. 43Quando eles regressavam, passados os dias festivos, o Menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem. 44Julgando que Ele vinha na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-l’O entre os parentes e conhecidos. 45Não O encontrando, voltaram a Jerusalém, à sua procura. 46Passados três dias, encontraram-n’O no templo, sentado no meio dos doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. 47Todos aqueles que O ouviam estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas. 48Quando viram Jesus, seus pais ficaram admirados e sua Mãe disse-Lhe: «Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura». 49Jesus respondeu-lhes: «Porque Me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?». 50Mas eles não entenderam as palavras que Jesus lhes disse. Jesus desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso.

 

Quando faziam 12 anos, os rapazes israelitas começavam a ter os deveres e direitos da Lei mosaica, incluindo o dever de peregrinar a Jerusalém. Os judeus costumavam deslocar-se em caravanas e em grupos separados de homens e de mulheres, as crianças podiam fazer viagem em qualquer dos grupos; nas paragens do caminho, as famílias reuniam-se. É neste contexto que se desenrola o relato. A atitude de Jesus de ficar em Jerusalém é deveras surpreendente. Não deveria ter avisado os pais ou outros familiares? O que não faz sentido é buscar a explicação do sucedido numa rebeldia ou na irresponsabilidade dum adolescente – este rapaz é o Filho de Deus –, embora o relato evangélico possa fornecer luzes aos pais que se deparam com situações similares de filhos perdidos.

A teologia de Lucas talvez nos possa dar alguma pista para a compreensão do episódio narrado. «Jerusalém» não é simplesmente o centro da vida religiosa de Israel. Para os evangelistas, e de modo singular para Lucas, Jerusalém representa o culminar de toda a obra salvadora de Jesus, por ocasião da Páscoa da Paixão, Morte e Ressurreição. É por isso que Lucas, ao pôr em evidência a tensão de Jesus para a sua Paixão, apresenta grande parte do seu ensino «a caminho de Jerusalém», onde Jesus tem de padecer para ir para o Pai e entrar na sua glória (cf. Lc 24, 26). A teologia de Lucas não é abstracta e desligada da realidade. Ora a realidade é que Jesus não é apenas «o Mestre», Ele é «o Profeta», e, por isso mesmo, não ensina apenas quando exerce a função de rabi, mas, em todos os passos da sua vida, actua como Profeta, ensinando através dos seu agir, mormente através de acções simbólicas de profundo alcance, por vezes bem chocantes. O «Menino perdido» – já não é tão menino, pois é um jovem no pleno uso dos seus direitos como judeu – é um Profeta que realiza uma acção simbólica para proclamar quem é e qual é a sua missão: «Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?» Ele é o Filho de Deus, e tem de cumprir a missão que o Pai lhe confiou – «em Jerusalém» –, ainda que isto lhe custe bem e tenha de fazer sofrer aqueles que mais ama – «aflitos à tua procura» (v. 48). O episódio passa-se em Jerusalém, como prenúncio e paralelo de um sofrimento bem maior, também em Jerusalém. A lição é clara: não se pode realizar plenamente a vontade do Pai do Céu e, ao mesmo tempo, evitar todo o sofrimento tanto o próprio como o dos seres mais queridos; subir a Jerusalém é subir à Cruz, e subir à Cruz é «elevar-se» ao Céu, também em Jerusalém (cf. Lc 24, 50-51).

41 «Os pais de Jesus». «Teu pai» (v. 48). Uma vez que Lucas tinha acabado de falar tão explicitamente da concepção virginal de Jesus, não tem agora qualquer receio de nomear S. José como pai (virginal) do Senhor.

49 «Eu devia estar na Casa de Meu Pai». A tradução de «tá toû Patrós mou» pode significar tanto «a casa de meu Pai», como «as coisas (assuntos, vontade) de meu Pai». A verdade é que o redactor pode ter querido dar à resposta de Jesus uma certa ambiguidade: «Não sabíeis que Eu tenho de estar nas coisas de meu Pai» (e que, por isso, me deveria encontrar aqui no Templo)»?

50 «Eles não entenderam». A resposta do Menino envolvia um sentido muito profundo que ultrapassava uma simples justificação da sua «independência». Não alcançam ver até onde iria este «estar nas coisas do Pai», mas também não se atrevem a fazer mais perguntas. Estamos postos perante o mistério do ser e da missão de Jesus; é mais um «sinal» e mais uma «espada» (cf. Lc 2, 34-35).

 

Sugestões para a homilia

 

José fez como lhe ordenara o Anjo do Senhor

Tornando-se pai de muitos povos

José fez como lhe ordenara o Anjo do Senhor

S. José é o protector da Santa Igreja, família dos filhos de Deus cá na terra. É o grande amigo que temos no céu, a quem podemos acudir em todas as necessidades, com a certeza que nos escuta e que Jesus, que lhe obedeceu na terra, não lhe nega nada agora no céu.

Ele é para nós também o grande modelo de santidade, ao lado da Virgem Maria e de Jesus.

Viveu uma vida simples tão parecida com a nossa. Nela soube amar a Deus e dedicar-se ao serviço dos outros.

A sua vida foi sempre guiada pela fé. O Evangelho diz que José era justo e o justo vive da fé – lembra a Sagrada Escritura.

Nas poucas passagens que se referem ao Santo Patriarca podemos descobrir essa vida de fé. Deus permitiu que sofresse diante da situação de gravidez de Maria, sua esposa. Mas quando o anjo lhe aparece a revelar-lhe o mistério da Incarnação do Verbo de Deus, ele acredita prontamente, apesar do inaudito daquela situação.

Obedece prontamente ao encargo que Deus lhe faz: José fez como lhe ordenara o Anjo do Senhor.

A obediência pronta e decidida de S. José está sempre ligada com a fé. Vai a Belém com Maria para se recensear, apesar das complicações que lhes trazia aquela ordem inoportuna do imperador de Roma. Foge com o Menino para o Egipto, avisado pelo anjo. Não discute porque é que Deus não resolvia o problema de outra forma, por exemplo tirando do caminho aquele rei Herodes malvado e cruel.

Mais adiante o anjo avisa-o da morte de Herodes e S. José volta para Nazaré

Podemos imaginar a vida de família naquela aldeia, a vida de trabalho de José e de Jesus.Com que carinho ele trataria a Jesus! Podemos admirar a sua fé ao contemplar o Menino, em Nazaré, como em Belém e no Egipto, entregue confiadamente aos seus cuidados paternais.

A sua vida ao lado de Jesus era oração contínua pela palavra mas sobretudo pelo olhar, pela contemplação. Santa Teresa de Ávila diz que S. José é mestre de oração. «Em particular – diz ela – as pessoas de oração sempre deviam ser-lhe afeiçoadas...Quem não encontrar mestre que o ensine tome este glorioso santo por mestre e não errará no caminho” (Livro da vida, cap.VI).

Nas coisas humanas, José foi mestre de Jesus; conviveu diariamente com Ele, com carinho delicado, e cuidou dEle com abnegação alegre. Não será esta uma boa razão para considerarmos esse varão justo, esse Santo Patriarca, em quem culmina a fé da Antiga Aliança, como mestre de vida interior? A vida interior não é outra coisa senão uma relação de amizade assídua e íntima com Cristo, para nos identificarmos com Ele. E José saberá dizer-nos muitas coisas sobre Jesus. Por isso, não abandonemos nunca a devoção que lhe dedicamos: Ite ad Ioseph, ide a José, como diz a tradição cristã, servindo-se de uma frase tirada do Antigo Testamento.

Mestre de vida interior, trabalhador empenhado no seu ofício, servidor fiel de Deus, em relação contínua com Jesus: este é José. Ite ad Ioseph. Com S. José, o cristão aprende o que significa pertencer a Deus e estar plenamente entre os homens, santificando o mundo”.

São palavras doutro grande devoto de S. José, que foi S. Josemaria Escrivá, fundador do Opus Dei. (Cristo que passa, 56).

O santo patriarca é exemplo de todas as virtudes cristãs: a fé, a esperança e a caridade, e também a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança. São as virtudes fundamentais do cristão. Nelas temos de exercitar-nos ao longo de toda a vida e nelas se manifesta a santidade a que somos chamados. Saibamos meditar na vida de S. José e aprendamos com ele o heroísmo em todas essas virtudes.

Tornando-se pai de muitos povos

S. Paulo diz de Abraão que ele é nosso pai diante dAquele em Quem acreditou. Pela sua fé tornou-se pai de todos os crentes. Pela mesma razão e com mais ainda, podemos dizer o mesmo de S. José.

Ao tornar-se pai de Jesus ficou a ser pai de todos os que estariam unidos a Ele pelo baptismo. Em Jesus somos filhos de Deus e também filhos de Maria e de José. Por isso a Igreja o escolheu como seu patrono. Ele continua a ser chefe desta grande Família dos filhos de Deus. Os mestres da vida espiritual gostam de apelidá-lo de patriarca, pai de família grande, como os grandes antepassados do povo de Israel.

Saibamos acudir a ele em nossas dificuldades, sabendo que Deus lhe deu um coração muito grande. Ele que renunciou a ser pai segundo a carne, secundando a promessa virginal de sua esposa, não o fez por ter um coração pequeno como o dos solteirões, mas para alargar o seu coração no serviço a Deus sem limitações e para que nele coubessem todos os que Deus queria redimir em Cristo.

S. Teresa de Ávila diz: “Para meu protector e intercessor junto de Deus escolhi a S. José. A ele me confiei repetidas vezes e pude experimentar que em tudo, quanto à glória de Deus e salvação eterna da minha alma se refere, recebi dele mais abundantes auxílios do que esperava. Pela grande experiência que tenho dos favores que ele alcança de Deus, quisera persuadir a todos que fossem seus devotos. ... Não me lembro de lhe ter pedido alguma graça sem a ter imediatamente alcançado...

Se eu fora pessoa com autoridade para escrever gostaria de me alargar, narrando muito por miúdo as mercês que este bendito santo tem feito a mim e a outros: só peço por amor de Deus que o prove quem me não crer e verá por experiência o grande bem que é encomendar-se a este excelso Patriarca e ter-lhe amor” (Ibid.).

A mesma santa conta no livro das Fundações: “Fui um dia fazer a fundação de um convento que devia tomar o nome do nosso Pai S. José. Eu e as minhas companheiras íamos num carro. Em determinada altura, no meio da montanha, os cavalos tomaram o freio nos dentes e íamos precipitar-nos nos abismos: Gritei então: Minhas filhas, só nos resta um meio de escapar à morte, é recorrer ao nosso bom Pai S. José e invocar o seu auxílio. Assim o fizemos e ouviu-se uma voz gritar: Parai! Parai! Se dais mais um passo morreis todos. Os cavalos pararam imediatamente e as religiosas perguntaram para que lado deviam seguir. A voz indicou-nos o caminho, obedecemos e fomos salvas. Então o cocheiro começou a buscar aquele que lhe tinha falado, mas foi impossível descobri-lo. Respondi então: É bem em vão que o nosso guia procura descobri-lo; o nosso salvador foi S. José; e disse porque o reconheci”

Acudamos a S. José muitas vezes, pedindo os seus favores e agradecendo-lhe a sua amizade para cada um de nós e o serviço generoso e sem reservas que prestou a Nossa Senhora e Jesus. Que bom sermos esta grande família que é a Igreja Santa, família dos filhos de Deus cá na terra, em que contamos com tantos amigos que estão atentos às nossas necessidades. São manifestação contínua do amor que Deus nos tem, e apoios e modelos que nos tornam mais fácil o caminho do Céu.

Podemos pedir a S. José que nos ensine a amar a Jesus em nossa vida de cada dia. Que aprendamos a santificar o nosso trabalho, fazendo dele oração ao longo de cada jornada. Que ele nos ensine a crescer na devoção à Virgem, que ele soube proteger e amar com um amor sem reservas e sem laivos de egoísmo. Que nos dê a graça duma boa morte, morrendo como ele, nos braços de Jesus e de Maria.

 

 

Oração Universal

 

Trazemos a Jesus, cheios de fé e confiança, os nossos pedidos. Ele apresenta-os ao Pai, para que os atenda. Peçamos com fé e humildade, apoiados na intercessão de S. José e de Maria, dizendo:

Por intercessão de S. José, ouvi-nos Senhor

 

1.     Pela Santa Igreja, para que por intercessão de seu celeste patrono,

o Senhor a defenda dos ataques dos inimigos,

Por intercessão de S. José, ouvi-nos Senhor

 

2.     Pelo Santo Padre, para que todos escutem os seus ensinamentos

e encontrem o caminho para Jesus,

Por intercessão de S. José, ouvi-nos Senhor

 

3.     Pelos bispos e sacerdotes, para que apontem a todos com fé e valentia

o caminho da santidade na vida corrente de cada dia,

Por intercessão de S. José, ouvi-nos Senhor

 

4.     Por todos os cristãos, para que saibam viver unidos a Jesus no trabalho diário,

fazendo dele oração, como S. José,

Por intercessão de S.José, ouvi-nos Senhor

 

5.     Para que todos procuremos crescer na devoção a S.José,

imitando-o e pedindo os seus favores,  

Por intercessão de S. José, ouvi-nos Senhor

 

6.     Por todos os que andam afastados de Deus, para que o Senhor os converta

e encontrem a alegria que só Jesus lhes pode dar,

Por intercessão de S. José, ouvi-nos Senhor

 

7.     Por todos os moribundos, para que, por intercessão de S. José,

o Senhor lhes conceda a graça duma santa morte,

Por intercessão de S. José, ouvi-nos Senhor

 

 

Senhor, que nos destes S. José como poderoso intercessor no céu e modelo para a nossa vida na terra, fazei que procuremos imitar os seus exemplos e contemos sempre com a sua ajuda.

Por N.S.J.C.Vosso Filho que conVosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Confiarei no meu Deus, F. Silva, NRMS 106

 

Oração sobre as oblatas: Concedei-nos, Senhor, a graça de servir ao vosso altar de coração puro, imitando a dedicação e fidelidade com que São José serviu o vosso Filho Unigénito, nascido da Virgem Maria. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio de São José [na solenidade]: p. 492

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Podemos imaginar o carinho, a fé, a delicadeza de S. José ao pegar naquele Menino que era Deus, que temos agora aqui o meio de nós e vem a nós sem o merecermos.

 

Cântico da Comunhão: Ó famintos de Pão divino, J. Santos, NRMS 89

Mt 25, 21

Antífona da comunhão: Servo bom e fiel, entra na alegria do teu Senhor.

 

ou

Mt 1, 20-21

Não temas, José: Maria dará à luz um Filho e tu lhe darás o nome de Jesus.

 

Cântico de acção de graças: Os justos viverão eternamente, M. Faria, NRMS 36

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que na solenidade de São José alimentastes a vossa família à mesa deste altar, defendei-a sempre com a vossa protecção e velai pelos dons que lhe concedestes. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Aumentemos cada dia mais a devoção a S. José, nosso Pai e Senhor e grande amigo lá no Céu. Imitemo-lo em nossa vida humilde de cada dia e acudamos a ele em nossas dificuldades.

 

Cântico final: Outrora S. José, M. Faria, NRMS 5 (I)

 

 

Homilias Feriais

 

4ª SEMANA

 

3ª Feira, 20-III: A água viva e rio da vida.

Ez 47, 1-9. 12 / Jo 5,1-3. 5-16

É que, aonde chegar, a água tornará tudo são, e haverá vida em todo o lugar que o rio atingir.

Do Templo (Leit.) e do trono de Deus e do Cordeiro (Ap. 22,1) corre o rio da vida, que cura as nossas enfermidades, como aconteceu na piscina de Betsatá (Ev.).

A água passa a ser uma nova criatura no Baptismo de Jesus: «O Espírito que pairava sobre as águas da primeira criação, desce então sobre Cristo, como prelúdio da nova criação» (CIC, 1224). E passa a ser a água viva, com a paixão e a morte de Cristo: «o sangue e a água que manaram do lado aberto do crucificado são tipos do Baptismo e da Eucaristia, sacramentos de vida nova» (CIC, 1225).

 

4ª Feira, 21-III: O amor do Pai e a entrega do Filho.

Is 49, 8-15 / Jo 5, 17-30

Para tal, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim também concedeu ao Filho que tivesse a vida em si mesmo.

Jesus, ao entregar a sua vida na Cruz, libertou-nos a todos da escravidão: «Jesus, o Príncipe da vida, pela sua morte, reduziu à impotência aquele que tem o poder da morte…e libertou quantos, por meio da morte, se encontravam sujeitos à servidão durante a vida inteira» (CIC, 635).

De facto, o seu amor por nós «é mais forte do que o de uma mãe para com os seus filhos (Leit.). Deus amou de tal maneira o mundo, que lhe entregou o seu Filho único (CIC; 219). Retribuamos com mais amor esta “loucura de amor” de Deus.

 

5ª Feira, 22-III: Moisés e Jesus, intercessores.

Ex 32, 7-14 / Jo 5, 31-47

(Moisés): Deixai cair a vossa ardente indignação, renunciai ao castigo que quereis dar ao vosso povo.

Depois do povo ter adorado o bezerro de ouro, Moisés intercede junto de Deus: «Moisés foi intercessor. Mas foi sobretudo após a apostasia do povo que ele se mantém na brecha diante de Deus para salvar o mesmo povo (Leit.)» (CIC, 2577).

Agora somos nós que nos portamos mal, mas Jesus é o nosso Advogado: «Não penseis que Eu vou acusar-vos ao Pai» (Ev.). E oferece-se ao Pai como Vítima para apaziguar a sua indignação: «Ele quis deixar à Igreja um sacrifício visível, aplicando a sua eficácia salvífica à remissão dos pecados que nós cometemos cada dia» (CIC, 1336)

 

6ª Feira, 23-III: Comparticipação na paixão de Cristo.

Sab 2, 1. 12-22 /  Jo 7, 1-2. 10. 25-30

Se esse justo é filho de Deus, Deus estará a seu lado… Condenemo-lo a morte infamante, pois ele diz que será socorrido.

Estes pensamentos dos ímpios (Leit.) são uma profecia do que mais tarde aconteceu a Cristo: «Os judeus procuravam dar-lhe a morte» (Ev.).

Jesus aceitou livremente a sua paixão e morte, por amor do Pai e dos homens, a quem o Pai quer salvar. E, como pela Encarnação, está de certo modo unido a cada homem, a todos dá a possibilidade de se associarem a Ele: «De facto, quer associar ao seu sacrifício redentor aqueles mesmos que são os principais beneficiários» (CIC, 618). Aceitemos pacientemente as contrariedades, as acusações injustas e ofereçamo-las.

 

Sábado, 24-III: O servo sofredor e o cordeiro pascal.

Jer 11, 18-20 / Jo 7, 40-53

Eu era como dócil cordeiro levado ao matadouro, sem saber da conjura contra mim.

O profeta Jeremias repete a imagem do servo sofredor de Isaías (53, 7), e fala de uma conjura contra o Messias, o que veio a acontecer: «alguns deles queriam prendê-lo, mas ninguém pôs as mãos sobre ele» (Ev.).

João Baptista viu em Jesus o ‘Cordeiro de Deus’ que tira o pecado do mundo. «Manifestou desse modo que Jesus é, ao mesmo tempo, o servo sofredor que se deixa levar ao matadouro (Leit.), carregando sobre ele os pecados da multidão, e o cordeiro pascal, símbolo da redenção de Israel na primeira Páscoa» (CIC, 608).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Celestino Correia Ferreira

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial