3.º Domingo dA QUARESMA

11 de Março de 2012

 

Onde se fizerem os escrutínios preparatórios para o Baptismo dos adultos, neste domingo, podem utilizar-se as orações rituais e as intercessões próprias: p. 1063 do Missal Romano.

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Escutai, Senhor, e respondei-me, F. da Silva, NRMS 94

Salmo 24, 15-16

Antífona de entrada: Os meus olhos estão voltados para o Senhor, porque Ele livra os meus pés da armadilha. Olhai para mim, Senhor, e tende compaixão porque estou só e desamparado.

 

ou

Ez 36, 23-26

Quando Eu manifestar em vós a minha santidade, hei-de reunir-vos de todos os povos, derramarei sobre vós água pura e ficareis limpos de toda a iniquidade. Eu vos darei um espírito novo, diz o Senhor.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Ser cristão é pertencer à família dos filhos de Deus e ter com o Pai, por Jesus Cristo, um profundo relacionamento de Amor.

A amizade, porém consiste numa comunhão de vontades. Não bastam as boas palavras, nem os símbolos religiosos nas casas. Nos carros e na própria pessoa.

Ajudando-nos a fazer uma avaliação da autenticidade do nosso cristianismo, o Senhor convida-nos, na Liturgia Palavra deste 3.º Domingo da Quaresma, a recordar os Mandamentos da Sua Lei. Com que generosidade os temos vivido?

 

Acto penitencial

 

Não é possível uma vida nova, sem fazermos esforço por uma verdadeira emenda de vida.

Aceitemos o convite do Senhor para nos examinarmos na Sua presença, e reconhecermos humildemente os nossos pecados.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor, que nos destes os Vossos Mandamentos

    para os seguirmos todos os dias com fidelidade,

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Cristo, concedei-nos o perdão que Vos pedimos,

    para começarmos desde agora uma vida nova,

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Senhor, não recordeis os nossos muitos pecados

    com os quais muito facilmente Vos ofendemos,

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus, Pai de misericórdia e fonte de toda a bondade, que nos fizestes encontrar no jejum, na oração e no amor fraterno os remédios do pecado, olhai benigno para a confissão da nossa humildade, de modo que, abatidos pela consciência da culpa, sejamos confortados pela vossa misericórdia. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Povo de Deus encontra-se em pleno deserto, a caminho da Terra da Promissão. Moisés, em nome de Deus, oferece-lhes – e também a cada um de nós – um conjunto de indicações (“mandamentos”) que devem guiar a nossa caminhada pela vida.

Elas dizem respeito às duas dimensões fundamentais da nossa existência: a nossa relação com Deus e a nossa relação com os irmãos.

 

 

*Forma longa: Êxodo 20, 1-17                           Forma breve: Êxodo 20, 1-3.7-8.12-17

1Naqueles dias, Deus pronunciou todas estas palavras: 2«Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egipto, dessa casa da escravidão. 3Não terás outros deuses perante Mim. [4Não farás para ti qualquer imagem esculpida, nem figura do que existe lá no alto dos céus ou cá em baixo na terra ou nas águas debaixo da terra. 5Não adorarás outros deuses nem lhes prestarás culto. Eu, o Senhor teu Deus, sou um Deus cioso: castigo a ofensa dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que Me ofendem; 6mas uso de misericórdia até à milésima geração para com aqueles que Me amam e guardam os meus mandamentos.] 7Não invocarás em vão o nome do Senhor teu Deus, porque o Senhor não deixa sem castigo aquele que invoca o seu nome em vão. 8Lembrar-te-ás do dia de sábado, para o santificares. [9Durante seis dias trabalharás e levarás a cabo todas as tuas tarefas. 10Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus. Não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo nem a tua serva, nem os teus animais domésticos, nem o estrangeiro que vive na tua cidade. 11Porque em seis dias o Senhor fez o céu, a terra, o mar e tudo o que eles contêm; mas no sétimo dia descansou. Por isso, o Senhor abençoou e consagrou o dia de sábado.] Honra pai e mãe, a fim de prolongares os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te vai dar. 12Não matarás. 13Não cometerás adultério. 14Não furtarás. 15Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo. 16Não cobiçarás a casa do teu próximo; 17não desejarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo nem a sua serva, o seu boi ou o seu jumento, nem coisa alguma que lhe pertença».

 

Temos na leitura o Decálogo, uma palavra grega – «Dez Palavras» – segundo o nome que é dado aos Dez Mandamentos (cf. Ex 34, 28; Dt 4, 13; 10, 4). Com efeito, na origem, seriam 10 breves sentenças lapidares (como: «não matarás», «não furtarás»…), que vieram a receber desenvolvimentos explicativos inspirados. Aparece no contexto da teofania do Monte Sinai, como Palavras da Aliança (Ex 34, 28). Em Dt 5, 6-21 temos uma formulação muito semelhante. O Decálogo constitui o núcleo de toda a moral bíblica, para o qual Jesus apela (Lc 18, 20) e que Ele completa e leva à perfeição (Mt 5, 17-48). Vem a ser a expressão revelada da Lei escrita no coração de todos os homens, a lei natural (cf. Rom 2, 12-15); todos os preceitos desta lei moral se podem ver incluídos mais ou menos claramente no Decálogo. A sua distribuição por 10 não tem sido feita sempre do mesmo modo: quando o 1º mandamento é desdobrado em dois («adorar um só Deus» e «não esculpir imagens»: vv. 3 e 4), então o 9º e o 10º são englobados num só; a divisão do 1º é a seguida pelos judeus e por algumas confissões cristãs (como os calvinistas), ao passo que a divisão do último é a adoptada pelos católicos e luteranos (desde Sto. Agostinho), tendo em conta o texto de Dt 5, 21, onde se usam dois verbos diferentes, um para «não desejarás» (ló thahmór) a mulher do próximo e outro para «não cobiçarás» (ló thith’avvéh) as suas coisas.

As várias formulações cristãs do Decálogo que há nos catecismos têm em conta, por um lado, o progresso da Revelação, que culminou nos ensinamentos do Novo Testamento; por outro, a caducidade daquilo que não passava de prescrições cultuais próprias dum povo e duma cultura. Assim, o 1º mandamento, que se limitava a proibir a idolatria – «não terás outros deuses» (v. 3) –, é formulado positivamente «amarás» –, segundo o ensino de Jesus (cf. Mt 22, 37par). No v. 4 nós suprimimos «não farás qualquer imagem…», pois a proibição de fazer imagens é considerada uma lei meramente ritual, própria da cultura daquele povo, com vistas a evitar o perigo de induzir à magia e idolatria (no entanto, para a própria Arca da Aliança, estavam prescritas duas imagens de Querubins: Ex 25, 18). Também a determinação do «Sábado» como o dia a guardar (v. 8) é actualizada, tendo em conta que o 1º dia da semana passou a ser «o dia do Senhor» (Apoc 1, 10), já celebrado nos tempos apostólicos (cf. Act 20, 7; 1 Cor 16, 2); com efeito, a determinação do dia da semana não pertence à lei moral, mas ao culto antigo, que foi abolido (cf. Hebr 10, 9-10) com o Sacrifício Redentor de Cristo, o novo Templo (cf. Evangelho de hoje: Jo 2, 19-21). Por outro lado, os nossos catecismos dizem, para o 6º mandamento: «guardar castidade nas palavras e nas obras» (os espanhóis dizem «não cometerás actos impuros»), em vez de «não cometerás adultério» (v. 13), pois Jesus Cristo não se limitou a condenar o adultério; a revelação cristã fala da castidade como a perfeita regulação da faculdade generativa (cf. Mt 5, 8. 27-32; 1 Tes 4, 3-5; 1 Cor 6, 5 19-20; 1 Tim 5, 22). Também para o 9º mandamento não dizemos «não desejarás a mulher do teu próximo» (v. 17), mas, de acordo com os ensinamentos de Jesus, que põe em pé de igualdade homem e mulher (cf. Mt 19, 9) e ensina a castidade como uma afirmação positiva e em toda a sua extensão, a partir da rectidão interior, do coração (cf. Mt 5, 8.28-30), nós dizemos «guardar castidade nos pensamentos e nos desejos».

2 «Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei... dessa casa da escravidão». À maneira dos antigos pactos hititas (na época de Moisés os hititas acabavam de se afastar da Palestina), que começavam com um prólogo histórico, a justificar a imposição das obrigações ao povo vencido, também o Decálogo é introduzido com uma referência histórica. Mas aqui as cláusulas não se fundamentam na derrota do povo, mas num facto salvífico gratuito, procedente do amor do Senhor: a libertação da escravidão do Egipto. As prescrições da Lei aparecem como a expressão de uma aliança (cf. Dt 5,2-3), que não é um pacto para manter um vencido sob controlo e domínio despótico, mas é um vínculo de amor com que Deus assegura a união com Ele, a liberdade e a bênção (cf. Salmo responsorial), àqueles que constituiu em seu Povo (cf. Ex 19, 6). É por isso que transgredir a Lei não é uma mera indisciplina jurídica, é dizer não ao próprio Deus, ao seu Amor, é romper a Aliança, «pecar contra o Céu» (cf. Lc 15, 18). A Lei de Deus é, como diz a Carta de S. Tiago «a lei perfeita, a lei da liberdade» (Tg 1, 25), para que o homem possa encontrar o verdadeiro sentido da sua vida; orienta-o para a verdade e para o bem, fazendo render ao máximo as suas capacidades.

8-11 Note-se que o preceito sabático não inclui qualquer acto religioso de culto; é o próprio descanso que aparece com valor cultual. Neste preceito está implícita a obrigação de trabalhar, pois só o trabalho justifica que se imponha a lei do descanso; o apelo para o trabalho de Deus (v. 11) também sugere a dignidade do trabalho do homem como cooperação com a obra criadora de Deus.

 

Salmo Responsorial    Salmo 18 (19), 8.9.10.11 (R. Jo 6, 68c)

 

Monição: O Salmo responsorial que a Liturgia nos propõe como resposta à interpelação que o Senhor nos dirigiu na primeira leitura. A excelência de lei de Deus é cantada em seis afirmações.  

Façamos nosso este louvor que o Espírito Santo coloca em nossos lábios.

 

Refrão:        Senhor, Vós tendes palavras de vida eterna.

 

A lei do Senhor é perfeita,

ela reconforta a alma;

as ordens do Senhor são firmes,

dão sabedoria aos simples.

 

Os preceitos do Senhor são rectos

e alegram o coração;

os mandamentos do Senhor são claros

e iluminam os olhos.

 

O temor do Senhor é puro

e permanece para sempre;

os juízos do Senhor são verdadeiros,

todos eles são rectos.

 

São mais preciosos que o ouro,

o ouro mais fino;

são mais doces que o mel,

o puro mel dos favos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: O apóstolo Paulo, na Primeira Carta aos fiéis de Corinto, anima-nos a uma conversão séria. É preciso que descubramos que a salvação, a vida plena, a felicidade sem fim não está numa lógica de poder, de autoridade, de riqueza, ou de importância, mas na da cruz, isto é, no amor total, no dom da vida até às últimas consequências, no serviço simples e humilde aos irmãos.

 

1 Coríntios 1, 22-25

Irmãos: 22Os judeus pedem milagres e os gregos procuram a sabedoria. 23Quanto a nós, pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios; 24mas para aqueles que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é poder e sabedoria de Deus. 25Pois o que é loucura de Deus é mais sábio do que os homens e o que é fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.

 

A leitura é um pequeno trecho da primeira parte da Carta (1 Cor 1, 10 – 6, 20) onde S. Paulo começa por corrigir as divisões que havia na comunidade (1, 10 – 4, 21), uns grupinhos à volta do prestígio e da eloquência dos diversos pregadores do Evangelho (Paulo, Apolo, Cefas…), havendo cristãos que, fascinados pela sabedoria humana – a dos «judeus» e a dos «gregos» –, corriam o risco de esquecer ou desvirtuar a autêntica sabedoria do Cristo, que os salvou pela Cruz. De facto, o centro da mensagem do cristianismo é particularmente chocante, porque é a pregação da salvação pela Cruz: Cristo crucificado era um «escândalo para os judeus», que esperavam um messias espectacular, glorioso e vencedor dos inimigos e, por outro lado, constituía uma «loucura para os gentios», ciosos de retórica empolada e lisonjeira das vis paixões. «A sabedoria de Deus» é a loucura do seu incompreensível infinito amor, incompatível com a soberba auto-suficiente tanto das expectativas messiânicas judaicas, como do racionalismo grego.

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 3, 16

 

Monição: Jesus Cristo apresenta-Se no Evangelho como o “Novo Templo” onde Deus Se revela aos homens e lhes oferece o seu amor. Ele é a maior prova do Amor que o Pai nos consagra. Este Amor por nós leva-O a dar a vida por nós, resgatando-nos da escravidão do pecado.

Aclamemos o Evangelho da Salvação que nos anuncia tão consoladoras verdades.

 

 

Cântico: M. Luís, 1 (I)

 

Deus amou tanto o mundo

que lhe deu o seu Filho Unigénito;

quem acredita n’Ele tem a vida eterna.

 

 

Evangelho

 

São João 2, 13-25

13Estava próxima a Páscoa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. 14Encontrou no templo os vendedores de bois, de ovelhas e de pombas e os cambistas sentados às bancas. 15Fez então um chicote de cordas e expulsou-os a todos do templo, com as ovelhas e os bois; deitou por terra o dinheiro dos cambistas e derrubou-lhes as mesas; 16e disse aos que vendiam pombas: «Tirai tudo isto daqui; não façais da casa de meu Pai casa de comércio». 17Os discípulos recordaram-se do que estava escrito: «Devora-me o zelo pela tua casa». 18Então os judeus tomaram a palavra e perguntaram-Lhe: «Que sinal nos dás de que podes proceder deste modo?» 19Jesus respondeu-lhes: «Destruí este templo e em três dias o levantarei». 20Disseram os judeus: «Foram precisos quarenta e seis anos para se construir este templo e Tu vais levantá-lo em três dias?» 21Jesus, porém, falava do templo do seu corpo. 22Por isso, quando Ele ressuscitou dos mortos, os discípulos lembraram-se do que tinha dito e acreditaram na Escritura e nas palavras que Jesus dissera. 24Enquanto Jesus permaneceu em Jerusalém pela festa da Páscoa, muitos, ao verem os milagres que fazia, acreditaram no seu nome. Mas Jesus não se fiava deles, porque os conhecia a todos 25e não precisava de que Lhe dessem informações sobre ninguém: Ele bem sabia o que há no homem.

 

Este episódio deverá ser o mesmo relatado pelos Sinópticos, mas com um profundo simbolismo. O actuar de Jesus é à maneira das acções simbólicas dos antigos profetas e não se destina tanto a punir transgressores (os vendilhões actuariam legalmente e de boa fé), como a mostrar a sua suprema autoridade na «Casa de meu Pai» (v. 16) e a veicular ensinamentos que ficassem gravados para sempre. Em S. João, Jesus aparece a cumprir o anunciado no Salmo 69, 11, e o seu gesto visa, mais que purificar, substituir o templo de Jerusalém com todo o seu complexo sistema de comunicação com Deus. Só João refere a expulsão de ovelhas e bois, deixando assim ver que os animais deixam de ter sentido no novo culto centrado, a partir de agora, na pessoa de Jesus. Também se pode ver neste episódio o cumprimento da célebre profecia de Malaquias (3, 1-3); e, se «o Mensageiro da Aliança» (v. 1) designa Yahwéh (como muitos pensam), então teríamos aqui um «deraxe cristológico», isto é, uma aplicação a Jesus do que se diz do próprio Deus no A. T., uma forma subtil de indicar a condição divina de Jesus.

13 «Subiu a Jerusalém». A ida a Jerusalém sempre se chamava uma subida, por a cidade se encontrar nas montanhas de Judá, a mais de 750 metros acima do nível do mar. Era a primeira ida de Jesus à capital, durante a sua vida pública por ocasião da Páscoa.

19 «Destruí este templo…» As palavras do Senhor encerram um sentido misterioso que só a reflexão posterior – «recordaram-se» (v. 22) instruídos pelos acontecimentos gloriosos de Cristo e iluminados pelo espírito da Verdade (Dei Verbum 19) – permitiu captar; contêm uma maneira de exprimir o mistério da Incarnação, ao designarem o Corpo de Jesus como um templo em que Deus habita (cf. Col 2, 9). Para os inimigos de Jesus esta afirmação era passível da pena de morte: Mt 26, 61; Mc 14, 58; ver Mt 27, 40; Mc 15, 29; Act 6, 14.

19 «Eu o levantarei». Dado o sentido figurado das palavras de Jesus, João não põe na boca de Jesus «o reconstruirei». Note-se que quem protesta da atitude de Jesus não são os comerciantes, mas «os judeus», aqui provavelmente dirigentes pertencentes ao sinédrio (cf. Mc 11, 28), que viam usurpada a sua autoridade de velar pela ordem do Templo; a verdade é que todos julgavam permitida a venda de animais para os sacrifícios no átrio exterior, o dos gentios (o nosso adro). Jesus mostra uma autoridade bem superior.

20 «Foram precisos 46 anos…» Esta referência é interessante para a cronologia evangélica. A primeira Páscoa da vida pública de Jesus corresponderia, de acordo com Lc 3, 1, ao ano 28 da nossa era, uma vez que o templo, ainda em obras, começara a ser reedificado por Herodes, o Grande, havia 46 anos. Ora, segundo Flávio Josefo, isto deu-se no ano 18 do seu reinado, isto é, no ano 20/19 a. C. Sendo assim, a Páscoa da Morte de Jesus teria sido a do ano 30, quando Ele andaria pelos 37 anos.

 

Sugestões para a homilia

 

• Renovação da vida pessoal

Adorar um só Deus

O culto dos cristãos (as imagens)

Amar ao próximo

• Purificação do culto prestado a Deus

Afastar tudo o que é profano

Jesus Cristo, o verdadeiro Templo

Nós somos templos de Deus

 

Tal como para conservar ou recuperar a saúde do corpo e conservar a vida é preciso que nos submetamos a determinadas regras de conduta, – na alimentação, no regime de actividade, no evitar os perigos, etc. – de modo semelhante, para o nosso equilíbrio e vida normal com os outros temos de aceitar regras que se chamam Mandamentos.

Este equilíbrio é perturbado quando cometemos pecados, transgredindo os Mandamentos. Eles não são meras imposições externas, mas correspondem às exigências da nossa natureza, de tal modo que quando pecamos, este equilíbrio é perturbado.

Os 5 Mandamentos da Santa Igreja são apenas concretizações dos Mandamentos da Lei de Deus.

1. Renovação da vida pessoal

a) Adorar um só Deus. «Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egipto, dessa casa da escravidão

Quando contemplamos uma noite sem nuvens e as estrelas enchem completamente a abóbada do Céu, ficamos a pensar como é poderoso grande Aquele que tudo criou. Nós também não pudemos dar origem a nós próprios. Forçosamente havemos de chegar ao conhecimento de Deus que nos criou.

A primeira atitude que nos é pedida, é a de adorar a Deus, reconhecendo a Sua supremacia no universo criado e na nossa vida.

Uma das acusações que fazem aos cristãos é a de que, ao prestar culto às imagens, as adoram.

É verdade que no AT estava proibido a confecção de imagens, porque o Filho de Deus ainda não tinha incarnado.

Uma imagem de Jesus Cristo, de Nossa Senhora ou de algum santo é uma recordação permanente, como uma fotografia de um familiar ou amigo que temos em casa ou trazemos connosco. Bem sabemos que não é pai ou a mãe ou a esposa que está ali, mas serve para no-los recordar.

Além disso, quando beijamos uma imagem, estamos a dizer a Jesus Cristo, a Nossa Senhora ou aos santos que beijamos a imagem porque não temos possibilidade de beijar a pessoa.

Havemos de tratar a Deus e às coisas que com Ele se relacionam com todo o respeito, e não invocar o Seu santo Nome em vão. (No AT não ousavam sequer pronunciá-lo).

Deus pede-nos também a santificação do tempo. Reservamos tempo para a oração e para a participação na Missa dominical.

 

b) O culto dos cristãos. «Não terás outros deuses perante Mim

Devemos adorar um só e único Deus. Há quem dobre o joelho diante de outros (falsos) deuses:

O dinheiro. Muitos estão convencidos de que com ele se abrem todas as portas (até a do Céu!). Não se trata de tê-lo e usá-lo, mas de se manter fiel à consciência diante dele. Muitos prostram-se em adoração. Para se apoderarem do que não lhes pertence, roubam, mentem e juram falso; abandonam deveres importantes (oração, Sacramentos e Missa, atenção aos filhos e às pessoas carenciadas, etc.) para correr atrás dele. Caem na tentação que o demónio dirigiu a Cristo no deserto: «Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares

O poder. A ambição de adquiri-lo leva a aprovar programas políticos que incluem acções contra a lei de Deus (contra a vida, a família, a moralidade, etc.) e outras injustiças no trabalho, na saúde, na educação, nas finanças...

O gozo dos sentidos. Concretiza-se no prazer sexual e na boa mesa. Por ele se sacrifica a saúde, a honra, a estabilidade doméstica e destroem-se vidas. (Por que se pratica o aborto?)

Quando se rebaixa a adorar falsos deuses, o homem torna-se um verdadeiro selvagem à solta, atropelando tudo.

«Qual é o verdadeiro culto que Deus espera? Evidentemente, não são os ritos solenes e pomposos, mas vazios, estéreis e balofos. O culto que Deus aprecia é uma vida vivida na escuta das suas propostas e traduzida em gestos concretos de doação, de entrega, de serviço simples e humilde aos irmãos. Quando somos capazes de sair do nosso comodismo e da nossa auto-suficiência para ir ao encontro do pobre, do marginalizado, do estrangeiro, do doente, estamos a dar a resposta “litúrgica” adequada ao amor e à generosidade de Deus para connosco.» (Dehonianos).

 

c) Amar ao próximo. «Honra pai e mãe, a fim de prolongares os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te vai dar

Não se pode estar em comunhão com Deus sem o estar igualmente com o próximo. Na Leitura do Êxodo são lembrados os principais deveres para com o próximo:

Aos pais e outros legítimos superiores, devemos amor, respeito e obediência.

Respeitar a saúde e a vida, quer próprias, quer alheias. O aborto, o homicídio (ou suicídio), a injusta agressão, o prejudicar a saúde com a comida ou bebida, ou pôr a vida em risco são outros tantos pecados.

A castidade, o domínio dos instintos, segundo o estado de cada um – casado, solteiro, viúvo, celibatário são outras tantas formas de respeitarmos a nós e aos outros. Os mais novos falam muito em curtir. É pecado grave, no sentido em que eles tomam esta expressão.

– Devemos respeitar os bens materiais alheios. Pagar as dívidas, não nos apoderarmos do que não nos pertence, tratar as coisas de uso público como se fossem as nossas, etc.

– Também os bens espirituais – a honra e a fama – devem ser respeitados, Podemos pecar gravemente destruindo-os.

Também as pessoas que cometem faltas graves têm direito ao bom nome, à fama. Divulgar uma falta desconhecida pode ser facilmente pecado grave.

Pior é a situação quando se inventam faltas e defeitos que não existem, porque se trata da difamação.

Em relação às faltas dos outros, devemos ser como as mães quando falam dos filhos: tapam cuidadosamente as suas faltas quanto podem.

2. Purificação do culto prestado a Deus

Tudo quanto Jesus encontra no átrio do Templo de Jerusalém destinava-se ao culto: câmbio de dinheiro para esmolas, animais para os sacrifícios, cereais e outros produtos para oferecer (azeite, perfumes, etc.).

Jesus chama a atenção de que isso não deve ser pretexto para transformar a Casa de deus numa feira.

 

a) Afastar tudo o que é profano. «Tirai tudo isto daqui; não façais da casa de meu Pai casa de comércio”.»

Na casa de Deus – o nosso Templo – tudo deve respirar dignidade e amor, tanto mais que temos aqui os nossos Sacrários.

O silêncio. Na igreja devemos falar o indispensável e em voz baixa, também para não perturbar a oração e recolhimento das outras pessoas. (Sobretudo ao tirar fotografias em baptizados, casamentos, e comunhões, ou ao cumprimentar, muitas pessoas procedem como se estivessem na rua).

Quando chegamos à igreja, se tem Sacrário, genuflectimos com respeito e saudamos, durante uns momentos, o Senhor que está ali.

– As celebrações litúrgicas devem ser dignas, desde os cânticos, às orações e cerimónias. (No AT, quando se tratava de oferecer animais para os sacrifícios, vinha sempre a indicação: “sem defeito”).

As festas religiosas são, muitas vezes, uma mistura incrível de sagrado e profano e até com músicas e divertimentos que ofendem a Deus. A que santo queremos venerar?

«Qual é o verdadeiro culto que Deus espera? Evidentemente, não são os ritos solenes e pomposos, mas vazios, estéreis e balofos. O culto que Deus aprecia é uma vida vivida na escuta das suas propostas e traduzida em gestos concretos de doação, de entrega, de serviço simples e humilde aos irmãos. Quando somos capazes de sair do nosso comodismo e da nossa auto-suficiência para ir ao encontro do pobre, do marginalizado, do estrangeiro, do doente, estamos a dar a resposta “litúrgica” adequada ao amor e à generosidade de Deus para connosco.» (Dehonianos).

 

b) Jesus Cristo, o verdadeiro Templo. «”Destruí este templo e em três dias o levantarei.” [...] Jesus, porém, falava do templo do seu corpo

Ele é o Templo em que devemos entrar e nos recolher, para orar com toda a confiança. Os santos são intermediários, apenas mediadores. Acrescentamos os seus merecimentos para tornar mais rica a nossa oração. Eles não alcançam graças independentemente de Deus nem contra a vontade d’Ele.

Procuremos:

– Estar na Graça de Deus. Como podemos orar permanecendo inimigos de Deus?

– Recolhidos n’Ele, sem nos distrairmos a olhar para os lados nem pensando em coisas profanas;

– É Ele quem ora a nós ao Pai, no Espírito Santo. Por isso podemos dizer com verdade: «Viva. Já não eu que vivo. É Cristo que vive em mim.»

«Ao gesto profético de Jesus, os líderes judaicos respondem com incompreensão e arrogância. Consideram-se os donos da verdade e os únicos intérpretes autênticos da vontade divina. Instalados nas suas certezas e preconceitos, nem sequer admitem que a denúncia que Jesus faz esteja correcta. A sua auto-suficiência impede-os de ver para além dos seus projectos pessoais e de descobrir os projectos de Deus. Trata-se de uma atitude que, mais uma vez, nos questiona… Quando nos barricamos atrás de certezas absolutas e de atitudes intransigentes, podemos estar a fechar o nosso coração aos desafios e à novidade de Deus.» (Dehonianos).

 

c) Nós somos templos de Deus. «Não sabeis que sois templos de Deus e que o Espírito Santo habita em vós? (I Cor 3, 16)»

Somos, desde o Baptismo, Templos da Santíssima Trindade que habita em nós. Isto traz exigências à nossa vida:

Modo de vestir. Há um modo próprio de vestir para estar presente nos actos do culto. Devemos ser capazes de distinguir a para da Igreja. Trata-se de bom senso e de respeito para com Deus.

Vimos ao encontro do Senhor, para participar numa festa com Ele e com os irmãos. Havemos de vestir com gosto, sem exageros nem exibicionismos.

Atitudes. Não nos comportamos do mesmo modo no templo, num campo de futebol ou na rua.

Esta certeza da fé de que somos templos ajuda-nos a rever as nossas atitudes para connosco, mesmo quando estamos sós (pudor e modéstia). Quando tratamos do nosso arranjo pessoal podemos recordar que estamos a cuidar dum templo.

Respeito para com os outros, sendo delicados para com eles e não lhes dando maus exemplos.

Imitemos Nossa Senhora no trato com Jesus, quando tinha de cuidar d’Ele.

 

Fala o Santo Padre

 

“A graça do Evangelho gera uma irresistível força de paz e de reconciliação profunda e radical.”

Caros irmãos e irmãs

 […] Voltam a ressoar na minha alma as palavras do Apóstolo Paulo, que a liturgia propõe à nossa meditação neste terceiro Domingo da Quaresma: "Nós anunciamos Cristo crucificado  escreve o Apóstolo aos cristãos de Corinto  : escândalo para os judeus e loucura para os pagãos; mas para aqueles que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é poder de Deus e sabedoria de Deus" (1 Cor 1, 23-24). Sim, queridos irmãos e irmãs! Parto para a África com a consciência de que, a quantos encontrarei, não tenho mais nada a propor e a oferecer, a não ser Cristo e a Boa Nova da sua Cruz, mistério de amor supremo, de amor divino que vence toda a resistência humana e torna possível até o perdão e o amor pelos inimigos. Esta é a graça do Evangelho, capaz de transformar o mundo; […] porque gera uma irresistível força de paz e de reconciliação profunda e radical. Portanto, a Igreja não persegue finalidades económicas, sociais e políticas; a Igreja anuncia Cristo, convicta de que o Evangelho pode sensibilizar os corações de todos e transformá-los, renovando deste modo a partir de dentro a pessoa e as sociedades.[…]

Papa Bento XVI, Angelus, 15 de Março de 2009

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos:

Pedimos ao Senhor, na oração que Ele nos ensinou,

para que não nos deixe cair nas garras do inimigo,

mas nos livre do Mal do pecado que ele personifica.

Unamos à súplica desta Celebração da Eucaristia

as necessidades das pessoas do mundo inteiro.

Oremos (cantando):

 

Não nos deixeis, Senhor, cair em tentação!

 

1. Para que o Santo Padre, Bispos e Sacerdotes

nos recordem constantemente a Lei do Senhor,

oremos, irmãos.

 

Não nos deixeis, Senhor, cair em tentação!

 

2. para que os desanimados de combater o pecado

fortaleçam a sua confiança em Cristo Salvador,

oremos, irmãos.

 

Não nos deixeis, Senhor, cair em tentação!

 

3. Para que os que vivem escravizados pelos vícios

alcancem a verdadeira liberdade de filhos de Deus,

oremos, irmãos.

 

Não nos deixeis, Senhor, cair em tentação!

 

4. Para que os que se preparam para o Baptismo

o façam com grande alegria e generosidade,

oremos, irmãos.

 

Não nos deixeis, Senhor, cair em tentação!

 

5. Para que todos compreendamos que a Lei se resume

no Amor a Deus e ao próximo como a nós mesmos,

oremos, irmãos.

 

Não nos deixeis, Senhor, cair em tentação!

 

6. Para que os nossos irmãos defuntos  em purificação

recebam, quanto antes a misericórdia e o perdão,

oremos, irmãos.

 

Não nos deixeis, Senhor, cair em tentação!

 

Dai-nos, Senhor, a força invencível do Espírito Santo,

para nos mantermos fieis às promessas do Baptismo

E a consolação e alegria que nos alcança a fidelidade.

Assim poderemos iniciar já nesta vida presente

Uma caminhada que nos leve ao encontro do Amor.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

O Senhor iluminou-nos com a Sua Palavra, ensinando-nos como havemos de viver em comunhão com Ele e com os irmãos.

Convida-nos agora amorosamente a tomar parte na renovação do Sacrifício do Calvário, misteriosamente antecipado no Cenáculo, na noite de Quinta-feira Santa.

Preparemo-nos para contemplar as palavras e os gestos de Cristo tornados visíveis pelo ministério sacerdotal, que transubstanciam o nosso pão e vinho no Seu Corpo e Sangue.  

 

Cântico do ofertório: Quem beber da água, Az. Oliveira, NRMS 61

 

Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, por este sacrifício, que, ao pedirmos o perdão dos nossos pecados, perdoemos também aos nossos irmãos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: Santo I, H. Faria, NRMS 103-104

 

Saudação da Paz

 

Não há verdadeira paz a não ser a que é construída no respeito pelos mandamentos da Lei do Senhor.

Manifestemos o desejo de a vivermos com inteira fidelidade, exprimindo-o pelo gesto litúrgico.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Se Jesus Cristo foi tão exigente com a pureza do Templo de Jerusalém, construído em pedra, quanto mais o não será com o templo do nosso coração onde Ele vai entrar e permanecer sacramentalmente!

Peçamos-Lhe nos purifique de alguma mancha que ainda tenhamos, para o recebermos com fé, amor e devoção.

 

Cântico da Comunhão: O cálice de bênção, F. Silva, NRMS 21

Salmo 83, 4-5

Antífona da comunhão: As aves do céu encontram abrigo e as andorinhas um ninho para os seus filhos, junto dos vossos altares, Senhor dos Exércitos, meu Rei e meu Deus. Felizes os que moram em vossa casa e a toda a hora cantam os vossos louvores.

 

Cântico de acção de graças: Bendiz minha alma o Senhor, M. Carneiro, NRMS 105

 

Oração depois da comunhão: Recebemos o penhor da glória eterna e, vivendo ainda na terra, fomos saciados com o pão do Céu. Nós Vos pedimos, Senhor, a graça de manifestarmos na vida o que celebramos neste sacramento. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Vamos continuar esta Missa deste Domingo ao longo da semana que agora começa.

Anunciemos a vida de Cristo, vivendo com fidelidade a Sua Lei em todas as circunstâncias da vida: Amor a Deus e ao próximo como a nós mesmos.

 

Cântico final: Vós me salvastes, Senhor, M. Simões, NRMS 16

 

 

Homilias Feriais

 

3ª SEMANA

 

2ª Feira, 12-III: O sim à vontade de Deus.

2 Reis 5, 1-15 / Lc 4, 24-30

Vai banhar-te e ficarás purificado. Então, ele (Naamã) desceu e mergulhou sete vezes no Jordão e ficou purificado.

Embora se tenha recusado a obedecer ao princípio, Naamã rectificou, obedeceu e ficou purificado (Leit.).

Quando cumprimos a vontade de Deus, como Jesus, os frutos serão abundantes: «Foi em Cristo e pela sua vontade humana que a vontade do Pai se cumpriu perfeitamente… Na oração da sua agonia, Ele conforma-se totalmente com esta vontade… Em virtude dessa mesma vontade é que nós fomos santificados (Heb 10, 10)» (CIC, 2824). Procuremos identificar a nossa vontade com a do Senhor.

 

3ª Feira, 13-III: A necessidade de perdoar o próximo.

Dan 3, 25. 34-43 / Mt 18, 21-35

Não nos deixeis ficar envergonhados, mas tratai-nos segundo a vossa brandura e segundo a vossa misericórdia.

Os nossos pecados, por muito numerosos e grandes que sejam, recebem o perdão pela misericórdia divina (Leit. e Ev.). E, como perdoamos ao próximo?

É indispensável o nosso perdão para a vida familiar e da sociedade: «Como é grande a necessidade do perdão e da reconciliação no mundo de hoje, nas nossas comunidades e família, no nosso próprio coração! (J. Paulo II). Além disso, se não perdoamos de todo o coração aos nossos irmãos «o nosso coração fecha-se, a sua dureza torna-se impenetrável ao amor misericordioso do Pai» (CIC, 2840).

 

4ª Feira, 14-III: Benefícios do cumprimento da Lei.

Deut 4, 1. 5-9 / Mt 5, 17-19

Escutai agora, Israelitas, as leis e os preceitos que hoje vos ensino, a fim de os pordes em prática.

Moisés pede ao povo de Deus que cumpra as leis e os preceitos de Deus quando entrar na terra prometida. Deste modo dará um grande exemplo aos povos vizinhos: «qual é a grande nação que tenha leis e preceitos tão justos como toda esta lei?» (Leit.).

Jesus deixou-nos um bom exemplo de quem cumpriu tudo (Ev.). E pede-nos que as vivamos como Ele viveu. A nossa sociedade será tanto mais admirada quanto melhor seguirmos as leis de Deus (coerência de vida) e quanto melhor as transmitirmos as gerações seguintes (educação familiar).

 

5ª Feira, 15-III: A escuta da Palavra.

Jer 7, 23-28 / Lc 11, 14-23

Foi isto que ordenei ao meu povo. Escutai a minha voz. Mas eles não ouviram, nem prestaram atenção.

Deus não se cansa de falar ao seu povo, apesar de muitas vezes não ser ouvido. Enviou os profetas, desde a saída do Egipto (Leit.) até ao aparecimento de Cristo, a quem compete a proclamação da Boa Nova.

O reino de Cristo «manifesta-se aos homens na palavra, nas obras e na presença de Cristo. Acolher a palavra de Jesus é acolher o próprio Reino» (CIC, 764). Recebamos a Boa Nova, tal como a Igreja no-la propõe, assimilemos os ensinamentos para que sejam vida da nossa vida e transmitamo-los aos parentes e amigos.

 

6ª Feira, 16-III: Voltar para Deus e amá-lo mais.

Os 14, 2-10 / Mc 12, 28-34

Perdoai-nos todas as nossas faltas e aceitai o que temos de bom.

O profeta Oseias pede ao povo de Israel que volte para Deus, que tenha confiança no Senhor (Leit.). Deus compromete-se a ajudá-lo: «amá-los-ei generosamente pois a minha indignação vai desviar-se deles» (Leit).

«O próprio Jesus confirma que Deus é o único Senhor, e que é necessário amá-lo com todo o coração, com todo o entendimento e com todas as forças (Ev.)» (CIC 202). Nesta Quaresma voltemos para Deus, procuremos amá-lo mais, dando-lhe a primazia, fazendo um esforço maior.

 

Sábado, 17-III: A autenticidade do sacrifício.

Os 6, 1-6 / Lc 18, 9-14

Pois eu quero o amor, e não os sacrifícios, conhecimento de Deus, mais que os holocaustos.

As palavras de Oseias têm uma aplicação prática na parábola do fariseu e do publicano. O fariseu orgulhava-se de oferecer vários sacrifícios e o publicano manifestava o seu amor, através do arrependimento.

«Par ser autêntico, o sacrifício exterior deve ser expressão do sacrifício espiritual…O único sacrifício perfeito é o que Cristo ofereceu na Cruz em total oblação ao amor do Pai e para nossa salvação. Unindo-nos ao seu sacrifício, podemos fazer da nossa vida um sacrifício agradável a Deus» (CIC, 2100).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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