aCONTECIMENTOS eclesiais

DO PAÍS

 

 

FÁTIMA

 

ENCONTRO NACIONAL

SOBRE CAUSAS MATRIMONIAIS

 

Na sequência dos Encontros anteriores, realizou-se de 8 a 10 de Setembro passado, na Casa de Nossa Senhora do Carmo, o VIII Encontro Nacional sobre causas matrimoniais, organizado pela Associação Portuguesa de Canonistas (APC) e dirigido aos membros dos Tribunais eclesiásticos e aos juristas civis interessados.

 

Estiveram presentes mais de sessenta participantes, dos quais cerca de metade eram advogados civis, cada vez mais animados com esta temática; os restantes eram quase todos canonistas e a sua presença contribuiu para um melhor aproveitamento nas reuniões de grupo.

O Coordenador do Curso, Cón. Doutor Joaquim de Assunção Ferreira, Vigário Judicial da diocese de Lamego, seleccionara três causas matrimoniais, correspondentes a outros tantos capítulos de nulidade: incapacidade por causa psíquica, apresentada pelo Pe. Dr. Fernando Varela, Vigário Judicial da diocese de Leiria-Fátima; exclusão da igualdade conjugal como modalidade de exclusão do matrimónio, pela Doutora Elisa Araújo, Juíza do Tribunal da arquidiocese de Braga; e a homossexualidade e o cân. 1095, pelo Cón. Doutor Joaquim de Assunção Ferreira.

Também o Pe. Dr. Manuel Joaquim Rocha, Vigário Judicial da diocese de Aveiro, numa conferência sobre Abandono da Igreja por acto formal, apresentou as consequências da recente alteração acerca da sua relevância no direito matrimonial (Carta Apostólica Omnium in mentem, de 2009).

Foi muito apreciada a presença de três participantes brasileiros, como vem sendo já habitual; e também a de dois canonistas angolanos, que começaram a participar no ano passado.

Integrada no Encontro, realizou-se a Assembleia Geral ordinária, para apreciação da actividade da Associação no biénio transacto e observações para o plano do biénio seguinte. Também se procedeu à eleição dos novos Órgãos Sociais para o quadriénio 2011-2015, passando a ser novo Presidente da Direcção o Cón. Doutor Joaquim de Assunção Ferreira, Vigário Judicial de Lamego.

A Associação Portuguesa de Canonistas, fundada em 23 de Fevereiro de 1990, contava no final de 2010 com 185 sócios, entre canonistas, juristas civis e pessoas de outra formação.

 

 

LISBOA

 

HOSPITAIS: MANUAL PARA

ASSISTÊNCIA ESPIRITUAL

 

Representantes de onze confissões religiosas apresentaram no dia 4 de Outubro passado, na Fundação Calouste Gulbenkian, um Manual de Assistência Espiritual e Religiosa Hospitalar.

 

De acordo com o padre José Nuno Ferreira, coordenador do Grupo de Trabalho Religiões Saúde que elaborou esta obra, “a importância deste Manual é acrescida”, pelo facto de “muitas das religiões representarem grupos de imigrantes presentes no país, alguns desde há pouco tempo”.

A obra inclui as perspectivas sobre a assistência espiritual e religiosa hospitalar dos Adventistas do Sétimo Dia, Baha’i, Budistas, Católicos, Hinduístas, Islâmicos, Judeus, Mórmons, Ortodoxos, Protestantes Evangélicos e Testemunhas de Jeová. Algumas destas confissões são conhecidas como seitas.

No Manual figuram alguns dos ritos principais que caracterizam cada uma daquelas confissões, como os “ritos em torno do nascimento, as prescrições alimentares por opção religiosa, o sentido e as práticas religiosas na doença e no sofrimento (como transfusões de sangue e transplantes)”.

Aborda ainda “questões que têm a ver com a morte, tanto espirituais como da bioética (como a eutanásia, a recolha de órgãos para transplante, doação de cadáver, as autópsias, os cuidados com o corpo morto)”.

O grupo de trabalho inter-religioso realça que o Manual será alvo de uma “actualização permanente” e mostra-se disponível para publicar “uma edição a breve trecho com outros Credos que ainda não se tenham integrado no âmbito da acção do Grupo”.

“Nas nossas intenções está ainda o estabelecimento de relações com o Agnosticismo e com o Ateísmo, para que todos sejam respeitados nas suas opções espirituais quando internados nos hospitais”, assinala o padre José Nuno, que é actualmente capelão do Hospital de São João, no Porto.

A apresentação deste Manual encerrou o Simpósio inter-religioso e inter-disciplinar, que decorreu na Fundação Calouste Gulbenkian.

Uma oportunidade para reflectir sobre dinâmicas relacionadas com a “Pessoa e o Doente”, a “Sociedade e o Serviço Nacional de Saúde” e a “Laicidade e as Religiões”.

O Grupo de Trabalho Religião e Saúde foi constituído no final de 2009 para acompanhar a aplicação do Decreto-Lei 253/2009, que estabelece a regulamentação da assistência espiritual e religiosa nos hospitais e em outros estabelecimentos do Serviço Nacional de Saúde. Às onze confissões representadas juntam-se ainda, no Grupo, os Bastonários da Ordem dos Médicos, dos Enfermeiros e dos Psicólogos, bem como presidentes das administrações hospitalares e dos serviços de assistência social.

 

 

PORTO

 

ACEITE A RENÚNCIA DE

D. JOÃO MIRANDA TEIXEIRA

 

O Santo Padre aceitou no dia 7 de Outubro passado a renúncia apresentada por D. João Miranda Teixeira, de 75 anos, ao cargo de bispo auxiliar do Porto, por ter atingido o limite de idade.

 

O Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, emitiu uma nota na qual agradece o “muito trabalho desenvolvido” por D. João Miranda Teixeira, “com o discernimento e a bondade que tanto o caracterizam”.

“Teremos próxima ocasião de lhe expressar publicamente quanto lhe queremos e devemos”, adianta D. Manuel Clemente, sublinhando que “o senhor D. João deixa de exercer o múnus de bispo auxiliar do Porto, mas não deixa de ser um bispo no Porto, contando a diocese com tudo o que a sua saúde e boa vontade lhe puderem continuar a dar”.

D. João Miranda Teixeira nasceu em 1935 em Vila Verde, Felgueiras, tendo sido ordenado sacerdote em 1960 e bispo em 1983, tendo desempenhado a missão de auxiliar da diocese do Porto durante mais de 28 anos.

Em 2006 foi nomeado administrador apostólico da diocese do Porto, por impedimento de D. Armindo Lopes Coelho, até à tomada de posse de D. Manuel Clemente em 2007.

A diocese do Porto conta agora com três bispos auxiliares: D. António Bessa Taipa, D. João Lavrador e D. Pio Alves de Sousa.

 

 

LISBOA

 

FALECEU O

PADRE LUÍS ARCHER

 

O jesuíta e cientista português Luís Archer faleceu no passado dia 8 de Outubro, aos 85 anos, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

 

O padre Luís Archer é considerado um impulsionador da biogenética em Portugal, tendo participado na criação do Laboratório de Genética Molecular do Instituto Gulbenkian da Ciência, onde trabalhou durante mais de 20 anos.

Formado em Ciências Biológicas, pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto em 1947, interrompeu o seu percurso para entrar na Companhia de Jesus, tendo sido ordenado sacerdote em 1959, na Alemanha.

Depois de estudar bioquímica e genética na Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos, regressou a Portugal no final da década de 60, assumindo a partir de então lugar de destaque na investigação científica portuguesa.

No meio da sua vida académica e religiosa, Luís Archer distinguiu-se como o primeiro presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, entre 1996 e 2001.

Em 2006, foi distinguido com o prémio Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes, atribuído pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura em nome da Igreja Católica, por "uma vida dedicada à humanidade que procurou cientificamente compreender melhor, mas uma vida sobretudo apostada em promover e elevar a humanidade".

Dois anos depois, a Associação Portuguesa de Bioética, em colaboração com o Serviço de Bioética e Ética Médica da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, atribuiu-lhe o Prémio Nacional de Bioética.

Como legado, o cientista deixa ainda cerca de 250 trabalhos de investigação e seis livros publicados.

 

 

FÁTIMA

 

IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA

NA CATEQUESE

 

O coordenador da Comissão Episcopal da Educação Cristã (CEEC) encerrou no passado domingo 9 de Outubro a Semana Nacional da Educação Cristã, com um apelo à atenção aos filhos, na formação da fé.

 

Na homilia da Missa conclusiva, D. António Marcelino, bispo emérito de Aveiro, exortou catequistas, família e outros educadores.

“Educar na fé é ensinar vida”, afirmou, destacando que, numa família “os filhos são a maior riqueza” e, por isso, “a atenção aos filhos devem ser a maior preocupação”.

“O crescimento da fé é uma aprendizagem da vida em todas as circunstâncias”, disse também, exortando a “um testemunho sério de vida cristã”.

A Semana nacional teve como tema «Educar na fé é ensinar vida» e incluiu no seu programa as jornadas de catequistas, reunindo cerca mais de 600 catequistas em Fátima e outros 300 na Internet, acompanhando os trabalhos.

Isabel Oliveira, directora do Departamento de Catequese do Porto, falou sobre a intergeracionalidade, afirmando que a catequese intergeracional é o sonho de todos os catequistas, porquanto permite “às famílias acompanhar e experimentar, validando a adesão de uns e outros membros da família”, procurando que cada um viva “a fé de acordo com a capacidade da idade que cada um tem”.

Já o catequeta espanhol Emilio Alberich Sotomayor, autor do livro «A Família, lugar de educação da Fé?», defendeu que “a família é o primeiro e mais importante ligar da transmissão da fé para os mais novos” e é urgente “desmistificar a ideia de que a catequese tradicional é a primeira forma de anúncio da fé”.

Para o especialista, a família “reúne características fundamentais” na descoberta da fé por parte dos mais jovens uma vez que é nela que “acontecem as mais importantes e decisivas experiências de aprendizagem”.

Abordando o tema do despertar da fé nos mais novos, Alberich lançou a advertência de que é “importante não infantilizar a religião” de modo a que as crianças possam, desde cedo, fazer a “experiência de Deus e de Jesus na sua dimensão mais autêntica e completa”.

Nas mesmas jornadas foi apresentado o livro «A Catequese Familiar: Reflexões e propostas de Trabalho», da autoria do padre Vasco da Cruz Gonçalves.

A nova obra procura “colaborar na formação de responsáveis e catequistas disponíveis para desenvolver projectos de catequese familiar nas suas comunidades” e sensibilizar os demais “para o momento propício que estamos a viver a nível comunitário para implementarmos esta proposta”.

 

 

LISBOA

 

NOVO BISPO AUXILIAR

 

O Santo Padre nomeou, no passado dia 10 de Outubro, como bispo auxiliar de Lisboa o Cón. Nuno Brás, de 48 anos, até agora Reitor do seminário dos Olivais, no Patriarcado.

 

O novo bispo auxiliar de Lisboa escolheu como lema episcopal In Verbo Tuo (Na Tua Palavra). “É a Palavra de Deus que se faz Carne e orienta toda a nossa vida de cristãos. É a Palavra de Deus que nos chama e nos dá força”, explica.

O Cón. Nuno Brás da Silva Martins nasceu em 1963 no Vimeiro, Lourinhã, e foi ordenado sacerdote do Patriarcado em 1987.

Doutorado em Teologia Fundamental pela Universidade Pontifícia Gregoriana (Roma), foi vigário paroquial de Nossa Senhora dos Anjos, director do semanário diocesano Voz da Verdade (cargo a que regressou no início de 2011) e professor na Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa, tendo publicado a tese “Cristo, o Comunicador perfeito: Delineamento de uma Teologia da Comunicação à luz da Instrução Pastoral Communio et Progressio”, pelas Edições Didaskalia, da UCP. 

O Presidente do Conselho Pontifício para a Nova Evangelização, Mons. Rino Fisichella, professor de Teologia Dogmática do Cón. Nuno Brás, na Universidade Gregoriana, diz ter recebido a notícia da nomeação com grande alegria, referindo-se ao seu antigo aluno como “um sacerdote com grandes dotes, muito importantes hoje, sobretudo com uma grande preparação teológica, uma paixão pastoral muito sentida, de modo especial nestes último anos, ligada à formação dos seminaristas e dos jovens padres”. 

Em 2002, o novo bispo fora nomeado Reitor do Colégio Pontifício Português de Roma, cargo no qual foi sucedido por D. José Cordeiro, bispo de Bragança-Miranda, recentemente ordenado.

De regresso à capital portuguesa, em 2005, o Cón. Nuno Brás assumiu os cargos de Reitor do Seminário maior de Cristo Rei (Olivais) e é director do departamento de comunicação do Patriarcado de Lisboa desde 2010.

O cardeal-patriarca, D. José Policarpo, tinha como bispos auxiliares D. Carlos Azevedo e D. Joaquim Mendes, aos quais se junta agora D. Nuno Brás.

O novo bispo auxiliar de Lisboa, vai ser ordenado no dia 20 de Novembro, domingo da solenidade litúrgica de Cristo-Rei, às 16h00, numa celebração presidida pelo cardeal-patriarca no Mosteiro dos Jerónimos.

Com D. José Policarpo serão bispos ordenantes o Presidente do Conselho Pontifício para Promoção da Nova Evangelização, Mons D. Rino Fisichella, e D. Manuel Clemente, bispo do Porto, também antigo Reitor do seminário maior dos Olivais.

Celebração Litúrgica deseja ao novo Bispo a continuação de um fecundo trabalho pastoral na sua nova missão eclesial.

 

 

LISBOA

 

NOVO DIRECTOR DA

FACULDADE DE TEOLOGIA

 

O padre João Lourenço, professor catedrático na área de Teologia Bíblica, tomou posse no passado dia 14 de Outubro como novo director da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa (UCP), afirmando como prioridade o “diálogo com a cultura”.

 

O novo director disse que a Faculdade de Teologia tem uma missão “eclesial e científica” que passa pela “atenção que a teologia deve prestar à sociedade e à Igreja, em primeiro lugar”.

Para o sacerdote franciscano, a Faculdade deve atender aos “sinais” que chegam para um encontro com “os demais saberes”, numa “reformulação permanente”.

“Temos um apelo mais imediato, que é a questão da reactualização da mensagem do Concílio [Vaticano II], porque vamos iniciar as comemorações dos 50 anos [do início das sessões conciliares, 1962] e é importante que a nossa sociedade e a Igreja tomem consciência do significado deste acontecimento”.

Quanto ao diálogo com as outras faculdades da UCP, o director da Faculdade de Teologia espera que seja possível promover iniciativas conjuntas que levem ao debate sobre “temas da actualidade social e cultural” e ajudem a própria Universidade a “repensar uma identidade cada vez mais consistente”, assumindo “o sentir e os valores de que a Igreja se faz eco”.

Nascido em 1948, em Braga, o padre João Lourenço é licenciado em Teologia pela UCP, tendo apresentado, em 1985, a tese de doutoramento no Studium Biblicum Franciscanum de Jerusalém.

A sua nomeação como sucessor do padre Peter Stilwell foi confirmada em Setembro passado pela Congregação para a Educação Católica, organismo da Santa Sé.

A Faculdade de Teologia abriu em 1968/69, na sede da Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa. Em 1971 foi reconhecida pelo Estado Português (Decreto-Lei n.º 307/71) e nesse mesmo ano obteve aprovação canónica pelo Decreto Ampla cum sedes, da Congregação da Educação Católica.

No ano de 1987, a Faculdade estendeu-se a Braga e ao Porto, integrada nos respetivos polos da UCP.

 

 

FÁTIMA

 

CONGRESSO INTERNACIONAL SOBRE

SANTA BEATRIZ DA SILVA

 

A Ordem da Imaculada Conceição (OIC), fundada pela portuguesa Santa Beatriz da Silva (séc. XV), introduziu “uma espiritualidade mariana inovadora”, referem as conclusões do Congresso internacional realizado em Fátima, de 14 a 16 de Outubro passado.

 

No documento final desta actividade comemorativa dos 500 anos da Regra da OIC – aprovada pelo Papa Júlio II, a 17 de Setembro de 1511 –, realça-se também “o precioso contributo da OIC na maré de reformismo das congregações monásticas” e “as estratégias da política régia, da nobreza e do poder local que, nos séculos XVI a XVIII, interferem na fundação de mosteiros femininos e sua sustentação no recrutamento de vocações e na execução dos fins espirituais e intuitos assistenciais dos beneméritos”.

A irmã Maria Helena Martins Alexandre, da OIC, sublinha que estas iniciativas “dão a conhecer melhor o âmbito histórico em que viveu Santa Beatriz da Silva” e “ajuda os jovens a conhecerem uma vida diferente”.

Há 11 anos na comunidade de Viseu – umas das duas comunidades, juntamente com a de Campo Maior, que a Ordem da Imaculada Conceição tem em Portugal –, esta religiosa refere que o Congresso deu a conhecer a OIC e, como consequência, “poderão surgir novas vocações” porque a ordem fundada por Santa Beatriz da Silva “é pouco conhecida em Portugal”.

Nascida em Portugal em 1437 e falecida em Toledo (Espanha) em 1492, com canonização em 1976, Santa Beatriz da Silva foi apresentada como “uma mulher forte” e “uma das mais ricas e interessantes do monaquismo peninsular, fonte de espiritualidade e de cultura”.

Com cerca de 200 participantes, neste Congresso fez-se também referência ao papel divulgador de Santa Beatriz em relação à Imaculada Conceição.

A fundadora da OIC exerceu um “papel relevante nesse percurso doutrinal e vivencial, ao consagrar toda a sua vida e obra à Imaculada Conceição, na vivência integral dos valores espirituais humanos que esta encarna e inspira como modelo humano e feminino sempre actual e imitável”.

 

 

LISBOA

 

ALTERAÇÃO DE

FERIADOS RELIGIOSOS?

 

O ajustamento do calendário dos feriados, prometido pelo primeiro-ministro português, deve ter em conta a “cultura do povo”, disse no passado dia 17 de Outubro o secretário da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP).

 

O padre Manuel Morujão não confirmou a intenção de abdicar de qualquer feriado em específico, mas manifestou a “boa vontade da Igreja para colaborar naquilo que for possível”. “Dizer que é este ou aquele feriado que muda ou se suprime, para já, são conjecturas”.

Uns dias antes, o chefe do Governo, Pedro Passos Coelho anunciou a intenção de “ajustar o calendário dos feriados” com o objectivo de “contrariar o risco da deterioração económica”, juntando a essa medida a expansão do horário de trabalho no sector privado em meia hora por dia, “durante os próximos dois anos”.

Para o padre Manuel Morujão, está em causa “o respeito que a Igreja quer ter pela cultura do povo, mesmo de pessoas que não são religiosas mas estão inseridas numa comunidade local e vivem os momentos de celebração e festa dessa comunidade”.

“A Conferência Episcopal tem a capacidade e o dever de oferecer sugestões e é isso que, numa reflexão, proporá às autoridades competentes, para que, respeitando a cultura popular, se possa encontrar, em tempo de crise, alguma solução”, acrescenta.

Nos termos da concordata de 2004, assinada entre Portugal e a Santa Sé, a República Portuguesa “reconhece como dias festivos os domingos”, e os outros dias reconhecidos como “festivos católicos” são definidos por acordo “nos termos do artigo 28”.

Nesse artigo, pode ler-se que “o conteúdo da presente Concordata pode ser desenvolvido por acordos celebrados entre as autoridades competentes da Igreja Católica e da República Portuguesa”.

As questões levantadas pela “interpretação do texto” da Concordata ou “quaisquer outras medidas tendentes à sua boa execução" são analisadas por uma “Comissão paritária”, prevista no artigo 29.º do referido acordo internacional.

O último Conselho de Ministros aprovou uma resolução que nomeia o embaixador João Alberto Bacelar da Rocha Páris, antigo representante diplomático de Portugal junto da Santa Sé, para presidente da delegação portuguesa na Comissão paritária, sucedendo ao embaixador Pedro Catarino, actual representante da República na Região Autónoma dos Açores.

Também a presidência da delegação da Santa Sé na Comissão paritária tinha sido alterada, com a nomeação de D. António Montes, bispo emérito de Bragança-Miranda, em substituição de D. João Alves, bispo emérito de Coimbra.

As delegações da Santa Sé e da República Portuguesa reúnem-se em Lisboa, alternadamente no Ministério dos Negócios Estrangeiros e na Nunciatura Apostólica, incluindo, ainda, por parte da Santa Sé, os professores universitários Paulo Pulido Adragão (Universidade do Porto) e padre Saturino Gomes (UCP), secretário, único membro que continua em funções desde o início da Comissão, em ambas as partes.

 

 

BRAGA

 

UNIDADE DE CUIDADOS

CONTINUADOS E PALIATIVOS

 

O arcebispo de Braga presidiu no dia 17 de Outubro à inauguração do centro de acolhimento “O Poverello”, unidade de cuidados continuados e paliativos ligada aos franciscanos portugueses, pedindo a superação de “comportamentos de egoísmo”.

 

“Apetece-me gritar que precisamos de deitar fora comportamentos de egoísmo, para passar o Pórtico e entrar numa vida onde a esperança se respira, a interajuda se concretiza e a caridade se revive nas suas diversas manifestações”, disse D. Jorge Ortiga, em Montariol.

A primeira pedra desta obra social tinha sido lançada em Fevereiro de 2009, abrindo agora portas para a prestação de cuidados na área da saúde, com meia centena de profissionais.

D. Jorge Ortiga assinalou, neste contexto, a importância de atender aos “momentos finais da peregrinação terrena”: “Aí a vida deve tornar-se mais digna por todo um percurso que foi efectuado”.

“Esta casa não tem luxos. Só quer que a passagem para a vida sem ocaso seja interpretada em felicidade. Apraz-me sublinhar e congratular-me com a feliz ideia de chamar ao espaço tradicional da capela mortuária de Pórtico da Vida”, constatou.

O arcebispo de Braga referiu que “nem todos querem acreditar na dimensão da eternidade”, mas convidou os católicos a “interpelar quantos ainda rejeitam que o mundo de hoje é uma antecâmara duma vida diferente na qual se acredita e, particularmente, pela qual se luta”.

A ideia do projecto partiu da Ordem Franciscana, à qual a fundação está ligada. O arcebispo sublinhou a dimensão pública da unidade e considerou que o Governo terá uma responsabilidade particular. "As obras da Igreja normalmente nascem da fé, mas isso não significa cruzar os braços. Cá estaremos para, juntos, permitir que o centro seja uma casa onde a fraternidade não será uma palavra vazia", disse.

 

 

COVILHÃ

 

MUSEU DE ARTE SACRA

 

O Museu de Arte Sacra da Covilhã, da responsabilidade da Câmara Municipal local, foi inaugurado no passado dia 20 de Outubro, na Casa Maria José Alçada, um edifício de 1921 projectado por Raul Lino.

 

A iniciativa tem a colaboração do bispo da Diocese, D. Manuel da Rocha Felício, e dos párocos das igrejas do concelho.

O património museológico está repartido por dois edifícios, numa área de exposição de 850 metros quadrados, cujo percurso tem como referência os sete sacramentos da Igreja Católica (baptismo, confirmação, eucaristia, penitência, unção dos enfermos, ordem e matrimónio).

O espólio conta com mais de 600 peças destacando-se as colecções de pintura, escultura, ourivesaria, paramentaria e figuras de roca.

O acervo actual, que abrange um período que vai do século XII ao século XX, é composto por imagens sacras, retábulos, relicários, altares, crucifixos, livros e documentos raros, ourivesaria, mobiliário, telas, objectos religiosos e paramentos litúrgicos.

O Museu de Arte Sacra da Covilhã tem como principais referências algumas peças de grandes dimensões, com destaque para uma escultura de Cristo crucificado, do século XVIII, em madeira policromada, com 2,20x1,85 metros.

Do novo espaço faz também parte uma sala de exposições temporárias, um jardim interior e uma loja de venda ao público, para além de “uma capela que recria o ambiente religioso comum a este tipo de estruturas”.

Uma oliveira, plantada simbolicamente à entrada do espaço, assinala o início do percurso do Museu de Arte Sacra da Covilhã.

 

 

LISBOA

 

CELEBRAÇÃO LITÚRGICA DO

BEATO JOÃO PAULO II

 

A Igreja Católica celebrou no passado dia 22 de Outubro, pela primeira vez, a memória litúrgica de João Paulo II (1920-2005), Papa polaco que foi beatificado em Maio deste ano pelo seu sucessor, Bento XVI, no Vaticano.

 

A data assinala o dia da solene Missa de início de pontificado, em 1978, pouco depois de ter sido eleito Papa.

Na habitual resenha biográfica que é apresentada no calendário dos santos e beatos, João Paulo II é lembrado pela “extraordinária solicitude apostólica, em particular para com as famílias, os jovens e os doentes, o que o levou a realizar numerosas visitas pastorais a todo o mundo”.

“Entre os muitos frutos mais significativos deixados em herança à Igreja, destaca-se o seu riquíssimo Magistério e a promulgação do Catecismo da Igreja Católica e do Código de Direito Canónico para a Igreja latina e oriental”.

Na Liturgia das Horas é proposta uma passagem da homilia de João Paulo II nessa Missa, na qual afirmou: «Não tenhais medo! Abri as portas a Cristo!».

A oração inicial da Missa – Colecta – da Memória litúrgica, em português, é a seguinte: “Ó Deus, rico de misericórdia, que escolhestes o beato João Paulo II para governar a vossa Igreja como Papa, concedei-nos que, instruídos pelos seus ensinamentos, possamos abrir confiadamente os nossos corações à graça salvífica de Cristo, único Redentor do homem. Ele que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos”.

 

Em Lisboa, a data foi celebrada na paróquia da Sé Patriarcal, com o lançamento, às 20h00, de um disco de tributo ao beato, que inclui o hino oficial da beatificação de João Paulo II, com tradução e adaptação para português feita pelo padre António Cartageno.

Antes desta sessão decorreu, às 16h00, a apresentação de um filme sobre João Paulo II, seguindo-se, pelas 18h30, a celebração da missa evocativa da sua memória.

Ainda em Lisboa, na igreja da Encarnação, no Chiado, o Núncio apostólico benzeu uma imagem de João Paulo II, às 19h00, para ser exposta à veneração dos fiéis.

O Instituto Superior de Estudos Teológicos de Coimbra, juntamente com o seminário da diocese, promoveu, por seu lado, um Congresso teológico intitulado João Paulo II: Memória e Presença.

 

 

COIMBRA

 

CONGRESSO SOBRE

LEGADO DE JOÃO PAULO II

 

O Seminário Maior de Coimbra acolheu no passado sábado 22 de Outubro um Congresso teológico dedicado ao beato João Paulo II, a sua visão sobre o Homem e o Mundo, o legado que deixou a sacerdotes e jovens, e a sua ligação a Fátima.

 

Para o Bispo de Coimbra, D. Virgílio Antunes, o Papa polaco foi uma “figura cimeira da Igreja”, que se destacou através do “anúncio da Boa Nova”, do “acolhimento ao mundo” e da “presença junto dos jovens”.

“Fica na História como o Papa de Fátima, algo reconhecido não só em Portugal mas no mundo inteiro, por todas as pessoas que investigam com profundidade a vida, o agir, o pensar e o sentir de João Paulo II”, acrescentou D. Virgílio Antunes, antigo Reitor do Santuário de Fátima.

O Congresso, organizado pelo Instituto Superior de Estudos Teológicos de Coimbra, foi subordinado ao tema “João Paulo II: Memória e Presença”, e decorreu precisamente no dia da memória litúrgica do Papa polaco.

Os participantes tiveram oportunidade de revisitar os passos dados por João Paulo II e reflectir sobre a importância que a sua obra teve na vida da Igreja Católica e de todos os fiéis.

“É daquelas pessoas que nós falamos como se fossem da nossa própria família, da nossa própria relação”, realça o prelado conimbricense, que teve oportunidade de conviver de perto com Karol Wojtyla, sobretudo quando ele veio a Fátima em 1982.

Confrontado com a probabilidade do Papa polaco ser canonizado em breve, numa altura em que a Igreja está a investigar a autenticidade de um milagre no México, D. Virgílio Antunes responde também com o coração:

“Não tenho dúvidas que no mundo inteiro há muitos milhões de pessoas a pedirem a Deus auxílio por meio da intercessão de João Paulo II. O céu já se abriu e há de continuar a abrir quando um homem como este bate à porta de Deus”.

 


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