sOLIDARIEDADE

NÃO HÁ FUTURO SEM SOLIDARIEDADE

 

 

Cardeal Dionigi Tettamanzi

Arcebispo emérito de Milão (Itália)

Excertos

 

De 13 a 15 de Setembro passado realizou-se em Fátima o XXVII Encontro da Pastoral Social, promovido pela Comissão Episcopal da Pastoral Social, cujo presidente é D. Carlos Azevedo, Bispo Auxiliar de Lisboa.

«Desenvolvimento local, caridade global» foi o tema geral do Encontro. No dia 14, o Cardeal Dionigi Tettamanzi, apresentou uma conferência sobre o tema «Não há futuro sem solidariedade. Uma reflexão teológico-moral a partir da experiência da diocese de Milão». Posteriormente, o Cardeal falou com os jornalistas.

Oferecemos aos nossos leitores um resumo das intervenções do Cardeal apresentado pela Agência Ecclesia.

Sobriedade pessoal no uso dos bens materiais e solidariedade com os necessitados – podem ser o remédio para a actual crise económico-financeira.

 

 

O cardeal italiano Dionigi Tettamanzi defendeu em Fátima uma “renovação total das grandes instituições económicas” diante da actual crise mundial, afirmando que “talvez a globalização em curso seja um processo negativo”.

“A percepção do homem de hoje é a de se encontrar à mercê de um movimento imparável, que traz consigo insegurança, precariedade, instabilidade, em todas os sectores da vida”, alertou.

O arcebispo emérito de Milão diz que o momento actual “exige uma renovação total, que revolucione o comportamento de todos”, admitindo a necessidade de “voltar a formas de economia menos avançadas, mais circunscritas”.

“A globalização deve ser assumida como uma solidariedade verdadeira”, disse durante o debate que se seguiu à conferência, acrescentando que “os direitos dos fracos não são fracos direitos”.

Este responsável falou do trabalho realizado pela diocese italiana, desde o Natal de 2008, diante da “grave crise económica e financeira”, que passou pela instituição do “Fundo Família Trabalho”, não só como “gesto concreto de ajuda aos núcleos familiares em situação de necessidade pela crise, mas ainda mais como sinal, como impulso para compreender que, face a situações como estas, é preciso repensar radicalmente as próprias escolhas de vida”.

Até agora, revelou, “foram recolhidos mais de 12 milhões e meio de euros com os quais foram ajudadas mais de 6300 famílias", conseguidos com a mobilização da “rede Caritas”, dos próprios trabalhadores e da generosidade das “pessoas pobres”, numa diocese com 12 milhões de habitantes.

“Espero também que as pessoas que têm responsabilidades institucionais e de importância na sociedade e na economia – administradores públicos, empresários, gestores – continuem a procurar insistentemente modos de aumentar a oferta de emprego”, acrescentou.

Para o cardeal Dionigi Tettamanzi, a crise “atingiu gravemente os mais fracos, ou seja, os menos responsáveis por esta situação, os menos capazes de voltarem a levantar-se só pelas suas próprias forças”.

“Na raiz desta crise está uma atitude de anti-solidariedade difusa e escondida como um verdadeiro vírus social, contagioso e difícil de diagnosticar: muitos, de facto, são seus portadores, sem se darem conta”, lamentou.

O cardeal italiano quis “identificar pontos de referência sólidos” e precisou que, “como atesta a História, se não se aprende com uma crise, cai-se bem depressa numa outra. Não necessariamente mais leve que a anterior”.

Os católicos, acrescentou, devem promover “modos justos e solidários de viver as relações com os outros, através do bom uso dos bens económicos, do tempo e do respeito pela criação”.

“Note-se que a solidariedade aparece em extrema síntese como a via mais directa e explícita para o bem comum, na condição, porém, de que exista consciência de que todos devem tomar parte activa na sua edificação”, declarou.

 

 

 

 

 


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