Nossa senhora de lurdes

DIa MUndial Do doente

11 de Fevereiro de 2012

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Louvada seja na terra, F. dos Santos, NRMS 33-34

Sedúlio

Antífona de entrada: Salvé, Santa Mãe, que destes à luz o Rei do céu e da terra.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Quatro anos depois de Pio IX ter definido o dogma da Imaculada Conceição, Nossa Senhora apareceu em Lourdes 18 vezes – com início em 11 de Fevereiro – a Bernardette Soubirous, uma menina pequena e doente, de 14 anos, filha dum pobre moleiro.

Lurdes, desconhecida do mundo até então, tornou-se, da noite para o dia, num grande centro de peregrinações.

Nossa Senhora transmitiu uma Mensagem a Bernardette, para que a desse a conhecer.

Que actualidade tem para nós a mensagem de Lurdes?

Os textos da Liturgia desta comemoração ajudam-nos a responder a esta pergunta.

 

Acto penitencial

 

Contra o pecado que estende o seu domínio sobre a face da terra, desde a queda dos nossos primeiros pais, Nossa Senhora de Lourdes aponta-nos o caminho da penitência, do arrependimento e mudança de vida; é o mesmo que Jesus nos indicou no Evangelho.

Decidamo-nos a acolher na vida esta mensagem maternal que nos recorda as verdades esquecidas da Revelação.

Examinemo-nos com diligência sobre os pecados cometidos, prometamos sincera emenda e peçamos perdão.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus, que nos chamais à emenda de vida,

    e nos ofereceis o perdão dos nossos pecados,

    tende misericórdia.

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Cristo, que oferecestes a vida no altar da Cruz,

    para nos reconciliardes a todos com o Pai,

    tende misericórdia.

 

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Senhor Jesus, que não quereis que o pecador

    se condene, mas se arrependa e viva para sempre,

    tende misericórdia.

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo-poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Vinde em auxílio da nossa fraqueza, Senhor de misericórdia, e concedei que, celebrando a memória da Imaculada Mãe de Deus, sejamos purificados dos nossos pecados. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: No conjunto das profecias relativas ao exílio e à restauração, Isaias anuncia que o Senhor achará glória na renovação do Seu Povo. Voltarão os tempos de alegria, de paz e abundância.

 

Isaías 66, 10-14c

 

10Alegrai-vos com Jerusalém, exultai com ela, todos vós que a amais. Com ela enchei-vos de júbilo, todos vós que participastes no seu luto. 11Assim podereis beber e saciar-vos com o leite das suas consolações, podereis deliciar-vos no seio da sua magnificência. 12Porque assim fala o Senhor: «Farei correr para Jerusalém a paz como um rio e a riqueza das nações como torrente transbordante. Os seus meninos de peito serão levados ao colo e acariciados sobre os joelhos. 13Como a mãe que anima o seu filho, também Eu vos confortarei: em Jerusalém sereis consolados. 14Quando o virdes, alegrar-se-á o vosso coração e, como a verdura, retomarão vigor os vossos membros. A mão do Senhor manifestar-se-á aos seus servos».

 

O texto, faz parte dum discurso dotado de rara beleza poética, no final do livro de Terceiro Isaías. Jerusalém, é apresentada como uma mãe, que com seus peitos sacia de consolação e deleite os seus filhos que regressam do exílio (vv. 10-11). Bela acomodação do texto à Virgem Maria feita pela Liturgia de hoje.

12 «A paz como um rio» é uma figura da paz messiânica que Cristo trouxe à «nova Jerusalém» que é «nossa Mãe», a Igreja (cf. Gal 4, 26-27), «o Israel de Deus». A Virgem Maria é imagem, modelo e Mãe da Igreja.

 

Salmo Responsorial    Jt 13, l8bcde.19 (R. 15, 9d ou Lc 1, 42)

 

Monição: A liturgia aplica a Nossa Senhora as aclamações do povo de Betúlia ao celebrar a vitória de Judite sobre Holofernes, inimigos da sua pátria.

Maria, ao dar-nos Jesus e ao ajudar-nos na luta contra o demónio, realiza a vitória de que o heroísmo de Judite foi uma figura.

Louvemos Nossa Senhora com palavras da Sagrada Escritura.

 

Refrão:        Tu és a honra do nosso povo.

Ou:               Bendita sois Vós entre as mulheres.

 

Bendita sejas, minha filha, pelo Deus Altíssimo,

mais do que todas as mulheres da terra

e bendito seja o Senhor nosso Deus,

criador do céu e da terra.

 

Ele enalteceu de tal forma o teu nome

que nunca mais deixarão os homens

de celebrar os teus louvores

e recordarão eternamente o poder de Deus.

 

 

Aclamação ao Evangelho        Lc 1, 45

 

Monição: A pregação de Jesus leva até ao nosso íntimo a sabedoria infinita do Senhor; os milagres que realiza manifestam a bondade infinita do Seu Coração divino.

Em Caná da Galileia, como continua a acontecer agora na Igreja, Maria intervém activamente com a Sua mediação, para que estas riquezas divinas cheguem até nós.

Aclamemos o Evangelho com alegria e disponibilidade de Filhos de Deus e de Maria.

 

 

Aleluia

 

Cântico: Az. Oliveira, NRMS 36

 

 

Evangelho

 

São João 2, 1-11

Naquele tempo, 1realizou-se um casamento em Caná da Galileia e estava lá a Mãe de Jesus. 2Jesus e os seus discípulos foram também convidados para o casamento. 3A certa altura faltou o vinho. Então a Mãe de Jesus disse-Lhe: «Não têm vinho». 4Jesus respondeu-Lhe: «Mulher, que temos nós com isso? Ainda não chegou a minha hora». 5Sua Mãe disse aos serventes: «Fazei tudo o que Ele vos disser». 6Havia ali seis talhas de pedra, destinadas à purificação dos judeus, levando cada uma de duas a três medidas. 7Disse-lhes Jesus: «Enchei essas talhas de água». Eles encheram-nas até acima. 8Depois disse-lhes: «Tirai agora e levai ao chefe de mesa». E eles levaram. 9Quando o chefe de mesa provou a água transformada em vinho, – ele não sabia de onde viera, pois só os serventes, que tinham tirado a água, sabiam – chamou o noivo 10e disse-lhe: «Toda a gente serve primeiro o vinho bom e, depois de os convidados terem bebido bem, serve o inferior. Mas tu guardaste o vinho bom até agora». 11Foi assim que, em Caná da Galileia, Jesus deu início aos seus milagres. Manifestou a sua glória e os discípulos acreditaram n’Ele.

 

O evangelista não visa contar o modo como Jesus resolveu um problema numas bodas, mas centra-se na figura de Jesus, que «manifestou a sua glória», donde se seguiu que «os discípulos acreditaram n’Ele» (v. 11). Toda a narração converge para as palavras do chefe da mesa ao noivo: «Tu guardaste o melhor vinho até agora!» (v. 10). Esta observação encerra um sentido simbólico; o próprio milagre é um «sinal» (v. 11), um símbolo ou indício duma realidade superior a descobrir, neste caso: quem é Jesus. Podemos pressentir a típica profundidade de visão do evangelista, que acentua determinados pormenores pelo significado profundo que lhes atribui. O vinho novo aparece como símbolo dos bens messiânicos (cf. Is 25, 6; Joel 2, 24; 4, 18; Am 9, 13-15), a doutrina de Jesus, que vem substituir a sabedoria do A. T., esgotada e caduca. A abundância e a qualidade do vinho – 6 (=7-1) vasilhas [de pedra] «de 2 ou 3 metretas» (480 a 720 litros) – é um dado surpreendente, que ilustra bem como Jesus veio «para que tenham a vida e a tenham em abundância» (Jo 10, 10; cfr Jo 6, 14: os 12 cestos de sobras). O esposo das bodas de Caná sugere o Esposo das bodas messiânicas, o responsável pelo sucedido: n’Ele se cumprem os desposórios de Deus com o seu povo (cf. Is 54, 5-8; 62, 5; Apoc 19, 7.9; 21, 2; 22, 17).

Também se pode ver, na água das purificações rituais que dão lugar ao vinho, um símbolo da Eucaristia – o sangue de Cristo –, que substitui o antigo culto levítico, e pode santificar em verdade (cf. Jo 2, 19.21-22; 4, 23; 17, 17). Há quem veja ainda outros simbolismos implícitos: como uma alusão ao Matrimónio e mesmo à Ressurreição de Jesus, a plena manifestação da sua glória, naquele «ao terceiro dia» do v. 1 (que não aparece no texto da leitura).

Por outro lado, também se costuma ver aqui o símbolo do papel de Maria na vida dos fiéis (cf. Apoc 19, 25-27; 12, 1-17), Ela que vai estar presente também ao pé da Cruz (Jo 19, 25-27): «e estava lá a Mãe de Jesus» (v. 1). Ao contrário dos Sinópticos, nas duas passagens joaninas fala-se da Mãe de Jesus, como se Ela não tivesse nome próprio; é como se o seu ser se identificasse com o ser Mãe de Jesus, a sua grande dignidade. Trata-se de duas menções altamente significativas: os capítulos 2 e 19 do IV Evangelho aparecem intimamente ligadas precisamente pela referência à «hora» de Jesus, numa espécie de inclusão de toda a vida de Cristo. A Mãe de Jesus não é mais um convidado numas bodas; é uma presença actuante e com um significado particular, nomeada por três vezes (vv. 1.3.5), atenta ao que se passa: dá conta da situação irremediável, intervém e fala, quando o milagre que manifesta a glória de Jesus podia ser relatado sem ser preciso falar da sua Mãe, mas Ela é posta em foco.

1 «Caná»: só S. João fala desta terra (cf. 4, 46; 21, 2), habitualmente identificada com Kefr Kenna, a 7 Km a NE de Nazaré, o lugar de peregrinação, mas as indicações de F. Josefo fazem pensar antes nas ruínas de Hirbet Qana, a 14 Km a N de Nazaré.

3 «Não têm vinho». A expressão costuma entender-se como um pedido de milagre. A exegese moderna tende a fixar-se em que a frase não passa duma forma de pôr em relevo uma situação irremediável, de molde a fazer sobressair o milagre. Mas, sendo a Mãe de Jesus a chamar a atenção para o problema, consideramos que Ela é apresentada numa atitude de oração. Com efeito, a oração de súplica e de intercessão não consiste em exercer pressão sobre Deus, para O convencer, mas é colocar-se na posição de necessitado e mendigo perante Deus, é pôr-se a jeito para receber os seus dons. A intercessão de Maria consiste em pôr-se do nosso lado, em vibrar connosco, de modo que fique patente a nossa carência e se dilate a nossa alma para nos dispormos a receber os dons do Céu. Ela aparece aqui como ícone da autêntica oração de súplica e de intercessão; e é lícito pensar que isto não é alheio à redacção joanina, pois o milagre acaba por se realizar na sequência da intervenção da Mãe de Jesus (mesmo que alguns não considerem primigénio o diálogo dos vv. 3-4).

4 «Mulher, que temos nós com isso? Ainda não chegou a minha hora». A expressão «que a Mim e a Ti?» (ti emoi kai soi?) é confusa, pois pode significar concordância – «que desacordo há entre Mim e Ti?» –, ou então recusa – «que de comum (que acordo) há entre Mim e Ti?». Sendo assim, a expressão «ainda não chegou a minha hora», presta-se a diversas interpretações, conforme o modo de entender «a hora»: ou a hora de fazer milagres, ou a hora da Paixão. Para os que a entendem como a de fazer milagres, uns pensam que Jesus se escusa: «que temos que ver com isso Tu e Eu? (=porque me importunas?), com efeito ainda não chegou a minha hora», e só a insistência de Maria é que levaria à antecipação desta hora; ao passo que outros (E. Boismard, na linha de alguns Padres) entendem a frase como de um completo acordo: «que desacordo há entre Mim e Ti? porventura já não chegou a minha hora?»; assim se justificaria melhor a ordem que Maria dá aos serventes. Para os que entendem «a hora» como a da Paixão, também as opiniões de dividem acerca de como entender a resposta de Jesus; para uns, significaria acordo, como se dissesse: «que desacordo há entre Mim e Ti? com efeito, ainda não chegou a minha hora, a de ficar sem poder; por isso não há dificuldade para o milagre» (Hanimann); para outros, que entendem a hora do Calvário como a hora da glorificação de Jesus, de manifestar a sua glória, dando o Espírito, a expressão quer dizer: «que temos a ver Tu e Eu, um com o outro?» («que tenho Eu a ver contigo?»), uma expressão demasiado forte, a mesma que é posta na boca dos demónios (cf. Mc 5, 7; 1, 24). Com uma expressão tão contundente, a redacção joanina poria em evidência a atitude de Jesus, que, longe de ser ofensiva para a sua Mãe, o que pretende é mostrar a independência de Jesus relativamente a qualquer autoridade terrena, incluindo a materna (Gächter). Mas o apelo para que Maria não intervenha tem um limite: é apenas até que chegue a hora de Jesus; até lá, tem de ficar na penumbra (o que é confirmado pelas ditas «passagens anti-marianas»: Lc 2, 49; 8, 19-21 par; 11, 27-28). Então Ela vai estar como a nova Eva, a Mãe da nova humanidade, ao lado do novo Adão, junto à árvore da Cruz, daí que seja chamada «Mulher» em Jo 19, 26, como nas Bodas de Caná.

 

Sugestões para a homilia

 

• Compartilhai a alegria de Jerusalém!

• A mensagem de Lurdes

Em Lourdes, como em Caná

Nossa Senhora transmite-nos uma mensagem

1. Compartilhai a alegria de Jerusalém!

Em meados do século XIX, num mundo coberto pelas nuvens do racionalismo, materialismo e anarquia, brilhou o sorriso de Nossa Senhora em Lurdes.

A liturgia apropria à comemoração deste acontecimento as palavras de lsaías ao anunciar o regresso do exílio de Babilónia e a construção da Cidade Santa.

Os bens messiânicos prometidos – o júbilo, a abundância, a paz e a consolação – chegam até nós apor mediação de Nossa Senhora, como em Caná da Galileia, e o Santuário de Lourdes – Casa da Mãe – é uma demonstração permanente desta verdade.

Devemos reviver, com alegria e gratidão, o acontecimento admirável de 11 de Fevereiro de 1858. Assim o descreve Bernardette:

«Uma branca Senhora, jovem, bela, sobretudo bela, como a qual nunca vi nenhuma semelhante, veio colocar-se na abertura do nicho que está sobre a gruta.

De repente olhou-me, saudou-me com uma leve inclinação da cabeça e sorriu-me; ao mesmo tempo afastou um pouco os braços ido corpo, abrindo as mãos. Do braço direito pendia-lhe um Rosário e fez-me sinal para que me aproximasse, como se fosse a minha mãe... Esfreguei os olhos rapidamente, fechei-os e abri-os, julgando enganar-me; mas a Senhora estava sempre lá, e sorria-me com muita graça e convidava-me a que me aproximasse, fazendo-me compreender que eu não estava enganada

Sem saber o que fazer, veio-me a ideia de orar; meti a mão no bolso e tirei o terço que trago comigo habitualmente e ajoelhei-me. A Senhora aprovou com um aceno da cabeça e tomou também o terço que lhe pendia do braço direito

Ela benzeu-se como que para orar... A Senhora deixou-me rezar sozinha; passava as contas pelos dedos, mas não movia os lábios. Só ao fim da dezena dizia comigo: Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.

Tinha o aspecto duma jovem dos seus dezasseis ou dezassete anos; o vestido branco que lhe descia até aos pés, era fechado à volta do pescoço, donde pendia um cordão branco. Um véu branco lhe cobria a cabeça, mal deixando ver o cabelo e caindo pelos ombros, ao longo dos braços, até à extremidade do vestido. Dos seus pés não se via senão a extremidade sobre os quais brilhavam duas rosas de amarelo-ouro.

A Senhora estava viva e toda cercada de luz. Quando acabei o terço saudou-me, sorrindo, e retirou-se pela cavidade da gruta».

A branca Senhora apareceu mais 17 vezes à feliz criança. Na 16.º aparição, a 25 de Março, festa da Anunciação, Ela revelou o seu nome: «Eu sou a Imaculada Conceição». Em 16 de Julho, festa do Carmo, a Virgem Imaculada despedia-se de Bernardette.

As aparições de Lurdes foram confirmadas por numerosos milagres. De então para cá, a gruta tornou-se um centro de grandes peregrinações e ali Nossa Senhora fala ao Coração de quem A visita.

2. A mensagem de Lourdes

S. Pio X escreveu que os inimigos de Deus tentaram desmoronar o edifício da fé, negando o pecado original. Sem admitir a realidade desta catástrofe inicial, que sentido teria a Redenção e a Igreja?

 

Em Lourdes, como em Caná. A aparição de Nossa Senhora em Lurdes faz lembrar o seu gesto maternal em Caná da Galileia: Ela está atenta às nossas necessidades e intercede por nós a Jesus apara que elas sejam resolvidas.

Maria anima-nos a combater o bom combate, a vivermos como filhos de Deus e promete-nos a sua ajuda maternal. Podemos contar com Ela,

Na sua mensagem recorda-nos o que a fé nos ensina acerca do sentido da nossa vida: vivemos em tempo de prova, a caminho do Céu, Para além desta vida passageira espera-nos a Vida Eterna.

A batalha anunciada no Génesis, entre a Mulher e o Dragão, continua em nossos dias. Maria apresenta-se como sendo a Imaculada Conceição, dogma definido quatro anos antes, como que a lembrar esta primeira página da Sagrada Escritura.

 

Nossa Senhora transmite-nos uma mensagem. Maria mostra-nos a urgência em aceitarmos o plano de salvação de Deus, fazendo penitência, Precisamos de nos voltarmos para Deus.

«Digamo-lo francamente: o nosso mundo tem necessidade de conversão... No decorrer do século XIX, esta necessidade manifestava-se dum modo particular, com a incredulidade de alguns ambientes científicos, na exposição de correntes filosóficas ou na vida prática. Hoje perdeu-se o sentido do pecado, porque se perdeu o sentido de Deus. Tentou-se construir um humanismo sem Deus e a fé arrisca-se a aparecer continuamente como fruto de originalidade de cada um, sem vínculo comunitário» (João Paulo II, em Lurdes, 14-15.VllI.1983).

Nossa Senhora indica-nos a dupla faceta da penitência necessária:

 

A Confissão sacramental. Em 25 de Fevereiro ordenou a Bernardette que se fosse lavar à torrente. Depois de alguma hesitação, ela sente-se movida interiormente a cavar com as mãos o solo da gruta. Assim brotou a famosa água de Lurdes da qual se tem servido Nossa Senhora para curar tantos doentes.

Mas o olhar de Maria fixava-se mais longe: é preciso que nos lavemos na torrente do Sangue divino que corre no sacramento da Confissão. Este é o caminho normal escolhido por Deus para recuperarmos a graça do Baptismo perdida pelo pecado mortal.

 

A mortificação. Também nesse dia, mandada por Nossa Senhora, a pequena vidente levantou-se, percorreu a gruta como quem anda à procura de alguma coisa, colheu ervas e mastigou-as. Este gesto que, de momento – porque ninguém sabia que Bernardette o fazia por ordem da Aparição, nem o seu significado – causou um certo descrédito, simbolizava a mortificação dos sentidos. E preciso completar no nosso corpo o que falta à Paixão de Cristo, reparando pelas faltas próprias e alheias e alcançando a conversão dos pecadores.

Maria, em Lurdes, aviva a nossa fé, sem a qual é impossível agradar a Deus.

O que diz a Bernardette parece dizê-lo a cada um de nós, que vivemos num ambiente em que se procura obsessivamente construir o paraíso na terra: «Não prometo fazer-te feliz nesta vida, mas na outra». De facto, a pequena vidente vai enfrentar-se com o sofrimento até à morte: primeiro a dificuldade em fazer-se acreditar, depois o desprendimento de deixar aterra e a família, para ingressar no convento; finalmente, a morte no meio de grandes sofrimentos.

Ao rezar na gruta de Lurdes parece-nos ouvir o eco das palavras de Maria em Caná da Galileia: «Fazei o que Ele vos disser». Maria Santíssima guia-nos para Jesus.

 

Fala o Santo Padre

 

MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI

PARA O XIX DIA MUNDIAL DO DOENTE 2011

 

«Pelas suas chagas fostes curados» (1 Pd 2, 24).

Queridos Irmãos e Irmãs!

Todos os anos, na memória da Bem-Aventurada Virgem de Lourdes, que se celebra a 11 de Fevereiro, a Igreja propõe o Dia Mundial do Doente. Esta circunstância, como quis o venerável João Paulo ii, torna-se ocasião propícia para reflectir sobre o mistério do sofrimento e, sobretudo, para tornar as nossas comunidades e a sociedade civil mais sensíveis aos irmãos e irmãs doentes. Se todos os homens são nossos irmãos, aquele que é débil, sofredor ou necessitado de cuidado deve estar mais no centro da nossa atenção, para que nenhum deles se sinta esquecido ou marginalizado; com efeito «a grandeza da humanidade determina-se essencialmente na relação com o sofrimento e com quem sofre. Isto vale tanto para o indivíduo como para a sociedade. Uma sociedade que não consegue aceitar os que sofrem e não é capaz de contribuir, mediante a com-paixão, para fazer com que o sofrimento seja compartilhado e assumido mesmo interiormente é uma sociedade cruel e desumana» (Carta enc. Spe salvi, 38). As iniciativas que serão promovidas nas diversas Dioceses, por ocasião deste Dia, sirvam de estímulo para tornar cada vez mais eficaz o cuidado para com os sofredores, também na perspectiva da celebração de modo solene, que terá lugar em 2013, no Santuário mariano de Altötting, na Alemanha.

1. Tenho ainda no coração o momento em que, durante a visita pastoral a Turim, pude deter-me em reflexão e oração diante do Santo Sudário, diante daquele rosto sofredor, que nos convida a meditar sobre Aquele que carregou sobre si a paixão do homem de todos os tempos e lugares, inclusive os nossos sofrimentos, as nossas dificuldades e os nossos pecados. Quantos fiéis, no curso da história, passaram diante daquele tecido sepulcral, que envolveu o corpo de um homem crucificado, que corresponde em tudo ao que os Evangelhos nos transmitem sobre a paixão e a morte de Jesus! Contemplá-lo é um convite a reflectir sobre quanto escreve São Pedro: «Pelas suas chagas fostes curados» (1 Pd 2, 24). O Filho de Deus sofreu, morreu, mas ressuscitou, e exactamente por isso aquelas chagas tornam-se o sinal da nossa redenção, do perdão e da reconciliação com o Pai; tornam-se, contudo, também um banco de prova para a fé dos discípulos e para a nossa fé: todas as vezes que o Senhor fala da sua paixão e morte, eles não compreendem, rejeitam, opõem-se. Para eles, como para nós, o sofrimento permanece sempre carregado de mistério, difícil de aceitar e suportar. Os dois discípulos de Emaús caminham tristes, devido aos acontecimentos daqueles dias em Jerusalém, e só quando o Ressuscitado percorre a estrada com eles, se abrem a uma visão nova (cf. Lc 24, 13-31). Também o apóstolo Tomé mostra a dificuldade em crer na via da paixão redentora: «Se eu não vir o sinal dos cravos nas suas mãos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei» (Jo 20, 25). Mas diante de Cristo que mostra as suas chagas, a sua resposta transforma-se numa comovedora profissão de fé: «Meu Senhor e meu Deus» (Jo 20, 28). O que antes era um obstáculo intransponível, porque sinal da aparente falência de Jesus, torna-se, no encontro com o Ressuscitado, a prova de um amor vitorioso: «Somente um Deus que nos ama a ponto de carregar sobre si as nossas feridas e a nossa dor, sobretudo a dor inocente, é digno de fé» (Mensagem Urbi et Orbi, Páscoa de 2007).

2. Queridos doentes e sofredores, é justamente através das chagas de Cristo que podemos ver, com olhos de esperança, todos os males que afligem a humanidade. Ressuscitando, o Senhor não tirou o sofrimento e o mal do mundo, mas extirpou-os pela raiz. À prepotência do Mal opôs a omnipotência do seu Amor. Indicou-nos então, que o caminho da paz e da alegria é o Amor: «Como Eu vos amei, vós também vos deveis amar uns aos outros» (Jo 13, 34). Cristo, vencedor da morte, está vivo no meio de nós E enquanto com São Tomé dizemos também: «Meu Senhor e meu Deus», seguimos o nosso Mestre na disponibilidade a prodigalizar a vida pelos nossos irmãos (cf. 1 Jo 3, 16), tornando-nos mensageiros de uma alegria que não teme a dor, a alegria da Ressurreição.

São Bernardo afirma: «Deus não pode padecer, mas pode compadecer». Deus, a Verdade e o Amor em pessoa, quis sofrer por nós e connosco; fez-se homem para poder com-padecer com o homem, de modo real, em carne e sangue. Em cada sofrimento humano, portanto, entrou Aquele que partilha o sofrimento e a suportação; em cada sofrimento difunde-se a con-solatio, a consolação do amor partícipe de Deus para fazer surgir a estrela da esperança (cf. Carta enc. Spe salvi, 39).

A vós, queridos irmãos e irmãs, repito esta mensagem, para que sejais suas testemunhas através do vosso sofrimento, da vossa vida e da vossa fé.

3. Considerando o encontro de Madrid, no mês de Agosto de 2011, para a Jornada Mundial da Juventude, gostaria de dirigir também um pensamento especial aos jovens, especialmente aos que vivem a experiência da doença. Com frequência a Paixão e a Cruz de Jesus causam medo, porque parecem ser a negação da vida. Na realidade, é exactamente o contrário! A Cruz é o «sim» de Deus ao homem, a expressão mais elevada e intensa do seu amor e a fonte da qual brota a vida eterna. Do Coração trespassado de Jesus brotou esta vida divina. Só Ele é capaz de libertar o mundo do mal e de fazer crescer o seu Reino de justiça, de paz e de amor ao qual todos aspiramos (cf. Mensagem para a Jornada Mundial da Juventude de 2011, 3). Queridos jovens, aprendei a «ver» e a «encontrar» Jesus na Eucaristia, onde Ele está presente de modo real para nós, até se fazer alimento para o caminho, mas sabei reconhecê-lo e servi-lo também nos pobres, nos doentes, nos irmãos sofredores e em dificuldade, que precisam da vossa ajuda (cf. ibid., 4).

A todos vós jovens, doentes e sadios, repito o convite a criar pontes de amor e solidariedade, para que ninguém se sinta sozinho, mas próximo de Deus e parte da grande família dos seus filhos (cf.Audiência geral, 15 de Novembro de 2006).

4. Ao comtemplar as chagas de Jesus o nosso olhar dirige-se ao seu Sacratíssimo Coração, no qual se manifesta em sumo grau o amor de Deus. O Sagrado Coração é Cristo crucificado, com o lado aberto pela lança, do qual brotam sangue e água (cf. Jo 19, 34), «símbolo dos sacramentos da Igreja, para que todos os homens, atraídos pelo Coração do Salvador, bebam com alegria na fonte perene da salvação» (Missal Romano, Prefácio da Solenidade do Sacratíssimo Coração de Jesus). Especialmente vós, queridos doentes, sentis a proximidade deste Coração cheio de amor e bebeis com fé e alegria de tal fonte, rezando: «Água do lado de Cristo, lava-me. Paixão de Cristo, fortalece-me. Oh, bom Jesus, ouve-me. Nas tuas chagas, esconde-me» (Oração de Santo Inácio de Loyola).

5. Na conclusão desta minha Mensagem para o próximo Dia Mundial do Doente, desejo exprimir o meu afecto a todos e a cada um, sentindo-me partícipe dos sofrimentos e das esperanças que viveis quotidianamente em união com Cristo crucificado e ressuscitado, para que vos conceda a paz e a cura do coração. Juntamente com Ele ao vosso lado vigie a Virgem Maria, que invocamos com confiança como Saúde dos enfermos Consoladora dos sofredores. Aos pés da Cruz realiza-se para Ela a profecia de Simeão: o seu Coração de Mãe é trespassado (cf. Lc 2, 35). Do abismo da sua dor, participação no sofrimento do Filho, Maria tornou-se capaz de assumir a nova missão: tornar-se a Mãe de Cristo nos seus membros. Na hora da Cruz, Jesus apresenta-lhe cada um dos seus discípulos, dizendo-lhe: «Eis o teu filho» (cf. Jo 19, 26-27). A compaixão materna para com o Filho torna-se compaixão materna para cada um de nós nos nossos sofrimentos quotidianos (cf. Homilia em Lourdes, 15 de Setembro de 2008).

Queridos irmãos e irmãs, neste Dia Mundial do Doente, exorto também as Autoridades a fim de que invistam cada vez mais energias em estruturas médicas que sirvam de ajuda e apoio aos sofredores, sobretudo aos mais pobres e necessitados e, dirigindo o meu pensamento a todas as Dioceses, transmito uma saudação afectuosa aos Bispos, aos sacerdotes, às pessoas consagradas, aos seminaristas, aos agentes no campo da saúde, aos voluntários e a todos os que se dedicam com amor a cuidar e aliviar as chagas de cada irmão e irmã doente, nos hospitais ou casas de cura, nas famílias: nos rostos dos doentes sabei ver sempre o Rosto dos rostos: o de Cristo.

A todos garanto a minha recordação na oração, enquanto concedo a cada um a especial Bênção Apostólica.

Bento XVI, Vaticano, 21 de Novembro de 2010.

 

 

Oração Universal

 

Maria diz aos serventes, em Caná:

«Fazei tudo o que Jesus vos disser!»

O Senhor manda-nos, neste momento,

Apresentar-Lhe com toda a confiança,

as necessidades dos homens, nossos irmãos.

Façamo-lo com toda a fé e devoção,

dizendo:

 

    Por intercessão da Imaculada,

    ouvi-nos, Senhor!       

 

1.  Pelo Santo Padre, Bispos e Sacerdotes:

    para que a mensagem de penitência que anunciam

    seja prontamente acolhida por todos os homens,

    oremos, irmãos.

 

    Por intercessão da Imaculada,

    ouvi-nos, Senhor!

 

2.  Pela Europa, em crise de Fé, de amor e identidade:

    para que a mensagem de Nossa Senhora de Lurdes

    a ajude a reencontrar os caminhos da Igreja,

    oremos, irmãos.

 

    Por intercessão da Imaculada,

    ouvi-nos, Senhor!       

 

3.  Pela França, filha querida da Igreja:

    para que, à luz da mensagem de Lurdes,

    se renove na devoção a Nossa Senhora,

    oremos, irmãos.

 

    Por intercessão da Imaculada,

    ouvi-nos, Senhor!

 

4.  Pelos cristãos tíbios e desleixados:

    para que se lavem na torrente da confissão

    e se renovem na fidelidade baptismal,

    oremos, irmãos.

 

    Por intercessão da Imaculada,

    ouvi-nos, Senhor!

 

5.  Por todos nós aqui reunidos:

    para que, neste Ano Mariano,

    cresçamos na fé e no amor a Maria,

    oremos, irmãos.

 

    Por intercessão da Imaculada,

    ouvi-nos, Senhor!

 

6.  Por todas as associações marianas:

    para que se renovem na generosidade

    ao serviço da Rainha dos Apóstolos,

    oremos, irmãos.

 

    Por intercessão da Imaculada,

    ouvi-nos, Senhor!       

 

7.  Pelos irmãos que nos precederam na fé:

    para que sejam livres das suas penas

    e entrem quanto antes na felicidade eterna,

    oremos, irmãos.

   

    Por intercessão da Imaculada,

    ouvi-nos, Senhor!

 

Senhor, que, pelas aparições de Maria,

nos desvendais as riquezas do seu Coração:

ajudai-nos a seguir com generosa docilidade

as suas advertências maternais,

para Vos contemplarmos um dia no Céu.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Em redor do teu altar, F. da Silva, NRMS 42

 

Oração sobre as oblatas: Venha, Senhor, em nosso auxílio o vosso Filho feito homem; Ele, que ao nascer da Virgem Maria, não diminuiu, antes consagrou a integridade de sua Mãe, nos purifique das nossas culpas e Vos torne agradável a nossa oblação. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio de Nossa Senhora: p. 486 [644-756] e pp. 487-490

 

Santo: M. Simões, NRMS 50-51

 

Saudação da Paz

 

Maria é a Mãe da Igreja, esta grande família de que todos fazemos parte.

A maior alegria da Mãe é verificar que os filhos se estimam e se ajudam. Quando eles se dividem, o seu coração como que se despedaça.

No sinal da reconciliação que vamos manifestar entre nós, procuremos exteriorizar esta estima mútua e propósitos de solidariedade.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Por Maria vamos a Jesus. A devoção a Nossa Senhora, em todas as suas manifestações saudáveis, encaminha-nos para a Santíssima Eucaristia.

Também Ela deseja que tenhamos Vida em abundância... e a fonte é o próprio Senhor que vamos receber.

Que Nossa Senhora nos ensine e ajude a recebê-1'O com as necessárias disposições.

 

Cântico da Comunhão: Eu vim para que tenham vida, F. da Silva, NRMS 70

cf. Lc 11, 27

Antífona da comunhão: Bendita seja a Virgem Maria, que trouxe em seu ventre o Filho de Deus Pai.

 

Cântico de acção de graças: Cantai, cantai ao Senhor, F. da Silva, NRMS 22

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes neste sacramento celeste, fazei que, celebrando com alegria a festa da Virgem Santa Maria, imitemos as suas virtudes e colaboremos generosamente no mistério da nossa redenção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Levemos para a vida a recomendação maternal de Maria: é preciso fazer penitência, procurar a emenda de vida.

Proclamemo-la diante de todas as pessoas com quem partilhamos a nossa vida, dia a dia.

 

Cântico final: Deus é Pai, Deus é amor, F. da Silva, NRMS 90-91

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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