5º Domingo Comum

5 de Fevereiro de 2012

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Vinde, prostremo-nos em terra, Az. Oliveira, NRMS 48

Salmo 94, 6-7

Antífona de entrada: Vinde, prostremo-nos em terra, adoremos o Senhor que nos criou. O Senhor é o nosso Deus.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Muitas vezes temos pensado neste problema: Que sentido tem na nossa vida a dor humana, física ou moral? Como explicar que, sendo Deus omnipotente e amando-nos infinitamente, permite que as pessoas sofram, mais ainda quando se trata de inocentes?

A resposta a esta pergunta poderia ajudar-nos a resolver uma questão ainda mais difícil: Que sentido tem a nossa vida neste mundo?

Ajuda-nos a reflectir sobre este problema toda a Liturgia da Palavra deste 5.º Domingo do tempo comum.

 

Acto penitencial

 

Peçamos ao Senhor perdão pela leviandade e ligeireza com que temos encarado a nossa vida na terra, como se tudo acabasse com a morte.

Endireitemos os nossos caminhos e levantemos o olhar para o Céu, pois todos devemos caminhar para lá.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Para a fuga de tudo o que me pede sacrifício e renúncia,

    como se, para além desta vida,  nada mais esperasse.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Para as inconformidades e queixas de qualquer sofrimento,

    todas as vezes que encontramos na vida coisas desagradáveis, 

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Para o isolamento em que abandonamos aqueles que sofrem,

    refugiando-nos no egoísmo e preguiça que nos escravizam,

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Guardai, Senhor, com paternal bondade a vossa família; e, porque só em Vós põe a sua confiança, defendei-a sempre com a vossa protecção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Livro de Job é um texto sapiencial do Antigo Testamento e pretende descobrir a razão porque sofremos. Ele comenta, com amargura e desilusão, o facto de a sua vida estar marcada por um sofrimento atroz e de Deus parecer ausente e indiferente face ao desespero em que a sua existência decorre…

A dor humana só encontrará o seu verdadeiro sentido no Calvário, quando o Filho de Deus abraçar a Cruz por nosso amor.

 

Job 7, 1-4.6-7

1Job tomou a palavra, dizendo: «Não vive o homem sobre a terra como um soldado? Não são os seus dias como os de um mercenário? 2Como o escravo que suspira pela sombra e o trabalhador que espera pelo seu salário, 3assim eu recebi em herança meses de desilusão e couberam-me em sorte noites de amargura. 4Se me deito, digo: ‘Quando é que me levanto?’ Se me levanto: ‘Quando chegará a noite?’ e agito-me angustiado até ao crepúsculo. 6Os meus dias passam mais velozes que uma lançadeira de tear e desvanecem-se sem esperança. 7Recordai-Vos que a minha vida não passa de um sopro e que os meus olhos nunca mais verão a felicidade».

 

Temos aqui um precioso texto do livro de Job, livro que não só põe dramaticamente o problema da dor, mas também a descreve de modo patético e com alto valor literário, como este dorido lamento na presente leitura.

1 «Vive… como um soldado». Uma outra tradução possível é a de S. Jerónimo seguida pela Neovulgata, mais expressiva, como a da recente tradução da Difusora Bíblica: «A vida do homem sobre a terra, não é uma vida de luta?» De facto a palavra hebraica «tsabá» tanto pode significar serviço militar, como guerra ou luta. A tradução escolhida parece empobrecer o texto, pois nós hoje entendemos por vida de soldado uma coisa mais suave e pacífica do que então se entendia, ao passo que naquela época implicava grande sacrifício e grandes riscos.

 

Salmo Responsorial    Salmo 146 (147), 1-2.3-4.5-6 (R. cf. 3a ou Aleluia)

 

Monição: O Salmo responsorial que a Liturgia nos propõe, como resposta à interpelação que o Senhor nos fez pelo texto de Job, combina a acção divina sobre a criação e a Sua para com Israel, como agradáveis motivos para O louvar.

Cada um de nós recorda também as misericórdias do Senhor para connosco. Façamos dele a nossa oração plena de confiança.

 

Refrão:        Louvai o Senhor, que salva os corações atribulados.

Ou:               Aleluia.

 

Louvai o Senhor, porque é bom cantar,

é agradável e justo celebrar o seu louvor.

O Senhor edificou Jerusalém,

congregou os dispersos de Israel.

 

Sarou os corações dilacerados

e ligou as suas feridas.

Fixou o número das estrelas

e deu a cada uma o seu nome.

 

Grande é o nosso Deus e todo-poderoso,

é sem limites a sua sabedoria.

O Senhor conforta os humildes

e abate os ímpios até ao chão.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo, na primeira carta aos fiéis de Corinto, sublinha, especialmente, a obrigação que os discípulos de Jesus assumiram de testemunhar diante de todas as pessoas a mensagem libertadora de Jesus.

Na sua acção e no seu testemunho, os discípulos de Jesus não podem ser guiados por interesses pessoais, mas sim pelo amor a Deus, ao Evangelho e aos irmãos.

 

1 Coríntios 9, 16-19.22-23

Irmãos: 16Anunciar o Evangelho não é para mim um título de glória, é uma obrigação que me foi imposta. Ai de mim se não anunciar o Evangelho! 17Se o fizesse por minha iniciativa, teria direito a recompensa. Mas, como não o faço por minha iniciativa, desempenho apenas um cargo que me está confiado. 18Em que consiste, então, a minha recompensa? Em anunciar gratuitamente o Evangelho, sem fazer valer os direitos que o Evangelho me confere. 19Livre como sou em relação a todos, de todos me fiz escravo, para ganhar o maior número possível. 22Com os fracos tornei-me fraco, a fim de ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, a fim de ganhar alguns a todo o custo. 23E tudo faço por causa do Evangelho, para me tornar participante dos seus bens.

 

A leitura insere-se no contexto da questão da legitimidade de comer carnes sacrificadas aos ídolos e vendidas no mercado (1 Cor 8, 1 – 10, 33); Paulo insiste na liberdade de espírito, que não se opõe à renúncia a legítimos direitos, dando o seu exemplo de prescindir de receber estipêndio pelo seu trabalho apostólico; no exercício da sua missão, ele não reivindica direitos, mas apenas considera o ingente dever de evangelizar, que o leva a exclamar: «ai de mim se não anunciar o Evangelho!», seguindo à risca o ensinamento de Jesus – «somos servos inúteis: fizemos apenas o que devíamos fazer» (Lc 17, 10).

22-23 O zelo do Apóstolo fica patente em expressões lapidares, um lema para todos os apóstolos de todos os tempos: «tudo faço por causa do Evangelho». E de que maneira? Sendo «tudo para todos».

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 8, 17

 

Monição: Deus, sendo o melhor dos pais, manifesta-nos a Sua eterna preocupação com a felicidade dos seus filhos. Na acção libertadora de Jesus em favor dos homens, começa a manifestar-se esse mundo novo sem sofrimento, sem opressão, sem exclusão que Deus sonhou para os homens. A acção de Jesus tem de ser continuada pelos seus discípulos.

Aclamemos o Evangelho que nos enche de alegria com estas verdades consoladoras.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 1, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Cristo suportou as nossas enfermidades

e tomou sobre Si as nossas dores.

 

 

Evangelho

 

São Marcos 1, 29-39

Naquele tempo, 29Jesus saiu da sinagoga e foi, com Tiago e João, a casa de Simão e André. 30A sogra de Simão estava de cama com febre e logo Lhe falaram dela. 31Jesus aproximou-Se, tomou-a pela mão e levantou-a. A febre deixou-a e ela começou a servi-los. 32Ao cair da tarde, já depois do sol-posto, trouxeram-Lhe todos os doentes e possessos 33e a cidade inteira ficou reunida diante da porta. 34Jesus curou muitas pessoas, que eram atormentadas por várias doenças, e expulsou muitos demónios. Mas não deixava que os demónios falassem, porque sabiam quem Ele era. 35De manhã, muito cedo, levantou-Se e saiu. Retirou-Se para um sítio ermo e aí começou a orar. 36Simão e os companheiros foram à procura d’Ele 37e, quando O encontraram, disseram-Lhe: «Todos Te procuram». 38Ele respondeu-lhes: «Vamos a outros lugares, às povoações vizinhas, a fim de pregar aí também, porque foi para isso que Eu vim». 39E foi por toda a Galileia, pregando nas sinagogas e expulsando os demónios.

 

Na primeira parte da leitura temos a cura da sogra de Simão, entenda-se Pedro, na sua terra, Cafarnaúm (vv. 30-31), uma cidade completamente destruída e hoje despovoada, que guarda as ruínas da casa de Pedro, sobre as quais se construiu recentemente uma bela igreja suspensa em forma de barco. Nunca se fala nos Evangelhos da mulher de Pedro, o que faz pensar que era viúvo; de qualquer modo, Pedro e os Apóstolos deixaram tudo para seguirem a Jesus. «A febre deixou-a», isto é, foi curada imediatamente duma doença física; outra interpretação carece de base textual.

34 «Não deixava que os demónios falassem». A atitude de Jesus corresponde ao chamado segredo messiânico, muito sublinhado nos Sinópticos, mas mais insistentemente em Marcos. O facto de Jesus contrariar a publicidade não revela apenas a sua humildade, mas sobretudo o cuidado para que a sua missão não viesse a ser interpretada como um messianismo terreno; assim evita de raiz a agitação popular à sua volta. Também se pode ver uma certa intencionalidade teológica de Marcos ao insistir tanto no segredo messiânico, se consideramos que a estrutura do seu Evangelho referente ao ministério na Galileia aparece dividida em duas grandes partes à volta do tema da incompreensão e cegueira: na 1ª parte, a dos homens (1, 14 – 8, 30), na 2ª, a dos discípulos (8, 31 – 10, 52). É possível que a insistência no segredo correspondesse à intencionalidade teológica do redactor Marcos ao pôr em relevo a incompreensão acerca da pessoa e missão de Jesus, mas sem viciar em nada o valor do relato, como pretendia o crítico protestante alemão W. Wrede no princípio do sec. XX.

35 «Retirou-se para um sítio ermo e aí começou a orar». Teoricamente Jesus não teria necessidade de se retirar para estar em diálogo com o Pai, mas os Evangelhos não se cansam de anotar os «retiros» de Jesus para orar (Lucas é quem mais sublinha esta atitude); estamos perante uma referência necessária para todos os seus seguidores, ao anunciarem o Evangelho. O servo de Deus João Paulo II confidenciava: «a oração é para mim a primeira tarefa e é como o primeiro anúncio; é a primeira condição do meu serviço à Igreja e ao mundo» (alocução em 7/10/79).

 

Sugestões para a homilia

 

• O sofrimento, chave da nossa vida

A nossa presença neste mundo

O sofrimento é inevitável

Só Deus nos sacia

• Jesus, a Verdade sobre o sofrimento

Deus não quis o sofrimento

Cristo, refrigério dos que sofrem

Procurar Jesus Cristo

 

1. O sofrimento, chave da nossa vida

Job era um homem que vivia humanamente bem: tinha muitos filhos, muitos bens materiais, e era estimado e bem considerado na sua terra. Mas, de repente, perdeu tudo, sem excluir a própria saúde.

Ele é um justo e o Senhor consente que o demónio prove a sinceridade do seu amor a Deus. Lamenta-se então amargamente, mas o Senhor não lhe retira a Sua amizade.

 

a) A nossa presença neste mundo. «Não vive o homem sobre a terra como um soldado? Não são os seus dias como os de um mercenário

«Não temos aqui morada permanente, mas vamos ao encontro da futura.» (Heb 13, 14). A partida frequente de pessoas familiares e amigas para a eternidade é uma experiência que vivemos muitas vezes.

Job compara a nossa presença na terra à do soldado: vive em alerta permanente, porque o inimigo pode surpreendê-lo, e dorme numa tenda que no dia seguinte levanta, para montar à noite noutro lugar.

Por que teimamos em não pensar nesta verdade e estamos sempre a sonhar com situações definitivas cá na terra?

Esta lembrança não nos pode levar ao pessimismo, nem ao desinteresse com que havemos de tratar dos nossos assuntos. Mas exige de nós prudência, preparando uma morada eterna nos céus.

Esta situação provisória é uma fonte de sofrimento, porque nos custa partir ao encontro do desconhecido.

 

b) O sofrimento é inevitável. «Se me deito, digo: ‘Quando é que me levanto?’ Se me levanto: ‘Quando chegará a noite?’ E agito-me angustiado até ao crepúsculo

É uma experiência que todos vivem, do mais pequeno ao mais idoso: doenças, limitações, sonhos que não se chegam a realizar e desilusões.

Uma classe de sofrimentos vem da nossa natureza limitada: cansaço do trabalho, diminuição de forças com o andar dos anos; outra, dos choques com o feitio das outras pessoas que partilham a vida connosco; finalmente, sofremos também espiritualmente, por causa da incerteza do futuro, a consciência das ameaças constantes ao nosso bem estar, etc.

Também as coisas de que gostamos acabam por nos encher de tédio. Somos como a criança que suspira por um brinquedo... e logo que o tem, aborrece-se dele.

Não vale a pena fugir-lhe. Temos – isso sim – de aprender a valorizá-lo, tirando dele todo o proveito, depois de lhe termos encontrado o sentido.

É verdade que não cultivamos a indiferença perante os problemas da vida e das outras pessoas. È precisamente interessando-nos por todos e cada um que percorremos este caminho de fidelidade ao Senhor.

 

c) Só Deus nos sacia. «Os meus dias passam mais velozes que uma lançadeira de tear e desvanecem-se sem esperança

Vivemos a sonhar com uma felicidade fácil, que não nos exija sacrifício, e tal felicidade não existe neste mundo. Muitos procuram-na erroneamente, sendo infiéis ao Amor de Deus, no dia a dia.

A experiência ensina-nos que, mesmo quando a vida nos corre humanamente bem, quando parece que realizamos totalmente os nossos desejos, atormenta-nos a falta de algo essencial na vida.

Só há um caminho para a felicidade: é a fidelidade a Deus, aos Seus Mandamentos, ao Seu Amor. Este caminho, sim, há-de levar-nos à felicidade eterna.

Que bem exprimiu Santo Agostinho esta verdade, depois de ter passado por amargas experiências: “Fizestes-nos para Vós, Senhor, e o nosso coração anda inquieto até que em Vós repousa:”

2. Jesus, a Verdade sobre o sofrimento

a) Deus não quis o sofrimento. «A sogra de Simão estava de cama com febre [...]. Jesus aproximou-Se, tomou-a pela mão e levantou-a. A febre deixou-a e ela começou a servi-los

O Evangelho apresenta exemplos claros de como Jesus procurava acabar com o sofrimento, quando se cruzava com ele no seu caminho. Cura a sogra de Pedro e todos os doentes que a Ele acorrem. Também o sofrimento causado directamente pelo demónio – a possessão, a sementeira de ódio, a morte violenta – é sanado.

Mas não é possível acabar com todo o sofrimento do mundo. A nossa falta de aceitação de muitas coisas que até poderiam deixar-nos felizes é a primeira fonte de muitas dores.

O obsessão em fugir de tudo o que custa algum sacrifício, a procura obstinada do caminho mais fácil são outras tantas fontes de onde jorram lágrimas.

Além disso, é preciso ter presente que a mesma limitação da nossa natureza – uma capacidade que se desgasta com o andar dos anos – e a necessidade que temos de uma contínua correcção do caminho a seguir custam-nos.

Ao retirar-se para fazer oração e ao cumprir inteiramente a missão que o Pai Lhe confiou, Jesus ensina-nos como havemos de encontrar remédio para os nossos sofrimentos ou tirar proveito deles.

 

b) Cristo, refrigério dos que sofrem. «Jesus curou muitas pessoas, que eram atormentadas por várias doenças, e expulsou muitos demónios

A passagem de Jesus faz surgir uma esperança em todos os que sofrem e um movimento de solidariedade, de tal modo que uns quantos voluntários transportam os doentes ao encontro de Jesus, para que os cure.

A ajuda que o Senhor nos pede é aproximá-los de Jesus pela oração e pelos sacramentos, além da ajuda amiga que lhes podem prestar no alívio das suas dores.

Rezar com e pelos que sofrem, ajudando-os a ver a sua cruz à luz da fé é uma ajuda indispensável que lhes devemos prestar.

Quando visitamos um doente – sem cair na crueldade de despertar nele falsas esperanças de cura – havemos de deixá-lo mais conformado, mais optimista, vendo o seu sofrimento com outros olhos. Temos o melhor bálsamo para lhes aplicar que são as verdades da nossa fé.

Um dos tormentos que os acompanham é a convicção de que são inúteis, um peso insuportável para os seus. Isto não é verdade. Eles atraem sobre quem os trata as melhores bênçãos do Céu, porque é Jesus Cristo em pessoa que estamos a venerar no doente, com Ele nos disse: «O que fizerdes ao mais pequenino destes é a Mim que o fazeis

Além disso, possibilitam em quem os trata lucrar muitos merecimentos e expiar os seus pecados.

Eles são grandes corredentores. É preciso interessá-los para que ofereçam os sofrimentos pelos grandes problemas da Igreja.

 

c) Procurar Jesus Cristo. «Simão e os companheiros foram à procura d’Ele e, quando O encontraram, disseram-Lhe: “Todos Te procuram”.»

Como os doentes contemporâneos de Jesus na terra, também nós temos necessidade de O procurar onde Ele Se encontra.

Podemos encontrá-l’O na luz da Sua Palavra, na intimidade da oração e na força dos sacramentos, especialmente no da Reconciliação e Penitência e no da Eucaristia.

Toquemo-l’O. Encontremo-nos com Ele, cheios de esperança, na Missa de cada Domingo.

Talvez não nos cura as dores físicas, mas o Seu Amor é bálsamo que as suaviza e conforta.

Maria, corredentora pelo sofrimento, sobretudo junto à Cruz, estará connosco para nos ajudar.

 

Fala o Santo Padre

 

«Estas curas são sinais: fazem-nos compreender que a mais profunda doença do homem

é a ausência de Deus, da fonte da verdade e do amor.»

O Evangelho de hoje (cf. Mc 1, 29-39) em estreita continuidade com o domingo passado apresenta-nos Jesus que, depois de ter pregado ao sábado na sinagoga de Cafarnaum, cura muitos doentes, começando pela sogra de Simão. Tendo entrado na sua casa, encontra-a de cama com febre e, imediatamente, tomando-a pela mão, a cura e a faz levantar. Depois do pôr-do-sol, cura uma multidão de pessoas atormentadas por males de todos os tipos. A experiência da cura dos doentes convida-nos mais uma vez a reflectir sobre o sentido e o valor da doença em qualquer situação na qual o ser humano se possa encontrar. Esta oportunidade é-nos oferecida também pelo Dia Mundial do Doente, que celebraremos no próximo dia 11 de Fevereiro, memória litúrgica da Bem-Aventurada Virgem Maria de Lourdes.

Não obstante a doença faça parte da experiência humana, não conseguimos habituar-nos a ela, não só porque por vezes se torna deveras pesada e grave, mas essencialmente porque somos feitos para a vida, para a vida completa. Justamente o nosso "instinto interior" nos faz pensar em Deus como plenitude de vida, aliás como Vida eterna e perfeita. Quando estamos provados pelo mal e as nossas orações parecem ser vãs, surge então em nós a dúvida e angustiados perguntamos: qual é a vontade de Deus? É precisamente para esta pergunta que encontramos a resposta no Evangelho. Por exemplo, no trecho de hoje lemos que "Ele curou muitos doentes de diversas enfermidades e expulsou muitos demónios" (Mc 1, 34); noutro trecho de São Mateus, diz-se que "Jesus percorria toda a Galileia, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando toda e qualquer doença ou enfermidade do povo" (Mt 4, 23). Jesus não deixa dúvidas: Deus do qual Ele mesmo nos revelou o rosto é o Deus da vida, que nos liberta de qualquer mal. Os sinais deste seu poder de amor são as curas que realiza: demonstra assim que o Reino de Deus está próximo restituindo homens e mulheres à sua plena integridade de espírito e de corpo. Estas curas são sinais: não se resolvem em si mesmas, mas guiam para a mensagem de Cristo, guiam-nos para Deus e fazem-nos compreender que a verdadeira e mais profunda doença do homem é a ausência de Deus, da fonte da verdade e do amor. E só a reconciliação com Deus pode doar-nos a cura autêntica, a verdadeira vida, porque uma vida sem amor e sem verdade não seria vida. O Reino de Deus é precisamente a presença da verdade do amor e deste modo a cura na profundidade do nosso ser. Compreende-se portanto, porque a sua pregação e as curas que realiza estejam sempre unidas:  de facto, formam uma única mensagem de esperança e de salvação. […]

Bento XVI, Angelus, Praça de São Pedro, 8 de Fevereiro de 2009

 

Oração Universal

 

O Senhor dirige-nos, no Evangelho, um convite amigo:

«Vinde a Mim todos os que estais sobrecarregados,

e Eu Vos aliviarei; porque o Meu jugo é suave e o peso leve.»

Aproximemo-nos deste Coração Divino que nos acolhe,

e apresentemos-Lhe as preocupações que nos oprimem.

Oremos (cantando):

 

    Dai-nos, Senhor, a Vossa fortaleza!

 

1.     Para que o Senhor Jesus ajude o Papa e os Bispos

    a levar com amor a cruz da missão que lhes confiou,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a Vossa fortaleza!

 

2.     Para que todos os doentes incuráveis e inconsoláveis

    encontrem na confiança em Deus o alivio da cruz,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a Vossa fortaleza!

 

3.     Para que todos os que sofrem dores físicas ou morais

    Reencontrem a paz na consolação do Espírito Santo,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a Vossa fortaleza!

 

4.     Para que os tentados ao desespero nas suas dores

    encontrem na cruz de Cristo a coragem necessária,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a Vossa fortaleza!

 

5.     Para que todos os que atendem os doentes e idosos

    vejam neles Jesus Cristo que lhes agradece o amor,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a Vossa fortaleza!

 

6. Para que aqueles a quem lembramos com saudade

    recebam do Senhor a purificação e a luz eterna,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a Vossa fortaleza!

 

Senhor, que nos chamastes á vida presente

pregados numa cruz que vai crescendo connosco:

Ajudai-nos a levá-la como discípulos de Cristo,

para merecermos por ela a vida eterna no Céu.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Depois do nosso encontro com Senhor na Mesa da Palavra que iluminou os nossos caminhos, somos agora a convidados a encontrarmo-nos com Ele na Mesa da Eucaristia.

O mesmo Senhor, pelo ministério do sacerdote, vai transubstanciar o pão e o vinho no Seu Corpo e Sangue, como no Cenáculo, na noite de Quinta-feira Santa, para Se tornar nosso Alimento.

 

Cântico do ofertório: O pão e o vinho que vos trazemos, B. Salgado, NRMS 12(I)

 

Oração sobre as oblatas: Senhor nosso Deus, que criastes o pão e o vinho para auxílio da nossa fraqueza concedei que eles se tornem para nós sacramento de vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Saudação da Paz

 

A paz é inseparável do amor á Cruz, porque assim nos identifica com Jesus Cristo.

Saibamos sofrer as fraquezas uns dos outros, e perdoarmo-nos mutuamente.

Com esta disposição interior,

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Como os doentes que vinham ao encontro de Jesus, à procura de um remédio para os seus males, aproximamo-nos agora da Mesa Eucarística, para que Ele cure os nossos defeitos e corrija as nossas más tendências.

A comunhão não é um prémio, mas um remédio para os doentes que somos todos nós.

Comunguemos com as disposições que o Senhor exige de nós e a Igreja nos ensina.

 

Cântico da Comunhão: Eu vim para que tenham vida, F. da Silva, NRMS 70

Salmo 106, 8-9

Antífona da comunhão: Dêmos graças ao Senhor pela sua misericórdia, pelos seus prodígios em favor dos homens, porque Ele deu de beber aos que tinham sede e saciou os que tinham fome.

 

Ou

Mt 5, 5-6

Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.

 

Cântico de acção de graças: Minha alma exulta de alegria, F. da Silva, NRMS 32

 

Oração depois da comunhão: Deus de bondade, que nos fizestes participantes do mesmo pão e do mesmo cálice, concedei que, unidos na alegria e no amor de Cristo, dêmos fruto abundante para a salvação do mundo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Encaremos à luz da fé as nossas cruzes de cada dia e vejamos nelas uma riqueza que temos de aproveitar.

Ajudemos os que sofrem, confortando-os com a luz da fé e com a nossa amizade fraterna.

 

Cântico final: Ao Deus do universo, J. Santos, NRMS 1(II)

 

 

Homilias Feriais

 

5ª SEMANA

 

2ª Feira, 6-II: Reconhecer a presença do Senhor.

1 Re 8, 1-7. 9-13 / Mc 6, 53-56

Transportaram a Arca do Senhor e a Tenda da reunião, com todas as alfaias sagradas

A Arca da Aliança e a Tenda da reunião eram um sinal da presença de Deus no meio do seu povo (Leit.). A nuvem «revela o Deus vivo e salvador, velando a transcendência da sua glória» (CIC, 697). De modo semelhante, a presença de Jesus em qualquer lugar atraía as multidões, que lhe levavam os seus doentes (Ev.).

Procuremos descobrir esta presença de Deus no Sacrário de cada igreja por onde habitualmente passamos, nos nossos irmãos e familiares, nas pessoas e acontecimentos de cada dia, nos locais de trabalho, onde Ele se encontra como que escondido.

 

3ª Feira, 7-II. As Cinco Chagas do Senhor.

Is 53, 1-10 / Jo 19, 28-37 ou Jo 20, 24-29

O castigo que nos salva caiu sobre ele e, por causa das suas chagas, é que fomos curados.

A Festa das Cinco Chagas do Senhor, isto é, das feridas que recebeu na Cruz, recorda-nos que Ele sofreu este castigo por causa das nossas faltas: «A morte redentora de Jesus deu cumprimento sobretudo à profecia do servo sofredor (Leit.). Jesus apresentou o sentido da sua vida e da sua morte à luz do servo sofredor» (CIC, 601).

Aceitemos o convite do Senhor para nos aproximarmos das suas Chagas, tal como fez com Tomé (Ev.). Este curou as suas dúvidas com um acto de fé e um acto de profunda contrição.

 

4ª Feira, 8-II: A importância do coração do homem.

1 Re 10, 1-10 / Mc 7, 14-23

Pois do interior do coração do homem é que saem os pensamentos perversos.

Jesus fala às multidões, e depois explica aos discípulos a importância que tem o interior, o coração, do homem (Ev.). Por um lado, dele saem os pensamentos perversos, que o próprio Senhor enumera. Procuremos purificar o nosso coração, quando houver maus pensamentos sobre as pessoas ou acontecimentos.

Por outro lado, devemos fomentar os bons pensamentos. A rainha de Sabá ficou deslumbrada com a sabedoria do rei Salomão (Leit.). E a explicação pode ser esta: «É sábia a boca do justo, porque traz no coração a lei do Senhor» (S. Resp.).

 

5ª Feira, 9-II: O coração inteiro para Deus.

1 Re 11, 4-13 / Mc 7, 24-30

Quando Salomão envelheceu, as suas mulheres desviaram-lhe o coração para outros deuses, e o seu coração deixou de pertencer inteiramente ao Senhor.

Salomão perdeu todos os dons que o Senhor lhe tinha concedido e desvia o coração para outros deuses (Leit.). Pelo contrário, a mulher cananeia era pagã e conseguiu convencer Jesus a curar a sua filha, manifestando confiança em Deus (Leit.).

Se descuidamos a nossa fé podemos cair na idolatria: «Há idolatria a partir do momento em que o homem honra e reverencia uma criatura em lugar de Deus» (CIC, 2113). Se o nosso coração não pertence inteiramente ao Senhor, é preciso descobrir os desvios: preguiça sensualidade, etc., e corrigi-los.

 

6ª Feira, 10-II: Dar mais sentido aos sinais sensíveis.

1 Re 11, 29-32; 12, 19 / Mc 7, 31-37

 (Jesus) meteu-lhe os dedos nos ouvidos e com saliva tocou-lhe a língua.

Também Aías dividiu a capa em 12 partes e deu só 10 a Jeroboão, o que simbolizava o rompimento com a casa de David (Leit.).

«Na sua pregação, o Senhor Jesus serve-se muitas vezes dos sinais da criação para dar a conhecer os mistérios do reino de Deus. Realiza as suas curas ou sublinha a sua pregação com sinais materiais ou gestos simbólicos (Ev.)» (CIC, 1140). Procuremos dar mais conteúdo aos nossos sinais: da cruz, o crucifixo, os gestos na Missa, as genuflexões diante do Sacrário, etc.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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