3º Domingo Comum

22 de Janeiro de 2012

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Cantai ao Senhor um cântico novo, Az. Oliveira, NRMS 94

Salmo 95, 1.6

Antífona de entrada: Cantai ao Senhor um cântico novo, cantai ao Senhor, terra inteira. Glória e poder na sua presença, esplendor e majestade no seu templo.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Para sermos cristãos, não nos podemos limitar a inscrevermo-nos numa lista, ou filiarmo-nos num clube desportivo, cultural ou recreativo.

Concretiza-se – depois de termos recebido o Baptismo – na disponibilidade para viver numa contínua procura da vontade do Senhor e num esforço para segui-la.

Chamamos a isto conversão. Converter-se é estar continuamente a caminho, num acertar constante dos nossos passos.

 

Acto penitencial

 

Reconheçamos com muita sinceridade perante Deus que separamos muitas vezes a nossa vida daquilo que Deus quer de nós.

Não fazemos tudo o que Deus quer e fazemos muitas coisas que Ele reprova, obedecendo, não à Sua vontade, mas às nossas paixões desordenadas.

Peçamos humildemente perdão e prometamos, com a Sua ajuda, viver em conversão permanente, a partir de agora. 

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: Temos fechado os ouvidos e o coração

    aos Vossos apelos constantes a que mudemos de vida.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

•   Cristo: Olhamos com indiferença egoísta todos aqueles

    que andam afastados de nós e precisam da nossa ajuda.

    Cristo, tende piedade de nós!

 

    Cristo, tende piedade de nós!

 

•   Senhor Jesus: Assistimos à Missa dominical com rotina,

    e esquecemo-nos de que nela nos encontramos convosco.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus todo-poderoso e eterno, dirigi a nossa vida segundo a vossa vontade, para que mereçamos produzir abundantes frutos de boas obras, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A história do envio do profeta Jonas a pregar a conversão aos habitantes de Nínive recorda-nos que Deus ama todos os homens sem excepção, e a todos chama à salvação eterna.

A disponibilidade dos ninivitas para escutar os apelos de Deus e para percorrer um caminho imediato de conversão é um modelo para todos nós de resposta certa ao chamamento de Deus.

 

 

Jonas 3, 1-5.10

1A palavra do Senhor foi dirigida a Jonas nos seguintes termos: 2«Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive e apregoa nela a mensagem que Eu te direi». 3Jonas levantou-se e foi a Nínive, conforme a palavra do Senhor. Nínive era uma grande cidade aos olhos de Deus; levava três dias a atravessar. 4Jonas entrou na cidade, caminhou durante um dia e começou a pregar nestes termos: «Daqui a quarenta dias, Nínive será destruída». 5Os habitantes de Nínive acreditaram em Deus, proclamaram um jejum e revestiram-se de saco, desde o maior ao mais pequeno. 10Quando Deus viu as suas obras e como se convertiam do seu mau caminho, desistiu do castigo com que os ameaçara e não o executou. 

 

O pequeno livro de Jonas é uma grande parábola em acção para mostrar como Deus quer usar de misericórdia para com todo e qualquer pecador, mesmo estranho ao povo judeu, com a condição de que este se arrependa; para grandes males, grandes remédios, como é o caso do recurso a ameaças, que são uma pedagogia divina: «Daqui a quarenta dias, Nínive será destruída» (v. 10). É deveras curioso, singular e significativo que um livro situado no cânone dos Profetas não registe mais do que esta frase da pregação de Jonas. A verdade é que o ensinamento da obra não reside em palavras pregadas, mas nos factos relatados. A grande lição do livro está aqui: Deus tem misericórdia de todos os pecadores e quer que todos se salvem (cf. 1 Tim 2, 4), mesmo os mais afastados e rebeldes, de quem Nínive, a capital da antiga Assíria, ficou como uma figura emblemática. Este Jonas faz a figura do «filho bom» – mas realmente o mau – da parábola do filho pródigo.

Tudo leva a crer que este livro é uma fina sátira contra a personagem central, um fictício profeta Jonas, que nada tem a ver com a figura histórica do profeta deste nome no séc. VIII (cf. 2 Re 14, 25-27). O facto de haver uma coincidência no nome – Jonas, filho de Amitai – levou a que a tradição judaica viesse a colocar a obra no grupo dos escritos proféticos. A verdade é que não se considera como uma obra histórica, mas sapiencial, como já S. Jerónimo gostava de imaginar. O Jonas deste livro inspirado materializa a mentalidade da dita habdaláh («separação»), que se difundiu após a reforma de Esdras e Neemias, uma mentalidade fechada e hostil a todo o estrangeiro. Esta maneira de pensar nacionalista e exclusivista é posta a ridículo na figura de Jonas; a obra tem, pois, um carácter de sátira. Com efeito, na primeira parte do livro (Jon 1 – 2) ele nega-se a ir a Nínive (não vá ela converter-se!) e na segunda (Jon 3 – 4), quando, após a sua pregação, a cidade se converte, ele entra em furor contra Deus, porque Ele se mostrou misericordioso perdoando à cidade arrependida.

 

Salmo Responsorial    Salmo 24 (25), 4bc-5ab.6-7bc.8-9 (R. 4a)

 

Monição: A liturgia coloca em nossos lábios, como resposta à interpelação que o Espírito Santo nos dirigiu pela leitura do profeta Jonas, o salmo 25.

Por ele manifestamos a nossa confiança no Senhor que nos perdoa, instrui, guia e espera com paciência que nos convertamos ao Seu Amor.

 

Refrão:        Ensinai-me, Senhor, os vossos caminhos.

 

Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos,

ensinai-me as vossas veredas.

Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me,

porque Vós sois Deus, meu Salvador.

 

Lembrai-Vos, Senhor, das vossas misericórdias

e das vossas graças, que são eternas.

Lembrai-Vos de mim segundo a vossa clemência,

por causa da vossa bondade, Senhor.

 

O Senhor é bom e recto,

ensina o caminho aos pecadores.

Orienta os humildes na justiça

e dá-lhes a conhecer os seus caminhos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Mais uma vez, S. Paulo, na Primeira Carta aos fiéis de Corinto, convida-nos a ter consciência de que “o tempo é breve” – isto é, que as realidades e valores deste mundo são passageiros e não devem ser para nós valores absolutos.

Deus convida cada cristão, em marcha pela vida, a caminhar de olhos postos no mundo futuro – quer dizer, a dar prioridade aos valores eternos –, a converter-se aos valores do “Reino”.

 

1 Coríntios 7, 29-31

29O que tenho a dizer-vos, irmãos, é que o tempo é breve. Doravante, os que têm esposas procedam como se as não tivessem; 30os que choram, como se não chorassem; os que andam alegres, como se não andassem; os que compram, como se não possuíssem; 31os que utilizam este mundo, como se realmente não o utilizassem. De facto, o cenário deste mundo é passageiro.

 

O Apóstolo, no capítulo 7 da 1ª Coríntios, responde à pergunta que lhe tinha sido feita sobre a virgindade e o celibato. Pensa-se que a pergunta provinha de alguns que consideravam as relações matrimoniais como algo mau ou impróprio para um cristão. S. Paulo, depois de expor a doutrina sobre a legitimidade e indissolubilidade do matrimónio (vv. 1-16), recomenda que cada um siga a vocação a que foi chamado (vv. 17-24), passando a fazer a apologia do celibato e a dar razões da excelência da virgindade (vv. 25-38). Desta parte é que são extraídos os 3 versículos da leitura. S. Paulo tira partido da consideração da brevidade desta vida – «o tempo é breve!» –, para que, na hora de se tomar uma decisão, ninguém se deixe levar pelo apego às coisas passageiras e efémeras. Outras motivações são apresentadas a seguir e que pertencem à leitura do próximo Domingo.

 

Aclamação ao Evangelho        Mc 1, 15

 

Monição: O Evangelho desperta-nos para um alerta permanente, enquanto vivemos as nossas preocupações normais, nesta caminhada na terra.

Temos de seguir com os pés na terra, as mãos no trabalho e o coração em Deus, procurando fazer a Sua vontade.

Aclamemos o Evangelho que ilumina os nossos passos, cantando aleluia.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 87

 

Está próximo o reino de Deus;

arrependei-vos e acreditai no Evangelho.

 

 

Evangelho

 

São Marcos 1, 14-20

14Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia e começou a proclamar o Evangelho de Deus, dizendo: 15«Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho». 16Caminhando junto ao mar da Galileia, viu Simão e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores. 17Disse-lhes Jesus: «Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens». 18Eles deixaram logo as redes e seguiram-n’O. 19Um pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam no barco a consertar as redes; 20e chamou-os. Eles deixaram logo seu pai Zebedeu no barco com os assalariados e seguiram Jesus.

 

Começamos neste Domingo a leitura seguida e respigada do Evangelista do Ano B, S. Marcos. E tudo começa com o início da pregação de Jesus na «Galileia», a zona norte da Palestina, politicamente separada da Judeia, onde Jesus tinha mais liberdade de movimentos para a sua pregação, por estar mais ao abrigo da oposição das autoridades judaicas de Jerusalém (cf. Jo 4, 1-3).

14-15 «Depois de João ter sido preso», à letra, «entregue». Mais do que uma nota cronológica, parece que S. Marcos visa uma precisão teológica; com efeito, abre-se agora uma nova etapa da história da salvação. Às promessas de salvação vai seguir-se agora o seu cumprimento em Jesus – «cumpriu-se o tempo» anunciado. O v. 15 é como uma espécie de sumário ou síntese, diríamos, o «programa», do Evangelho de Jesus: o «Reino de Deus» está a chegar, e isto exige uma conversão interior, a metánoia, isto é, uma renovação do entendimento e da vontade – «arrependei-vos» – e uma atitude de fé – «acreditai no Evangelho».

16-20 Embora socialmente Jesus apareça a pregar em público com um mestre entre tantos outros que então havia, Marcos, desde o início, quer deixar bem claro que Jesus não é mais um rabi, em cuja escola qualquer candidato que o deseje se pode inscrever como discípulo, mas que, pelo contrario, é Jesus quem escolhe quem quer, chamando com autoridade; por isso a resposta é pronta, o que merece ser bem sublinhado: «e eles deixaram logo…» – tudo, as redes, o barco, o pai… – «e seguiram Jesus».

 

Sugestões para a homilia

 

• Os apelos de Deus à conversão

Todos são chamados

Deus aguarda uma resposta

A mudança é urgente

• Acolher o dom de Deus

Jesus Cristo passa continuamente

A que nos convida?

Apressemos o passo

 

1. Os apelos de Deus à conversão

a) Todos são chamados. «A palavra do Senhor foi dirigida a Jonas nos seguintes termos: “Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive e apregoa nela a mensagem que Eu te direi”.»

Seja qual for a situação em que nos encontremos e o estado da nossa alma, Deus chama-nos a todos sem excepção.

Estamos habituados a julgar que o chamamento é uma só vez na vida e que depois viveremos adormecidos, sem preocupações nem mudanças. Deus laça dentro de nós apelos à mudança em cada momento. Temos de estar muito atentos, para Lhe respondermos.

Não se trata de responder ao Senhor com um desejo vago de sermos melhores, mas de uma correspondência generosa, pontual, ao que Ele nos vai pedindo, à medida em que andamos caminho.

O Senhor vai dizendo a Saulo – mais tarde Paulo – o que quer dele: manda-o encontrar-se com Ananias, entrando na cidade, envia-o a pregar, interna-se no deserto da Arábia e Barnabé vai procurá-lo para a primeira missão apostólica.

Não estejamos à espera de situações definitivas na nossa vida. Deus vai pedindo sempre mais. (Teresa de Calcutá entra nas irmãs de Nossa Senhora de Lourdes, em Dublin. Parte para a Índia, e começa a leccionar num colégio da sua Congregação. O Senhor pede-lhe que deixe aquela vida e desça à rua, para tratar dos pobres mais pobres). Na vida do casal, aos que estão celibatários no mundo, o Senhor vai pedindo uma coisa de cada vez, como fazem os pais às crianças, ensinando-as a montar um brinquedo.

O “Livro de Jonas” fala-nos, antes de mais, sobre a profundidade da misericórdia e da bondade do nosso Deus. Ele ama todos os homens e mulheres, sem excepção e de forma incondicional. Ama também os que praticam maldades e os que oprimem os outros.

Para vivermos de acordo com a nossa vocação cristã, não podemos pensar na eliminação do pecador. Deus não quer a morte do pecador – de nenhum dos seus filhos – mas que ele se converta e viva. Somos chamados a descobrir, a aceitar e a amar todos os dias este Deus, tornado frágil pelo amor.

 

b) Deus aguarda uma resposta. «Os habitantes de Nínive acreditaram em Deus, proclamaram um jejum e revestiram-se de saco, desde o maior ao mais pequeno

Os ninivitas compreenderam o risco em que se encontravam e responderam com prontidão e generosidade ao apelo que o Senhor lhes enviava pelo profeta Jonas. Vestiram-se de saco (penitência), fizeram jejum e deixaram os vícios. Foi esta a resposta que deram ao apelo do Senhor, porque era isso mesmo que Ele lhes pedia.

Nem sempre acontece assim connosco. Tentamos enganarmo-nos, pensando que aquilo que o Senhor pede não se dirige a nós, porque já somos bons e demos-Lhe mais do que o suficiente.

Vale a pena recordar a Parábola do rico néscio; depois de uma grande colheita, pensa apenas em si e diz: “Ó minha alma, come, bebe e regala-te!” Tinha já planos de deitar abaixo os celeiros e construir outros maiores. Mas Deus pôs um ponto final na sua vida.

Todos somos tentados a pensar que, na vida espiritual, podemos viver dos rendimentos, mas, de facto, não é possível. Para encontrar uma falsa paz somos tentados a nos compararmos com os outros e a chegar á conclusão de que já fomos muito generosos. A verdade é que não podemos olhar para o lado, para os outros, mas para cima, para Jesus Cristo, nosso único modelo.

Custa-nos, muitas vezes, a aceitar o modo de agir do nosso Deus. Às vezes, preferíamos um Deus mais duro e exigente, que se impusesse decisivamente aos maus, que frustrasse os seus projectos de violência e de injustiça, que castigasse aqueles que não cumprem as regras, que não desse hipóteses àqueles que destroem o nosso bem-estar e a nossa segurança… Mas isto é sempre para consumo dos outros.

A Palavra de Deus deste Domingo apresenta-nos um Deus de bondade e de misericórdia, que nos convida a amar todas as pessoas, mesmo quando nos parecem más.

 

c) A mudança é urgente. «Quando Deus viu as suas obras e como se convertiam do seu mau caminho, desistiu do castigo com que os ameaçara e não o executou

Deus espera pacientemente – não sabemos até quando, porque o termo da vida de cada um está fixado – um gesto de boa vontade da nossa parte.

Esta resposta urgente há-de concretizar-se:

– Numa mudança de mentalidade que nos leve a pôr de lado o mau hábito de desculparmos os nossos defeitos com o exemplo dos outros. O pecado mais frequente dos cristãos d hoje é a resistência à graça.

Os ninivitas não perderam tempo e ganharam a salvação de uma ruína temporal e, possivelmente, eterna.

Por contraste, Jonas continuou a olhar para os outros, e não para si. É o exemplo da resistência ao que Deus lhe pede: foge à missão, e deturpa a mensagem profética, anunciando apenas o castigo e não a misericórdia; quando a desgraça não acontece, quer morrer. Deus faz crescer uma trepadeira que o defende do sol; então sente-se vocacionado para ser turista, instalando-se num lugar aprazível. E quando o verme rói a trepadeira que Deus fizera crescer para o abrigar do sol, perante a revolta de Jonas, o Senhor dá-lhe uma lição de misericórdia.

Muitos cristãos esperam que Deus Se vingue dos maus, castigando-os, para que eles – os bons – possam continuar a dormir.

A pronta disponibilidade dos habitantes de Nínive para acolher o chamamento de Deus e converter-se é um modelo de resposta adequada ao Deus que nos chama. É com essa mesma prontidão de resposta que Deus espera de cada pessoa.

O texto de Jonas sugere também que aqueles que consideramos “maus” estão, às vezes, mais disponíveis para acolher os desafios de Deus e para escutar o seu chamamento, do que os “bons”. Os “bons” estão, tantas vezes, mergulhados na tibieza rotineira, aferrados aos seus esquemas comodistas de vida, aos seus preconceitos irracionais, às suas certezas, que não escutam os apelos de Deus… Para Ele, o que é importante não é o passado de cada pessoa, mas a capacidade de cada um em se deixar interpelar por ele.

2. Acolher o dom de Deus

a) Jesus Cristo passa continuamente. «Jesus partiu para a Galileia e começou a proclamar o Evangelho de Deus, dizendo: “Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus.”»

Jesus passa continuamente junto de nós, para nos chamar á conversão, à mudança de vida.

Fala-nos por inspirações interiores, quando abrimos o jornal e deparamos com a morte de uma pessoa conhecida ou amiga, pelo estado do tempo, por uma boa leitura feita pessoalmente ou escutada na Liturgia; por uma conversa com uma pessoa amiga e de muitos outros modos.

E muitas vezes encontra-nos distraídos, hipnotizados por valores efémeros que passam rapidamente.

«A todo o instante somos colocados diante de realidades diversas e contrastantes e temos de fazer as nossas escolhas. A mentalidade dominante, a moda, o politicamente correcto, os nossos preconceitos e interesses egoístas interferem frequentemente com as nossas opções e impõem-nos valores que nem sempre são geradores de liberdade, de paz, de vida verdadeira. Mais grave, ainda: muitas vezes, endeusamos determinados valores efémeros e passageiros, que nos fazem perder de vista os valores autênticos, verdadeiros, definitivos. O nosso texto sugere um princípio a ter em conta, a propósito desta questão: os valores deste mundo, por mais importantes e interessantes que sejam, não devem ser absolutizados. Não se trata de desprezar as coisas boas que o mundo coloca à nossa disposição; mas trata-se de não colocar nelas, de forma incondicional, a nossa esperança, a nossa segurança, o objectivo da nossa vida.» (Dehonianos).

O importante é que nos esforcemos por ler a mensagem que Ele nos envia e procuremos segui-la.

 

b) A que nos convida? «Arrependei-vos e acreditai no Evangelho

A complicar a nossa vida, quando olhamos as coisas de modo superficial: “Vem e segue-Me!”

Em quê?

– Em primeiro lugar, na vocação pessoal. O importante não é fazer aquilo de que mais gosto, mas a vontade de Deus. Se uma pessoa começa uma caminhada enganando-se no caminho, como pode chegar à meta?

– Na oração. Estabelecemos um plano para cada dia, mas somos tentados pela preguiça, que até se disfarça

– No trabalho profissional, momento a momento: pontual, bem feito, com alegria e fomentando um bom ambiente entre os companheiros.

– No encontrar tempo para os outros: parando um instante para os ouvir; visitando um doente ou idoso; prestando uma ajuda a quem dela precisa...

É numa conversão contínua, respondendo a estes apelos que nos parecem sem importância, que havemos de acolher o convite de Cristo que passa.

«Para que o “Reino de Deus” se torne uma realidade, o que é necessário fazer? Na perspectiva de Jesus, o “Reino de Deus” exige, antes de mais, a “conversão”. Temos de modificar a nossa mentalidade, os nossos valores, as nossas atitudes, a nossa forma de encarar Deus, o mundo e os outros para que se torne possível o nascimento de uma realidade diferente. Temos de alterar as nossas atitudes de egoísmo, de orgulho, de auto-suficiência, de comodismo e de voltar a escutar Deus e as suas propostas, para que aconteça, na nossa vida e à nossa volta, uma transformação radical – uma transformação no sentido do amor, da justiça e da paz. O que é que temos de “converter” – quer em termos pessoais, quer em termos institucionais – para que se manifeste, realmente, esse Reino de Deus tão esperado?» (Dehonianos).

 

c) Apressemos o passo. «Disse-lhes Jesus: “Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens”. Eles deixaram logo as redes e seguiram-n’O

Para seguir a Jesus Cristo é preciso estugar o passo, vencer a nossa preguiça que nos instala em hábitos de comodismo.

Por vezes, encontramos pessoas convencidas de que, para seguir a Cristo, é preciso que nos desliguemos da realidade deste mundo.

Na verdade, há pessoas que recebem essa vocação de entregar a vida numa vocação contemplativa.

Mas a maioria dos cristãos são chamados à santificação pelas realidades deste mundo: na, família, na política, na economia e, em geral, em todas as actividades humanas honestas.

Às vezes hesitamos em fazer o que Deus quer, por medo a sermos infelizes. A realidade ensina-nos exactamente o contrário: cada chamamento de Jesus Cristo é para nos tornar felizes.

A Santa Missa que celebramos é um apelo a esta urgência, mesmo quando a decisão nos custa. Jesus Cristo dá-nos o exemplo desta fidelidade `à vontade do Pai, sem olhar a sacrifícios.

Jesus Cristo passa na Missa Dominical e dirige-nos as mesmas palavras que ouviram os Pescadores da Galileia: “Vem e segue-Me!” Há sempre um pedido que Ele tem a fazer-nos.

Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, é o exemplo perfeito da docilidade ao que o Senhor lhe pede: procura conhecê-lo com a exactidão possível e, longo que vê o que o Senhor quer, entrega-se sem condições.

Peçamos-Lhe nos alcance a graça de respondermos aos apelos do Senhor com generosidade e alegria.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Como aos habitantes da pecadora cidade de Nínive,

o Senhor chama cada um de nós à conversão pessoal.

Apresentemos-Lhe as dificuldades que nos impedem

de O seguirmos com uma fidelidade muito generosa.

Oremos (cantando):

 

    Ajudai-nos, Senhor, a seguir os Vossos caminhos!

 

1. Pelo Santo Padre, o Papa Vigário de Cristo na terra,

    para que chame, sem fadiga, as pessoas à conversão,

    oremos, irmãos.

 

    Ajudai-nos, Senhor, a seguir os Vossos caminhos!

 

2. Pelos pais e mães das família da nossa comunidade,

    para que ajudem os seus filhos a seguir Jesus Cristo,

    oremos, irmãos.

 

    Ajudai-nos, Senhor, a seguir os Vossos caminhos!

 

3. Por todos os que o Senhor envia a pregar o Evangelho,

    para que o façam com inteira fidelidade à Sua doutrina,

    oremos, irmãos.

 

    Ajudai-nos, Senhor, a seguir os Vossos caminhos!

 

4. Pelos que vivem longe dos caminhos do Senhor,

    para que, imitando o povo de de Nínive se convertam,

    oremos, irmãos.

 

5. Pelos todos os jovens que agora se preparam para a vida,

    para que acolham o convite de Jesus Cristo a sgui-l’O,

    oremos, irmãos.

 

    Ajudai-nos, Senhor, a seguir os Vossos caminhos!

 

6. Por todos os que o Senhor chamou à Vida Eterna,

    para que, já purificados, entrem na felicidade no Céu,

    oremos, irmãos.

 

    Ajudai-nos, Senhor, a seguir os Vossos caminhos!

 

Senhor, que nos chamastes á vida presente na terra,

para, fazendo a Vossa vontade, alcancemos o Céu

guiai-nos continuamente pelos caminhos do mundo,

a fim de nos tornarmos dignos das Vossas promessas

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução à Liturgia Eucarística

 

Continuamos a ouvir o convite de Jesus Cristo que nos convida a segui-l’O. Terminada a Liturgia da Palavra, quer agora que O sigamos até ao Cenáculo e participemos na maravilha da consagração do pão e do vinho que vão ser o nosso Alimento.

 

Cântico do ofertório: Eu venho, Senhor, Az. Oliveira, NRMS 62

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai benignamente, Senhor, e santificai os nossos dons, a fim de que se tornem para nós fonte de salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 36

 

Saudação da Paz

 

A paz depende da nossa conversão interior. Nossa Senhora chamava, em Fátima, a nossa atenção para esta realidade: “Se se converterem, terão paz!”

Que o nosso gesto de paz signifique, sobretudo, um desejo íntimo e sincero de nós convertermos.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

 

Monição da Comunhão

 

A sagrada comunhão não é um prémio para os bons, os santos, mas Alimento divino para todos nós que somos fracos, pecadores, e vamos a caminho do céu.

Com profunda humildade, peçamos ao Senhor que vamos receber nos fortaleça e guarde para a vida eterna.

 

Cântico da Comunhão: Comemos, ó Senhor, do mesmo pão, M. Borda, NRMS 43

Salmo 33, 6

Antífona da comunhão: Voltai-vos para o Senhor e sereis iluminados, o vosso rosto não será confundido.

 

Ou

Jo 8, 12

Eu sou a luz do mundo, diz o Senhor. Quem Me segue não anda nas trevas, mas terá a luz da vida.

 

Cântico de acção de graças: Eu quero, Senhor amar-Te, H. Faria, NRMS 30

 

Oração depois da comunhão: Deus omnipotente, nós Vos pedimos que, tendo sido vivificados pela vossa graça, nos alegremos sempre nestes dons sagrados. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Levamos dentro de nós um apelo à conversão, à mudança de vida. Sejamos generosamente prontos em acolhê-lo.

Somos também portadores de uma mensagem de conversão para todas as pessoas que vamos encontrar no nosso caminhar desta semana. Proclamemo-la sem respeitos humanos.

 

Cântico final: Somos testemunhas de Cristo, Az. Oliveira, NRMS 35

 

 

 

 

Homilias Feriais

 

3ª SEMANA

 

Homilias Feriais

 

2ª Feira, 23-I: Vitória sobre o pai da divisão.

2 Sam 5, 1-7. 10 / Mc 3, 22-30

Portanto, se Satanás se levantou contra si próprio e se dividiu, não pode subsistir: vai acabar.

Satanás, o pai da mentira, esteve na origem da entrada no mundo do pecado e da morte. Só pela sua derrota definitiva é que toda a criação ficará livre do pecado e da morte (CIC, 2852).

«Jesus, o Príncipe da vida, pela sua morte, reduz à impotência o Diabo, e libertou quantos, por meio da morte, se encontravam sujeitos à servidão durante a vida inteira» (CIC; 635). A unidade dos cristãos será alcançada se conseguirmos vencer os factores de divisão, que separam de Cristo.

 

3ª Feira, 24-I: A vontade de Deus, fonte de união.

2 Sam 6, 12-15. 17-19 / Mc 3, 31-35

Quem fizer a vontade de Deus é que é meu irmão, minha irmã e minha mãe.

A família dos filhos de Deus tem como característica principal o cumprimento da vontade de Deus (Ev.). Ele próprio nos deu exemplo: «Eu venho, ó Deus, para fazer a tua vontade».

A Arca da Aliança congregava à sua volta todo o povo de Deus (Leit.). É vontade de Deus que haja uma só Igreja, que foi fundada por Cristo. Contribuiremos para a unidade se nos esforçarmos por fazer sempre aquilo que agrada a Deus: o cumprimento dos deveres diários para com Deus, a família, a sociedade, etc.

 

4ª Feira, 25-I: Conversão de S. Paulo.

Act 22, 3-16 ou Act 9, 1-22 / Mc 16, 15-18

Que hei-de fazer, Senhor? E o Senhor respondeu-me: Levanta-te, vai a Damasco e lá te dirão tudo o que foi determinado.

O encontro de Saulo com Jesus, quando ia a caminho de Damasco, representa uma mudança completa da sua vida. A graça de Deus condu-lo à conversão e imediatamente pergunta: «Que hei-de fazer, Senhor?» (Leit.).

Para a união dos cristãos é necessária a conversão pessoal, que consiste em melhorar pequenas coisas na piedade, no trabalho, na vida familiar. E esta conversão será decisiva para a expansão da Igreja, que alcançará os povos pagãos, segundo o mandato de Cristo: «Ide por todo o mundo e proclamai a Boa Nova» (Ev.).

 

5ª Feira, 26-I: S. Timóteo e Tito.

2 Tim 1, 1-8 ou Tit 1, 1-5 (próprios) / Lc 10, 1-9 (aprop.)

Ide, e olhai que vos mando em missão como cordeiros para o meio dos lobos.

Timóteo e Tito foram dois discípulos e colaboradores de S. Paulo. Tiveram a seu cargo as igrejas de Éfeso e Creta.

No cumprimento da sua missão também encontraram o cenário profetizado por Cristo: «como cordeiros no meio de lobos» (Ev.). Para ajudá-los, S. Paulo escreveu desde Roma, na prisão, estas Cartas Pastorais, recomendando-lhes como cuidar dos pastores e dos fiéis, para se manterem firmes na fé, etc. Nós encontramos esta agressividade no ambiente, mas não devemos ter receio de dar bom testemunho (Leit.).

 

6ª Feira, 27-I: A semente divina e a semente da morte.

2 Sam 11, 1-4. 5-10. 13-17 / Mc 4, 26-34

O reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra. Dorme e levanta-se enquanto a semente germina e cresce.

«A Palavra do Senhor compara-se à semente lançada ao campo; aqueles que a ouvem com fé e entram a fazer parte do pequeno rebanho de Cristo, já receberam o reino; depois, por força própria, a semente germina e cresce até ao tempo da messe» (CIC, 543).

Pelo contrário, se recebemos uma ‘semente diabólica’ e a acolhemos, os frutos são terríveis: David deixou-se levar pela sensualidade, ficou com a mulher de um seu general, e enviou este para a morte (Leit.).

 

Sábado, 28-I: A inveja, a humildade e a fé.

2 Sam 12, 1-7. 10-17 / Mc 4, 35-41

Apoderou-se da ovelha do pobre e mandou-a preparar para o seu hóspede.

«Quando o profeta Natã quis estimular o arrependimento do rei David, contou-lhe a história do pobre que só possuía uma ovelha, e do rico, que tinha inveja dele e acabou por lhe roubar a ovelha (Leit.). A inveja pode levar aos maiores crimes. Foi pela inveja do demónio que a morte entrou no mundo» (CIC, 2538).

A inveja nasce quase sempre do orgulho. Para o vencer precisamos ser muito humildes. E também a virtude da fé, pela qual nos apoiamos muito mais em Deus do que em nós próprios: «Como é que não tendes fé?» (Ev.).

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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