2º Domingo Comum

15 de Janeiro de 2012

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Senhor é a força do seu povo, F. da Silva, NRMS 106

Salmo 65, 4

Antífona de entrada: Toda a terra Vos adore, Senhor, e entoe hinos ao vosso nome, ó Altíssimo.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A liturgia do 2º Domingo do Tempo Comum propõe-nos uma reflexão sobre a disponibilidade para acolher os desafios de Deus e para seguir Jesus.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que governais o céu e a terra, escutai misericordiosamente as súplicas do vosso povo e concedei a paz aos nossos dias. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A primeira leitura apresenta-nos a história do chamamento de Samuel e fica claro que o chamamento é sempre uma iniciativa de Deus. Ao homem é pedido que se coloque numa atitude de total disponibilidade para escutar a voz e os desafios de Deus.

 

1 Samuel 3, 3b-10.19

Naqueles dias, 3bSamuel dormia no templo do Senhor, onde se encontrava a arca de Deus. 4O Senhor chamou Samuel e ele respondeu: «Aqui estou». 5E, correndo para junto de Heli, disse: «Aqui estou, porque me chamaste». Mas Heli respondeu: «Eu não te chamei; torna a deitar-te». E ele foi deitar-se. 6O Senhor voltou a chamar Samuel. Samuel levantou-se, foi ter com Heli e disse: «Aqui estou, porque me chamaste». Heli respondeu: «Não te chamei, meu filho; torna a deitar-te». 7Samuel ainda não conhecia o Senhor, porque, até então, nunca se lhe tinha manifestado a palavra do Senhor. 8O Senhor chamou Samuel pela terceira vez. Ele levantou-se, foi ter com Heli e disse: «Aqui estou, porque me chamaste». Então Heli compreendeu que era o Senhor que chamava pelo jovem. 9Disse Heli a Samuel: «Vai deitar-te; e se te chamarem outra vez, responde: ‘Falai, Senhor, que o vosso servo escuta’». Samuel voltou para o seu lugar e deitou-se. 10O Senhor veio, aproximou-Se e chamou como das outras vezes: «Samuel, Samuel!» E Samuel respondeu: «Falai, Senhor, que o vosso servo escuta». 19Samuel foi crescendo; o Senhor estava com ele e nenhuma das suas palavras deixou de cumprir-se.

 

Esta leitura é uma selecção de versículos de 1 Sam 3, onde se relata a célebre vocação do profeta pregador que, no séc. XI a. C., havia de imprimir novo rumo ao povo de Israel. A escolha dos versículos deixa ver que a intenção da Liturgia não se centra nos pormenores da história, nem na infidelidade de Eli, mas na lição de obediência pronta do jovem Samuel, oferecido ao Senhor por sua mãe, Ana (cf. 1, 28), o qual vivia com o sacerdote Eli como servidor do santuário de Silo – «no templo do Senhor» (v. 3) –, onde se guardava a Arca da Aliança. Com Samuel inicia-se em Israel o profetismo como ministério constante e ininterrupto. Como veio a suceder com os grandes profetas, a sua missão aparece precedida dum chamamento sobrenatural e bem claro de Deus. A presente leitura é a história duma vocação e fala-nos da prontidão e disponibilidade para seguir a chamada divina.

 

Salmo Responsorial    Salmo 39 (40), 2.4ab.7-8a.8b-9.10-11 (R. 8a.9a)

 

Monição: A Palavra de Deus hoje exorta-nos ao perdão, porque o próprio Deus foi o primeiro a perdoar-nos. Louvemo-l’O porque Ele é paciente e cheio de bondade para connosco.

 

Refrão:        Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade.

 

Esperei no Senhor com toda a confiança

e Ele atendeu-me.

Pôs em meus lábios um cântico novo,

um hino de louvor ao nosso Deus.

 

Não Vos agradaram sacrifícios nem oblações,

mas abristes-me os ouvidos;

não pedistes holocaustos nem expiações,

então clamei: «Aqui estou».

 

«De mim está escrito no livro da Lei

que faça a vossa vontade.

Assim o quero, ó meu Deus,

a vossa lei está no meu coração».

 

«Proclamei a justiça na grande assembleia,

não fechei os meus lábios, Senhor, bem o sabeis.

Não escondi a justiça no fundo do coração,

proclamei a vossa bondade e fidelidade».

 

Segunda Leitura

 

Monição: Na segunda leitura, Paulo convida os cristãos de Corinto a viverem de forma coerente com o chamamento que Deus lhes fez para que se manifeste sempre a vida nova de Deus.

 

1 Coríntios 6, 13c-15a.17-20

Irmãos: 13cO corpo não é para a imoralidade, mas para o Senhor, e o Senhor é para o corpo. Deus, que ressuscitou o Senhor, também nos ressuscitará a nós pelo seu poder. 15aNão sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo? 17Aquele que se une ao Senhor constitui com Ele um só Espírito. 18Fugi da imoralidade. Qualquer outro pecado que o homem cometa é exterior ao seu corpo; mas o que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo. 19Não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós e vos foi dado por Deus? Não pertenceis a vós mesmos, 20porque fostes resgatados por grande preço: glorificai a Deus no vosso corpo.

 

Como em todos os anos, A, B e C, sempre se inicia o tempo comum tendo como 2ª leitura respigos da 1ª aos Coríntios; neste ano B, começa-se no cap. 6; no próximo ano C. no cap. 12.

A leitura é tirada do fim dia primeira parte de 1 Cor, na qual S. Paulo procura remediar vários abusos verificados naquela comunidade nascente. É bem conhecida a má fama da capital da província romana da Acaia: «viver em Corinto» – Korinthiázein – era sinónimo de levar vida libertina. O próprio vício era divinizado: no templo de Afrodite havia cerca de mil sacerdotisas dedicadas à prostituição sagrada. É, pois, fácil de compreender que, para alguns convertidos, fosse difícil abandonar uma mentalidade generalizada que legitimava a fornicação. E, para a justificarem, chegariam mesmo, segundo se depreende do v. 12, a torcer as próprias palavras de S. Paulo: «tudo me é permitido» (cf. 1 Cor 10, 23), e a dizer que se tratava duma simples necessidade corporal, como comer e beber (cf. v. 13), e não como algo que encerra um sentido superior que envolve toda a pessoa. O Apóstolo, para levar estes maus cristãos ao bom caminho e impedir que os outros se deixem perverter, não se detém a dar-lhes um curso de educação sexual, nem a insistir na fealdade do vício e das suas funestas consequências para o indivíduo e para a sociedade. Apela para os motivos da fé: «o corpo… é para o Senhor» (v. 13); ele há-de ressuscitar (v. 14); é membro de Cristo (v. 15); é «templo do Espírito Santo» (v. 19); «resgatados» por Cristo, já «não pertencemos a nós mesmos» (v. 20a); a castidade é uma afirmação cheia de alegria: «glorificai a Deus no vosso corpo» (v. 20b). S. Paulo não se limita a condenar a prostituição sagrada dos santuários idolátricos, pois não trata aqui da idolatria, mas da castidade; fala sem os eufemismos: «fornicação», traduzida pelo termo vago, «imoralidade» (v. 18), tendo-se omitido na leitura litúrgica os bem fortes versículos 15b-16: «como é possível tomar os membros de Cristo para fazer deles membros duma prostituta?…»

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Jo 1, 41.17b

 

Monição: O Evangelho descreve o encontro de Jesus com os seus primeiros discípulos. E discípulo é aquele que está disponível para seguir Jesus no caminho do amor e da entrega, que é capaz de testemunhar Jesus e de anunciá-l’O aos outros irmãos.

 

Aleluia

 

Cântico: S. Marques, NRMS 73-74

 

Encontramos o Messias, que é Jesus Cristo.

Por Ele nos veio a graça e a verdade.

 

 

Evangelho

 

São João 1, 35-42

35Naquele tempo, estava João Baptista com dois dos seus discípulos 36e, vendo Jesus que passava, disse: «Eis o Cordeiro de Deus». 37Os dois discípulos ouviram-no dizer aquelas palavras e seguiram Jesus. 38Entretanto, Jesus voltou-Se; e, ao ver que O seguiam, disse-lhes: «Que procurais?» Eles responderam: «Rabi que quer dizer ‘Mestre’ onde moras?» Disse-lhes Jesus: 39«Vinde ver». Eles foram ver onde morava e ficaram com Ele nesse dia. Era por volta das quatro horas da tarde. 40André, irmão de Simão Pedro, foi um dos que ouviram João e seguiram Jesus. 41Foi procurar primeiro seu irmão Simão e disse-lhe: «Encontrámos o Messias» que quer dizer ‘Cristo’; 42e levou-o a Jesus. Fitando os olhos nele, Jesus disse-lhe: «Tu és Simão, filho de João. Chamar-te-ás Cefas» que quer dizer ‘Pedro’.

 

Os três Sinópticos apresentam os primeiros discípulos noutro contexto, o do chamamento (Mt 4,18-22; Mc 1,16-20; Lc 5,1-11), ao passo que o IV Evangelho se limita a relatar um primeiro encontro, cheio de vivacidade e encanto.

35 «João». A tradução litúrgica, para desfazer equívocos, acrescentou: «Baptista». A verdade é que o 4.° Evangelho só conhece um João, por isso nunca o adjectiva de Baptista. Neste relato não se fala do nome do companheiro de André, que seria o próprio evangelista (cf. 13, 23; 18, 15; 19, 26.35; 20, 2; 21, 2.20.24), o qual, por humildade, nunca fala do seu próprio nome, o que é um sinal de que a ele se deve a autoria deste Evangelho.

36 «Eis o Cordeiro de Deus» (cf. Jo 1, 20). A Liturgia e a iconografia cristã dão grande relevo a este testemunho do Baptista. A expressão é muito rica de significado e faz referência não só ao cordeiro pascal (cf. 1 Cor 5, 7; Jo 19, 36), como também ao Servo de Yahwéh Sofredor, comparado em Is 57, a um manso cordeiro levado à morte (a própria palavra aramaica certamente usada pelo Baptista, «talyá», significa tanto cordeiro como servo).

37-40 O relato conserva a frescura e o encanto de quem viveu intensamente aquele momento único e decisivo da vida docemente subjugado pela atracção humana e o fascínio divino da pessoa de Jesus. Cerca de setenta anos depois, João recorda exactamente a hora e, em pormenor, aquela inolvidável e tímida troca de palavras. Eis o comentário de Santo Agostinho: «Não O seguiram para ficar definitivamente com Ele. (...) Quiseram somente ver onde habitava… O Mestre mostrou-lhes onde habitava e eles foram e permaneceram com Ele. Que dia feliz e que feliz noite passaram! Quem poderá dizer-nos o que eles ouviram da boca do Senhor? Façamos nós também uma habitação no nosso coração, e venha o Senhor até junto de nós para nos ensinar e falar connosco!» (In Ioh. tract. 7, 9).

41-42 «Encontrámos o Messias!» (Eurêkamen...) O grande achado da vida, que os faz exclamar mais exultantes que o sábio grego Arquimedes ao descobrir o seu célebre princípio da Física: «êureka!». E não se pode conhecer Cristo sem transmitir a outros essa grande e feliz notícia. «Messias», é uma palavra hebraica (em grego «Cristo»), que significa aquele que foi ungido, designando-se assim um novo rei David esperado para restaurar o reino de Israel no fim dos tempos (cf. 2 Sam 7, 12-16.19.25.29; 1 Cr 17, 11-14; Is 11, 1-9; Act 2, 30; Lc 1, 32-33). Cefas não era um nome, mas um apelativo original, pedra (em aramaico), para indicar, neste caso, não uma característica pessoal (Simão não se distinguia pela firmeza da rocha: cf. 18, 17.25.27), mas a missão a que Deus o destinava de vir a ser a pedra em que Jesus assenta a sua Igreja (cf. Jo 21, 15-18; Mt 16, 18-19; Lc 22, 31-33).

 

Sugestões para a homilia

 

“Mestre, onde moras?” (Jo 1, 35)

“Embaixadores de Cristo” (2 Cor 5, 20)

“Mestre, onde moras?” (Jo 1, 35)

“Mestre, onde moras?” João Baptista respondeu aos discípulos apontando-lhes para o «Cordeiro de Deus», que passava. E eles tiveram curiosidade de saber mais sobre Jesus, onde Ele morava, isto é, conhecê-Lo melhor. E acabaram por passar o resto do dia com o Senhor. Ficaram a saber onde é que Ele estava em casa, de que vivia, com quem vivia! «Vinde e vede!» Em última análise, a morada de Jesus é o amor do Pai. Desse amor vem, a partir desse amor age, para o Amor-Pai conduz: «na casa de meu Pai há muitas moradas. … Vou preparar-vos um lugar» (Jo 14, 2).

Não basta ir ver. É preciso ficar, permanecer no seu amor (Jo 15, 9), na sua Palavra, na videira (Jo 15, 5) de que somos ramos. Na Eucaristia, Jesus diz-nos mais do que «Vinde e vede». Diz: «Comei e bebei». Dá-Se-nos como alimento. E passamos nós a ser morada d’Ele. Com os irmãos que comungam, somos sacrário ambulante, em que Ele está presente. Não O podemos esquecer!

“Embaixadores de Cristo” (2 Cor 5, 20)

«Como vives?» Foi o seu mestre, Heli, quem ensinou Samuel a reconhecer a voz de Deus, a escutá-la e a reagir a ela (1ª leitura). João Baptista indicou a discípulos seus o caminho para Jesus. André levou Pedro ao Messias. «Vinde e vede!» (Jo 1, 39). André viu como Jesus vivia e quis ficar. E gostou tanto, que fez propaganda: «encontrámos o Messias!» Pedro também quis ver e «foi visto» e interpelado. Simão transforma-se em Pedro, sinal de mudança de vida.

Vocação é chamamento, é ser fitado com amor e responder com amor, depois de ser visto e de ter visto! Deus tem os olhos em mim. Devo pôr os meus olhos em Deus! E convidar outros! Deus serve-Se de pessoas para chamar outras pessoas. Somos todos intermediários d’Aquele que chama, somos «embaixadores de Cristo» (2 Cor 5, 20) e enviados, como os Apóstolos, para transmitir a Boa Notícia.

Normalmente, a vocação depende de pessoas que chamam a atenção para ela, a interpretam e a fomentam: pais, professores, catequistas. Quem é chamado ao seguimento de Cristo, deseja ver como vivem os intermediários da vocação, para se deixar convencer. Daí a responsabilidade de todos no respeitante às vocações de serviço na Igreja. Temos que ser coerentes, na vida, com a fé que professamos e com a mensagem que queremos comunicar. E, evidentemente, temos que pedir, em oração, que «o Senhor da messe envie trabalhadores para a sua messe» (Mt 9, 37-38).

No início deste novo ano contemplemos de novo a disponibilidade de Maria, Senhora do “sim”, e saibamos, como ela, responder com toda a prontidão: “Eis-me aqui: faça-se a tua vontade!” (cf. Lc. 1, 38)

 

 

Oração Universal

 

Caríssimos irmãos e irmãs

Neste dia, em que somos desafiados

a estar disponíveis aos desafios de Deus,

digamos com fé:

 

Senhor, faça-se a vossa vontade!

 

1. Pelas nossas crianças, para que saibamos ensiná-las a escutar os chamamentos

que Deus nos faz perceber no interior de nossos corações.

Oremos ao Senhor.

 

2. Pelos jovens para que descubram com entusiasmo e determinação a sua missão no mundo

e a vivam com coragem e autenticidade.

Oremos ao Senhor.

 

3. Pelo nosso País para que a política se torne cada vez mais ética

e que seja sempre exercida ao serviço do bem comum.

Oremos ao Senhor.

 

4. Para que a vida seja respeitada em todas as suas dimensões.

Oremos ao Senhor.

 

5. Por todos nós, para que escutemos o convite de Jesus

para sermos pessoas novas e capazes de assumir com convicção o caminho do Mestre.

Oremos ao Senhor.

 

Pai de bondade, vós que nos apresentais Cristo como um caminho de serviço de doação, dai-nos um espírito atento ao vosso chamamento e discernimento para buscar sempre e em tudo a fidelidade ao vosso projeto. Vós que viveis e reinais pelos séculos dos séculos.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Para Vós, Senhor, M. Carneiro, NRMS 73-74

 

Oração sobre as oblatas: Concedei-nos, Senhor, a graça de participar dignamente nestes mistérios, pois todas as vezes que celebramos o memorial deste sacrifício realiza-se a obra da nossa redenção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Na Eucaristia, Jesus diz-nos mais do que «Vinde e vede». Diz: «Comei e bebei». Dá-Se-nos como alimento. E passamos nós a ser morada d’Ele. Com os irmãos que comungam, somos sacrário ambulante, em que Ele está presente.

 

Cântico da Comunhão: Eu venho, Senhor, Az. Oliveira, NRMS 62

Salmo 22, 5

Antífona da comunhão: Para mim preparais a mesa e o meu cálice transborda.

 

Ou

1 Jo 4, 16

Nós conhecemos e acreditámos no amor de Deus para connosco.

 

Cântico de acção de graças: Povos da terra, louvai ao Senhor, M. Simões, NRMS 55

 

Oração depois da comunhão: Infundi em nós, Senhor, o vosso espírito de caridade, para que vivam unidos num só coração e numa só alma aqueles que saciastes com o mesmo pão do Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Quem experimenta a vida e a liberdade que Cristo oferece, não pode calar essa descoberta; mas deve sentir a necessidade de a partilhar com os outros, a fim de que também eles possam encontrar o verdadeiro sentido para a sua existência. “Encontrámos o Messias” deve ser o anúncio jubiloso de quem fez uma verdadeira experiência de vida nova e verdadeira e anseia por levar os irmãos a uma descoberta semelhante.

 

Cântico final: Queremos ser construtores, Az. Oliveira, 35

 

 

Homilias Feriais

 

2ª SEMANA

 

 

2ª Feira, 16-I: Consequências da desobediência.

1 Sam 15, 16-23 / Mc 2, 18-22

Podem os companheiros do noivo jejuar, enquanto o noivo está com eles?

Esta imagem do noivo, ou Esposo, é utilizada pelo Senhor, para a união dele com a Igreja: «Este aspecto é, muitas vezes, expresso pela imagem do esposo e da esposa. O próprio Senhor se designou como o ‘Esposo’ (Ev.)» (CIC, 796). Nesta união não cabem os remendos, que podem estragar todo o tecido.

No início de cada rasgão há sempre uma desobediência. Assim o refere Samuel ao rei Saul, que tem uma consequência dramática: «Uma vez que rejeitaste a palavra do Senhor, também Ele te rejeitará como rei» (Leit.). É uma repetição do pecado original.

 

3ª Feira, 17-I: Dedicação ao serviço do Senhor.

1 Sam 16, 1-13 / Mc 2, 23-28

Samuel deu-lhe a unção no meio dos irmãos. Daqui em diante, o Espírito do Senhor apoderou-se de David.

«Houve ‘ungidos’ do Senhor na Antiga Aliança, sobretudo o rei David (Leit.). Mas Jesus é o ungido de Deus de maneira única: a humanidade que o Filho assume é totalmente ‘ungida pelo Espírito Santo’. Jesus é constituído ‘Cristo’ pelo Espírito Santo» (CIC, 695).

Jesus recorda a actuação de David quando ele e os seus companheiros, cheios de fome, comeram dos pães da proposição (Ev.). Actuou como um ungido do Senhor. Sendo nós ungidos do Senhor, não esqueçamos de nos dedicarmos a Ele no Domingo.

 

4ª Feira, 18-I: Oitavário: Infidelidades, causas da divisão.

1 Sam 17, 32-33. 37. 40-51 / Mc 3, 1-6

(David): Tu vens contra mim com espada, e eu vou contra ti em nome do Senhor do universo, que tu desafiaste.

Neste 1º dia de orações pela unidade dos cristãos, lembremo-nos de que a unidade é um dom de Deus, e que é necessário ultrapassar grandes dificuldades. Mas a verdade é que David venceu Golias, em nome do Senhor do Universo (Leit.).

Jesus quer curar a mão de um homem e fica triste com a dureza de coração dos fariseus. Para que o Senhor conceda o dom da unidade é necessária «a conversão do coração, com o fim de levar uma vida mais pura segundo o Evangelho, pois a causa das divisões é a infidelidade dos membros ao dom de Cristo» (CIC, 821).

 

5ª Feira, 19-I: Cura da ferida da divisão.

1 Sam 18, 6-9; 19, 1-7 / Mt 3, 7-12

Na verdade havia curado muita gente e, assim, todos os que tinham padecimentos corriam para Ele.

Jesus tinha o poder de curar (Ev.) e perdoar pecados. Por isso, todos procuravam tocar-lhe. Ele é, sem dúvida, o Médico divino.

Para curar esta grande ferida da divisão dos cristãos, precisamos recorrer ao Médico divino. Mas também devemos ter presente que estas divisões se devem aos pecados dos homens. Onde há pecados, há multiplicidade, cisma, heresia, conflito. Onde há virtude, há união (CIC, 817). Foi um pecado de inveja que provocou grande divisão entre Saul e David, de tal modo que o primeiro queria matar o último (Leit.).

 

6ª Feira, 20-I: O Papa e a unidade dos cristãos.

1 Sam 24, 3-21 / Mc 3, 7-12

Estabeleceu, pois, os Doze: Simão, a quem pôs o nome de Pedro; Tiago, filho de Zebedeu, e João, irmão de Tiago.

«Desde o início da sua vida pública, Jesus escolheu alguns homens, em número de doze, para andarem com Ele e participarem na sua missão (Ev.)» (CIC, 551). E ficam associados ao reino de Cristo e, através deles, dirige a Igreja.

Mas, de entre eles, «Simão Pedro, ocupa o primeiro lugar (Ev.). Jesus confiou-lhe uma missão única. Terá a missão de defender esta fé para que nunca desfaleça e de nela confirmar os seus irmãos» (CIC; 552). É o que pedimos a Deus para o Papa, e pelos esforços que vem realizando pela a unidade dos cristãos.

 

Sábado, 21-I: Unidade: dom de Cristo.

2 Sam 1, 1-4. 11-12. 19. 23-27 / Mc 3, 20, 21

Depois, manifestaram o seu desgosto, choraram e jejuaram até à tarde, por causa de Saul e seu filho Jónatas, do povo do Senhor.

É natural que a divisão dos cristãos provoque um grande desgosto no Senhor e no seu Vigário na terra, como as mortes de Saul e Jónatas provocaram em David (Leit.).

«Cristo dá sempre à sua Igreja o dom da unidade. Mas a Igreja deve orar e trabalhar constantemente para manter, reforçar e aperfeiçoar a unidade que Cristo quer para ela. O desejo de recuperar a unidade de todos os cristãos é um dom de Cristo e um apelo do Espírito Santo» (CIC, 820). O actual Papa recebeu este apelo do Espírito Santo. Oremos e trabalhemos todos para obter este dom de Cristo.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Nuno Westwood

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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