Sagrada Família de Jesus, Maria e José

30 de Dezembro de 2011

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Reunidos em Igreja, M. Carneiro, NRMS 71-72

Lc 2, 16

Antífona de entrada: Os pastores vieram a toda a pressa e encontraram Maria, José e o Menino deitado no presépio.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos hoje a Sagrada Família, modelo das famílias cristãs, pequenas igrejas; no A.T. as características da família eram: a paz, a abundância de bens materiais, a concórdia e a descendência numerosa. Sinais da bênção do Senhor e prosperidade para os filhos. O bem é digno de imitação.

 

Acto penitencial

 

A vida familiar exige um repensar contínuo; as crises do trabalho, das separações, as alegrias e os sofrimentos conduzem ao amadurecimento da procura das causas e ao refúgio de diálogo com Deus e contrição dos pecados.

 

Oração colecta: Senhor, Pai santo, que na Sagrada Família nos destes um modelo de vida, concedei que, imitando as suas virtudes familiares e o seu espírito de caridade, possamos um dia reunir-nos na vossa casa para gozarmos as alegrias eternas. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Senhor nunca falha; quando promete cumpre; não se engana nem pode ser enganado; Ele é a Verdade.

Assim procede sempre com Abraão e com o povo que escolheu. Anós é-nos pedido que sejamos sérios em verdade e humildade para com Deus.

 

Génesis 15, 1-6; 21, 1-3

Naqueles dias, foi dirigida a Abrão a palavra do Senhor numa visão: «Não temas, Abrão: Eu sou o teu escudo; será grande a tua recompensa». Abraão respondeu: «Senhor, meu Deus, que me dareis? Vou partir desta vida sem descendência e o herdeiro da minha casa é Eliezer de Damasco». E continuou: «Vós não me destes descendência e um servo nascido na minha casa é que será o meu herdeiro». Então a palavra do Senhor foi-lhe dirigida nestes termos: «Não é ele que será o teu herdeiro; o teu herdeiro vai ser alguém nascido do teu sangue». Deus levou Abrão para fora de casa e disse-lhe: «Levanta os olhos para o céu e conta as estrelas, se as puderes contar». E acrescentou: «Assim será a tua descendência». Abrão acreditou no Senhor, o que lhe foi atribuído em conta de justiça. O Senhor visitou Sara, como lhe tinha dito, e realizou nela o que prometera. Sara concebeu e deu um filho a Abraão, apesar da sua velhice, na data marcada por Deus. Ao filho que lhe nasceu de Sara deu Abraão o nome de Isaac.

 

«Abraão acreditou». «A fé de Abraão consiste em crer numa promessa humanamente irrealizável. Deus reconheceu-lhe o mérito deste acto (cf. Dt 24, 13; Salm 105, 31), o que lhe foi atribuído em conta de justiça, já que o «justo» é o homem a quem a sua rectidão e a sua submissão tornam agradável a Deus. S. Paulo utiliza este texto para provar que a justificação depende da fé e não das obras da Lei; mas a fé de Abraão determina a sua conduta, é princípio de acção, por isso S. Tiago pode invocar o mesmo texto para condenar a fé ‘morta’, sem as obras da fé» (Bíblia de Jerusalém); cf. Rom 4, 9-12 e Tg 2, 21-23. A fé de Abraão é posta em evidência não apenas aqui, ao crer na promessa de Deus, mas também ao obedecer para deixar a sua terra (Gn 12, 4) e para sacrificar o seu filho Isac (Gn 22, 1-4).

 

Salmo Responsorial    Salmo 127 (128), 1-2.3.4-5 (R. cf. 1)

 

Monição: Este cântico de peregrinação realça as bênçãos que o Senhor concede a quem O honra em todas as funções e caminhadas da vida.

 

Refrão:        Felizes os que esperam no Senhor,

                e seguem os seus caminhos.

Ou:               Ditosos os que temem o Senhor,

                ditosos os que seguem os seus caminhos.

 

Feliz de ti, que temes o Senhor

e andas nos seus caminhos.

Comerás do trabalho das tuas mãos,

serás feliz e tudo te correrá bem.

 

Tua esposa será como videira fecunda

no íntimo do teu lar;

teus filhos serão como ramos de oliveira

ao redor da tua mesa.

 

Assim será abençoado o homem que teme o Senhor.

De Sião te abençoe o Senhor:

vejas a prosperidade de Jerusalém

todos os dias da tua vida.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Aponta-se a vida nova da família de Cristo. Os cristãos desde que ressuscitaram com Cristo e são amados por Deus, santos e dilectos, devem imitar Cristo e cumprir a Sua palavra.

 

Colossenses 3, 12-21

Irmãos: 12Como eleitos de Deus, santos e predilectos, revesti-vos de sentimentos de misericórdia, de bondade, humildade, mansidão e paciência. 13Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, se algum tiver razão de queixa contra outro. Tal como o Senhor vos perdoou, assim deveis fazer vós também. 14Acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição. 15Reine em vossos corações a paz de Cristo, à qual fostes chamados para formar um só corpo. E vivei em acção de graças. 16Habite em vós com abundância a palavra de Cristo, para vos instruirdes e aconselhardes uns aos outros com toda a sabedoria; e com salmos, hinos e cânticos inspirados, cantai de todo o coração a Deus a vossa gratidão. 17E tudo o que fizerdes, por palavras ou por obras, seja tudo em nome do Senhor Jesus, dando graças, por Ele, a Deus Pai. 18Esposas, sede submissas aos vossos maridos, como convém no Senhor. 19Maridos, amai as vossas esposas e não as trateis com aspereza. 20Filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto agrada ao Senhor. 21Pais, não exaspereis os vossos filhos, para que não caiam em desânimo.

 

A leitura é tirada da parte final da Carta, a parte parenética, ou de exortação moral, em que o autor fundamenta a vida moral do cristão na sua união com Cristo a partir do Baptismo: trata-se duma «vida nova em Cristo».

12-15 Temos aqui a enumeração de uma série de virtudes e de atitudes indispensáveis à vida doméstica, diríamos nós agora, para que ela se torne uma imitação da Sagrada Família de Nazaré. Estas virtudes são apresentadas com a alegoria do vestuário, como se fossem diversas peças de roupa, que, para se ajustarem bem à pessoa, têm de ser cingidas com um cinto, que é «a caridade, o vínculo da perfeição». Na linguagem bíblica, «revestir-se» não indica algo de meramente exterior, de aparências, mas assinala uma atitude interior, que implica uma conversão profunda.

18-21 O autor sagrado não pretende indicar aqui os deveres exclusivos de cada um dos membros da família, mas sim pôr o acento naqueles que cada um tem mais dificuldade em cumprir; com efeito, o marido também tem de «ser submisso» à mulher, e a mulher também tem de «amar» o seu marido.

 

Aclamação ao Evangelho        Col 3, 15a.16a

 

Monição: A liturgia apresenta-nos a Família de Nazaré como modelo de convivência, de amor, de compreensão entre esposos.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação- 2, F da Silva, NRMS 50-51

 

Reine em vossos corações a paz de Cristo,

habite em vós a sua palavra.

 

 

Evangelho *

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa: São Lucas 2, 22-40      Forma breve: São Lucas 2, 22-32

22Ao chegarem os dias da purificação, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor, 23como está escrito na Lei do Senhor: «Todo o filho primogénito varão será consagrado ao Senhor», 24e para oferecerem em sacrifício um par de rolas ou duas pombinhas, como se diz na Lei do Senhor. 25Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão, homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel e o Espírito Santo estava nele. 26O Espírito Santo revelara-lhe que não morreria antes de ver o Messias do Senhor 27e veio ao templo, movido pelo Espírito. Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito, 28Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando: 29«Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, 30porque os meus olhos viram a vossa salvação, 31que pusestes ao alcance de todos os povos: 32luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo».

[33O pai e a mãe do Menino Jesus estavam admirados com o que d’Ele se dizia. 34Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição – 35e uma espada trespassará a tua alma – assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». 36Havia também uma profetiza, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada 37e tinha vivido casada sete anos após o tempo de donzela e viúva até aos oitenta e quatro. Não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações. 38Estando presente na mesma ocasião, começou também a louvar a Deus e a falar acerca do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. 39Cumpridas todas as prescrições da Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré. 40Entretanto, o Menino crescia e tornava-Se robusto, enchendo-Se de sabedoria. E a graça de Deus estava com Ele.]

 

A ida de Maria a Jerusalém para cumprir a lei da purificação das parturientes (Lv 12) serve de ocasião para que José e Maria procedam a um gesto que não estava propriamente prescrito pela Lei. Apresentar ali o Menino ao Senhor é um gesto de oferta que mostra que Ele não lhes pertence e que se sentem meros depositários dum tesoiro de infinito valor. Pode também ver-se o sentido de imitação do gesto de Ana, mãe de Samuel (Sam 1, 11.22-28). Mas se a lei não preceituava a «apresentação», obrigava ao resgate do primogénito varão (não pertencente à tribo de Levi). Segundo Ex 13, o primogénito animal devia ser oferecido em sacrifício, ao passo que o primogénito humano devia ser resgatado, tudo isto em reconhecimento pelos primogénitos dos israelitas não terem sido sacrificados juntamente com os dos egípcios. O preço do resgate eram 5 siclos do santuário. Cada siclo de prata, no padrão do santuário, constava de vinte grãos com o peso total de 11,4 gramas. S. Lucas não fala deste resgate de 57 gramas de prata, que podia ser pago a qualquer sacerdote em qualquer parte da nação judaica; o evangelista apenas faz uma referência genérica ao cumprimento da Lei (v. 23; cf. Ex 13, 2.12-13).

24 A lei da purificação atingia toda a parturiente, a qual contraía impureza legal durante 7 dias, se dava à luz um rapaz, (Ex 12, 28, mas a jurisprudência judaica já tinha acrescentado mais 33 dias, um total de 40) e durante 14 dias, se tinha uma menina (tinha subido na época para 80 dias). No fim desse tempo, devia ser declarada pura mediante a oferta no templo duma rês menor (podia ser um cordeiro) e duma pomba ou rola. Quando a mãe não dispunha de meios para oferecer uma rês menor, podia oferecer um par de pombas ou rolas, como aqui se refere.

Tenha-se em conta que a «impureza legal ou ritual» não incluía a noção de pecado, ou de impureza moral. De modo particular todas as coisas relativas à transmissão da vida, mesmo no caso de serem moralmente boas, como a maternidade e o uso legítimo do matrimónio, ou moralmente indiferentes, como a menstruação e a polução nocturna, tornavam a pessoa impura, isto é, inapta para o culto de Deus Santo. A razão disto estava no carácter sagrado da vida e da sua transmissão. Parece que tudo isto implicava alguma perda de vitalidade, que devia ser reparada mediante certos ritos, para de novo poder entrar em comunhão com Deus, a plenitude e a fonte da vida. Estas leis tinham uma finalidade eminentemente didáctica: o povo de Israel era um povo santo, especialmente dedicado a Deus e ao seu culto, e em comunhão com Ele (cf. Ex 19, 5-6; Lv 19, 2). Todas as normas de pureza ritual faziam-no tomar constantemente consciência das suas relações particularíssimas com Deus e do sentido cultual da sua vida diária. A verdade é que a frequência e abundância dos ritos nem sempre foi alicerçada num coração dedicado a Deus, tendo degenerado no formalismo religioso tão denunciado pelos profetas e por Jesus Cristo (cf. Is 29, 13; Mt 15, 7-9).

Em face disto, o rito da Purificação de Maria, não pressupõe a aparência sequer de qualquer imperfeição moral ou legal da parte da SSª Virgem, como se poderia pensar. O gesto de Maria aparece como uma singular lição de naturalidade, de obediência e de pureza, cumprindo uma lei a que não estava sujeita, por ser a aeiparthénos, a sempre Virgem; Maria, a tão privilegiada, não quer para si um regime de excepção e privilégio.

25 «Simeão», de quem não temos mais notícias (em parte nenhuma se diz que era velho), aparece como um dos «piedosos» do judaísmo que esperava não um messias revolucionário (como os zelotas), mas o verdadeiro Salvador – «a consolação de Israel». Apesar do que se diz no v. 34, não parece ser sacerdote, não estando no serviço do templo, mas tendo vindo lá «movido pelo Espírito» (v. 27). Há quem o considere filho do grande rabino Hillel e pai do célebre Gamaliel I (Vacari; cf. Act 5, 34; 22, 3), mas sem provas convincentes.

33 A naturalidade com que S. Lucas chama a S. José «pai de Jesus» não implica qualquer contradição com o que antes afirmou em 1, 26-38. Aqui visa o poder e missão paterna, de modo nenhum a ascendência carnal.

35 «Assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». Estas palavras ligam-se a «sinal de contradição». É que, diante de Jesus, não há lugar para a neutralidade: a sua pessoa, a sua obra e a sua mensagem fazem com que os homens revelem o seu interior, tomando uma atitude pró ou contra; a aceitação e a fé será, para muitos, motivo de salvação, ou «ressurgimento espiritual» («se levantem»), ao passo que a rejeição culpável será motivo de que muitos se condenem («muitos caiam»).

36-37 Põe-se em relevo a sua longa viuvez, como algo digno de veneração.

38 Não se afasta do Templo: hipérbole para indicar a frequência diária.

39 Este v. corresponde a Mt 2, 23, mas Lucas não relata aqui a fuga para o Egipto.

40 A Teologia explicita que «o Menino crescia», não só na manifestação da sabedoria, mas também no conhecimento experimental.

 

Sugestões para a homilia

 

a)     Abraão e a aliança

b)     Somos filhos de um Deus de palavra

c)     Família cristã, família aberta

d)     O menino crescia, cheio de sabedoria

 

a) O Senhor aceita as boas intenções, os bons procedimentos, a sinceridade e a ajuda contra os inimigos, como acções justas e meritórias.

Abraão auxilia os prejudicados por roubos, assassinatos, liberta-os vencendo os maldosos, repondo a legalidade, resgatando os prisioneiros e castigando os traidores da usura e saque.

Respeita a aliança com seus amigos, reparte e só pretende aquilo a que tem direito. Isso agradou ao Senhor que lhe promete um desejado descendente, firma com ele uma aliança inquebrável.

Deus atende os queixumes do primeiro patriarca do povo que convida a formar.

Ensina-nos a:

Ouvir a voz de Deus e a ir em socorro de quem precisa,

A corrigir os que erram e a libertar os cativos das maldades,

A acreditar sempre na palavra de Deus que não engana, não erra e cumpre sempre.

No tempo devido e prometido nasce Isaac.

 

b) Deus preparou a vinda de Seu Filho, o messias, durante s´ceulos e envia-o no tempo que julgou mais oportuno.

Foi herdeiro, resgatador, vencedor dos inimigos do bem, operando a maior batalha contra os que desrespeitam Deus; ganhou pelos sofrimentos, paixão e morte.

 

c) – Na actual revolução social, a célula familiar está particularmente em perigo. Seu direito tradicional, sua moral, sua economia, sua função são postos em discussão.

– Do ponto de vista moral, o divórcio, o espinhoso problema da limitação da natalidade, o aumento do número dos matrimónios fracassados obrigam os cristãos a retomar consciência de carácter sagrado da família cristã.

– S.Paulo apresenta o amor dos esposos entre si para que a harmonia conjugal, querida por Deus, não seja desequilibrada. Para isto sugere uma terapia salutar: misericórdia e bondade, humildade, mansidão e paciência, e o cultivo da compreensão e caridade.

Cristo deu origem a esta instituição – o matrimónio – Sacramento – como fonte de graça, segundo o modelo do Seu amor pela Igreja. O amor conjugal é, portanto, um meio de santificação para o cumprimento dos deveres do estado conjugal (Gaudium et Spes, 48).

Estes deveres concretizam no estado conjugal dos deveres gerais, derivados da família do povo de Deus (2.ª Leitura).

A Família de Nazaré é o modelo de convivência e da mútua compreensão.

 

d) – Este evangelho apresenta, em sua primeira parte e na conclusão, a sagrada família cumprindo a lei, isto é, plenamente inserida na ordem social.

Tem um desenvolvimento teológico-pascal e a mãe aparece estreitamente unida, na dor, ao destino do filho. Jesus é aqui descrito como o Messias do Senhor, isto é, como o ungido por excelência, destinado a uma obra de salvação que cumprirá realizando em Si a figura isaiana do Servo sofredor.

Na Sagrada Família, como tidas as outras, há alegrias e tristezas, desde o nascimento até a infância e a idade adulta; ela amadurece através dos acontecimentos alegres e tristes para cada um de seus membros.

Depois do encontro no templo, Maria e José calam-se, não apresentam objecções sobre a opção de Jesus; parecem perceber que é uma escolha que os exclui da vida de seu único filho, uma opção semeada de lágrimas e sangue, mas aceitam, porque é essa a vontade de Deus (Ev. do ano C).

– Em regra, os pais, como é natural, preocupam-se com o aumento e forma de vestir dos filhos. Costumam dar-lhes uma educação humana de acordo com a sua posição social e económica. Feito isto julgam ter cumprido.

São poucos os que se preocupam da educação religiosa dentro da família; falta a orientação cristã em casa e, sobretudo, o exemplo; e, no melhor dos casos julgam cumprir mandando os filhos à catequese.

Não há proporção entre a educação humana e religiosa. O que interessa é a carreira, um lugar lucrativo na vida.

No banquete eucarístico aprende-se e vive-se o amor cristão que Cristo mostrou no mistério pascal da Sua Morte e Ressurreição.

 

Fala o Santo Padre

 

«A família de Jesus merece deveras o título de "santa",

porque está totalmente absorvida pelo desejo de cumprir a vontade de Deus.»

Neste domingo, que segue o Natal do Senhor, celebramos com alegria a Santa Família de Nazaré. O contexto é o mais adequado, porque o Natal é por excelência a festa da família. […] Sem dúvida, a família é uma graça de Deus, que deixa transparecer o que Ele próprio é: Amor. Um amor totalmente gratuito, que sustenta a fidelidade ilimitada, mesmo nos momentos de dificuldade e desencorajamento. Estas qualidades encarnam-se de modo eminente na Sagrada Família, na qual Jesus veio ao mundo e foi crescendo e se foi enchendo de sabedoria, com os cuidados amorosos de Maria e com a tutela fiel de São José.

[…] A família de Jesus merece deveras o título de "santa", porque está totalmente absorvida pelo desejo de cumprir a vontade de Deus, encarnada na adorável presença de Jesus. Por um lado, é uma família como todas e, como tal, é modelo de amor conjugal, de colaboração, de sacrifício, de entrega à divina Providência, de laboriosidade e de solidariedade, em suma, de todos aqueles valores que a família guarda e promove, contribuindo de modo primordial para formar o tecido de cada sociedade. Mas, ao mesmo tempo, a Família de Nazaré é única, diversa de todas, pela sua singular vocação ligada à missão do Filho de Deus. Precisamente com esta sua unicidade ela indica a cada família, em primeiro lugar às famílias cristãs, o horizonte de Deus, a primazia doce e exigente da sua vontade, a perspectiva do Céu para o qual somos destinados. Por tudo isto hoje damos graças a Deus, mas também à Virgem Maria e a São José, que com tanta fé e disponibilidade cooperaram para o desígnio de salvação do Senhor. […]

Bento XVI, Angelus, Praça de São Pedro, 28 de Dezembro de 2008

 

Oração Universal

 

Na festa da Sagrada Família, invoquemos, irmãos, a Deus todo-poderoso, pedindo-lhe que proteja todas as famílias do mundo.

 

1.     Pela santa Igreja de Deus:

para que todos os seus filhos, revestidos de sentimentos de bondade, humildade e compreensão,

se amem uns aos outros como irmãos,

oremos ao Senhor.

 

2.     Por todas as nações e pelos seus chefes:

para que no mundo se estabeleça a justiça, a concórdia e a paz,

oremos ao Senhor.

 

3.     Pelos que não têm lar para se acolherem,

pelos que passam fome ou sofrem com discórdias familiares,

para que Deus lhes conceda o remédio de seus males,

oremos ao Senhor.

 

4.     Por todas e cada uma das famílias da nossa comunidade:

para que vivam em paz, cresçam no amor,

dêem ao mundo um testemunho de caridade cristã,

oremos ao Senhor.

 

Ouvi com amor, Pai celeste, as orações da Vossa família que põe em Vós a sua confiança;

ajudai-a, para que se veja livre de todo o mal e enriquecida de todos os bens.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo…

 

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: A Virgem Imaculada, David Oliveira, NRMS 24

 

Oração sobre as oblatas: Nós Vos oferecemos, Senhor, este sacrifício de reconciliação e humildemente Vos suplicamos que, pela intercessão da Virgem, Mãe de Deus, e de São José, se confirmem as nossas famílias na vossa paz e na vossa graça. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio do Natal: p. 457[590-702] ou 458-459

 

No Cânone Romano, diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio. Nas Orações Eucarísticas II e III faz-se também a comemoração própria do Natal.

 

Santo: Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

Esta Eucaristia e a comunhão com Deus, feito homem, hão-de dar-nos forças para construirmos um mundo de paz e de justiça.

 

Cântico da Comunhão: Guardai, Senhor, nossas famílias, Az. Oliveira, NRMS 71-72

cf. Br 3, 38

Antífona da comunhão: Deus apareceu na terra e começou a viver no meio de nós.

 

Cântico de acção de graças: Quero bendizer-vos todos os dias, A. Cartageno, NRMS 71-72

 

Oração depois da comunhão: Pai de misericórdia, que nos alimentais neste divino sacramento, dai-nos a graça de imitar continuamente os exemplos da Sagrada Família, para que, depois das provações desta vida, vivamos na sua companhia por toda a eternidade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Vivamos com fé a jaculatória “Amado Jesus, José e Maria” meu coração Vos dou e alma minha…

 

Cântico final: Vamos a Belém, M. Faria, NRMS 4 (II)

 

Homilia FeriaL

 

 

Sábado, 31-XII: Uma ‘vida nova’ em Deus.

1 Jo 2, 18-21 / Jo 1, 1-18

E estes não nasceram do sangue, nem da vontade do homem, mas nasceram de Deus.

Estamos a viver os últimos momentos do ano: «Estamos já na última hora (Leit.). Já chegou, pois a nós, a plenitude dos tempos, a renovação do mundo já está irrevogavelmente adquirida e, de certo modo, encontra-se já realmente antecipada neste tempo» (CIC, 670).

É importante que nos preparemos para uma ‘vida nova’, que começa com o bom acolhimento de Jesus: «veio para o que era seu e os seus não o acolheram» (Ev.); que nos leva a ‘nascermos de novo’ e a vivermos de acordo com a dignidade de filhos de Deus.

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Ferreira de Sousa

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilia Ferial:                      Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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