Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo

 

Missa do Dia

25 de Dezembro de 2011

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Glória a Deus e paz na terra, Az. Oliveira, NRMS 52

Is 9,6

Antífona de entrada: Um Menino nasceu para nós, um Filho nos foi dado. Tem o poder sobre os seus ombros e será chamado Conselheiro admirável.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Qualquer dos textos litúrgicos desta celebração do Dia de Natal nos fala da presença de Jesus, Deus e Homem. É verdade que no Natal somos muito mais sensíveis à Sua presença física no meio de nós, especialmente porque evocamos o Seu nascimento.

Mas a liturgia está permanentemente a evocar que o Menino de Belém é Deus, que vive desde toda a eternidade.

Há dois mil anos, todavia, a palavra de Deus fez-Se carne, fez-Se homem e habitou no meio de nós, expressou-Se na nossa linguagem e pôde dizer-nos quem é e como é o Pai.

A encarnação de Jesus, Filho de Deus, quis acima de tudo dizer-nos o quanto o Pai nos ama.

Porque nem sempre temos acolhido este amor com o respeito e a sinceridade com que o devíamos fazer, peçamos perdão ao Senhor.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que de modo admirável criastes o homem e de modo ainda mais admirável o renovastes, fazei que possamos participar na vida divina do vosso Filho que Se dignou assumir a nossa natureza humana. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Isaías anuncia com alegria aos judeus exilados na Babilónia que irão regressar à sua terra e que Deus voltará a reinar em Sião. Esta alegria para o povo, é também sinal da alegria que nos estava reservada com a vinda de Seu Filho Jesus.

 

Isaías 52, 7-10

7Como são belos sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia a paz, que traz a boa nova, que proclama a salvação e diz a Sião: «O teu Deus é Rei». 8Eis o grito das tuas sentinelas que levantam a voz. Todas juntas soltam brados de alegria, porque vêem com os próprios olhos o Senhor que volta para Sião. 9Rompei todas em brados de alegria, ruínas de Jerusalém, porque o Senhor consola o seu povo, resgata Jerusalém. 10O Senhor descobre o seu santo braço à vista de todas as nações e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus.

 

Esta página maravilhosa de Isaías que se refere à boa nova do fim do desterro trazida a Jerusalém pelos «belos pés do mensageiro que anuncia a paz», serve, na Liturgia de hoje, como de um hino triunfal a Cristo que vem à terra.

10 «O Senhor descobre o seu santo braço». Antropomorfismo que contém uma expressiva e frequente metáfora: o braço designa o poder e a força. Descobrir o braço é manifestar o poder.

 

Salmo Responsorial    Salmo 97 (98), 1.2-3ab.3cd-4.5-6 (R. 3c)

 

Monição: O Senhor fez maravilhas e deu a conhecer às nações a salvação, a justiça e a fidelidade, evocamos nós neste salmo.

 

Refrão:        Todos os confins da terra

                     viram a salvação do nosso Deus.

 

Cantai ao Senhor um cântico novo

pelas maravilhas que Ele operou.

A sua mão e o seu santo braço

Lhe deram a vitória.

 

O Senhor deu a conhecer a salvação,

revelou aos olhos das nações a sua justiça.

Recordou-Se da sua bondade e fidelidade

em favor da casa de Israel.

 

Os confins da terra puderam ver

a salvação do nosso Deus.

Aclamai o Senhor, terra inteira,

exultai de alegria e cantai.

 

Cantai ao Senhor ao som da cítara,

ao som da cítara e da lira;

ao som da tuba e da trombeta,

aclamai o Senhor, nosso Rei.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Deus, por infinito amor, deu-nos Jesus, a verdadeira luz que ilumina todos os homens. Saibamos escutá-l’O e adorá-l’O.

 

Hebreus 1, 1-6

1Muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais, pelos Profetas. 2Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por seu Filho, a quem fez herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo. 3Sendo o Filho esplendor da sua glória e imagem da sua substância, tudo sustenta com a sua palavra poderosa. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, sentou-Se à direita da Majestade no alto dos Céus 4e ficou tanto acima dos Anjos quanto mais sublime que o deles é o nome que recebeu em herança. 5A qual dos Anjos, com efeito, disse Deus alguma vez: «Tu és meu Filho, Eu hoje Te gerei»? E ainda: «Eu serei para Ele um Pai e Ele será para Mim um Filho»? 6E de novo, quando introduziu no mundo o seu Primogénito, disse: «Adorem-n’O todos os Anjos de Deus».

 

Hebreus, o célebre escrito doutrinal e exortatório, começa com um prólogo solene que nos situa, sem rodeios, perante a suma dignidade da pessoa de Jesus Cristo, à semelhança do prólogo do Evangelho de S. João. Começa por mostrar que é n’Ele que o Pai nos fala e se revela de modo exaustivo e definitivo, em contraste com toda a revelação anterior, fragmentária, variada e feita numa fase da história da salvação já superada. «Falou-nos por seu Filho», por isso a história da salvação chegou ao seu apogeu e plenitude, de modo que já não há lugar para mais nenhuma revelação ulterior (cf. DV, 4). Como observa S. João da Cruz, o Pai tendo-nos dito a sua própria Palavra, já não tem mais outra palavra para nos dizer (cf. Subida ao Monte Carmelo, 2, 22).

3 «Esplendor da glória de Deus. Fórmula muito expressiva no original, mas dificilmente traduzível em toda a sua riqueza. O Filho é a irradiação da substância do Pai, distinto d’Ele, mas da mesma substância; é «Deus de Deus, luz de luz», como diz o símbolo de Niceia para exprimir a processão, ou origem do Filho no Pai, sendo com Ele um mesmo e único Deus.

«Imagem do ser divino». À letra, «reprodução da sua essência». Mais que imagem, quer significar, no original, a marca deixada pelo sinete no lacre, por um selo branco no papel, ou pela matriz na moeda cunhada. O Filho identifica-se com o Pai, quanto ao ser divino, mas esta imagem põe em evidência sobretudo a distinção de Pessoas na igualdade, como o cunho se distingue do objecto cunhado. A primeira expressão visa mais a identidade da natureza («esplendor», ou luz e irradiação).

 

Aclamação ao Evangelho

 

Monição: Deus, por infinito amor, deu-nos Jesus, a verdadeira luz que ilumina todos os homens. Saibamos escutá-l’O e adorá-l’O.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 1, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Santo é o dia que nos trouxe a luz.

Vinde adorar o Senhor.

Hoje, uma grande luz desceu sobre a terra.

 

 

Evangelho *

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa: São João 1, 1-18          Forma breve: São João 1, 1-5.9-14

1No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, 2Ele estava com Deus. 3Tudo se fez por meio d’Ele e sem Ele nada foi feito. 4N’Ele estava a vida e a vida era a luz dos homens. 5A luz brilha nas trevas e as trevas não a receberam. 6(Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João. 7Veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. 8Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz.). 9O Verbo era a luz verdadeira, que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem. 10Estava no mundo e o mundo, que foi feito por Ele, não O conheceu. 11Veio para o que era seu e os seus não O receberam. 12Mas, àqueles que O receberam e acreditaram no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. 13Estes não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. 14E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que Lhe vem do Pai como Filho Unigénito, cheio de graça e de verdade. 15(João dá testemunho d’Ele, exclamando: «Era deste que eu dizia: ‘O que vem depois de mim passou à minha frente, porque existia antes de mim’». 16Na verdade, foi da sua plenitude que todos nós recebemos graça sobre graça. 17Porque, se a Lei foi dada por meio de Moisés, a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. 18A Deus, nunca ninguém O viu. O Filho Unigénito, que está no seio do Pai, é que O deu a conhecer.)

 

A leitura evangélica de hoje é o prólogo do IV Evangelho, que constitui a chave para uma profunda compreensão de toda a obra do discípulo amado e da Pessoa adorável de Jesus Cristo: Ele é o Verbo incriado, o Deus Unigénito, que assumiu a nossa condição humana e nos oferece a possibilidade de ser filhos de Deus. Discute-se se o Evangelista compôs este texto para encabeçar a sua obra, ou se aproveitou algum hino litúrgico já existente (a que acrescentaria os vv. 6-9.13.15.17-18). Tem a forma dum poema em que os seus 18 versos se podem agrupar em 4 estrofes (vv. 1-5; 6-8; 9-13; 14-18), cada uma com uma ideia central, que se vai ampliando e esclarecendo progressivamente. Este prólogo é como uma solene abertura de uma grande obra musical, onde os grandes temas a desenvolver ao longo do Evangelho começam por ser apontados: o Verbo Incarnado, Luz e Vida dos homens, Messias e revelador do Pai, os testemunhos a seu favor, a resposta humana de aceitação ou de rejeição, bem como as consequências de transcendental importância que tem a dramática alternativa em que o homem é posto perante a pessoa de Jesus.

1 «No princípio». Esta expressão faz-nos pensar no início do Génesis, onde se falava da Primeira Criação, que culminou com a criação do homem; no IV Evangelho fala-se duma Nova Criação, a Redenção operada pelo Verbo Incarnado, que culmina na elevação do homem à dignidade de filho de Deus. A própria noção de «princípio» é diferente em Gn 1, 1 e em Jo 1, 1: lá designava o início do tempo, aqui exprime o princípio absoluto que transcende o tempo e nos situa na própria eternidade de Deus. É muito expressivo o imperfeito de duração do verbo grego «eimi» repetido no v. 1, com três matizes: havia ou existia, estava, era, em contraposição com o aoristo de verbo «gínomai» no v. 3: tudo «foi feito», ao passo que o Verbo «existia», permanecia na existência («havia o Verbo»)! Não é possível fazer uma afirmação mais forte e clara da divindade de Jesus – o Verbo que se fez homem (v. 14) – do que esta frase com que S. João inicia o seu Evangelho: «O Verbo era Deus». Com razão desde os Santos Padres o IV Evangelista é figurado pela águia (cf. Ez 1, 10), pois o seu voo sobe de chofre até às alturas da divindade de Cristo e o seu olhar aquilino penetra nas profundezas do mistério da Pessoa divina de Jesus, no seio da Santíssima Trindade.

3 «Tudo foi feito por Ele». Esta expressão não significa que o Verbo foi o meio ou instrumento de que o Pai se serviu para criar. Ele age juntamente com o Pai e com o mesmo e único poder. A preposição grega «diá» («por») não se usa com genitivo para indicar apenas a causa instrumental; também pode indicar a causa principal como é aqui o caso e em Rom 11, 36. Esta expressão também evidencia que o Verbo não é criatura, uma vez que tudo o que foi feito, foi feito por Ele, em aberto contraste com a sabedoria, que Provérbios e Eclesiástico personificam (Prov 8, 22 ss; Sir 1, 4; 24, 8-9), a qual foi criada e nasceu.

4 «Vida». «Luz». São estes dois dos grandes temas do IV Evangelho (cf. Jo 8, 12; 14, 6). «A Vida era a Luz dos Homens»: o Verbo é a Luz da Vida (Jo 8, 12), Luz que conduz à Vida, Vida que é Luz, e Luz que é Vida. São dois conceitos que caracterizam a esfera da divindade, em oposição antagónica com as trevas, que são o reino de Satanás e seus sequazes. Este antagonismo que está patente ao longo dos escritos paulinos e joaninos, era corrente na literatura da época tanto judaica (em especial de Qumrã), como depois na gnóstica.

5 «As trevas não a receberam». Também se pode traduzir «não a compreenderam», ou «não a dominaram» (tendo em conta o contexto joanino da luta entre a luz e as trevas).

6-8 João não se interessa no seu Evangelho por nos dar a conhecer a vida ou a pregação moral do seu antigo mestre (Jo 1, 37 ss), mas não perde uma ocasião de pôr em realce o seu «testemunho» em favor de Jesus (Jo 1, 16.19.29.35; 3, 27; 5, 33). A insistência, em especial nestes versículos do prólogo (6-8.15) que interrompem o ritmo do poema, concretamente ao dizer que João «não era a Luz», pode dever-se a querer refutar os «joanitas», uma espécie de seita que seguia o Baptista, sem ter chegado a aderir a Cristo (cf. Act 19, 3-4).

9 Este versículo tem diversas traduções legítimas; a litúrgica segue a tradução preferível da Neovulgata, ao passo que a Vulgata dizia: «era a luz verdadeira que ilumina todo o homem que vem a este mundo».

10 «Não O conheceu», isto é, não O reconheceu como o Verbo de Deus e Salvador.

11 «Os seus» poderia designar o povo de Israel, enquanto propriedade de Deus (cf. Ex 19, 5; Dt 7, 6), mas parece designar, dado o paralelismo com o v. anterior, a humanidade no seu conjunto. A observação amarga de S. João (cf. Jo 12, 37) não tem vigência só para o dia de Natal (cf. Lc 2, 7), pois também cada um de nós sempre pode «acolher» melhor a Jesus.

12 «Deu-lhes o poder», isto é, concedeu-lhes a graça, dom e favor inteiramente gratuito que supera as possibilidades de qualquer criatura. «O Filho de Deus fez-se homem, para que os filhos dos homens, os filhos de Adão, se fizessem filhos de Deus... Ele é o Filho de Deus por natureza, nós pela graça» (Santo Atanásio).

13 «E estes». Textos muito antigos e de grande valor têm o singular – «Este» – (adoptado pela Bíblia de Jerusalém) referido a Jesus, indicando assim simultaneamente a concepção e o parto virginal da Santíssima Virgem (um nascimento sem sangue).

14 Duma penada, S. João exprime toda a riqueza do mistério do Natal, sem se deter a narrar os seus pormenores, como S. Lucas. «Fez-se carne» é um hebraísmo para dizer que Se fez homem; de qualquer modo, põe-se o acento no aspecto mortal e passível: o Verbo eterno, a Segunda Pessoa divina, torna-se um de nós, sem deixar de ser Deus, em tudo igual a nós, excepto no pecado (cf. Hbr 4, 15).

«Habitou», literalmente significa: «ergueu a sua tenda no meio de nós». Parece haver aqui uma alusão à presença de Deus no meio do seu povo, na nuvem branca que pairava, no deserto, sobre a Tenda da Reunião. Esta alusão torna-se mais clara, se temos em conta o texto original grego – «eskénôsen» (ergueu a tenda) – que tem uma certa assonância com «xekhiná» a presença de Deus no meio do Povo (cf. Ex 40, 34-38). Esta presença misteriosa, mas real, continua-se na Santíssima Eucaristia, «Incarnação continuada».

A «Glória» do Verbo incarnado, que S. João e os demais viram, é a manifestação externa da sua divindade: os seus milagres, a sua transfiguração, a sua ressurreição, etc..

«Filho Unigénito». S. João, ao longo de todo o seu Evangelho, tem o cuidado de sempre reservar um termo grego para designar Jesus como Filho do Pai – yiós –, usando outra palavra para se referir a nós, enquanto filhos de Deus: téknon (cf. v. 12). Nós «tornamo-nos» filhos de Deus, (v. 12), ao passo que Jesus é o Filho por natureza, igual ao Pai, o «Unigénito» (vv. 14.18). O termo «Unigénito» (muitos traduzem por «Único») presta-se a exprimir o que a Teologia veio a explicitar como a «geração» eterna, intelectual e única do Verbo no Pai.

«Cheio de graça e de verdade». S. João aplica ao Verbo incarnado a mesma definição que Yahwéh dá de Si mesmo a Moisés em Ex 34, 6: «Deus de muito amor e fidelidade». Por um lado, é mais uma referência à divindade de Cristo, por outro, põe em relevo as qualidades que resumem a grandeza do seu Coração de «pontífice misericordioso e fiel» (Hebr 2, 17).

16 «Graça sobre graça», isto é, graças em catadupa, umas atrás das outras, procedentes da plenitude de Cristo, como duma fonte inexaurível (cf. Jo 7, 37-39), ou também, como pensam alguns, «graça após graça», ou «graça em vez de graça» (Cristo-Moisés, Antiga-Nova Aliança), ou ainda «graça correspondente à graça» (a do Verbo: graça criada-graça incriada).

17 «Jesus Cristo» é aqui identificado explicitamente com o Verbo. A Lei mosaica limitava-se a dar normas, mas só por si não podia salvar ninguém, só a graça que Cristo nos trouxe a salvação.

18 «A Deus nunca ninguém O viu. Todas as «visões» de Deus eram indirectas, pois o homem não pode ver a Deus sem morrer (cf. Ex 19, 21; Is 6, 5), mas em Jesus temos a máxima manifestação de Deus à criatura nesta vida, a tal ponto que, mesmo sem contemplarmos a essência divina, quem vê a Jesus vê o Pai (Jo 14, 9). Com a Incarnação do Verbo temos a maior revelação de Deus à Humanidade.

«O Filho Unigénito, que está no seio do Pai». Outra variante possível na transmissão do texto original: «Deus Unigénito» (adoptada pela Neovulgata).

 

Sugestões para a homilia

 

Os homens foram conhecendo Deus através dos profetas

Jesus, “Verbo” encarnado, revelou o Pai

A humanidade alegra-se com tal revelação

 

Os homens foram conhecendo Deus através dos profetas

O autor da epístola aos Hebreus explica-nos que Deus usa de muitos modos para manifestar aos homens o seu amor. Fala através da criação, pelas maravilhas da natureza, no sol que nasce, na chuva, no movimento regular dos astros no firmamento e em todos os acontecimentos. Os homens percebem tudo isto como manifestação do Alto.

Mas esta forma de Deus comunicar com os homens é a menos perfeita. O povo de Israel, todavia, através dos profetas teve o privilégio de ouvir a voz do Senhor, que assim dava a conhecer a Sua mensagem de uma forma mais clara.

Continuava, porém, a ser imperfeita tal maneira de Se revelar.

Então, Deus enviou o seu próprio Filho, a sua “Palavra”, o seu “Verbo”. Jesus é a revelação mais palpável, evidente e efectiva da pessoa de Deus Pai, e o Evangelho de hoje explica-nos o porquê.

Jesus, “Verbo” encarnado, revelou o Pai

S. João diz-nos que o Filho de Deus, feito homem em Jesus, existia já antes que o mundo fosse criado. Ele chama ao Filho de Deus “Verbo”, que quer dizer “Palavra”, é a Palavra do Pai. Há dois mil anos, a palavra de Deus fez-Se carne, assumindo-Se um como nós. Falou a nossa língua, e assim pôde revelar-nos quem era o Pai, o que representamos nós para Ele e qual era o seu projecto para a humanidade.

Olhar para Cristo, observar o que Ele faz, o que diz, o que ensina, como se comporta, como ama, quem escolhe, com quem participa nas suas refeições, quem prefere, a quem corrige, a quem defende, vemos o Pai... porque é assim que o Pai faz. Jesus diz-nos o quanto Deus ama os homens e como gosta de ficar na nossa companhia. Salva-nos e não nos deseja castigar. Por isso, “o Verbo Se fez carne e veio habitar entre nós”. Deus quis morar no meio de nós, connosco. Veio como luz para iluminar a escuridão em que nos encontrávamos. Esta luz, porém, não foi aceite pelo mundo. O mal que existe em nós: egoísmo, exploração, opressão, injustiça, todavia não a conseguem apagar. Ela continuará a iluminar-nos até à vida eterna que está já garantida pela própria Páscoa de Cristo, sinal da grande alegria para toda a humanidade.

A humanidade alegra-se com tal revelação

A libertação da Babilónia, de que nos fala o profeta Isaías na primeira leitura, era somente a imagem da libertação plena que Deus iria realizar no futuro e que provocaria uma alegria universal e incontrolável.

Mas, dirão: o Messias já veio e não conseguimos observar a realização dessa profecia.

É certo que não vemos senão uma realização imperfeita da libertação prometida. Todavia, continuamos a acreditar e a esperar confiadamente em Deus. Temos, porém, uma certeza: o novo reino já começou com a vinda de Jesus e nós fomos constituídos vigilantes que perceberam ao longe esta vinda e a procuramos anunciar a todos.

Saibamos despertar, naqueles que nos rodeiam, esta manifestação de alegria que supera as exteriorizações unicamente pagãs de uma troca de presentes e fazem esquecer a verdadeira alegria da vinda até nós do Messias de Deus, portador da salvação para toda a humanidade.

 

 

Oração Universal

 

Hoje, recordamos com mais intensidade

a vinda do Senhor até nós

em forma de Palavra, de luz,

de notícia feita carne igual à nossa.

Saibamos recebê-l’O

e apresentemos-Lhe as nossas intenções,

dizendo (ou cantando):

 

Dai-nos, Senhor, a vossa Luz.

 

1.     Pelo Santo Padre, Bispos, Presbíteros e Diáconos,

para que nos recordem que Jesus

é a única Palavra e luz da nossa vida,

oremos, irmãos.

 

2.     Para que as nossas comunidades cristãs

saibam acolher com coerência de vida

a vinda do Senhor Jesus,

oremos, irmãos.

 

3.     Para que todos nós aqui presentes

saibamos ser sentinelas vigilantes

que indiquem ao mundo a alegria

do início do novo reino anunciado,

oremos, irmãos.

 

4.     Para que revelemos o amor de Deus nosso Pai

com atitudes fraternas de amor

e ajuda permanente aos mais necessitados,

oremos, irmãos.

 

5.     Para que saibamos viver o Natal

em atitude cristã de solidariedade e paz,

oremos, irmãos.

 

Senhor,

ao celebramos uma vez mais

o nascimento de Jesus no meio de nós,

que O acolhamos coerentemente no nosso coração,

a fim de O levarmos a todo o mundo.

Isto vos pedimos por intermédio de Jesus Cristo,

 vossa Palavra encarnada, e do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Monição do ofertório

 

As oferendas, fruto do nosso trabalho, se tornem em dons para todos nós, a fim de estimularem a saída da nossa rotina e nos encaminharem para os que mais sofrem e necessitam da vossa presença.

 

Cântico do ofertório: Em Cristo, Sol nascente, Az. Oliveira, NRMS 108

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, a oblação que Vos apresentamos neste dia solene de Natal, em que nasceu para nós a verdadeira paz e reconciliação e se instituiu entre os homens a plenitude do culto divino. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio do Natal: p. 457[590-702] ou 458-459

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Pelo mistério do Verbo encarnado, nova luz da vossa glória brilhou sobre nós, para que vendo a Deus com os nossos olhos, aprendamos a amar asa coisas invisíveis.

Por isso, com os Anjos e os Santos do Céu, proclamamos na terra a vossa glória, cantando numa só voz:

 

No Cânone Romano diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio. Também nas Orações Eucarísticas II e III se faz a comemoração própria.

 

Santo: Santo I, H. Faria, NRMS 103-104

 

Monição da Comunhão

 

Os nossos ouvidos estejam atentos à vossa mensagem, Senhor, para que o nosso compromisso convosco e com o mundo anuncie e construa o Reino, nesta sociedade onde parece que já não tendes lugar, porque incomodais e nos questionais.

 

Cântico da Comunhão: A vida que estava junto do Pai, A. Cartageno, NRMS 56

Salmo 97, 3

Antífona da comunhão: Todos os confins da terra viram a salvação do nosso Deus.

 

Cântico de acção de graças: A minha alma louva o Senhor, M. Carneiro, NRMS 76

 

Oração depois da comunhão: Nós Vos pedimos, Deus misericordioso, que o Salvador do mundo hoje nascido, assim como nos comunicou a sua vida divina, nos faça também participantes da sua imortalidade. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A Palavra escutada e assimilada reavive em nós o desejo de criar um espaço no nosso coração, para que o Verbo de Deus penetre bem dentro dele e nos estimule a arrancar-nos das trevas da rotina, do comodismo e da insensibilidade. Invadi-nos e dinamizai-nos com a vossa Palavra, para que nada nos arranque à alegria do vosso nascimento e da vinda do Reino novo que inaugurastes para a nossa salvação definitiva.

 

Cântico final: Cantem, cantem os Anjos, M. Faria, NRMS 56

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO DO NATAL

 

2ª Feira, 26-XII: S. Estêvão: Características do perdão.

Act 6, 8-10; 7, 54-59 / Mt 10, 17-22

Estêvão dizia a seguinte oração: Senhor Jesus, recebe o meu espírito…e bradou com voz forte: Senhor, não os acuses deste pecado.

Na sua oração Estêvão pedia a Deus que lhe concedesse a vida eterna e perdoasse aos seus carrascos (Leit.).

A oração cristã inclui o perdão dos inimigos. «O perdão é o cume da oração cristã; o dom da oração só pode ser recebido num coração em sintonia com a paixão divina. O perdão testemunha também que, no nosso mundo, o amor é mais forte que o pecado. Os mártires de ontem e de hoje dão este testemunho de Jesus. O perdão é condição fundamental de reconciliação dos filhos de Deus com o seu Pai e dos homens entre si» (CIC, 2844).

 

3ª Feira, 27-XII: S. João: O exemplo do discípulo amado.

1 Jo 2, 3-11 / Lc 2, 22-35

Nós vos anunciamos, pois, o que vimos e ouvimos, para que estejais também em comunhão connosco.

João, o discípulo que Jesus amava (Ev.), recebeu da parte do Senhor muitas manifestações de amizade: Conviveu de perto com o Senhor e transmitiu-nos essas vivências nos seus escritos do Novo Testamento; esteve presente no Calvário; recebeu Nª Senhora como Mãe dos homens.

 Imitando o exemplo de S. João, não deixemos de correr à procura de Jesus (Ev.); anunciemos aos outros a nossa amizade com Deus e recebamos Nª Senhora como nossa Mãe.

 

4ª Feira, 28-XII: S. Inocentes: Viver na Verdade.

1 Jo 1, 5-2, 2 / Mt 2, 13-18

Foge para o Egipto e fica por lá até que eu te diga, pois Herodes vai procurar o Menino para o matar.

Não tendo conseguido eliminar o Menino, Herodes mandou matar as crianças da mesma idade. Esta crueldade manifesta-se nos nossos dias e é levada a cabo por aqueles que querem eliminar Jesus, e os seus ensinamentos, da vida da sociedade.

Apesar das trevas que há na sociedade «o discípulo de Cristo aceita viver na verdade (Leit.), isto é, na simplicidade duma vida conforme ao exemplo do Senhor e permanecendo na sua verdade» (CIC, 2470). O tempo do Natal vai ajudar-nos a seguir passo a passo o exemplo do Senhor.

 

5ª Feira, 29-XII: A luz, o sofrimento e o amor ao próximo.

1 Jo 2, 3-11 / Lc 2, 22-35

Porque os meus olhos viram a vossa salvação… Luz para se revelar aos pagãos e glória de Israel, vosso povo.

Quarenta dias depois do nascimento do Menino, Maria e José levaram-no ao Templo, conforme previa a lei de Moisés. Simão reconhece nele a Luz verdadeira. Mas, junto com essa alegria, profetiza o sofrimento de Nª Senhora e, com Ela, o sofrimento de todos os discípulos de Cristo.

Para andar na luz é também necessário amar o próximo (Leit.). Esse amor está igualmente marcado pela Cruz do convívio diário, e pelas dificuldades, que servem para fortalecer o verdadeiro amor.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         António E. Portela

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial